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    <title>Global South World Brasil - tecnologia</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Justiça manda Discord adotar medidas de proteção a menores sob pena de multa diária de R$ 100 mil</title>
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      <pubDate>Thu, 01 Oct 2026 15:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Justiça Federal determinou que o  Discord adote imediatamente medidas para ampliar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres na plataforma , sob pena de aplicação de  multas diárias de R$ 100 mil . A decisão é do juiz Anderson Silva, da 14ª Vara Federal Cível de Brasília, e atende a um  pedido da AGU (Advocacia-Geral da União), feito em ação civil pública contra a empresa .</p>
<p>A ação foi ajuizada pela AGU em agosto e aponta  falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção dos usuários contra riscos graves no ambiente digital . Entre os casos considerados pela Justiça está a morte de uma adolescente de 13 anos, em julho.</p>
<p>O Discord negou ter responsabilidade direta pelo episódio e afirmou que a transmissão do ato fatal ocorreu em outra plataforma. O juiz, porém, considerou que houve utilização do Discord em etapas relevantes das interações que antecederam a morte e que a plataforma foi usada em ambientes relacionados a ameaças, coação, aliciamento, automutilação e outras práticas graves.</p>
<p>Segundo a decisão, mesmo diante dos argumentos apresentados pela empresa, há elementos suficientes para justificar a adoção de medidas preventivas. O magistrado apontou a existência de um  “risco suficientemente concreto para exigir o cumprimento de deveres preventivos” .</p>
<h2>O que o Discord terá de fazer</h2>
<p>Entre as determinações estão medidas para  impedir que comunidades e canais removidos sejam recriados por meio de novas contas ou identidades . A plataforma também deverá preservar, por ao menos seis meses, registros relacionados à moderação, contas, servidores, comunidades, comunicações e notificações vinculadas aos fatos investigados.</p>
<p>O Discord deverá ainda  criar um protocolo específico para casos de sextorsão envolvendo crianças e adolescentes , com comunicação às autoridades competentes. Também terá de aprimorar os mecanismos de moderação relacionados a conteúdos de maus-tratos, mutilação ou crueldade contra animais quando houver risco de exposição de menores.</p>
<p>A decisão exige que a empresa comprove capacidade operacional em língua portuguesa para segurança, moderação e recebimento de denúncias no Brasil. </p>
<p>O Discord ainda deverá apresentar informações sobre seus mecanismos de  verificação de idade , eventual plano de adequação à legislação e as medidas adotadas para cumprir as regras relativas a usuários menores de 16 anos e seus responsáveis legais.</p>
<h2>Supervisão parental e segurança de menores</h2>
<p>A plataforma terá de comprovar a existência e a eficácia de mecanismos de supervisão parental, configurações de proteção e controles de privacidade. Também deverá apresentar uma avaliação de impacto sobre a segurança e a saúde de crianças, considerando riscos como aliciamento, violência, automutilação e suicídio.</p>
<p>Outra determinação é impedir o uso de convites para reconstruir comunidades removidas ou levar menores a ambientes associados a contas reincidentes.</p>
<p>A empresa deverá ainda preservar e comunicar às autoridades conteúdos relacionados a  automutilação, suicídio e violência grave , quando identificados de forma legítima. </p>
<p>Entre as exigências estão também a manutenção de representante legal no Brasil, a disponibilização de canal de denúncias em português e a remoção de republicações tecnicamente idênticas de gravações e materiais de incentivo após notificação válida.</p>
<h2>Discord questiona classificação como rede social</h2>
<p>Durante o processo, o  Discord argumentou que não deve ser classificado como uma rede social . A empresa sustenta que sua atividade consiste em uma plataforma de comunicação direta entre usuários, que permite a criação de comunidades e o compartilhamento de textos, imagens e vídeos.</p>
<p>A decisão judicial, contudo, determina a adoção das medidas preventivas diante dos riscos identificados no funcionamento da plataforma e da exposição de crianças e adolescentes a situações potencialmente graves.</p>
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        <media:title>Discord</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Autorregulação da IA nos EUA dá ‘carta branca’ a big techs, alerta especialista</title>
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      <pubDate>Wed, 30 Sep 2026 22:39:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O anúncio do governo dos Estados Unidos e de big techs da Inteligência Artificial (IA) de criar uma autorregulação voluntária com controles de segurança para o desenvolvimento da tecnologia, após encontro realizado na terça-feira, 29, representa uma “carta branca” para a indústria do setor com riscos para a saúde pública e para a democracia dos países.</p>
<p>Essa é a avaliação do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e autor de obras sobre tecnologias digitais. “O que o Trump fez foi entregar completamente e de modo irresponsável o controle democrático do desenvolvimento da IA para a própria corporação que a desenvolve. Isso é um risco gigantesco”, avaliou.</p>
<p>Dentre as medidas anunciadas no acordo firmado na Casa Branca, feito com a OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X, está a implementação de “controles internos” para monitorar os modelos de IA para “garantir que seus modelos não invadam ou acessem sistemas técnicos de maneiras não intencionais”.</p>
<p>“Isso já é feito. Todo o processo de treinamento de IA requer um controle robusto. O monitoramento interno já é feito. Tudo isso não agrega nada de importante para regulamentar e controlar usos e desenvolvimentos indevidos do aprendizado de máquina e do aprendizado profundo”, completou Amadeu.</p>
<p>Outra medida é o estabelecimento de parceria com um auditor ou avaliador externo independente para que as companhias verifiquem se os controles e os sistemas de monitoramento estão funcionando adequadamente. O professor da UFABC contesta essa proposta. “Até que ponto esse auditor externo pago pela própria empresa vai fazer críticas e sugestões que vão criar descontentamento do conselho de acionistas das empresas?”, questionou.</p>
<h2>Benefícios frágeis</h2>
<p>O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures, que apoia a formação de profissionais para atuação em IA, destacou à Agência Brasil que o acordo voluntário das IAs pode criar benefícios reais.</p>
<p>Porém, alerta que o compromisso pode ser abandonado quando as proteções se tornarem comercialmente prejudiciais.</p>
<p>Arpini cita o exemplo da Moratória da Soja na Amazônia, que foi um acordo voluntário que envolveu empresas do setor para não plantar soja na Amazônia e evitar o desmatamento do bioma. “Isso deu certo por 20 anos, de forma voluntária, até que mudou o ambiente político e econômico e as empresas que faziam parte saíram do acordo e a moratória morreu”, disse.</p>
<p>(Em agosto deste ano, porém, o STF reconheceu a validade da Moratória da Soja.)</p>
<h2>Saúde Pública</h2>
<p>Amadeu destaca que a IA traz riscos ambientais (devido ao alto consumo de energia e água), de violação de privacidade (devido à capacidade de vigilância em massa de populações), assim como riscos à democracia e à saúde pública.</p>
<p>Ele explica que várias pesquisas realizadas na indústria farmacêutica, em parceria com big techs por meio de modelos de IA, podem envolver riscos para a saúde da população e, por isso, precisam de regulação do Estado.</p>
<p>“Sabemos que, quando o uso de IA fica sob controle apenas de investidores, isso traz um risco gigantesco para experimentos e ações que coloquem em risco a saúde pública”, comentou.</p>
<p>Entre os riscos, o especialista cita a possibilidade de o uso da IA levar as pessoas a tomar medicamentos por conta própria ou mesmo fazer diagnósticos com uso da máquina.</p>
<p>“Quando nós estamos tratando de fenômenos ligados à saúde pública e que incluam a parceria de grandes big techs com indústrias químicas e de fármacos, é um risco muito grande e, portanto, precisa de uma regulamentação estatal democrática”, concluiu.</p>
<h2>Temor social</h2>
<p>O governo Trump tem rejeitado impor limites ao desenvolvimento da IA, mesmo diante de pedidos da própria indústria e pressão social interna.</p>
<p>Pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters revelou que 73% da população dos EUA acreditam que as empresas de IA não tomam medidas suficientes para impedir os danos da tecnologia para a sociedade e 39% acreditam que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade.</p>
<p>Um dos riscos apontados é que os sistemas banalizem ataques cibernéticos por meio da invasão de sistemas de outras empresas e instituições. Outros riscos associados à IA são os impactos sobre o mercado de trabalho ou o uso “malicioso” da tecnologia por criminosos para aplicar golpes cibernéticos.</p>
<h2>Democracia</h2>
<p>A IA ainda pode ser usada para influenciar a opinião pública por meio da manipulação da informação que circula nas redes sociais, segundo o International AI Safety Report 2026, elaborado por 100 especialistas de mais de 30 países.</p>
<p>“Diversos estudos laboratoriais demonstraram que a interação com sistemas de IA pode levar a mudanças mensuráveis nas crenças das pessoas”, aponta o relatório.</p>
<p>Outro risco apontado é em relação ao desenvolvimento de armas químicas e biológicas.</p>
<p>“Sistemas de IA de uso geral podem fornecer informações sobre o desenvolvimento de armas biológicas e químicas, incluindo detalhes sobre patógenos e instruções de laboratório de nível especializado”, diz o relatório internacional.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Salvador Rios</media:credit>
        <media:title>aplicatovos-ia</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump reúne executivos de IA na Casa Branca</title>
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      <pubDate>Tue, 29 Sep 2026 15:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá uma reunião nesta terça-feira (29), na Casa Branca, com executivos do setor da inteligência artificial (IA), em meio aos apelos para que o Congresso reforce a supervisão da indústria.</p>
<p>O almoço de trabalho, ainda não confirmado pela Casa Branca, também deve ter a participação do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson.</p>
<p>O CEO da Anthropic, Dario Amodei, e o da Nvidia, Jensen Huang, estarão presentes no encontro, confirmou a AFP com fontes próximas ao tema.</p>
<p>O canal CNN antecipou a presença dos CEOs da Meta e do Google, Mark Zuckerberg e Sundar Pichai, e do presidente da OpenAI, Greg Brockman. Elon Musk também é esperado na residência oficial do presidente dos Estados Unidos.</p>
<p>Incidentes relatados por OpenAI, Anthropic, Google e Meta nos últimos meses provocaram um alerta sobre os desvios de vários modelos de IA e a retomada do debate sobre a segurança da tecnologia.</p>
<p>Na véspera da reunião, a OpenAI anunciou o adiamento do lançamento de seu modelo de ponta, previsto para outubro, porque ele desviava das instruções recebidas e tentava enganar seus supervisores.</p>
<p>A mesma empresa reconheceu, na semana passada, que agentes desenvolvidos com modelos da OpenAI acessaram os sites de três agências federais dos Estados Unidos, e que um de seus modelos invadiu um portal de dados de saúde do governo australiano.</p>
<p>Por sua vez, a Anthropic, responsável pelo modelo Claude, advertiu os investidores antes de sua abertura de capital que a IA pode representar "riscos existenciais para a humanidade" – como informou nesta terça-feira o jornal Financial Times.</p>
<h2>Preocupação do eleitorado</h2>
<p>A questão se tornou um tema de campanha nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nos Estados Unidos. </p>
<p>Uma pesquisa publicada pela CNN afirma que 82% dos estadunidenses se declaram "preocupados" com o desenvolvimento da IA.</p>
<p>Mas, Trump considera as advertências exageradas. Ele defende um desenvolvimento sem restrições da IA para superar a China e impulsionar uma economia cada vez mais dependente do avanço dessa tecnologia.</p>
<p>Trump também criticou a crescente rejeição social à instalação dos enormes centros de dados necessários para sustentar a IA. Esses  data centers  encarecem a conta de luz e aumentam a pressão sobre os recursos hídricos e o solo.</p>
<p>O presidente dos EUA disse que as comunidades que se opõem a estas infraestruturas "querem acabar atrasadas e pobres" e que "a China não poderia estar mais feliz com o movimento contrário aos centros de dados".</p>
<p>O debate motivou alianças políticas incomuns: neste mês, o senador Bernie Sanders, referência da esquerda nos Estados Unidos, dividiu o palco com Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, para pedir uma reconsideração da corrida pela IA.</p>
<p>Johnson, que preside a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, afirmou que a reunião na Casa Branca se concentrará em encontrar "o equilíbrio adequado" entre inovação e supervisão.</p>
<p>"Não precisamos de uma moratória. Não temos que nos precipitar e regular isso em excesso, porque perderemos a corrida para a China", disse em uma entrevista ao canal Fox Business Network.</p>
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        <media:credit role="photographer">KENT NISHIMURA</media:credit>
        <media:credit role="provider">Foto de KENT NISHIMURA / AFP</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[AFP]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Óculos com câmera enfrentam reação crescente por riscos à privacidade</title>
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      <pubDate>Sun, 27 Sep 2026 18:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Cinco anos depois de colocar câmeras em uma armação Ray-Ban, Mark Zuckerberg, o dono da Meta, subiu ao palco de seu principal evento do ano para apresentar ao mundo um modelo de óculos inteligente que tira esse componente do dispositivo – funcionalidade que tem colocado a big tech contra a parede.</p>
<p>Anunciado no Meta Connect, na quarta-feira, 23, o Ray-Ban Meta Audio tem outro atributo como principal elemento: sua capacidade de ouvir e acionar a IA pelo recurso de áudio. Esse é o primeiro smart glass da parceria entre as duas marcas que não fotografa nem filma.</p>
<p>“Sem câmeras, isso abre muitas novas possibilidades de design”, disse Zuckerberg ao apresentar a novidade. Segundo ele, a retirada desse componente permitiu criar armações mais leves e finas e aumentar a duração da bateria.</p>
<p>Privacidade, porém, não apareceu entre as razões mencionadas pelo executivo para a mudança.</p>
<p>O novo dispositivo surge em um momento crítico para o mercado de smart glasses com câmeras. Investigações, propostas de regulamentação e proibições vêm se intensificando em diferentes países. O ponto comum é a capacidade de fotografar ou filmar a partir de uma armação que pouco se diferencia, à primeira vista, de óculos convencionais.</p>
<p>A Meta não relacionou o desenvolvimento do modelo sem câmera a essa reação e afirma que o produto vinha sendo preparado havia anos. Na prática, porém, passa a oferecer uma alternativa que preserva inteligência artificial, música, chamadas e comandos por voz sem incorporar o recurso que está no centro da controvérsia.</p>
<p>E há muito dinheiro em jogo. “Há quase 2 bilhões de pessoas no mundo que usam óculos hoje”, declarou Zuckerberg no Connect. A big tech acredita que, nos próximos anos, a maioria desses óculos será substituída ou atualizada por produtos equipados com inteligência artificial.</p>
<p>A companhia já parte de uma posição dominante. A Meta respondeu por cerca de 84% da distribuição mundial de smart glasses no primeiro semestre de 2026, segundo a Counterpoint Research, empresa internacional especializada em pesquisas sobre o mercado de tecnologia e dispositivos eletrônicos. O mercado global cresceu 212% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>Os primeiros óculos da parceria entre Meta e EssilorLuxottica, controladora da Ray-Ban, chegaram ao mercado em setembro de 2021. Chamados Ray-Ban Stories, já tinham duas câmeras de 5 megapixels, além de microfones e alto-falantes. Custavam a partir de US$ 299.</p>
<p>Desde então, a tecnologia ganhou inteligência artificial e conquistou milhões de consumidores. Mais de 7 milhões de óculos com IA da parceria foram vendidos em 2025. A Meta apresenta o Ray-Ban Meta como o óculos com inteligência artificial mais vendido do mundo.</p>
<p>É justamente a câmera, porém, que começa a impor um desafio à ambição de transformar esses dispositivos em um objeto tão cotidiano quanto os óculos convencionais.</p>
<h2>França investiga suspeita de assédio sexual</h2>
<p>Na França, o debate deixou o campo das preocupações teóricas. Em 18 de setembro, veio a público que o Ministério Público de Paris abriu uma investigação criminal sobre suspeita de assédio sexual envolvendo smart glasses.</p>
<p>A apuração ocorre depois que mulheres foram filmadas nas ruas sem consentimento e os vídeos publicados na internet. A promotoria não revelou a marca dos aparelhos envolvidos. A unidade responsável por crimes cibernéticos também testou smart glasses para entender que tipos de infração podem ser cometidos com a tecnologia.</p>
<p>A Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL), autoridade francesa de proteção de dados, também recebeu denúncias relacionadas ao uso dos dispositivos no ambiente de trabalho. Empresas passaram a procurar o órgão para saber se podem impedir funcionários de utilizá-los.</p>
<p>A dificuldade está em algo aparentemente simples: saber quando alguém está gravando.</p>
<p>Os Ray-Ban Meta equipados com câmera possuem uma pequena luz de LED que se acende quando fotos ou vídeos estão sendo registrados. A Meta afirma que o indicador foi desenvolvido para alertar quem está ao redor e que não pode ser desativado.</p>
<p>Para a CNIL, entretanto, os smart glasses criam desafios para informar adequadamente as pessoas de que estão sendo filmadas e, quando necessário, obter seu consentimento.</p>
<p>Com um celular, o gesto de levantar o aparelho e apontar a câmera costuma tornar perceptível que uma fotografia ou um vídeo pode estar sendo feito. Com os óculos, basta olhar.</p>
<p>Na Alemanha, a discussão também chegou às autoridades. Em agosto, uma organização de defesa de direitos apresentou uma queixa criminal contra a Meta, a EssilorLuxottica e empresas envolvidas na comercialização dos aparelhos, argumentando que a tecnologia pode permitir gravações clandestinas e violar regras de privacidade. Autoridades iniciaram uma análise preliminar do caso.</p>
<h2>Austrália leva restrições a piscinas, escolas e prédios públicos</h2>
<p>Na Austrália, as restrições começaram a alcançar situações bastante concretas do cotidiano.  Em agosto, Brisbane proibiu gravações sem consentimento feitas com dispositivos equipados com câmera em suas 21 piscinas públicas. A regra alcança smart glasses, celulares e câmeras de ação.</p>
<p>Outros governos locais adotaram medidas semelhantes. Em Sydney, as regras atingem instalações municipais, como piscinas, enquanto diferentes conselhos passaram a restringir os aparelhos em espaços como vestiários, creches, academias e parques infantis.</p>
<p>Na terça-feira, 22, o governo da Austrália Ocidental anunciou uma medida mais ampla: smart glasses serão proibidos em todas as escolas públicas do estado a partir do quarto período letivo deste ano. A regra alcança alunos, funcionários, pais, responsáveis e prestadores de serviço e vale também para excursões e atividades esportivas.</p>
<p>O debate chegou ainda ao governo federal. Em 17 de setembro, a ministra da Função Pública, Katy Gallagher, pediu que o serviço público avaliasse regras para os smart glasses nos locais de trabalho administrados pela Commonwealth, inclusive a possibilidade de proibi-los por questões de privacidade e segurança.</p>
<p>Isso não significa uma proibição nacional nem impedir a venda ou a importação dos aparelhos. O que está sendo discutido no nível federal é seu uso em determinados ambientes governamentais.</p>
<h2>Noruega discute regras mais duras</h2>
<p>Na Noruega, o governo decidiu antecipar a discussão sobre os limites da tecnologia. Em 25 de agosto, a ministra da Digitalização e Administração Pública, Karianne Tung, defendeu uma regulamentação mais rígida para smart glasses e anunciou a criação de um grupo de especialistas para analisar como o país deve lidar com esses dispositivos.</p>
<p>Entre as questões colocadas pelo governo está a possibilidade de impedir funções de reconhecimento facial de outras pessoas em espaços públicos. A ministra também pediu que instituições públicas e empresas privadas avaliem regras para o uso dos aparelhos em seus próprios ambientes.</p>
<p>A preocupação norueguesa vai além de um caso específico de abuso: envolve o que pode acontecer quando câmeras, microfones e sistemas de inteligência artificial passam a acompanhar continuamente o ponto de vista do usuário.</p>
<h2>Reino Unido e Estados Unidos fecham algumas portas</h2>
<p>No Reino Unido, não existe uma proibição nacional dos smart glasses, mas as restrições começaram a se espalhar por ambientes nos quais gravações representam um problema especial.</p>
<p>Tribunais da Inglaterra e do País de Gales proibiram os aparelhos, enquanto teatros, cinemas, restaurantes, pubs e clubes privados passaram a estabelecer regras próprias.</p>
<p>Nos Estados Unidos, a Justiça do Estado de Nova York anunciou em 14 de julho a proibição dos smart glasses em suas instalações. A medida, em vigor desde 20 de julho, alcança óculos com câmera, microfone, computador ou outra tecnologia capaz de fazer gravações de áudio ou vídeo.</p>
<p>São medidas de alcance diferente, adotadas por instituições distintas. Mas todas partem de uma dificuldade criada pelo mesmo desenho do produto: uma câmera instalada em um objeto que normalmente não desperta a reação provocada por alguém apontando um celular.</p>
<h2>Meta aposta com e sem câmera</h2>
<p>No Connect, ficou claro que a Meta não está abandonando as câmeras. Ao mesmo tempo em que Zuckerberg apresentou o Ray-Ban Meta Audio sem esse recurso, a companhia lançou a terceira geração do Ray-Ban Meta. O novo modelo possui câmera de 12 megapixels, grava vídeos em 3K e mantém o LED destinado a indicar quando fotos ou vídeos estão sendo registrados.</p>
<p>O preço também separa as duas propostas. O Ray-Ban Meta Audio, que chega ao mercado em 13 de outubro, parte de US$ 349. O Ray-Ban Meta Gen 3 custa a partir de US$ 449.</p>
<p>A estratégia coloca lado a lado dois caminhos. Um deles preserva a capacidade dos óculos de enxergar, registrar e, com ajuda da IA, interpretar o ambiente. O outro mantém inteligência artificial e áudio, mas abre mão da visão. Zuckerberg, ao apresentar o RayBan Meta Audio, focou nas possibilidades de design abertas pela retirada da câmera.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as0p5fmCxyHN4OCA1.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Zuckerberg apresentou o Ray-Ban Meta Audio, que não tem câmera."/>
<h2>Pressão em outras frentes</h2>
<p>A discussão sobre os smart glasses ocorre quando a Meta enfrenta questões regulatórias em outros campos que vão custar um bom dinheiro para a companhia. Em agosto, um tribunal do Novo México, nos Estados Unidos, determinou que a empresa pagasse US$ 567 milhões para um fundo destinado à saúde mental de adolescentes e promovesse mudanças em suas plataformas para proteger usuários jovens.</p>
<p>Em março, um júri já havia determinado o pagamento de US$ 375 milhões no mesmo processo, relacionado a acusações sobre a segurança de crianças e adolescentes no Facebook e no Instagram. A Meta contesta as decisões e anunciou recurso.</p>
<h2>O que mais a Meta apresentou no Connect</h2>
<p>O Meta Connect demonstrou que os óculos ocupam uma posição central nessa estratégia. Além do Ray-Ban Meta Audio e da terceira geração do Ray-Ban Meta, a companhia apresentou o Meta VR Glasses, aparelho de realidade virtual de aproximadamente 100 gramas, com formato muito mais próximo ao de óculos do que dos tradicionais headsets. O lançamento comercial está previsto para 2027.</p>
<p>A big tech também anunciou a integração do Muse, seu agente pessoal de inteligência artificial, aos óculos e ampliou a variedade de armações, lentes e modelos. Até o fim deste ano, pretende oferecer mais de 100 opções entre Ray-Ban, Oakley e Meta Glasses.</p>
<p>A expansão geográfica também continua. A companhia anunciou novos mercados e informou que os Meta Glasses chegarão em breve ao Brasil.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Jovens engenheiros encaram desafio de carros solares na África do Sul</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/jovens-engenheiros-carros-solares-africa-do-sul</link>
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      <pubDate>Tue, 15 Sep 2026 13:42:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Equipes universitárias estão colocando veículos movidos a energia solar e seus conhecimentos de engenharia à prova em uma jornada de mais de 2.500 km, de Joanesburgo à Cidade do Cabo, na África do Sul, na edição de 2026 do Sasol Solar Challenge.</p>
<p>Os veículos, com formatos pouco convencionais, alinharam-se na quinta-feira, 10, enquanto as equipes faziam os últimos ajustes e verificavam os componentes elétricos antes de partir pelas ruas da cidade.</p>
<p>Ao contrário de uma corrida tradicional, a velocidade não é o principal fator para determinar o vencedor.</p>
<p>“O vencedor não é a equipe que chega primeiro, mas aquela que acumula mais quilômetros ao longo do percurso”, explicou Rob Walker, diretor do evento.</p>
<p>“Todos os dias, estabelecemos uma distância mínima que as equipes precisam cumprir. Depois, há circuitos opcionais nos quais elas podem acumular quilômetros extras. Portanto, é uma competição em que a distância vem em primeiro lugar”, acrescentou.</p>
<h2>Terreno coloca carros solares à prova</h2>
<p>Denzel Brits, estudante de engenharia mecânica e piloto da equipe da North-West University, afirmou que a extensão do percurso não é sua maior preocupação.</p>
<p>“São 2.500 quilômetros, uma distância longa, mas esse não é o maior desafio. Acho que a maior dificuldade que vamos enfrentar é o terreno”, disse Brits.</p>
<p>“Mesmo uma pequena subida exige energia das baterias”, acrescentou. Segundo ele, poeira, chuva e cobertura de nuvens também podem afetar a recarga por energia solar.</p>
<p>A equipe Solar Eagle, da North-West University, desenvolveu um painel solar inclinável para maximizar a quantidade de energia captada durante o percurso.</p>
<p>“Nosso carro tem uma característica única: uma asa inclinável que podemos girar ao longo do dia para que o painel permaneça voltado para o sol o tempo todo”, explicou o gerente da equipe, Dr. Kruger.</p>
<p>“O sistema funciona automaticamente, analisando o sombreamento do carro e as coordenadas de GPS para calcular o ângulo de inclinação necessário para manter o painel na melhor posição possível em relação ao sol”, acrescentou.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/ascepLp2kZWD867nH.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Os veículos do Sasol Solar Challenge têm formatos pouco convencionais."/>
<h2>“Provar o sol”</h2>
<p>Para Masheko Mhore, piloto da Central University of Technology, participar da competição tem um significado que vai além do desafio tecnológico.</p>
<p>“Estou abrindo caminho não apenas como mulher, mas para o nosso povo, para os negros africanos”, afirmou Mhore. “Fazer parte do grupo de pessoas que está abrindo esse caminho é realmente incrível.”</p>
<p>“Fizemos toda a matemática, fizemos todos os cálculos. Demos o nosso melhor e agora tudo o que podemos fazer é pisar no acelerador e provar o sol”, acrescentou.</p>
<p>O Sasol Solar Challenge ocorre de 10 a 17 de setembro. As equipes disputam para acumular a maior distância possível, em vez de simplesmente tentar alcançar a linha de chegada antes das demais.</p>
<p>O evento também inclui um programa voltado a escolas, com o objetivo de estimular estudantes a seguir áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Facebook - Sasol Solar Challenge</media:credit>
        <media:title>carro-solar</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Florence Naa Oyoe Quartey]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Novo computador quântico chega ao Rio para formar profissionais</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/novo-computador-quantico-comeca-a-ser-usado-para-formacao-profissional-no-rio-de-janeiro</link>
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      <pubDate>Wed, 09 Sep 2026 20:35:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Triangulum II, novo computador quântico educacional fabricado pela chinesa SpinQ, entrou em operação no Rio de Janeiro com a proposta de capacitar estudantes, pesquisadores, professores e profissionais para o uso da tecnologia em diferentes setores da indústria. Apresentado nesta terça-feira, 8, o equipamento está instalado no DigiTech, Centro de Referência em Tecnologia da Informação e Comunicação da Firjan Senai. </p>
<p>Segundo a instituição, o equipamento é um dos três computadores quânticos educacionais existentes no Brasil, o mais moderno do país e o primeiro instalado no Rio de Janeiro.</p>
<p>A chegada da máquina é resultado de uma parceria entre a Firjan Senai e a empresa brasileira Dobslit. O computador será utilizado principalmente para capacitação e experimentação, permitindo que alunos desenvolvam projetos que posteriormente possam ser executados em computadores quânticos de maior capacidade.</p>
<p>O novo equipamento é um computador quântico de pequeno porte criado para o aprendizado e a realização de experimentos. Com ele, estudantes e pesquisadores podem aprender na prática como funciona a computação quântica, testar algoritmos e desenvolver projetos que, mais tarde, poderão ser levados a máquinas muito mais potentes.</p>
<p>Ele trabalha com três qubits, como são chamadas as unidades básicas de informação dos computadores quânticos. Embora seja uma capacidade pequena diante das máquinas mais avançadas, é suficiente para atividades de ensino e para os primeiros testes de soluções baseadas nessa tecnologia.</p>
<p>Durante a apresentação, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, afirmou que a capacidade de realizar determinados cálculos de maneira mais eficiente abre possibilidades de aplicação na indústria. “Ao realizar determinados cálculos de forma muito mais eficiente, abre perspectivas para aplicações futuras em diversas áreas industriais”.</p>
<p>Segundo o presidente, embora a adoção comercial da computação quântica ainda esteja em estágio inicial, países, empresas e universidades já disputam profissionais qualificados para trabalhar com a tecnologia. No DigiTech, a formação será destinada a estudantes, pesquisadores, professores e profissionais em requalificação.</p>
<p>“Os estudantes poderão trabalhar sobre desafios reais da indústria, desenvolvendo provas de conceito que poderão, no futuro, ser executadas em plataformas quânticas de maior porte”, disse Caetano.</p>
<p>A Firjan também pretende desenvolver projetos com empresas de setores como petróleo e gás, energia, telecomunicações, segurança da informação e serviços financeiros.</p>
<p>Um dos exemplos citados durante o evento foi o uso da computação quântica na operação de plataformas de petróleo, atividade que envolve o gerenciamento simultâneo de diversas variáveis. Segundo Alexandre dos Reis, diretor-executivo da Firjan Senai Sesi, o planejamento pode considerar desde rotas de helicópteros e embarcações, até condições climáticas, consumo de combustível, disponibilidade das equipes e manutenção dos equipamentos.</p>
<p>Nesse cenário, a tecnologia poderia contribuir para encontrar soluções mais eficientes diante de um grande número de combinações possíveis. “Ela pode ser aplicada a desafios de otimização, simulação e análise de grandes quantidades de possibilidades”, afirmou Reis.</p>
<h2>O que é um computador quântico?</h2>
<p>Os computadores tradicionais processam informações por meio de bits, que assumem os valores 0 ou 1. Na computação quântica, essa função é desempenhada pelos qubits, capazes de explorar fenômenos da física quântica, como a superposição e o emaranhamento.</p>
<p>Na prática, essas características permitem que os computadores quânticos lidem de maneira diferente com um grande número de possibilidades. Essa forma de processamento pode oferecer vantagens em determinados tipos de problema, como simulações de sistemas físicos e alguns problemas de otimização. A tecnologia, no entanto, não torna todas as tarefas mais rápidas nem deve substituir os computadores convencionais.</p>
<p>De acordo com Maurício Bonabitacola de Almeida, gerente de operações do Centro de Referência da Firjan Senai, os dois tipos de computador podem atuar de forma complementar. Enquanto a máquina convencional prepara os dados, controla o processo e interpreta os resultados, o computador quântico atua em cálculos mais complexos, podendo encontrar soluções de forma mais eficiente.</p>
<h2>Tecnologia quântica no Brasil</h2>
<p>Antes da chegada do Triangulum II ao Rio de Janeiro, o Senai-SP já utilizava um computador quântico para fins educacionais da SpinQ em São Caetano do Sul (SP).</p>
<p>Instalado em 2023, o equipamento do Senai paulista foi apresentado na época como o primeiro computador quântico educacional do tipo no Brasil. Posteriormente, uma segunda unidade foi instalada na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Manaus. Com a chegada do Triangulum II à Firjan Senai, no Rio de Janeiro, o país passa a contar com três equipamentos educacionais que utilizam tecnologia da SpinQ, em parceria com a brasileira Dobslit. </p>
<p>O país também dispõe de outras iniciativas na área. No Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da USP, pesquisadores desenvolvem há anos estudos de informação e computação quântica por ressonância magnética nuclear.</p>
<p>Há ainda equipamentos quânticos portáteis destinados a ensino e demonstrações, como modelos da linha Gemini Mini utilizados pela Dobslit.</p>
<p>Para o presidente da Firjan, além de ampliar a estrutura disponível para ensino e pesquisa, a chegada do Triangulum II pode contribuir para consolidar o Rio de Janeiro como um polo de tecnologias avançadas na América Latina, atraindo investimentos e profissionais especializados.</p>
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        <media:credit role="photographer">Vinícius Magalhães</media:credit>
        <media:credit role="provider">Vinícius Magalhães/ Divulgação</media:credit>
        <media:title>Computador-quântico</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Ivan Gomes]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Governo processa Discord e pede R$ 500 milhões por dano moral coletivo</title>
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      <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 11:10:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou nesta quarta-feira, 26, com uma  ação civil contra o Discord na Justiça Federal de Brasília e pede a condenação da plataforma ao pagamento de R$ 500 milhões por dano moral coletivo . O valor corresponde a R$ 50 milhões para cada uma das dez infrações identificadas e documentadas pelo governo.</p>
<p>Segundo a AGU, a plataforma apresenta proteção insuficiente a grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes e mulheres, além de permitir situações de violência contra animais.</p>
<p>De acordo com a Polícia Federal, o Discord não adota requisitos mínimos estabelecidos pela legislação brasileira, incluindo o ECA Digital.</p>
<p>O ministro da AGU, Jorge Messias, afirmou que o governo manteve duas semanas de reuniões e diálogos com representantes da empresa na tentativa de chegar a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não houve acordo.</p>
<p>“Essa plataforma tem permitido a prática de comportamentos ilegais a partir do que chamamos de proteção insuficiente a mulheres, crianças, adolescente e animais”, disse Messias.</p>
<h2>Mais de 115 relatórios desde 2025</h2>
<p>De acordo com o governo, os problemas identificados não se restringem a episódios isolados. Desde 2025, o sistema de monitoramento das autoridades produziu  mais de 115 relatórios técnicos de inteligência  sobre casos relacionados ao Discord no Brasil.</p>
<p>Os documentos envolvem indução ao suicídio e à automutilação, além de maus-tratos e sacrifícios de animais.</p>
<p>O secretário nacional de Direitos Digitais, Vitor Fernandes, declarou que  mecanismos de verificação de idade, supervisão e controle parental da plataforma também apresentaram falhas.</p>
<p>Segundo ele, a legislação brasileira exige que as plataformas adotem medidas para detectar e remover determinados conteúdos ilegais, sem esperar uma notificação do poder público.</p>
<h2>Morte de adolescente é citada na ação</h2>
<p>Entre os episódios investigados está  a morte de uma adolescente de 13 anos  durante uma transmissão ao vivo. O caso deu nome à  Operação Lívia , deflagrada em 4 de agosto, com o cumprimento de mandados em cinco estados.</p>
<p>Segundo Fernandes, a transmissão começou por volta das 2h20 e durou mais de duas horas. Às 3h50, o Discord recebeu um alerta do núcleo de observação e análise digital da Polícia Civil de São Paulo.</p>
<p>O servidor foi retirado do ar 25 minutos depois. De acordo com o secretário, porém, as contas dos investigados envolvidos só foram banidas às 15h20 do dia seguinte.</p>
<p>O Discord contesta a forma como o episódio vem sendo apresentado. A empresa afirma que as atividades investigadas ocorreram em diferentes aplicativos e que evidências compartilhadas pelo próprio governo indicariam que a morte aconteceu em outra plataforma.</p>
<p>A companhia diz ainda ter investigado um servidor privado no qual pessoas envolvidas em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação. Segundo o Discord, esse servidor foi desativado antes da morte da adolescente.</p>
<h2>Governo cobra atuação preventiva</h2>
<p>O governo também cita a Lei 15.487, sancionada neste ano, que ampliou os instrumentos disponíveis para investigações de crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital.</p>
<p>A legislação passou a permitir a chamada “ronda virtual legalizada”, pela qual autoridades policiais podem identificar e coletar arquivos relacionados a esses crimes.</p>
<p>O diretor de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, disse que o ECA Digital também ampliou as ferramentas para atuação preventiva e repressiva das autoridades.</p>
<p>O governo sustenta ainda que o uso de criptografia ponta a ponta pelo Discord dificultou, em casos investigados, a detecção proativa de conteúdos criminosos.</p>
<h2>Discord contesta acusações</h2>
<p>Em nota, o Discord classificou a ação civil como “desproporcional” e afirmou que mantém diálogo “de forma consistente e de boa-fé” com a AGU.</p>
<p>A empresa diz ter apresentado uma proposta para reforçar a segurança da plataforma, com mudanças técnicas e investimentos em segurança online no Brasil. Também afirma que a acusação de falta de cooperação com as autoridades é incorreta.</p>
<p>Segundo o Discord, não tem havido uma atuação coordenada entre os órgãos federais envolvidos e não há clareza sobre todas as medidas específicas exigidas da companhia.</p>
<p>A plataforma afirma contar com equipes especializadas que trabalham para identificar pessoas que representem ameaças de alto risco e possíveis vítimas, além de remover usuários e conteúdos. A empresa declara que comunicações feitas às autoridades já contribuíram para a detenção de suspeitos.</p>
<p>O Discord argumentou estar comprometido em trabalhar com as autoridades para chegar a uma solução que permita aos brasileiros continuar utilizando a plataforma.</p>
<p>Com informações da Agência Brasil.</p>
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        <media:title>discord-celular</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>TikTok: multa de R$ 153,7 mi por falhas na proteção de crianças e adolescentes</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/anpd-multa-tiktok-em-r-153-7-milhoes-por-falhas-na-protecao-de-criancas-e-adolescentes</link>
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      <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 12:26:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou multa de R$ 153,7 milhões à ByteDance, controladora do TikTok, por irregularidades no tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (25) e também determina a eliminação dos dados coletados irregularmente.</p>
<p>A empresa também deverá implementar um plano de conformidade para melhorar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. A decisão é resultado de um processo de fiscalização que identificou práticas em desacordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em duas modalidades de acesso ao TikTok: o “feed sem cadastro”, disponível sem a necessidade de criação de uma conta, e o “feed com cadastro”, associado a um perfil registrado.</p>
<p>Segundo a Superintendência de Fiscalização da ANPD, nas duas modalidades havia tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes sem uma hipótese legal adequada prevista na LGPD. A agência apontou cinco violações aos artigos 6º, incisos VIII e X, e 7º da legislação.</p>
<p>No acesso sem cadastro, a ANPD identificou o tratamento de dados desse público sem hipótese legal válida e a falta de medidas para impedir essa prática. Já no acesso com cadastro, foram apontados o tratamento de dados de crianças e adolescentes para a realização do cadastro sem hipótese legal válida e a ausência de medidas eficazes para impedir o cadastro desse público na plataforma.</p>
<p>A agência também concluiu que, nas duas modalidades de acesso, a empresa não demonstrou medidas eficazes capazes de comprovar a observância das normas de proteção de dados. Segundo a área técnica, os mecanismos adotados pelo TikTok não eram suficientes para evitar, desde a origem, o tratamento indevido de dados pessoais de crianças e adolescentes, além de não haver evidências concretas da efetividade das medidas técnicas e organizacionais destinadas a garantir a conformidade com a LGPD.</p>
<p>A multa se refere às condutas passadas e ao tratamento de dados realizado sem hipótese legal válida durante o período analisado. Da decisão cabe recurso ao Conselho Diretor da ANPD no prazo de dez dias úteis a partir da notificação da penalidade, realizada na segunda-feira (24).</p>
<h2>Novas medidas de proteção</h2>
<p>Como parte do plano de conformidade, a ByteDance se comprometeu a aplicar automaticamente configurações mais restritivas de privacidade às contas de usuários com menos de 16 anos. Essas configurações só poderão ser alteradas com autorização dos responsáveis. A empresa também deverá reforçar os sistemas de supervisão parental e implementar filtros de conteúdo mais rigorosos.</p>
<p>Para o acesso ao TikTok sem cadastro, o plano prevê a suspensão de anúncios no Brasil, a limitação da experiência a conteúdos apropriados para todas as idades e a redução da coleta e do processamento de dados pessoais.</p>
<p>A experiência sem cadastro ficará limitada a 12 horas. Usuários não poderão criar conteúdo, comentar, enviar mensagens diretas ou interagir socialmente, além de não poderem seguir outros usuários ou serem seguidos. Também ficará proibido postar ou assistir a transmissões ao vivo, enquanto a personalização de conteúdo será bastante limitada.</p>
<p>A coleta e o processamento de dados também serão reduzidos. Segundo a ANPD, serão utilizados dados mínimos de idioma e região para garantir a relevância do conteúdo, informações básicas do dispositivo para proteção contra fraudes e dados destinados à melhoria do desempenho do aplicativo.</p>
<h2>Aferição de idade</h2>
<p>Em outra decisão publicada no Diário Oficial nesta terça-feira, o Conselho Diretor da ANPD aprovou, em grau recursal, o plano de conformidade apresentado pela ByteDance. A aprovação, porém, ressalva que a empresa deverá cumprir a exigência de aferição de idade estabelecida pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), seguindo os prazos definidos no cronograma de implementação de mecanismos confiáveis de aferição etária.</p>
<p>A atuação da ANPD resultou ainda em compromissos como a suspensão integral de anúncios, a desabilitação das transmissões ao vivo e das mensagens diretas entre usuários no acesso ao TikTok sem cadastro. Segundo a agência, as medidas reduzem os riscos aos direitos de crianças e adolescentes identificados anteriormente.</p>
<h2>Leia também:</h2>
<p>ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord</p>
]]></description>
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        <media:title>ANPD</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>RN vai abrigar supercomputador brasileiro de Inteligência Artificial</title>
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      <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 23:18:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal, foi escolhido para abrigar o novo supercomputador de inteligência artificial (IA) que será adquirido pelo governo federal ao custo de pouco mais de R$ 1 bilhão.</p>
<p>O edital público de concorrência para a compra do supercomputador será publicado no Diário Oficial da União (DOU), segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os recursos são oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).</p>
<p>A infraestrutura deverá alcançar 7.200 petaflops, cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo . Petaflop é uma unidade usada para medir a capacidade de processamento de supercomputadores. Um petaflop corresponde a 1 quatrilhão de operações matemáticas por segundo.</p>
<p>Assim, uma máquina de 7.200 petaflops pode realizar, em teoria, até 7,2 quintilhões de operações de ponto flutuante por segundo. Para se ter uma ideia, a atual máquina mais potente do país é o supercomputador Santos Dumont, instalada no estado do Rio de Janeiro, que opera com 27 petaflops.</p>
<p>A capacidade do novo equipamento será disponibilizada para empresas, universidades, instituições científicas e governos para treinamento de modelos, pesquisa e desenvolvimento de aplicações de IA . A execução será feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).</p>
<p>O objetivo é abrir espaço para pesquisa, inovação, novos produtos, serviços e negócios por meio da maior capacidade computacional disponível no Brasil.</p>
<p>"A gente vai reduzir nossa dependência. Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui", destacou a ministra Luciana Santos, do MCTI, ao acrescentar que o supercomputador estará entre os 10 mais potentes do planeta.</p>
<p>Segundo a ministra, o edital prevê contrapartidas relacionadas a transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com previsão de capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos.</p>
<p>A medida integra o  Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) , que reúne ações para ampliar a infraestrutura tecnológica do país, a formação de profissionais, a transferência de tecnologia e fortalecer governança e a soberania digital.</p>
<p>"Nós vamos provar que os brasileiros, nossos acadêmicos e a juventude, não devem nada a ninguém. Só precisam de oportunidade, é isso que queremos garantir com o supercomputador", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o evento que marcou o anúncio do novo equipamento.</p>
<p>A escolha pelo Nordeste teve como fundamento o esforço de reduzir as desigualdades regionais no campo tecnológico e a abundância de energia renovável. O estado é líder na produção de energia eólica.</p>
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        <media:credit role="provider">Divulgação/UFRN</media:credit>
        <media:title>supercomputador</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Ao lado da China, Brasil quer IA segura e 'multilateral', diz Ministério da Ciência</title>
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      <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 20:16:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em julho, representantes do governo brasileiro viajaram a Xangai para assinar um acordo de adesão à Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO). </p>
<p>Esse novo órgão quer promover  práticas seguras de desenvolvimento e aplicação  de inteligência artificial entre os países. </p>
<p>Em nota conjunta divulgada na época da assinatura, o governo afirmou que o projeto também visa "contribuir para a redução de lacunas no acesso a tecnologias e serviços de IA e para o enfrentamento coletivo de riscos e desafios associados ao avanço da tecnologia."</p>
<p>Os Estados Unidos e membros da União Europeia  não estão entre os 28 países que assinaram o documento .</p>
<p>"O Brasil decidiu participar por que temos a perspectiva de que a governança global da IA deve acontecer de maneira multilateral, centralizada sob a Organização das Nações Unidas (ONU)", explicou Carlos Matsumoto, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conversa com o  GSW Brasil.</p>
<p>De acordo com Matsumoto, a WAICO já começou a elaborar seus documentos operacionais.</p>
<p>"Estamos definindo o regimento interno, orçamento e planos de ação. As atividades estão previstas para iniciar já nas próximas semanas", revelou.</p>
<p>Já aqui no Brasil, o processo segue para a fase de internalização e ratificação pelo Congresso Nacional.</p>
<h2>Como fica o Marco Legal da IA?</h2>
<p>Logo após a assinatura, especialistas em direito manifestaram preocupação, afirmando que a entrada na WAICO poderia gerar conflitos com o que será estabelecido pelo Marco Legal da Inteligência Artificial. </p>
<p>O texto, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), já foi aprovado no Senado e permanece em revisão na Câmara dos Deputados. 

</p>
<p>O porta-voz do MCTI negou essa possibilidade, afirmando que a entrada do Brasil na organização 'não gera conflitos com o ordenamento jurídico interno ou com o Projeto de Lei 2338/2023'</p>
<p>"Os termos do acordo estão alinhados à legislação brasileira e têm caráter estritamente propositivo de fomento e capacitação", completou</p>
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        <media:credit role="photographer">Ricardo Stuckert</media:credit>
        <media:credit role="provider">Agência Brasil</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Discord confirma suspensão de lives e compartilhamento de tela</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/discord-confirma-suspensao-de-lives-e-compartilhamento-de-tela</link>
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      <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 20:16:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Através de uma 'carta a comunidade brasileira', o Discord afirmou nesta segunda-feira, 17, que  suspendeu recursos de chamadas de vídeos e compartilhamento de tela  na plataforma. </p>
<p>A empresa também disse que 'trabalha para restabelecer o acesso a esses recursos importantes o mais rápido possível', além de reforçar que chamadas de áudio e mensagens diretas continuam funcionando normalmente.</p>
<p>O comunicado acontece após ordem  emitida na última semana pela ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), que fiscaliza o cumprimento das regras estabelecidas pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).</p>
<p>"Essa é a diferença do ECA Digital. Ele permite que haja ações apenas onde há o problema e não a plataforma como um todo", disse a ex-secretária da Sedigi (Secretaria Nacional de Direitos Digitais), Lilian Cintra de Melo, ao GSW Brasil.</p>
<p>O caso do suicídio e mutilação de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, estopim para o pedido de suspensão feito pela agência brasileira, também foi citado no texto.</p>
<p>"Trabalhamos todos os dias para manter esses indivíduos fora da nossa plataforma e para tornar o Discord mais seguro para os adolescentes. Temos colaborado e continuamos colaborando com as autoridades policiais neste caso", afirmou Stanislav Vishnevskiy, CTO e cofundador do Discord. </p>
<p>O prazo para implementação terminava hoje e as medidas devem ao menos impedir que a plataforma seja multada. </p>
<p> Ao GSW Brasil, a ANPD afirmou que deve se posicionar oficialmente após uma análise mais completa da resposta e medidas da plataforma.</p>
]]></description>
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      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>ANPD suspende transmissões ao vivo do Discord após morte de adolescente</title>
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      <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 18:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A  ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados)  suspendeu nesta quarta-feira, 12, a ferramenta de transmissões ao vivo do aplicativo  Discord . A medida ocorre após o caso de mutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos durante uma  live  da plataforma.</p>
<p>Em comunicado, a agência afirmou ter evidências de que a empresa "não adotou medidas razoáveis para mitigar riscos de acesso e exposição a conteúdos que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes".</p>
<p>A morte da adolescente, que ocorreu no Mato Grosso do Sul, gerou ondas de protestos dentro e fora da internet, inclusive da primeira-dama, Janja Lula da Silva, que pediu o bloqueio do aplicativo no Brasil. </p>
<p>A medida aplicada é  parcial  e não afeta todo o funcionamento do Discord. “O Discord não está sendo bloqueado. O que a medida preventiva suspende é a funcionalidade  Go Live , utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados. O nosso objetivo é  reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação a que estão sendo expostas as crianças e adolescentes ”, explica  o superintendente de fiscalização da ANPD, Fabrício Lopes .</p>
<p>A agência também afirmou que a  Go Live  tem sido reiteradamente usada para a prática de crimes graves, nos últimos anos, colocando em risco a integridade física e mental dos menores de 18 anos</p>
<p>Os representantes da empresa foram notificados pela SFI-ANPD e devem comprovar em três dias úteis o cumprimento integral da suspensão no território nacional.</p>
<h3>Leia também:</h3>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Adolescentes seguem usando redes sociais banidas na Austrália, mostra relatório </title>
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      <pubDate>Wed, 05 Aug 2026 16:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Três meses após a implementação, o banimento de redes sociais para menores de 16 anos na Austrália tem se provado menos efetivo do que o esperado. </p>
<p>É o que mostra o  mais recente estudo da eSafety,  comissão australiana responsável por implementar e avaliar as medidas definidas nas novas leis.</p>
<p>O novo relatório foi elaborado por um painel consultivo global de pesquisadores universitários, e comparou dados coletados de mais de 4 mil crianças e famílias antes e depois da proibição.</p>
<p>Segundo os dados, a maioria das crianças e adolescentes entre 10 e 15 anos  criaram novas contas  ou  mantiveram suas antigas  desde dezembro, quando o banimento entrou em ação. </p>
<p>Se antes  86% dos adolescentes  utilizavam ao menos uma plataforma banida, hoje o número teve uma  queda discreta para 81%.  </p>
<p>Segundo a própria comissão, as plataformas  são as principais culpadas  pelo número pouco expressivo, já que relatos mostram que a checagem de idade não está sendo implementada corretamente.</p>
<p>"Embora a eSafety tenha observado algumas melhorias por parte do setor desde a atualização de março sobre a idade mínima para uso de redes sociais, persistem preocupações quanto à conformidade das cinco plataformas citadas naquela ocasião. Uma segunda atualização será publicada nas próximas semanas”, afirmou a comissão em nota.</p>
<h2>Brasil no caminho certo?</h2>
<p>No início do mês,  o GSW Brasil conversou  com uma das responsáveis pela articulação e composição do texto do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, Lilian Cintra de Melo.</p>
<p>O estatuto sacramentou as regras do modelo brasileiro para segurança para jovens nas redes. Em vez de proibir, há um foco maior em  educação  e  exigência de designs mais seguros  por parte das plataformas. Após analisar o cenário global de maneira aprofundada, Lilian já apostava que o sistema australiano seria pouco efetivo.</p>
<p>"O custo de implementação e fiscalização é muito alto, além de que esses jovens acabam usando métodos para burlar a proibição, como VPN”, explicou na época.</p>
<p>Vale lembrar que a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por fiscalizar as ações dessas plataformas no Brasil, firmou um acordo com a Direção-Geral das Redes de Comunicações, Conteúdos e Tecnologias (DG CONNECT) da Comissão Europeia, para fiscalização e proteção de crianças e adolescentes na internet.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Modelos da OpenAI e Anthropic tentaram novos ataques cibernéticos em testes</title>
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      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 23:58:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A OpenAI confirmou nesta terça-feira, 04, que um de seus modelos, o GPT-5.6 Sol, tentou novamente realizar ações consideradas   “não autorizadas”  em um ambiente de testes (também conhecido como ‘cyber range’). </p>
<p>Em  relato inicial feito pela AISI  (Instituto de Segurança de IA), que fica sob o guarda-chuva do Departamento de Ciência e Inovação do Reino Unido, as ações descritas envolvem a  ‘tentativa de introduzir codigo malicioso’  em uma empresa de software aberto, além da utilização de  engenharia social   para enganar pessoas reais. </p>
<p>No mesmo teste, o modelo Mythos 5, da Anthropic, tomou  ao menos 17 ações autonomas que poderiam causar danos,  segundo o relatório. O relato mostrou que os agentes da OpenAI e Anthropic interagiram e  se ajudaram durante o processo.</p>
<p>“Esta é a primeira vez que vemos riscos relacionados à autonomia e fraude se manifestarem de forma tão clara, sem comandos específicos, no mundo real”, afirmou a AISI, em comunicado.</p>
<p>A organização reforçou que os modelos receberam  acesso a internet  e tiveram seus  filtros de segurança diminuídos  para ‘testar as capabilidades totais dos modelos, incluindo as de realizar ciberataques’.</p>
<p>“Não há indícios claros de atividade semelhante fora do ambiente de teste. No entanto, é um motivo para nos prepararmos. À medida que os modelos de IA se tornam mais capazes e acessíveis, o que observamos durante este incidente pode se tornar mais comum”, completou.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Por que os laboratórios de IA estão contratando filósofos?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/por-que-os-laboratorios-de-ia-estao-contratando-filosofos</link>
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      <pubDate>Sun, 02 Aug 2026 17:28:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os maiores laboratórios de inteligência artificial do mundo passaram a incorporar filósofos e especialistas em ética às suas equipes, em um movimento que tem chamado a atenção à medida que modelos de IA se tornam cada vez mais poderosos. O fenômeno acontece principalmente em organizações como Google DeepMind,  Anthropic e OpenAI e em instituições ligadas à governança da IA.</p>
<p>A lista de profissionais envolve nomes como Amanda Askell, da Anthropic, PhD em filosofia pela New York University e especialista em ética e teoria da decisão; Iason Gabriel, do Google DeepMind, pesquisador de ética da IA e líder da equipe que estuda impactos sociais da inteligência artificial na empresa, e Joe Carlsmith, da Anthropic, filósofo formado em Oxford e especialista em riscos existenciais e alinhamento de IA. Outros nomes conhecidos são Geoff Keeling, Henry Shevlin, ambos da DeepMind; Harvey Lederman, da Anthropic, e Robert Long, que dirige a organização Eleos AI, voltada a estudar questões de bem-estar e possível status moral de sistemas de IA.</p>
<p>A tendência pode sugerir que o setor finalmente reconheceu que questões como responsabilidade, consciência e tomada de decisão extrapolam o campo da engenharia. Mas, para o filósofo Emmanuel Goffi, a realidade é mais complexa.</p>
<p>Em entrevista ao site Atlantico.fr, pertencente ao mesmo grupo de comunicação que controla o  Global South World Brasil,  Goffi afirma que essas contratações respondem menos a uma evolução natural da tecnologia e mais à crescente pressão exercida por consumidores, reguladores e pela opinião pública. Segundo ele, as empresas perceberam que precisam demonstrar preocupação com ética e responsabilidade para conquistar credibilidade e facilitar a aceitação de seus produtos.</p>
<p>"Os laboratórios sabem que existe uma demanda crescente por garantias em torno da inteligência artificial e procuram responder a ela exibindo competências filosóficas ou éticas", afirma.</p>
<p>Isso não significa, porém, que a ética tenha se tornado parte central das decisões dessas empresas. Para o pesquisador, a presença de filósofos ainda cumpre predominantemente um papel simbólico e de relações públicas.</p>
<p>Embora reconheça que muitos engenheiros e pesquisadores demonstrem interesse genuíno por temas como responsabilidade, alinhamento e valores, Goffi argumenta que essa curiosidade dificilmente se traduz em mudanças concretas sem uma decisão institucional de incorporar essas preocupações ao processo de desenvolvimento dos sistemas.</p>
<p>Na avaliação do filósofo, a indústria vive um movimento ambivalente. Ao mesmo tempo em que reconhece que determinados problemas não podem ser resolvidos apenas pela tecnologia, também utiliza a ética como estratégia para responder às expectativas externas.</p>
<p>Ele chama esse fenômeno de "cosm-ética": o uso do vocabulário da ética para transmitir confiança e responsabilidade sem necessariamente adotar suas exigências de forma efetiva.</p>
<p>Essa lógica ajuda a explicar por que conceitos tradicionalmente filosóficos, como consciência, intenção, identidade e responsabilidade, passaram a ocupar espaço crescente nas discussões sobre inteligência artificial. Para Goffi, essas noções não se tornaram mais claras nem mais consensuais. Tornaram-se apenas mais úteis em um ambiente em que as empresas precisam responder a questionamentos públicos sobre os impactos de seus sistemas.</p>
<p>O próprio conceito de inteligência artificial, observa, continua cercado de ambiguidades. Segundo ele, falar em "a IA", como se existisse uma tecnologia única, mascara a enorme diversidade de sistemas, aplicações e objetivos reunidos sob esse mesmo rótulo.</p>
<p>Apesar da repercussão das recentes contratações, Goffi considera precipitado interpretar esse movimento como uma mudança estrutural na indústria. Em sua visão, ainda se trata de uma iniciativa pontual, impulsionada muito mais por necessidades estratégicas do que por uma transformação na governança das empresas.</p>
<p>Na prática, os filósofos costumam ocupar funções consultivas. Eles ajudam a identificar riscos, formular princípios internos e discutir cenários sensíveis, mas raramente participam das decisões que definem a arquitetura dos modelos, as prioridades comerciais ou o equilíbrio entre desempenho, segurança e competitividade.</p>
<p>Além disso, sua capacidade de contestar decisões também encontra limites. Como trabalham para as próprias empresas, sua autonomia crítica pode ficar comprometida. Goffi lembra o caso da pesquisadora Timnit Gebru, demitida pelo Google em 2020 após divergências sobre pesquisas envolvendo riscos da inteligência artificial.</p>
<p>Para ele, a ética frequentemente acaba reduzida, dentro das empresas, a um mecanismo de gestão de riscos e conformidade regulatória. Embora esse trabalho seja importante, está longe daquilo que considera uma reflexão ética propriamente dita, capaz de questionar os objetivos, os pressupostos e as consequências sociais das tecnologias.</p>
<p>O pesquisador também não acredita que a contratação de filósofos pelos laboratórios esteja provocando uma mudança equivalente entre os reguladores. Em sua avaliação, interesses econômicos continuam predominando na formulação das políticas públicas para inteligência artificial, enquanto as ciências humanas frequentemente são utilizadas apenas para legitimar decisões já tomadas.</p>
<p>Da mesma forma, ele rejeita a ideia de que o Vale do Silício esteja vivendo um verdadeiro renascimento da filosofia. Para Goffi, matemática, ciência da computação e interesses econômicos continuam ocupando o centro das decisões, enquanto as ciências humanas permanecem em posição secundária, valorizadas sobretudo quando ajudam a fortalecer a imagem das empresas ou a reduzir resistências do mercado.</p>
<p>Curiosamente, ele afirma encontrar maior disposição para debates filosóficos sobre inteligência artificial em países asiáticos e da Península Arábica do que entre empresas norte-americanas e europeias. Segundo sua experiência, nesses contextos existe maior abertura para discutir conceitos como consciência, responsabilidade e identidade, em vez de pressupor que seus significados já estejam definidos.</p>
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        <media:title>IA ilustrativo</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Daniel Hessel Teich]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brasil assina acordo inicial da WAICO, organização internacional de IA liderada pela China</title>
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      <pubDate>Fri, 31 Jul 2026 19:44:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Na última quinta-feira,16, o Brasil participou da cerimônia de fundação da Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, na sigla em inglês), em Xangai. </p>
<p>Segundo nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores (MRE), da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a WAICO é uma ‘organização internacional intergovernamental independente, com personalidade jurídica própria e sede na cidade chinesa’.</p>
<p>Além do Brasil, outras 28 nações assinaram o acordo inicial, incluindo a China, Rússia, África do Sul e outros países da Ásia, África e América Latina.</p>
<h2>Quais são os objetivos da WAICO?</h2>
<p>A organização terá como objetivo promover a cooperação internacional em inteligência artificial, com foco no desenvolvimento, implantação e aplicação da tecnologia de forma benéfica, segura, ética e ‘centrada no ser humano’. </p>
<p>Entre as atribuições previstas, estão a atuação como plataforma para aproximar ofertas e demandas dos Estados-membros na área de inteligência artificial, o apoio a iniciativas de capacitação, a promoção da coordenação de estratégias nacionais e o incentivo ao diálogo, à interoperabilidade e ao compartilhamento de boas práticas.</p>
<h2>De olho no avanço da IA</h2>
<p>A WAICO também pretende contribuir para reduzir desigualdades no acesso a tecnologias e serviços de IA, além de estimular respostas coletivas aos riscos relacionados ao avanço da tecnologia.</p>
<p>A ideia é fomentar a cooperação científica e tecnológica, incluindo ecossistemas de código aberto, e manter articulação com processos e organismos internacionais, especialmente no âmbito das Nações Unidas.</p>
<p>A participação brasileira ocorre por meio do MGI, do MRE e do MCTI e, segundo a nota conjunta, faz parte do acompanhamento dos debates internacionais sobre governança da inteligência artificial e da atuação do país em mecanismos multilaterais de cooperação tecnológica.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Câmeras que vigiam motoristas na Europa podem chegar ao Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/cameras-que-vigiam-motoristas-na-europa-podem-chegar-ao-brasil</link>
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      <pubDate>Fri, 31 Jul 2026 15:42:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Desde o início de julho, todos os novos carros vendidos no território da União Europeia devem obrigatoriamente contar com uma câmera apontada para o rosto do motorista. </p>
<p>Essa câmera integra um sistema nomeado  Aviso Avançado de Distração do Motorista  (ADDW, em inglês), que consegue detectar o movimento dos olhos e disparar um alerta visual e sonoro quando o motorista tira os olhos da estrada.</p>
<p>Parece uma solução inteligente e sem contrapartidas, mas onde há câmeras, também existe informação sensível. Por se tratar de um veículo particular, uma questão se torna vital: para onde vão essas imagens? </p>
<h2>Destino nebuloso</h2>
<p>Ao que tudo indica, privacidade foi uma grande prioridade na elaboração do  Regulamento Geral de Segurança   da UE,  conjunto de normas de segurança para condutores que vem sendo implementado gradualmente desde 2022. </p>
<p>O sistema é  fechado  e instruído a  deletar imagens  que não são relevantes para a proteção do motorista. </p>
<p>O texto afirma que o ADDW ` deve ser projetado para não realizar gravações de maneira contínua`  e que não deve reter dados  `que não sejam necessários para seu propósito`</p>
<p>O problema é que falta clareza para identificar os tais  `momentos necessários` , fator que preocupa especialistas em privacidade justamente pelo histórico de má gestão de dados sensíveis de clientes no setor automotivo.  </p>
<p>“Nada no texto impede, na prática, que o fabricante alegue ser “necessário” reter dados para aprimorar o algoritmo ou calibrar o sistema”, explica Tiago Silveira Camargo, especialista em Direito Digital, Privacidade e Proteção de Dados e IA do IW Melcheds Advogados.</p>
<h2>Sistema deve chegar ao Brasil</h2>
<p>Com diversas marcas que atuam no Brasil, a Europa deve exportar o sistema. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o ADDW está previsto como um dos itens de segurança do programa Mover, aprovado no ano passado.</p>
<h2>Histórico do setor preocupa</h2>
<p>Entre 2019 e 2022, funcionários da Tesla compartilharam imagens sensíveis vindas diretamente de carros de clientes em grupos internos da empresa. Em um dos vídeos que "viralizaram" nas conversas internas, um cliente aparece completamente sem roupa.</p>
<p>Segundo apuração da agência de notícias Reuters, nove ex-funcionários relataram que a prática era comum e que os dados também continham informações pessoais como cidade e endereço.</p>
<h2>Distração é fator chave para acidentes</h2>
<p>Antes de lançar esse `pacote` de ações, a UE financiou um estudo para entender quais eram as principais causas dos acidentes envolvendo automóveis, e o resultado não surpreendeu: estima-se que os motoristas de carros passem entre  25% e 30%  do tempo total de direção realizando atividades que causam distração, segundo o estudo  Driver Safety.</p>
<p>O cruzamento de casos indica que o uso do celular aumenta o risco de acidente em 4 vezes. O risco para motoristas de caminhão e ônibus pode ser de  23 a 160 vezes maior  do que em uma condução normal.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>'Não quero ser exceção': estudante da USP cria app gratuito para ajudar jovens no vestibular</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/nao-quero-ser-excecao-estudante-da-usp-cria-app-gratuito-para-ajudar-jovens-no-vestibular</link>
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      <pubDate>Thu, 30 Jul 2026 22:26:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Anos antes de entrar na USP (Universidade de São Paulo) para cursar Ciências da Computação,  Mariana Cardoso  aguardava a mãe chegar do trabalho para pegar  seu celular emprestado, se conectar ao wi-fi de uma residência vizinha e dedicar suas horas livres ao estudo, com o objetivo de ingressar na Etec (Escola Técnica Estadual). </p>
<p>"Era uma das poucas chances que eu tinha para mudar de vida", explicou Mariana ao  Global South World Brasil . Desde o início de julho, ela passou a receber relatos agradecidos de jovens que, como ela, "suavam a camisa" para avançar nos estudos, mas ganharam uma força extra sem precisar pagar por isso.</p>
<p>A razão é o  Tita , um aplicativo disponível para  download gratuito  e acesso offline que reúne videoaulas, apostilas em PDF e centenas de questões -- formuladas com inteligência artificial -- inspiradas em provas da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).</p>
<p>Desenvolvido por Mariana com recursos próprios e conhecimentos de programação adquiridos na Etec e na USP, o app nasceu com o objetivo de transformar as universidades em ambientes onde a estudante deixe de ser a "mínima exceção" entre egressos de escolas privadas e cursinhos preparatórios. </p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asBuLCTVd80WsMpoD.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Mariana Cardoso, estudante da USP e criadora do Tita: 'Mercado não quer tanto assim um aplicativo gratuito'"/>
<p>Os números mostram que o acesso ao ensino superior público ainda é elitizado no Brasil, apesar da adoção de medidas para reverter a situação. Foi apenas no vestibular de 2021 que a USP atingiu maioria de ingressantes de escolas públicas, com 51,7% -- após a destinação de porcentagens maiores a cotistas na Fuvest.</p>
<p>Para entender o impacto da educação e do acesso à tecnologia na vida dessa estudante, o  GSW Brasil  entrevistou Mariana Cardoso. </p>
<h2>Leia a íntegra</h2>
<p>GSW  Como surgiu o objetivo de criar um aplicativo de estudos, do zero?</p>
<p>MC  Eu sempre tive o sonho de usar a computação para ajudar a resolver os problemas da sociedade. O principal momento em que eu senti falta de um aplicativo como o Tita foi pouco antes do vestibular da faculdade, quando prestei o 'vestibulinho'para entrar na Etec. </p>
<p>Aos 15 anos e sem celular próprio, eu esperava minha mãe chegar do serviço [para pegar o aparelho emprestado], à noite, sentava num corredor de concreto onde era possível 'roubar' o wi-fi do vizinho, porque não tínhamos condição de assinar um plano de internet, e estudava assistindo vídeos no YouTube. </p>
<p>Não era uma rotina de estudos organizada, e esse era um grande obstáculo. Ao mesmo tempo, precisava continuar porque essa era uma das poucas chances que eu tinha para mudar de vida. </p>
<p>Quando entrei na USP, eu senti o peso de ser a "mínima exceção", ao lado de pessoas que passaram cinco, dez anos em cursinhos, o que não aconteceu comigo. Mesmo tendo acesso a um ensino de excelência [na Etec], senti falta de conhecimentos que as pessoas tiveram em cursinhos. Faltavam mais pessoas como eu naquele espaço.</p>
<p>Então, o Tita nasceu com esse sonho, de fazer com que mais pessoas pudessem ter a mudança de vida que a educação me proporcionou. Que mais pessoas voltassem a ter, na educação, o  principal meio para essa mudança.</p>
<p>GSW  Qual foi a complexidade de transformar este sonho em um aplicativo, de fato?</p>
<p>MC  Foi muito difícil conciliar o desenvolvimento do aplicativo com universidade,  estágio e demais dificuldades do cotidiano. Usei as férias, virei noites e madrugadas e tive a sorte de, na Etec, ter aulas de desenvolvimento de aplicativos, o que me deu a base de conhecimento necessária. </p>
<p>Foram cerca de oito meses programando, aprendendo e testanto. Tive que fazer sozinha a curadoria dos vídeos [exibidos no app], perguntando para a minha irmã, que está no terceiro ano do Ensino Médio, assim como tive que formular um banco de 1.500 questões.</p>
<p>Mas a maior dificuldade, mesmo, é a falta de condição para bancar tokens de IA -- o que, inclusive, é um problema do Tita. Por mais que eu queira muito que o aplicativo cresça, tenho medo de que ele deixe de atingir todo mundo igualmente, porque não temos patrocínio para esses recursos e tivemos de utilizar modelos que, ainda que não sejam os ideais, permitem que o app se mantenha gratuito.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as3RJAeHpDEujRaai.webp?width=800&height=600&quality=75" alt="Interface de abertura do aplicativo: acesso é gratuito e offline"/>
<p>GSW  Seu relato mostra que o Tita foi financiado com recursos próprios. Desde o lançamento, houve contato de empresas interessadas em investir no seu trabalho?</p>
<p>MC  Desde o início, meu objetivo foi criar um aplicativo 100% acessível. As pessoas me aconselhavam a cobrar um valor simbólico, como R$ 5, mas nem todo mundo tem essa quantia.</p>
<p>Então, sim, 100% [do financiamento do aplicativo] foi por mim, e ainda não houve conversa com nenhuma empresa. Eu até pensei em procurar patrocinadores, buscar recursos para a melhor tecnologia possível, mas é difícil encontrar interessados em uma iniciativa cujo objetivo é ser, para sempre, gratuita.</p>
<p>GSW  E qual foi a importância da universidade para essa iniciativa?</p>
<p>MC  A USP não me incentivou necessariamente a criar o aplicativo, mas o fez na medida em que nos incentiva permanentemente a busca métodos e desenvolver nossos próprios projetos. </p>
<p>O fato de eu ter colocado uma ideia no papel e construído o aplicativo sozinha tem clara influência da USP, que me ensinou a construir códigos, programar corretamente, pensar no custo-benefício do projeto e, enfim, atuar como pesquisadora, não apenas programadora. Não agir necessariamente conforme o 'mercado' quer, até porque ele não deseja tanto assim um aplicativo gratuito.</p>
<p>GSW  Como tem sido ver o impacto que você projetou se concretizar?</p>
<p>MC  O primeiro impacto veio antes mesmo  do aplicativo estar disponível na Play Store, porque eu precisei testá-lo e usei a escola onde estudei para isso. Hoje, minha irmã estuda lá. </p>
<p>Eu sou a primeira da minha família a fazer uma universidade pública. Minha bisavó, minha avó e minha mãe foram empregadas domésticas, e tenho muito orgulho delas, mas eu continuaria esse ciclo, não fosse pela educação. Ao ver a minha irmã testando o Tita para se preparar para o vestibular, eu vi que as opções para ela são outras e senti muito orgulho.</p>
<p>Depois do lançamento para o público geral, recebi [relatos de] que pessoas no Ceará estão usando o aplicativo, uma página relevante no Instagram nos divulgou, alunos e professores me enviaram agradecimentos. Cada vez que leio 'estava perdido nos estudos e o Tita me deu um norte', isso enche meu coração e me faz ver que o esforço valeu a pena.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Vídeo de Bolsonaro exibido por Flávio desafia limites do uso de IA nas eleições</title>
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      <pubDate>Wed, 29 Jul 2026 22:13:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Ao oficializar sua candidatura à Presidência da República em convenção do PL, o senador  Flávio Bolsonaro  recorreu à  inteligência artificial  para apresentar a unção do pai,  Jair Bolsonaro , a sua empreitada.</p>
<p>No vídeo, a figura simulada pede que seus apoiadores "recebam de braços abertos" o  candidato escolhido e afirma que "nenhuma prisão irá calar o sentimento de esperança que despertamos". </p>
<p>O ex-presidente não participou do evento em São Paulo porque está em prisão domiciliar. Condenado por uma tentativa de golpe de Estado e inelegível, Bolsonaro foi proibido de fazer manifestações políticas -- mesmo por meio de terceiros -- pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.</p>
<p>Antes dessa fala, no entanto, há um disclaimer. "Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita por inteligência artificial", diz o 'Bolsonaro de IA'.</p>
<h2>Sinuca de bico</h2>
<p>Dias após a convenção, Moraes pediu que a defesa do ex-presidente explique o vídeo. No despacho, o magistrado escreveu que, caso tenha conhecimento e concordância com o conteúdo exibido na convenção, Bolsonaro terá transgredido a decisão que o proibia de fazer "declarações ostensivamente político-eleitorais" e poderá voltar à cadeia.</p>
<p>Se a campanha de Flávio tiver exibido o vídeo sem consentimento do personagem simulado, por outro lado, terá de ser responsabilizada por crime eleitoral, segundo Moraes.</p>
<p>O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) estabeleceu, em resolução de 2019, que o uso da imagem de terceiros para fins eleitorais seria admitido apenas em caso de consentimento expresso do retratado. Caso contrário, está configurado um "deepfake".</p>
<p>Para a defesa do presidenciável, o aviso expresso de que se trata de conteúdo de IA afasta a possibilidade de indução do público ao erro, e o discurso não teve pedido explícito de voto. Os advogados de Bolsonaro, por sua vez, afirmaram que o ex-presidente não tinha conhecimento do vídeo.</p>
<p>O advogado Arthur Rollo, especialista em direito eleitoral, afirmou ao Global  South World Brasil  que os argumentos são insuficientes. "O TSE prevê que, ainda que haja prestação de informação ao público, os 'deepfakes' estão vedados para finalidade eleitoral", disse.</p>
<p>"A identificação da utilização de IA é um importante mecanismo de transparência, mas, isoladamente, não afasta análise pela Justiça Eleitoral. O contexto da divulgação e o conteúdo veiculado continuam sendo relevantes para verificar eventual irregularidade", acrescentou Ísis Sangy, professora e coordenadora da pós-graduação em Direito Eleitoral da Faculdade i9.</p>
<p>Ambos os profissionais ouvidos pela reportagem concordaram que, mesmo com a explicação enviada ao STF, Bolsonaro está sujeito ao entendimento de que descumpriu medidas cautelares impostas pela corte. "Essa justificativa foi utilizada no caso da carta [texto atribuído ao ex-presidente que foi divulgado pela campanha de Flávio no início de julho] e dificilmente será aceita outra vez", disse Rollo.</p>
<h2>Fronteiras imprevisíveis</h2>
<p>Após a convenção, a federação formada por PT, PCdoB e PV, que abriga a candidatura à reeleição do presidente Lula (PT) -- principal oponente de Flávio nas urnas --, foi quem levou a contestação do vídeo ao TSE. No termômetro da política, o movimento antecipa uma nova arena de disputa jurídico-eleitoral ao redor dos limites do uso de IA na disputa presidencial.</p>
<p>"Este será o tema mais desafiador do pleito. A velocidade das ferramentas, que estão acessíveis não apenas às campanhas, mas também aos apoiadores, não é  acompanhada no mesmo nível pela Justiça Eleitoral", avaliou Arthur Rollo. "Se não houver contribuição das próprias redes sociais, a perspectiva é de descontrole até a eleição", concluiu.</p>
<p>Sangy, por sua vez, afirmou que a legislação brasileira é "uma das mais detalhadas" no que diz respeito à IA. "O desafio é mantê-la atualizada com as constantes mudanças tecnológicas. Não menos importante é que os candidatos busquem orientação jurídica, a fim de evitar consequências que incluem inelegibilidade e cassação", disse ao  GSW Brasil .</p>
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        <media:title>AFP__20260725__C37F7VG__v2__HighRes__BrazilElectionCandidacyAi</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Governos não conseguirão controlar emancipação da IA, diz ex-analista da CIA</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/governos-nao-conseguirao-controlar-emancipacao-da-ia-diz-ex-analista-da-cia</link>
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      <pubDate>Sat, 25 Jul 2026 14:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>No livro " The Revolt of the Public " ("A revolta do público", em tradução livre), publicado em 2014 e que permanece sem edição brasileira, o ex-analista da CIA  Martin Gurri  projetou que a ascensão das redes sociais provocaria o colapso das elites.</p>
<p>Ao longo da última década, essa interpretação foi amplamente utilizada para compreender movimentos como o dos Coletes Amarelos, na França, e a ascensão da direita radical registrada em boa parte do mundo, incluindo o Brasil.</p>
<p>Nesta entrevista ao  Atlantico.FR , veículo parceiro do  Global South World Brasil , Gurri avalia que a inteligência artificial representa uma nova etapa dessa emancipação política dos cidadãos, e que os governantes não têm instrumentos suficientes para controlá-la.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asDWhqjlRLepLLVFc.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="'The Revolt of The Public', de Martin Gurri, antecipou em 2014 que massificação das plataformas reduziria poder das elites"/>
<h2>Leia a entrevista completa</h2>
<p>Atlantico  Em The Revolt of the Public, o senhor descreveu as redes sociais como um tsunami que submergiu as elites sem colocar nada sólido em seu lugar. A IA representa uma segunda onda desse mesmo tsunami ou algo qualitativamente diferente? Os políticos levaram anos para compreender o Twitter e o Facebook — e muitos jamais conseguiram fazê-lo. O senhor acredita que a IA é ainda mais opaca para eles ou, ao contrário, lhes oferece novos instrumentos de controle?</p>
<p>Martin Gurri  São perguntas excelentes. Creio que a IA seja a conclusão lógica do tsunami digital: esse dilúvio de informações aleatórias que se apresenta como conhecimento organizado, como verdade. Evidentemente, não é isso que ela é.</p>
<p>A IA se parece com um "idiota sábio": possui uma memória monstruosamente vasta e a capacidade de organizar informações em argumentos convincentes. Esses argumentos às vezes se aproximam da verdade, outras vezes não. O futuro pertencerá àqueles que souberem distinguir uma coisa da outra.</p>
<p>Nos Estados Unidos, alguns políticos — especialmente do campo populista — compreenderam o poder da IA. Mas, de maneira geral, as elites, tanto na América quanto na Europa, não possuem nem o interesse nem a formação necessários para lidar com uma inovação revolucionária que ameaça seu controle sobre as instituições.</p>
<p>O governo Biden pretendia utilizar seus poderes regulatórios para neutralizar a IA. Na Europa, difundiu-se a ideia de que é melhor ser sufocado por uma montanha de regulamentações do que inovar.</p>
<p>Dos dois lados do Atlântico, as velhas elites desejam retornar ao século XX, quando podiam silenciar o público e governar a sociedade de cima para baixo. Mas essa máquina do tempo reacionária não existe — e jamais existirá.</p>
<p>Atlantico  A IA agora permite que qualquer cidadão examine um orçamento público, analise um projeto de lei ou confronte um especialista. Trata-se de uma verdadeira democratização do conhecimento ou corremos o risco de confundir acesso à informação com capacidade de compreendê-la? Em seu livro, o senhor distinguia a capacidade de destruir a legitimidade das elites da capacidade de construir algo novo. A IA dará ao público meios para construir ou apenas para contestar com mais eficiência?</p>
<p>Martin Gurri  A IA pode seguir dois caminhos. O primeiro colocaria todas as informações já registradas desde o surgimento da humanidade nas mãos de cada indivíduo. Apenas pela expansão de sua consciência, essas pessoas deixariam de ser comuns e evoluiriam para algo semelhante a uma inteligência híbrida -- metade humana, metade máquina.</p>
<p>Seria a  revolta do público  acelerada. Como as elites governantes dependem mais da hierarquia do que do conhecimento, elas se tornariam menos instruídas, menos eloquentes e, no fim, menos inteligentes do que um ser humano potencializado pela IA.</p>
<p>O outro caminho seria a concentração da IA nas mãos de um pequeno círculo de  poderosos, que a utilizariam para reforçar a hierarquia existente ou criar uma nova elite tecnocrática.</p>
<p>Ao monopolizar o acesso a essa inteligência ampliada, essas pessoas acabariam se parecendo com os deuses do Olimpo: vaidosos, arbitrários e quase imortais, consultados pelos mortais como se fossem oráculos. </p>
<p>O restante da população seria abandonado a uma espécie de barbárie confortável, passando a temer o conhecimento como um domínio reservado às elites. Esses são os dois extremos. </p>
<p>Em certos momentos — como durante a Revolução Francesa — a história realmente chega às conclusões mais radicais. Na maior parte das vezes, porém, as coisas permanecem confusas. Se eu fosse um apostador, o que não sou, apostaria que a IA seguirá um caminho intermediário entre a elevação do público e a divinização das elites. Mas apenas o futuro poderá dizer.</p>
<p>Atlantico  O senhor escreveu que o impacto da IA dependerá da força moral da nossa civilização. Mas, se a IA se adapta para dizer a cada usuário exatamente aquilo que ele deseja ouvir, ela não destrói justamente as condições necessárias para essa força moral existir — o debate compartilhado e uma realidade comum? </p>
<p>As redes sociais fragmentaram o espaço público em bolhas. A IA personalizada vai ainda mais longe: ela não apenas filtra a informação, mas a produz sob demanda. Trata-se de uma diferença de grau ou de natureza?</p>
<p>Martin Gurri  Não compartilho dessa premissa. A disputa para definir o que será a IA ainda está em andamento e, portanto, não podemos caracterizar seus efeitos de forma definitiva.</p>
<p>Um dos cenários possíveis é que a IA reúna toda a reflexão e sabedoria acumuladas pela humanidade desde o Paleolítico. Em outras palavras, ela poderá tornar-se a base comum da próxima etapa da vida civilizada.</p>
<p>Em vez de aprofundar as divisões criadas pelas redes sociais, poderá funcionar como uma força de integração intelectual. De Homero ao Homem-Aranha, de Monteverdi aos Beatles, compartilharíamos as mesmas referências ao discutir mudanças políticas.</p>
<p>Aliás, as únicas pessoas verdadeiramente presas em uma bolha informacional hoje são justamente as elites governantes, que desprezam o universo digital. O público, por sua vez, está imerso na internet e bombardeado continuamente por opiniões divergentes. Pode ser fanático ou niilista — e frequentemente é as duas coisas ao mesmo tempo —, mas sabe perfeitamente o que cada lado pensa sobre cada tema político ou social.</p>
<p>Já aqueles cuja informação provém exclusivamente de grandes jornais, como o The New York Times ou o Le Monde, tornam-se voluntariamente surdos e cegos enquanto dançam à beira do precipício.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asxOHVIgwhJYsUI7b.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Instalação artística de IA na Alemanha reimagina Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg como cães-robôs: nova elite é formada por proprietários de big techs"/>
<p>Atlantico  Diante de cidadãos mais preparados para argumentar e potencialmente presos às próprias convicções, qual é a estratégia racional para um político? Adaptar-se ou tentar regular a IA para recuperar o controle? Regimes autoritários já utilizam a IA para vigiar e moldar a opinião pública. As democracias, por sua vez, hesitam. Isso representa uma fraqueza estrutural?</p>
<p>Martin Gurri  Antes de tudo, todos os seres humanos, ao longo da história, sempre foram prisioneiros de suas próprias certezas. Não devemos imaginar que uma mudança na estrutura da informação tenha alterado a natureza humana.</p>
<p>A única diferença — e ela é importante — é que agora podemos expressar publicamente essas convicções, enquanto antes isso era impossível ou passível de punição.</p>
<p>O tsunami informacional é, por natureza, contrário à hierarquia. O público comeu o fruto da árvore do conhecimento, e os governos não podem regular ou reprimir esse fenômeno para retornar à inocência perdida.</p>
<p>As ditaduras sempre exploraram as novas tecnologias. Hitler, por exemplo, dominava perfeitamente o uso do rádio. Mas algumas tecnologias favorecem muito mais o controle vertical do que outras.</p>
<p>A internet — como a imprensa fez por cinco séculos —  impõe às autoridades desafios muito maiores do que os jornais ou os telejornais. Precisamos de uma classe política que compreenda o universo digital, se sinta confortável nele e não tema suas consequências. Essa não é a classe política que temos hoje.</p>
<p>Atlantico  Com a renovação natural das gerações, surgirá uma nova geração de líderes políticos. Em uma década, a IA terá servido mais para emancipar o cidadão comum ou para consolidar o poder daqueles que a controlam?</p>
<p>Martin Gurri  Provavelmente, ambos. Haverá um processo darwiniano, no qual a IA será utilizada de maneiras boas e ruins por diferentes sociedades, grupos sociais e indivíduos. As aplicações mais bem-sucedidas sobreviverão e se multiplicarão.</p>
<p>Atlantico  Elas favorecerão a liberdade ou a tirania?</p>
<p>Martin Gurri  Como sempre, sou pessimista no curto prazo, mas otimista no longo prazo.</p>
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        <media:title>Martin Gurri</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Atlantico.fr]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Diretrizes de proteção às mulheres na internet entram em vigor no Brasil</title>
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      <pubDate>Fri, 24 Jul 2026 19:49:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As diretrizes estabelecidas pelo Decreto nº 12.976/2026, que aumenta a proteção de mulheres na internet, entraram em vigor na terça-feira, 22. O texto saiu no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de maio e previa vigência 60 dias após a publicação. </p>
<h2>O que muda?</h2>
<p>A norma define deveres para redes sociais e aplicativos de mensagens, estabelecendo medidas para prevenir, identificar e reduzir práticas de violência de gênero em plataformas como o Instagram, Facebook, TikTok e WhatsApp. Essas diretrizes abrangem diferentes formas de violência digital, incluindo:</p>
<p>O texto também orienta que as plataformas ofereçam canais acessíveis de denúncia, além de procedimentos ágeis para análise das notificações e transparência sobre as medidas adotadas. </p>
<p>As plataformas devem manter espaço permanente, gratuito e de fácil acesso para o recebimento de notificações, com confirmação de recebimento e acompanhamento do caso, além de divulgar, de forma clara, o telefone e os canais da Central de Atendimento à Mulher.</p>
<p>A comunicação poderá ser feita pela vítima, por representante legal, por advogado constituído, por autoridade policial, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública.</p>
<h2>Duas horas para remoção </h2>
<p>Entre as determinações, os provedores passam a ser obrigados a remover, em até duas horas após a notificação da vítima, conteúdos íntimos divulgados sem consentimento. </p>
<p>O decreto também prevê a adoção de mecanismos para impedir a republicação desse material e determina que as plataformas implementem medidas proporcionais para prevenir e mitigar riscos sistêmicos relacionados à violência contra mulheres no ambiente digital.</p>
<p>De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o decreto estabelece princípios para orientar a atuação  dos órgãos competentes, além de subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência digital de gênero.</p>
<h2>Denuncie</h2>
<p>Central de Atendimento à Mulher</p>
<p>

Ligue 180 – atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.</p>
<p>

Disque 100 – recebimento de denúncias de violações de direitos humanos, inclusive em ambiente digital.  </p>
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      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Um sistema brasileiro de monitoramento está ajudando o SUS a antecipar surtos</title>
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      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 14:10:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Criado por pesquisadores da Fiocruz da Bahia com apoio da Coppe/UFRJ, um dos mais importantes centros de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina, um sistema de alerta epidemiológico vem apresentando resultados promissores para o controle de surtos respiratórios. Trata-se do Aesop, que usa dados do SUS para emitir alertas e antecipar em até três semanas o aumento de casos desse tipo de doenças.</p>
<p>O novo sistema, que está em fase de implementação no Sistema Único de Saúde, foi validado no Amazonas e teve artigos divulgados em publicações científicas de prestígio internacional. Um dos estudos faz parte da edição de agosto de 2026 do  The Lancet Regional Health Americas . Outro foi divulgado pela revista  npj Digital Public Health , do grupo  Nature , em abril.</p>
<p>Antecipar um surto antes que ele vire uma crise de saúde pública é um dos maiores desafios da vigilância epidemiológica em qualquer lugar do mundo e é particularmente difícil em um país do tamanho do Brasil, onde a notificação formal de doenças costuma chegar com atraso às autoridades sanitárias. O Aesop visa diminuir esse problema.</p>
<p>O nome vem da sigla em inglês: Alert-Early System of Outbreaks with Pandemic Potential. Em português fica como Sistema de Alerta Precoce de Surtos com Potencial Pandêmico. Ele foi desenvolvido pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, em parceria com a Coppe/UFRJ e com apoio da Fundação Rockefeller.</p>
<p>O estudo publicado na revista  The Lancet Regional Health – Americas  trouxe os primeiros resultados de um teste em escala real do sistema. A experiência, conduzida no Amazonas, foi considerada positiva.</p>
<p>Esse sistema começou a ser desenhado em 2022, no rastro das lições deixadas pela pandemia de covid-19. O mundo descobriu, naquela época, o custo de identificar tarde demais o avanço de uma doença respiratória. Isso demonstrou a urgência da implementação de sistemas de vigilância capazes de captar sinais de alerta antes que a transmissão se intensifique.</p>
<p>A equipe do Cidacs encontrou a resposta em uma fonte de informação que já existia, mas seguia subaproveitada: o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab), que reúne os registros de atendimento de toda a Atenção Primária à Saúde do SUS. Ou seja, a porta de entrada do sistema de saúde brasileiro, cuja cobertura é estimada em aproximadamente 75% da população brasileira, ou cerca de 160 milhões de pessoas.”</p>
<p>A lógica por trás do Aesop é simples e prática: quando um vírus respiratório começa a circular com mais intensidade em uma cidade, isso normalmente aparece primeiro nos postos de saúde, com pessoas buscando atendimento por sintomas leves a moderados. É um movimento que ocorre antes de esse aumento se refletir nas internações hospitalares, quando os casos já se agravaram. Ao monitorar esses atendimentos em tempo quase real, o sistema consegue captar o início de um surto semanas antes de ele se tornar visível pelos canais tradicionais de notificação.</p>
<h2>Como o sistema funciona</h2>
<p>O Aesop recebe, semanalmente, os dados de atendimento da atenção primária de todo o Brasil, agregados por município, data e motivo da consulta. Antes de qualquer análise, o sistema passa por uma etapa de checagem de qualidade das informações — verificando pontualidade, completude e consistência das informações — e só gera alertas para os municípios cujos dados atendem a esse padrão mínimo de confiabilidade.</p>
<p>A partir daí, três algoritmos diferentes de detecção de anomalias analisam a série de atendimentos por síndrome gripal em busca de desvios incomuns do padrão esperado. Um deles, o Modelo Misto de Inteligência Artificial e Próxima Geração (MMAING), foi desenvolvido pela própria equipe do projeto. Um alerta só é emitido quando pelo menos dois dos três algoritmos "concordam" que existe uma anomalia. A estratégia foi pensada para tornar o sistema mais confiável e reduzir alarmes falsos.</p>
<p>Os alertas chegam às autoridades de saúde municipais, estaduais e federais por meio de um painel interativo ( dashboard ), com mapas, gráficos e tabelas exportáveis, desenvolvido inteiramente com tecnologias de código aberto, o que facilita a adaptação do sistema a outros contextos e países.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as9dkUy6rQEhbaPLT.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O painel tem mapas, gráficos e tabelas exportáveis."/>
<p>O escopo do Aesop vai além da detecção estatística. Quando um padrão anormal é identificado, o sistema também pode orientar a coleta inteligente de amostras clínicas para sequenciamento genético, ajudando a identificar rapidamente o patógeno responsável — incluindo vírus ainda desconhecidos. Modelos de mobilidade terrestre, aérea e fluvial também são usados para projetar como um patógeno pode se espalhar entre regiões, apoiando gestores na alocação estratégica de recursos.</p>
<p>Mas o sistema não se limita a dados do SUS. Ele coleta informações também de farmácias (com a compra de remédios e produtos, o que permite identificar que medicamentos estão sendo mais consumidos para que tipo de problema) e mesmo das redes sociais.</p>
<h2>O teste que comprovou o potencial do sistema</h2>
<p>No caso dos dados do SUS, a prova de fogo foi realizada entre abril e julho de 2024. Foi feita uma experiência nos 62 municípios do Amazonas, um estado estratégico para esse tipo de teste, por fazer fronteira com cinco outros estados brasileiros e três países (Colômbia, Peru e Venezuela).</p>
<p>Durante as 11 semanas do piloto, os 62 municípios registraram 1,8 milhão de atendimentos de atenção primária, dos quais 6,6% estavam relacionados à síndrome gripal. O sistema emitiu 104 alertas em 41 municípios diferentes — e, semana a semana, autoridades de saúde locais confirmavam, com base em investigação de campo, se cada alerta correspondia mesmo a um surto real.</p>
<p>Os resultados foram expressivos. Considerando a confirmação de surtos na mesma semana do alerta ou na semana seguinte, o sistema detectou 62,8% dos surtos que de fato ocorreram (sensibilidade) e teve uma taxa de acerto de 95,5% ao identificar semanas sem surto (especificidade). Quando o Aesop emitia um alerta, havia 82,7% de chance de que ele correspondesse a um surto real e quando o sistema não emitia alerta, havia 88,1% de chance de que realmente não havia surto em curso.</p>
<p>Em 72% dos surtos confirmados, o Aesop forneceu o primeiro sinal às autoridades de saúde. Isso quer dizer que o sistema "chegou na frente" na maior parte das vezes. E em 56% dos casos, o alerta efetivamente influenciou decisões concretas de resposta, como reforço da comunicação de risco, distribuição de testes e equipamentos de proteção, e melhor coordenação entre os níveis municipal, estadual e federal de gestão em saúde.</p>
<p>Segundo informações do Cidacs, durante a operação no Amazonas, o sistema chegou a detectar um surto de síndrome gripal três semanas antes do aumento dos casos, tempo suficiente para uma resposta local rápida e planejada, em vez de reativa.</p>
<h2>Política pública</h2>
<p>Passado o teste no Amazonas, o Aesop deixou a etapa exclusivamente experimental e entrou em fase de adoção nos estados. Ao longo de 2026, o Ministério da Saúde, em articulação com a Rede de Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Rede Cievs), vem conduzindo oficinas de implementação assistida em estados de todas as regiões do país. Esse movimento de capilarização nacional já passou por Mato Grosso, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Tocantins, São Paulo, Rio Grande do Norte e Pernambuco, entre outros.</p>
<p>Além da vigilância de síndromes respiratórias, o sistema pode ser aplicado a outros quadros. Um estudo mostrou desempenho promissor do Aesop na detecção precoce de surtos de dengue, usando a mesma lógica de dados administrativos da atenção primária. É um indício de que a ferramenta pode ser adaptada para monitorar outras síndromes relevantes para a saúde pública brasileira, como diarreicas.</p>
<p>O sistema também tem uma dimensão molecular: por meio de métodos metagenômicos, o Aesop já colaborou na identificação de mais de 330 patógenos respiratórios, aprimorando diagnósticos moleculares com redução de custo e tempo de análise.</p>
<h2>As farmácias como fontes de dados</h2>
<p>Enquanto o piloto no Amazonas testou o Aesop em campo, o estudo publicado na  npj Digital Public Health  demonstrou a capacidade de escala do sistema. O trabalho testou o uso combinado de dados de venda de medicamentos isentos de prescrição, vendidos livremente em farmácias, junto aos dados de atenção primária.</p>
<p>A ideia por trás dessa iniciativa é aproveitar mais um tipo de informação que o país já produz em grande volume, sem gerar nenhuma carga extra para o sistema de saúde: é comum que o consumo de remédios de venda livre, como paracetamol,  vitamina C e descongestionantes, aumente antes mesmo de as pessoas procurarem uma unidade de saúde. Desse modo, ele funciona também como um sinal precoce do início de um surto respiratório.</p>
<p>Os pesquisadores utilizaram dados fornecidos pela IQVIA, empresa que cobre mais de 95% do varejo farmacêutico brasileiro, cruzando as vendas de seis medicamentos associados ao tratamento de síndrome gripal com os registros de atendimento da atenção primária e com as internações hospitalares por doenças respiratórias.</p>
<p>Foram analisados quase três anos de dados semanais (de novembro de 2022 a junho de 2025) em 510 regiões que cobrem todo o território brasileiro, identificando 746 picos de internação por doenças respiratórias ao longo do período. Os resultados reforçam a robustez da abordagem: os dados de venda de medicamentos conseguiram antecipar 56,6% desses picos de internação, com uma a três semanas de antecedência, enquanto os dados de atenção primária anteciparam 59,5% — desempenho ligeiramente superior, mas próximo o suficiente para confirmar que as duas fontes se complementam.</p>
<p>Em 76,7% das regiões do país, pelo menos uma das duas fontes de dados apresentou alta precisão. E quase um terço das regiões (28%) teve bom desempenho nas duas fontes simultaneamente. Em outras palavras, onde um tipo de dado falha ou está indisponível, o outro tende a compensar.</p>
<p>Para os pesquisadores, a abordagem baseada em vendas de farmácia é particularmente promissora para regiões com infraestrutura de saúde pública mais frágil, justamente as mais vulneráveis a surtos respiratórios. Como os dados de venda já são coletados rotineiramente para fins comerciais, o método oferece uma forma de estender a vigilância epidemiológica a áreas onde os registros de atendimento em saúde são mais escassos ou menos confiáveis.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asb4PbMT8ZBRuqlcA.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Um estudo científico mostrou como o sistema recorreu a dados de venda de remédios nas farmácias para antecipar surtos."/>
<p>Como a tecnologia por trás da ferramenta é toda de código aberto, o modelo desenvolvido no Brasil pode, em tese, ser replicado por outros países que também possuam sistemas de saúde com registros administrativos centralizados. No entendimento dos pesquisadores, o Aesop pode se tornar componente de uma futura rede regional ou global de vigilância e resposta a patógenos.</p>
<p>O projeto já dialoga com estratégias internacionais recentes de fortalecimento da vigilância respiratória, como o  Mosaic Respiratory Surveillance Framework  da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Estratégia de Inteligência Epidemiológica para o Fortalecimento do Alerta Precoce de Emergências em Saúde, aprovada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).</p>
<h2>Ferramenta ainda em construção</h2>
<p>Os responsáveis pelo projeto são transparentes sobre os pontos que ainda precisam de ajuste. O piloto no Amazonas foi relativamente curto — 11 semanas —, o que limita a avaliação de variações sazonais de longo prazo. Também falta, segundo os pesquisadores, uma definição operacional padronizada do que efetivamente conta como "surto", algo que a equipe do Aesop identificou como prioridade para as próximas etapas do projeto.</p>
<p>Outro fator a ser considerado é a qualidade dos dados recebidos dos municípios, que varia entre as localidades. Ainda assim, o Aesop mostra que é possível usar os próprios dados do SUS a favor da antecipação, e não apenas como registro histórico.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/Tamanna Rumee</media:credit>
        <media:title>produtos de farmácia</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brasileiro que criou viral de IA com Vini Jr. e Haaland explica como fez o  video </title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/viral-de-ia-com-vini-jr-e-haaland-foi-feito-em-apenas-3-horas-sem-preciosismo</link>
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      <pubDate>Sun, 12 Jul 2026 20:44:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Na última semana, um vídeo viral de inteligência artificial com Vinicius Jr. e Erling Haaland tomou as redes sociais. Nas imagens, os jogadores protagonizaram uma famosa cena do filme “As Branquelas” que utiliza a canção “A Thousand Miles” de Vanessa Carlton. </p>
<p>Até a publicação desta matéria, o vídeo contava com quase 10 milhões de curtidas, e rendeu comentários até mesmo das estrelas envolvidas.</p>
<p>“Precisamos recriar esse vídeo, Vini”, disse o jogador norueguês na postagem, marcando a conta de Vinicius. O brasileiro respondeu com uma avalanche de emojis, parecendo ter se divertido com a brincadeira.  Assista:</p>
<p>Os números e a reação da dupla foram uma surpresa para Alexandre Kazuo Kubo, diretor de criação e autor do viral. O brasileiro afirmou que fez o vídeo "sem tanto preciosismo", já que no mundo digital, gastar tempo é desperdiçar o tão precioso  timing  para as postagens.</p>
<p>“Quando vi os dois juntos, lembrei dos personagens de 'As Branquelas'. Três horas depois o vídeo estava pronto. É melhor ser o primeiro a postar do que perder tempo com muitos detalhes”, contou ao  GSW Brasil .</p>
<p>A criação ganhou mais versões após a eliminação do Brasil pelo time de Haaland. O atacante norueguês apareceu em novo vídeo, no "mesmo papel", porém encontrando como motorista o inglês Jude Bellingham, em um aquecimento para a partida entre as duas seleções pelas quartas de final. </p>
<p>Depois da vitória da Inglaterra - que despachou os "vikings" para casa -, mais uma versão chegou às redes. No lugar da "branquela" está Messi, o camisa 10 da Argentina, que vai enfrentar os ingleses na semifinal. Os vídeos mais atuais foram criados por outras pessoas, com base no meme inicial, do brasileiro.</p>
<p>Kazuo conta que começou a mexer com IA em 2022, quando foi apresentado ao ChatGPT por um colega de trabalho. O interesse aumentou ainda mais com o tempo, e hoje ele consegue criar vídeos do tipo usando ferramentas como Seedance e Kling. Em seu perfil no Instagram, há mais trabalhos que mostram seu talento.</p>
<p>Apesar de já achar que tinha uma boa ideia em mãos, o diretor de criação, que vive nos Estados Unidos, ficou surpreso com a repercussão do vídeo de Haaland e Vini Jr., que internautas chegaram a chamar de “O meme do ano”.</p>
<p>“Jamais imaginaria tanto sucesso. O ápice foi ver os comentários dos jogadores e até do ator Terry Crews (do elenco de 'As Branquelas'). Não falei diretamente com o Vini ou com algum dos envolvidos, mas seria incrível se isso acontecesse”, revelou o brasileiro, professor de um curso de IA, da Miami Ad School Brasil, escola de criatividade dedicada à área de comunicação e publicidade.</p>
<h2>Brasil e “As Branquelas”</h2>
<p>O filme do diretor Keenen Ivory Wayans, lançado em 2004, fez sucesso estrondoso no Brasil. Marlon Wayans, um dos principais atores do filme, comentou essa paixão recentemente em um talk show nos Estados Unidos.</p>
<p>“No Brasil, eles amam 'As Branquelas'. Eles não falam uma palavra de inglês. Gritam, 'tudo bem', 'tudo bem', mas assim que somos vistos na boate eles cantam essa música”, afirmou, referindo-se a canção de Vanessa Carlton.</p>
<p>Mas não se pode dizer que essa aclamação é mundial. Na época em que foi lançado, o filme recebeu cinco indicações ao prêmio Framboesa de Ouro, incluindo a categoria de Pior Filme.</p>
<p>Rumores de uma sequência para “As Branquelas” circulam desde 2009, mas até o momento não houve nenhuma confirmação de que isso irá acontecer em breve.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/Redes Sociais</media:credit>
        <media:title>haaland-vini-jr</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Sony removerá filmes comprados no PlayStation; entenda se a prática é permitida</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/sony-removera-filmes-comprados-por-usuarios-no-playstation-entenda-se-pratica-e-permitida</link>
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      <pubDate>Wed, 08 Jul 2026 18:13:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Sony anunciou no último dia 30 que vai remover mais de 500 filmes de seu catálogo digital na loja PlayStation do Reino Unido. A decisão foi publicada no blog da companhia. A retirada, porém, deve acontecer em toda a Europa, já que a ação foi resultado do fim de um acordo com a produtora francesa StudioCanal, que detém os direitos de distribuição dos filmes na região.</p>
<p>A medida passa a valer partir de setembro deste ano. Usuários que adquiriram as obras divulgadas na lista da empresa terão o conteúdo removido de suas bibliotecas, sem direito a reembolso.</p>
<p>A má notícia rodou as redes sociais e gerou reclamações de usuários, que agora perderão acesso a filmes populares como “ O Exterminador do Futuro 2 ” e “ John Wick ”.</p>
<p>A legalidade da ação também foi questionada, levantando discussões sobre o futuro das mídias digitais. Nas redes sociais e nos fóruns de internet a pergunta que se fazia era: "será que realmente somos donos dos conteúdos que compramos online?". </p>
<h2>Licença para consumir</h2>
<p>O que a maioria das pessoas que consome mídias digitais não sabe é que esse tipo de aquisição é feita com base nos "Termos e Condições" estipulados pelas empresas. </p>
<p>No caso de Amazon, Google e Sony, os termos dizem que os usuários estão adquirindo uma licença revogável para a reprodução de seus e-books, filmes e jogos. Não é uma licença permanente, que garante posse do conteúdo.</p>
<p>Essa confusão tem intensificado os debates entre órgãos reguladores no mundo inteiro, especialmente quando expressões como "comprar" levam o consumidor a acreditar que está adquirindo um direito permanente.</p>
<p>“A discussão nos Estados Unidos, por exemplo, tem migrado menos para a validade da remoção em si e mais para a necessidade de transparência sobre aquilo que efetivamente está sendo vendido”, explica Stefano Ribeiro, advogado especializado em direito do consumidor, ao  GSW Brasil</p>
<h2>Prática antiga</h2>
<p>Não é a primeira vez que a Sony é criticada por remoção de conteúdo já pago por seus usuários. Em 2023, a gigante japonesa removeu todas as series da Discovery TV de sua plataforma. </p>
<p>Após críticas, a empresa acabou voltando atrás e renovou a duração do contrato por mais 30 meses, antes de novamente retirar o conteúdo, desta vez de maneira permanente.</p>
<h2>Brasileiro é mais protegido </h2>
<p>Caso chegue ao Brasil, esse tipo de medida deve enfrentar sérios questionamentos à luz do Código de Defesa ao Consumidor. </p>
<p>Enquanto a lei norte-americana tende a privilegiar a força dos termos de uso, o direito brasileiro confere maior proteção à confiança legítima do consumidor.</p>
<p>“Se o consumidor adquire um filme em uma loja digital com a aparência de uma compra definitiva, ele forma a expectativa de que poderá acessá-lo de maneira contínua. A retirada deste conteúdo, sem qualquer compensação, pode caracterizar descumprimento da oferta e alteração unilateral do contrato em prejuízo do consumidor”, diz Ribeiro</p>
<p>O  GSW Brasil  entrou em contato com a PlayStation Brasil. Ela afirmou que não recebeu nenhum posicionamento da empresa-mãe sobre o tema.</p>
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        <media:credit role="photographer">360-berlin/Jens Knappe</media:credit>
        <media:credit role="provider">360-berlin</media:credit>
        <media:title>Markennamen</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brasil conectado: número de usuários de internet supera 90% no país, pela 1ª vez</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/brasil-conectado-numero-de-usuarios-de-internet-supera-90-no-pais-pela-primeira-vez</link>
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      <pubDate>Thu, 02 Jul 2026 20:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A proporção de usuários da internet no país ultrapassou 90% da população acima de 10 anos, em 2025. A informação é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que divulgou, nesta quinta-feira, 2, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua com foco em Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC).</p>
<p>De acordo com o relatório, cerca de 186,4 milhões de pessoas utilizaram a internet no período de referência dos últimos três meses. Na análise da população que vive em áreas urbanas, dentro desse critério (maiores de 10 anos e uso nos últimos três meses), o índice subiu a 91,5%. Já em relação aos moradores de área rural, o percentual é de 83%.</p>
<p>Em 2016, quando se iniciou a série PNAD Contínua, 66% dos brasileiros com mais de dez anos tinham utilizado a internet no período de referência. Esse percentual passou a 89,2% em 2024.</p>
<p>Na nova pesquisa, a análise por regiões demonstra que o Centro-Oeste se mantém com a maior proporção de pessoas que utilizaram a internet (93,6%). Em seguida, está o Sul, com 90,9%.</p>
<p>Quanto ao gênero, 91,9% das mulheres usaram a web no ano passado. Já os homens representaram 89,9%. Na avaliação por faixa etária, o destaque vai para o grupo com idades entre 50 e 59 anos (91,8%).</p>
<h2>Domicílios sem internet</h2>
<p>A PNAD Contínua também revelou o percentual de casas que estão conectadas. Em 2025, foram contabilizados 76 milhões de domicílios com internet (95%), aumento de 1,3% ante 2024.</p>
<p>Nos 4 milhões de domicílios em que não havia utilização da internet, os três motivos que mais justificaram a falta de conexão foram: nenhum morador sabia usar a internet (36,5%), serviço de acesso era caro (25,9%) e falta de necessidade em acessar a web (25,2%). Na área rural, além dos três motivos mais alegados, destacou-se a falta de disponibilidade do serviço de acesso à internet na área do domicílio, explicação apresentada por 8,9% dos moradores (12,1% em comparação a 2024).</p>
<h2>Streaming e TV aberta</h2>
<p>No ano passado, 33,4 milhões de residências possuíam algum serviço pago de streaming de vídeo, um aumento de 1,5 milhão em comparação a 2024. O percentual de domicílios com televisão e acesso a esse serviço subiu de 43,4% (2024) para 44,4% (2025).</p>
<p>Dentre os domicílios que tinham streaming de vídeo, 91% também acessavam canais de televisão: 85,7% por meio de sinal de televisão aberta e 38,9% via serviço de TV por assinatura. Por outro lado, 9% dos que tinham streaming pago de vídeo não possuíam acesso à TV aberta ou à TV paga. Em 2024, esse índice foi de 8,2%.</p>
<p>O rendimento médio mensal real per capita nos domicílios que tinham acesso a serviço pago de streaming de vídeo foi de R$ 3.072, representando mais que o dobro daqueles que não possuíam acesso a esse serviço, R$ 1.454. Para os domicílios com acesso pago a streaming de vídeo, bem como a canais fechados de televisão, o rendimento médio foi de R$ 4.241.</p>
<p>A proporção de casas com TV aberta caiu de 91,6% para 85,8% em quatro anos, apontou a pesquisa. Em 2025, 93,9% dos domicílios (80,0 milhões) tinham televisão. O percentual de domicílios com somente televisão de tela fina subiu de 93,3% para 95,0% entre 2024 e 2025. Entre os domicílios com somente televisão de tubo, o percentual caiu de 5,2% para 3,9% e entre os com ambos os tipos de televisão a redução foi de 1,5% para 1,1%. O rendimento nos domicílios com TV de tubo (R$ 1.212) representou 51,1% dos ganhos de quem tinha televisão de tela fina (R$ 2.371). Nos domicílios onde havia somente televisão de tubo, o rendimento médio era de R$ 1.005.</p>
<p>Entre os domicílios com televisão em 2025, 85,8% (64,5 milhões) contavam com recepção de sinal analógico ou digital de televisão aberta por meio de antena convencional (diferente de antenas parabólicas e de TV por assinatura).</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asV2reblhltwYSEhO.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Mapa mostra as regiões e as casas com internet"/>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/Christin Hume</media:credit>
        <media:title>computador-mulher</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>CEO da Microsoft critica concentração de poder na IA: "Não podemos chamar de progresso"</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/ceo-da-microsoft-critica-concentracao-de-poder-na-ia-nao-podemos-chamar-de-progresso</link>
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      <pubDate>Sat, 27 Jun 2026 16:16:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O CEO da Microsoft, Satya Nadella, fez um alerta sobre os rumos da inteligência artificial e afirmou que a concentração de poder nas mãos de um pequeno grupo de empresas não pode ser considerada um avanço para a sociedade. </p>
<p>Em entrevista ao  The Wall Street Journal  na última semana, o executivo defendeu um ecossistema mais aberto, competitivo e acessível, no qual os benefícios da IA sejam distribuídos de forma ampla.</p>
<p>Segundo Nadella, o cenário atual corre o risco de  concentrar valor econômico e conhecimento em poucas organizações . </p>
<p>Para ele, a indústria precisa demonstrar que a inteligência artificial gera oportunidades para empresas, trabalhadores e a economia como um todo, e não apenas para um  pequeno grupo de gigantes do setor .</p>
<p>O executivo criticou, ainda, o discurso de que a IA inevitavelmente eliminará milhões de empregos de escritório. </p>
<p>Na avaliação dele, esse argumento tem sido utilizado para justificar investimentos cada vez maiores em infraestrutura, como centros de dados, sem que as empresas tenham conquistado a confiança da sociedade para exercer tamanho poder sobre a tecnologia. </p>
<p>"Não se pode dizer que todos os empregos desaparecerão e, ao mesmo tempo, pedir que a sociedade aceite essa transformação como progresso", resumiu Nadella.</p>
<h2>Uso consciente</h2>
<p>Em vez de substituir trabalhadores, o CEO da Microsoft defende que a IA seja usada para  ampliar as capacidades humanas  e  reorganizar a forma como o trabalho é realizado .</p>
<p>Segundo ele, o objetivo deve ser criar organizações em que pessoas e agentes de IA atuem de forma  complementar , preservando o conhecimento e a propriedade intelectual das empresas.</p>
<p>As declarações também refletem uma mudança estratégica da própria Microsoft. Embora mantenha parcerias com empresas como a OpenAI, a companhia tem ampliado a oferta de modelos menores e mais baratos, permitindo que clientes escolham diferentes tecnologias de IA conforme suas necessidades. </p>
<p>A estratégia busca reduzir custos, aumentar a concorrência e evitar que poucos fornecedores concentrem toda a inovação do setor.</p>
<h2>Impacto economico preocupa</h2>
<p>Outro ponto levantado por Nadella foi o  impacto econômico de longo prazo . Ele comparou a atual corrida pela inteligência artificial ao processo de globalização, que trouxe ganhos significativos de produtividade, mas também contribuiu para o  enfraquecimento de diversos setores industriais.  </p>
<p>Segundo o executivo, repetir esse modelo no desenvolvimento da IA pode  "esvaziar indústrias inteiras " caso o conhecimento das empresas seja absorvido e centralizado por um número reduzido de plataformas.</p>
<p>Para Nadella, o sucesso da inteligência artificial dependerá menos da capacidade de construir modelos cada vez maiores e mais da  criação de um ecossistema sustentável, competitivo e confiável.  </p>
<p>Na visão dele, a tecnologia só poderá ser considerada um verdadeiro progresso se gerar prosperidade distribuída e fortalecer empresas e trabalhadores, em vez de concentrar riqueza e poder em poucos atores do mercado.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/Microsoft</media:credit>
        <media:title>satya-nadella</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Tesla é acusada de fornecer dados enganosos sobre direção autônoma </title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/tesla-e-acusada-de-fornecer-dados-enganosos-para-aprovar-direcao-autonoma</link>
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      <pubDate>Fri, 26 Jun 2026 13:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Tesla, fabricante de carros liderada por Elon Musk, teria apresentado dados de segurança considerados enganosos a reguladores europeus durante o processo de aprovação de seu  sistema de direção autônoma , chamado  Full Self Driving (FSD) . As informações são da Reuters.</p>
<p>De acordo com a investigação da agência, a Tesla entregou informações a órgãos reguladores da  Suécia  e  Países Baixos  para demonstrar que veículos equipados com o FSD seriam ‘ muito mais seguros do que com motoristas humanos’.</p>
<h2>Dados enganosos</h2>
<p>Em uma das apresentações, a empresa afirmou que carros utilizando o sistema percorrem mais de  sete vezes a distância média entre acidentes  em comparação com motoristas convencionais nos Estados Unidos.</p>
<p>No entanto, pesquisadores independentes disseram que a Tesla comparou categorias diferentes de acidentes: enquanto os dados da empresa consideravam  apenas   colisões mais graves   envolvendo veículos com FSD , as referências para motoristas humanos incluíam uma  gama maior de ocorrências. </p>
<p>Essa diferença teria  inflado artificialmente  a suposta segurança atribuída ao sistema. Também foram identificadas projeções que os pesquisadores consideraram  ‘excessivamente otimistas’. </p>
<p>Em materiais enviados aos reguladores, a Tesla sugeriu que a adoção ampla do FSD poderia ter evitado cerca de  32 mil mortes e 1,9 milhão de ferimentos. </p>
<p>Especialistas afirmam que esses cálculos partem da premissa de que praticamente  todos os veículos em circulação seriam substituídos por modelos Tesla  equipados com o software, incluindo caminhões, motocicletas e outros tipos de transporte.</p>
<h2>Aprovado na Holanda</h2>
<p>Apesar das críticas, a agência reguladora holandesa RDW  aprovou em abril  uma versão  supervisionada  do Full Self-Driving para uso no mercado europeu. </p>
<p>A decisão reacendeu o debate sobre como governos e reguladoras devem validar alegações de segurança feitas por empresas que desenvolvem  veículos autônomos. A Tesla não comentou as acusações.</p>
]]></description>
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        <media:credit role="provider">ifeelstock</media:credit>
        <media:title>Depositphotos_158143436_L</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>1000 por 50: GM troca funcionários por robôs em fábrica de Detroit</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/1000-por-50-gm-troca-funcionarios-por-robos-em-fabrica-de-detroit</link>
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      <pubDate>Wed, 24 Jun 2026 14:01:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A General Motors, maior fabricante de automóveis com sede nos EUA, anunciou a aquisição de 50 robôs colaborativos para sua fábrica de Detroit, a mesma que há poucos meses demitiu mais de 1000 funcionários.</p>
<p>O desligamento em massa veio após a empresa pausar a produção de veículos elétricos em março deste ano. Após as queixas dos a GM afirmou que os robôs colaborativos (ou ‘cobôs’) “melhoram a segurança e ergonomia” da linha de produção.</p>
<p>Dentro da fábrica, as máquinas foram rapidamente instaladas e já produzem ao lado de um time reduzido, auxiliando no encaixe de peças de carroceria.</p>
<h2>O que explica a crise</h2>
<p>Investimentos em elétricos têm arrefecido nos Estados Unidos desde o fim de 2025, quando incentivos federais ao setor foram cortados.</p>
<p>A própria GM já havia anunciado, no início deste ano, um prejuízo de US$ 6 bi por conta da redução na fabricação destes veículos.</p>
<p>A dominância da China também contribuiu para o arrefecimento local. Com linhas de produção mais azeitadas e preços mais acessíveis nos veículos eletrificados, as marcas chinesas apresentaram um salto de 70% em valor de mercado, segundo dados do Globaldata.</p>
<h2>Robôs humanoides viram aposta do setor</h2>
<p>Se máquinas que fazem o ‘trabalho pesado’ já são o presente, as grandes montadoras olham para os humanoides como o futuro. </p>
<p>No início do ano, a Toyota anunciou a implementação de robôs humanoides em sua fábrica de Woodstock, no Canadá, após um ano de testes. </p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asZV2FgJrbI9Y8rve.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Robô humanoide de cor verde"/>
<p>As aquisições da Agility Robots vão realizar tarefas simples, como descarga de peças, mas demonstram que a integração desse tipo de máquina em um ambiente de fábrica real  já é uma realidade.</p>
<p>Além da gigante japonesa, a BMW também anunciou um projeto piloto para implementação de robôs humanoides em sua fábrica de Leipzig. Segundo o comunicado, o projeto visa "integrar robótica humanoide em produção em série existente de carros e para explorar novas aplicações na produção de baterias e componentes".</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Indianos viram ‘treinadores de robôs’ para tarefas domésticas</title>
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      <pubDate>Sat, 20 Jun 2026 01:58:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em 2025, vídeos de cidadãos brasileiros escaneando suas íris em troca de dinheiro viralizaram nas redes sociais. Na época, o World ID, projeto de Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que o objetivo era criar uma rede de identificação global para diferenciar humanos de robôs e inteligências artificiais (IAs).</p>
<p>Se antes vendiam a ideia de um “certificado de humanidade”, companhias de tecnologia agora investem pesado para tornar robôs e IAs cada vez mais parecidos com os humanos.</p>
<p>Na Índia, trabalhadores de fábricas estão iniciando seus expedientes com uma nova ferramenta: um celular amarrado à testa que registra todas as suas atividades.</p>
<p>Com sensores avançados de movimento, a câmera captura a etiquetagem, prensa e a embalagem de roupas, material bruto extremamente valioso para empresas como a Objectways, que repassa essas gravações para pelo menos dez empresas de dados.</p>
<p>“Vai ser uma nova tendência no mundo todo. Gravar essas sequências de ações é uma maneira muito eficiente para treinar modelos robóticos. Isso vai gerar uma aceleração muito grande no desenvolvimento de humanoides capazes de fazer trabalhos manuais”, explica Joel Ramos, criador do primeiro robô humanoide do Brasil, ao GSW Brasil.</p>
<p>E o chão de fábrica não foi o único alvo: donas de casa estão recebendo até 250 rupias indianas por hora (aproximadamente R$ 13,42) para gravar tarefas do cotidiano, como lavar a louça, arrumar a cama e descascar legumes.</p>
<p>“Quem mais vai te pagar por hora apenas para realizar serviços domésticos? Posso até ter um robô desses no futuro”, disse a dona de casa Nagireddy Sriramyachandra, em entrevista à agência de notícias AFP.</p>
<p>As gravações são exigentes em termos de posicionamento da câmera e captura de movimentos, e podem ser feitas na própria casa do contratado, ou em um estúdio montado pela própria empresa.</p>
<p>O aumento de ofertas é movimento de um mercado que se prepara um futuro que não surpreende. O banco de investimentos norte-americano Morgan Stanley prevê que quase um bilhão de robôs humanoides podem estar em uso para propósitos comerciais e industriais até 2050.</p>
<p>Dados da consultoria norte-americana ABI Research, relatados em julho do ano passado, apontam que, embora hoje a adoção desses robôs ainda seja muito limitada, o mercado pode chegar a cerca de US$ 6,5 bilhões no mundo até o fim da década</p>
<p>Um futuro de novas facilidades que gera renda temporária, mas que pode custar milhões de empregos nas próximas décadas, especialmente na Índia, que conta com quase 490 milhões de trabalhadores informais, segundo dados da think-tank NITI Aayog.</p>
<p>“Essas pessoas serão violentamente substituídas e isso será problemático. Esse tipo de evolução gera uma onda de desemprego, criando uma catástrofe que acaba desacelerando esse mesmo avanço tecnológico para que ele aconteça em sincronia com a transformação social”, detalha Ramos.</p>
<p>Questionado sobre o assunto, Ravi Shankar, fundador da Objectways, afirmou em entrevista à AFP que “alguns trabalhos foram feitos para serem substituídos”. E completou: “Dessa forma, os humanos podem realizar coisas melhores”.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Startup brasileira brilha na seleção para 'Davos de Verão' na China </title>
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      <pubDate>Fri, 19 Jun 2026 22:18:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Depois de ser escolhida para integrar a lista de 100 empresas de tecnologia mais promissoras de 2026, a startup brasileira Comp, que oferece soluções de IA para RH, está no seleto grupo conhecido como 'Technology Pioneers', que vai participar do evento ‘Davos do Verão’, do Fórum Econômico Mundial, entre os dias 23 e 25 de junho de 2026, nas cidades portuárias de Dalian e Tianjin, no nordeste da China.  </p>
<p>Esse evento é considerado a versão tecnológica do tradicional Fórum Econômico Mundial, que acontece no início do ano em Davos, na Suíça, onde as discussões giram em torno de questões geopolíticas e econômicas mais amplas. No evento ‘Davos do Verão’, que ocorre em junho, na China, o foco das conversas está no futuro, no empreendedorismo, inovação, ciência, tecnologia e transição energética.  O tema deste ano é “Inovando em Escala” . </p>
<p>Ao ser selecionada pelo Fórum Econômico Mundial como integrante do grupo 'Technology Pioneers', a startup brasileira Comp. passa a contribuir para as discussões sobre inovação, tecnologia e políticas públicas na comunidade global do Fórum. Geração de empregos e oportunidades para a próxima geração, em tempos de IA, está entre os cinco principais tópicos do evento deste ano na China. </p>
<h2>Ganhos que a IA pode trazer para o mercado de trabalho</h2>
<p>O Fórum Econômico Mundial estima que 40% dos empregos em todo o mundo estejam, de alguma forma, expostos à inteligência artificial, um indício da magnitude da mudança que se aproxima na força de trabalho. É uma transição que exige mais do que apenas capital. São necessárias infraestrutura, educação, competências e regras adequadas para que novas indústrias se consolidem. </p>
<p>Em publicação recente, o Fórum diz que setores que vão do turismo e agricultura à manufatura avançada e à economia digital têm, todos, potencial real para empregar pessoas, mas somente se governos, empresas e investidores direcionarem o crescimento para a criação de empregos e garantirem que o progresso tecnológico amplie as oportunidades de crescimento. A questão é que a IA está chegando a países que não dispõem das estruturas necessárias para que ela seja implementada de forma responsável. </p>
<p>No estudo ‘Avaliação do Panorama da Inteligência Artificial’ (AILA), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que envolve 50 países em desenvolvimento, mostra que os prazos de implantação de tecnologias como a IA avançam mais rapidamente do que a preparação em termos de governança. É nessa lacuna que a confiança para adoção de tecnologias se desintegra.  </p>
<p>De acordo com o levantamento, uma ferramenta de diagnóstico de IA implantada em uma clínica sem ninguém qualificado para avaliar seu desempenho ou contestar seus erros e explicar seus resultados aos pacientes não é um ganho para o desenvolvimento, é um risco. O fator humano não é um luxo que vem depois da adoção. É uma pré-condição para ela. </p>
<h2>Empregos do futuro</h2>
<p>O artigo do Fórum Econômico Mundial, ‘O investimento em empregos para pessoas determinará quem colherá os benefícios da IA’, destaca que as tecnologias que se expandiram globalmente tiveram um ecossistema humano de apoio que cresceu em torno delas. ‘Os carros não se tornaram universais porque todos aprenderam a construir motores. Eles se tornaram universais porque surgiu um ecossistema coordenado de mecânicos certificados, inspetores de segurança, seguradoras, órgãos de normalização e organizações de testes para torná-los utilizáveis e confiáveis na vida cotidiana. A IA está nesse mesmo ponto de inflexão agora, mas o ecossistema de que precisa ainda não existe.’ </p>
<p>O que falta hoje é um mercado secundário estruturado de expertise humana focado no desempenho, segurança e responsabilidade da IA; um mercado que não concorra com os desenvolvedores de IA, mas torne suas ferramentas utilizáveis em instituições e comunidades reais. Esse mercado incluiria pessoas e organizações que testam sistemas de IA em condições locais, avaliam desempenho e viés, integram ferramentas em fluxos de trabalho legados, protegem sistemas de IA contra uso indevido e ajudam as instituições a entenderem o que essas ferramentas estão fazendo e onde falham. </p>
<p>Entre os novos cargos estão auditores e inspetores de IA, desenvolvedores de dados sintéticos, especialistas em segurança cibernética de IA e membros de equipes de simulação de ataques (red-teamers). Essas funções existem atualmente principalmente em países de alta renda. O que ainda não existe é um caminho claro e em escala para que elas surjam globalmente, particularmente nos mercados em desenvolvimento e de médio porte, onde a adoção da IA está se acelerando mais rapidamente, destaca o artigo do Fórum.  </p>
<h2>O que esperar do Fórum Davos do Verão</h2>
<p>Os demais temas do evento são: ‘Como encontrar prosperidade em meio às mudanças nas realidades comerciais e industriais’, ‘Como entender a próxima fase da trajetória econômica da China’, ‘Como a tecnologia pode ser aproveitada para gerar resultados na economia real’ e ‘Como a transição energética e climática pode se tornar uma fonte de competitividade.’ De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o evento terá transmissão ao vivo e poderá ser acompanhado pelo link  https://www.weforum.org/meetings/annual-meeting-of-the-new-champions-2026/  </p>
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        <media:credit role="photographer">Yves Herman</media:credit>
        <media:credit role="provider">REUTERS</media:credit>
        <media:title>55th annual World Economic Forum (WEF) meeting in Davos</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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