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    <title>Global South World Brasil - obesidade</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Pesquisa identifica pressão alta em 28% de crianças e adolescentes</title>
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      <pubDate>Tue, 03 Nov 2026 15:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) identificou pressão arterial compatível com hipertensão em 28,3% de 6.092 crianças e adolescentes avaliados em 38 escolas brasileiras. Entre os estudantes, 11,6% apresentaram níveis de pressão acima do recomendado para a idade, mas abaixo dos critérios de hipertensão. Ao todo, quase 40% dos participantes registraram alterações.</p>
<p>Realizada com apoio da Sociedade Europeia de Cardiologia, o estudo reuniu dados de estudantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre junho e outubro de 2026. Como não abrange todas as regiões do país, seus resultados não representam necessariamente a situação de todas as crianças e adolescentes brasileiros.</p>
<p>A pressão alta foi particularmente frequente entre os meninos de 15 a 18 anos, grupo em que atingiu 40,7%. O levantamento também identificou excesso de peso em 33,1% dos participantes, sendo 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade.</p>
<p>A associação entre obesidade e hipertensão foi um dos principais achados. Entre os estudantes com obesidade, 48,4% apresentaram pressão alta, percentual que chegou a 60,5% entre os adolescentes obesos de 15 a 18 anos. Entre aqueles com circunferência abdominal acima dos padrões esperados para idade e sexo, o índice foi de 46,3%.</p>
<p>Os hábitos dos estudantes também chamaram a atenção dos pesquisadores. Cerca de 59% passavam três horas ou mais por dia diante de telas, principalmente celulares e televisores, enquanto 66% praticavam apenas uma a duas horas semanais de atividade física na escola. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças e adolescentes de cinco a 17 anos realizem, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana.</p>
<p>O levantamento também identificou níveis intensos ou exagerados de estresse em 12,7% dos estudantes no ambiente doméstico e em 12,5% no escolar. Alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e estresse estão entre os fatores associados ao desenvolvimento de problemas cardiovasculares desde a infância.</p>
<p>A hipertensão em crianças e adolescentes pode passar despercebida porque frequentemente não apresenta sintomas. O diagnóstico considera idade, sexo e altura, além dos valores da pressão arterial. Como o estudo realizou duas medições em uma única visita a cada escola, os resultados indicam alterações que precisam ser confirmadas por avaliações médicas posteriores.</p>
<p>Identificar a pressão alta precocemente é importante para prevenir danos ao coração, aos rins e aos vasos sanguíneos, além de reduzir o risco de doenças cardiovasculares na vida adulta.</p>
<p>O projeto Brasil Coração Saudável pretende ampliar a pesquisa para outras regiões brasileiras e alcançar aproximadamente 12,4 mil estudantes, além de desenvolver ações de prevenção nas escolas.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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        <media:title>hipertensao</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estimulação cerebral pode ajudar a tratar obesidade, aponta estudo da USP</title>
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      <pubDate>Sat, 17 Oct 2026 13:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou resultados positivos no uso de estimulação cerebral para reduzir o desejo intenso por comida em mulheres com obesidade. </p>
<p>O experimento combinou correntes elétricas de baixa intensidade com atividades de educação nutricional. Os pesquisadores observaram redução do desejo por comida após a intervenção, com efeitos identificados durante o acompanhamento de seis meses.  </p>
<p>Os resultados abrem uma possibilidade de investigação para o desenvolvimento de terapias complementares contra a obesidade.</p>
<p>O estudo foi conduzido na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e publicado em setembro na revista científica "Physiology & Behavior". </p>
<p>Trata-se de um experimento inicial, com um número pequeno de participantes, que ainda não permite afirmar que a técnica seja eficaz como tratamento.</p>
<p>A pesquisa parte de uma questão importante: a obesidade é uma doença crônica e complexa, influenciada por fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais e comportamentais.  </p>
<p>Seu desenvolvimento não depende apenas da quantidade de alimentos consumidos ou da prática de atividades físicas. O funcionamento do cérebro também participa da regulação do comportamento alimentar, o que tem despertado o interesse dos cientistas em investigar novas possibilidades terapêuticas.</p>
<h2>Por que estimular o cérebro?</h2>
<p>O cérebro possui mecanismos que regulam a fome e a saciedade, mas também circuitos relacionados à recompensa e ao desejo por determinados alimentos. É por isso que uma pessoa pode sentir vontade intensa de comer mesmo quando não está com fome.</p>
<p>Esse impulso é conhecido como food craving, expressão em inglês utilizada para descrever o desejo intenso por alimentos específicos. Ele não deve ser confundido com a necessidade fisiológica de se alimentar.</p>
<p>Estudos anteriores de neuroimagem identificaram alterações na atividade de regiões cerebrais relacionadas ao controle dos impulsos e ao comportamento alimentar em pessoas com obesidade.  </p>
<p>Uma delas é o córtex pré-frontal dorsolateral, localizado na parte anterior do cérebro e envolvido no planejamento, na tomada de decisões e na capacidade de regular comportamentos.</p>
<p>Há indícios de que essa região possa apresentar atividade reduzida em pessoas com obesidade. A hipótese investigada pelos pesquisadores da USP é que a estimulação elétrica consiga modificar temporariamente seu funcionamento e, assim, favorecer o controle do desejo intenso por comida.</p>
<p>A técnica utilizada, chamada estimulação transcraniana por corrente contínua, consiste na aplicação de uma corrente elétrica muito fraca sobre o couro cabeludo, por meio de eletrodos. O procedimento não exige cirurgia e procura modificar a atividade das células nervosas da região estimulada.</p>
<p>Os cientistas também trabalham com outra hipótese: a estimulação pode favorecer temporariamente a capacidade do cérebro de aprender e modificar comportamentos. </p>
<p>Por isso, decidiram combinar as aplicações com atividades de educação nutricional. A intenção era investigar se a intervenção cerebral poderia contribuir para o aprendizado de estratégias de controle dos impulsos alimentares.</p>
<p>Esses mecanismos, porém, não foram medidos diretamente no experimento. Eles constituem a base científica que levou os pesquisadores a testar a técnica.</p>
<h2>Como foi realizado o experimento</h2>
<p>A pesquisa tem como primeira autora a nutricionista Marina Rodrigues Giuliani, do Laboratório de Estudos em Nutrição, Neurociências e Metabolismo da USP. Ela foi orientada por Vivian Marques Miguel Suen, professora do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP.</p>
<p>Participaram 22 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos e obesidade de graus 1 ou 2. Elas foram divididas aleatoriamente em dois grupos de 11 participantes. Um recebeu estimulação cerebral ativa, enquanto o outro passou por um procedimento simulado, utilizado para comparar os resultados.</p>
<p>Durante cinco dias consecutivos, as voluntárias participaram de três sessões diárias de 20 minutos, totalizando 15 aplicações. Nos intervalos, todas receberam orientações sobre alimentação, incluindo temas como saciedade, leitura de rótulos, controle das porções, sono e diferenças entre fome física e emocional.</p>
<p>Os pesquisadores avaliaram o peso, a composição corporal, o apetite e diferentes aspectos do comportamento alimentar antes e depois da intervenção. As participantes também foram acompanhadas um, três e seis meses após o experimento.</p>
<h2>O que os resultados mostram</h2>
<p>Entre as mulheres que receberam a estimulação ativa, houve redução do desejo imediato por comida ao final dos cinco dias. Outra medida, relacionada à tendência habitual de experimentar esses desejos, apresentou redução na avaliação realizada seis meses depois.</p>
<p>Não foram identificadas, entretanto, alterações significativas no peso, no índice de massa corporal (IMC) ou na proporção de gordura e massa magra das participantes. O experimento não tinha como objetivo provocar emagrecimento imediato e não incluiu uma dieta com restrição calórica.</p>
<p>Os dois grupos apresentaram melhora no controle consciente da alimentação e redução do comportamento alimentar descontrolado. Como todas as participantes receberam educação nutricional, os pesquisadores consideram que essas atividades podem ter contribuído para as mudanças.</p>
<p>Os resultados positivos precisam ser interpretados com cautela. Embora tenham sido observadas melhoras em determinadas avaliações, a análise estatística não demonstrou uma diferença global significativa entre os grupos nas medidas de desejo por comida. Portanto, ainda não é possível atribuir com segurança os efeitos à estimulação cerebral.</p>
<p>Também não foram registrados eventos adversos importantes durante o experimento.</p>
<h2>Novos tratamentos </h2>
<p>O interesse dos pesquisadores está na possibilidade de desenvolver uma ferramenta que atue sobre o comportamento alimentar e complemente os tratamentos já existentes. A obesidade envolve diferentes mecanismos biológicos e ambientais, e seu controle no longo prazo permanece um desafio, mesmo quando há perda de peso com medicamentos ou cirurgia.</p>
<p>“A ideia é que a estimulação possa funcionar como uma ferramenta complementar, ajudando a controlar o desejo por comida e, eventualmente, potencializando o efeito de outras terapias”, afirmou Vivian Marques Miguel Suen em entrevista à Agência Fapesp.</p>
<p>O estudo-piloto ainda apresenta limitações importantes, especialmente o pequeno número de participantes e as desistências registradas durante o acompanhamento.</p>
<p> Também não foi possível demonstrar diretamente que a estimulação modificou os circuitos cerebrais envolvidos no controle dos impulsos.</p>
<p>O próximo passo dos pesquisadores será investigar outra técnica, a estimulação magnética transcraniana, em pessoas com obesidade e transtorno de compulsão alimentar. Esse procedimento utiliza pulsos magnéticos para influenciar a atividade de regiões cerebrais de maneira mais focal.</p>
<p>A expectativa é compreender melhor se intervenções sobre os circuitos relacionados ao comportamento alimentar podem contribuir para o tratamento da obesidade. Por enquanto, os resultados indicam uma possibilidade científica que precisa ser investigada, não uma terapia com eficácia comprovada.</p>
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        <media:credit role="provider"> Reprodução - Lannem/USP</media:credit>
        <media:title>fapesp-estudo-obesidade</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellón]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Unicamp busca voluntários para estudo sobre obesidade, imunidade e envelhecimento</title>
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      <pubDate>Fri, 16 Oct 2026 12:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está recrutando homens e mulheres de 20 a 40 anos, com ou sem obesidade, para participar de uma pesquisa sobre as relações entre gordura corporal, imunidade, metabolismo e envelhecimento. Os interessados devem atender a critérios de saúde como não ter diabetes e não fumar, entre outros. As avaliações serão realizadas na própria universidade.</p>
<p>O recrutamento foi divulgado pelo Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), sediado na Unicamp, e responsável pela pesquisa. O estudo faz parte do projeto “Caracterização cardiometabólica e imunológica de indivíduos com adiposopatias: um estudo translacional”, conduzido pelo pesquisador Marcelo Mori, professor associado do Instituto de Biologia da Unicamp e fundador do Laboratório de Biologia do Envelhecimento e Metabolismo.</p>
<p>O objetivo é compreender melhor como o tecido adiposo, responsável pelo armazenamento de gordura, se relaciona com o sistema imunológico e a saúde metabólica. A investigação poderá contribuir para ampliar o conhecimento sobre os mecanismos que associam a obesidade a alterações no funcionamento do organismo.</p>
<h2>Quem pode participar</h2>
<p>A pesquisa aceita voluntários que atendam às seguintes condições:</p>
<h2>Quais exames serão realizados</h2>
<p>Os participantes passarão por uma ressonância magnética para avaliação do timo, órgão localizado no tórax que desempenha papel importante no desenvolvimento e na maturação de células do sistema imunológico.</p>
<p>Também serão realizadas coletas de sangue para análise de células de defesa do organismo e dosagem de hormônios relacionados ao metabolismo e à composição corporal.</p>
<p>Todas as avaliações ocorrerão no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes (Limed), da Unicamp.</p>
<h2>Por que estudar a relação entre obesidade e imunidade</h2>
<p>A obesidade não se limita ao acúmulo de gordura corporal. O tecido adiposo também participa da produção de substâncias que influenciam o metabolismo e a resposta imunológica. Alterações em seu funcionamento podem estar associadas a processos inflamatórios e a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.</p>
<p>O timo, um dos órgãos avaliados na pesquisa, também sofre mudanças ao longo da vida, com redução progressiva de sua atividade. Investigar essas relações pode ajudar os cientistas a compreender melhor a interação entre obesidade, envelhecimento e funcionamento do sistema imunológico.</p>
<p>O estudo integra as atividades do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades, que reúne especialistas de diferentes áreas para investigar os mecanismos da obesidade e de doenças associadas, além de desenvolver novas abordagens de prevenção e tratamento. O centro recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</p>
<h2>Como se inscrever</h2>
<p>Os interessados devem entrar em contato com a pesquisadora Letícia Figueiredo, responsável pelo recrutamento, pelo  WhatsApp (22) 99787-0914.  Mais informações devem ser obtidas por esse canal.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/  I Yunmai</media:credit>
        <media:title>peso-balança</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Obesidade, crise climática e uso malicioso da IA: ameaças à sobrevivência humana?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/obesidade-crise-climatica-e-uso-malicioso-da-ia-ameacas-a-sobrevivencia-humana</link>
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      <pubDate>Mon, 12 Oct 2026 13:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obesidade, desigualdade de renda, baixa escolaridade, mudanças climáticas, pandemias, conflitos armados e uso malicioso da inteligência artificial estão entre as 17 grandes ameaças que podem comprometer a saúde, a segurança e as condições de vida da humanidade até 2100. Duas delas, a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial, são consideradas capazes de provocar consequências extremas, incluindo a possibilidade de extinção humana.</p>
<p>Essa é a conclusão de um estudo publicado no sábado, 10, pela revista científica  The Lancet , que reuniu 35 especialistas de diferentes regiões para investigar os riscos que poderão afetar as próximas gerações. O comitê analisou dados e projeções de 204 países e territórios. Seu objetivo foi identificar não apenas ameaças capazes de provocar grandes perdas de saúde, mas também o que governos e instituições internacionais podem fazer para preveni-las ou reduzir suas consequências.</p>
<p>Intitulado  “The Lancet Commission on 21st century global threats to health” , o estudo propõe que os países ampliem sua preparação para além das crises sanitárias tradicionais. Problemas de evolução lenta, como desigualdade, doenças crônicas e envelhecimento com perda de saúde, também podem produzir consequências extraordinárias.</p>
<p>Os pesquisadores escolheram analisar o período de 2025 a 2100, um intervalo de 75 anos, para avaliar como diferentes ameaças podem evoluir ao longo do século e quais danos poderiam ser evitados por medidas de prevenção, políticas públicas e avanços científicos.</p>
<p>A escolha do ano de 2100 tem uma finalidade prática: estabelecer um horizonte comum para comparar riscos muito diferentes, desde doenças que já afetam milhões de pessoas até acontecimentos extremos que podem ocorrer no futuro. Esse período também permite examinar as consequências de decisões tomadas hoje sobre as próximas gerações.</p>
<p>O trabalho conta com a participação de dois pesquisadores brasileiros: a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima (entre janeiro de 2023 e março de 2025), ex-presidente da Fiocruz, e Luiz Augusto Galvão, pesquisador sênior do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz.</p>
<h2>Quais são as 17 ameaças e por que preocupam</h2>
<p>Para avaliar os riscos até 2100, os pesquisadores consideraram tanto problemas que já provocam doenças e mortes quanto acontecimentos extremos que, embora incertos, poderiam ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.</p>
<p>Entre as 17 ameaças selecionadas, duas receberam uma classificação especial: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial. Segundo o estudo, ambas poderiam, em determinadas circunstâncias, provocar consequências tão graves e disseminadas que colocariam em risco a existência da espécie humana.</p>
<p>No caso de uma guerra nuclear, a preocupação vai além da explosão de artefatos. De acordo com o estudo, a fumaça lançada na atmosfera poderia reduzir a luz solar, comprometer a produção agrícola em escala mundial e desencadear fome generalizada. Já a inteligência artificial poderia ser utilizada, por exemplo, para facilitar a criação de armas biológicas extremamente perigosas.</p>
<p>As consequências possíveis desses acontecimentos são graves o suficiente, na análise dos especialistas consultados pela Lancet, para justificar medidas de prevenção, mesmo diante das incertezas.</p>
<p>As outras 15 ameaças foram classificadas como riscos de consequências catastróficas para a saúde. São problemas capazes de provocar um número extraordinário de mortes, doenças e incapacidades ao longo das próximas décadas. Elas, porém, mas estão enquadradas pelo estudo como riscos de extinção da humanidade.</p>
<p>Nesse grupo estão desde fatores de risco conhecidos, como pressão alta e tabagismo, até problemas estruturais, como desigualdade de renda e baixa escolaridade, além de pandemias, conflitos armados e mudanças climáticas.</p>
<p>A distinção é importante porque o estudo não mede apenas a possibilidade de uma catástrofe acontecer. Ele também procura calcular quanto dos danos à saúde poderia ser evitado por meio de políticas públicas, prevenção e avanços científicos.</p>
<p>As duas ameaças com potencial de extinção são:</p>
<p>As outras 15 ameaças são:</p>
<p>Essas ameaças estão interligadas. Uma criança que cresce em situação de pobreza, por exemplo, pode enfrentar simultaneamente desnutrição, dificuldades de acesso à educação e falta de atendimento médico. Mudanças climáticas e conflitos podem agravar essas condições.</p>
<h2>Obesidade e desigualdade podem provocar perdas extraordinárias</h2>
<p>Para comparar problemas tão diferentes, os pesquisadores utilizaram uma medida chamada DALY (Disability-Adjusted Life Year), conceito em inglês que significa ano de vida ajustado por incapacidade. Ela calcula os anos de vida saudável perdidos tanto por mortes prematuras quanto pelo tempo vivido com doenças ou limitações de saúde.</p>
<p>A pesquisa compara dois futuros possíveis para cada ameaça: um cenário favorável e outro desfavorável. A diferença entre eles representa a quantidade de anos de vida saudável que poderia ser preservada por políticas públicas e outras medidas de prevenção.</p>
<p>A maior diferença aparece na categoria que reúne obesidade, alimentação inadequada e baixa atividade física. No cálculo dos cientistas, 23,1 bilhões de anos de vida saudável são potencialmente preserváveis entre 2025 e 2100 se esses problemas forem enfrentados de forma eficaz.</p>
<p>Em seguida estão a baixa escolaridade, com 16,1 bilhões, e a desigualdade de renda, com 13,8 bilhões. Problemas de saúde mental representam 9,35 bilhões, enquanto o envelhecimento com problemas de saúde responde por 8,26 bilhões.</p>
<p>Esses números não representam previsões de mortes nem significam que uma ameaça seja necessariamente mais grave do que outra. Eles expressam o potencial de redução dos danos dentro dos cenários considerados pelos pesquisadores.</p>
<h2>O desafio do clima</h2>
<p>As mudanças climáticas representam uma dificuldade particular para os pesquisadores porque nem todas as suas consequências sobre a saúde podem ser quantificadas. O estudo estima em 1,89 bilhão os anos de vida saudável potencialmente preserváveis por medidas capazes de reduzir os impactos do aquecimento global.</p>
<p>Esse cálculo, entretanto, não incorpora integralmente consequências como deslocamentos populacionais, perdas econômicas, alterações na produção de alimentos e outros efeitos indiretos sobre as condições de vida. Por isso, os autores alertam que os resultados podem subestimar a dimensão dos danos.</p>
<h2>Viver mais não significa viver mais tempo com saúde</h2>
<p>No cenário em que as tendências atuais continuam, a expectativa de vida mundial deverá aumentar 8,65 anos entre 2025 e 2100.</p>
<p>Já a expectativa de vida saudável crescerá apenas 5,69 anos.</p>
<p>A diferença significa que as pessoas poderão viver mais, mas também passar uma parcela maior da vida convivendo com doenças crônicas ou limitações físicas e mentais.</p>
<p>Diabetes, doenças cardiovasculares, problemas musculoesqueléticos e transtornos mentais estão entre as condições que contribuem para esse cenário.</p>
<p>O resultado reforça a necessidade de preparar os sistemas de saúde para acompanhar pacientes durante muitos anos, além de responder a emergências.</p>
<h2>O que os governos podem fazer</h2>
<p>Diante dessas ameaças, os pesquisadores propõem três medidas principais.</p>
<p>A primeira é fortalecer os sistemas de saúde para que consigam identificar riscos com antecedência, prevenir crises e responder rapidamente às emergências. Isso exige financiamento permanente, equipes preparadas e capacidade de planejamento de longo prazo.</p>
<p>A segunda é ampliar os investimentos em pesquisa e inovação. Entre as prioridades estão novas vacinas, antibióticos, tratamentos para obesidade e tecnologias capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O estudo também defende mecanismos de controle para tecnologias de alto risco, incluindo sistemas avançados de inteligência artificial.</p>
<p>A terceira é criar um acompanhamento permanente das ameaças mundiais à saúde, com atualização periódica das estimativas e apresentação dos resultados aos responsáveis pelas decisões políticas e econômicas.</p>
<p>A proposta é impedir que governos concentrem recursos apenas nas crises mais imediatas, enquanto problemas de evolução lenta continuam se agravando.</p>
<p>A principal mensagem do estudo é que a saúde das próximas gerações dependerá de decisões tomadas agora, não apenas para evitar catástrofes, mas também para reduzir desigualdades, melhorar a educação, prevenir doenças e garantir acesso aos cuidados de saúde.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>OMS lança primeiras diretrizes globais para tratar obesidade em crianças e adolescentes</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/oms-lanca-primeiras-diretrizes-globais-para-tratar-obesidade-em-criancas-e-adolescentes</link>
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      <pubDate>Wed, 07 Oct 2026 13:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Diante do avanço da obesidade entre crianças e adolescentes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quarta-feira, 7, as primeiras diretrizes globais para o tratamento da doença nessa população. Os documentos orientam os sistemas de saúde a oferecer acompanhamento estruturado desde a infância e, para adolescentes em determinadas condições, admitem o uso de medicamentos, inclusive das famosas “canetinhas”, e até cirurgia bariátrica.</p>
<p>A iniciativa ocorre depois de a obesidade se multiplicar por quatro entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos. A prevalência mundial passou de 2% em 1990 para 8% em 2024. No ano passado, 170 milhões viviam com obesidade: 70 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 100 milhões de adolescentes de 10 a 19 anos.</p>
<p>A OMS trata a obesidade como uma doença crônica e recorrente, cujas consequências podem começar cedo, aumentando o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Há também efeitos sobre a saúde mental: crianças e adolescentes com obesidade podem sofrer estigma, discriminação e bullying. Ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades para lidar com as emoções, por sua vez, podem interferir na alimentação, na atividade física e na vida social.</p>
<p>No Brasil, a obesidade também avançou de forma acentuada nas últimas décadas. Entre 1990 e 2022, a prevalência entre meninas de 5 a 19 anos passou de 3,1% para 14,3%; entre os meninos, de 3,1% para 17,1%.</p>
<p>As novas diretrizes estão divididas em dois documentos, um para crianças de até 9 anos e outro para adolescentes de 10 a 19 anos. O princípio é semelhante para os dois grupos: obesidade não deve ser tratada apenas como um número na balança. O objetivo é melhorar a saúde, o desenvolvimento, o bem-estar e a qualidade de vida, com acompanhamento de longo prazo.</p>
<h2>O que a OMS recomenda para crianças de 0 até 9 anos</h2>
<h2>O que a OMS recomenda para adolescentes dos 10 aos 19 anos</h2>
<p>A OMS ressalta ainda que o custo dos medicamentos, a falta de cobertura pelos sistemas de saúde e dificuldades práticas podem ampliar desigualdades no acesso. A organização ressalta que tratamento farmacológico ou cirurgia não devem substituir políticas capazes de tornar alimentação saudável e atividade física mais acessíveis.</p>
<h2>Expansão no Brasil</h2>
<p>A evolução brasileira mostra a velocidade da mudança no quadro de obesidade infantil. Em 1990, 3,1% das meninas e a mesma proporção dos meninos de 5 a 19 anos tinham a doença. Em 2022, eram 14,3% das meninas e 17,1% dos meninos. Em pouco mais de três décadas, portanto, a prevalência mais do que quadruplicou entre elas e mais do que quintuplicou entre eles.</p>
<p>Os registros do SUS retratam a dimensão atual do problema, embora não representem toda a população brasileira. Em 2023, entre os pacientes acompanhados pela atenção primária, 14,32% das crianças de 5 a 9 anos e 12,69% dos adolescentes tinham obesidade. Foram avaliados cerca de 5,3 milhões de crianças dessa faixa etária e 6,7 milhões de adolescentes. Quando se soma sobrepeso e obesidade, o excesso de peso atingia 29,38% das crianças e 31,33% dos adolescentes acompanhados.</p>
<p>O Brasil já dispõe de ações voltadas à prevenção e ao cuidado da obesidade na infância. Em 2023, 1.320 municípios haviam aderido à Estratégia de Prevenção e Atenção à Obesidade Infantil (Proteja), do Ministério da Saúde, que inclui acompanhamento do estado nutricional e do consumo alimentar e atendimento de crianças com obesidade.</p>
<p>As novas diretrizes da OMS acrescentam a esse esforço uma orientação internacional específica para quem já vive com a doença. A organização enfatiza que o tratamento, sozinho, não será capaz de reverter a expansão da obesidade. São necessárias também políticas sobre alimentação, educação, atividade física, planejamento urbano, transporte e proteção social que reduzam os fatores que favorecem seu crescimento.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Musculação começa a mudar metabolismo da gordura antes da perda de peso, mostra estudo</title>
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      <pubDate>Mon, 28 Sep 2026 10:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os resultados da musculação podem começar muito antes de aparecerem no espelho ou na balança. Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que um curto período de treinamento de força foi suficiente para provocar mudanças importantes no metabolismo da gordura de camundongos obesos, mesmo sem que os animais perdessem peso.</p>
<p>Depois de sete sessões de treinamento, mecanismos envolvidos na quebra da gordura estavam mais ativos. Os animais também apresentavam menor quantidade de gordura mesentérica — a localizada ao redor do intestino — e células de gordura menores.</p>
<p>Publicado na revista científica  Life Sciences , o trabalho procurou identificar o que acontece no tecido adiposo no início da prática de exercícios de força, antes que a perda de peso possa, por si só, provocar alterações no organismo.</p>
<p>Os pesquisadores concluíram que o treinamento de curta duração foi capaz de começar a reverter alterações provocadas pela obesidade no metabolismo da gordura. Isso reforça o papel da musculação não apenas no ganho e na preservação da massa muscular, mas também como estratégia para a saúde metabólica.</p>
<h2>O que aconteceu dentro das células</h2>
<p>Para entender o resultado, é preciso olhar para o que acontece dentro de uma célula de gordura. Os adipócitos funcionam como reservatórios de energia: armazenam gordura, principalmente na forma de triglicérides, e podem liberá-la quando o organismo precisa utilizá-la. Esse processo de mobilização da gordura armazenada é chamado de lipólise.</p>
<p>Na obesidade, porém, esse mecanismo pode ficar prejudicado. Foi o que os pesquisadores encontraram nos camundongos obesos sedentários: uma importante engrenagem molecular responsável por colocar a gordura armazenada em circulação estava funcionando abaixo do esperado.</p>
<p>Entre as proteínas envolvidas nesse sistema estão PLIN1, ABHD5 e ATGL. A primeira ajuda a controlar o acesso à gordura armazenada dentro da célula. Diante de determinados estímulos, como o exercício, ela passa por uma alteração que permite liberar a ABHD5. Esta, por sua vez, ativa a ATGL, uma enzima que participa do início da quebra dos triglicérides.</p>
<p>É como retirar uma trava que dificultava o acesso à gordura estocada: depois das sessões de treinamento, esse sistema voltou a ser acionado com maior intensidade.</p>
<p>A musculação aumentou a quantidade de ABHD5 e ativou outros marcadores ligados à lipólise. Ao mesmo tempo, reduziu a expressão do gene  Scd1 , relacionado à formação de gordura. Em outras palavras, os pesquisadores observaram mudanças nas duas pontas do processo: mecanismos associados ao armazenamento ficaram menos ativos, enquanto os envolvidos na quebra da gordura ganharam atividade.</p>
<p>“A população tem uma ideia de que fez musculação por dois meses, não emagreceu e, portanto, não adiantou nada. Mas o que vimos nesse estudo é que, com apenas sete dias de treinamento de força, mesmo quando ainda não havia perda de peso, vias moleculares que favorecem o acúmulo de gordura estavam menos ativas, enquanto aquelas que estimulam a quebra estavam mais ativas”, afirmou  Leandro Moura, professor da Unicamp e um dos autores do estudo, à Agência Fapesp.</p>
<h2>Células de gordura ficaram menores</h2>
<p>A mudança não apareceu apenas nas análises moleculares. Os pesquisadores encontraram menor massa de tecido adiposo mesentérico nos camundongos obesos que se exercitaram em comparação com os obesos sedentários. Os adipócitos também diminuíram de tamanho.</p>
<p>Esse é um dado relevante porque  o tecido adiposo não funciona simplesmente como um lugar onde o corpo guarda calorias. Ele participa da regulação do metabolismo e libera hormônios e outras substâncias que atuam no organismo. Na obesidade, o aumento excessivo dos adipócitos está relacionado à disfunção desse tecido.</p>
<p>O foco dos cientistas foi justamente o tecido adiposo mesentérico, localizado ao redor dos intestinos e utilizado no experimento como modelo de gordura visceral. Em seres humanos, o excesso de gordura visceral — acumulada profundamente no abdôme, ao redor dos órgãos — está associado a maior risco metabólico.</p>
<h2>Por que estudar apenas sete sessões?</h2>
<p>O período curto foi uma escolha importante do experimento.</p>
<p>Os camundongos obesos foram divididos entre animais sedentários e animais submetidos ao treinamento de força. Durante o estudo, ambos continuaram recebendo a mesma dieta rica em gordura. Dessa forma, os pesquisadores procuraram isolar o efeito do exercício e observá-lo antes que o próprio emagrecimento começasse a alterar o metabolismo.</p>
<p>Para simular o esforço de uma sessão de musculação, os animais subiam uma escada carregando uma carga presa ao corpo. O treinamento foi realizado a 70% da capacidade de carga de cada animal.</p>
<p>Ao final das sete sessões, o peso corporal não havia mudado. Dentro do tecido adiposo, porém, as alterações já estavam em curso. O resultado ajuda a mostrar por que a balança não conta toda a história sobre os efeitos do exercício.</p>
<p>“Mesmo que a gente não esteja vendo nada ainda a olho nu, metabolicamente, lá dentro do nosso organismo, várias sinalizações benéficas para a saúde, inclusive para o emagrecimento, estão acontecendo”, reforçou Moura.</p>
<h2>Musculação não serve apenas para ganhar músculos</h2>
<p>Os resultados também acrescentam evidências a uma visão mais ampla sobre o papel do treinamento de força. Estudos anteriores já tinham mostrado que exercícios aeróbicos de curta e longa duração reduzem gordura corporal e ativam proteínas envolvidas na lipólise. Também existiam evidências dos efeitos do treinamento de força realizado por períodos mais longos.</p>
<p>O que faltava compreender era o que acontece logo no início do treinamento de força: se ele seria capaz de acionar esses mecanismos moleculares antes mesmo de aparecer uma redução significativa do peso corporal. É justamente essa lacuna que o estudo procurou investigar.</p>
<p>Para Moura, como declarou à Agência Fapesp,  os achados ajudam a afastar a ideia de que o exercício aeróbico seria destinado ao emagrecimento enquanto a musculação serviria apenas para aumentar músculos. Segundo ele, os dois tipos de exercício ativam vias semelhantes, em intensidades diferentes, e também vias diferentes.  Por isso, a associação dos dois continua sendo a melhor recomendação e a melhor estratégia para quem quer emagrecer.</p>
<h2>Resultado ainda precisa ser confirmado em humanos</h2>
<p>O estudo traz uma limitação fundamental: foi realizado com camundongos, e não com pessoas. Portanto, não é possível concluir que sete sessões de musculação produzirão em seres humanos as mesmas alterações observadas no experimento.</p>
<p>Além disso, foram estudados apenas animais machos, e os pesquisadores analisaram um único depósito de gordura. O próprio artigo ressalta ainda que são necessários novos experimentos para medir diretamente o fluxo de lipídios, já que parte dos resultados se baseia em alterações de genes, proteínas e outros marcadores associados à lipólise.</p>
<p>A equipe pretende agora acompanhar períodos mais longos de treinamento para verificar como essas respostas evoluem quando começa a ocorrer perda de peso. Também estão sendo investigados os efeitos do exercício em outros depósitos de gordura, inclusive o localizado ao redor do coração.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Governo promete oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS; confira o que já existe</title>
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      <pubDate>Fri, 18 Sep 2026 15:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Ministério da Saúde anunciou que pretende disponibilizar as chamadas canetas emagrecedoras para o tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A promessa foi feita pelo ministro Alexandre Padilha na quinta-feira, 17, durante viagem a Montes Claros (MG).</p>
<p>A oferta nacional dependerá da definição de um protocolo clínico, que deverá estabelecer, entre outros pontos, quais pacientes poderão receber os medicamentos e como será feito o acompanhamento. O Ministério não informou uma data para o início da distribuição em todo o país.</p>
<p>A mudança é relevante porque, até agora, esses medicamentos não fazem parte de uma política nacional do SUS para tratamento da obesidade. Em setembro de 2025, após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a semaglutida, um dos medicamentos de nova geração desenvolvidos originalmente para tratar a diabetes tipo 2 e que também passou a ser prescrito para pacientes com obesidade. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.</p>
<p>A nova estratégia, portanto, representa uma mudança de direção, embora a incorporação ainda esteja em estudo. O anúncio foi feito a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições.</p>
<h2>Canetas já chegaram a pacientes do SUS</h2>
<p>O SUS já tinha algumas iniciativas isoladas para avaliar seu uso. Uma delas começou em junho no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), hospital federal de Porto Alegre. O projeto Real-Bari prevê oferecer semaglutida e acompanhar 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças.</p>
<p>Entre os participantes estão pessoas que aguardam cirurgia bariátrica. A pesquisa pretende verificar os efeitos clínicos do tratamento, seus custos e a viabilidade de incorporar a terapia à rede pública. Também será avaliado se a perda de peso obtida com o medicamento pode permitir que alguns pacientes deixem de precisar da cirurgia.</p>
<p>O Ministério informou nesta semana que o primeiro paciente tratado no projeto perdeu seis quilos e teve redução da circunferência corporal. O resultado individual, porém, não permite antecipar as conclusões do estudo, que deverá acompanhar 250 pessoas.</p>
<p>No Rio de Janeiro, há outra iniciativa. Em março, a prefeitura começou um programa com semaglutida no Super Centro Carioca de Saúde, com previsão de atender até três mil pacientes por ano. Já o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), ligado ao governo estadual, trata 200 pacientes com obesidade extrema com liraglutida, outro medicamento dessa nova geração usada contra diabetes e obesidade.</p>
<h2>O que o governo pretende fazer</h2>
<p>A proposta agora é transformar experiências restritas como essa em uma política que possa alcançar pacientes em todo o país.</p>
<p>Segundo Padilha, o governo está estudando o uso das canetas em diferentes grupos, entre eles pessoas na fila da cirurgia bariátrica e pacientes com obesidade associada a problemas cardiovasculares. O Ministério também estuda seu uso em mulheres que tiveram câncer de mama, para avaliar possível impacto sobre o risco de recorrência da doença.</p>
<p>O governo afirma que a incorporação não será tratada como uma forma de emagrecimento estético. A intenção é estabelecer critérios clínicos e acompanhamento médico para o acesso pelo SUS.</p>
<p>Essa definição é particularmente importante porque obesidade é uma doença crônica e o tratamento medicamentoso pode precisar ser mantido por períodos prolongados.</p>
<h2>Mercado ganhou 14 novas canetas em 2026</h2>
<p>A possível expansão do tratamento no SUS ocorre em um momento de rápida transformação do mercado brasileiro desses medicamentos.</p>
<p>Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou 14 novas canetas usadas no tratamento da diabetes tipo 2 e/ou da obesidade: dez de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro, cuja substância ativa, a tirzepatida, é usada para controlar a glicemia e auxiliar na perda de peso.</p>
<p>Embora sejam frequentemente agrupados sob a expressão “canetas emagrecedoras”, nem todos esses produtos têm indicação aprovada para obesidade. Alguns foram registrados especificamente para diabetes tipo 2.</p>
<p>A maior expansão ocorreu entre os medicamentos de semaglutida, princípio ativo conhecido pelas marcas Ozempic e Wegovy. Depois do fim da exclusividade da semaglutida no Brasil, em 20 de março, outras empresas começaram a obter registros.</p>
<p>As dez aprovações de semaglutida em 2026 são Ozivy, da EMS; Semavy, da Cosmed; Owozy, da Ávita Care; Zempneo, da Brainfarma; Seemasun, da Sun Farmacêutica; Orsema, da Ranbaxy; dois genéricos, um da EMS e outro da Germed; Semaclique, da Germed; e Yluméc, da EMS.</p>
<p>Também foram aprovadas três novas canetas de liraglutida: Liraclick, da Germed, e dois genéricos da EMS. A liraglutida pertence à mesma classe dos agonistas do receptor de GLP-1, mas normalmente é aplicada diariamente, enquanto a semaglutida costuma ter administração semanal.</p>
<p>A 14ª aprovação foi uma nova apresentação multidose do Mounjaro, da Eli Lilly, cujo princípio ativo é a tirzepatida. Diferentemente da semaglutida, a tirzepatida atua sobre dois receptores relacionados ao metabolismo, GLP-1 e GIP.</p>
<h2>Mais concorrência pode reduzir custos</h2>
<p>A multiplicação dos registros interessa diretamente ao SUS porque o preço é um dos principais obstáculos à incorporação de tratamentos de uso prolongado.</p>
<p>O Ministério da Saúde vem estimulando a entrada de novos fabricantes e solicitou prioridade à Anvisa na análise de medicamentos dessa classe. Segundo a pasta, o objetivo é aumentar a concorrência, ampliar a produção nacional e reduzir os preços, criando condições para uma futura oferta pelo SUS.</p>
<p>Padilha afirmou que produtos que chegavam a custar de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil já podem ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400. Os valores, no entanto, variam conforme o princípio ativo, a marca, a apresentação e a dose.</p>
<p>A expansão da oferta não significa que as diferentes canetas possam ser usadas indistintamente. Semaglutida, liraglutida e tirzepatida têm características, indicações, esquemas de aplicação e evidências clínicas diferentes. A escolha depende do diagnóstico, das doenças associadas, da tolerância ao medicamento e da possibilidade de manutenção do tratamento.</p>
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        <media:title>semaglutida</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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