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    <title>Global South World Brasil - diabetes</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Governo promete oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS; confira o que já existe</title>
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      <pubDate>Fri, 18 Sep 2026 15:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Ministério da Saúde anunciou que pretende disponibilizar as chamadas canetas emagrecedoras para o tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A promessa foi feita pelo ministro Alexandre Padilha na quinta-feira, 17, durante viagem a Montes Claros (MG).</p>
<p>A oferta nacional dependerá da definição de um protocolo clínico, que deverá estabelecer, entre outros pontos, quais pacientes poderão receber os medicamentos e como será feito o acompanhamento. O Ministério não informou uma data para o início da distribuição em todo o país.</p>
<p>A mudança é relevante porque, até agora, esses medicamentos não fazem parte de uma política nacional do SUS para tratamento da obesidade. Em setembro de 2025, após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a semaglutida, um dos medicamentos de nova geração desenvolvidos originalmente para tratar a diabetes tipo 2 e que também passou a ser prescrito para pacientes com obesidade. Ele pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.</p>
<p>A nova estratégia, portanto, representa uma mudança de direção, embora a incorporação ainda esteja em estudo. O anúncio foi feito a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições.</p>
<h2>Canetas já chegaram a pacientes do SUS</h2>
<p>O SUS já tinha algumas iniciativas isoladas para avaliar seu uso. Uma delas começou em junho no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), hospital federal de Porto Alegre. O projeto Real-Bari prevê oferecer semaglutida e acompanhar 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças.</p>
<p>Entre os participantes estão pessoas que aguardam cirurgia bariátrica. A pesquisa pretende verificar os efeitos clínicos do tratamento, seus custos e a viabilidade de incorporar a terapia à rede pública. Também será avaliado se a perda de peso obtida com o medicamento pode permitir que alguns pacientes deixem de precisar da cirurgia.</p>
<p>O Ministério informou nesta semana que o primeiro paciente tratado no projeto perdeu seis quilos e teve redução da circunferência corporal. O resultado individual, porém, não permite antecipar as conclusões do estudo, que deverá acompanhar 250 pessoas.</p>
<p>No Rio de Janeiro, há outra iniciativa. Em março, a prefeitura começou um programa com semaglutida no Super Centro Carioca de Saúde, com previsão de atender até três mil pacientes por ano. Já o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), ligado ao governo estadual, trata 200 pacientes com obesidade extrema com liraglutida, outro medicamento dessa nova geração usada contra diabetes e obesidade.</p>
<h2>O que o governo pretende fazer</h2>
<p>A proposta agora é transformar experiências restritas como essa em uma política que possa alcançar pacientes em todo o país.</p>
<p>Segundo Padilha, o governo está estudando o uso das canetas em diferentes grupos, entre eles pessoas na fila da cirurgia bariátrica e pacientes com obesidade associada a problemas cardiovasculares. O Ministério também estuda seu uso em mulheres que tiveram câncer de mama, para avaliar possível impacto sobre o risco de recorrência da doença.</p>
<p>O governo afirma que a incorporação não será tratada como uma forma de emagrecimento estético. A intenção é estabelecer critérios clínicos e acompanhamento médico para o acesso pelo SUS.</p>
<p>Essa definição é particularmente importante porque obesidade é uma doença crônica e o tratamento medicamentoso pode precisar ser mantido por períodos prolongados.</p>
<h2>Mercado ganhou 14 novas canetas em 2026</h2>
<p>A possível expansão do tratamento no SUS ocorre em um momento de rápida transformação do mercado brasileiro desses medicamentos.</p>
<p>Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou 14 novas canetas usadas no tratamento da diabetes tipo 2 e/ou da obesidade: dez de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro, cuja substância ativa, a tirzepatida, é usada para controlar a glicemia e auxiliar na perda de peso.</p>
<p>Embora sejam frequentemente agrupados sob a expressão “canetas emagrecedoras”, nem todos esses produtos têm indicação aprovada para obesidade. Alguns foram registrados especificamente para diabetes tipo 2.</p>
<p>A maior expansão ocorreu entre os medicamentos de semaglutida, princípio ativo conhecido pelas marcas Ozempic e Wegovy. Depois do fim da exclusividade da semaglutida no Brasil, em 20 de março, outras empresas começaram a obter registros.</p>
<p>As dez aprovações de semaglutida em 2026 são Ozivy, da EMS; Semavy, da Cosmed; Owozy, da Ávita Care; Zempneo, da Brainfarma; Seemasun, da Sun Farmacêutica; Orsema, da Ranbaxy; dois genéricos, um da EMS e outro da Germed; Semaclique, da Germed; e Yluméc, da EMS.</p>
<p>Também foram aprovadas três novas canetas de liraglutida: Liraclick, da Germed, e dois genéricos da EMS. A liraglutida pertence à mesma classe dos agonistas do receptor de GLP-1, mas normalmente é aplicada diariamente, enquanto a semaglutida costuma ter administração semanal.</p>
<p>A 14ª aprovação foi uma nova apresentação multidose do Mounjaro, da Eli Lilly, cujo princípio ativo é a tirzepatida. Diferentemente da semaglutida, a tirzepatida atua sobre dois receptores relacionados ao metabolismo, GLP-1 e GIP.</p>
<h2>Mais concorrência pode reduzir custos</h2>
<p>A multiplicação dos registros interessa diretamente ao SUS porque o preço é um dos principais obstáculos à incorporação de tratamentos de uso prolongado.</p>
<p>O Ministério da Saúde vem estimulando a entrada de novos fabricantes e solicitou prioridade à Anvisa na análise de medicamentos dessa classe. Segundo a pasta, o objetivo é aumentar a concorrência, ampliar a produção nacional e reduzir os preços, criando condições para uma futura oferta pelo SUS.</p>
<p>Padilha afirmou que produtos que chegavam a custar de R$ 1,7 mil a R$ 2 mil já podem ser encontrados na faixa de R$ 300 a R$ 400. Os valores, no entanto, variam conforme o princípio ativo, a marca, a apresentação e a dose.</p>
<p>A expansão da oferta não significa que as diferentes canetas possam ser usadas indistintamente. Semaglutida, liraglutida e tirzepatida têm características, indicações, esquemas de aplicação e evidências clínicas diferentes. A escolha depende do diagnóstico, das doenças associadas, da tolerância ao medicamento e da possibilidade de manutenção do tratamento.</p>
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        <media:title>semaglutida</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>A conta da covid grave em diabéticos pode durar meses</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/efeitos-covid-grave-diabeticos</link>
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      <pubDate>Tue, 08 Sep 2026 15:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pessoas com diabetes podem carregar por mais tempo os efeitos de uma internação por covid, com maior dificuldade para recuperar a autonomia e a qualidade de vida. É o que indica um estudo da Universidade de São Paulo (USP) com 870 pacientes monitorados sete meses após a hospitalização e que ainda estão sendo acompanhados pelos pesquisadores.</p>
<p>Os resultados desse trabalho mostram que entre os pacientes diabéticos houve menor   recuperação dos sintomas, maior fragilidade e incidência de quedas e pior desempenho físico e cognitivo. O estudo reforça, segundo os autores, a necessidade de acompanhamento mais cuidadoso e prolongado de pessoas com diabetes depois de formas mais graves da infecção.</p>
<p>O trabalho foi publicado na Scientific Reports, revista científica do grupo Nature. O artigo ainda passará pela edição final, mas a publicação disponibilizou uma versão para dar acesso aos resultados a outros pesquisadores.</p>
<h2>Quem são os pacientes que fazem parte do estudo</h2>
<p>Os pacientes faziam parte de um grupo de mais de três mil pessoas internadas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP entre março e setembro de 2020, antes do início da vacinação contra a covid.</p>
<p>Para essa pesquisa, foram avaliados 870 adultos que sobreviveram a quadros moderados ou graves: 320 tinham diabetes e 550 não tinham diagnóstico da doença. O acompanhamento ocorreu entre outubro de 2020 e março de 2021 e chegou a 7,1 meses depois da hospitalização.</p>
<p>Os participantes da pesquisa passaram por avaliação presencial, com questionários sobre sintomas e qualidade de vida, exame físico e exames laboratoriais. A análise também considerou a gravidade da internação, incluindo passagem pela UTI, uso de oxigênio, intubação e necessidade de diálise.</p>
<p>Ao final do período, 89,8% dos participantes com diabetes tinham se recuperado dos sintomas, ante 94,3% daqueles sem a doença. A relação entre diabetes e menor recuperação continuou aparecendo depois que os pesquisadores levaram em conta fatores como idade, sexo, circunferência abdominal e doença cardiovascular anterior à covid.</p>
<h2>Dificuldade para recuperar a autonomia</h2>
<p>Os resultados mais evidentes aparecem quando se observa como essas pessoas estavam vivendo meses depois da alta.</p>
<p>Entre os pacientes com diabetes, 21,1% relataram quedas, contra 11,1% entre aqueles sem a doença. O primeiro grupo já apresentava maior fragilidade anteriormente, mas foi o único em que os pesquisadores detectaram aumento significativo dessa condição depois da covid.</p>
<p>Também foram observadas mais dificuldades de mobilidade e para executar atividades cotidianas, além de dor ou desconforto. Em uma avaliação da capacidade funcional desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os participantes com diabetes tiveram resultados piores nos domínios físico e cognitivo.</p>
<p>A recuperação pode ter sido influenciada por uma combinação de fatores. Os pacientes com diabetes passaram, em mediana, 16 dias hospitalizados, três a mais do que os demais, e ficaram 11 dias na UTI, ante nove. Os autores apontam que períodos maiores de imobilização, com perda de massa muscular, podem contribuir para uma recuperação mais difícil.</p>
<p>Há ainda características próprias do diabetes. Inflamação sistêmica de baixo grau, resistência à insulina e alterações nos vasos sanguíneos são frequentes em pessoas com a doença e podem se somar aos efeitos provocados pela infecção. Seis meses depois, o grupo ainda apresentava alterações em diferentes indicadores laboratoriais, que os pesquisadores relacionam à maior frequência de complicações e ao pior estado geral de saúde.</p>
<h2>Efeitos cardiovasculares</h2>
<p>Complicações cardiovasculares também estiveram entre os problemas associados ao diabetes durante o período de acompanhamento.</p>
<p>A análise inicial encontrou maior frequência de infarto, angina, miocardite e pericardite. Quando fatores que poderiam interferir nos resultados foram considerados, infarto e angina isoladamente deixaram de apresentar associação estatística com o diabetes, mas a associação com complicações cardiovasculares de maneira mais ampla permaneceu.</p>
<p>Ao reunir os resultados, os pesquisadores apontam como principais problemas entre os pacientes com diabetes as complicações cardiovasculares, fragilidade, dor, pior qualidade de vida e comprometimento dos desempenhos físico e cognitivo.</p>
<h2>Casos de diabetes surgiram após a covid</h2>
<p>O estudo identificou ainda diabetes em 40 pessoas que não tinham diagnóstico anterior, o equivalente a 7,3% dos participantes inicialmente classificados como não diabéticos. Os pesquisadores ressaltam que não é possível separar com segurança casos efetivamente surgidos depois da infecção daqueles em que a doença já estava em desenvolvimento e ainda não tinha sido diagnosticada.</p>
<p>A hipótese discutida pela equipe é que, em pessoas predispostas, o processo inflamatório provocado pela infecção possa acelerar ou revelar alterações metabólicas já em curso. Fatores associados ao período da pandemia, como sedentarismo, estresse, alimentação inadequada e obesidade, também podem ter contribuído.</p>
<h2>Pesquisa acompanha efeitos por mais tempo</h2>
<p>A investigação não terminou nessa avaliação. A equipe continua acompanhando os pacientes e agora analisa dados coletados três anos após a infecção, segundo a Agência Fapesp. A nova etapa poderá ajudar a esclarecer como evoluíram, ao longo dos anos, as alterações encontradas nos primeiros meses.</p>
<p>Os resultados publicados até agora devem ser entendidos dentro do contexto em que a pesquisa foi realizada: são pacientes que tiveram covid moderada ou grave, precisaram de hospitalização e adoeceram antes da vacinação. Os próprios autores ressaltam que as conclusões não podem ser estendidas a pessoas que tiveram formas leves ou assintomáticas da doença.</p>
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