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    <title>Global South World Brasil - incêndio</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Indonésia enfrenta piores incêndios florestais em 11 anos e considera ajuda externa</title>
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      <pubDate>Thu, 15 Oct 2026 15:51:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Indonésia enfrenta os incêndios florestais mais graves desde 2015, com extensas áreas de vegetação atingidas, cidades encobertas por fumaça tóxica e uma operação de combate que mobiliza milhares de pessoas. Nesta quinta-feira, 15, o governo passou a considerar a possibilidade de receber ajuda internacional para conter a crise, agravada pela seca associada ao fenômeno climático El Niño.</p>
<p>As operações envolvem militares, policiais, bombeiros especializados, equipes de empresas e voluntários em seis províncias prioritárias: Riau, Jambi, Sumatra do Sul, Kalimantan Ocidental, Kalimantan Central e Kalimantan do Sul.</p>
<p>O governo utiliza equipes terrestres, helicópteros para lançamento de água e aeronaves para estimular chuvas, embora a fumaça intensa continue dificultando parte das operações aéreas.</p>
<h2>Poluição atinge níveis extremos e afeta países vizinhos</h2>
<p>A fumaça dos incêndios se espalhou pelo Sudeste Asiático, prejudicando a qualidade do ar na Indonésia, na Malásia e em Singapura. A crise também atingiu o Timor-Leste.</p>
<p>Segundo dados do Ministério da Saúde da Indonésia divulgados nesta quinta-feira, foram registrados 283.270 casos de doenças respiratórias associados aos incêndios em sete províncias até 13 de outubro. Em 9 de setembro, eram 113.336 registros.</p>
<p>A poluição atmosférica alcançou níveis extremos em Kalimantan Central, na ilha de Bornéu. No distrito de Katingan, o índice de qualidade do ar se aproximou de 1.600 nesta quinta-feira. Na capital provincial, Palangka Raya, ficou próximo de 1.300. Para comparação, valores acima de 300 já são classificados como perigosos à saúde.</p>
<p>A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar doenças pulmonares e cardiovasculares.</p>
<p>A crise levou ao fechamento de escolas em regiões da Indonésia e da Malásia. No Timor-Leste, o governo suspendeu as aulas presenciais por três dias a partir desta quinta-feira.</p>
<p>A fumaça também prejudica a aviação. Segundo informação apurada pela Reuters, quase 2 mil voos foram afetados na Indonésia entre 11 de agosto e 12 de outubro.</p>
<p>Em Palangka Raya, moradores protestaram nesta quinta-feira diante da sede do governo provincial para cobrar uma resposta mais eficaz aos incêndios e à poluição que compromete as atividades cotidianas.</p>
<h2>Mais de 69 mil pessoas mobilizadas</h2>
<p>O combate aos incêndios envolve militares, policiais, bombeiros florestais, equipes de empresas e voluntários. Segundo informações divulgadas pelo governo na quarta-feira, 14, mais de 69 mil pessoas estavam mobilizadas, ante aproximadamente 44 mil em meados de setembro. Cerca de 50 aeronaves participavam das operações.</p>
<p>Levantamento operacional da Agência Nacional de Gestão de Desastres (BNPB) registrava, na terça-feira, 13, 53.848 integrantes nas equipes das seis províncias prioritárias. Desse total, 12.285 eram militares, 8.950 pertenciam a equipes de empresas, 8.594 eram policiais e 8.201 eram voluntários. Os demais incluíam funcionários de governos locais, agências de gestão de desastres, guardas florestais e grupos comunitários.</p>
<p>Naquele dia, a agência registrou 12 voos de combate aos incêndios, com o lançamento de 1,135 milhão de litros de água, além de sete operações aéreas de modificação das condições meteorológicas, nas quais foram utilizados 6.800 quilos de materiais destinados a estimular a chuva.</p>
<p>O mesmo balanço registrou 570,09 hectares queimados nas 24 horas anteriores.</p>
<h2>Como funciona o combate por terra e pelo ar</h2>
<p>As equipes terrestres bombeiam água para as áreas atingidas, encharcam as camadas mais profundas de turfa, resfriam o solo queimado e inspecionam os locais onde ainda há fumaça. A BNPB informou que utiliza mangueiras, bombas portáteis e estruturas temporárias de armazenamento de água nos locais onde o abastecimento é limitado.</p>
<p>As aeronaves utilizadas para estimular chuvas complementam esse trabalho. A técnica, conhecida como semeadura de nuvens, consiste em dispersar substâncias em nuvens já existentes, quando as condições meteorológicas são favoráveis, para estimular a precipitação e umedecer áreas mais extensas.</p>
<p>Segundo a BNPB, essa estratégia complementa o combate terrestre e reduz a dependência dos helicópteros, cuja eficácia é limitada pelos custos operacionais e pela extensão das áreas que conseguem atender.</p>
<p>A fumaça, porém, continua sendo um obstáculo. De acordo com a BNPB, a baixa visibilidade havia impedido helicópteros de lançamento de água de operar em Kalimantan Central por mais de uma semana.</p>
<p>As autoridades mantinham as operações terrestres enquanto preparavam o envio de aeronaves adicionais para modificar as condições meteorológicas em Kalimantan Central e Sumatra do Sul.</p>
<p>Nesta quinta-feira, a BNPB anunciou o reforço das operações terrestres e aéreas, da vigilância dos focos de calor e do acompanhamento das condições meteorológicas, da direção dos ventos e da qualidade do ar. A agência também destacou a necessidade de ampliar a coordenação com países vizinhos para reduzir os efeitos da fumaça que atravessa as fronteiras.</p>
<p>A Indonésia também começou a testar materiais destinados a melhorar a eficácia do combate ao fogo. No dia 9, equipes realizaram uma experiência em uma área de turfa de Banyuasin, em Sumatra do Sul, utilizando um produto em pó diluído em água, desenvolvido para dificultar a propagação das chamas. A BNPB apresentou resultados preliminares favoráveis, mas não divulgou uma avaliação independente sobre sua eficácia.</p>
<h2>Por que os incêndios são tão difíceis de controlar?</h2>
<p>Uma das principais dificuldades está nas turfeiras, terrenos formados pelo acúmulo de matéria orgânica parcialmente decomposta em a/bombeiros e favorece o reaparecimento de incêndios em áreas aparentemente controladas.</p>
<p>A degradação ambiental também aumenta a vulnerabilidade desses terrenos. Segundo a organização indonésia Pantau Gambut, aproximadamente 16 milhões dos 24 milhões de hectares de turfeiras do país estão mais suscetíveis ao fogo.</p>
<h2>Histórico de incêndios recorrentes</h2>
<p>A extensão das áreas queimadas na Indonésia apresenta grandes oscilações de um ano para outro. Dados do Ministério das Florestas mostram que aproximadamente 1,65 milhão de hectares foram atingidos em 2019. Nos anos seguintes, os números diminuíram, antes de voltarem a crescer em 2023, quando o fogo consumiu 1,16 milhão de hectares.</p>
<p>Em 2024, foram registrados 376.806 hectares queimados e, em 2025, 343.432 hectares. Os números incluem florestas e outras áreas de vegetação, não apenas a perda de cobertura florestal.</p>
<p>Na terça-feira, o balanço da BNPB apontava aproximadamente 129.899 hectares queimados nas seis províncias prioritárias. Esse número regional não corresponde ao total nacional do ano.</p>
<p>A dimensão dos incêndios também pode ser observada em outras partes do mundo. Nos Estados Unidos, 64.393 incêndios haviam consumido aproximadamente 3,66 milhões de hectares até a quarta-feira, 14, segundo o Centro Nacional Interagências de Incêndios. A área queimada correspondia a 143% da média dos dez anos anteriores para o mesmo período.</p>
<p>Na União Europeia, o monitoramento do programa Copernicus registrou 692.419 hectares queimados até 7 de outubro, área inferior à contabilizada no mesmo período de 2025, mas superior à média histórica. O sistema monitora incêndios com aproximadamente 30 hectares ou mais.</p>
<p>No Canadá, o governo federal havia informado, em agosto, que 4,1 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo.</p>
<h2>Ajuda internacional</h2>
<p>A resposta à crise ganhou uma nova etapa nesta quinta-feira. Segundo a agência malaia Bernama, o ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Arrmanatha Nasir, informou que o presidente Prabowo Subianto aprovou o recebimento de ajuda oferecida por países vizinhos. A BNPB iniciou discussões técnicas para definir como o apoio será utilizado.</p>
<p>A decisão representa uma mudança na posição do governo, que até então afirmava ter condições de enfrentar os incêndios com recursos próprios.</p>
<p>Enquanto as operações continuam, as autoridades consideram que a chegada de chuvas persistentes será fundamental para reduzir os focos de incêndio, sobretudo nas turfeiras. A seca associada ao El Niño dificulta essa perspectiva, e a fumaça poderá continuar afetando a região nas próximas semanas.</p>
<p>Com agências internacionais</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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