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Brasil tem 63,9 milhões de pessoas sem educação básica completa e está atrás da média da OCDE

Principais pontos

  • Estudo da Rede EJA e Inclusão Produtiva estima que 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram educação básica; 44,7 milhões não completaram ensino fundamental.
  • Em comparação com nações da OCDE, Brasil tem proporção maior de jovens adultos sem ensino médio completo.
  • Baixa escolaridade está associada a menores rendimentos e maior vulnerabilidade social.
Alunos de escola pública
Alunos de escola pública
Source: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Um levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva divulgado divulgado nesta semana registrou que 63,9 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica, o equivalente a 37,3% da população nessa faixa etária.

O número inclui 44,7 milhões de pessoas que não terminaram o ensino fundamental e outras 19,3 milhões que interromperam os estudos antes da conclusão do ensino médio.

O diagnóstico foi elaborado pelas fundações Roberto Marinho, Bradesco, Itaú e Arymax, com cooperação da Unesco e parceria técnica do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro).

Mais do que um indicador interno, o levantamento evidencia um obstáculo para o desenvolvimento brasileiro quando seus resultados são observados em conjunto com os dados internacionais de escolaridade. O relatório Education at a Glance 2026, da  OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mostrou que o país permanece distante da média da organização, especialmente na formação universitária e na conclusão do ensino médio entre os mais jovens.

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Acesso a ensino é inferior à média da OCDE

Um dos indicadores mais relevantes para dimensionar a posição brasileira no cenário internacional está na escolaridade dos adultos mais jovens. Conforme o relatório da OCDE, 25,8% dos brasileiros entre 25 e 34 anos não haviam concluído o ensino médio em 2024. A proporção é mais que o dobro da média de 12,3% registrada entre os países da organização em 2025.

A distância também aparece quando o assunto é ensino superior. Em 2024, apenas 22,3% dos brasileiros entre 25 e 64 anos tinham diploma universitário. Na média da OCDE, o percentual chegava a 42,6% em 2025 — praticamente o dobro.

O cenário indica que, embora o Brasil tenha ampliado o acesso à educação nas últimas décadas, a formação universitária ainda está concentrada em uma parcela relativamente pequena da população, quando comparada à realidade dos países da organização.

Baixa escolaridade é obstáculo econômico

As consequências do déficit educacional ultrapassam o ambiente escolar e alcançam diretamente o mercado de trabalho. O levantamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva identificou uma diferença expressiva de renda entre pessoas que concluíram a educação básica e aquelas que interromperam os estudos.

A renda domiciliar mensal por pessoa entre brasileiros sem educação básica completa é de R$ 1.427, enquanto chega a R$ 2.777 entre aqueles que concluíram essa etapa. A taxa de pobreza também é 1,8 vez maior no primeiro grupo.

A diferença aparece ainda na formalização do trabalho. Entre os brasileiros ocupados que não concluíram o ensino fundamental, 38,4% possuem emprego formal. Entre aqueles que terminaram o ensino médio, a proporção sobe para 65%.

O estudo também apresenta uma estimativa do impacto econômico de ampliar a escolaridade. Em uma simulação que considera a conclusão da educação básica por 32,5 milhões de pessoas, aproximadamente metade do público potencial da EJA, os pesquisadores calculam que os rendimentos do trabalho poderiam aumentar R$ 66 bilhões por ano, o equivalente a 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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