<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:base="https://globalsouthworld.com/rss/tag/bullying" version="2.0">
  <channel>
    <atom:link href="https://www.globalsouthworld.com.br/rss/tag/bullying" rel="self" type="application/rss+xml" />
    <title>Global South World Brasil - bullying</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>'É preciso parar de naturalizar a violência contra a infância': o que o aumento nos casos revela sobre o Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/e-preciso-parar-de-naturalizar-a-violencia-contra-a-infancia-o-que-o-aumento-nos-casos-revela-sobre-o-brasil</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/e-preciso-parar-de-naturalizar-a-violencia-contra-a-infancia-o-que-o-aumento-nos-casos-revela-sobre-o-brasil?feed=bullying</guid>
      <pubDate>Fri, 24 Jul 2026 16:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em julho de 2025, um menino de três anos morreu no Rio Grande do Sul após passar quatro dias internado por agressões cometidas pelo próprio pai, um missionário americano que o teria espancado porque a criança não disse "bom dia". No Paraná, câmeras de segurança flagraram outro pai chutando o rosto da filha, também de três anos, em plena via pública. Os dois casos abrem a seção sobre violência infantil do  20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública  e revelam um padrão que os números do documento confirmam.</p>
<p>Segundo o anuário, divulgado nesta semana pelo  Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) , os casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes mais do que dobraram desde 2021 – alta acumulada de 106,1% –, com salto de 14,6% apenas no último ano. O crescimento mais acentuado, porém, está nos crimes recém-tipificados pela Lei nº 14.811/2024: bullying (+68,2%) e cyberbullying (+61,4%) entre 2024 e 2025, o maior aumento entre todos os 13 indicadores acompanhados pela publicação.</p>
<p>Um levantamento do Disque 100 mostrou aumento de 49,48% nas denúncias de violações sexuais contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o que endossa a leitura de que o país vive tanto um agravamento real quanto uma ampliação da capacidade de notificar esses crimes.</p>
<p>Uma pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest também ajuda a explicar o pano de fundo cultural do problema: 56% dos brasileiros ainda consideram aceitável bater nos filhos, 49% admitem já ter dado tapas em uma criança e apenas 36% afirmam que interviriam ao presenciar uma agressão em espaço público.</p>
<p>Para entender as engrenagens por trás dessa escalada, o  GSW Brasil  conversou com  Mariana Albuquerque Zan , advogada do Instituto Alana e integrante do Núcleo Enfrentamento das Violências, Segurança e Justiça da Agenda 227 e da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asB8qqxMsyPBwZmMh.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Mariana Albuquerque Zan"/>
<p>GSW Brasil  O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que os maus-tratos cresceram em todas as faixas etárias infantis, mas com mais força em crianças de 0 a 9 anos. Quais seriam as possíveis causas e razões para esse aumento?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  Hoje temos um arcabouço normativo protetivo bastante estruturado para crianças e adolescentes, com mais canais de denúncia, equipes mais preparadas e legislação mais completa – o que já indica maior capacidade do sistema de registrar casos. Contudo, paradoxalmente, ainda convivemos com uma sociedade extremamente violenta com as infâncias. Maus-tratos ocorrem no ambiente doméstico, cometidos sobretudo por adultos em papéis de cuidado. Crianças de 0 a 9 anos exigem cuidado constante e têm pouca autonomia para reconhecer ou denunciar a violência que sofrem. O crescimento nas estatísticas indica que a violência física e psicológica ainda é banalizada por muitos cuidadores como "método educativo", sob a máxima ultrapassada do "apanhei e não morri".</p>
<p>GSW Brasil  O salto do bullying (+68,2%) e do cyberbullying (+61,4%) é crescimento real ou reflexo de mais denúncia?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  Ainda não é possível afirmar, isoladamente, se o salto representa exclusivamente crescimento real das ocorrências ou aprimoramento das notificações – e os dois fatores certamente têm peso. A recente tipificação penal desses crimes, pela  Lei nº 14.811/2024 , faz com que parte do aumento reflita a consolidação desse novo enquadramento no trabalho das autoridades e da sociedade. Ainda assim, há subnotificação clara: pesquisas como a PeNSE (2024) mostram que 4 em cada 10 estudantes de 13 a 17 anos relatam já ter sofrido bullying, número muito acima dos registros policiais. Em geral, só os casos de maior gravidade ou repercussão, aqueles em que a intervenção da escola já se mostrou insuficiente, chegam a virar ocorrência.</p>
<p>GSW Brasil  O cyberbullying concentra mais adolescentes de 14 a 17 anos, enquanto o bullying pesa mais entre 10 e 13. Essa diferença de idade diz algo sobre como cada ambiente afeta psicologicamente crianças em fases diferentes?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  Bullying e cyberbullying, embora ocorram em espaços distintos, como escola e ambiente virtual, estão profundamente conectados. A prevalência do cyberbullying entre 14 e 17 anos reflete que esses adolescentes estão cada vez mais ativos no espaço digital, e consequentemente mais expostos a agressões nesse meio. Essa transição de faixa etária aponta para a urgência do letramento digital e de um processo educativo voltado à cultura de paz, mas a escola continua sendo o nó central para intervir tanto no bullying presencial quanto no virtual.</p>
<p>GSW Brasil  Existe relação entre o aumento dos maus-tratos domésticos e fatores socioeconômicos, como desemprego e pressão financeira nas famílias?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  Os dados do anuário não trazem um recorte direto que faça essa correlação exata. Por outro lado, o relatório aponta um dado territorial interessante: as maiores taxas de maus-tratos concentram-se nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul, com destaque para Amapá, Rondônia, Mato Grosso, Sergipe e Santa Catarina – todas acima da média nacional. Já Amazonas, Pernambuco, Maranhão, Rio de Janeiro, Ceará e Minas Gerais têm as menores taxas. Compreender essas especificidades regionais e de renda ainda exige estudos mais aprofundados. De todo modo, sob o Marco Legal da Primeira Infância, o ECA e a Constituição, sabe-se que o fortalecimento da estrutura familiar passa pelo acesso pleno a direitos básicos – moradia, alimentação, saneamento, educação. Famílias em vulnerabilidade extrema precisam de assistência e políticas públicas para exercer o cuidado adequado.</p>
<p>GSW BRASIL  O Brasil tem hoje ferramentas legais suficientes – ECA, Marco Civil, ECA Digital – para responsabilizar plataformas por omissão em casos de cyberbullying, e a ausência de verificação de idade nas redes contribui para esse cenário?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  Sim. O Brasil conta com um arcabouço jurídico robusto – a Constituição, que coloca crianças e adolescentes como sujeitos prioritários de direitos, o ECA, o Marco Civil da Internet, a LGPD e agora o ECA Digital. Isso nos dá respaldo suficiente para cobrar responsabilidade direta das plataformas em garantir um ambiente digital seguro. Ainda assim, a ausência de mecanismos efetivos de verificação etária contribui diretamente para a vulnerabilização de crianças e adolescentes, reforçando a percepção equivocada de que a internet é um ambiente "sem leis". A verificação de idade é uma medida urgente, que precisa vir acompanhada da adequação de todo o ecossistema digital para torná-lo intrinsecamente seguro.</p>
<p>GSW Brasil  As escolas estão preparadas – em protocolo, capacitação de professores e canais de denúncia – para lidar com bullying e cyberbullying, ou o sistema de ensino ainda trata isso como problema de conduta individual?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  Houve avanço significativo na produção de pesquisas, materiais e capacitações para profissionais da educação, voltados à identificação e ao encaminhamento de casos aos órgãos de proteção e ao Sistema de Justiça. O desafio atual é garantir que esses protocolos continuem evoluindo para não tratar bullying e cyberbullying apenas como desvios de conduta individual. É preciso que a escola compreenda essas práticas como problemas coletivos e sistêmicos, que refletem uma sociedade ainda violenta e que precisa desnaturalizar a agressão no cotidiano.</p>
<p>GSW Brasil  Diante desse crescimento simultâneo de violência doméstica, escolar e digital, quais políticas públicas seriam prioritárias?</p>
<p>Mariana Albuquerque Zan  O ponto central e transversal a todas as esferas é parar de naturalizar e banalizar a violência contra a infância. No ambiente doméstico, é preciso combater a ideia de que a violência é ferramenta pedagógica ou que a educação dos filhos é assunto estritamente privado. No ambiente escolar, é indispensável capacitar toda a comunidade – não só professores – para reconhecer sinais de violência e aplicar protocolos claros de encaminhamento. No ambiente digital, deve-se exigir e aplicar a responsabilização das plataformas. Em termos de política pública, é essencial investir no fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, na capacitação contínua dos agentes de segurança e do Sistema de Justiça, e em ações adaptadas às realidades territoriais – entendendo que a garantia dos direitos das crianças é responsabilidade compartilhada entre Família, Estado e Comunidade, como determina o artigo 227 da Constituição Federal.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/as7Q9YLQlwV7yxCjj.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Marcelo Camargo/Agência Brasil</media:credit>
        <media:title>Maus-tratos contra crianças e adolescentes crescem no Brasil</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
  </channel>
</rss>