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    <title>Global South World Brasil - periferia</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Projeto que transforma histórias de alunos das periferias em literatura ganha Prêmio Jabuti</title>
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      <pubDate>Thu, 29 Oct 2026 10:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As histórias de vida de estudantes das periferias de São Paulo, transformadas em mapas e textos literários, levaram um projeto educacional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a obter reconhecimento no  prestigiado Prêmio Jabuti. O Cartovivências nas Periferias da Cidade venceu na categoria Incentivo à Leitura – Projeto, do eixo Inovação , na 68ª edição da premiação, realizada na noite desta terça-feira (27).</p>
<p>Coordenada pelo geógrafo e professor Ricardo Barbosa da Silva, do Instituto das Cidades da Unifesp, no campus Zona Leste, a iniciativa combina geografia, literatura e educação para estimular a leitura, a escrita e a reflexão crítica sobre os lugares onde vivem os estudantes.  A proposta também valoriza experiências de moradores de regiões periféricas que nem sempre encontram espaço nas narrativas tradicionais sobre a cidade.</p>
<p>O nome Cartovivências reúne as ideias de cartografia e vivências. O projeto parte de uma proposta simples: os mapas podem representar não apenas ruas, bairros e distâncias, mas também as histórias, memórias e experiências das pessoas que habitam esses territórios.</p>
<p>Para isso,  utiliza a cartografia social, uma forma de produzir mapas com a participação dos próprios moradores. Em vez de apenas reproduzir informações geográficas convencionais, os participantes identificam lugares importantes em suas vidas, trajetos cotidianos, dificuldades de deslocamento e desigualdades que percebem no espaço urbano.</p>
<p>Essa abordagem é combinada à  escrevivência, conceito desenvolvido pela escritora Conceição Evaristo, que relaciona a produção literária às experiências vividas, especialmente pela população negra.  A partir dessa combinação, os estudantes são incentivados a contar suas histórias e transformá-las em textos literários.</p>
<p>A metodologia permite trabalhar, dentro de uma mesma atividade educativa, questões como racismo, segregação urbana, mobilidade, desigualdades sociais e pertencimento. Também procura mostrar que produzir mapas e escrever literatura não são atividades restritas a especialistas ou escritores profissionais.</p>
<h2>Como surgiu o projeto premiado</h2>
<p>O Cartovivências nasceu de atividades do curso de Geografia da Unifesp, articulando a formação universitária ao trabalho com comunidades das periferias. A iniciativa teve experiências anteriores em Cidade Tiradentes, em 2022, com crianças e adolescentes de um coletivo de skate e cidadania, e em Ermelino Matarazzo, em 2023, com crianças e jovens atendidos por um espaço de atividades educacionais e culturais.</p>
<p>Em abril de 2025, o projeto ganhou uma nova etapa, envolvendo cerca de 80 estudantes de três unidades do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja), da prefeitura de São Paulo: Ermelino Matarazzo, na Zona Leste; Lélia Gonzalez, em Parelheiros, na Zona Sul; e Perus, na Zona Noroeste.</p>
<p>As oficinas foram divididas em três momentos. No primeiro, chamado de história de vida, os estudantes participaram de rodas de conversa para compartilhar lembranças, experiências e relatos sobre os bairros onde moram, os lugares que frequentam e as dificuldades que encontram para acessar outras regiões da cidade.</p>
<p>Na segunda etapa, denominada vidas no mapa, essas experiências foram representadas por meio da cartografia social. Os participantes passaram a localizar espacialmente suas histórias, relacionando os acontecimentos de suas vidas aos territórios em que ocorreram.</p>
<p>Por fim, na oficina vidas escritas, foram convidados a transformar as narrativas em textos literários. O processo incluiu atividades de reescrita, acompanhadas pelos professores das unidades do Cieja.</p>
<h2>Metodologia inspirada em Paulo Freire</h2>
<p>A metodologia também se inspira na concepção de educação de  Paulo Freire, que defendia a construção do conhecimento por meio do diálogo e da troca de experiências, em lugar de uma relação em que apenas o professor transmite informações aos alunos.</p>
<p>Na proposta acadêmica elaborada por Ricardo Barbosa da Silva, a articulação entre universidade e escola pública também permite reconhecer as periferias como espaços de produção de conhecimento. O trabalho busca estimular a cidadania territorial, conceito relacionado à compreensão dos direitos, das desigualdades e das possibilidades de participação dos moradores na vida da cidade.</p>
<p>O resultado das oficinas foi o  livro “Nas bordas: histórias de vida no mapa da escrita”, que reúne 61 minicontos produzidos pelos participantes. A obra foi publicada de forma independente, em novembro de 2025,  pelo selo Perrengue, do grupo de pesquisa Rede Mobilidade Periferias, vinculado à Unifesp.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asaF9rFWjTvWfhzKX.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Coordenado pelo geógrafo e professor Ricardo Barbosa da Silva, da Unifesp, o projeto combina geografia, literatura, escrita e reflexão crítica de estudantes da rede pública e gerou o livro 'Nas bordas'."/>
<p>Além do livro, a proposta acadêmica previa a  elaboração de um material didático digital para apresentar a metodologia e permitir que a experiência fosse reproduzida por outros educadores e instituições.</p>
<p>Em seu perfil no Instagram, Ricardo dedicou a conquista “às mulheres negras e nordestinas, aos jovens das quebradas, aos imigrantes e refugiados que transformam suas vivências em histórias e saberes cotidianos sobre as cidades”.</p>
<h2>No Jabuti, Ruy Castro conquista o Livro do Ano</h2>
<p>O principal reconhecimento da 68ª edição do Jabuti foi concedido ao escritor e jornalista  Ruy Castro, vencedor do Livro do Ano com “Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio”,  publicado pela Companhia das Letras.</p>
<p>Na obra, o autor reconstitui o Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, mostrando como os acontecimentos na Europa repercutiram na vida da cidade. O livro acompanha as disputas políticas durante a ditadura de Getúlio Vargas e a mobilização pela entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>A publicação também venceu na categoria Biografia e Reportagem. Pelo prêmio de Livro do Ano, Ruy Castro recebeu R$ 70 mil, além da estatueta e de uma viagem para participar de uma feira internacional do livro em 2027.</p>
<p>A cerimônia também homenageou a escritora Lygia Bojunga, escolhida como Personalidade Literária de 2026, no ano em que seu livro “A bolsa amarela” completa 50 anos.</p>
<p>Esta edição teve a  estreia da categoria Incentivo à Leitura – Cultura Digital, vencida por Pedro Pacífico, criador do Bookster,  canal dedicado à divulgação de livros e à formação de comunidades de leitores nas redes sociais.</p>
<p>Criado em 1958 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti reconhece obras literárias, trabalhos editoriais e iniciativas de incentivo à leitura. Nesta edição, foram registradas 4.675 inscrições nas outras 22 categorias, distribuídas pelos eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Os vencedores de cada categoria receberam uma estatueta e R$ 5 mil.</p>
<p>Livro do Ano</p>
<p>Literatura</p>
<p>Não Ficção</p>
<p>Produção Editorial</p>
<p>Inovação</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram - Prêmio Jabuti</media:credit>
        <media:title>premio jabuti</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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