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Brasil participa de estudo que busca avançar na cura da hepatite B
Principais pontos
- Pesquisadores da USP e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) integram consórcio liderado pela Universidade Johns Hopkins (EUA), com Índia, Senegal e Uganda, com financiamento de US$ 24 milhões ao longo de cinco anos.
- O estudo global pretende recrutar 675 participantes, sendo 150 só do Brasil; o recrutamento já começou e conta com 40 voluntários até agosto.
- A hepatite B atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS; no Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS a partir do nascimento, mas ainda não existe cura para a forma crônica da doença.

Pesquisadores brasileiros participam de um estudo internacional que pretende avançar na busca de uma cura para a hepatite B, doença que atinge o fígado e pode provocar cirrose e câncer.
O Brasil integra o Hepatitis B and HIV Cure Consortium (BICC), consórcio liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Participam também grupos de pesquisa da Índia, Senegal e Uganda.
Por aqui, o trabalho envolve o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).
O consórcio recebeu US$ 24 milhões do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), ligado aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). O financiamento tem duração de cinco anos.
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O que o estudo pretende descobrir
O estudo internacional prevê reunir 675 participantes: 450 pessoas que vivem simultaneamente com HIV e hepatite B crônica e 225 com hepatite B crônica. No Brasil, serão acompanhados 150 voluntários. Os cientistas querem entender também como o HIV interfere nos mecanismos que poderiam levar ao controle da hepatite B.
Os pesquisadores vão analisar amostras de sangue e tecido do fígado para entender como o vírus se comporta, como o sistema imunológico reage à infecção e por que algumas pessoas conseguem controlar melhor a hepatite B do que outras.
Uma das metas é chegar ao que os pesquisadores chamam de cura funcional. Na prática, significa conseguir manter o vírus sob controle sem a necessidade de tratamento contínuo, ainda que permaneçam vestígios dele no organismo.
Para isso, uma das linhas de investigação acompanhará a redução ou o desaparecimento do HBsAg, uma proteína presente na superfície do vírus. A perda desse marcador durante o tratamento é um sinal de que a infecção está sendo bem controlada.
“Isso poderá fornecer informações cruciais para o desenvolvimento de uma cura funcional para o HBV e, entre as pessoas que vivem com HBV e HIV, ajudar a compreender de que maneira o HIV afeta essa possibilidade de cura”, afirma Chloe Thio, professora da Universidade Johns Hopkins e líder do consórcio.
Pesquisa brasileira já começou
No Brasil, 75 dos 150 participantes serão acompanhados pela equipe da infectologista Tânia Reuter, do Hucam-Ufes. O recrutamento começou em julho e, até o fim de agosto, 40 voluntários já tinham sido incluídos. A pesquisadora pretende completar o grupo até o final deste ano.
“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, disse Tânia para a Agência Brasil. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, completou.
A metodologia combina o acompanhamento dos pacientes com análises feitas em laboratório. Além de procurar possíveis indicadores de cura, os pesquisadores querem descobrir fatores associados à evolução da doença e identificar potenciais alvos para novos medicamentos.
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Segundo Tânia, as descobertas poderão contribuir para o desenvolvimento de medicamentos capazes de atuar sobre o vírus ou sobre a resposta imunológica do paciente.
Um milhão de novas infecções a cada ano
A hepatite B é causada por um vírus que ataca o fígado e frequentemente não provoca sintomas. A infecção pode ser aguda ou tornar-se crônica e, nesse caso, aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 300 milhões de pessoas vivam com hepatite B no mundo e que mais de um milhão de novas infecções ocorram a cada ano.
O vírus pode ser transmitido por relações sexuais sem preservativo, pelo contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Vacina é principal forma de prevenção
Apesar de ainda não existir uma cura disponível para a hepatite B crônica, há vacina contra a doença. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo SUS a pessoas não vacinadas, independentemente da idade.
A vacinação começa ao nascer. Para crianças, o calendário prevê ainda doses aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos que não foram vacinados, o esquema geralmente é composto por três doses.
O Ministério da Saúde também recomenda o uso de preservativo nas relações sexuais e orienta a não compartilhar agulhas, lâminas ou outros objetos que possam ter contato com sangue.
Com Agência Brasil
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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