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    <title>Global South World Brasil - voto feminino</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Há um movimento para deslegitimar o voto feminino? Sim, para 47% dos brasileiros</title>
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      <pubDate>Thu, 01 Oct 2026 11:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Dois em cada três brasileiros (67%) já ouviram frases como "mulher não sabe votar" ou "mulher vota com o coração". E, a menos de uma semana do primeiro turno, quase metade (47%), acredita que elas não são comentários soltos, mas parte de um movimento que tenta deslegitimar ou desestimular o voto feminino.</p>
<p>A percepção muda bastante a depender do gênero: 59% das mulheres identificam esse movimento, contra apenas 35% deles. Além disso, o trabalho apontou que 44% dos homens dizem que essa tentativa não existe. Foram ouvidos 1.449 eleitores brasileiros, entre 1 e 4 de setembro.</p>
<p>Os dados são de um estudo realizado pela Hibou, empresa de pesquisa e insights de mercado e consumo, para a plataforma Red é de Sangue – iniciativa do braço ESG da Fresh PR, com apoio da HeForShe Brasil (movimento da ONU Mulheres) e do Sindilegis, o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União, que combate a influência misógina nas redes sociais.</p>
<p>Essa sensação de que estão tentando desqualificar o voto feminino acontece em um ano em que as mulheres somam 52,8% dos 158.745.463 cidadãos aptos a votar em outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, elas representam 34,8% das candidaturas registradas para as eleições de 2026, e só duas das 13 candidaturas à Presidência.</p>
<p>Para Ligia Mello, coordenadora da Hibou, o índice alto assusta, mas também tem um lado positivo. "É sinal de que o movimento está acontecendo, mas também de que as pessoas estão atentas", afirma. Segundo ela, o discurso raramente é escancarado. "Ele aparece em pequenas falas, como a de que a mulher é muito emocional".</p>
<h2>Um debate que tomou as redes</h2>
<p>O tema voltou ao debate público em junho, quando o influenciador Paulo Figueiredo, próximo da família Bolsonaro, questionou em uma live a "qualidade" do voto feminino. Depois do episódio, um grupo de deputadas federais pediu à Procuradoria-Geral da República que investigasse se falas desse tipo configuram tentativa de intimidar eleitoras.</p>
<p>Mas esse discurso é antigo, e vem ganhando cada vez mais força na internet. A pesquisa mostra que 47% dos entrevistados já tiveram contato com esse tipo de fala nas redes sociais, mensagens dizendo que mulheres não deveriam votar ou que são manipuláveis. Entre as mulheres, o índice sobe para 62%, quase o dobro do registrado entre os homens, 33%.</p>
<p>"A internet não é o vilão; ela é o meio. Esse discurso sempre existiu. Estamos passando de novo por um movimento dos extremos. Isso é cíclico, não é só o Brasil, é o mundo inteiro", diz Ligia. Para ela, as redes apenas tornaram mais visível algo antigo.</p>
<h2>Homens ouvem, mas não reconhecem</h2>
<p>Fora das redes, os homens são os que mais dizem já ter ouvido comentários misóginos, 69%, contra 66% das mulheres. Ainda assim, só um terço deles diz ter visto esse tipo de conteúdo na internet.</p>
<p>O estudo mostra ainda que 72% das mulheres sentem serem tratadas de forma diferente quando expressam suas opiniões políticas. Entre os homens, esse índice cai para 44%. "As pessoas simplesmente não percebem. Eles não acham que o comentário é misógino, não acham errado dizer que mulher faz drama para tudo. Acham que isso é só a realidade", comenta Ligia.</p>
<p>Embora a lei obrigue os partidos a destinar às candidatas ao menos 30% do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda, cerca de dois terços dos recursos seguem indo para campanhas de homens, que são a maioria dos candidatos, o que reforça o seu peso na política.</p>
<h2>A ideia do "voto emocional"</h2>
<p>A pesquisa revela que 98% dos homens dizem que todos têm a mesma capacidade de avaliar candidatos e propostas. Mas 25% deles concordam, total ou parcialmente, que as mulheres são mais emocionais e que isso pode atrapalhar suas decisões políticas. E um em cada cinco concorda que os homens são mais centrados e votam melhor. Entre as mulheres, esses índices são de 12% e 8%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, questionados sobre quem pesquisa mais antes de votar, só 8% dos entrevistados apontam os homens, contra 22% que apontam as mulheres. A maioria (54%) acha que pesquisam igualmente. Para Ligia, essa contradição tem uma raiz cultural. Ela cita o efeito Dunning-Kruger, em que pessoas com pouco conhecimento sobre um tema superestimam a própria competência.</p>
<p>Segundo ela, os homens tendem a escolher uma bandeira única, como segurança ou redução da maioridade penal, enquanto as mulheres avaliam o conjunto das propostas. "O homem não pesquisa tanto porque acha que já sabe. Ele recebe uma informação sobre o candidato e aquilo basta", diz.</p>
<p>Sobre as 12% de mulheres que concordam com o estereótipo, Ligia acredita que a influência vem menos da internet e mais do círculo próximo: família, amigos, trabalho e parceiro. "Chega uma hora que você acredita e fala: 'é verdade mesmo, eu acho que eu faço drama, não sei se eu sei votar'", acrescenta.</p>
<h2>Silêncio em casa para evitar conflito</h2>
<p>Com a polarização, deixar a política de lado virou estratégia para quase metade dos brasileiros. De acordo com a pesquisa, 47% já deixaram de comentar sobre o assunto ou de declarar o voto para evitar conflito, e isso vale tanto para homens quanto para mulheres.</p>
<p>Ligia relaciona o silêncio delas ao medo. "Existe uma preocupação das mulheres em não gerar conflito, até pelo aumento da violência contra a mulher e do feminicídio", diz. Na prática, segundo ela, muitas preferem não discutir e decidir sozinhas, na cabine de votação.</p>
<p>Entre os entrevistados, 67% dizem já terem votado em um candidato diferente daquele que o parceiro queria. Diante de um pedido do parceiro para votar em alguém, 65% das mulheres dizem que considerariam a opinião, mas decidiriam sozinhas, e 21% afirmam que não mudariam o voto de jeito nenhum.</p>
<p>Entre os homens, esse número é menor, 14%. E 5% deles afirmam que mentiriam sobre o voto para evitar briga. O percentual entre as mulheres é de 1%.</p>
<h2>Pressão psicológica</h2>
<p>Em tese, quase ninguém defende o controle de voto. Nenhum entrevistado, literalmente 0%, acha que o homem deve ter a palavra final nas decisões políticas do casal. Mas, enquanto 87% das mulheres concordam totalmente que o voto de uma mulher pertence só a ela, entre os homens esse índice cai para 78%.</p>
<p>Além disso, só 43% dos homens consideram inaceitável pressionar incessantemente a parceira para que ela mude o voto. Os demais dizem que "depende" (35%) ou que é aceitável (22%). Para Ligia, essa pressão é uma forma de violência psicológica, e o "depende" coloca o homem em uma posição confortável. "É tipo: se ela concordar comigo, tudo bem. Se não concordar, não está tudo bem", diz.</p>
<p>A diferença de tratamento no debate político reforça esse pensamento. Para 70% das entrevistadas, uma mulher que expressa opinião política é chamada de histérica ou emocional, percepção compartilhada por apenas 28% dos homens. A consequência, muitas vezes, é que elas se afastam tanto das discussões quanto das candidaturas.</p>
<h2>Diferentes prioridades na hora de votar</h2>
<p>Questionados sobre o que levam em consideração na hora de votar, 98% dos homens citaram histórico de corrupção do candidato. O índice cai para 83% quando o critério é violência contra a mulher, 74% para nepotismo e 63% no caso de falas machistas.</p>
<p>Entre as mulheres, a prioridade é outra. A grande maioria, 95%, rejeitariam um candidato com histórico de violência contra a mulher e 93% recusariam alguém corrupto, seguido por 82% nepotismo. As falas machistas também aparecem por último, com 80%.</p>
<p>Para Ligia, a baixa rejeição a falas machistas mostra que muitos só reconhecem o machismo mais explícito. "’Seis meses de licença-maternidade é um absurdo’. Eu não sei até que ponto a gente consegue enxergar nos homens brasileiros se eles acham que isso é uma fala machista", comenta.</p>
<p>Nessa mesma lógica, 23% dos homens dizem ignorar falas machistas de candidatos, e outros 14% afirmam ignorá-las às vezes, o que soma pouco mais de um terço do eleitorado masculino. De acordo com Ligia, há candidatos que disputam justamente esse eleitor. "Existe essa população, e existe candidato para esse grupo", comenta.</p>
<h2>Mulheres pesquisam mais</h2>
<p>Apesar do cenário, Ligia diz que a pesquisa trouxe um dado importante: a percepção é de que as mulheres pesquisam mais sobre os candidatos antes de votar, o que o instituto também observa em pesquisas de mercado, seja na compra de um sapato, seja na troca de escola dos filhos. Esse comportamento também se nota na política.</p>
<p>Na avaliação de Lígia, essa autonomia se manifesta sobretudo nas escolhas para deputado e senador, em que há mais opções alinhadas a pautas específicas, como meio ambiente, educação ou combate à violência de gênero. Já nas disputas para presidente e governador, o voto tende a acompanhar o da casa, por falta de alternativas.</p>
<p>O instituto pretende repetir parte das perguntas entre o primeiro e o segundo turno, para comparar a intenção declarada com o voto efetivo.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
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