Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamento de outros países
Principais pontos
- Relatório do BC mostra que o Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em quase 80 bilhões de transações em 2025.
- Conexão com sistemas estrangeiros poderia permitir remessas e compras internacionais com recursos disponíveis em moeda local em poucos segundos.
- Agenda prevê ainda Pix sem internet, recebimentos futuros como garantia de crédito e novas ferramentas contra fraudes.

O Banco Central (BC) estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países, o que abriria caminho para remessas e compras internacionais com liquidação em moeda local em poucos segundos. A possibilidade aparece entre os projetos para os próximos anos apresentados no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira, 10.
Segundo o documento, estão em discussão tanto conexões bilaterais, entre o Brasil e outros países, quanto a participação em hubs multilaterais, estruturas capazes de conectar sistemas de diferentes nações. O BC avalia que essa integração poderia reduzir tarifas, acelerar operações, ampliar o acesso e aumentar a transparência das transações internacionais. O relatório não informa quais países poderiam participar dessas conexões.
A proposta representaria uma etapa diferente do uso do Pix no exterior que já existe atualmente. Hoje, empresas privadas oferecem soluções que permitem pagamentos de brasileiros em países como Chile, Argentina, Estados Unidos, Portugal e França por meio de parcerias entre instituições brasileiras e estrangeiras. Nesses casos, porém, a infraestrutura do Pix continua limitada às transações domésticas: o Pix é realizado em reais no Brasil e a remessa ao exterior ocorre posteriormente pelos canais tradicionais.
Pix movimentou mais de R$ 35 trilhões em 2025
O projeto de internacionalização aparece em um momento de forte expansão do sistema. Em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações Pix, crescimento de 25,7% em relação ao ano anterior. O valor movimentado ultrapassou R$ 35 trilhões, alta de 33,8%.
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Em dezembro de 2025, 148 milhões de pessoas físicas haviam feito ou recebido pelo menos um Pix, número equivalente a cerca de 86% da população adulta brasileira. O sistema também chegou a 12,8 milhões de empresas e terminou o ano com mais de 920 milhões de chaves cadastradas.
O relatório mostra ainda uma mudança na forma como o Pix é utilizado. Quando foi lançado, em 2020, 85% das transações ocorriam entre pessoas físicas. Em 2025, 43% já eram pagamentos de pessoas para empresas, indicando a consolidação do sistema no varejo. Além disso, 71% das operações realizadas no ano tinham valor de até R$ 100.
Pix poderá funcionar sem internet
Outra frente estudada pelo BC é ampliar o Pix por aproximação para situações em que o pagador esteja sem acesso à internet. A ideia é permitir a iniciação da transação por dispositivos com tecnologia NFC, incluindo celulares, cartões, tags, relógios e pulseiras. Eventualmente, cartões com chip também poderão ser utilizados.
A medida busca enfrentar uma das barreiras apontadas para a expansão do Pix: dificuldades de conectividade e de acesso à tecnologia. Pesquisa citada no relatório mostra que, mesmo entre pessoas que utilizam o sistema, 24,2% já escolheram outro meio de pagamento por dificuldade de acesso à internet.
Recebimentos via Pix poderão virar garantia de crédito
O Banco Central também estuda integrar o Pix ao mercado de crédito. Uma das propostas é permitir que fluxos futuros de recebimentos pelo sistema sejam usados como garantia em operações de financiamento.
A expectativa é que a medida possa melhorar a qualidade das garantias e contribuir para a redução dos custos do crédito, especialmente para empresas que concentram grande parte de seus recebimentos no Pix.
O relatório prevê ainda a integração do Pix a outros serviços financeiros, como duplicatas escriturais, e a implementação do chamado split tributário, que permitirá a retenção automática de tributos incidentes sobre determinadas transações.
Inteligência artificial para identificar possíveis fraudes
A segurança aparece como outra prioridade para os próximos anos. Entre os projetos está a criação de um indicador de probabilidade de fraude, que poderá ser calculado pelo BC em tempo real para as transações Pix.
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O sistema será desenvolvido com um modelo de machine learning e poderá fornecer informações às instituições financeiras para alimentar seus mecanismos antifraude. A decisão de autorizar ou rejeitar a transferência, porém, continuará sendo de cada instituição. O BC ressalva que a disponibilização da ferramenta dependerá do desempenho do modelo e de avaliação jurídica.
Também estão em estudo critérios mínimos comuns para identificar operações suspeitas, a padronização dos alertas de golpe apresentados aos clientes e novas medidas cautelares contra instituições que coloquem o funcionamento do sistema em risco.
Mensagens ofensivas pelo Pix entram na mira do BC
O relatório aponta ainda que o campo destinado à descrição das transações tem sido utilizado, em alguns casos, para envio de mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras, geralmente acompanhadas de transferências de valores muito baixos.
Diante desse uso, o BC criou em 2026 um grupo de trabalho no Fórum Pix para discutir possíveis mudanças. A instituição afirma que poderá adotar novas regras para coibir abusos sem comprometer as características do sistema.
A agenda mostra que o Banco Central pretende transformar o Pix em uma infraestrutura cada vez mais integrada a outros serviços financeiros e, no futuro, potencialmente conectada a sistemas internacionais. O próprio BC define o Pix como uma infraestrutura pública digital em evolução contínua, destinada a ampliar os usos do sistema sem abrir mão de segurança, competição e inclusão financeira.
Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.
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