<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:base="https://globalsouthworld.com/rss/tag/impeachment" version="2.0">
  <channel>
    <atom:link href="https://www.globalsouthworld.com.br/rss/tag/impeachment" rel="self" type="application/rss+xml" />
    <title>Global South World Brasil - impeachment</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Como o impeachment de Dilma reverbera na política brasileira 10 anos depois</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/como-o-impeachment-de-dilma-reverbera-na-politica-brasileira-10-anos-depois</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/como-o-impeachment-de-dilma-reverbera-na-politica-brasileira-10-anos-depois?feed=impeachment</guid>
      <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 02:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Há uma década, o PT deixava o governo federal depois de 13 anos no poder, encerrando um ciclo iniciado com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, e suspenso em 31 de agosto de 2016, quando o Senado cassou o mandato de Dilma Rousseff e consumou o processo de impeachment levou à sua saída da Presidência.</p>
<p>Embora o processo tenha tido como justificativa formal as chamadas pedaladas fiscais e a edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso, apontadas como crimes de responsabilidade, a queda da presidente foi resultado de uma crise que já havia ultrapassado a discussão sobre as contas públicas.</p>
<p>À época, Dilma vivia uma queda vertiginosa de aprovação, enfrentava uma relação cada vez mais deteriorada com o Congresso e assistia à multiplicação de grandes manifestações de rua que pediam sua saída em meio ao avanço da Operação Lava Jato e à crescente rejeição ao PT.</p>
<p>A saída de Dilma Rousseff, primeira mulher a chegar à Presidência da República, encerrou o ciclo de quatro vitórias presidenciais consecutivas do PT, mas não os efeitos políticos daquela crise. Ao contrário, o processo mudou o rumo de personagens e forças políticas que, de lados opostos, tiveram papel decisivo na crise.</p>
<p>Lula voltou à Presidência e tenta agora um quarto mandato nas eleições de outubro, enquanto Dilma Rousseff, que deixou o Planalto em 2016 e tentou retornar à política eleitoral dois anos depois, sem conseguir se eleger para o Senado por Minas Gerais, preside desde 2023 o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics.</p>
<p>Aloizio Mercadante, que ocupava a Casa Civil de Dilma no período mais agudo da crise, hoje preside o BNDES. </p>
<p>Jair Bolsonaro, então deputado de pouca expressão nacional, chegou ao Planalto, governou o país por quatro anos e se tornou inelegível. </p>
<p>Já Sergio Moro deixou a magistratura para entrar na política, foi eleito senador pelo Paraná e agora disputa o governo do Paraná, enquanto Deltan Dallagnol, outro dos principais símbolos da Lava Jato, elegeu-se deputado federal em 2022 e teve o mandato cassado pelo TSE no ano seguinte.</p>
<p>Entre os grupos que foram às ruas contra Dilma, o MBL seguiu um caminho próprio: Renan Santos, um dos fundadores do movimento, é candidato à Presidência da República.</p>
<h2>As marcas deixadas no PT</h2>
<p>A saída de Dilma não encerrou o desgaste que havia levado o PT à pior crise de sua história recente. Nas eleições municipais de 2016, realizadas poucas semanas depois do impeachment, o partido elegeu 256 prefeitos, contra 635 em 2012. Quatro anos depois, o número caiu novamente, para 183, antes de o partido recuperar parte do espaço em 2024, quando elegeu 252.</p>
<p>Nas capitais, a perda foi ainda mais evidente: o PT, que havia administrado quatro delas no ciclo anterior, terminou as eleições de 2020 sem comandar nenhuma e voltou a governar uma em 2024, Fortaleza, com Evandro Leitão.</p>
<p>A retração também apareceu nas eleições presidenciais. Em 2018, Fernando Haddad levou o PT ao segundo turno, mas acabou derrotado por Jair Bolsonaro, enquanto Lula, preso no ano anterior e impedido de disputar aquela eleição, permaneceu fora da corrida presidencial.</p>
<p>Quatro anos depois, Lula voltou à disputa, venceu Bolsonaro e reconduziu o PT ao Planalto, mas em uma composição política diferente daquela que havia sustentado os governos petistas anteriores, com uma frente mais ampla e uma dependência maior de alianças com partidos de centro.</p>
<p>"Há uma diferença grande entre Lula e PT. Mesmo com o presidente de volta ao cargo e reabilitado, o partido nunca se recuperou plenamente dos desgastes do governo Dilma e, na mesma época, da Operação Lava Jato", afirma Renato Dorgan, cientista político e CEO do instituto Travessia de Pesquisas.</p>
<p>Em 2024, o PT recuperou parte do espaço perdido nas eleições municipais, mas ainda ficou distante da presença que tinha no início da década passada.</p>
<p>O enfraquecimento do partido também teve efeitos sobre a renovação de suas lideranças, avalia Dorgan, para quem o período "tirou espaço da geração que sucederia Lula no PT".</p>
<p>Rodrigo Prando, professor de ciência política do Mackenzie-SP, entende que a polarização produzida naquele período beneficiou os extremos do espectro político, enquanto o centro perdeu espaço.</p>
<p>"Em uma situação de política polarizada, sempre ganham todos os polos. O impeachment gestou forças de direita e até de extrema-direita, mas Lula também se reabilitou e voltou a ser presidente. Quem mais perdeu foi a terceira via, o campo da centro-direita."</p>
<h2>A nova direita</h2>
<p>A oposição ao PT mudou de configuração depois de 2016. Até então, o PSDB havia sido seu principal adversário eleitoral, disputando a Presidência quatro vezes contra os petistas entre 2002 e 2014. A crise econômica, a Lava Jato e as manifestações de 2015 e 2016 abriram espaço para movimentos que atuavam fora das estruturas partidárias tradicionais e ajudaram a deslocar a oposição para uma direita mais ampla.</p>
<p>"Quem se deu muito bem com o impeachment foi a direita, mais especificamente o bolsonarismo. O governo Dilma deu base para este grupo afirmar que os governos petistas são ruins", afirma Dorgan.</p>
<p>A crise também ajudou Jair Bolsonaro a deixar a condição de deputado de pouca expressão nacional, tornar-se competitivo na disputa presidencial e vencer a eleição de 2018. </p>
<p>O bolsonarismo ocupou o espaço aberto pela crise e transformou a rejeição ao PT em uma força eleitoral nacional, mas a direita que havia se fortalecido naquele período nunca formou um bloco inteiramente coeso. Os grupos que haviam marchado juntos contra Dilma passaram, depois, a disputar entre si o espaço que ajudaram a abrir.</p>
<p>O MBL é um dos exemplos dessa ruptura. Depois de participar ativamente das manifestações contra Dilma, o movimento se afastou do bolsonarismo e passou a construir uma alternativa própria, processo que levou à criação do Missão e à candidatura presidencial de Renan Santos, um de seus fundadores.</p>
<p>A crise econômica que antecedeu o impeachment também continua presente no discurso da oposição. A recessão de 2015 e 2016, a deterioração fiscal e a perda de renda são usadas para atacar os governos petistas, enquanto, dentro do PT, permanece a interpretação de que Dilma foi vítima de um processo político que utilizou como fundamento crimes de responsabilidade cuja caracterização é contestada.</p>
<p>Para Prando, os efeitos políticos daquele período continuam presentes no debate eleitoral e ajudam a explicar a força da polarização atual. </p>
<p>"Independente do mérito do processo, fato é que a falta de condição política de Dilma, os maus resultados econômicos e as amplas manifestações populares contra seu governo transformaram-se em capital político ainda explorado pela oposição ao PT."</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asdvBPh3kgvgP9VJl.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Marcos Oliveira/ Agência Senado</media:credit>
        <media:title>dilma-rousseff</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos, Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
  </channel>
</rss>