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Aumentar os passos diários ajuda a controlar a asma, aponta estudo da USP

Principais pontos

  • Pesquisa da Faculdade de Medicina acompanhou 52 adultos com asma moderada a grave: parte fez treino em esteira e parte recebeu orientação para caminhar mais no dia a dia.
  • Após dois meses, os dois grupos apresentaram melhora no controle da asma e na qualidade de vida; os benefícios ainda eram observados quatro meses depois.
  • As caminhadas não substituem os medicamentos: a atividade física foi estudada como complemento ao tratamento prescrito pelos médicos.
Aumentar os passos diários foi avaliado como complemento ao tratamento da asma.
Aumentar os passos diários foi avaliado como complemento ao tratamento da asma.
Source: Unsplash/ Arek Adeoye
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Aumentar a atividade física no dia a dia pode ajudar no controle da asma. E não precisa ser em uma academia. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que pacientes orientados a caminhar mais e aumentar o número de passos tiveram benefícios semelhantes aos de quem participou de sessões supervisionadas de treinamento aeróbico.

A pesquisa acompanhou 52 adultos, entre 18 e 65 anos, com asma moderada a grave e não controlada. Todos eram fisicamente inativos, praticavam menos de 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e recebiam tratamento médico havia pelo menos seis meses. O estudo foi publicado na revista científica Pulmonology.

O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com a Unidade de Doenças de Vias Aéreas da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas. A pesquisa recebeu apoio da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os participantes foram divididos por sorteio em dois grupos. Um deles, com 27 pessoas, fez treinamento aeróbico em esteira duas vezes por semana, durante 45 minutos e com orientação profissional.

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O outro, com 25 participantes, comparecia uma vez por semana ao Hospital das Clínicas para receber orientações e estabelecer metas para aumentar a atividade física no cotidiano, principalmente por meio de caminhadas. Eles também receberam relógios inteligentes para acompanhar a quantidade de passos. As duas atividades duraram oito semanas.

Antes do início, todos participaram de uma aula sobre a asma, o uso correto dos medicamentos e os benefícios da atividade física.

Caminhada e treino melhoraram controle da asma

Ao fim dos dois meses, os dois grupos apresentaram melhora no controle clínico da asma e na qualidade de vida. Os benefícios ainda eram observados quatro meses depois, quando os pesquisadores voltaram a avaliar os participantes. Nenhuma das duas formas de aumentar a atividade física apresentou resultados superiores à outra.

Também houve redução de sintomas respiratórios, de ansiedade e de depressão.

“Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”, afirmou o fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, primeiro autor do estudo, à Agência Fapesp.

A diferença está principalmente na forma de colocar a atividade física em prática. O treinamento aeróbico exige equipamentos e supervisão profissional. Já aumentar as caminhadas e os passos no dia a dia dispensa aparelhos de academia e pode ser mais fácil de incorporar à rotina.

No estudo, porém, os participantes que caminhavam mais não receberam apenas a recomendação de se movimentar. Durante oito semanas, tiveram acompanhamento, orientações e metas semanais para aumentar gradualmente a atividade física.

Participantes continuaram mais ativos

Os pesquisadores também mediram quantos passos os participantes davam por dia. Para isso, eles usaram acelerômetros durante sete dias e sete noites em três momentos: antes da pesquisa, ao fim dos dois meses de atividades e quatro meses depois.

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No grupo que fez treinamento aeróbico, o número de passos aumentou, em média, 1.537 por dia ao fim dos dois meses. Quatro meses depois, os participantes ainda davam 983 passos diários a mais do que antes do início do estudo.

Entre aqueles orientados a aumentar a atividade física no cotidiano, foram 1.126 passos adicionais por dia ao término das oito semanas. Quatro meses depois, o aumento em relação ao início da pesquisa era de 996 passos diários.

Caminhada não substitui os medicamentos

A atividade física foi avaliada como complemento ao tratamento da asma. Os participantes continuaram usando os medicamentos prescritos pelos médicos durante a pesquisa.

“Tanto o treinamento aeróbio como a intervenção são um complemento da medicação. Não podemos jamais parar de fazer uso do tratamento que o médico prescreve”, afirmou Pinheiro à Agência Fapesp.

Os próprios pesquisadores também apontam limites para a interpretação dos resultados. O trabalho reuniu apenas 52 pessoas e analisou um grupo específico: adultos fisicamente inativos com asma moderada a grave e não controlada. A maioria dos participantes era formada por mulheres com sobrepeso ou obesidade grau 1 e apresentava sintomas de ansiedade e depressão, além de baixa qualidade de vida.

Os resultados, portanto, não permitem afirmar que os mesmos efeitos serão observados em todas as pessoas com asma.

Com Agência Fapesp

Esta matéria foi escrita e editada pela equipe da Global South World, você pode entrar em contato conosco aqui.

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