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    <title>Global South World Brasil - medo</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Violência leva 98% das brasileiras a mudar hábitos e até a abrir mão de trabalhos</title>
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      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 11:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência e o medo de sofrê-la mudam a rotina de praticamente todas as brasileiras. Uma pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, divulgada nesta quarta-feira, 16, mostra que 98% das mulheres entrevistadas adotam pelo menos uma estratégia no dia a dia para reduzir o risco de violência.</p>
<p>Evitar determinados lugares, deixar de sair à noite, mudar o caminho habitual, compartilhar a localização com alguém de confiança e recorrer a um carro ou moto por aplicativo para não andar pelas ruas estão entre essas estratégias.</p>
<p>Mas as consequências vão além das mudanças na rotina. O medo já levou 45% das mulheres ouvidas pela pesquisa a deixar passar oportunidades de trabalho ou estudo. Outras 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam e 44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.</p>
<p>Os dados fazem parte da pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.</p>
<p>Foram ouvidas 1.500 pessoas acima de 16 anos, de todas as regiões do Brasil, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram realizadas de forma digital, por autopreenchimento. A margem de erro informada é de 2,8 pontos percentuais.</p>
<h2>94% se sentem inseguras</h2>
<p>A sensação de insegurança é quase generalizada entre as mulheres ouvidas. A pesquisa encontrou uma diferença de dez pontos percentuais entre elas e os homens:</p>
<p>94% das mulheres se sentem inseguras diante da violência no dia a dia;</p>
<p>84% dos homens têm a mesma percepção.</p>
<p>Nos deslocamentos pela cidade, a diferença diminui, mas o medo continua muito elevado: 94% das mulheres e 90% dos homens dizem temer a violência nessas situações.</p>
<p>A pesquisa também perguntou à população sobre a vulnerabilidade de homens e mulheres a diferentes formas de violência. As mulheres são percebidas como mais vulneráveis principalmente à violência doméstica, sexual, psicológica e física.</p>
<h2>Quase 8 em cada 10 já sofreram violência</h2>
<p>O medo não aparece isolado das experiências vividas pelas próprias mulheres. Entre as entrevistadas:</p>
<p>78% afirmam já ter sofrido pelo menos um dos tipos de violência investigados;</p>
<p>a violência psicológica é a mais declarada;</p>
<p>6 em cada 10 dizem temer atualmente a violência doméstica.</p>
<p>Os resultados ajudam a explicar por que a preocupação com a segurança acompanha as mulheres em diferentes espaços da cidade.</p>
<h2>Onde elas se sentem menos seguras</h2>
<p>Pontos de ônibus e estações estão entre os locais que provocam maior sensação de vulnerabilidade:</p>
<p>42% não se sentem nada seguras em pontos de ônibus e estações;</p>
<p>41% não se sentem nada seguras em bares, festas e baladas;</p>
<p>33% não se sentem nada seguras dentro do transporte público.</p>
<p>A insegurança acaba interferindo não apenas no lugar aonde as mulheres vão, mas também em quando, como e com quem elas se deslocam.</p>
<h2>Medo interfere em lazer, transporte e trabalho</h2>
<p>A pesquisa dimensiona algumas dessas mudanças:</p>
<p>62% já mudaram hábitos de lazer;</p>
<p>58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam;</p>
<p>56% já escolheram algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo quando o destino era próximo;</p>
<p>45% deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo;</p>
<p>44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.</p>
<p>Para Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, a insegurança é alimentada por experiências concretas de violência, vividas pelas próprias mulheres ou compartilhadas por outras pessoas próximas. “A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades”.</p>
<p>Segundo ela, as brasileiras acabam adaptando trajetos, horários e formas de deslocamento e até escolhas relacionadas ao trabalho, estudo e lazer. “Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira”, diz.</p>
<h2>O que 98% fazem para tentar se proteger</h2>
<p>Quase todas as brasileiras ouvidas — 98% — adotam pelo menos uma das estratégias pesquisadas para reduzir o risco de violência. Algumas medidas já fazem parte da rotina de mais de oito em cada dez mulheres:</p>
<p>90% evitam determinados locais;</p>
<p>88% evitam compartilhar informações pessoais ou a localização nas redes sociais;</p>
<p>84% evitam usar o celular na rua;</p>
<p>83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e horários;</p>
<p>83% evitam sair à noite;</p>
<p>80% evitam utilizar aplicativos bancários no celular quando estão na rua.</p>
<p>Outros comportamentos mostram como a preocupação com a violência interfere diretamente na mobilidade:</p>
<p>77% compartilham a localização com pessoas de confiança;</p>
<p>69% mudam seus trajetos habituais;</p>
<p>66% chamam carro ou moto por aplicativo para não precisar andar pelas ruas;</p>
<p>66% pedem para alguém acompanhá-las quando saem de casa.</p>
<p>Entre outras estratégias, 63% evitam sair com cartão de crédito, 62% utilizam aplicativos com recursos de segurança e 30% andam com um celular reserva.</p>
<p>Há ainda mulheres que adotam medidas específicas de proteção: 27% praticam ou já praticaram técnicas de defesa pessoal e 26% carregam itens de proteção pessoal, como spray de pimenta ou alarme pessoal.</p>
<p>Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, ressalta que o estudo confirma que a insegurança deixou de ser uma percepção ocasional. “Ela se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas”, afirma.</p>
<p>De acordo com Vera, isso mostra que a segurança das mulheres não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania. “Por isso, reforçamos a urgência de políticas públicas que ampliem os canais de denúncia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades que sustentam esse cenário”.</p>
<h2>Decisão nas urnas</h2>
<p>O tema faz diferença nas escolhas eleitorais. Para 78% das mulheres entrevistadas, ter propostas de enfrentamento à violência e ao assédio contra as mulheres nas ruas e no transporte público influenciará a decisão de voto nas próximas eleições.</p>
<p>A cobrança se estende a diferentes esferas do poder público. Para 73% das entrevistadas, as polícias militar e civil têm responsabilidade na prevenção e no enfrentamento da violência, seguidas pelos governos federal e estadual, ambos com 69%, e pelos municípios, com 66%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a atuação das instituições nesse campo recebe avaliações negativas: Legislativo (74%), governo estadual (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%).</p>
<h2>O que as mulheres consideram importante mudar</h2>
<p>A pesquisa também perguntou quais medidas são consideradas importantes para prevenir e enfrentar a violência:</p>
<p>95% defendem a ampliação dos canais de denúncia e apoio às vítimas;</p>
<p>93% consideram importante melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos;</p>
<p>93% defendem a criação ou ampliação de políticas específicas de proteção às mulheres;</p>
<p>93% consideram importantes ações de prevenção, como educação e medidas voltadas à mudança cultural;</p>
<p>92% apontam a redução das desigualdades sociais e econômicas como parte das estratégias de prevenção e enfrentamento da violência.</p>
<p>As respostas mostram que, para as entrevistadas, enfrentar a violência contra as mulheres envolve tanto proteção e atendimento às vítimas quanto mudanças no espaço urbano e ações preventivas.</p>
<p>Crédito da foto no alto:  Depositphots/ Kraken Images</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>insegurança-mulher</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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