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    <title>Global South World Brasil - smart glasses</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Óculos com câmera enfrentam reação crescente por riscos à privacidade</title>
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      <pubDate>Sun, 27 Sep 2026 18:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Cinco anos depois de colocar câmeras em uma armação Ray-Ban, Mark Zuckerberg, o dono da Meta, subiu ao palco de seu principal evento do ano para apresentar ao mundo um modelo de óculos inteligente que tira esse componente do dispositivo – funcionalidade que tem colocado a big tech contra a parede.</p>
<p>Anunciado no Meta Connect, na quarta-feira, 23, o Ray-Ban Meta Audio tem outro atributo como principal elemento: sua capacidade de ouvir e acionar a IA pelo recurso de áudio. Esse é o primeiro smart glass da parceria entre as duas marcas que não fotografa nem filma.</p>
<p>“Sem câmeras, isso abre muitas novas possibilidades de design”, disse Zuckerberg ao apresentar a novidade. Segundo ele, a retirada desse componente permitiu criar armações mais leves e finas e aumentar a duração da bateria.</p>
<p>Privacidade, porém, não apareceu entre as razões mencionadas pelo executivo para a mudança.</p>
<p>O novo dispositivo surge em um momento crítico para o mercado de smart glasses com câmeras. Investigações, propostas de regulamentação e proibições vêm se intensificando em diferentes países. O ponto comum é a capacidade de fotografar ou filmar a partir de uma armação que pouco se diferencia, à primeira vista, de óculos convencionais.</p>
<p>A Meta não relacionou o desenvolvimento do modelo sem câmera a essa reação e afirma que o produto vinha sendo preparado havia anos. Na prática, porém, passa a oferecer uma alternativa que preserva inteligência artificial, música, chamadas e comandos por voz sem incorporar o recurso que está no centro da controvérsia.</p>
<p>E há muito dinheiro em jogo. “Há quase 2 bilhões de pessoas no mundo que usam óculos hoje”, declarou Zuckerberg no Connect. A big tech acredita que, nos próximos anos, a maioria desses óculos será substituída ou atualizada por produtos equipados com inteligência artificial.</p>
<p>A companhia já parte de uma posição dominante. A Meta respondeu por cerca de 84% da distribuição mundial de smart glasses no primeiro semestre de 2026, segundo a Counterpoint Research, empresa internacional especializada em pesquisas sobre o mercado de tecnologia e dispositivos eletrônicos. O mercado global cresceu 212% em relação ao mesmo período de 2025.</p>
<p>Os primeiros óculos da parceria entre Meta e EssilorLuxottica, controladora da Ray-Ban, chegaram ao mercado em setembro de 2021. Chamados Ray-Ban Stories, já tinham duas câmeras de 5 megapixels, além de microfones e alto-falantes. Custavam a partir de US$ 299.</p>
<p>Desde então, a tecnologia ganhou inteligência artificial e conquistou milhões de consumidores. Mais de 7 milhões de óculos com IA da parceria foram vendidos em 2025. A Meta apresenta o Ray-Ban Meta como o óculos com inteligência artificial mais vendido do mundo.</p>
<p>É justamente a câmera, porém, que começa a impor um desafio à ambição de transformar esses dispositivos em um objeto tão cotidiano quanto os óculos convencionais.</p>
<h2>França investiga suspeita de assédio sexual</h2>
<p>Na França, o debate deixou o campo das preocupações teóricas. Em 18 de setembro, veio a público que o Ministério Público de Paris abriu uma investigação criminal sobre suspeita de assédio sexual envolvendo smart glasses.</p>
<p>A apuração ocorre depois que mulheres foram filmadas nas ruas sem consentimento e os vídeos publicados na internet. A promotoria não revelou a marca dos aparelhos envolvidos. A unidade responsável por crimes cibernéticos também testou smart glasses para entender que tipos de infração podem ser cometidos com a tecnologia.</p>
<p>A Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL), autoridade francesa de proteção de dados, também recebeu denúncias relacionadas ao uso dos dispositivos no ambiente de trabalho. Empresas passaram a procurar o órgão para saber se podem impedir funcionários de utilizá-los.</p>
<p>A dificuldade está em algo aparentemente simples: saber quando alguém está gravando.</p>
<p>Os Ray-Ban Meta equipados com câmera possuem uma pequena luz de LED que se acende quando fotos ou vídeos estão sendo registrados. A Meta afirma que o indicador foi desenvolvido para alertar quem está ao redor e que não pode ser desativado.</p>
<p>Para a CNIL, entretanto, os smart glasses criam desafios para informar adequadamente as pessoas de que estão sendo filmadas e, quando necessário, obter seu consentimento.</p>
<p>Com um celular, o gesto de levantar o aparelho e apontar a câmera costuma tornar perceptível que uma fotografia ou um vídeo pode estar sendo feito. Com os óculos, basta olhar.</p>
<p>Na Alemanha, a discussão também chegou às autoridades. Em agosto, uma organização de defesa de direitos apresentou uma queixa criminal contra a Meta, a EssilorLuxottica e empresas envolvidas na comercialização dos aparelhos, argumentando que a tecnologia pode permitir gravações clandestinas e violar regras de privacidade. Autoridades iniciaram uma análise preliminar do caso.</p>
<h2>Austrália leva restrições a piscinas, escolas e prédios públicos</h2>
<p>Na Austrália, as restrições começaram a alcançar situações bastante concretas do cotidiano.  Em agosto, Brisbane proibiu gravações sem consentimento feitas com dispositivos equipados com câmera em suas 21 piscinas públicas. A regra alcança smart glasses, celulares e câmeras de ação.</p>
<p>Outros governos locais adotaram medidas semelhantes. Em Sydney, as regras atingem instalações municipais, como piscinas, enquanto diferentes conselhos passaram a restringir os aparelhos em espaços como vestiários, creches, academias e parques infantis.</p>
<p>Na terça-feira, 22, o governo da Austrália Ocidental anunciou uma medida mais ampla: smart glasses serão proibidos em todas as escolas públicas do estado a partir do quarto período letivo deste ano. A regra alcança alunos, funcionários, pais, responsáveis e prestadores de serviço e vale também para excursões e atividades esportivas.</p>
<p>O debate chegou ainda ao governo federal. Em 17 de setembro, a ministra da Função Pública, Katy Gallagher, pediu que o serviço público avaliasse regras para os smart glasses nos locais de trabalho administrados pela Commonwealth, inclusive a possibilidade de proibi-los por questões de privacidade e segurança.</p>
<p>Isso não significa uma proibição nacional nem impedir a venda ou a importação dos aparelhos. O que está sendo discutido no nível federal é seu uso em determinados ambientes governamentais.</p>
<h2>Noruega discute regras mais duras</h2>
<p>Na Noruega, o governo decidiu antecipar a discussão sobre os limites da tecnologia. Em 25 de agosto, a ministra da Digitalização e Administração Pública, Karianne Tung, defendeu uma regulamentação mais rígida para smart glasses e anunciou a criação de um grupo de especialistas para analisar como o país deve lidar com esses dispositivos.</p>
<p>Entre as questões colocadas pelo governo está a possibilidade de impedir funções de reconhecimento facial de outras pessoas em espaços públicos. A ministra também pediu que instituições públicas e empresas privadas avaliem regras para o uso dos aparelhos em seus próprios ambientes.</p>
<p>A preocupação norueguesa vai além de um caso específico de abuso: envolve o que pode acontecer quando câmeras, microfones e sistemas de inteligência artificial passam a acompanhar continuamente o ponto de vista do usuário.</p>
<h2>Reino Unido e Estados Unidos fecham algumas portas</h2>
<p>No Reino Unido, não existe uma proibição nacional dos smart glasses, mas as restrições começaram a se espalhar por ambientes nos quais gravações representam um problema especial.</p>
<p>Tribunais da Inglaterra e do País de Gales proibiram os aparelhos, enquanto teatros, cinemas, restaurantes, pubs e clubes privados passaram a estabelecer regras próprias.</p>
<p>Nos Estados Unidos, a Justiça do Estado de Nova York anunciou em 14 de julho a proibição dos smart glasses em suas instalações. A medida, em vigor desde 20 de julho, alcança óculos com câmera, microfone, computador ou outra tecnologia capaz de fazer gravações de áudio ou vídeo.</p>
<p>São medidas de alcance diferente, adotadas por instituições distintas. Mas todas partem de uma dificuldade criada pelo mesmo desenho do produto: uma câmera instalada em um objeto que normalmente não desperta a reação provocada por alguém apontando um celular.</p>
<h2>Meta aposta com e sem câmera</h2>
<p>No Connect, ficou claro que a Meta não está abandonando as câmeras. Ao mesmo tempo em que Zuckerberg apresentou o Ray-Ban Meta Audio sem esse recurso, a companhia lançou a terceira geração do Ray-Ban Meta. O novo modelo possui câmera de 12 megapixels, grava vídeos em 3K e mantém o LED destinado a indicar quando fotos ou vídeos estão sendo registrados.</p>
<p>O preço também separa as duas propostas. O Ray-Ban Meta Audio, que chega ao mercado em 13 de outubro, parte de US$ 349. O Ray-Ban Meta Gen 3 custa a partir de US$ 449.</p>
<p>A estratégia coloca lado a lado dois caminhos. Um deles preserva a capacidade dos óculos de enxergar, registrar e, com ajuda da IA, interpretar o ambiente. O outro mantém inteligência artificial e áudio, mas abre mão da visão. Zuckerberg, ao apresentar o RayBan Meta Audio, focou nas possibilidades de design abertas pela retirada da câmera.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as0p5fmCxyHN4OCA1.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Zuckerberg apresentou o Ray-Ban Meta Audio, que não tem câmera."/>
<h2>Pressão em outras frentes</h2>
<p>A discussão sobre os smart glasses ocorre quando a Meta enfrenta questões regulatórias em outros campos que vão custar um bom dinheiro para a companhia. Em agosto, um tribunal do Novo México, nos Estados Unidos, determinou que a empresa pagasse US$ 567 milhões para um fundo destinado à saúde mental de adolescentes e promovesse mudanças em suas plataformas para proteger usuários jovens.</p>
<p>Em março, um júri já havia determinado o pagamento de US$ 375 milhões no mesmo processo, relacionado a acusações sobre a segurança de crianças e adolescentes no Facebook e no Instagram. A Meta contesta as decisões e anunciou recurso.</p>
<h2>O que mais a Meta apresentou no Connect</h2>
<p>O Meta Connect demonstrou que os óculos ocupam uma posição central nessa estratégia. Além do Ray-Ban Meta Audio e da terceira geração do Ray-Ban Meta, a companhia apresentou o Meta VR Glasses, aparelho de realidade virtual de aproximadamente 100 gramas, com formato muito mais próximo ao de óculos do que dos tradicionais headsets. O lançamento comercial está previsto para 2027.</p>
<p>A big tech também anunciou a integração do Muse, seu agente pessoal de inteligência artificial, aos óculos e ampliou a variedade de armações, lentes e modelos. Até o fim deste ano, pretende oferecer mais de 100 opções entre Ray-Ban, Oakley e Meta Glasses.</p>
<p>A expansão geográfica também continua. A companhia anunciou novos mercados e informou que os Meta Glasses chegarão em breve ao Brasil.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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