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    <title>Global South World Brasil - ajuste fiscal</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Por que a vitória de Lula assustou o mercado e qual o tamanho do desafio fiscal</title>
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      <pubDate>Sat, 31 Oct 2026 10:03:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A  virada de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno sobre Flávio Bolsonaro (PL)  provocou uma forte ressaca no mercado financeiro já no primeiro pregão útil. Na segunda-feira, 26, a Bolsa brasileira sofreu um tombo de 13,88% e precisou acionar o  circuit breaker  (mecanismo de suspensão das negociações não visto desde o auge da pandemia, em 2020), enquanto o  dólar saltou para R$ 5,40. </p>
<p>A turbulência continuou nos dias seguintes, refletindo o desfazimento de posições de investidores que haviam se alinhado à candidatura de Flávio Bolsonaro.</p>
<p>A reação do mercado mostra uma desconfiança em relação à condução econômica de Lula. Historicamente,  investidores enxergam na agenda do PT uma predisposição ao aumento do gasto público  e ao uso de estatais e bancos públicos para induzir a economia -- fórmula que gera receio de descontrole fiscal e inflação. </p>
<p>Para o economista e sociólogo César Bergo, professor de mercado financeiro da UnB (Universidade de Brasíli), o mau humor dos investidores decorre, em parte, do trabalho de convencimento feito pela campanha de  Flávio Bolsonaro, que havia prometido a setores do mercado um “tesouraço” nos gastos da União.</p>
<p>“No global, soa como música para o mercado você falar em privatização, redução de ministérios, redução dos gastos públicos. A proposta do Flávio estava muito calcada nisso. E o mercado tem uma preocupação muito forte com a questão da política econômica voltada aos gastos públicos. Esse governo do Lula mostrou que não era o que o mercado gostaria”, afirmou, em entrevista ao Nexo.</p>
<p>Quando o resultado das urnas frustrou quem apostava em um choque liberal, a debandada de ativos derrubou a Bolsa e elevou o câmbio, renovando o temor de que a inflação volte a subir e force o Banco Central a prolongar o ciclo de juros altos.</p>
<h2>Dilema fiscal</h2>
<p>A principal preocupação dos investidores é a trajetória das contas públicas. Dados do Banco Central mostram que a  dívida bruta atingiu 82,9% do PIB em agosto (R$ 11,1 trilhões),  salto que reduz a margem de manobra do Tesouro. A conta fica ainda mais pesada quando se analisa o custo do passivo: nos 12 meses encerrados em agosto, os gastos com juros nominais somaram R$ 1,18 trilhão (8,86% do PIB). Somado ao déficit primário de R$ 82,1 bilhões (0,62%), o déficit nominal do setor público acumulou R$ 1,26 trilhão (9,48% do PIB).</p>
<p>Com os dados fiscais pressionando as expectativas do setor privado, estimativas da Instituição Fiscal Independente (IFI) indicam que estabilizar a relação entre a dívida e o PIB -- em um cenário que ainda considere um déficit de 1% em 2027 -- exigirá a construção de um superávit primário próximo de 2%, o que representa um esforço fiscal equivalente a R$ 450 bilhões e expõe o impasse entre agentes financeiros que exigem mecanismos para travar despesas obrigatórias e o governo eleito, focado em preservar a margem do Orçamento destinada a programas sociais e investimentos públicos.</p>
<p>À Folha de S. Paulo, Adriana Dupita, economista-chefe adjunta para mercados emergentes da Bloomberg Economics, disse apostar em um período conturbado pela frente e apontou que o grande nó será  "conduzir o orçamento público a um superávit grande o suficiente para estabilizar a dívida pública do país, que é alta e crescente" , em meio às promessas feitas durante a campanha, a uma base de eleitores dividida e a um Congresso potencialmente hostil.</p>
<p>A apreensão dos investidores ganha força na comparação entre as diferentes fases das gestões petistas. Enquanto o início do primeiro governo Lula ficou marcado pela entrega de superávits primários e pelo cumprimento rigoroso de metas, os anos seguintes abriram espaço para a expansão contínua de despesas que culminou no desajuste das contas na gestão Dilma Rousseff. A Faria Lima cobra clareza sobre qual dessas diretrizes vai guiar o quarto mandato.</p>
<h2>Os postulantes à Fazenda</h2>
<p>A escolha dos nomes para o comando da economia passa a ser o principal termômetro observado pelos investidores nos primeiros dias de transição, com as atenções voltadas para o governador reeleito do Piauí,  Rafael Fonteles (PT), que desponta como o nome mais cotado para a Fazenda.</p>
<p>Formado em Matemática, com mestrado concluído aos 21 anos e histórico de medalhista em olimpíadas internacionais, Fonteles é visto por parte do mercado e por aliados políticos como um perfil diferenciado que combinaria ortodoxia e trânsito político. À frente da Secretaria da Fazenda do Piauí e por dois mandatos no comando do Comsefaz, o piauiense implementou regras de contenção de despesas no estado, o que lhe rendeu a reputação de gestor focado em responsabilidade fiscal, mantendo ao mesmo tempo uma taxa alta de investimentos.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asF6TuM68pvt1iiaq.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Rafael Fonteles (PI), de camisa branca, é o favorito de Lula para o Ministério da Fazenda."/>
<p>Nos bastidores, aliados avaliam que uma eventual convocação direta do Planalto tornaria irrecusável a ida de Fonteles para Brasília.</p>
<p> Em entrevista à Folha de S.Paulo, o governador reeleito afirmou que não tratou de cargos ou da política econômica do próximo mandato com o presidente e declarou que espera tomar posse no governo estadual, embora tenha prometido, em nome de Lula, que o quarto mandato do petista será "ousado" para melhorar a vida da população, mas sem abrir mão da responsabilidade fiscal.</p>
<p>Outros nomes correm por fora para o comando da pasta. O vice-presidente Geraldo Alckmin permanece no radar como uma alternativa política de peso e com bom trânsito no mercado, enquanto nomes como Dario Durigan, atual chefe da pasta, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, também são cogitados.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">MATEUS BONOMI / ANADOLU / ANADOLU VIA AFP</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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