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    <title>Global South World Brasil - feminicidio</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Laudo mostra que soldado Gisele foi assassinada</title>
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      <pubDate>Fri, 04 Sep 2026 21:57:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo descartou a hipótese de suicídio da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. A investigação concluiu também que houve a intervenção de outra pessoa em sua morte. </p>
<p>Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava, no Brás, região central de São Paulo. Seu então companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, é réu por feminicídio e permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes. O caso chocou o país.</p>
<p>Segundo a perícia, a análise das manchas de sangue e dos demais vestígios encontrados no apartamento contradiz a versão de suicídio e sustenta a participação de uma segunda pessoa. O laudo complementar, de 15 páginas, foi elaborado após questionamentos apresentados pela defesa de Geraldo, que nega o crime.</p>
<p>Uma nova audiência está marcada para terça-feira, 8, quando o tenente-coronel deverá ser interrogado.</p>
<h2>O que aconteceu</h2>
<p>Geraldo estava no apartamento quando Gisele morreu. Inicialmente, o tenente-coronel informou às autoridades que ela havia cometido suicídio. Uma vizinha, porém, relatou ter ouvido um disparo às 7h28. O chamado do então marido à Polícia Militar ocorreu às 7h57, quase meia hora depois.</p>
<p>As suspeitas aumentaram com os resultados da perícia. Laudos do Instituto Médico Legal identificaram lesões no rosto e no pescoço da soldado, incluindo marcas compatíveis com pressão dos dedos e unhas. Exames também apontaram que Gisele havia sido agredida por um adulto. Não encontraram vestígios de pólvora em suas mãos.</p>
<p>Também foram encontradas manchas de sangue no banheiro e no calção de Geraldo. O militar tomou banho após a chegada da polícia, apesar da orientação para que não o fizesse. A medida iria preservar possíveis vestígios. Mensagens encontradas no celular de Gisele também indicaram situações de humilhação no relacionamento. </p>
<p>Geraldo foi preso em 18 de março, em São José dos Campos. No fim de agosto, o Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva ao considerar, entre outros pontos, o risco de interferência na produção de provas e os indícios de tentativa de alteração da cena da morte.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram e edição por IA para aumentar a resolução</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Lei Maria da Penha: 20 anos de um marco na luta contra a violência que fere e mata mulheres no Brasil</title>
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      <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 11:54:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Principal marco legal da prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil,  a Lei Maria da Penha completa 20 anos  nesta sexta-feira, 7. Foi sancionada após uma  extensa batalha até que se tornasse realidade.  Atualizada ao longo desse período, hoje dispõe de 46 artigos distribuídos em sete títulos, com mecanismos para prevenir e coibir agressões físicas, psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais e para oferecer assistência às vítimas.</p>
<p>Oficialmente, ela é a  Lei nº 11.340/2006 . Mas ficou amplamente conhecida pelo nome da  farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes , que se empenhou em buscar a Justiça para a violência que sofreu do então marido, o colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, com quem se casou em 1976.</p>
<p>Em maio de 1983, quando a farmacêutica já tinha três filhas, ela levou um tiro nas costas. Era de noite e Maria da Penha dormia.  O tiro a deixou paraplégica . Marco Antonio disse à polícia que o ataque teria sido de um ladrão que invadira a casa. Mas a investigação desmontou a história que ele tinha inventado com base em provas reunidas pela vítima. Após obter cidadania brasileira e encontrar estabilidade profissional, Marco Antonio se tornou uma pessoa agressiva na relação com a mulher e as filhas. Já era um agressor.</p>
<p>Quatro meses depois desse crime, Maria da Penha pôde sair do hospital e retornar à casa. Porém, Marco Antonio a manteve em cárcere privado durante 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. Essa foi a segunda tentativa de  feminicídio, palavra que, na época, nem se imaginava entrar um dia no vocabulário das mulheres.</p>
<p>A farmacêutica narra esses e outros momentos em seu livro “ Sobrevivi... posso contar ” (1994).</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asSSJLMvMXc8AskPl.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Maria da Penha foi atingida por um tiro nas costas que a deixou tetraplégica."/>
<p>Com ajuda da família e de amigos, Maria da Penha conseguiu obter apoio jurídico que garantisse sua saída de casa sem que isso configurasse abandono de lar – o que poderia levá-la a perder a guarda das filhas. Em seguida, iniciou-se uma longa luta para que o ex-marido respondesse pelo crime na Justiça.</p>
<p>O primeiro julgamento de Marco Antonio aconteceu oito anos depois do crime, em 1991. Foi  sentenciado a 15 anos , mas, por manobras da defesa, conseguiu sair do fórum em liberdade.</p>
<p>O segundo julgamento foi realizado em 1996, dois anos depois do lançamento do livro de Maria da Penha. O agressor foi  condenado a 10 anos e 6 meses de prisão . Novas manobras da defesa o livraram da cadeia mais uma vez.</p>
<p>Em 1998, o descaso da Justiça brasileira chegou a esferas internacionais. Maria da Penha, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional e o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Estado brasileiro permaneceu sem responder às denúncias.</p>
<p>Em 2001, após ignorar quatro ofícios enviados pela comissão entre 1998 e 2001,  o Brasil foi responsabilizado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica contra as mulheres.</p>
<p>No ano seguinte, um consórcio de organizações feministas elaborou uma proposta de lei para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.</p>
<p>A prisão de Marco Antonio só ocorreu em 29 de outubro de 2002, em Natal, 19 anos após a tentativa de feminicídio e quando a pena estava perto de prescrever. Ele cumpriu cerca de dois anos de prisão antes de passar ao regime semiaberto e, posteriormente, obter a liberdade condicional.</p>
<p>Quatro anos depois da prisão do agressor de Maria da Penha, o projeto de lei, que criava mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica, instituía os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e previa medidas protetivas para as vítimas,  foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado . Em 7 de agosto de 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva  sancionou a Lei nº 11.340 .</p>
<p>Como parte das recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Maria da Penha foi indenizada pelo Estado do Ceará, e a lei recebeu seu nome em reconhecimento à sua  luta pelos direitos das mulheres .</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/ashoasqs8DrITo1En.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Maria da Penha em evento do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília. Foto: "/>
<p>A farmacêutica criou em 2009 o  Instituto Maria da Penha , uma organização não governamental e sem fins lucrativos, que atua junto a diversos setores da sociedade e promove ações de enfrentamento à violência contra a mulher, além de permanecer atenta ao cumprimento da lei. A entidade zela pela  uniformidade da aplicação da legislação .</p>
<h2>Que cenário temos hoje?</h2>
<p>O  20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública , divulgado pelo  Fórum Brasileiro de Segurança Pública  (FBSP) no fim de julho, mostra que foram registrados  1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica,  iniciada em 2015, quando o crime foi incluído no Código Penal.</p>
<p>Em relação a 2024, o total desses crimes cresceu 4%. Isso corresponde a uma taxa de 1,4 vítima por 100 mil mulheres.</p>
<p>Em 2025, os feminicídios corresponderam a  44,4% das mulheres assassinadas  no Brasil, a maior proporção desde a criação da categoria penal.</p>
<p>O documento aponta ainda que  4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio : foram quase três crimes tentados para cada morte consumada.</p>
<p>As autoras de um capítulo do anuário dedicado à violência cometida contra as mulheres –  Isabella Matosinhos, pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões, e Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça no FBSP  – destacaram a Lei Maria da Penha como “um divisor de águas que, ao permitir o endereçamento normativo das demandas  derivadas da violência doméstica e familiar, criou, simultaneamente, um novo paradigma para a responsabilização dos autores de violência, bem como retirou a violência contra as mulheres do âmbito estritamente privado e a transformou em um problema político de Estado”.</p>
<p>Segundo Isabella e Juliana, “o marco jurídico foi reorganizado, porém não foi suficiente para desmontar, na mesma velocidade, a combinação de dependência econômica, controle coercitivo, tolerância social à violência e falhas na proteção estatal, que alimentam o ciclo de agressões”.</p>
<p>Elas salientam que é sabido que os feminicídios costumam ser o último estágio de “uma dinâmica cíclica e crescente de abusos”. Ou seja,  os casos de ameaças, perseguições e violências psicológicas, entre outras agressões, representam um risco acumulado.  Na visão das autoras, se monitorados, eles permitem enxergar o padrão de escalada que frequentemente culmina em feminicídio.</p>
<p>Uma pesquisa do  Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva , divulgada recentemente, mostra que a Lei Maria da Penha ampliou o conhecimento da população sobre a violência doméstica, mas  o problema continua disseminado no país.  O estudo revela que  muitas mulheres só identificam determinadas agressões como violência quando elas são descritas de forma específica.</p>
<p>Quando questionadas de maneira geral,  34%  das mulheres disseram já ter sofrido violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. No entanto, ao serem apresentadas às diferentes formas de violência previstas na Lei Maria da Penha, esse percentual sobe para  54% , o equivalente a cerca de  47,7 milhões de brasileiras  que já vivenciaram pelo menos um tipo de violência tipificado pela legislação. Entre as ocorrências mais relatadas estão as  violências psicológica e física .</p>
<p>Por outro lado,  apenas 11% dos homens admitem ter cometido alguma agressão  contra uma parceira ou ex-parceira com quem já se relacionou. Esse índice sugere que há um longo caminho a percorrer no país para uma efetiva diminuição das violências cometidas contras as mulheres no Brasil.</p>
<h2>Conversas no WhatsApp</h2>
<p>Em nossa comunidade do  WhatsApp ,  Segurança e Força para as Mulheres no Brasil  – criada para levar conteúdo para mulheres, mães e famílias que acompanham as leis, os serviços e as histórias que tornam o país mais seguro –, apresentamos uma pergunta ( mais abaixo ).</p>
<p>Destacamos aqui três respostas de integrantes da comunidade.</p>
<p>Diante dos desafios que as mulheres ainda enfrentam hoje, qual é a medida mais urgente que precisa ser adotada para aumentar a segurança das mulheres?</p>
<p>“ Serem ouvidas de verdade. Sem influência externa. Até nos B.O.s os policiais interferem”</p>
<p>Duda</p>
<p>“ Letramento do ecossistema judicial. Principalmente o  Protocolo de Gênero do CNJ.  Desde o porteiro até o juiz e desembargadores. E demais instituições de apoio ”</p>
<p>Flávia</p>
<p>“ Comunicação entre os processos. Meu caso: casei com uma pessoa que estava em liberdade provisória por estupro, cárcere privado e tortura. Cometidos em 2018. Sofri os mesmos crimes culminando em tentativa de feminicídio em 2022. E o mesmo foi julgado como réu primário em 2024 porque o antigo [processo] da ex mulher estava parado desde 2018. Só voltou a andar em 2024 porque eu abri um segundo processo de estupro e violência psicológica. [Ele foi] condenado a 22 anos e 2 meses, ainda em grau de recurso. O da ex-mulher ainda não saiu a sentença, mesmo sendo julgado um mês antes do meu. A partir de janeiro do ano que vem poderá sair em semiaberto (...). Resumindo: o mesmo homem, com três processos nas costas por crimes hediondos cometidos contra mulheres diferentes sendo beneficiado com semiaberto e réu primário simplesmente por morosidade e erros judiciários inaceitáveis ”</p>
<p>Luciana</p>
<h3>Leia também: </h3>
<h6>Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta</h6>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Marcas do feminicídio no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/marcas-do-feminicidio-no-brasil-em-2025</link>
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      <pubDate>Thu, 23 Jul 2026 22:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, iniciada em 2015, quando o crime foi incluído no Código Penal. O total cresceu 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 vítima para cada grupo de 100 mil mulheres.</p>
<p>Os dados integram o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A edição é publicada às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 para criar mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.</p>
<p>Um dos destaques do Anuário é a queda de 10% dos homicídios dolosos em relação a 2024. Além disso,  o Brasil registrou em 2025 uma queda de 8,2% em mortes violentas intencionais (MVI)  em relação ao ano anterior. Foram 40.775 registros, o que representa uma taxa de 19,1 óbitos por 100 mil habitantes.</p>
<p>No início desta semana, foram divulgados os  números de feminicídio do primeiro semestre deste ano  segundo o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Mulheres a partir das informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O país registrou 741 casos, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas nove estados tiveram alta, entre eles, São Paulo.</p>
<h2>Feminicídios crescem na contramão dos homicídios</h2>
<p>Autoras de um capítulo do Anuário sobre o feminicídio, Isabella Matosinhos, pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões, e Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça no FBSP, avaliam que a lei representou um divisor de águas ao retirar a violência doméstica do campo privado e transformá-la em um problema político e de Estado. O avanço jurídico, porém, não conseguiu desmontar na mesma velocidade a combinação de dependência econômica, controle coercitivo, tolerância social à violência e falhas na proteção estatal que alimenta o ciclo de agressões.</p>
<p>O levantamento mostra que os feminicídios aumentaram mesmo em um período de redução das mortes violentas intencionais de mulheres. Em 2025, o país contabilizou 3.539 mulheres assassinadas, queda de 5,5% na comparação com o ano anterior. Desse total, 1.571 casos foram classificados como feminicídios e 1.968 permaneceram registrados como homicídios femininos sem motivação de gênero identificada.</p>
<p>Todo feminicídio é uma morte violenta intencional de mulher, mas nem toda mulher assassinada é considerada vítima de feminicídio. A classificação é aplicada quando a morte ocorre em contexto de violência doméstica e familiar ou envolve menosprezo ou discriminação à condição de mulher.</p>
<p>Em 2025, os feminicídios corresponderam a 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil, a maior proporção desde a criação da categoria penal. O ano também foi o primeiro período completo de vigência da Lei nº 14.994, de 2024, que transformou o feminicídio em crime autônomo, deixando de tratá-lo apenas como uma qualificadora do homicídio.</p>
<p>Para Isabella e Juliana, os dados revelam um “recuo seletivo” da violência letal contra as mulheres. Diminuíram principalmente as mortes associadas a dinâmicas como disputas territoriais, mercados ilícitos e outras manifestações da violência urbana. Não recuaram, porém, os assassinatos motivados por desigualdade de gênero, cometidos sobretudo dentro de casa e por homens próximos às vítimas.</p>
<p>A análise sustenta que o feminicídio não acompanha a queda geral dos homicídios porque é alimentado por relações marcadas por desigualdade, controle, dominação, machismo e padrões violentos de masculinidade. É, nas palavras das autoras, “a violência que permanece”, mesmo diante da queda dos demais homicídios de mulheres.</p>
<p>A taxa de feminicídios cresceu em 18 unidades da Federação: Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.</p>
<p>Os maiores aumentos ocorreram no Amapá, onde a taxa avançou 347,7% e chegou a 2,2 vítimas por 100 mil mulheres; no Acre, com alta de 74,3% e taxa de 3,2, a maior do país; e em Rondônia, com crescimento de 66% e taxa de 2,9.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asQHQD80gppRk0aLz.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Tabela mostra os casos de homicídios de mulheres e de feminicídios (quando o crime é cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino). Aqui, foram feitos dois quadros para melhor visualização. A parte 1 inclui os números nacionais e estaduais, do Acre a MG."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asndQXMpu7jmSCc6Y.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Tabela 2 de homicídios e feminicídios, com dados dos estados entre Pará e Tocantins."/>
<h2>Quase três tentativas para cada morte</h2>
<p>O Anuário contabilizou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. O número equivale a quase três tentativas para cada um dos 1.571 feminicídios consumados no país. Segundo a publicação, “o autor não desistiu de matar: ele não conseguiu”.</p>
<p>A tentativa aparece como o degrau mais próximo da morte em uma escalada que pode incluir ameaça, perseguição, humilhação, violência psicológica, agressão física, controle da rotina e violação de medidas protetivas.</p>
<p>Os crimes que frequentemente antecedem o feminicídio também cresceram em 2025. Os registros de perseguição aumentaram 30,1%; os de violência psicológica, 16,9%; e os de descumprimento de medidas protetivas de urgência, 16,7%. Este último indicador avançou em todas as unidades da federação.</p>
<p>Para cada feminicídio consumado, o país registrou, em média, 502 ameaças, 182 casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 84 descumprimentos de medidas protetivas e 79 ocorrências de perseguição.</p>
<h2>Uma em cada nove vítimas estava sob proteção</h2>
<p>A falha do Estado aparece de forma mais direta nos feminicídios cometidos contra mulheres que tinham uma medida protetiva ativa. Apenas 18 unidades da federação forneceram essa informação. Nelas, 70 das 797 vítimas estavam formalmente sob proteção quando foram assassinadas, o equivalente a 8,8% dos casos — aproximadamente uma em cada nove mulheres.</p>
<p>Em 2024, a proporção havia sido de 8,6%. A estabilidade sugere um padrão, embora o resultado seja incompleto. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia não informaram quantas vítimas tinham medida protetiva ativa. Juntos, os quatro estados concentraram mais de 40% dos feminicídios do país.</p>
<p>A medida protetiva é uma ordem judicial destinada a interromper a violência. Ela pode determinar, entre outras providências, o afastamento do agressor do lar e a proibição de manter contato ou se aproximar da vítima.</p>
<p>“Uma parcela significativa das mulheres mortas por feminicídio já havia acionado o sistema de proteção. Elas tinham uma medida protetiva ativa. O Estado havia se comprometido, formalmente, a protegê-las. Mas não protegeu”, afirmam Isabella e Juliana.</p>
<p>Em 2025, foram contabilizados 132.025 descumprimentos de medidas protetivas, alta de 16,7%. Isso representa 362 violações por dia, 15 por hora ou uma a cada quatro minutos.</p>
<p>Para as autoras, o descumprimento da ordem judicial é frequentemente um sinal claro de alarme antes da morte. Ainda assim, “o Estado brasileiro o registra 362 vezes por dia sem, ainda, tratá-lo como tal”.</p>
<h2>Paraná reúne os indicadores mais graves</h2>
<p>O Paraná apresentou a maior taxa de descumprimento de medidas protetivas do país: 195,3 registros para cada 100 mil mulheres, mais de três vezes a média nacional.</p>
<p>Entre os estados que forneceram informações, o Paraná também teve a maior proporção de feminicídios cometidos contra mulheres com medida protetiva ativa. Em 2025, 13 mulheres foram assassinadas nessas condições, o equivalente a 14,9% das vítimas de feminicídio no estado.</p>
<p>Os autores do Anuário ponderam que uma taxa elevada de descumprimentos pode indicar tanto dificuldade para conter os agressores quanto maior eficiência na fiscalização e no registro das violações. No Paraná, porém, a combinação dos dois indicadores aponta para um quadro mais grave: as medidas protetivas são descumpridas e, com frequência superior à média, essas violações terminam em morte.</p>
<h2>Características dos crimes cometidos no ano passado</h2>
<p>Os registros de 2025 mostram que o feminicídio no Brasil é, sobretudo, “uma violência doméstica, relacional e privada”:</p>
<p>Os dados sobre o perfil precisam ser interpretados considerando as falhas no preenchimento dos registros policiais. A raça ou cor não foi informada em 13,1% dos feminicídios. A relação entre vítima e autor estava ausente em 74,8% dos casos. Portanto, os percentuais sobre companheiros, ex-companheiros e outros autores consideram somente as ocorrências em que o vínculo foi registrado.</p>
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        <media:title>Mulher ameaçada</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Feminicídios recuam 2,5% no 1º semestre, mas aumentam em nove estados</title>
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      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 21:18:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil registrou 741 feminicídios no primeiro semestre de 2026, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 760 mulheres foram assassinadas. A diferença representa 19 mortes a menos, mas não ocorreu de forma homogênea: nove estados tiveram aumento nos casos e três das cinco regiões do país encerraram o período com alta.</p>
<p>Os dados constam do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Mulheres a partir das informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).</p>
<p>Mesmo com a redução, o país manteve uma média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica ou familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição feminina.</p>
<p>Junho teve 108 vítimas, o menor número mensal do primeiro semestre. A comparação entre os dois primeiros trimestres também mostra uma redução de 59 feminicídios entre os períodos de janeiro a março e de abril a junho.</p>
<h2>Queda não ocorreu em todo o país</h2>
<p>As regiões Norte e Nordeste puxaram a redução nacional, com quedas de 20% e 19,9%, respectivamente. Centro-Oeste e Sul seguiram na direção oposta, com aumentos de 19% e 19,2%. No Sudeste, os casos cresceram 2,6%.</p>
<p>Entre os estados, a maior alta proporcional ocorreu em Goiás, onde o número de feminicídios aumentou 113,6%. Em seguida aparecem Sergipe, com crescimento de 71,4%; Amazonas, de 66,7%; Santa Catarina, de 33,3%; Paraná, de 17%; Amapá, de 16,7%; Rio Grande do Sul, de 13,9%; São Paulo, de 10,1%; e Rio Grande do Norte, de 10%.</p>
<h2>São Paulo concentra maior número de casos</h2>
<p>No Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, São Paulo apresentou o maior número de feminicídios do país no primeiro semestre. Foram 142 vítimas entre janeiro e junho de 2026, ante 129 no mesmo período de 2025, alta de 10,1%.</p>
<p>Vale ressaltar que esses números são dos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Mulheres, com dados do Sinesp.</p>
<p>Já o levantamento mais recente da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo cobre um período menor. A base estadual contabilizou 124 feminicídios entre janeiro e maio de 2026, 17 a mais do que as 107 ocorrências registradas nos mesmos cinco meses de 2025. O crescimento foi de 15,9%. Desse total, 85 feminicídios ocorreram no interior paulista.</p>
<p>Considerando apenas maio, houve redução: os registros passaram de 26, em 2025, para 18 neste ano. Nos municípios do interior, caíram de 15 para nove.</p>
<p>A SSP afirma que os dados mostram que o enfrentamento ao feminicídio permanece como um desafio para as forças de segurança e para a rede de proteção às mulheres.</p>
<p>Alguns indicadores demonstram a complexidade de tratar o problema. Na Grande São Paulo, os registros de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentaram 11% entre janeiro e maio, passando de 12.298, em 2025, para 13.685 neste ano. As ocorrências de ameaça cresceram 16%, de 15.886 para 18.471, enquanto as de violência psicológica avançaram 19%, de 574 para 684.</p>
<p>No estado, os registros de estupro também aumentaram nos cinco primeiros meses do ano: passaram de 6.219 para 6.500. Apenas em maio, foram 1.320 ocorrências, ante 1.183 no mesmo mês de 2025.</p>
<h2>Resultado nacional vem após recorde em 2025</h2>
<p>A redução nacional registrada no primeiro semestre ainda não representa uma reversão da trajetória recente. O Brasil encerrou 2025 com 1.568 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.</p>
<p>O total representou crescimento de 4,7% em relação às 1.492 vítimas contabilizadas em 2024. Nos últimos cinco anos, o número de feminicídios aumentou 14,5%: passou de 1.347, em 2021, para 1.568, em 2025.</p>
<h2>Mais de 3.800 tentativas em um ano</h2>
<p>Em 2025, o Brasil registrou 3.813 tentativas de feminicídio, segundo o Mapa da Segurança Pública 2026, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foram, em média, mais de dez mulheres por dia que sobreviveram a ataques classificados pelas autoridades como tentativas de assassinato por razões de gênero.</p>
<p>O número ficou 11% acima do registrado em 2024, quando foram contabilizadas 3.436 vítimas. Para cada feminicídio consumado em 2025, houve mais de duas tentativas registradas pelas autoridades.</p>
<p>Mato Grosso apresentou o maior crescimento proporcional entre os estados com dados comparáveis: as tentativas passaram de 171 para 241, alta de 40,9%. No Maranhão, o número subiu de 107 para 150, crescimento de 40,2%. São Paulo teve o maior total, com 751 vítimas, 17,7% a mais do que as 638 registradas no ano anterior.</p>
<h2>Governo amplia operações</h2>
<p>Em fevereiro deste ano, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa destinada a fortalecer a rede de proteção às vítimas e melhorar a resposta do Estado à violência de gênero. Também foi inaugurado o Centro Integrado Mulher Segura, estrutura criada para integrar e monitorar os serviços de atendimento em todo o país.</p>
<p>O Ministério da Justiça coordena ainda a Operação Integrada Mulher Segura, que mobiliza as polícias civis e militares nos estados. As duas fases realizadas neste ano resultaram em 20.441 prisões, no atendimento a 92.144 vítimas e no acompanhamento de 55.808 medidas protetivas.</p>
<p>Do total de prisões, 16.131 ocorreram em flagrante e 4.310 decorreram do cumprimento de mandados. As ações mobilizaram quase 100 mil policiais.</p>
<p>Desde 2024, o feminicídio é definido como crime autônomo no Código Penal. A pena varia de 20 a 40 anos de prisão e pode chegar a 60 anos quando há agravantes. O endurecimento da legislação, no entanto, ainda convive com um número elevado de mulheres assassinadas ou que sobrevivem a tentativas de feminicídio no país.</p>
<p>Em mensagem enviado ao  GSW Brasil , o Ministério da Justiça diz que o enfrentamento da violência contra a mulher é uma prioridade do governo federal e da pasta. “A redução observada no primeiro semestre ocorre em um contexto de ampliação das ações de prevenção, proteção às vítimas, integração entre as forças de segurança e responsabilização dos agressores”. Além do Pacto Nacional, o Ministério da Justiça destacou a Operação Integrada Mulher Segura, entre as iniciativas em andamento. Esse trabalho, fora as prisões, envolve o cumprimento de mandados de prisão, o acompanhamento de medidas protetivas, o atendimento às vítimas e a realização de ações preventivas.</p>
<p>Outro ponto ressaltado foi o Decreto nº 12.976/2026, editado pelo governo federal para estabelecer diretrizes de enfrentamento à violência contra as mulheres no ambiente digital, que entrou em vigor nesta segunda-feira, 20. De acordo com a resposta do ministério, ele “constitui marco significativo para a responsabilização de agressores e para a mudança cultural, ao reconhecer que a violência de gênero também se manifesta na internet”.</p>
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        <media:title>Levante Mulheres Vivas</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Violência contra a mulher segue em alta, mesmo com programas e campanhas</title>
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      <pubDate>Mon, 29 Jun 2026 23:02:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A morte da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, vitimada por um tiro na cabeça em sua casa, causou comoção no país em fevereiro deste ano. No primeiro momento, trataram do caso como suicídio. Mas as investigações mudaram o rumo da história. Nesta segunda-feira, 29, começaram as audiências do processo em que o marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, também da PM, é réu por feminicídio e fraude processual. Ele estava no apartamento no momento do tiro, que ocorreu após uma briga do casal, e disse que confundiu o som do disparo com o barulho de uma porta batendo. Mas as circunstâncias da morte de Gisele levantaram suspeitas de assassinato. Mensagens no celular de Gisele aumentaram as dúvidas sobre a alegada inocência de Rosa Neto, que está preso desde o dia 18 de março.</p>
<p>O caso gerou, mais uma vez, debates sobre o aumento da violência contra a mulher no Brasil. O processo ainda tem está em seu início, mas exames demonstraram que Gisele foi agredida por um adulto e que não havia vestígio de pólvora nas mãos da soldado. Também não havia nas mãos do tenente-coronel, que decidiu tomar banho quando a polícia chegou, apesar da orientação contrária. Foram encontradas manchas de sangue no banheiro e no calção de Rosa Neto. E mensagens de celular demonstraram que a soldada passava por situações de humilhação por parte do marido.</p>
<p>Entre os casos confirmados como feminicídio, os números demonstram a gravidade e a escalada do quadro de violência contra a mulher no país, apesar de o tema ser cada vez mais divulgado e debatido, dos meios acadêmicos aos protestos nas redes sociais. Apenas no estado de São Paulo, o que mais registra esse tipo de morte, o balanço do primeiro quadrimestre de 2026 revela que a situação é alarmante. De janeiro a abril, foram 107 os casos de feminicídio, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública. É um aumento de 30,5% em relação ao mesmo período no ano passado. É também o maior número registrado nos quatro primeiros meses do ano desde 2018.  </p>
<h2>Cenário nacional</h2>
<p>Divulgado em março, o estudo “Retrato dos feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que, em 2025, o número de vítimas de feminicídio no país foi de 1.568, que representa um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. A tipificação da lei do feminicídio, em 2015, considera que esse crime está relacionado à condição da vítima ser do sexo feminino. Desde a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, foram contabilizadas mais de 13 mil mulheres vítimas de feminicídio em todo o território brasileiro.</p>
<p>Uma prima da estudante de educação física Lorena Gonçalves de Oliveira, moradora de Betim (MG) faz parte dessa aterradora estatística. “Para a família é muito triste. O ex-namorado dela não aceitou a separação e isso me mostrou a realidade: o quanto é importante apontar esse quadro para as pessoas porque não é algo normal. Acho que isso tem de ser trabalhado na sociedade”, afirma.</p>
<p>Já Larissa Martins da Silva, estudante de engenharia civil, relata que percebe essa realidade no dia a dia. “A violência está muito agravada. Está fora do comum. Eu vejo como influência de o homem sentir poder sobre a mulher. Tem muito influenciador digital que trata mulher como se fosse objeto”, acredita Larissa, que trabalha em construção civil em Belo Horizonte. Para ela, as leis precisam ser cumpridas de maneira mais eficaz. “Elas não são corretamente aplicadas”.</p>
<p>O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que os números são gerados por boletins de ocorrência registrados pelas polícias civis de cada estado. Os dados podem ser ainda maiores, já que nem todos os casos são tipificados como feminicídio, seja na hora de registrar o boletim de ocorrência ou pela falta de registro como um todo.</p>
<h2>Agressores na mira</h2>
<p>Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um conjunto de Projetos de Lei e decretos para ampliar a proteção das mulheres e fortalecer mecanismos de responsabilização de agressores. Nesse sentido, foi criado o Cadastro Nacional de Agressores, um banco de dados com nomes de pessoas que foram condenadas por violência contra a mulher.</p>
<p>Outra proposta focou o ambiente digital como meio de combater o discurso de ódio. Com isso, as plataformas sociais devem atuar para coibir a disseminação de crimes, fraudes e violências em seus ecossistemas e reduzir eventuais danos causados às vítimas.</p>
<p>As medidas surgiram na data em que se celebraram 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, firmado entre Executivo, Legislativo e Judiciário. No balanço desse acordo, o Ministério da Justiça informou que mais de seis mil agressores de mulheres foram presos. Nesses 100 dias, o poder judiciário deu celeridade em algumas das decisões. Mais da metade das medidas protetivas de urgência, contra agressores de mulheres, passaram a ser concedidas no mesmo dia. </p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/Annie Spratt </media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon, Bruno Torquato]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Setor privado reforça combate à violência contra a mulher</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/setor-privado-reforca-combate-a-violencia-contra-a-mulher</link>
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      <pubDate>Mon, 29 Jun 2026 21:41:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência contra a mulher e os casos de feminicídio no Brasil têm causas que se entrelaçam. É resultado de questões culturais, raciais e institucionais que se reforçam mutuamente na sociedade brasileira. </p>
<p>Os números que avaliam esse cenário conjunto impressionam por si só. Os relatos individuais encontrados nas redes sociais se multiplicam a cada ano e muitas mulheres seguem mal informadas sobre como se proteger de casos de agressão antes que a violência se torne uma estatística de feminicídio. </p>
<p>“A falta de conhecimento dos canais de ajuda leva muitas mulheres a não tomarem medidas de proteção. Daí, os casos podem evoluir para situações fatais. É preciso agir antes, criando uma rede de apoio física ou virtual”, afirma Fabiano Moraes, advogado e cofundador do Assistência Maria, um serviço de apoio à mulher feito por geolocalização e que o agressor não consegue identificar de forma fácil.</p>
<p>Segundo Moraes, a primeira medida do agressor é vasculhar o celular da mulher. “Ele vai em busca de aplicativos, fotos e contatos de homens no WhatsApp. Esse é um comportamento já mapeado.” </p>
<p>O serviço Assistência Maria não é um aplicativo. É um contato no WhatsApp de uma mulher negra que pode ter qualquer nome. A escolha desse perfil, explica Moraes, faz referência ao recorte racial relativo à violência feminina no Brasil: 62,6% das vítimas são negras. </p>
<p>“O agressor não identifica de forma fácil que aquele contato é um canal de assistência que oferece uma gama de serviços à mulher, que vai desde orientação legal, saúde, proteção física dela e dos filhos. O direcionamento é feito por geolocalização, ou seja, direcionado de forma muito específica”, diz. </p>
<p>A ferramenta também possibilita a criação de uma rede de apoio de pessoas que serão acionadas caso a mulher esteja em situação de risco. O serviço é oferecido como um dos benefícios comercializados nos pacotes das seguradoras. Também pode ser contratado junto com a aquisição de uma linha de financiamento habitacional do banco Caixa Econômica Federal. </p>
<p>Moraes ressalta que o risco maior está no ambiente doméstico. Em 2025, quase 70% das agressões ocorreram em casa, sendo 40,76% no lar da vítima e 28,58% em residência compartilhada com o suspeito. Os dados são da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, que considerou 155.111 denúncias de violência contra às mulheres. </p>
<h2>Alerta para mulheres</h2>
<p>Para aqueles que já ouviram a antiga expressão “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, a empresária do segmento de varejo Luiza Trajano responde “Eu meto sim.” Esse é o mote de uma campanha lançada pela presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza (Magalu), uma das maiores potências de varejo e tecnologia do Brasil. A companhia fatura cerca de R$ 70 bilhões anualmente, opera mais de 1.250 lojas físicas espalhadas por 21 estados brasileiros e possui um quadro com mais de 40.000 funcionários.</p>
<p>A empresária conta que o Magalu assumiu uma posição firme: em briga de marido e mulher, a gente mete a colher, sim. “Reforçamos a importância dessa luta com um dado alarmante: 75% das mulheres no Brasil desconhecem seus próprios direitos em casos de violência. Elas precisam saber que não estão sozinhas”, diz a empresária no vídeo de divulgação da campanha nas redes sociais. A iniciativa faz parte das medidas adotadas pela varejista a partir da morte de uma gerente da companhia, em 2017. Ela tinha 37 anos e foi assassinada pelo marido dentro de casa, em Campinas, no interior paulista. </p>
<p>A primeira ação do Magalu foi criar o Canal Mulher, uma linha interna sigilosa para que as funcionárias pudessem fazer denúncias. Outra medida foi incluir no aplicativo da rede varejista um botão para que a usuária se conecte ao Ligue 180. Investir em comunicação, orientando as mulheres a reconhecer a escalada de violência foi mais uma iniciativa.</p>
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        <media:title>Celular na mão de mulher </media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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