<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:base="https://globalsouthworld.com/rss/tag/Trump" version="2.0">
  <channel>
    <atom:link href="https://www.globalsouthworld.com.br/rss/tag/Trump" rel="self" type="application/rss+xml" />
    <title>Global South World Brasil - Trump</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>O Brasil tem um lugar especial no tarifaço de Trump. Como isso está funcionando?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/o-brasil-tem-um-lugar-especial-no-plano-de-tarifas-de-trump-como-isso-esta-funcionando</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/o-brasil-tem-um-lugar-especial-no-plano-de-tarifas-de-trump-como-isso-esta-funcionando?feed=Trump</guid>
      <pubDate>Mon, 24 Aug 2026 18:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Seis meses após a Suprema Corte dos Estados Unidos declarar inconstitucionais as tarifas drásticas originais de Donald Trump, as taxas revisadas redefiniram os termos do comércio internacional.</p>
<p>A decisão deveria ser um marco de recomeço. Em vez disso, a Casa Branca reconstruiu quase toda a barreira tarifária sobre diferentes bases legais em questão de cinco meses e, em alguns casos, elevou ainda mais os patamares. </p>
<p>Para os exportadores do Global South, a diferença prática tem sido menos sobre a alíquota paga e mais sobre a certeza de que as taxas vieram para ficar.</p>
<p>A maioria dos economistas concorda que as medidas configuram um cenário em que "todos perdem".</p>
<p>"Em geral, tarifas são ruins para todos. São ruins para os Estados Unidos e ruins para o resto do mundo”, observa Marcelo Estêvão, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF). “Assim como os preços mais altos do petróleo, elas constituem um choque, mas o impacto desse choque varia de país para país".</p>
<p>Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte derrubou as tarifas recíprocas do "Dia da Libertação", impostas em abril de 2025. A equipe do presidente Trump reagiu imediatamente com novas medidas.</p>
<p>O efeito líquido, segundo o Budget Lab da Universidade Yale, é uma taxa tarifária estatutária média dos EUA de 11% em 11 de agosto de 2026, a caminho de atingir 11,8% até o final do ano – patamar próximo ao registrado antes da intervenção da Suprema Corte. </p>
<p>Desconsiderando o pico de 2025, o Budget Lab aponta que esse é o nível mais alto desde o início da década de 1940.</p>
<p>E quando a maior economia do mundo levanta barreiras, poucos países saem ilesos.</p>
<p>A atualização de julho de 2026 do  World Economic Outlook  do FMI projeta o crescimento global em 3,0% em 2026, com uma recuperação para 3,4% em 2027 — contra uma média de 3,5% no biênio 2024-2025. </p>
<p>O crescimento do volume do comércio mundial deve cair para 3,5% este ano, ante os 5,0% registrados em 2025.</p>
<h2>Brasil: alvo específico e em adaptação</h2>
<p>Em princípio, as nações mais afetadas são grandes exportadores cujos líderes se recusaram a se alinhar ao presidente dos Estados Unidos.</p>
<p>Perto do topo da lista está o Brasil, enfrentando uma alíquota nominal de até 37,5%, a mais alta entre as grandes economias, fora a China. </p>
<p>Por ser um país que registra déficit comercial com os EUA, o Brasil também é um caso único, porque suas tarifas originais foram explicitamente vinculadas a eventos políticos, e não comerciais. No caso, o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.</p>
<p>As medidas impactam de forma desigual. Cerca de dois terços das exportações brasileiras para os EUA escapam totalmente dos novos impostos. Café, suco de laranja, carne bovina, cacau, aeronaves, petróleo e minério de ferro foram todos excluídos para proteger os consumidores estadunidenses.</p>
<p>O que permanece sob alcance das tarifas é a produção industrial de maior valor agregado: máquinas, equipamentos elétricos, pneus, açúcar, vestuário, granito e ouro.</p>
<p>Em certos setores, o impacto tem sido severo.</p>
<p>"Para nós, o tarifaço é um problema estrutural e extremamente significativo", explica André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). "Em alguns casos, está inviabilizando a continuidade da produção."</p>
<p>Isso ocorre porque o Brasil não é atingido apenas pelo impacto direto dos custos mais altos para exportar. </p>
<p>O país também sofre à medida que fabricantes chineses, enfrentando desafios semelhantes, redirecionam sua produção e inundam o mercado brasileiro, a ponto de as importações responderem agora por metade do consumo interno.</p>
<p>A Abiquim estima que as tarifas custem à indústria US$ 133 milhões por ano. A situação seria ainda pior, segundo Cordeiro, se não fossem as medidas governamentais para manter tarifas sobre importações chinesas e apoiar o setor por meio do programa de suporte financeiro Brasil Soberano.</p>
<p>Outro setor fortemente atingido foi o de calçados, cujas empresas brasileiras já enfrentavam uma concorrência acirrada com fabricantes do Vietnã, Indonésia e China. </p>
<p>Em julho, a indústria importou mais do que vendeu para o exterior pela primeira vez desde o início dos registros, há 29 anos. As exportações caíram 18% em valor nos primeiros sete meses de 2026.</p>
<p>"Diante da perspectiva de queda nas exportações, tornou-se ainda mais urgente a adoção de salvaguardas e outros instrumentos de defesa comercial para proteger o mercado interno do aumento expressivo e prejudicial das importações", disse Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), ao  Global South World .</p>
<p>Esses números afetam empresas e trabalhadores diariamente. Os líderes de ambos os grupos setoriais pediram ao governo que amplie as medidas de apoio já existentes para proteger os empregos.</p>
<h2>A guinada para o Oriente</h2>
<p>Embora outros setores também tenham sofrido perdas expressivas, a economia em geral demonstrou relativa resiliência, à medida que os exportadores encontraram novos mercados fora dos Estados Unidos.</p>
<p>O redirecionamento foi rápido e mensurável. No primeiro semestre de 2026, os EUA absorveram apenas 9,4% das exportações brasileiras – a menor fatia desde o início da série histórica em 1997, abaixo dos 12,1% registrados um ano antes. </p>
<p>As vendas para os EUA caíram 13%, somando US$ 17,4 bilhões, mesmo com o crescimento de 11,5% nas exportações totais do Brasil. China, Índia e Marrocos registraram fortes altas como destinos das exportações brasileiras.</p>
<p>"O impacto no PIB e na inflação foi o menor possível", nota Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. "A diversificação é necessária. O Brasil não pode continuar dependente dos Estados Unidos. Não vejo isso como algo prejudicial. Pelo contrário, penso que é positivo para o Brasil."</p>
<p>Agostini afirma que a competitividade do Brasil no comércio global permite ao país encontrar novos compradores para os bens que não seguem mais rumo ao Norte.</p>
<p>No fim das contas, o maior perdedor dessa guerra comercial pode ser os próprios Estados Unidos. O Budget Lab de Yale estima que as tarifas atualmente em vigor custam à família norte-americana média cerca de US$ 1.100 por ano.</p>
<p>"Politicamente, o tiro saiu pela culatra para Donald Trump. Ele atacou a democracia brasileira e viu que não há nada que a desestabilize. O resultado foi altamente negativo, e é por isso que seus índices de rejeição vêm aumentando", conclui Agostini.</p>
<p>Estêvão, do IIF, concorda: "A situação não é boa para a América Latina, mas creio que seja pior para os Estados Unidos no longo prazo. Alianças e relações econômicas estão mudando. Se a região continuar sendo empurrada nessa direção, os países terão um incentivo ainda maior para diversificar sua dependência."</p>
<h4>Leia também: </h4>
<p>Lula e Trump conversam sobre tarifaço e acertam retomada de negociações</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/as2Cbj6cDFmAjyImq.jpeg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Depositphotos</media:credit>
        <media:title>estados-unidos-brasil</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Duncan Hooper, Carlos Eduardo Vasconcellos, Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Colômbia se torna o quarto país a permitir operações militares dos EUA em seu território</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/colombia-se-torna-o-quarto-pais-a-permitir-operacoes-militares-dos-eua-em-seu-territorio</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/colombia-se-torna-o-quarto-pais-a-permitir-operacoes-militares-dos-eua-em-seu-territorio?feed=Trump</guid>
      <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 17:41:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os Estados Unidos anunciaram que pretendem realizar operações militares conjuntas com a Colômbia contra grupos ligados ao narcotráfico, a pedido do recém-empossado presidente colombiano, Abelardo de la Espriella.</p>
<p>A informação foi dada pelo  secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth , durante uma reunião do “Escudo das Américas”, coalizão antidrogas liderada por Trump e que tem a Colômbia como mais novo membro. Não há, por enquanto, data para início das ações.</p>
<p>“Colômbia já solicitou que o Departamento de Guerra se junte à Colômbia em sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir os terroristas e as redes de terror”, afirmou o chefe do Pentágono. A declaração de Hegseth foi divulgada nesta quarta-feira, 12, durante reunião da  Americas Counter-Cartel Coalition , em curso no Panamá. </p>
<p>A solicitação de Espriella aos Estados Unidos cumpre uma promessa feita ainda na campanha: combater, nas palavras do presidente durante a posse, “sem trégua o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas no país”. No mesmo dia, os Estados Unidos anunciaram a destinação de US$ 1 bilhão à Colômbia para ações na área de segurança.</p>
<h2>Roteiro regional</h2>
<p>O anúncio de Hegseth não estabelece, por enquanto, uma data ou um plano operacional detalhado para as ações. O que foi tornado público é a autorização para operações militares conjuntas entre forças americanas e colombianas contra organizações classificadas por Washington como terroristas e ligadas ao narcotráfico.</p>
<p>A iniciativa amplia para a Colômbia um modelo que já começou a ser aplicado no Equador. Em março, forças equatorianas e americanas iniciaram operações conjuntas contra organizações designadas como terroristas pelos Estados Unidos. O presidente Daniel Noboa havia anunciado que as ações ocorreriam ao longo daquele mês e apresentado a operação como uma nova fase do combate ao narcoterrorismo.</p>
<p>No caso colombiano, ainda não foram divulgados os alvos, o número de militares envolvidos, a área de atuação ou o formato das operações. A declaração de Hegseth, portanto, estabelece a autorização política para a cooperação militar, mas não detalha como ela será executada.</p>
<p>A adesão colombiana ao Escudo das Américas segue um roteiro que já tem precedentes na região. A coalizão, batizada oficialmente de Americas Counter-Cartel Coalition (A3C), nasceu em março deste ano e hoje reúne 19 países latino-americanos sob liderança de Washington. A iniciativa foi criada a partir da conferência realizada em março, quando 17 países se comprometeram a ampliar a cooperação militar contra cartéis e organizações criminosas.</p>
<p>O Equador foi o primeiro a transformar a coalizão em ação militar concreta. Em 3 de março, forças equatorianas e americanas iniciaram operações conjuntas contra organizações classificadas como terroristas pelos Estados Unidos. Dias depois, o governo de Daniel Noboa confirmou que uma operação aérea em Sucumbíos, na fronteira com a Colômbia, havia sido realizada com apoio americano.</p>
<p>Na Guatemala, o processo avançou de forma diferente. Em maio, o governo de Bernardo Arévalo solicitou aos Estados Unidos cooperação em operações conduzidas pelas forças guatemaltecas contra organizações de narcotráfico. O New York Times informou, citando pessoas familiarizadas com as negociações, que Arévalo havia concordado com ataques aéreos e outras ações militares conjuntas. O governo guatemalteco, porém, contestou a existência de um acordo que autorizasse operações militares estrangeiras em seu território e afirmou que o pedido estava dentro dos acordos bilaterais já existentes.</p>
<p>Honduras também vinha sendo pressionada por Washington a aceitar uma cooperação militar semelhante. Em junho, o Comando Sul americano tratava a expansão da parceria de defesa com o país como parte da implementação da coalizão. Agora, no entanto, Hegseth afirma que Honduras e Colômbia concordaram em iniciar operações conjuntas com os Estados Unidos.</p>
<p>A sequência mostra que a coalizão deixou de ser apenas uma plataforma diplomática. No Equador, operações conjuntas já ocorreram; Guatemala avançou em pedidos de cooperação, embora tenha contestado publicamente a existência de uma autorização para operações americanas; e Honduras e Colômbia passaram agora a ser apresentadas por Washington como novos parceiros para ações militares conjuntas.</p>
<h2>Significado estratégico</h2>
<p>A expansão da cooperação militar ocorre dentro de uma mudança mais ampla na política americana para a América Latina. </p>
<p>Ao  GSW Brasil , a cientista política  Denilde Holzhacker , professora da ESPM, explica por que a Colômbia aceitou tão rapidamente o pedido americano.</p>
<p>“Trump tem demonstrado como o alinhamento com Washington pode gerar contrapartidas aos países aliados. No plano retórico, Trump utiliza sua capacidade de mobilização para respaldar aliados ou pressionar adversários, indicando que recursos americanos serão direcionados a quem apoiar sua agenda. Por outro lado, governos alinhados a posições opostas enfrentam pressões diplomáticas, tarifas e sanções, como se observa nas relações com o Brasil, o México e o Canadá.”</p>
<p>A mudança também aparece nos documentos oficiais de Washington. Em março, durante a primeira conferência da coalizão, Hegseth afirmou que os Estados Unidos estavam dispostos a combater os cartéis sozinhos, se necessário, mas que a preferência de Washington era atuar em conjunto com os governos da região. Na mesma ocasião, apresentou a iniciativa como uma forma de reforçar a Doutrina Monroe.</p>
<p>A Estratégia de Segurança Nacional publicada pela Casa Branca em dezembro cita a Doutrina Monroe como referência explícita para a política americana no continente. O documento de março que criou formalmente a Americas Counter-Cartel Coalition também deixa explícita essa orientação.</p>
<p>A Casa Branca afirma que os Estados Unidos pretendem treinar e mobilizar forças militares de países parceiros para desmontar cartéis e organizações terroristas e estabelece como objetivo manter afastadas “influências malignas” externas ao hemisfério.</p>
<h2>Além da coalizão antidrogas</h2>
<p>A lista de países onde os Estados Unidos ampliaram presença ou influência nos últimos meses vai além da coalizão antidrogas. Na Venezuela, o governo apoiado por Washington, chefiado por Delcy Rodríguez, segue como exemplo de parceria estratégica em uma nação que durante décadas manteve relações marcadas por forte antagonismo com os interesses americanos.</p>
<p>Na Argentina, a proximidade entre Trump e Javier Milei também se traduziu em uma aproximação militar. Em abril, o presidente argentino participou de exercícios navais combinados a bordo do porta-aviões USS Nimitz, no Atlântico Sul. A atividade ocorreu no âmbito do exercício Passex 2026 e incluiu uma demonstração de aeronaves americanas.</p>
<p>Além disso, o governo argentino autorizou, por decreto publicado em abril, a entrada de meios e pessoal das Forças Armadas dos Estados Unidos para a participação no exercício Daga Atlántica, realizado em território argentino entre abril e junho. O decreto previa operações em áreas terrestres, aéreas, marítimas e fluviais e estabelecia que a atividade teria como objetivo ampliar a interoperabilidade entre as forças dos dois países.</p>
<p>Ao El País,  Michael Shifter , pesquisador e ex-presidente do Diálogo Interamericano, um dos centros de análise mais influentes de Washington sobre política hemisférica, afirma que entender os limites dessa escalada exige abandonar a lógica jurídica. “Os obstáculos à intervenção militar não estão relacionados a fatores legais ou jurídicos, porque estes não têm peso para esta administração. O que eles estão medindo são os fatores práticos: no caso de Cuba, uma intervenção poderia gerar uma situação totalmente caótica ou uma onda migratória massiva”, explica ele.</p>
<p>Shifter afirma que a agenda antes comum de fortalecimento institucional e defesa dos direitos humanos entre os EUA e a América Latina foi completamente marginalizada em favor de uma estratégia agressiva focada na segurança e no combate ao narcotráfico. “Toda a abordagem voltada para o fortalecimento das instituições e a proteção dos direitos humanos foi suplantada, se não totalmente eliminada. Washington essencialmente deu sinal verde para qualquer projeto autoritário que um líder latino-americano possa empreender”, alerta Shifter.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asoQIYnjRpnrTV5Wb.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Gage Skidmore/Flickr</media:credit>
        <media:title>52252441625_fcb6d85f9c_k</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump usa força política e pressão econômica para moldar a América Latina, diz especialista</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-usa-forca-politica-e-pressao-economica-para-moldar-a-america-latina-diz-especialista</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-usa-forca-politica-e-pressao-economica-para-moldar-a-america-latina-diz-especialista?feed=Trump</guid>
      <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 18:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A América Latina vive uma guinada conservadora. Nos últimos três anos, o eleitorado da região elegeu nas urnas uma sucessão de nomes da direita: Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Com a posse de Espriella em agosto, a região soma 12 chefes de Estado de direita. No início de 2023, eram 11 países governados pela esquerda.</p>
<p>Diferentemente da safra neoliberal dos anos 1990, que teve entre seus principais nomes Carlos Menem na Argentina, Alberto Fujimori no Peru, Carlos Salinas de Gortari no México e Carlos Andrés Pérez na Venezuela, os novos líderes dependem menos de partidos e mais da própria imagem. A agenda também mudou, incorporando segurança pública e imigração como resposta a um desgaste institucional comum aos países da região, ao lado da pauta econômica que já era central nos anos 1990. Trump aparece como fiador dessas candidaturas, com apoio que varia do retórico ao financeiro.</p>
<p>O fenômeno importa ao Brasil, que em outubro vai às urnas para eleger seu próximo presidente, com Lula tentando a reeleição num cenário de polarização semelhante ao dos vizinhos. Flávio Bolsonaro mantém competitividade mesmo em meio a crises de campanha, enquanto Renan Santos, do Missão, aparece como o principal replicador do modelo de comunicação direta que rendeu resultado a Bukele e Milei.</p>
<p>Para explicar esse cenário, o  GSW Brasi l entrevistou Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM e especialista em América Latina.</p>
<p>GSW BRASIL  Nos últimos anos, a América Latina elegeu uma sequência de nomes de direita: Milei na Argentina, Noboa no Equador, Bukele em El Salvador, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru. Hoje são doze governos latino-americanos de direita. Como a senhora lê esse momento? Existe fôlego para essa hegemonia durar?</p>
<p>Denilde  A América Latina sempre se moveu em pêndulos políticos: passamos por uma fase mais à esquerda e agora entramos em um ciclo focado na direita. Esses novos governos compartilham uma lógica comum: refletem um desgaste profundo das instituições democráticas, decorrente de escândalos de corrupção, baixo crescimento econômico e da percepção de que as gestões anteriores não responderam às demandas da sociedade.</p>
<p>Paralelamente, há um movimento global de ascensão de grupos de direita – tanto na Europa, com o avanço da extrema-direita, quanto nos Estados Unidos, com o movimento MAGA. Há, portanto, uma confluência entre a conjuntura regional de alternância e um contexto global que fortalece esse campo no momento.</p>
<p>É difícil prever se esses governos se sustentarão, pois o eleitor latino-americano tem um perfil pragmático, que testa os governantes. Sem resultados práticos no dia a dia da população, a tendência é uma nova mudança ideológica ou a eleição de opositores. Por isso, a sustentação desta direita depende mais da entrega de resultados do que de uma identidade ideológica consolidada.</p>
<p>O Brasil exemplifica essa dinâmica. Bolsonaro venceu em 2018 e, após um governo marcado por dificuldades e respostas insatisfatórias, o eleitorado optou pelo retorno da esquerda, a despeito da forte polarização. O eleitor atua nesse papel de teste porque a América Latina ainda enfrenta fragilidade institucional e alta fragmentação política. É essa estrutura fragmentada que viabiliza alternâncias constantes no poder.</p>
<p>Ainda assim, esta nova onda pode ganhar fôlego – diferente do que ocorreu nos anos 1990. O alinhamento com um movimento forte nos Estados Unidos e a criação de alianças regionais consolidadas podem garantir maior sustentação a esses governos, em um cenário global de enfraquecimento democrático.</p>
<p>GSW BRASIL  A senhora citou a safra neoliberal dos anos 1990, que teve nomes como Menem na Argentina, Fujimori pai no Peru, Salinas de Gortari no México, Sánchez de Lozada na Bolívia, Carlos Andrés Pérez na Venezuela. O que a nova safra traz de diferente? Dá para tratá-los como um bloco único ou cada um responde a uma agenda própria, como a liberal de Milei e a securitária de Bukele?</p>
<p>Denilde  A principal diferença está na origem política. Nos anos 1990, os líderes surgiam de partidos tradicionais. Ainda que houvesse a novidade do outsider em alguns casos, a maioria operava dentro do sistema partidário. Hoje, vemos um deslocamento para uma personalização muito mais acentuada, fruto do enfraquecimento das legendas. A atenção do eleitor recai sobre os indivíduos, e não sobre as siglas.</p>
<p>Essa dinâmica reduziu a preocupação dos mandatários com a institucionalização e com a negociação política para a implementação de pautas. A centralidade do processo passou a ser a figura do candidato, operada por canais de comunicação mais ágeis e diretos, como as redes sociais.</p>
<p>A agenda política também se transformou. Se nos anos 1990 o foco era estritamente econômico – centrado no Consenso de Washington e em reformas liberais – hoje a pauta econômica divide espaço com pautas comportamentais, culturais e de um forte conservadorismo social.</p>
<p>Apesar de compartilharem o discurso personalizado, o uso da comunicação direta e uma postura antipolítica, esses líderes não formam um bloco homogêneo. Eles atuam em contextos e países com graus distintos de institucionalização, o que impõe mais amarras para uns e dá mais margem para outros. Há vertentes abertamente autocráticas, como a de Bukele, e governos que ainda dependem da busca por consensos internos para governar.</p>
<p>Suas agendas também variam: Milei prioriza a economia, enquanto Bukele foca na segurança. No entanto, temas como segurança, imigração e economia funcionam hoje mais como ferramentas de engajamento da base aliada do que como projetos estruturados de reforma política.</p>
<p>GSW BRASIL  E qual é o tamanho da influência do Donald Trump nessas eleições? Não só sobre a retórica desses eleitos, mas para o movimento em si?</p>
<p>Denilde  A influência varia conforme o país. Na Argentina, o impacto foi expressivo, sobretudo nas eleições legislativas recentes, ao reforçar o discurso de que a estabilidade econômica do país depende do apoio e dos aportes financeiros dos Estados Unidos. Na Colômbia, o apoio sinalizou que uma vitória da direita fortaleceria as relações bilaterais e a agenda de segurança.</p>
<p>Trump tem demonstrado como o alinhamento com Washington pode gerar contrapartidas aos países aliados, usando a Argentina como vitrine. Em outros cenários, observa-se uma interferência mais direta no processo eleitoral. Além da figura de Trump, o movimento MAGA atua mobilizando redes e eleitores conservadores pela região.</p>
<p>No plano retórico, Trump utiliza sua capacidade de mobilização para respaldar candidatos aliados ou pressionar adversários, indicando que recursos americanos serão direcionados a quem apoiar sua agenda. Por outro lado, governos alinhados a posições opostas enfrentam pressões diplomáticas, tarifas e sanções, como se observa nas relações com o Brasil, o México e o Canadá.</p>
<p>GSW BRASIL  Entramos na questão da segurança pública, que é um dos grandes motores argumentativos de boa parte desses líderes, especialmente o Bukele. Por que a direita consegue capturar essa pauta? Temos exemplos concretos com êxito suficiente em segurança pública para que esse grupo capture o tema?</p>
<p>Denilde  El Salvador, apesar de todas as ressalvas relativas a violações de direitos, é um modelo de exportação devido à queda drástica nos índices de criminalidade e à sensação de controle transmitida à população. Governos que adotam posturas mais duras no combate ao crime costumam transmitir uma percepção de eficiência mais imediata do que aqueles que aplicam políticas progressistas. Pesa mais para o eleitor a sensação de que o Estado retomou a ordem do que a avaliação detalhada dos métodos utilizados.</p>
<p>A direita também demonstra eficácia comunicacional ao inflar a percepção de insegurança durante os períodos eleitorais, mesmo em países com baixos índices de criminalidade. Na Colômbia, o aumento dos indicadores de violência durante a gestão Petro reforçou a narrativa de que o Estado perdeu o controle e de que abordagens progressistas são brandas.</p>
<p>Esse fenômeno é visto também na pauta migratória. Embora a América Latina não registre volumes de imigração comparáveis aos dos Estados Unidos ou da Europa, a mobilidade decorrente da crise venezuelana tornou o tema central em pleitos no Chile, na Colômbia e na Argentina. A narrativa explorada é uniforme: a acusação de que falta pulso ao Estado para gerir as fronteiras e combater ilícitos.</p>
<p>GSW BRASIL  Vemos, inclusive no Brasil, candidatos que têm o Bukele como inspiração. Esse modelo de segurança pública é replicável em paises de maiores dimensões? E qual é o perigo, pensando numa erosão democrática para a região, se esse modelo pudesse ser replicado em países de maiores dimensões?</p>
<p>Denilde  A replicação do modelo salvadorenho é improvável em países com sistemas judiciários mais complexos e independentes, pois a estratégia de Bukele exige uma centralização quase absoluta do Poder Executivo e a supressão de garantias no sistema prisional. O Equador tentou implementar medidas semelhantes por dispor de mecanismos mais centralizadores, o que gerou um processo visível de erosão democrática.</p>
<p>Em países onde os freios e contrapesos institucionais ainda operam, há barreiras claras a esse tipo de ação. No Brasil, por exemplo, como a segurança pública é gerida primordialmente pelos estados, a aplicação de um modelo nacional unificado e centralizado enfrenta limitações constitucionais.</p>
<p>Por isso, o que se observa é uma adaptação retórica e pontual: a defesa de forças policiais com maior liberdade para o uso da força e o endurecimento das condições prisionais. A inspiração no modelo serve como demonstração de autoridade e controle, sem que haja necessariamente a replicação integral da estrutura autocrática de El Salvador.</p>
<p>GSW BRASIL  A senhora falou do Milei e da questão da imigração. Por que isso funciona como arma política para esse tipo de eleitor?</p>
<p>Denilde  Funciona porque se conecta a um sentimento mais amplo de Insegurança – não apenas física, mas econômica e trabalhista. Atribuir essas incertezas a fatores externos tem forte apelo narrativo. Ao amplificar esses temores, esses governos se apresentam como os únicos capazes de restaurar a ordem.</p>
<p>Demandas por empregos e por serviços públicos, como saúde e educação, são frequentemente apresentadas como recursos disputados com a população estrangeira. No caso de Milei, o uso da pauta migratória cumpre dois papéis: estimula o sentimento nacionalista ("nós contra eles") e desvia a atenção das dificuldades econômicas que seu governo ainda tenta equacionar.</p>
<p>As realidades regionais, contudo, são distintas. Colômbia e Chile absorveram contingentes migratórios substancialmente maiores do que a Argentina. Ainda assim, a pauta é instrumentalizada para mover o debate público para um terreno de apelo emocional, poupando a gestão de desgastes em tópicos centrais, como a economia.</p>
<p>GSW BRASIL  Olhando para esse movimento na América Latina, é provável que o Brasil reproduza o mesmo resultado dos vizinhos nas urnas ou, pelas características particulares do Brasil, podemos ver um movimento completamente diferente dos nossos vizinhos?</p>
<p>Denilde  Há um traço comum em quase toda a região: processos eleitorais extremamente polarizados e decididos por margens muito estreitas, refletindo sociedades divididas. Esse é o cenário esperado para o pleito brasileiro. A candidatura associada ao bolsonarismo, representada por Flávio, demonstra resiliência por se ancorar na polarização entre os sentimentos anti-PT e antidireita.</p>
<p>Sob essa ótica, o Brasil segue a tendência regional. A diferença reside na complexidade do nosso sistema político: o tamanho do eleitorado, o número de partidos e a força das alianças estaduais e do Congresso – que detém fatia expressiva do orçamento – impõem uma dinâmica própria.</p>
<p>Outra variável relevante neste ciclo é o peso da agenda externa: a presença de Milei no apoio à candidatura de oposição e a atuação mais ostensiva de setores norte-americanos para influenciar o debate político local inserem um componente internacional mais acentuado do que o observado em 2022.</p>
<p>GSW BRASIL  Quais foram os maiores erros dos governos anteriores de esquerda que culminaram nessa nova remodelagem da estrutura política em toda a América Latina?</p>
<p>Denilde  Apontaria dois fatores centrais. O primeiro é a incapacidade de enfrentar a corrupção e o uso indevido de recursos públicos, o que consolida a percepção de que o sistema político tradicional é conivente com essas práticas, alimentando o discurso antipolítica.</p>
<p>O segundo foi a falha em entregar respostas materiais rápidas à população. Embora os indicadores socioeconômicos tenham mostrado avanços em determinados períodos, esses ganhos não se traduziram em uma percepção consistente de melhoria na qualidade de vida. Esse descompasso entre estatísticas e a realidade percebida fragilizou a defesa do modelo social e econômico tradicional.</p>
<p>Ademais, as forças de direita adaptaram-se com maior agilidade aos novos ecossistemas digitais de comunicação, utilizando estratégias de engajamento direto e mobilização que os partidos tradicionais — tanto de esquerda quanto de centro — não conseguiram acompanhar, resultando em um forte distanciamento das bases populares.</p>
<p>GSW BRASIL  Sobre essa disparidade entre dados e percepção, vemos acontecer com alguns índices, principalmente econômicos, aqui no Brasil. O problema é majoritariamente comunicação?</p>
<p>Denilde  A comunicação é central, mas a questão vai além do volume de propaganda: trata-se do formato e do canal. Governos tradicionais enfrentam dificuldades para traduzir medidas institucionais em uma linguagem acessível para o ecossistema digital atual.</p>
<p>Existe também um descompasso estrutural. O rito democrático tradicional é lento, pautado por negociações e pesos e contrapesos, enquanto a expectativa da sociedade atual é por respostas imediatas. Essa assimetria gera desconfiança e afasta, em especial, as gerações mais jovens dos canais institucionais de debate.</p>
<p>Figuras políticas mais jovens, de diferentes espectros ideológicos, capturam essa dinâmica com mais facilidade. Para lideranças consolidadas, como o presidente Lula, reconfigurar uma linguagem política estruturada ao longo de décadas representa um desafio substancialmente maior.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/as8vyYzUSIK2jr2h9.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">JIM WATSON / AFP</media:credit>
        <media:title>Trump</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump dá cessar-fogo com o Irã por encerrado e projeta novos ataques no Golfo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-da-cessar-fogo-com-o-ira-por-encerrado-e-projeta-novos-ataques-no-golfo</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-da-cessar-fogo-com-o-ira-por-encerrado-e-projeta-novos-ataques-no-golfo?feed=Trump</guid>
      <pubDate>Wed, 08 Jul 2026 16:39:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , afirmou nesta quarta-feira, 8, que  considera encerrado o cessar-fogo com o Irã , assinado há três semanas, e disse que novos ataques americanos são prováveis ainda hoje à noite.</p>
<p>"Nós os atingimos com força na noite passada e muito provavelmente os atingiremos novamente com força hoje à noite", disse, durante a cúpula da Otan, na Turquia.</p>
<p>A declaração ocorre após uma escalada no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. O Irã atacou três navios-tanque comerciais na região, e foram contra-atacados pelos Estados Unidos com ataques aéreos contra mais de 80 alvos iranianos. Em nova resposta, Teerã utilizou drones e mísseis contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait.</p>
<p>Trump classificou o cessar-fogo como "acabado" e disse que, para ele, seguir negociando com o governo iraniano "é perda de tempo". O republicano afirmou também que não quer mais lidar com os líderes do país.</p>
<p>"Eles são escória. São pessoas doentes. São lideradas por pessoas doentes", declarou ele a repórteres em Ancara.</p>
<p>Ao lado de Zelensky, Trump chegou a  cometer uma gafe ao se confundir e atribuir o ataque com mísseis à "República Islâmica do Japão".</p>
<p>Apesar do tom, o americano indicou que os negociadores das duas partes podem continuar as conversas “se quiserem”.</p>
<p>A nova escalada do conflito ocorre enquanto o Irã ainda vive o luto por Ali Khamenei, morto no ataque de fevereiro. O  cortejo fúnebre do aiatolá segue por Teerã desde sábado , 4, e o sepultamento está marcado para esta quinta-feira, 9, em Mashhad.</p>
<h2>O vai e vem dos acordos</h2>
<p>O conflito entre Estados Unidos e Irã começou em fevereiro de 2026, com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra instalações nucleares e militares do Irã. O país do Oriente Médio respondeu atacando bases americanas na região e acionando aliados.</p>
<p>Em abril, as partes chegaram a uma primeira trégua, quebrada e renegociada por diversas vezes. Em 17 de junho, Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram remotamente o  Memorando de Islamabad, documento de 14 pontos mediado pelo Paquistão . O texto previa a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval americano a portos iranianos e um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.</p>
<p>Na semana passada, o Irã acusou os Estados Unidos de manter sanções e violar o espírito do memorando. Nos últimos dias, três navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz. Washington atribuiu o ataque a Teerã e classificou o episódio como uma violação do acordo.</p>
<p>Na terça-feira, 7, forças americanas atingiram mais de 80 alvos iranianos, incluindo embarcações da Guarda Revolucionária e instalações na costa. Horas depois, o Irã respondeu com drones e mísseis contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait. Nesta quarta, durante a cúpula da Otan em Ancara, Trump declarou o cessar-fogo encerrado.</p>
<p>O memorando nunca teve adesão total das duas partes. Desde a assinatura, Estados Unidos e Irã trocaram acusações de descumprimento.</p>
<p>No centro do impasse estão interesses opostos: os Estados Unidos buscam controle sobre o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e a redução da capacidade militar iraniana, enquanto o Irã usa o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão contra sanções e ataques externos.</p>
<h2>Reação e mercado</h2>
<p>A Guarda Revolucionária do Irã declarou que pretende revidar "de forma mais dura" nos próximos dias.</p>
<p>O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou nesta quarta. Apenas quatro navios cruzaram a rota até o fim da manhã, ante uma média diária de 32 desde o início do cessar-fogo, em 17 de junho, segundo dados da consultoria Kpler enviados à CNN.</p>
<p>As bolsas americanas caíram após a declaração de Trump. O índice Dow Jones recuou cerca de 1% na abertura, e o Nasdaq, 0,4%. O petróleo subiu: o barril do tipo Brent avançou mais de 5%, para US$ 78, maior valor em duas semanas. O WTI, referência americana, teve alta semelhante, a US$ 73,50.</p>
<p>Apesar dos novos ataques e das ameaças dos dois lados, não há, por enquanto, fim formal de negociações.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asYeZ17QQWGuR8MKy.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">White House/Reprodução</media:credit>
        <media:title>trump</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
  </channel>
</rss>