Colômbia: ajuda humanitária tem ideologia política?

Principais pontos

  • Terremoto no país deixou mais de 280 mortos, 3.800 feridos e 40 mil famílias afetadas. Sobreviventes enfrentam falta de itens básicos, o que eleva a pressão por socorro.
  • Acusado de selecionar ajuda humanitária por alinhamento político, governo negou critérios ideológicos, atribuindo a recusa inicial a diretrizes técnicas da agência de gestão de riscos.
  • Após críticas, a Colômbia confirmou que vai receber apoio de 12 países, incluindo o Brasil.
Equipes de resgate auxiliam a população após violento terremoto atingir a Colômbia no início da semana.
Equipes de resgate auxiliam a população após violento terremoto atingir a Colômbia no início da semana.
Source: ONU News/Valentina Escobar Salazar

Após o violento terremoto que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10/8), uma controvérsia se espalhou pelas redes sociais e imprensa nos últimos dias. Afinal, o governo do recém-eleito presidente Abelardo De La Espriella foi ideologicamente seletivo na hora de aceitar ou recusar ajuda humanitária? 

Na quarta-feira (12/08), o ministro das Relações Exteriores, Omar Bula, negou que o país tenha descartado colaborações de determinados países. E disse que não há qualquer critério ideológico ou político envolvido nesse processo.

O próprio Espriella fez um discurso recente em que declarou que esse é um dos momentos de maior solidariedade para com o país, e que essa reconstrução independe de ideologias ou posicionamentos políticos.

Passa de 280 o número de mortos por conta do terremoto. Além disso, há cerca de 3.800 feridos e 377 desaparecidos. Mais de 40 mil famílias foram atingidas.

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Após o tremor da segunda-feira, que atingiu 7,4 de magnitude, um novo episódio ocorreu na quinta-feira (13/08), dessa vez mais brando, registrando 3,8.

Vídeos exibidos no início da semana mostraram pessoas desabrigadas sem apoio formal no sentido de receber água, alimentação ou poder ir ao banheiro.

Paralelamente, começaram a correr rumores de que o governo Espriella só estaria aceitando a ajuda de equipes de países alinhados politicamente à direita, como a sua gestão. Na quinta-feira (14/8), no entanto, começaram a ser divulgados desmentidos sobre essa postura. 

Uma das explicações, veiculada pelo portal Meridiano, dava conta que a medida havia sido implementada pelo ex-diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD), Javier Pava, que fazia parte do governo anterior e estava à frente da agência até 11 de agosto.

O argumento era de que a própria Colômbia teria capacidade de lidar com a situação e que as ofertas de apoio deveriam ser avaliadas.

Nesse sentido, o país teria inicialmente recusado a mão estendida de nações que haviam disponibilizado equipes de busca e resgate para a Colômbia.

Segundo a reportagem do Meridiano, Pava teria estabelecido como prioridade o apoio de grupos especializados em gestão tecnológica da informação – o que os Estados Unidos estavam oferecendo, por exemplo.

Além dos EUA, o governo colombiano aceitou, em princípio, a entrada de times de resgate de apenas três outros países: Equador, El Salvador e Israel. Daí as suspeitas de atrelar a ajuda humanitária dentro do país ao alinhamento ideológico.

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No entanto, o governo colombiano, num primeiro momento, também disse não a propostas de ajuda de nações como Chile e Argentina – que são comandados por governos de direita, assim como o de Espriella.

O fato é que a postura inicial do governo colombiano pegou mal internacionalmente. Principalmente ao se considerar que as primeiras 72 horas, em tragédias como essa, são decisivas para o resgate de sobreviventes soterrados sob escombros.

Doze países vão apoiar a população colombiana

Movido ou não pelos questionamentos políticos, o governo colombiano divulgou que vai receber ajuda humanitária de 12 países, incluindo o Brasil.

Apesar disso, reportagem do jornal Folha de S. Paulo afirma que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, havia dito que entraves burocráticos estariam dificultando a entrada de brigadas militares do país na Colômbia, para ajudar nos resgates.

A União Europeia revelou que vai ajudar a Colômbia com € 2 milhões. Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão doar US$10 milhões. Enquanto isso, os Estados Unidos destinaram cerca de US$15 milhões ao país.

Entre outras nações que estão participando dos esforços humanitários pós-terremoto estão Equador, El Salvador, Japão, México, Suécia e Suíça.

A Organização das Nações Unidas liberou US$5 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergência para a Colômbia, com o objetivo de prover alimentos, kits de higiene e abrigos temporários para os milhares de desabrigados.

Nesta mesma semana, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, confirmou que a Colômbia vai permitir operações militares dos Estados Unidos em seu território.

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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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