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Brasil reforça combate ao sarampo com campanha em três cidades de São Paulo
Principais pontos
- O Ministério da Saúde confirmou 18 casos de sarampo em 2026, sendo 15 no estado de São Paulo. Para interromper a transmissão do vírus, começa nesta segunda-feira, 3, uma campanha especial de vacinação em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
- A estratégia das autoridades sanitárias é ampliar temporariamente a vacinação para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que moram ou trabalham nas três cidades, independentemente do histórico vacinal.
- Os Estados Unidos enfrentam o maior surto de sarampo em mais de três décadas, enquanto países europeus também registram aumento de casos. A OMS destaca que a vacinação continua sendo a principal forma de conter uma das doenças mais contagiosas do mundo.

O sarampo, uma doença que o Brasil conseguiu eliminar, voltou a preocupar as autoridades de saúde. Diante da confirmação de uma cadeia de transmissão do vírus na Grande São Paulo, começa nesta segunda-feira, 3, uma campanha especial de vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
A estratégia amplia temporariamente a oferta do imunizante para todas as pessoas entre 6 meses de idade e 59 anos que moram ou trabalham nessas cidades, com o objetivo de interromper rapidamente a circulação do vírus.
A recomendação do Ministério da Saúde foi adotada após a confirmação de novos casos da doença. Até o momento, o Brasil registra 18 casos de sarampo neste ano. Deles, 15 estão no estado de São Paulo: 12 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Segundo a pasta, os casos estão relacionados à importação do vírus em uma região de intensa mobilidade populacional e elevado fluxo internacional de viajantes, cenário que favorece a disseminação da doença.
A preocupação é evitar que o país volte a perder o controle sobre a doença. O Brasil recebeu, em 2016, o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mas perdeu esse reconhecimento em 2019 após surtos provocados por casos importados e pela queda da cobertura vacinal. Em 2024, recuperou o status de país livre da circulação endêmica do vírus, condição que depende da manutenção de altas taxas de imunização.
O alerta brasileiro acompanha um cenário de avanço do sarampo em várias partes do mundo. Os Estados Unidos enfrentam o maior surto da doença em mais de três décadas, com mais de 1.400 casos confirmados neste ano. As mortes registradas ocorreram principalmente entre pessoas não vacinadas.
Países europeus também vêm notificando aumento das infecções. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse ressurgimento está ligado, sobretudo, à queda da cobertura vacinal em diferentes países.
Considerado um dos vírus mais contagiosos conhecidos, o sarampo é transmitido pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou simplesmente respira. O vírus pode permanecer ativo no ambiente por até duas horas e uma única pessoa doente é capaz de transmitir a infecção para até outras 18 suscetíveis.
De acordo com a OMS, a vacinação evitou cerca de 59 milhões de mortes por sarampo entre 2000 e 2024 e continua sendo a principal forma de impedir novos surtos.
Como age a vacina
A vacina utilizada no Brasil é, principalmente, a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Aos 15 meses de idade, ela é complementada pela tetraviral, que também protege contra a varicela (catapora).
Além de proteger quem recebe a dose, a vacinação reduz a circulação do vírus na população. Como o sarampo é altamente contagioso, especialistas consideram necessário manter uma cobertura vacinal próxima de 95% para interromper a transmissão. Em situações de risco, como a atual, crianças entre 6 e 11 meses recebem a chamada dose zero, uma aplicação adicional que amplia a proteção, mas não substitui as doses previstas no calendário de vacinação.
Quais são os sintomas
Os primeiros sintomas costumam surgir entre sete e 14 dias após o contato com o vírus. Os sinais mais comuns são:
- febre alta;
- tosse;
- coriza;
- olhos vermelhos e lacrimejantes;
- pequenas manchas brancas na parte interna da boca.
Entre três e cinco dias depois aparece a característica erupção avermelhada, que normalmente começa no rosto e se espalha pelo restante do corpo. A doença pode provocar complicações graves, como pneumonia, encefalite, diarreia intensa e até morte, principalmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade.
Quem deve procurar uma unidade de saúde durante a campanha
Durante a campanha, o Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que moram ou trabalham em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo procurem uma unidade de saúde, mesmo que já tenham recebido a vacina anteriormente.
Pelo calendário nacional, o esquema rotineiro prevê:
- primeira dose aos 12 meses;
- segunda dose aos 15 meses;
- duas doses para pessoas de 5 a 29 anos e trabalhadores da saúde;
- pelo menos uma dose para pessoas de 30 a 59 anos.
Onde tomar a vacina
A vacinação é gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Na capital paulista, a vacina está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e nas AMAs/UBSs Integradas, inclusive aos sábados e feriados, no mesmo horário. A cidade também promoverá um Dia D de vacinação em 22 de agosto, com as 483 UBSs abertas para ampliar o atendimento.
Em Guarulhos e São Bernardo do Campo, a população deve procurar as unidades da rede municipal de saúde para receber orientação e, quando indicada, a vacina durante o período da campanha.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.