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    <title>Global South World Brasil - estresse</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Estresse eleitoral: dá para poupar a saúde do corpo e da mente nesta reta final?</title>
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      <pubDate>Fri, 23 Oct 2026 21:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A disputa pela Presidência da República chega ao fim neste domingo, 25. Nas redes sociais, a piada em tom de verdade é que todos estão esgotados. Afinal, estas eleições foram marcadas pela já aguardada polarização, mas também por uma intensa disputa pelo voto em uma guerra que ganhou exércitos e tropas com missões atribuídas de lado a lado.</p>
<p>Às vésperas da definição de quem governará o país pelos próximos quatro anos, a tensão está nas alturas e isso pode ter consequências para a saúde do corpo e da mente. Ansiedade, noites maldormidas, irritabilidade e manifestações físicas da estafa provocada pela corrida eleitoral estão entre os efeitos possíveis deste período em que muitas pessoas sentem que o futuro está em jogo.</p>
<p>Mas é possível acompanhar a votação e principalmente a apuração sem colocar cargas demasiadas sobre os ombros, ainda mais se a pessoa esteve tão engajada nas últimas semanas que foi para as ruas, para as redes e para o WhatsApp?</p>
<p>Para responder a essas questões, o GSW Brasil ouviu a psicóloga clínica Helena Gullo e o médico clínico Cláudio Miguel Rufino, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Eles explicam como a exposição prolongada ao estresse pode afetar a saúde e recomendam maneiras de reduzir o desgaste sem deixar de acompanhar o processo eleitoral.</p>
<h2>Sentir ansiedade não significa estar doente</h2>
<p>A primeira preocupação de Helena é evitar que sentimentos compreensíveis diante de uma eleição tão disputada sejam automaticamente tratados como sintomas de uma doença.</p>
<p>"Antes de mais nada, é bom não 'patologizar' a ansiedade e a angústia das pessoas nesse momento. É algo esperado. Não estamos diante de uma eleição comum. Há uma polarização bastante agressiva e uma sensação de instabilidade constante", afirma.</p>
<p>A psicóloga propõe uma reflexão: "Será que não seria um sinal de saúde a pessoa inserida nessas condições sentir-se ansiosa e não apática?"</p>
<p>Segundo Helena, o problema começa quando a tensão interfere na rotina. A sensação de que tudo está em jogo e de que é necessário defender permanentemente as próprias convicções pode produzir irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações no sono e esgotamento emocional. O medo do futuro também pesa, mas isso não significa que a população esteja psicologicamente adoecida.</p>
<h2>O estresse político pode afetar também o organismo</h2>
<p>Rufino esclarece que o organismo humano reage a situações de tensão por meio de mecanismos fisiológicos de adaptação. O estresse não é necessariamente uma doença, mas sua persistência pode comprometer o corpo.</p>
<p>"A saúde é diretamente afetada pela exposição a períodos prolongados de estresse. Quando nosso organismo não consegue mais se adaptar, podemos desenvolver doenças psíquicas e orgânicas", afirma.</p>
<p>Em situações de estresse, o organismo libera hormônios, como adrenalina e cortisol, que podem acelerar os batimentos cardíacos, elevar temporariamente a pressão arterial e alterar o funcionamento gastrointestinal.</p>
<p>O médico reforça que o adoecimento depende de uma combinação de fatores. "O estresse existe desde a origem da humanidade. O adoecimento pode ocorrer ou não, sendo o momento mais um fator, mas geralmente existem fatores subjacentes que se somam", explica.</p>
<p>Na psicologia, Helena destaca o estresse crônico, que ocorre quando situações desgastantes se prolongam e a pessoa encontra dificuldades para se recuperar emocionalmente. Há também pesquisas sobre o chamado estresse político, associado à exposição frequente a conflitos, notícias e incertezas.</p>
<p>Um aspecto que pode intensificar esse processo é a identificação emocional com candidatos e grupos políticos.</p>
<p>"Quando a preferência política passa a ocupar um lugar central na identidade da pessoa, uma crítica ao candidato pode ser vivida quase como uma agressão pessoal", observa. Isso ajuda a explicar por que discussões políticas podem afetar relações familiares, amizades e o ambiente de trabalho.</p>
<h2>Hipertensos e pessoas com doenças cardíacas precisam de atenção</h2>
<p>A tensão durante a apuração dos votos exige cuidados especiais de quem já apresenta problemas de saúde. Rufino recomenda que pessoas com hipertensão arterial e doenças coronarianas, que afetam as artérias responsáveis por levar sangue ao coração, evitem situações de estresse agudo.</p>
<p>Isso não significa deixar de acompanhar os resultados, mas reduzir a exposição a situações que provoquem reações intensas, especialmente quando houver orientação médica para controlar fatores de risco cardiovascular.</p>
<p>Sintomas como dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio não devem ser atribuídos automaticamente à ansiedade. Nessas situações, é necessário procurar atendimento médico imediato.</p>
<h2>Redes sociais e WhatsApp: como evitar a fadiga mental</h2>
<p>A circulação incessante de pesquisas, vídeos, mensagens e provocações políticas pode transformar o acompanhamento das eleições em uma atividade ininterrupta.</p>
<p>Helena alerta que as redes sociais produzem uma sensação de urgência permanente. "A cada nova mensagem, surge a impressão de que precisamos ler, responder, compartilhar. Essa exposição contínua pode aumentar a ansiedade e dificultar o descanso mental", diz.</p>
<p>Para reduzir o desgaste sem comprometer o acesso às informações, siga estas dicas:</p>
<p>"Ninguém precisa responder a todas as provocações ou convencer todas as pessoas de que está certo. Preservar relações e estabelecer limites são atitudes saudáveis", avalia Helena.</p>
<h2>O que fazer na véspera da votação</h2>
<p>No sábado, 24, a principal recomendação dos especialistas é preservar a rotina e reservar espaço para atividades prazerosas.</p>
<p>Helena sugere dormir adequadamente, praticar alguma atividade física e encontrar pessoas queridas. Rufino acrescenta a importância de relaxar, dedicar-se a um hobby e refletir sobre o momento sem permanecer continuamente exposto às discussões políticas.</p>
<p>A proposta não é ignorar a importância da eleição, mas impedir que a expectativa ocupe todas as horas do dia.</p>
<h2>Durante a apuração, não é preciso acompanhar cada voto</h2>
<p>Para os eleitores, o domingo representará o momento de maior expectativa emocional. Depois de depositar o voto na urna, eles passam a acompanhar um resultado que já não depende da decisão individual.</p>
<p>"Depois de votar, precisamos aceitar que o resultado depende de milhões de pessoas. A tentativa de controlar mentalmente algo que não depende exclusivamente de nós só aumenta a ansiedade", esclarece Helena.</p>
<p>Durante a apuração, ela recomenda fazer pausas, caminhar, praticar exercícios simples de respiração e conversar com pessoas de confiança.</p>
<p>Rufino sugere associar o acompanhamento dos resultados a situações agradáveis. "Procure associar as notícias a momentos de prazer, como estar com familiares, confraternizar com amigos ou realizar alguma atividade gratificante", recomenda.</p>
<p>Para quem apresenta problemas cardiovasculares, reduzir o tempo diante das telas e evitar discussões acaloradas pode ser especialmente importante.</p>
<h2>A derrota pode provocar um sentimento de luto</h2>
<p>A divulgação do resultado não encerra necessariamente a tensão emocional. Para parte dos eleitores, especialmente aqueles que participaram ativamente da campanha, a derrota de um candidato pode provocar tristeza, raiva, frustração e sensação de perda.</p>
<p>Na análise de Helena, a identificação com um projeto político pode ser tão intensa que o resultado desfavorável representa a perda de uma expectativa sobre o futuro.</p>
<p>"Para quem dá muito valor à política, ou mesmo trabalha com isso, ao perder as eleições é natural que ocorra um luto de uma ideia de futuro."</p>
<p>Esse sentimento não significa, por si só, um transtorno psicológico. A psicóloga destaca a importância do convívio social para lidar com a frustração.</p>
<p>"Reconhecer e aceitar a impotência individual é doloroso. Por isso, é importante estar em grupo e buscar os amigos. A sociabilidade é de extrema importância, pois traumas de ordem coletiva são melhor elaborados coletivamente", acrescenta.</p>
<h2>Quando a ansiedade e a tristeza exigem ajuda profissional</h2>
<p>Os especialistas alertam que o sofrimento não deve ser ignorado quando se torna intenso ou persistente. Helena ressalta a importância de distinguir tristeza de depressão. "Ficar abatido com um resultado eleitoral não significa desenvolver um transtorno depressivo."</p>
<p>Segundo a psicóloga, alguns sinais merecem atenção:</p>
<p>Rufino também alerta que, mesmo com medidas preventivas, pode haver agravamento da ansiedade ou aparecimento de problemas físicos e psicológicos, tornando necessária a avaliação profissional.</p>
<p>Se houver pensamentos de morte ou suicídio, é fundamental buscar ajuda imediata.</p>
<p>Para Helena, o principal é reconhecer que, independentemente de quem vença a eleição, as necessidades pessoais e os vínculos afetivos permanecem. "Nossa vida continua depois da eleição. Precisamos cuidar das relações, da saúde, do trabalho e dos projetos pessoais."</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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