Brasil cobra fim de ataques de Milei para normalizar relações com Argentina
Principais pontos
- O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou ao jornal argentino Clarín que a crise levou Brasil e Argentina a serem representados por encarregados de negócios
- Chanceler afirma que relação entre os países está acima dos governos e destaca que Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina
- Vieira rejeitou acusação de Milei de que o governo brasileiro financiou campanha contra a Argentina e classificou a afirmação como falsa

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo argentino precisa interromper imediatamente as agressões contra o Brasil para que os dois países retomem a normalidade nas relações diplomáticas. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, no sábado, 8, o chanceler disse que a crise chegou ao ponto de as representações dos dois países serem comandadas por encarregados de negócios.
Vieira atribuiu o desgaste às declarações recentes do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, autoridades e instituições brasileiras. Ele pontuou que os ataques ocorreram repetidamente em um intervalo de menos de uma semana.
“É preciso parar imediatamente com esse tipo de agressão para trabalhar na relação bilateral, que é tão importante”, afirmou. O chanceler ressaltou que, para o governo brasileiro, a relação com a Argentina é “primordial” e questionou se o governo de Milei atribui a mesma importância ao Brasil.
Relação diplomática é rebaixada
A crise levou o Brasil a reduzir o nível de sua representação diplomática na Argentina. O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado a Brasília para consultas no fim de julho e permanece no país. No dia 4, o Itamaraty comunicou ao embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que passaria a manter a interlocução entre os dois países por meio de encarregados de negócios enquanto persistirem os ataques de Milei.
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Na entrevista, Vieira vinculou a normalização da representação diplomática ao fim das condições que provocaram a saída dos embaixadores.
“É necessário um gesto: parar as agressões. É um gesto simples diante da importância das relações bilaterais”, declarou.
Apesar da crise, o ministro procurou separar a relação histórica entre os dois países das divergências entre seus atuais governos. Vieira lembrou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e destacou os mecanismos de cooperação construídos ao longo de décadas.
O chanceler citou como marco a aproximação promovida pelos então presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín, que abriu uma importante etapa nas relações entre os vizinhos e levou à criação de mecanismos de confiança e transparência, inclusive na área nuclear.
Vieira rebate acusação de Milei
Ao Clarín, Vieira rebateu a acusação de Milei de que o governo brasileiro teria financiado uma campanha internacional contra a Argentina. “Isso é totalmente falso”, ressaltou.
Vieira também contestou as referências do presidente argentino à passagem de Sergio Massa pelo Brasil. Massa, que disputou a presidência argentina contra Milei em 2023, esteve no país quando ocupava o Ministério da Economia.
De acordo com Vieira, a visita ocorreu em razão de interesses comuns entre os dois governos e incluiu uma reunião com o ministro da Fazenda brasileiro. Para o chanceler, usar o encontro como evidência de apoio do Brasil à candidatura de Massa é uma interpretação falsa.
Mesmo diante do atual conflito, Vieira declarou esperar voltar a visitar a Argentina em breve. Para ele, a relação bilateral deve prevalecer sobre as diferenças entre os governos. “A relação entre Argentina e Brasil é muito importante e superior a quem esteja no poder em determinado momento”, afirmou.
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Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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