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    <title>Global South World Brasil - tarifa</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>O Brasil tem um lugar especial no tarifaço de Trump. Como isso está funcionando?</title>
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      <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Seis meses após a Suprema Corte dos Estados Unidos declarar inconstitucionais as tarifas drásticas originais de Donald Trump, as taxas revisadas redefiniram os termos do comércio internacional.</p>
<p>A decisão deveria ser um marco de recomeço. Em vez disso, a Casa Branca reconstruiu quase toda a barreira tarifária sobre diferentes bases legais em questão de cinco meses e, em alguns casos, elevou ainda mais os patamares. </p>
<p>Para os exportadores do Global South, a diferença prática tem sido menos sobre a alíquota paga e mais sobre a certeza de que as taxas vieram para ficar.</p>
<p>A maioria dos economistas concorda que as medidas configuram um cenário em que "todos perdem".</p>
<p>"Em geral, tarifas são ruins para todos. São ruins para os Estados Unidos e ruins para o resto do mundo”, observa Marcelo Estêvão, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF). “Assim como os preços mais altos do petróleo, elas constituem um choque, mas o impacto desse choque varia de país para país".</p>
<p>Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas do "Dia da Libertação", impostas em abril de 2025. A equipe do presidente Trump reagiu imediatamente com novas medidas.</p>
<p>O efeito líquido, segundo o Budget Lab da Universidade Yale, é uma taxa tarifária estatutária média dos EUA de 11% em 11 de agosto de 2026, a caminho de atingir 11,8% até o final do ano – patamar próximo ao registrado antes da intervenção da Suprema Corte. </p>
<p>Desconsiderando o pico de 2025, o Budget Lab aponta que esse é o nível mais alto desde o início da década de 1940.</p>
<p>E quando a maior economia do mundo levanta barreiras, poucos países saem ilesos.</p>
<p>A atualização de julho de 2026 do  World Economic Outlook  do FMI projeta o crescimento global em 3,0% em 2026, com uma recuperação para 3,4% em 2027 — contra uma média de 3,5% no biênio 2024-2025. </p>
<p>O crescimento do volume do comércio mundial deve cair para 3,5% este ano, ante os 5,0% registrados em 2025.</p>
<h2>Brasil: alvo específico e em adaptação</h2>
<p>Em princípio, as nações mais afetadas são grandes exportadores cujos líderes se recusaram a se alinhar ao presidente dos Estados Unidos.</p>
<p>Perto do topo da lista está o Brasil, enfrentando uma alíquota nominal de até 37,5%, a mais alta entre as grandes economias, fora a China. </p>
<p>Por ser um país que registra déficit comercial com os EUA, o Brasil também é um caso único, porque suas tarifas originais foram explicitamente vinculadas a eventos políticos, e não comerciais. No caso, o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>As medidas impactam de forma desigual. Cerca de dois terços das exportações brasileiras para os EUA escapam totalmente dos novos impostos. Café, suco de laranja, carne bovina, cacau, aeronaves, petróleo e minério de ferro foram todos excluídos para proteger os consumidores estadunidenses.</p>
<p>O que permanece sob alcance das tarifas é a produção industrial de maior valor agregado: máquinas, equipamentos elétricos, pneus, açúcar, vestuário, granito e ouro.</p>
<p>Em certos setores, o impacto tem sido severo.</p>
<p>"Para nós, o tarifaço é um problema estrutural e extremamente significativo", explica André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). "Em alguns casos, está inviabilizando a continuidade da produção."</p>
<p>Isso ocorre porque o Brasil não é atingido apenas pelo impacto direto dos custos mais altos para exportar. </p>
<p>O país também sofre à medida que fabricantes chineses, enfrentando desafios semelhantes, redirecionam sua produção e inundam o mercado brasileiro, a ponto de as importações responderem agora por metade do consumo interno.</p>
<p>A Abiquim estima que as tarifas custem à indústria US$ 133 milhões por ano. A situação seria ainda pior, segundo Cordeiro, se não fossem as medidas governamentais para manter tarifas sobre importações chinesas e apoiar o setor por meio do programa de suporte financeiro Brasil Soberano.</p>
<p>Outro setor fortemente atingido foi o de calçados, cujas empresas brasileiras já enfrentavam uma concorrência acirrada com fabricantes do Vietnã, Indonésia e China. </p>
<p>Em julho, a indústria importou mais do que vendeu para o exterior pela primeira vez desde o início dos registros, há 29 anos. As exportações caíram 18% em valor nos primeiros sete meses de 2026.</p>
<p>"Diante da perspectiva de queda nas exportações, tornou-se ainda mais urgente a adoção de salvaguardas e outros instrumentos de defesa comercial para proteger o mercado interno do aumento expressivo e prejudicial das importações", disse Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), ao  Global South World .</p>
<p>Esses números afetam empresas e trabalhadores diariamente. Os líderes de ambos os grupos setoriais pediram ao governo que amplie as medidas de apoio já existentes para proteger os empregos.</p>
<h2>A guinada para o Oriente</h2>
<p>Embora outros setores também tenham sofrido perdas expressivas, a economia em geral demonstrou relativa resiliência, à medida que os exportadores encontraram novos mercados fora dos Estados Unidos.</p>
<p>O redirecionamento foi rápido e mensurável. No primeiro semestre de 2026, os EUA absorveram apenas 9,4% das exportações brasileiras – a menor fatia desde o início da série histórica em 1997, abaixo dos 12,1% registrados um ano antes. </p>
<p>As vendas para os EUA caíram 13%, somando US$ 17,4 bilhões, mesmo com o crescimento de 11,5% nas exportações totais do Brasil. China, Índia e Marrocos registraram fortes altas como destinos das exportações brasileiras.</p>
<p>"O impacto no PIB e na inflação foi o menor possível", nota Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. "A diversificação é necessária. O Brasil não pode continuar dependente dos Estados Unidos. Não vejo isso como algo prejudicial. Pelo contrário, penso que é positivo para o Brasil."</p>
<p>Agostini afirma que a competitividade do Brasil no comércio global permite ao país encontrar novos compradores para os bens que não seguem mais rumo ao Norte.</p>
<p>No fim das contas, o maior perdedor dessa guerra comercial pode ser os próprios Estados Unidos. O Budget Lab de Yale estima que as tarifas atualmente em vigor custam à família norte-americana média cerca de US$ 1.100 por ano.</p>
<p>"Politicamente, o tiro saiu pela culatra para Donald Trump. Ele atacou a democracia brasileira e viu que não há nada que a desestabilize. O resultado foi altamente negativo, e é por isso que seus índices de rejeição vêm aumentando", conclui Agostini.</p>
<p>Estêvão, do IIF, concorda: "A situação não é boa para a América Latina, mas creio que seja pior para os Estados Unidos no longo prazo. Alianças e relações econômicas estão mudando. Se a região continuar sendo empurrada nessa direção, os países terão um incentivo ainda maior para diversificar sua dependência."</p>
<h4>Leia também: </h4>
<p>Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Duncan Hooper, Carlos Eduardo Vasconcellos, Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/lula-trump-tarifaco-retomada-negociacoes</link>
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      <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 17:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O  presidente Luiz Inácio Lula da Silva  telefonou na manhã desta sexta-feira, 21, para o  presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.  Um dos temas da conversa, que durou  uma hora e 20 minutos , foi o tarifaço. Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, a ligação “transcorreu em tom amistoso e cordial”.</p>
<p>No fim de julho foram  impostas novas tarifas ao Brasil após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos  (USTR, na sigla em inglês). Lula enfatizou, na conversa ao telefone, que  as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas.</p>
<p>Lula comentou que  as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil quanto os Estados Unidos . Ele afirmou, de acordo com a nota do Planalto, que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. O presidente reiterou também a importância de trabalharem juntos “para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”.</p>
<p>A nota diz que Trump concordou com a necessidade de  preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.</p>
<p>O USTR anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros nos termos da investigação aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O tarifaço passou a valer no dia 22 de julho. Depois, impôs outra de 12,5%, que entrou em vigor no dia 24. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.</p>
<p>Entre os produtos taxados nesta nova onda de tarifas estão  calçados, máquinas e equipamentos, móveis, açúcar e etanol.</p>
<h2>Combate ao crime organizado</h2>
<p>O presidente brasileiro manifestou o interesse na  cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.  Lula afirmou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Ressaltou que o país tem instrumentos para enfrentar as facções sem precisar de classificação especial para designá-las.</p>
<p>Na conversa, Lula disse que há planos de t ransformar 138 presídios em prisões de segurança máxima . Também mencionou a criação do  Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia , em Manaus, que reúne oficiais dos países amazônicos.</p>
<p>Por sua vez, Trump teria se disposto a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar andamento aos entendimentos na área.</p>
<p>Além disso, de acordo com a nota, os dois presidentes – que se encontraram pessoalmente na Casa Branca em maio – trocaram  impressões sobre conflitos como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio . Ambos teriam concordado sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para as questões entre Rússia e Ucrânia.</p>
<p>Trump comentou sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã – que completará seis meses na próxima sexta-feira, 28. E Lula lamentou a  inoperância do Conselho de Segurança da ONU . Ele propôs a convocação de uma reunião extraordinária da entidade para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. Conforme a nota do Palácio do Planalto, o presidente brasileiro declarou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.</p>
<h2>Reciprocidade</h2>
<p>No dia 13 de agosto, o governo federal anunciou a  abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade . Ela foi sancionada no ano passado, após Trump impor o primeiro tarifaço ao país.</p>
<p>A abertura não significa que o país tenha decidido aplicar imediatamente medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. </p>
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        <media:credit role="photographer">Ricardo Stuckert/PR</media:credit>
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        <media:title>Lula-Trump-Casa-Branca</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Com Lei da Reciprocidade, Brasil inicia processo para reagir a tarifas dos EUA</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/com-lei-da-reciprocidade-brasil-inicia-processo-para-reagir-a-tarifas-dos-eua</link>
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      <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 15:40:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O governo federal anunciou na noite de quinta-feira, 13, a abertura formal do  processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos contra exportações brasileiras será respondida com base na  Lei da Reciprocidade . Ela foi sancionada no ano passado, após o presidente Donald Trump impor o primeiro tarifaço ao país.</p>
<p>A abertura não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente contratarifas ou outras medidas de retaliação contra produtos norte-americanos. Neste momento, o governo inicia uma análise formal para verificar se as medidas dos EUA justificam a adoção de respostas previstas na legislação brasileira.</p>
<p>O Palácio do Planalto informou que o procedimento foi iniciado a partir do  compartilhamento do pedido pela Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) com os demais integrantes de seu Comitê-Executivo de Gestão.  Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores notificará o governo dos Estados Unidos e solicitará a abertura de consultas diplomáticas.</p>
<p>Essas consultas, segundo comunicado do governo, “visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais".</p>
<p>O governo de Donald Trump anunciou no dia 15 de julho que aplicaria uma  tarifa adicional de 25%,  com entrada em vigor no dia 22 de julho. Depois,  impôs outra de 12,5% , que entrou em vigor no dia 24. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a alíquota chega a 37,5%.</p>
<p>Foram taxados exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.</p>
<p>Em vigor desde o fim do mês passado,  as tarifas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano , de acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.</p>
<p>Ao podcast  Não Inviabilize , o  presidente Luiz Inácio Lula da Silva  declarou nesta sexta-feira, 14: "Entramos com a Lei da Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa. Mas estou muito tranquilo. Estou preparado para debater defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra".</p>
<h2>Lei de Reciprocidade</h2>
<p>Aprovada no ano passado, justamente em reação ao primeiro tarifaço de Trump, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.</p>
<p>Dentre as possíveis medidas, o país poderá impor tributos ou taxas, acabar com isenções ou redução de valores de tarifas de importação, ou ainda restringir importações de bens ou serviços.  Pela lei, as contramedidas devem ser, na medida do possível, aplicadas na mesma proporção do prejuízo econômico causado por outro país ou bloco econômico ao Brasil.</p>
<p>"As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", prossegue a nota emitida pelo Planalto.</p>
<h2>OMC</h2>
<p>O governo federal já havia apresentado um  pedido de consultas por meio do sistema de solução de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC),  argumentando que as tarifas aplicadas são "inconsistentes" com as regras definidas pela entidade. Na segunda-feira, 10, os Estados Unidos aceitaram o pedido participar das consultas na OMC.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Ascom/ Casa Civil</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Por que o Pix entrou na conta do tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil</title>
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      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 19:29:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros entraram em vigor nesta quarta-feira, 22. Entre as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump para a medida está uma ferramenta presente no cotidiano de milhões de brasileiros: o Pix.</p>
<p>O sistema de pagamentos instantâneos foi incluído na investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo permite ao governo norte-americano adotar medidas contra políticas estrangeiras que considere discriminatórias ou prejudiciais às empresas do país.</p>
<p>O Pix não é o único ponto da investigação. O governo Trump também questiona políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, às tarifas de importação, ao combate à corrupção, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso do etanol americano ao mercado nacional e ao desmatamento ilegal.</p>
<p>No caso dos pagamentos eletrônicos, a acusação é direta. Segundo o USTR, o Brasil favorece o Pix e coloca empresas americanas concorrentes em desvantagem. A medida atinge principalmente companhias que operam no mercado de cartões e em outros serviços digitais de pagamento.</p>
<p>Criado pelo Banco Central e lançado em novembro de 2020, o Pix permite transferências e pagamentos em poucos segundos, a qualquer hora e em todos os dias da semana. O serviço é gratuito para pessoas físicas na maior parte das operações e tem custos relativamente baixos para empresas.</p>
<h2>Concorrência ou vantagem indevida?</h2>
<p>Para o governo norte-americano, a participação do Banco Central na criação e na administração da infraestrutura, somada à obrigação de determinadas instituições financeiras oferecerem o Pix, concede uma vantagem indevida ao sistema brasileiro.</p>
<p>Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, contesta esse raciocínio. Em texto publicado em seu   perfil na plataforma Substack   na segunda-feira, 20, o economista afirmou que o tarifaço procura punir o Brasil pelo sucesso de uma plataforma pública que oferece pagamentos mais rápidos e baratos.</p>
<p>“Por que seria desleal um país oferecer aos próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?”, questionou.</p>
<p>Na avaliação de Krugman, a perda de participação de empresas norte-americanas não comprova a existência de uma prática comercial injusta. Representa o resultado da concorrência com uma tecnologia que conquistou os consumidores por sua eficiência e pelo baixo custo.</p>
<p>“Desde quando é uma prática comercial desleal que empresas percam mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?”, escreveu.</p>
<p>O economista compara a situação à atuação do serviço postal dos Estados Unidos e de plataformas americanas como PayPal e Venmo. Para ele, não faria sentido impedir o funcionamento desses serviços apenas porque competem com outras empresas privadas.</p>
<h2>Cartões perderam espaço, mas continuaram crescendo</h2>
<p>O avanço do Pix alterou a distribuição do mercado brasileiro de pagamentos, até então dominado pelos cartões. No segundo semestre de 2025, o sistema respondeu por 54,7% das transações realizadas no país, enquanto cartões de crédito, débito e pré-pagos, somados, ficaram com 30,4%, segundo dados do Banco Central.</p>
<p>Isso não significa, porém, que o uso dos cartões tenha diminuído. No mesmo período, as operações com cartão de crédito cresceram 9,4% em relação ao ano anterior. Desde a criação do Pix, o número de cartões ativos também aumentou de 324 milhões, em 2020, para 477 milhões, no final de 2025.</p>
<p>Os cartões perderam participação relativa porque o Pix cresceu mais rapidamente, mas continuaram avançando em números absolutos. No segundo semestre de 2025, as três modalidades somaram 23,8 bilhões de transações.</p>
<p>Os dados relativizam a acusação de que o sistema brasileiro teria impedido o crescimento de empresas americanas. Visa e Mastercard estão entre as principais bandeiras que operam no Brasil, ao lado da brasileira Elo.</p>
<h2>Resistência às inovações</h2>
<p>Krugman considera que a reação ao Pix faz parte de uma postura mais ampla do governo Trump contra inovações digitais do sistema financeiro quando elas ameaçam os interesses de grupos privados.</p>
<p>Segundo ele, os Estados Unidos ficaram para trás nessa área devido à resistência política e à pressão de empresas que poderiam perder mercado. O economista menciona especialmente os interesses ligados aos cartões e às criptomoedas.</p>
<p>Para Krugman, esses setores receiam que uma solução pública eficiente reduza o interesse dos consumidores por produtos privados mais caros, arriscados ou difíceis de usar. A preocupação, argumenta, não seria a possibilidade de o sistema fracassar, mas de funcionar bem demais.</p>
<p>Ele compara o sucesso do Pix à tentativa de El Salvador de transformar o Bitcoin em um meio de pagamento amplamente utilizado. Enquanto o sistema brasileiro foi incorporado à rotina da população, a iniciativa salvadorenha não alcançou a mesma adesão.</p>
<h2>Tarifa entrou em vigor com exceções</h2>
<p>A cobrança adicional de 25% passou a atingir nesta quarta-feira diferentes produtos exportados pelo Brasil. Entre os itens alcançados estão etanol e outros biocombustíveis, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, transformadores elétricos, calçados, móveis de madeira, pisos, revestimentos, rochas ornamentais, roupas e tecidos.</p>
<p>A medida contém exceções para mercadorias importantes da pauta brasileira, como café, carne bovina, suco de laranja, aeronaves e peças aeronáuticas.</p>
<p>Krugman havia avaliado que o alcance das tarifas seria limitado pelo receio do próprio governo americano de elevar os preços pagos pela população. Ao mesmo tempo, argumentou que o Brasil poderia ampliar sua presença em outros mercados.</p>
<p>Embora o Pix tenha entrado formalmente na lista de práticas contestadas pelos Estados Unidos, a tarifa não incide sobre o sistema nem impede seu funcionamento. A cobrança recai sobre mercadorias brasileiras. O Pix tornou-se uma das justificativas usadas pelo governo Trump para ampliar uma disputa comercial que ultrapassa o setor financeiro.</p>
<p>Para Krugman, a ofensiva dificilmente levará o Brasil a abandonar um sistema amplamente utilizado pela população. “O governo Trump declarou guerra ao futuro”, escreveu. “E uma coisa que sabemos sobre Trump é que ele nunca admite quando suas guerras escolhidas fracassam.”</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Tarifa de 25% dos EUA deve reduzir competitividade e causar queda de 7,1% nas exportações brasileiras de calçados em 2026</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/tarifa-de-25-dos-eua-deve-reduzir-competitividade-e-causar-queda-de-7-1-nas-exportacoes-brasileiras-de-calcados-em-2026</link>
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      <pubDate>Thu, 16 Jul 2026 19:44:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O setor calçadista está entre os afetados pela nova tarifa sobre produtos importados brasileiros de 25%, imposta pelos Estados Unidos na quarta-feira, 15/07, e que entra em vigor no dia 22 de julho. O calçado brasileiro destinado aos Estados Unidos é o principal destino do setor no exterior. Com a aplicação da tarifa, as exportações totais de calçados devem ter uma queda média de 7,1% ao fim de 2026. A projeção é da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).  </p>
<p>A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados emitiu nota para manifestar a preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25%. A decisão foi tomada no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da lei de Comércio dos EUA. </p>
<p>O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirma que a aplicação da tarifa representa um retrocesso para uma relação comercial construída ao longo de décadas. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, afirma. </p>
<h2>Segunda rodada de tarifa </h2>
<p>Os calçados brasileiros já tinham sofrido aplicação de tarifa adicional de 40% dos Estados Unidos no ano passado, que caiu em fevereiro deste ano. Na época, a projeção da Abicalçados indicava retração média de 3,6% nas exportações totais de calçados ao fim de 2026. A expectativa era de estabilidade no segundo semestre deste ano, compensando parcialmente a queda registrada na primeira parte do ano. </p>
<p>Com o anúncio da nova tarifa, a Abicalçados revisou sua projeção para o ano. Agora, a associação estima queda média de 7,1% ao fim de 2026, para as exportações totais de calçados, o que representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior. </p>
<h2>Empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil</h2>
<p>Empresas americanas do setor calçadista chegaram a manifestar contrariedade à aplicação da tarifa sobre calçados brasileiros nas reuniões técnicas que aconteceram antes da decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), de acordo com a Abicalçados. </p>
<p>Entre elas, a Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC, Bernardo Footwear e Dillard’s Inc. </p>
<p>De acordo com a Abicalçados, o mercado norte-americano é dependente de importação de calçados. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, volume equivalente a aproximadamente 1% de seu consumo interno. O principal exportador para o mercado americano é a região da Ásia. </p>
<p>Para Haroldo Ferreira, “o diferencial tarifário que se amplia entre o calçado exportado pelo Brasil e demais países exportadores reforçará a concentração das compras norte-americanas em origens já dominantes, especialmente asiáticas, em sentido contrário aos interesses dos Estados Unidos de diversificação, resiliência e segurança das cadeias de suprimentos”.  </p>
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