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    <title>Global South World Brasil - Unicamp</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Musculação começa a mudar metabolismo da gordura antes da perda de peso, mostra estudo</title>
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      <pubDate>Mon, 28 Sep 2026 10:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os resultados da musculação podem começar muito antes de aparecerem no espelho ou na balança. Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que um curto período de treinamento de força foi suficiente para provocar mudanças importantes no metabolismo da gordura de camundongos obesos, mesmo sem que os animais perdessem peso.</p>
<p>Depois de sete sessões de treinamento, mecanismos envolvidos na quebra da gordura estavam mais ativos. Os animais também apresentavam menor quantidade de gordura mesentérica — a localizada ao redor do intestino — e células de gordura menores.</p>
<p>Publicado na revista científica  Life Sciences , o trabalho procurou identificar o que acontece no tecido adiposo no início da prática de exercícios de força, antes que a perda de peso possa, por si só, provocar alterações no organismo.</p>
<p>Os pesquisadores concluíram que o treinamento de curta duração foi capaz de começar a reverter alterações provocadas pela obesidade no metabolismo da gordura. Isso reforça o papel da musculação não apenas no ganho e na preservação da massa muscular, mas também como estratégia para a saúde metabólica.</p>
<h2>O que aconteceu dentro das células</h2>
<p>Para entender o resultado, é preciso olhar para o que acontece dentro de uma célula de gordura. Os adipócitos funcionam como reservatórios de energia: armazenam gordura, principalmente na forma de triglicérides, e podem liberá-la quando o organismo precisa utilizá-la. Esse processo de mobilização da gordura armazenada é chamado de lipólise.</p>
<p>Na obesidade, porém, esse mecanismo pode ficar prejudicado. Foi o que os pesquisadores encontraram nos camundongos obesos sedentários: uma importante engrenagem molecular responsável por colocar a gordura armazenada em circulação estava funcionando abaixo do esperado.</p>
<p>Entre as proteínas envolvidas nesse sistema estão PLIN1, ABHD5 e ATGL. A primeira ajuda a controlar o acesso à gordura armazenada dentro da célula. Diante de determinados estímulos, como o exercício, ela passa por uma alteração que permite liberar a ABHD5. Esta, por sua vez, ativa a ATGL, uma enzima que participa do início da quebra dos triglicérides.</p>
<p>É como retirar uma trava que dificultava o acesso à gordura estocada: depois das sessões de treinamento, esse sistema voltou a ser acionado com maior intensidade.</p>
<p>A musculação aumentou a quantidade de ABHD5 e ativou outros marcadores ligados à lipólise. Ao mesmo tempo, reduziu a expressão do gene  Scd1 , relacionado à formação de gordura. Em outras palavras, os pesquisadores observaram mudanças nas duas pontas do processo: mecanismos associados ao armazenamento ficaram menos ativos, enquanto os envolvidos na quebra da gordura ganharam atividade.</p>
<p>“A população tem uma ideia de que fez musculação por dois meses, não emagreceu e, portanto, não adiantou nada. Mas o que vimos nesse estudo é que, com apenas sete dias de treinamento de força, mesmo quando ainda não havia perda de peso, vias moleculares que favorecem o acúmulo de gordura estavam menos ativas, enquanto aquelas que estimulam a quebra estavam mais ativas”, afirmou  Leandro Moura, professor da Unicamp e um dos autores do estudo, à Agência Fapesp.</p>
<h2>Células de gordura ficaram menores</h2>
<p>A mudança não apareceu apenas nas análises moleculares. Os pesquisadores encontraram menor massa de tecido adiposo mesentérico nos camundongos obesos que se exercitaram em comparação com os obesos sedentários. Os adipócitos também diminuíram de tamanho.</p>
<p>Esse é um dado relevante porque  o tecido adiposo não funciona simplesmente como um lugar onde o corpo guarda calorias. Ele participa da regulação do metabolismo e libera hormônios e outras substâncias que atuam no organismo. Na obesidade, o aumento excessivo dos adipócitos está relacionado à disfunção desse tecido.</p>
<p>O foco dos cientistas foi justamente o tecido adiposo mesentérico, localizado ao redor dos intestinos e utilizado no experimento como modelo de gordura visceral. Em seres humanos, o excesso de gordura visceral — acumulada profundamente no abdôme, ao redor dos órgãos — está associado a maior risco metabólico.</p>
<h2>Por que estudar apenas sete sessões?</h2>
<p>O período curto foi uma escolha importante do experimento.</p>
<p>Os camundongos obesos foram divididos entre animais sedentários e animais submetidos ao treinamento de força. Durante o estudo, ambos continuaram recebendo a mesma dieta rica em gordura. Dessa forma, os pesquisadores procuraram isolar o efeito do exercício e observá-lo antes que o próprio emagrecimento começasse a alterar o metabolismo.</p>
<p>Para simular o esforço de uma sessão de musculação, os animais subiam uma escada carregando uma carga presa ao corpo. O treinamento foi realizado a 70% da capacidade de carga de cada animal.</p>
<p>Ao final das sete sessões, o peso corporal não havia mudado. Dentro do tecido adiposo, porém, as alterações já estavam em curso. O resultado ajuda a mostrar por que a balança não conta toda a história sobre os efeitos do exercício.</p>
<p>“Mesmo que a gente não esteja vendo nada ainda a olho nu, metabolicamente, lá dentro do nosso organismo, várias sinalizações benéficas para a saúde, inclusive para o emagrecimento, estão acontecendo”, reforçou Moura.</p>
<h2>Musculação não serve apenas para ganhar músculos</h2>
<p>Os resultados também acrescentam evidências a uma visão mais ampla sobre o papel do treinamento de força. Estudos anteriores já tinham mostrado que exercícios aeróbicos de curta e longa duração reduzem gordura corporal e ativam proteínas envolvidas na lipólise. Também existiam evidências dos efeitos do treinamento de força realizado por períodos mais longos.</p>
<p>O que faltava compreender era o que acontece logo no início do treinamento de força: se ele seria capaz de acionar esses mecanismos moleculares antes mesmo de aparecer uma redução significativa do peso corporal. É justamente essa lacuna que o estudo procurou investigar.</p>
<p>Para Moura, como declarou à Agência Fapesp,  os achados ajudam a afastar a ideia de que o exercício aeróbico seria destinado ao emagrecimento enquanto a musculação serviria apenas para aumentar músculos. Segundo ele, os dois tipos de exercício ativam vias semelhantes, em intensidades diferentes, e também vias diferentes.  Por isso, a associação dos dois continua sendo a melhor recomendação e a melhor estratégia para quem quer emagrecer.</p>
<h2>Resultado ainda precisa ser confirmado em humanos</h2>
<p>O estudo traz uma limitação fundamental: foi realizado com camundongos, e não com pessoas. Portanto, não é possível concluir que sete sessões de musculação produzirão em seres humanos as mesmas alterações observadas no experimento.</p>
<p>Além disso, foram estudados apenas animais machos, e os pesquisadores analisaram um único depósito de gordura. O próprio artigo ressalta ainda que são necessários novos experimentos para medir diretamente o fluxo de lipídios, já que parte dos resultados se baseia em alterações de genes, proteínas e outros marcadores associados à lipólise.</p>
<p>A equipe pretende agora acompanhar períodos mais longos de treinamento para verificar como essas respostas evoluem quando começa a ocorrer perda de peso. Também estão sendo investigados os efeitos do exercício em outros depósitos de gordura, inclusive o localizado ao redor do coração.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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