Campanha de 2026 tem 37 posts com IA sem aviso em contas oficiais de candidatos, mostra levantamento

Principais pontos

  • Pesquisa identificou 37 posts com IA não sinalizada em contas oficiais de candidatos e partidos, entre 314 publicações suspeitas analisadas em agosto
  • Lula (115 ocorrências) e Flávio Bolsonaro (56) foram os alvos mais frequentes de deepfakes, concentrados no Facebook e Instagram
  • Durante a campanha atual, o TSE fixou tese sobre o que caracteriza deepfake eleitoral
Lula e Flávio Bolsonaro são os principais alvos de deepfake durante a campanha presidencial deste aano
Lula e Flávio Bolsonaro são os principais alvos de deepfake durante a campanha presidencial deste aano
Source: Pexels

Ao menos 37 postagens geradas ou modificadas por inteligência artificial foram feitas em contas oficiais de candidatos à Presidência e partidos nas redes sociais durante a campanha eleitoral de 2026 sem qualquer indicação de que haviam sido produzidos com a tecnologia.

O dado faz parte de um levantamento do Observatório Lupa, que identificou 282 conteúdos com uso de IA entre 314 publicações consideradas suspeitas coletadas entre 16 e 26 de agosto.

Dos materiais analisados, a maior parte era composta por deepfakes – isto é, vídeos ou imagens que simulam a aparência, a voz ou manifestações de pessoas reais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o maior alvo dos conteúdos falsos, com 115 ocorrências, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 56. Os dois lideram as pesquisas.

A maior parte dos casos foi registrada no Facebook e Instagram, com 202 e 62 ocorrências, respectivamente.

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Para Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa e gerente de inovação e formação, o principal alerta está no fato de que parte desse conteúdo não circulou apenas em contas anônimas ou desconhecidas, mas nos próprios perfis oficiais de candidatos e partidos. Segundo ela, essas contas têm a obrigação de informar o eleitor quando recorrem à inteligência artificial.

O levantamento complementa um estudo anterior do próprio Observatório Lupa, realizado entre fevereiro e junho deste ano com estudantes da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), que reuniram 226 conteúdos que levantaram suspeitas de terem sido produzidos ou alterados por IA. Desses, 101 tiveram o uso da tecnologia confirmado.

Política domina conteúdos sintéticos

Entre os 101 casos confirmados, 92 eram vídeos e 40 tratavam de política, o tema mais frequente entre os conteúdos sintéticos identificados. Os pesquisadores encontraram principalmente deepfakes de figuras públicas declarando apoio ou pedindo votos para candidatos e avatares produzidos por IA usados para divulgar pesquisas eleitorais falsas, inclusive antes do início oficial da campanha.

Lula foi a personalidade mais retratada na primeira etapa, com 17 ocorrências, seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com 16, e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com oito. Em alguns dos conteúdos envolvendo Bolsonaro, ele aparecia pedindo apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. 

Flávio, aliás, apareceu em quatro conteúdos sintéticos, todos de caráter eleitoral, entre eles um deepfake do deputado Nikolas Ferreira divulgando uma falsa pesquisa que colocava Flávio à frente de Lula no primeiro turno.

O uso de IA esteve presente inclusive na própria campanha de Flávio. Durante a convenção nacional do PL, em julho, o candidato exibiu um vídeo que recriava a imagem e a voz de Jair Bolsonaro para declarar apoio à sua candidatura. O PT levou o caso à Justiça Eleitoral e pediu a retirada do material e a aplicação de multa.

Em 1º de setembro, porém, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido por 4 votos a 3. A maioria entendeu que a exibição ocorreu dentro de uma convenção partidária, um evento destinado às deliberações internas da legenda, e que não houve pedido explícito de voto. A Corte também considerou que a transmissão do evento pela internet, por si só, não transforma a manifestação em propaganda eleitoral antecipada.

A decisão estabeleceu ainda uma tese que deve orientar casos semelhantes nas eleições deste ano. Para o TSE, um deepfake é um conteúdo sintético produzido ou manipulado por IA, ou tecnologia equivalente, com grau de realismo ou verossimilhança e capaz de criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de uma pessoa. A proibição prevista na legislação eleitoral, no entanto, depende de que o conteúdo também seja caracterizado como propaganda eleitoral.

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Nesta semana, o TikTok apresentou ao TSE um plano para as eleições que prevê monitoramento reforçado de conteúdos produzidos ou alterados por IA, combinando ferramentas automáticas de detecção, moderação humana e denúncias.

A empresa também anunciou ações de educação midiática, em parceria com a Lupa, e medidas específicas contra redes coordenadas de contas usadas para interferir artificialmente no debate político.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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