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    <title>Global South World Brasil - alerta</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Obesidade, crise climática e uso malicioso da IA: ameaças à sobrevivência humana?</title>
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      <pubDate>Mon, 12 Oct 2026 13:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obesidade, desigualdade de renda, baixa escolaridade, mudanças climáticas, pandemias, conflitos armados e uso malicioso da inteligência artificial estão entre as 17 grandes ameaças que podem comprometer a saúde, a segurança e as condições de vida da humanidade até 2100. Duas delas, a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial, são consideradas capazes de provocar consequências extremas, incluindo a possibilidade de extinção humana.</p>
<p>Essa é a conclusão de um estudo publicado no sábado, 10, pela revista científica  The Lancet , que reuniu 35 especialistas de diferentes regiões para investigar os riscos que poderão afetar as próximas gerações. O comitê analisou dados e projeções de 204 países e territórios. Seu objetivo foi identificar não apenas ameaças capazes de provocar grandes perdas de saúde, mas também o que governos e instituições internacionais podem fazer para preveni-las ou reduzir suas consequências.</p>
<p>Intitulado  “The Lancet Commission on 21st century global threats to health” , o estudo propõe que os países ampliem sua preparação para além das crises sanitárias tradicionais. Problemas de evolução lenta, como desigualdade, doenças crônicas e envelhecimento com perda de saúde, também podem produzir consequências extraordinárias.</p>
<p>Os pesquisadores escolheram analisar o período de 2025 a 2100, um intervalo de 75 anos, para avaliar como diferentes ameaças podem evoluir ao longo do século e quais danos poderiam ser evitados por medidas de prevenção, políticas públicas e avanços científicos.</p>
<p>A escolha do ano de 2100 tem uma finalidade prática: estabelecer um horizonte comum para comparar riscos muito diferentes, desde doenças que já afetam milhões de pessoas até acontecimentos extremos que podem ocorrer no futuro. Esse período também permite examinar as consequências de decisões tomadas hoje sobre as próximas gerações.</p>
<p>O trabalho conta com a participação de dois pesquisadores brasileiros: a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima (entre janeiro de 2023 e março de 2025), ex-presidente da Fiocruz, e Luiz Augusto Galvão, pesquisador sênior do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz.</p>
<h2>Quais são as 17 ameaças e por que preocupam</h2>
<p>Para avaliar os riscos até 2100, os pesquisadores consideraram tanto problemas que já provocam doenças e mortes quanto acontecimentos extremos que, embora incertos, poderiam ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.</p>
<p>Entre as 17 ameaças selecionadas, duas receberam uma classificação especial: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial. Segundo o estudo, ambas poderiam, em determinadas circunstâncias, provocar consequências tão graves e disseminadas que colocariam em risco a existência da espécie humana.</p>
<p>No caso de uma guerra nuclear, a preocupação vai além da explosão de artefatos. De acordo com o estudo, a fumaça lançada na atmosfera poderia reduzir a luz solar, comprometer a produção agrícola em escala mundial e desencadear fome generalizada. Já a inteligência artificial poderia ser utilizada, por exemplo, para facilitar a criação de armas biológicas extremamente perigosas.</p>
<p>As consequências possíveis desses acontecimentos são graves o suficiente, na análise dos especialistas consultados pela Lancet, para justificar medidas de prevenção, mesmo diante das incertezas.</p>
<p>As outras 15 ameaças foram classificadas como riscos de consequências catastróficas para a saúde. São problemas capazes de provocar um número extraordinário de mortes, doenças e incapacidades ao longo das próximas décadas. Elas, porém, mas estão enquadradas pelo estudo como riscos de extinção da humanidade.</p>
<p>Nesse grupo estão desde fatores de risco conhecidos, como pressão alta e tabagismo, até problemas estruturais, como desigualdade de renda e baixa escolaridade, além de pandemias, conflitos armados e mudanças climáticas.</p>
<p>A distinção é importante porque o estudo não mede apenas a possibilidade de uma catástrofe acontecer. Ele também procura calcular quanto dos danos à saúde poderia ser evitado por meio de políticas públicas, prevenção e avanços científicos.</p>
<p>As duas ameaças com potencial de extinção são:</p>
<p>As outras 15 ameaças são:</p>
<p>Essas ameaças estão interligadas. Uma criança que cresce em situação de pobreza, por exemplo, pode enfrentar simultaneamente desnutrição, dificuldades de acesso à educação e falta de atendimento médico. Mudanças climáticas e conflitos podem agravar essas condições.</p>
<h2>Obesidade e desigualdade podem provocar perdas extraordinárias</h2>
<p>Para comparar problemas tão diferentes, os pesquisadores utilizaram uma medida chamada DALY (Disability-Adjusted Life Year), conceito em inglês que significa ano de vida ajustado por incapacidade. Ela calcula os anos de vida saudável perdidos tanto por mortes prematuras quanto pelo tempo vivido com doenças ou limitações de saúde.</p>
<p>A pesquisa compara dois futuros possíveis para cada ameaça: um cenário favorável e outro desfavorável. A diferença entre eles representa a quantidade de anos de vida saudável que poderia ser preservada por políticas públicas e outras medidas de prevenção.</p>
<p>A maior diferença aparece na categoria que reúne obesidade, alimentação inadequada e baixa atividade física. No cálculo dos cientistas, 23,1 bilhões de anos de vida saudável são potencialmente preserváveis entre 2025 e 2100 se esses problemas forem enfrentados de forma eficaz.</p>
<p>Em seguida estão a baixa escolaridade, com 16,1 bilhões, e a desigualdade de renda, com 13,8 bilhões. Problemas de saúde mental representam 9,35 bilhões, enquanto o envelhecimento com problemas de saúde responde por 8,26 bilhões.</p>
<p>Esses números não representam previsões de mortes nem significam que uma ameaça seja necessariamente mais grave do que outra. Eles expressam o potencial de redução dos danos dentro dos cenários considerados pelos pesquisadores.</p>
<h2>O desafio do clima</h2>
<p>As mudanças climáticas representam uma dificuldade particular para os pesquisadores porque nem todas as suas consequências sobre a saúde podem ser quantificadas. O estudo estima em 1,89 bilhão os anos de vida saudável potencialmente preserváveis por medidas capazes de reduzir os impactos do aquecimento global.</p>
<p>Esse cálculo, entretanto, não incorpora integralmente consequências como deslocamentos populacionais, perdas econômicas, alterações na produção de alimentos e outros efeitos indiretos sobre as condições de vida. Por isso, os autores alertam que os resultados podem subestimar a dimensão dos danos.</p>
<h2>Viver mais não significa viver mais tempo com saúde</h2>
<p>No cenário em que as tendências atuais continuam, a expectativa de vida mundial deverá aumentar 8,65 anos entre 2025 e 2100.</p>
<p>Já a expectativa de vida saudável crescerá apenas 5,69 anos.</p>
<p>A diferença significa que as pessoas poderão viver mais, mas também passar uma parcela maior da vida convivendo com doenças crônicas ou limitações físicas e mentais.</p>
<p>Diabetes, doenças cardiovasculares, problemas musculoesqueléticos e transtornos mentais estão entre as condições que contribuem para esse cenário.</p>
<p>O resultado reforça a necessidade de preparar os sistemas de saúde para acompanhar pacientes durante muitos anos, além de responder a emergências.</p>
<h2>O que os governos podem fazer</h2>
<p>Diante dessas ameaças, os pesquisadores propõem três medidas principais.</p>
<p>A primeira é fortalecer os sistemas de saúde para que consigam identificar riscos com antecedência, prevenir crises e responder rapidamente às emergências. Isso exige financiamento permanente, equipes preparadas e capacidade de planejamento de longo prazo.</p>
<p>A segunda é ampliar os investimentos em pesquisa e inovação. Entre as prioridades estão novas vacinas, antibióticos, tratamentos para obesidade e tecnologias capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O estudo também defende mecanismos de controle para tecnologias de alto risco, incluindo sistemas avançados de inteligência artificial.</p>
<p>A terceira é criar um acompanhamento permanente das ameaças mundiais à saúde, com atualização periódica das estimativas e apresentação dos resultados aos responsáveis pelas decisões políticas e econômicas.</p>
<p>A proposta é impedir que governos concentrem recursos apenas nas crises mais imediatas, enquanto problemas de evolução lenta continuam se agravando.</p>
<p>A principal mensagem do estudo é que a saúde das próximas gerações dependerá de decisões tomadas agora, não apenas para evitar catástrofes, mas também para reduzir desigualdades, melhorar a educação, prevenir doenças e garantir acesso aos cuidados de saúde.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Seca extrema na Amazônia pode se tornar nove vezes mais frequente até 2100</title>
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      <pubDate>Sun, 11 Oct 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A seca histórica que atingiu a Amazônia em 2023 e 2024 deixou rios em níveis excepcionalmente baixos, comunidades isoladas, florestas sob estresse e centenas de botos mortos pelo aquecimento das águas. Naquele momento, os efeitos foram associados a um episódio do El Niño, fenômeno natural que altera as temperaturas e as chuvas em diferentes partes do planeta. Agora, uma pesquisa internacional indica que condições climáticas semelhantes poderão ocorrer com frequência crescente nas próximas décadas, mesmo em anos sem El Niño.</p>
<p>O alerta é especialmente preocupante para a Amazônia.  Se as emissões globais de gases de efeito estufa permanecerem elevadas, a probabilidade de secas tão severas quanto as registradas em 2023 e 2024 poderá aumentar até nove vezes até o fim do século. No Nordeste brasileiro, a ocorrência de períodos com chuvas tão escassas quanto as daquele biênio poderá se tornar duas vezes mais provável.</p>
<p>As conclusões fazem parte de um estudo publicado na revista científica  Earth's Future , da União Geofísica Americana (AGU). A pesquisa reuniu cientistas de instituições de diferentes países e teve como autora principal Johanna Van Passel, da Universidade de Ghent, na Bélgica, pesquisadora visitante do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre os coautores está o biólogo Peter Groenendijk, professor do mesmo instituto.</p>
<p>A equipe investigou como o El Niño de 2023 e 2024 afetou as florestas tropicais da América, África e Ásia. Depois, comparou as condições daquele período com projeções climáticas até 2100, considerando quatro cenários de emissões de gases de efeito estufa.</p>
<p>O resultado revela que um evento considerado excepcional pode oferecer uma prévia do clima futuro das florestas tropicais. Em alguns cenários, temperaturas semelhantes às registradas em 2023 e 2024 poderão ocorrer praticamente todos os anos em grande parte dessas regiões, em menos de duas décadas.</p>
<h2>Um El Niño moderado, mas com consequências extremas</h2>
<p>O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico tropical. Esse aquecimento modifica a circulação dos ventos e a distribuição das chuvas, provocando efeitos em diferentes continentes.</p>
<p>No Brasil, costuma favorecer chuvas acima da média no Sul, reduzir as precipitações em partes do Norte e do Nordeste e elevar as temperaturas em diversas regiões.</p>
<p>Nem todos os episódios têm a mesma intensidade. Os de 1982–1983, 1997–1998 e 2015–2016 estão entre os mais fortes já registrados. O fenômeno de 2023–2024, porém, foi considerado moderado segundo um dos indicadores utilizados pelos pesquisadores. Isso não impediu que seus efeitos fossem excepcionalmente graves.</p>
<p>“Durante o El Niño de 2023-2024, a área e a duração dos eventos de seca e de ondas de calor foram as maiores e mais extensas dos últimos 25 anos”, afirmou Johanna Van Passel em entrevista à  Agência Fapesp .</p>
<p>O estudo identificou temperaturas excepcionalmente elevadas em praticamente toda a extensão das florestas tropicais da América, África e Ásia. A seca também foi generalizada: atingiu cerca de 80% dessas áreas. </p>
<p>O dado mais preocupante, porém, está na combinação dos dois fenômenos.  Em 77% das florestas tropicais do planeta, o calor extremo e a falta de chuvas ocorreram simultaneamente durante o El Niño de 2023 e 2024.</p>
<p>Nas áreas afetadas por essa combinação, os pesquisadores identificaram, em média, 6,4 meses de seca e calor extremos ao longo dos dois anos. Isso não significa que as florestas tenham enfrentado mais de seis meses consecutivos nessas condições. </p>
<p>Os cientistas somaram os meses em que os dois fenômenos coincidiram, mesmo quando houve intervalos entre eles.  Os resultados mostram, portanto, não apenas a extensão geográfica do problema, mas também por quanto tempo as florestas ficaram expostas a condições climáticas adversas.</p>
<p>Nas áreas atingidas nas florestas tropicais americanas, os períodos extremos foram mais prolongados. A duração média acumulada chegou a 10,3 meses de seca e a 9,2 meses de seca e calor simultâneos, ao longo dos dois anos. Em partes do centro e do oeste da Amazônia, os registros indicaram condições anormalmente secas durante quase todo o período analisado.</p>
<p>Na comparação com o El Niño de 2015–2016, a seca de 2023–2024 atingiu uma área maior das florestas tropicais americanas e africanas. Nas florestas asiáticas, ocorreu o contrário: a extensão afetada foi menor.</p>
<p>Os pesquisadores relacionam a gravidade do episódio recente à combinação de fatores naturais com o aquecimento global provocado pelas atividades humanas. O El Niño de 2023–2024 ocorreu em um planeta mais quente do que aquele que enfrentou episódios anteriores do fenômeno.</p>
<h2>A Amazônia diante de um novo padrão climático</h2>
<p>A principal preocupação para o Brasil está na combinação entre temperaturas cada vez mais elevadas e a possibilidade de secas mais frequentes.</p>
<p>Os pesquisadores verificaram que o aumento do calor é uma tendência comum às florestas tropicais dos três continentes. As projeções de chuva, entretanto, apresentam diferenças regionais importantes.</p>
<p>Na Bacia do Congo, na África, por exemplo, o risco futuro está associado sobretudo às temperaturas mais altas. Em algumas regiões asiáticas, a probabilidade de secas comparáveis às de 2023–2024 pode até diminuir.</p>
<p>Na Amazônia, o cenário é diferente.  Os modelos indicam aumento tanto da frequência do calor extremo quanto da probabilidade de períodos de chuva excepcionalmente escassa.</p>
<p>Nos dois cenários de emissões mais elevadas, a ocorrência de secas comparáveis às de 2023–2024 poderá se tornar até nove vezes mais provável até 2100.</p>
<p>É importante distinguir essa projeção de uma previsão de que haverá nove secas por década ou de que a floresta ficará permanentemente seca. O cálculo compara a probabilidade futura dessas condições com a frequência estimada para o período de referência, de 2000 a 2024.</p>
<p>O Nordeste brasileiro também aparece nas projeções. Na região, períodos com volumes de chuva tão baixos quanto os registrados durante o último El Niño poderão se tornar duas vezes mais prováveis até o fim do século, nos cenários de emissões mais altas.</p>
<p>Há incertezas importantes. Os próprios autores reconhecem que os modelos climáticos apresentam limitações para representar a disponibilidade de água em algumas regiões, incluindo a Amazônia. Por isso, os números devem ser interpretados como projeções condicionadas aos cenários de emissões, e não como previsões inevitáveis.</p>
<p>Ainda assim, a direção do alerta é clara: quanto maior o aquecimento global, maior tende a ser a exposição da floresta amazônica a condições climáticas capazes de comprometer seu funcionamento.</p>
<h2>O que acontece com uma floresta quando falta água e sobra calor</h2>
<p>As florestas tropicais dependem de um equilíbrio delicado entre chuva, temperatura, umidade do solo e disponibilidade de água para as árvores.</p>
<p>Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e utilizam a energia da luz solar para produzir substâncias necessárias ao seu crescimento. Nesse processo, também liberam vapor de água pelas folhas, ajudando a regular sua temperatura e a umidade do ambiente.</p>
<p>Quando a temperatura aumenta, a atmosfera passa a demandar mais umidade. A água pode evaporar mais rapidamente do solo e ser perdida em maior quantidade pelas folhas, mesmo que o volume de chuva não diminua na mesma proporção.</p>
<p>Se houver água suficiente, as árvores conseguem compensar parte desse efeito. Em períodos prolongados de seca, porém, precisam reduzir a perda de água para sobreviver.</p>
<p>Uma das respostas é fechar pequenas aberturas nas folhas, chamadas estômatos. Isso diminui a transpiração, mas também limita a entrada do dióxido de carbono necessário à fotossíntese.</p>
<p>A árvore passa, então, a produzir menos energia para crescer e manter suas funções.</p>
<p>Em situações extremas, a falta de água compromete o sistema que a transporta das raízes até as folhas. Esse transporte ocorre por estruturas internas chamadas xilema. Quando ele falha, partes da copa podem morrer e, dependendo da intensidade e da duração do estresse, a própria árvore pode não sobreviver.</p>
<p>“O El Niño é um dos grandes moduladores do clima global. Ao procurarmos entender seus impactos, podemos ter diversos outros desdobramentos para as florestas, como compreender mecanismos que levam à mortalidade das árvores”, afirmou Peter Groenendijk à Agência Fapesp.</p>
<p>O estudo chama atenção para outro aspecto: cerca de 80% dos meses de calor extremo identificados ocorreram durante a estação chuvosa.</p>
<p>Isso é relevante porque as chuvas dessa época ajudam a abastecer as reservas de água no solo utilizadas pelas árvores durante os meses mais secos. Se a estação chuvosa também apresentar deficiência de precipitação, a floresta pode começar o período seco seguinte com menos água disponível.</p>
<p>Assim, os efeitos de uma seca não necessariamente terminam quando as chuvas retornam.</p>
<p>A equipe ressalta que ainda há lacunas importantes na compreensão dos mecanismos que levam à mortalidade das árvores sob calor e seca prolongados.</p>
<h2>O risco de a floresta deixar de absorver carbono</h2>
<p>A ameaça não se restringe à sobrevivência das árvores.</p>
<p>As florestas tropicais exercem um papel importante na regulação do clima porque retiram dióxido de carbono da atmosfera e armazenam carbono na vegetação e nos solos.</p>
<p>Enquanto absorvem mais carbono do que liberam, funcionam como sumidouros de carbono, ajudando a reduzir a quantidade desse gás de efeito estufa na atmosfera.</p>
<p>O equilíbrio pode mudar quando as árvores crescem menos, perdem folhas ou morrem em grande quantidade. A decomposição da vegetação morta libera parte do carbono armazenado, e os incêndios podem acelerar esse processo.</p>
<p>Nessas condições, determinadas áreas florestais podem passar temporariamente de absorvedoras a emissoras líquidas de carbono.</p>
<p>Os pesquisadores consideram provável que o calor e a seca de 2023–2024 tenham levado muitas florestas tropicais, ao menos temporariamente, nessa direção. O estudo, entretanto, não mediu diretamente o balanço de carbono de todas as áreas analisadas.</p>
<p>O problema pode se agravar porque a própria floresta participa da manutenção das chuvas.</p>
<p>Ao retirar água do solo e liberá-la na atmosfera, as árvores contribuem para a formação de umidade que poderá retornar em forma de precipitação. A perda de vegetação reduz essa contribuição e pode favorecer condições ainda mais secas.</p>
<p>Forma-se, assim, um mecanismo de retroalimentação:  a seca enfraquece a floresta, a perda de vegetação prejudica a reciclagem de umidade e a redução das chuvas pode intensificar novas secas.</p>
<p>Esse processo preocupa os cientistas porque, se persistir por tempo suficiente, poderá levar à degradação de áreas florestais e comprometer sua capacidade de recuperação.</p>
<h2>O que pode acontecer nas próximas décadas</h2>
<p>Para investigar o futuro, os cientistas combinaram informações de satélites, registros climáticos e projeções de 24 modelos utilizados em pesquisas internacionais sobre mudanças climáticas.</p>
<p>A análise considerou o período de 2000 a 2024 como referência e avaliou diferentes trajetórias possíveis entre 2025 e 2100.</p>
<p>Os quatro cenários utilizados representam desde uma trajetória de emissões relativamente baixas, com reduções importantes dos gases de efeito estufa, até situações em que essas emissões continuam elevadas.</p>
<p>Em todos eles, a probabilidade de temperaturas semelhantes às de 2023–2024 aumenta nas florestas tropicais.</p>
<p>Mesmo no cenário de menores emissões considerado pela pesquisa, os episódios de calor comparáveis aos daquele biênio poderão se tornar pelo menos seis vezes mais prováveis até 2100.</p>
<p>Nos cenários com reduções menos rigorosas, muitas regiões poderão atingir, já a partir da década de 2040, temperaturas médias anuais tão altas quanto as de 2023–2024 praticamente todos os anos.</p>
<p>Isso não significa que haverá um El Niño permanente. A pesquisa procurou justamente identificar a possibilidade de condições climáticas semelhantes ocorrerem independentemente da presença do fenômeno.</p>
<p>Também não significa que as secas acompanharão automaticamente o mesmo ritmo do aumento das temperaturas. Os autores analisaram separadamente as probabilidades futuras de calor e de falta de chuvas, pois a coincidência entre esses extremos envolve incertezas adicionais.</p>
<p>A diferença entre os cenários, entretanto, mostra que a intensidade do aquecimento futuro depende das decisões tomadas em relação às emissões globais.</p>
<h2>Ainda é possível evitar os cenários mais graves?</h2>
<p>A trajetória futura não está definida. Os modelos indicam que o aumento das temperaturas continuará representando um desafio para as florestas tropicais mesmo em um cenário de emissões mais baixas. Mas também mostram diferenças expressivas entre um mundo que reduz rapidamente a liberação de gases de efeito estufa e outro que mantém níveis elevados de emissões.</p>
<p>Na avaliação dos pesquisadores, cortes rápidos e profundos são necessários para impedir que as condições excepcionais de 2023–2024 se tornem cada vez mais frequentes.</p>
<p>A mensagem é especialmente relevante para a Amazônia, onde a elevação das temperaturas se soma ao risco de secas mais intensas, incêndios e perda de vegetação.</p>
<p>O estudo não prevê o desaparecimento da floresta nem estabelece uma data para um eventual colapso do ecossistema. O que demonstra é que as condições climáticas que colocam sua capacidade de recuperação sob pressão poderão se repetir com frequência muito maior.</p>
<p>A seca de 2023–2024, portanto, pode deixar de ser lembrada apenas como um acontecimento excepcional e passar a ser vista como um alerta sobre o clima que as florestas tropicais terão de enfrentar ao longo deste século.</p>
<p>Com Agência Fapesp/ Luciana Constantino</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>El Niño se fortalece e aumenta riscos à saúde no Brasil e no mundo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/el-nino-se-fortalece-e-aumenta-riscos-a-saude-no-brasil-e-no-mundo</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 14:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os efeitos do super El Niño já estão em curso e se intensificam rapidamente, aumentando a preocupação com os impactos do fenômeno sobre a saúde no Brasil e em outras partes do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira, 22, para riscos que incluem calor extremo, doenças transmitidas por mosquitos e pela água, problemas respiratórios e desnutrição.</p>
<p>“El Niño representa uma grande ameaça à saúde pública”, afirmou Teresa Zakaria, chefe da Unidade de Redução de Riscos de Desastres, Operações Humanitárias e Mudanças Climáticas da OMS, durante entrevista coletiva em Genebra, reporta a AFP. “Esperamos ver repercussões na saúde em todo o mundo.”</p>
<p>O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do centro e leste do Oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes que o normal. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.</p>
<p>Em análise global publicada no início do mês, a OMS esclarece que o El Niño não causa diretamente doenças. Ele funciona como um “modificador de risco”: as mudanças de temperatura e chuva podem criar condições mais favoráveis a determinados problemas de saúde, com impactos diferentes de acordo com a região e a vulnerabilidade da população e dos sistemas de atendimento.</p>
<p>Chuvas intensas e inundações, por exemplo, podem contaminar fontes de água, prejudicar o saneamento e favorecer a proliferação de mosquitos. A seca também pode aumentar criadouros quando a falta de abastecimento leva ao armazenamento de água em recipientes. Já temperaturas elevadas e tempo seco podem favorecer incêndios e piorar a qualidade do ar.</p>
<h2>Clima, doenças infecciosas e desnutrição</h2>
<p>O calor extremo está entre as principais preocupações. A exposição a temperaturas elevadas pode provocar exaustão pelo calor e insolação e agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e metabólicas. Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis.</p>
<p>As mudanças de temperatura e chuva também podem alterar as condições de transmissão de dengue, zika, chikungunya, febre amarela e malária. Em áreas atingidas por enchentes, a contaminação da água e os danos ao saneamento elevam ainda o risco de doenças transmitidas pela água.</p>
<p>Outro efeito pode ocorrer na alimentação. Secas reduzem a disponibilidade de água e podem prejudicar lavouras, enquanto inundações podem destruir plantações e provocar perdas de animais. A OMS considera a insegurança alimentar e a desnutrição riscos importantes nos dois cenários, principalmente para populações que já vivem em situação vulnerável.</p>
<p>Os efeitos variam pelo mundo. Na África, a análise da OMS aponta, entre outros riscos, malária, cólera e insegurança alimentar em diferentes países. Partes do Sul e Sudeste da Ásia podem enfrentar calor, seca e escassez de água. No Pacífico, algumas áreas têm maior risco de seca, enquanto outras podem receber chuvas acima do normal.</p>
<h2>O que pode acontecer no Brasil</h2>
<p>No país, os efeitos também devem variar de acordo com a região. A OMS indica maior risco de calor, seca, redução dos níveis dos rios e incêndios em partes do Norte e da bacia Amazônica. Já áreas do Sul estão entre as regiões da América do Sul onde são esperadas chuvas acima do normal, com possibilidade de inundações e deslizamentos.</p>
<p>A análise da OMS destaca para o Brasil riscos elevados de leptospirose associada às inundações, febre amarela e oropouche. A malária exige atenção especialmente na bacia Amazônica. A dengue está entre os principais riscos identificados para as Américas.</p>
<p>Alguns problemas ambientais já são observados no país. Em comunicado na sexta-feira, 18, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) chamou atenção para a redução dos níveis de água na bacia amazônica e a deterioração da qualidade do ar associada aos incêndios florestais.</p>
<p>De acordo com o monitoramento citado pela entidade, 630 municípios brasileiros registravam concentrações de partículas finas acima dos níveis recomendados pela OMS. Essas partículas presentes na fumaça podem penetrar profundamente nos pulmões.</p>
<p>A situação brasileira faz parte de um cenário mais amplo nas Américas. A Opas que mais de 5,2 milhões de pessoas estavam afetadas, expostas ou em situação de insegurança alimentar aguda nas áreas monitoradas. Oito países ou territórios apresentavam seca ou déficit hídrico, seis tinham incêndios florestais com impacto ou risco para a saúde e cinco registravam efeitos de chuvas intensas ou inundações. A entidade ressalta que nem todos esses eventos foram atribuídos diretamente ao El Niño.</p>
<h2>Fenômeno deve se intensificar</h2>
<p>A tendência é de fortalecimento nos próximos meses. Em declaração nesta terça-feira, 22, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, reforçou que “o El Niño está firmemente estabelecido e se intensificando rapidamente”.</p>
<p>“As previsões da OMM indicam uma probabilidade de quase 100% de que ele persista até fevereiro de 2027”, comentou Celeste. A expectativa é de que o fenômeno se torne muito forte no fim deste ano e possa atingir o limite superior dos registros históricos iniciados em 1950.</p>
<p>Isso não significa que cada região terá necessariamente seca, enchente ou calor extremo. “O El Niño altera as probabilidades; ele não determina o clima em todas as cidades nem causa todas as ondas de calor”, afirmou. A influência depende da região, da época do ano e da interação com outros fatores climáticos.</p>
<h2>Serviços de saúde também estão sob risco</h2>
<p>Além de aumentar a probabilidade de determinados problemas de saúde, os eventos extremos podem prejudicar o próprio atendimento. Inundações, deslizamentos, incêndios e interrupções de estradas podem danificar unidades ou dificultar o acesso dos pacientes. Falhas no fornecimento de água e energia também podem afetar hospitais, laboratórios e a conservação de medicamentos e vacinas.</p>
<p>A Opas recomenda que os países reforcem a vigilância epidemiológica e os sistemas de alerta, garantam acesso a água segura, vacinação e medicamentos e revisem os planos de contingência de hospitais e redes de atendimento.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Setembro Lilás: é possível prevenir o Alzheimer e outros tipos de demência?</title>
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      <pubDate>Sun, 20 Sep 2026 16:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Este mês entidades médicas e de pacientes concentram esforços em uma campanha para falar mais sobre Alzheimer e outros tipos de demência. É o  Setembro Lilás , uma ação que tem como ápice o 21 de setembro, dia mundial de conscientização da doença. No mundo, cerca de 57 milhões de pessoas vivem com demência, um conjunto de sinais e sintomas relacionados a prejuízos nas habilidades cognitivas, incluindo raciocínio, linguagem e memória.</p>
<p>De acordo com a Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), cerca de 10 milhões de novos casos são registrados a cada ano, o que equivale a um novo diagnóstico a cada três segundos no planeta.</p>
<p>No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência, realizado em 2024 pelo Ministério da Saúde junto com a Universidade Federal de São Paulo, indica que cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais vive com demência, o que representa aproximadamente 2,71 milhões de pessoas. As projeções calculam que, até 2050, esse número poderá alcançar 5,6 milhões de brasileiros, evidenciando a necessidade de políticas públicas que atendam a essa crescente demanda.</p>
<p>Da população brasileira que vive com demência, entre 70% e 80% têm Alzheimer, aponta a médica geriatra Yngrid Dieguez Ferreira, coordenadora das disciplinas de geriatria e cuidados paliativos da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Alzheimer é a forma mais comum de demência e é caracterizada por alterações no cérebro que causam danos aos neurônios.</p>
<p>Na campanha Setembro Lilás deste ano, organizada pela Febraz (Federação Brasileira das Associações de Alzheimer), o tema é “Alzheimer: o diagnóstico importa. Quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer”. Informação faz realmente muita diferença quando se trata de prevenção, diagnóstico e tratamento. E isso leva à pergunta: afinal, é possível prevenir a demência?</p>
<p>Embora ainda não exista cura para o Alzheimer e para outros tipos de demência, uma parte dos casos pode ser prevenida ou adiada. Isso não significa que exista uma maneira de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá a doença. Idade e predisposição genética estão entre os elementos que participam do aparecimento desses problemas.</p>
<p>Porém, existem fatores de risco sobre os quais é possível agir ao longo da vida. Um estudo publicado em 2025 na revista científica  The Lancet Regional Health – Americas  estimou que 59,5% dos casos de demência no Brasil estão associados a 14 fatores de risco modificáveis. A redução desses fatores poderia, portanto, evitar ou adiar uma parcela dos casos na população.</p>
<p>Estão entre eles baixa escolaridade, perda auditiva, colesterol LDL elevado, depressão, traumatismo craniano, sedentarismo, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social, poluição do ar e perda de visão não tratada.</p>
<p>De acordo com Yngrid, há diversas estratégias que ajudam a preservar a cognição ao longo do envelhecimento. Muitas delas envolvem justamente o controle dos fatores de risco.</p>
<p>Isso quer dizer: controle adequado de doenças crônicas, principalmente diabetes, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia (alteração nos níveis de gorduras no sangue, como colesterol e triglicerídeos); alimentação saudável; atividade física; socialização (“a interação com amigos e familiares estimula continuamente o cérebro”, explica a geriatra); e detecção precoce da perda auditiva e seu tratamento, entre outras medidas.</p>
<h2>Novos medicamentos retardam a evolução do Alzheimer</h2>
<p>Quanto ao tratamento, a médica esclarece que ainda não há abordagens curativas. Além dos medicamentos usados para controlar sintomas, surgiram recentemente terapias que buscam interferir nos mecanismos da própria doença. Entre elas estão as terapias anti-amiloides.</p>
<p>São medicamentos desenvolvidos para agir sobre uma das alterações características do Alzheimer: o acúmulo, no cérebro, de uma proteína chamada beta-amiloide. Essa proteína pode formar placas entre os neurônios, associadas ao processo de degeneração provocado pela doença. As terapias anti-amiloides ajudam a reduzí-las.</p>
<p>No Brasil, há atualmente dois medicamentos desse tipo registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): o donanemabe, aprovado em abril de 2025, e o lecanemabe, liberado em dezembro passado.</p>
<p>Segundo Yngrid, eles retardam a evolução da doença e mantêm o paciente mais funcional por mais tempo. No entanto, são terapias indicadas apenas para um grupo seleto de pacientes, com comprometimento cognitivo leve ou demência de Alzheimer leve. Antes de iniciar o tratamento, são necessários exames para confirmar se o paciente apresenta as alterações cerebrais sobre as quais esses medicamentos atuam e avaliar se a terapia é adequada para ele.</p>
<h2>Alertas e prevenção</h2>
<p>A campanha Setembro Lilás 2026  preparou um site repleto de informações abordando sintomas e maneiras de diminuir o risco de demência, além de desfazer mitos em relação à doença.  </p>
<h2>Atenção a estes sinais:</h2>
<p>• Esquecer com frequência informações recentes, compromissos ou conversas, a ponto de prejudicar a rotina.</p>
<p>• Fazer a mesma pergunta várias vezes, mesmo depois de receber a resposta.</p>
<p>• Ter dificuldade para realizar tarefas conhecidas, como cozinhar, pagar contas ou usar aparelhos.</p>
<p>• Perder-se em lugares conhecidos ou se confundir com datas, horários e trajetos.</p>
<p>• Ter dificuldade para encontrar palavras, esquecer nomes de objetos, interromper frases ou não conseguir acompanhar conversas.</p>
<p>• Apresentar mudanças de humor ou comportamento, como irritabilidade, apatia, desconfiança, ansiedade ou retraimento sem motivo claro.</p>
<p>• Ter mais dificuldade para tomar decisões, organizar tarefas, resolver problemas ou lidar com dinheiro.</p>
<p>• Perder o interesse por encontros, hobbies, compromissos ou atividades que antes davam prazer.</p>
<p>• Passar a precisar de ajuda em situações que antes realizava com independência.</p>
<p>Apresentar um desses sinais não significa necessariamente ter demência. As alterações, porém, indicam a necessidade de procurar avaliação profissional.</p>
<h2>Medidas para reduzir o risco de demência</h2>
<p>• Controlar a hipertensão, a diabetes e o colesterol.</p>
<p>• Praticar atividade física regularmente.</p>
<p>• Parar de fumar.</p>
<p>• Evitar o consumo excessivo de álcool.</p>
<p>• Identificar e tratar a perda auditiva.</p>
<p>• Identificar e tratar problemas de visão.</p>
<p>• Cuidar da saúde mental, incluindo a identificação e o tratamento da depressão.</p>
<p>• Manter vínculos sociais e participar de atividades de convivência.</p>
<p>• Ter acesso à educação e continuar aprendendo ao longo da vida, o que contribui para fortalecer a chamada reserva cognitiva, capacidade do cérebro de lidar melhor com alterações e danos.</p>
<p>Nem todos os fatores de risco dependem de escolhas individuais. Condições sociais, ambientais e de acesso à saúde também influenciam o risco de demência, e a proteção da saúde cerebral deve ocorrer ao longo de toda a vida.</p>
<h2>Mitos sobre Alzheimer e outras demências</h2>
<p>“Demência é uma consequência natural do envelhecimento”</p>
<p>A demência não faz parte do envelhecimento normal. Considerar alterações importantes de memória e outras capacidades cognitivas apenas como consequência da idade pode atrasar a procura por ajuda e o diagnóstico.</p>
<p>“Pessoas com demência são incapazes”</p>
<p>Pessoas nos estágios inicial ou moderado podem manifestar suas necessidades e desejos e participar das decisões sobre o próprio tratamento e outros aspectos da vida.</p>
<p>“A pessoa com demência não precisa saber do diagnóstico”</p>
<p>A pessoa deve ser informada de forma cuidadosa para que possa participar das decisões, preservar sua autonomia, aderir ao tratamento e se preparar para as mudanças provocadas pela doença.</p>
<p>“Pessoas com demência são teimosas ou rebeldes”</p>
<p>Comportamentos interpretados dessa maneira podem estar relacionados à tentativa de preservar a autonomia diante das limitações impostas pela doença.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Com alerta para sarampo, campanha de multivacinação termina nesta terça</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/alerta-sarampo-campanha-de-multivacinacao-termina-terca</link>
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      <pubDate>Sun, 30 Aug 2026 19:57:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A  Campanha Nacional de Multivacinação termina nesta terça-feira, 1º, com um alerta especial para o sarampo . Diante dos casos registrados nos últimos meses, o Ministério da Saúde reforçou o chamado para que pais e responsáveis aproveitem a reta final da mobilização para verificar a caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos e atualizar as doses necessárias.</p>
<p>A campanha oferece 20 imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação .  Entre eles está a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.  As doses são aplicadas de acordo com a idade e o histórico de vacinação de cada criança ou adolescente.</p>
<p>O reforço para a vacinação contra o sarampo ocorre em meio a uma cadeia de transmissão que permanece ativa no estado de São Paulo. O Brasil confirmou  27 casos da doença em 2026 . Desse total, 24 estão relacionados a essa cadeia, iniciada em junho: são 21 casos na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.</p>
<p>Outros três casos — dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro — não têm relação entre si e já são considerados encerrados, após 12 semanas sem novas ocorrências associadas.</p>
<p>Apesar dos registros, o Brasil continua livre da circulação endêmica do sarampo, segundo o Ministério da Saúde. Isso significa que o vírus não circula de forma contínua no país.  Em 2025, foram confirmados 38 casos importados ou relacionados à importação, controlados por ações de vigilância e vacinação.</p>
<h2>Onde se vacinar</h2>
<p>A vacinação da campanha é gratuita e  está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e demais pontos de vacinação definidos pelas secretarias de Saúde de cada município.  Como locais e horários variam pelo país, a orientação é consultar a prefeitura ou a secretaria municipal de Saúde antes de sair de casa.</p>
<p>Pais e responsáveis devem levar a caderneta de vacinação para que os profissionais de saúde verifiquem quais doses estão faltando. A campanha não exige que todas as vacinas sejam tomadas novamente: são aplicados os imunizantes necessários para completar o esquema previsto para cada faixa etária.</p>
<p>O fim da campanha na terça-feira não significa o encerramento da vacinação.  Os imunizantes do Calendário Nacional, incluindo a tríplice viral, continuam disponíveis gratuitamente no SUS após a mobilização.</p>
<h2>Reforço contra o sarampo em São Paulo</h2>
<p>Por causa da cadeia de transmissão, o Ministério da Saúde adotou uma estratégia específica nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Até 1º de setembro, a orientação é oferecer a vacina contra o sarampo a todas as pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente da situação vacinal anterior.</p>
<p>A medida inclui os bebês de 6 a 11 meses, que devem receber a chamada   dose zero . Essa aplicação é uma proteção adicional em um cenário de maior risco e não substitui as doses previstas no calendário de rotina aos 12 e aos 15 meses.</p>
<p>No restante do país, o esquema de rotina prevê duas doses para crianças. Pessoas de até 29 anos que não tenham sido vacinadas ou não possuam comprovação devem receber duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias. Para adultos de 30 a 59 anos, é recomendada uma dose.</p>
<p>Em 2026, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 13 milhões de doses da tríplice viral aos estados e municípios, e mais de 5,4 milhões foram aplicadas.  A vacina é a principal forma de prevenção contra o sarampo, doença altamente contagiosa.</p>
<h2>Quais são os sintomas</h2>
<p>Os primeiros sintomas costumam surgir entre sete e 14 dias após o contato com o vírus. Os sinais mais comuns são:</p>
<p>Entre três e cinco dias depois aparece a característica erupção avermelhada, que normalmente começa no rosto e se espalha pelo restante do corpo. A doença pode provocar complicações graves, como pneumonia, encefalite, diarreia intensa e até morte, principalmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade.</p>
<h2>Vacina 100 Dúvidas</h2>
<p>O portal Vacina 100 Dúvidas reúne  informações sobre segurança, calendário de vacinação, possíveis reações e prevenção de doenças.  A plataforma pode ser acessada em  www.vacina100duvidas.sp.gov.br .</p>
<h1>Leia também</h1>
<p>Brasil reforça combate ao sarampo</p>
<p>Capital paulista já vacinou 1 milhão de pessoas contra o sarampo</p>
]]></description>
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        <media:credit role="photographer">Priscilla Mafra</media:credit>
        <media:credit role="provider">Divulgação/ Governo do estado de São Paulo</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Casos de febre do Nilo Ocidental acendem alerta no país; veja sintomas e como se proteger</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/casos-de-febre-do-nilo-ocidental-acendem-alerta-no-pais-veja-sintomas-e-como-se-proteger</link>
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      <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 18:45:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil registra quatro casos confirmados de febre do Nilo Ocidental em 2026, dois em São Paulo e dois em Santa Catarina. Uma das pacientes morreu. Há ainda um caso provável no Piauí.</p>
<p>Transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero  Culex , o pernilongo comum, a doença não provoca sintomas na maioria das pessoas infectadas, mas pode evoluir para quadros neurológicos graves. Não há vacina nem tratamento antiviral específico disponível para humanos.</p>
<p>Em São Paulo, foram registrados os primeiros casos humanos da história do estado. Um deles se refere a uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, que havia viajado para a região amazônica. Ela já está curada. O outro caso se trata de uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada.</p>
<p>A Secretaria de Estado da Saúde informa que o local provável de infecção das duas pacientes continua sob investigação.</p>
<p>Os demais casos confirmados são de Santa Catarina. Uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, morreu em 8 de agosto depois de apresentar febre e evoluir para um quadro neurológico grave. Um homem de 56 anos, de Caçador, também apresentou manifestações neurológicas, foi internado e já recebeu alta.</p>
<p>A febre do Nilo Ocidental não é nova no Brasil. O primeiro caso humano por aqui foi registrado em 2014, no Piauí.</p>
<h2>Como a doença é transmitida</h2>
<p>A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral aguda causada por um arbovírus, grupo de vírus transmitidos por artrópodes que também inclui os responsáveis por dengue, zika, chikungunya e febre amarela.</p>
<p>A transmissão ocorre principalmente pela picada de pernilongos (do gênero  Culex ) infectados. As aves silvestres são os hospedeiros naturais do vírus. O mosquito se infecta ao picar uma ave contaminada e pode posteriormente transmitir o vírus a seres humanos e outros animais.</p>
<h2>Quais são os sintomas</h2>
<p>De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20% apresentam sintomas, geralmente leves. Os mais frequentes são febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas, vômitos, dor de cabeça, dor muscular, dor nos olhos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos, popularmente chamados de ínguas.</p>
<p>Em uma parcela pequena dos casos, porém, a infecção pode comprometer o sistema nervoso. Segundo o ministério, uma em cada 150 pessoas infectadas desenvolve doença neurológica grave, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.</p>
<p>Confusão mental, redução do nível de consciência, tremores e convulsões estão entre os sinais de comprometimento neurológico. Diante dessas manifestações, é necessária avaliação médica imediata e hospitalização, quando indicada.</p>
<h2>Existe tratamento?</h2>
<p>Não existe vacina nem tratamento antiviral específico para a febre do Nilo Ocidental em humanos.</p>
<p>O tratamento é direcionado aos sintomas. Nos casos leves, inclui repouso, hidratação e acompanhamento médico. Quadros graves podem exigir internação e atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e outras medidas para prevenir ou tratar complicações.</p>
<h2>Como se proteger</h2>
<p>Sem uma vacina disponível para humanos, a prevenção depende principalmente de medidas para reduzir o contato com os mosquitos transmissores.</p>
<p>O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes e de telas em portas e janelas, além de evitar a exposição aos mosquitos, principalmente ao amanhecer e ao entardecer.</p>
<p>A Secretaria da Saúde de São Paulo também orienta usar roupas que reduzam a exposição da pele, eliminar recipientes e locais que possam acumular água e evitar o descarte de lixo em valas, valetas e margens de córregos, rios e riachos.</p>
<p>O  Culex  pode se reproduzir em ambientes com água rica em matéria orgânica, como fossas, valas e locais com água poluída. Por isso, medidas de saneamento também são importantes para reduzir a presença do mosquito.</p>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Avanço veloz de variante do ebola na África acende alerta global</title>
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      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 21:08:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A aceleração do ebola na República Democrática do Congo (RDC) coloca em risco a segurança sanitária de países vizinhos e ultrapassa as fronteiras do continente africano. </p>
<p>Passados três meses do decreto de emergência internacional, o avanço da variante Bundibugyo atinge proporções inéditas.</p>
<p>O balanço apresentado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante a 2ª reunião do Comitê de Emergência, aponta cerca de 5 mil infectados e mais de 2,3 mil vítimas fatais espalhadas por seis províncias e 55 zonas de saúde congolesas.</p>
<h2>Mobilidade e subnotificação agravam a crise regional</h2>
<p>A contenção do fluxo transfronteiriço virou prioridade absoluta para evitar o colapso dos sistemas de saúde regionais. </p>
<p>O intenso trânsito comercial, a atividade mineradora e o deslocamento de populações aumentam o risco de contágio na vizinha República Centro-Africana. </p>
<p>Internamente, o vírus avança sobre regiões vulneráveis como Tshopo e Haut-Uélé, onde a emergência médica se soma a crises humanitárias pré-existentes.</p>
<p>Em Uganda, a intervenção estatal tinha conseguido controlar o surto local após o registro de 20 casos e dois óbitos, mas o país segue em vigilância máxima. </p>
<p>O alcance global da doença ficou evidente com a identificação de um passageiro infectado na França, comprovando que barreiras geográficas apenas retardam, mas não impedem a disseminação viral.</p>
<h2>Cadeias invisíveis de contágio e novas frentes de combate</h2>
<p>Um dos maiores obstáculos enfrentados pelas equipes de resgate é a transmissão comunitária silenciosa. </p>
<p>Diversas mortes ocorrem nas próprias residências, fora do alcance dos centros médicos e do rastreamento de contatos, o que cria novas linhas de infecção não catalogadas.</p>
<p>Em resposta ao cenário crítico, uma força-tarefa liderada pelo governo congolês, OMS e o CDC África atua na ampliação das medidas de contenção e no avanço científico:</p>
<p>Para sustentar as operações, a OMS cobra celeridade no compartilhamento de dados epidemiológicos, aportes financeiros contínuos e reforço no controle de divisas. </p>
<p>A entidade reforça, ainda, que o combate ao ebola não pode eclipsar a atenção a outras crises de saúde recorrentes na RDC, como a malária, cólera, pneumonia e os altos índices de mortalidade materna.</p>
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        <media:credit role="provider">Unicef/ John James</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>El Niño pode elevar casos de dengue e chikungunya</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/el-nino-pode-elevar-casos-de-dengue-e-chikungunya-no-brasil</link>
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      <pubDate>Fri, 24 Jul 2026 14:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Ministério da Saúde alertou estados e municípios para a possibilidade de aumento dos casos de dengue, chikungunya e outras arboviroses no Brasil ao longo do segundo semestre. As autoridades governamentais recomendam o planejamento antecipado de ações de vigilância e controle por parte das secretarias de saúde. A preocupação está relacionada à formação de um El Niño que pode alcançar intensidade elevada e produzir alterações de temperatura e chuva favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti.</p>
<p>A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) confirmou em junho a formação do El Niño. Em julho, o órgão informou que o fenômeno estava se fortalecendo e calculou em 81% a probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro.</p>
<p>Uma nota técnica do InfoDengue, sistema de alerta epidemiológico desenvolvido pela Fiocruz, prevê maior impacto sobre a transmissão de dengue nas regiões Sul e Sudeste, principalmente a partir de outubro. A projeção indica que o Brasil poderá registrar cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027.</p>
<p>O alerta ocorre apesar da redução observada neste ano. Até 20 de junho de 2026, o país havia contabilizado 392,8 mil casos prováveis de dengue, queda de 73% em comparação com o mesmo período de 2025. Os registros de chikungunya diminuíram 46%.</p>
<h2>Por que o El Niño aumenta o risco</h2>
<p>O El Niño é um fenômeno periódico provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos, as temperaturas e a distribuição das chuvas em diferentes partes do Brasil.</p>
<p>O fenômeno não causa dengue ou chikungunya diretamente. Mas temperaturas mais elevadas podem favorecer a presença e a atividade do Aedes aegypti, enquanto as chuvas aumentam a quantidade de recipientes com água parada nos quais a fêmea deposita seus ovos.</p>
<p>A seca também pode ampliar o risco quando leva a população a armazenar água em caixas, tonéis e outros reservatórios sem vedação adequada. Neste ano, a preocupação é maior porque as projeções apontam um El Niño mais intenso, com efeitos já no segundo semestre.</p>
<h2>Sintomas de dengue e chikungunya</h2>
<p>Dengue e chikungunya são doenças virais transmitidas principalmente pela picada do Aedes aegypti. Ambas podem causar febre, dor de cabeça, cansaço, náuseas, dores musculares e manchas na pele. Na dengue, são mais comuns a febre alta, a dor atrás dos olhos e as dores no corpo. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, dificuldade para respirar e sangramentos indicam risco de agravamento.</p>
<p>A chikungunya se distingue principalmente pela dor intensa e pelo inchaço nas articulações, que podem persistir por meses ou anos. Como os sintomas das duas doenças são semelhantes, a orientação é procurar atendimento e evitar a automedicação, especialmente ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramento em casos de dengue.</p>
<h2>Mais fatores que podem influenciar uma epidemia</h2>
<p>A estimativa de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027 foi construída a partir de cenários climáticos e não representa um número definitivo.</p>
<p>A evolução real da epidemia dependerá ainda de fatores que não podem ser antecipados pelo cenário climático, como a imunidade da população, os sorotipos em circulação, a cobertura vacinal, as condições socioeconômicas e a eficácia das ações de controle do mosquito. Também não antecipam a possibilidade de novas áreas passarem a registrar transmissão.</p>
<p>As estimativas poderão ser atualizadas conforme os indicadores climáticos e epidemiológicos evoluírem ao longo do segundo semestre.</p>
<h2>Como evitar a proliferação do mosquito</h2>
<p>O Aedes aegypti vive principalmente dentro das casas ou em suas proximidades. A principal forma de prevenção é eliminar os locais onde o mosquito pode depositar seus ovos.</p>
<p>A população deve esvaziar e limpar recipientes que acumulem água, manter caixas-d’água e outros reservatórios bem tampados, limpar calhas e ralos, tratar piscinas e descartar corretamente pneus, garrafas e outros objetos. Telas, mosquiteiros, roupas que protejam o corpo e repelentes também ajudam a evitar as picadas.</p>
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        <media:credit role="provider">Agência Brasil/ Marcelo Camargo</media:credit>
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