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    <title>Global South World Brasil - escola</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Os desafios do novo ciclo escolar em Cuba</title>
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      <pubDate>Sat, 05 Sep 2026 15:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Mais de 1,4 milhão de crianças e adolescentes começaram o ano letivo em Cuba na terça-feira, 1ª, sob uma regra incomum: nem todas as escolas funcionarão da mesma maneira. A depender das condições de cada local, a direção poderá mudar os dias de aulas presenciais, os horários, o transporte e até a oferta de alimentação aos estudantes.</p>
<p>A abertura do novo ciclo escolar se deu em meio à falta de combustível, aos apagões, à escassez de materiais e ao déficit de professores. Para a ministra da Educação, Naima Ariatne Trujillo Barreto, o grande desafio será conseguir manter o sistema funcionando ao longo do ano. “Nenhuma instituição tem por que se parecer com outra, porque as comunidades também não são iguais”, explicou ao Granma, jornal oficial do Partido Comunista, dias antes, ao detalhar a organização das escolas.</p>
<p>Na prática, a orientação é manter o máximo possível de atividades presenciais, mas as decisões serão tomadas de acordo com as condições de cada escola, território e comunidade. Transporte e alimentação, por exemplo, podem determinar se um estabelecimento conseguirá manter dois turnos ou precisará reduzir ou modificar a jornada. A merenda escolar também poderá variar de uma região para outra.</p>
<p>Nos semi-internatos e internatos que começaram a funcionar, o Ministério da Educação afirmou que as condições básicas de alimentação estavam asseguradas, mas a quantidade de suprimentos disponíveis não era a mesma em todo o país. Na semana anterior ao início do ciclo escolar, algumas instituições estavam abastecidas para 15 dias, outras para 20 e havia locais onde os produtos ainda estavam sendo distribuídos.</p>
<p>O transporte é outro ponto crítico. Em algumas escolas com alunos que vivem longe, os períodos de permanência serão maiores para diminuir a necessidade de deslocamentos. Na província de Granma, 4.560 estudantes de 42 instituições em regime de internato ficarão três semanas seguidas nas escolas, até 18 de setembro, devido às limitações de combustível.</p>
<p>Em outras instituições da província, a solução foi espaçar ainda mais os encontros. Escolas provinciais, como as de formação pedagógica e o pré-universitário vocacional, terão períodos presenciais de 15 dias a cada dois meses.</p>
<p>Os problemas de energia elétrica também acompanham alunos e professores para além dos portões das escolas. Em Santiago de Cuba, Tania, professora de uma escola secundária, contou ao Granma que deixou os uniformes dos dois filhos passados desde o domingo anterior ao primeiro dia de aula por causa dos apagões prolongados. Ela queria que as crianças fossem à escola com as roupas impecáveis.</p>
<p>Meses antes, ao falar das dificuldades enfrentadas ainda no período letivo anterior, Naima já tinha descrito como a falta de eletricidade interferia no ensino. Depois de uma noite sem energia, comentou ela, é difícil atrair o aluno para a escola e fazê-lo se concentrar. E os professores chegam à sala de aula após enfrentar os mesmos apagões e, em alguns casos, problemas de abastecimento de água em casa.</p>
<h2>Pressão sobre o fornecimento de petróleo</h2>
<p>A crise energética cubana é anterior a este ano, mas ganhou uma nova dimensão em janeiro. No dia 29 daquele mês, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que criou um mecanismo para aplicar tarifas adicionais a produtos de países que vendam ou forneçam petróleo a Cuba, direta ou indiretamente.</p>
<p>A decisão aumentou a pressão sobre o abastecimento da ilha num momento em que a Venezuela, durante anos uma importante fornecedora de Cuba, interrompeu os embarques ainda no fim de 2025. No início do ano, Trump determinou a invasão do país (ação que a ONU considerou como violação das regras do direito internacional) e a captura de Nicolás Maduro, hoje preso em uma cadeia federal em Nova York. Nesse cenário, o México tinha se tornado o principal fornecedor. Mas a possibilidade de retaliação comercial norte-americana também colocou os envios mexicanos sob pressão.</p>
<p>O governo cubano atribui a essa política parte do agravamento da falta de combustível e dos apagões. Na abertura do ano escolar, o presidente Miguel Díaz-Canel reconheceu que o ciclo começava em uma situação complexa e relacionou as restrições enfrentadas pelo país ao bloqueio norte-americano.</p>
<h2>Faltam professores</h2>
<p>Colocar os alunos dentro das escolas é apenas parte do problema. Também é preciso ter professores para dar aulas. Em Granma, 108.431 estudantes começaram o ano distribuídos por 1.127 instituições. A província tem 14.735 docentes e uma cobertura de 96,9%, mas ainda precisava preencher 461 postos, principalmente nas disciplinas de matemática, física, química e espanhol.</p>
<p>Uma das saídas foi buscar profissionais fora do quadro habitual. Foram reincorporados 320 professores aposentados e outros 752 recém-formados em cursos pedagógicos. Universitários do terceiro e do quinto anos também foram chamados para ajudar a suprir a falta de docentes. Há ainda professores assumindo carga horária adicional.</p>
<p>Os percentuais de cobertura mostram diferenças importantes entre as províncias. Guantánamo iniciou o ano com mais de 79 mil estudantes e 93% das vagas docentes cobertas. Em Villa Clara, onde 696 instituições abriram as portas, a cobertura era de 90,3%.</p>
<p>Díaz-Canel reconheceu outra dificuldade da categoria. Ao se dirigir aos professores na abertura das aulas, afirmou que o salário recebido por eles não é o que o governo gostaria nem remunera todo o esforço exigido. Também admitiu que haverá situações em que faltarão recursos didáticos e pedagógicos.</p>
<h2>Um ano letivo planejado para funcionar de outro jeito</h2>
<p>As adaptações de setembro foram preparadas ainda durante o período anterior, quando o agravamento da crise energética já obrigava o governo a mudar a rotina das escolas.</p>
<p>Em maio, Cuba decidiu antecipar em um mês o encerramento do ano letivo 2025-2026, que seria em julho. Na época, a ministra Naima informou que algumas localidades já tinham reduzido as aulas presenciais e o serviço de semi-internato por causa da falta de combustível e das dificuldades logísticas.</p>
<p>As avaliações foram flexibilizadas, e a educação especial terminou o período ainda em maio devido às dificuldades adicionais de deslocamento dos estudantes. Círculos infantis também não conseguiram manter a jornada completa em determinados dias por problemas relacionados à preparação da alimentação e ao transporte.</p>
<p>Foi a partir dessa experiência que começou a ser preparado o período iniciado agora.</p>
<p>Díaz-Canel pediu aos ministros da Educação e da Educação Superior e aos demais órgãos envolvidos que desenhassem um ano letivo possível diante das restrições energéticas. O resultado é o modelo descentralizado atualmente em vigor.</p>
<h2>Ensino superior também começa com adaptações</h2>
<p>As universidades entraram no novo período acadêmico submetidas à mesma lógica de adaptação.</p>
<p>Uma das mudanças mais importantes ocorreu antes mesmo da matrícula. Em maio, o governo decidiu, excepcionalmente, eliminar os exames de ingresso no ensino superior devido à crise energética. A distribuição das vagas passou a considerar o desempenho acadêmico obtido pelos estudantes durante o ensino pré-universitário.</p>
<p>O funcionamento das universidades também pode variar. Na Universidade de Sancti Spíritus José Martí Pérez, o ano começou em regime semipresencial. Os estudantes dos cursos regulares diurnos iniciaram as atividades por plataformas digitais e interativas, enquanto os encontros presenciais serão incorporados gradualmente, em períodos concentrados.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Facebook - Ministério da Educação de Cuba (a imagem foi editada por IA para aumentar a resolução)</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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