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    <title>Global South World Brasil - plano de governo</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Os candidatos no JN: polêmicas (muitas), gafes e planos para o Brasil</title>
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      <pubDate>Sun, 30 Aug 2026 18:49:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Na série de sabatinas do Jornal Nacional (JN) com os seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas de intenção, prevaleceram as polêmicas enquanto os planos de governo tiveram menos espaço. Conduzidas pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, as entrevistas tiveram 40 minutos de duração cada, divididos em dois blocos e um minuto final para considerações de cada candidato.</p>
<p>Por sorteio, a ordem das entrevistas foi a seguinte: Romeu Zema (na segunda-feira, 24), Ronaldo Caiado (terça, 25), Renan Santos (quarta, 26), Luiz Inácio Lula da Silva (quinta, 27), Flávio Bolsonaro (sexta, 28) e Augusto Cury (sábado, 29).</p>
<p>O que ficou mais evidente da série de entrevistas foram os temas controversos. Pouco se avançou em relação ao detalhamento de propostas de governo (que receberam menor atenção da imprensa, em comparação às polêmicas). A exceção foi Cury, psiquiatra e escritor sem qualquer passagem por cargos eletivos ou de gestão pública, que usou a maior parte de sua entrevista para apresentar suas propostas.</p>
<p>No caso de Lula e Flávio, os dois principais candidatos, segundo as pesquisas de intenção de voto, boa parte das entrevistas foi direcionada a questões envolvendo suas decisões políticas, suas relações e atitudes diante de denúncias e investigações.</p>
<h2>Romeu Zema (Novo)</h2>
<p>O ex-governador de Minas Gerais teve entre os assuntos de maior repercussão a defesa da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. Ele tentou relativizar a gravidade de alguns atos, mas os jornalistas enumeraram os crimes cometidos.</p>
<p>Também chamou atenção sua posição contrária à obrigatoriedade da vacinação. Diante da queda nos índices de imunização infantil e do atual surto de sarampo registrado em São Paulo, Zema afirmou ser favorável às campanhas de vacinação e à ciência, disse ter tomado as doses contra a Covid-19, mas se posicionou contra a obrigatoriedade das vacinas — inclusive contra a responsabilização das famílias que optam por não vacinar os filhos. Renata rebateu, destacando que a eficácia da imunização coletiva cai se a cobertura vacinal não for ampla.</p>
<p>Questionado sobre o crescimento dos feminicídios em Minas Gerais e o que faria para enfrentar a violência de gênero, Zema se confundiu com as palavras e gerou o primeiro meme da semana. “Eu tenho uma série de programas contra as mulheres que inclusive levei adiante.” A campanha reconheceu a gafe.</p>
<p>Zema fez a defesa de um amplo programa de privatizações, incluindo Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.</p>
<h2>Ronaldo Caiado  (PSD)</h2>
<p>Uma promessa que o ex-governador de Goiás já vinha fazendo antes do início da campanha eleitoral foi tema de uma das perguntas. Caso eleito, ele sustentou que enviará ao Congresso uma proposta de “anistia geral, ampla e irrestrita” aos condenados pela tentativa de golpe de Estado e aos envolvidos no 8 de Janeiro. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>Ele comparou a medida à anulação das condenações de Lula na Operação Lava Jato e a episódios históricos como a anistia proposta por Juscelino Kubitschek. “Precisamos acabar com a polarização e pacificar o país”, justificou.</p>
<p>A entrevista foi recheada de evasivas de Caiado. E também enganos. Ao tentar explicar como faria o ajuste fiscal, o candidato se confundiu. Disse que “as despesas do governo federal serão limitadas [...] a atingir o máximo de 50% do PIB”. Isso significaria permitir que o governo gastasse até metade de tudo o que o país produz — muito mais do que gasta hoje.</p>
<p>Questionado por que ainda não tinha respostas mais concretas para as perguntas feitas, afirmou não ter condições de “detalhar minúcias”.</p>
<p>Ao evitar se comprometer com medidas fiscais impopulares, Caiado acabou fazendo uma declaração que gerou repercussão negativa. Ao rejeitar mudanças no salário mínimo e nas aposentadorias de quem recebe o piso, usou uma expressão controversa: “O pobre coitado que está ganhando salário mínimo, o pobre coitado que está vivendo de aposentadoria, deixa eles em paz”. Depois disse que cortaria salários considerados abusivos no setor público.</p>
<h2>Renan Santos (Missão)</h2>
<p>Terceiro entrevistado da série, ele produziu uma das declarações mais repercutidas da semana: a defesa de que o Brasil desenvolva armas nucleares. Na visão de Renan, essa é uma forma de o país “defender sua própria soberania”. Disse ainda que, para se tornar uma das cinco maiores potências mundiais, o Brasil terá de discutir a possibilidade de possuir bombas atômicas.</p>
<p>A Constituição determina que a atividade nuclear no país seja exercida apenas para fins pacíficos. Além disso, o Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Renan reconheceu, porém, que o país não tem condições de produzir uma arma nuclear no curto prazo, falando em um horizonte de médio a longo prazo.</p>
<p>Outro momento de forte repercussão ocorreu quando Renan defendeu para o Brasil medidas inspiradas na política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Questionado sobre denúncias de violações de direitos humanos no país, disse desconhecê-las. Ao falar sobre o enfrentamento às facções, foi explícito: “A polícia tem de atirar para matar”. E acrescentou: “Eu acho que o sangue que tem de jorrar não é o do inocente, é o do bandido”.</p>
<p>Também afirmou que poderia deixar de cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal que considerasse ilegais.</p>
<h2>Lula (PT)</h2>
<p>Boa parte da sabatina foi dominada pelas investigações da Polícia Federal envolvendo pessoas de seu entorno, principalmente seu filho Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), suspeito de tráfico de influência, e seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, apontado por receber recursos e joias da lobista Roberta Luchsinger, que tinha interesse em contratos do governo.</p>
<p>O presidente afirmou acreditar na inocência do filho, mas defendeu que as investigações prossigam e disse que não interferirá na Polícia Federal. “Meu filho sabe que ele não podia cometer nenhum erro. Se ele cometeu, vai pagar por isso”, disse.</p>
<p>Também se disse decepcionado com a situação envolvendo Marcola, a quem tratava como pessoa de confiança. Sobre ele ter recebido dinheiro de Roberta, Lula considerou a conduta “totalmente errada” e afirmou que ele deve ser investigado.</p>
<p>Foi justamente ao falar de Roberta que Lula produziu o episódio de maior repercussão de sua entrevista. “Não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, ela nunca esteve próxima de mim”, declarou. Depois da entrevista, foram recuperadas fotos em que os dois aparecem juntos em eventos. Aliados argumentaram posteriormente que as imagens foram feitas antes de Lula ter assumido como presidente. E afirmaram que ele tira fotos com inúmeras pessoas, o que não demonstraria conhecimento pessoal.</p>
<p>O escândalo dos descontos ilegais de aposentados do INSS também ocupou a entrevista. Lula afirmou que o esquema havia sido montado em 2019 e que foi seu próprio governo que chegou aos responsáveis por meio de investigações da PF e da Controladoria-Geral da União. Segundo ele, a investigação levou cerca de dois anos até a operação desarticular o esquema. "Fizemos questão de colocar na cadeia as pessoas, questão de pagar, de ressarcir os cofres públicos com os bens que apreendemos."</p>
<p>Entre os poucos momentos dedicados a propostas, Lula tratou do que chamou de "revolução tecnológica", citando investimentos em inteligência artificial, defesa e, especialmente, minerais críticos e terras raras — reservas nas quais o Brasil ocupa posição de destaque mundial —, com o objetivo declarado de o país "disputar com o mundo rico" em vez de apenas exportar matéria-prima sem processamento.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro (PL)</h2>
<p>Quinto sabatinado, o senador repetiu um gesto de seu pai, Jair Bolsonaro, em duas entrevistas ao JN durante campanhas à presidência, em 2018 e 2022. Flávio apareceu com anotações na palma da mão esquerda, onde se liam as palavras "Mudança", "Futuro" e "7/set", numa referência ao ato que convocou para o Dia da Independência, na avenida Paulista. A cola virou meme.</p>
<p>O candidato do PL   passou parte significativa da entrevista respondendo sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia do pai para a qual pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master (atualmente preso). Foram solicitados R$ 134 milhões como patrocínio e R$ 61 milhões foram os valores repassados. Flávio foi confrontado sobre a falta de uma prestação pública de contas dos recursos destinados ao projeto, mas foi evasivo.</p>
<p>O senador afirmou que as informações importantes já haviam sido apresentadas às autoridades e que não cabia a ele divulgar o contrato.</p>
<p>Outro assunto foi o tarifaço do governo de Donald Trump contra produtos brasileiros e a atuação de seu irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio reconheceu que Eduardo errou ao comemorar a medida. “Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas”, disse. Ao mesmo tempo, rejeitou responsabilizá-lo pela decisão: “O Trump faz o que está na cabeça dele.”</p>
<p>Na entrevista, ele fez um anúncio sobre seu eventual governo. Flávio disse que o médico Claudio Lottenberg, presidente do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein e da Confederação Israelita do Brasil, aceitou seu convite para comandar o Ministério da Saúde. Lottenberg foi crítico da condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.</p>
<h2>Augusto Cury (Avante)</h2>
<p>O escritor e psiquiatra fechou a série como o candidato que mais usou a sabatina para enumerar propostas. Ele apresentou um pacote de ideias baseadas em tecnologia para enfrentar problemas do país.</p>
<p>Cury propôs reduzir o número de ministérios, mas criar uma estrutura com autonomia dedicada à inteligência artificial e à robótica. Defendeu ainda o uso de IA para digitalizar a administração pública e substituir parte dos cargos comissionados.</p>
<p>Na saúde, propôs ampliar a telemedicina para até 80% dos atendimentos básicos do SUS. Os jornalistas chamaram atenção para o fato de uma parte importante do público que recorre ao sistema público de saúde não contar com internet de qualidade.</p>
<p>Para o combate ao feminicídio, sugeriu a criação de um aplicativo com botão de emergência acionável pela mulher. Falou também do uso de drones equipados com sirene para intimidar agressores até a chegada da polícia. Renata reforçou que muitos feminicídios acontecem dentro da casa da vítima e questionou como os drones seriam distribuídos pelo país. Em meio à entrevista, o candidato pediu para a jornalista esquecer os drones e defendeu o botão de emergência.</p>
<p>Cury também falou sobre sua proposta de elevar para mais de 50% a tributação das bets e defendeu a contratação de influenciadores digitais para as embaixadas, numa tentativa de vender melhor o Brasil lá fora.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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