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    <title>Global South World Brasil - soja</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>A fronteira agrícola e as eleições de outubro</title>
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      <pubDate>Sun, 19 Jul 2026 14:24:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) lançou o relatório "Como a fronteira agrícola vê as relações internacionais", uma pesquisa de opinião pública com mil adultos, em 70 municípios do Centro-Oeste e Norte do Brasil, área conhecida como a fronteira agrícola do país. É também considerada uma das regiões eleitorais mais expostas internacionalmente entre as grandes democracias da América Latina. </p>
<p>O levantamento diz que, até o momento, não existiam dados sistemáticos sobre como os moradores das duas regiões brasileiras enxergam as potências estrangeiras, as regras comerciais e os regimes regulatórios que estruturam suas vidas economicamente.  </p>
<p>Devido à sua exposição econômica internacional e peso na economia brasileira, a fronteira agrícola do Brasil responde por aproximadamente 15% do eleitorado nacional, e emerge como um núcleo decisivo nas eleições presidenciais de outubro de 2026, destaca o relatório da FGV, que tem como autores Matias Spektor, Guilherme N. Fasolin e Enrico Recco. </p>
<p>Os dados mostram que o Centro-Oeste e o Norte juntos respondem por aproximadamente 16% do PIB brasileiro e geram cerca de 25% do total das exportações — equivalente a US$ 86,6 bilhões em 2025. O Centro-Oeste sozinho produz 48% da produção brasileira de grãos e oleaginosas e, em conjunto com o Norte, detém 58% do rebanho bovino nacional.  </p>
<p>Essa concentração da produção em um conjunto restrito de  commodities  comercializadas globalmente — principalmente soja e carne bovina — torna a fronteira extremamente sensível às variações na demanda internacional, na política comercial e nos padrões regulatórios. </p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as6GEm3KIpy5RO8br.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Por que a fronteira agrícola importa é uma imagem tirada do estudo da FGV"/>
<p>Em razão da região ser profundamente integrada aos mercados globais, o relatório examinou três atores externos: a China como compradora dominante da produção de  commodities  da região, os Estados Unidos como provedores da tecnologia, logística e infraestrutura corporativa que levam essa produção ao mercado, e a União Europeia como autoridade regulatória cujos padrões ambientais condicionam cada vez mais o acesso a mercados consumidores de alto valor.  </p>
<p>O relatório, que foi financiado em parte pelo Departamento de Estado dos EUA, examina como os moradores da fronteira agrícola enxergam cada um desses atores. </p>
<p>Na avaliação dos entrevistados, a dependência econômica da China não compra confiança política. O país asiático absorveu 80% das exportações de soja e 86% das exportações de carne bovina da fronteira em 2022, mas os moradores confiam substancialmente mais nos Estados Unidos.  </p>
<p>A parcela de entrevistados que descrevem os EUA como “muito confiáveis” supera a da China em mais de 9 pontos percentuais, e a confiança na China caiu quase 20 pontos desde 2017 — mesmo com o crescimento dos volumes comerciais.  </p>
<p>Os Estados Unidos são vistos como uma presença tanto econômica quanto política; a China é percebida principalmente como um ator econômico cuja influência política permanece indefinida e aberta a reinterpretações. Enquanto isso, empresas norte-americanas foram responsáveis por 47,9% das exportações de soja da fronteira para a China. </p>
<p>Com relação à regulação ambiental da União Europeia, o relatório diz que quase três quartos dos entrevistados concordam que cumprir os requisitos ambientais relacionados ao comércio com a UE fortaleceria a reputação internacional do Brasil. </p>
<p>No entanto, dois terços também concordam que a conformidade reduziria a competitividade dos produtos brasileiros, e 61,5% acreditam que as regulações servem principalmente aos interesses econômicos europeus.  </p>
<p>Essas avaliações coexistem: os entrevistados tratam a conformidade como benéfica para o posicionamento do Brasil e, simultaneamente, onerosa para os produtores, sem considerar que uma cancela a outra. O resultado é uma conformidade pragmática, não um alinhamento normativo. </p>
<p>O levantamento mostra ainda que 44% dos entrevistados se identificam politicamente como de direita. Para 56% das pessoas, o governo interfere demais na vida cotidiana. Além disso, 64% acreditam que a regulação dos negócios pelo governo faz mais mal do que bem, e dois terços são favoráveis à flexibilização das regulações ambientais domésticas.  </p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="photographer">Fernando Frazão/Agência Brasil</media:credit>
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        <media:title>cultivo-de-soja-balsas-maranhao</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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