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    <title>Global South World Brasil - Top Articles</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Datafolha: Flávio amplia distância de Lula em 2%, mas empate técnico permanece</title>
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      <pubDate>Sat, 24 Oct 2026 22:43:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Atualizado às 23h29</p>
<p>Na sua última pesquisa de intenção de votos válidos antes do segundo turno (no domingo, 25), o Instituto Datafolha apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). O primeiro tem 51%, enquanto o segundo tem 49%. A margem de erro é de pois pontos percentuais, para mais ou para menos.</p>
<p>Com relação ao último levantamento divulgado pelo instituto Datafolha, no dia 21, Flávio Bolsonaro conseguiu aumentar a distância entre ele e Lula em 2%. Os resultados anteriores apontavam cada candidato com exatamente 50% das intenções de votos válidos.</p>
<p>O resultado de votos válidos é idêntico ao da pesquisa Quaest divulgada neste mesmo sábado.  Confira aqui os dados da Quaest .</p>
<p>Os votos válidos correspondem à forma como o TSE apresenta o resultado oficial das eleições. Aqui não entram os votos em branco ou nulos, assim como as abstenções.</p>
<p>Os votos totais incluem todos esses grupos. Nesse caso, a pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos saaão mostrados aos eleitores, Flávio tem 48% e Lula tem 47%. Já os indecisos somam 2%. E os que declaram voto branco ou nulo equivalem a 3%.</p>
<p>Foram entrevistadas 4.050 pessoas nos dias 23 e 24 de outubro, já sentindo o clima depois do debate entre os dois candidatos, na noite da sexta (23), na Globo, e dos últimos atos de campanha realizados neste sábado (24).</p>
<h2>Disputa acirrada</h2>
<p>Em depoimento à Globonews, a diretora do instituto Datafolha, Luciana Chong, explicou o cenário atual, depois de a pesquisa anterior mostrar os dois candidatos empatados numericamente com 50%.</p>
<p>“A gente mostra um quadro de estabilidade. Na pesquisa de quinta-feira, a gente tinha 50% para cada um dos candidatos, nos votos válidos, e hoje a gente tem 51% a 49%. Mas, considerando a margem de erro da pesquisa, as duas pesquisas são praticamente iguais. Os dois candidatos estão iguais, estão numa disputa bem acirrada“, avaliou Chong.</p>
<p>Segunda ela, é um cenário que o instituto já vinha acompanhando desde a primeira pesquisa, que tinha uma diferença de quatro pontos. Na segunda, essa diferença diminuiu e houve o empate entre os dois, e assim se manteve até agora. </p>
<p>"Eles estão empatados na espontânea, na estimulada, nos votos válidos e, também, na rejeição“, afirmou.</p>
<p>O que pode fazer diferença é a magem de voto de eleitores que ainda estão indecisos."São 5% que declararam na pesquisa que ainda podem mudar o seu voto, então o cenário vai ser bem acirrado, mesmo", afirmou.</p>
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        <media:credit role="photographer">Mayara Novais</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>“Até seu pai”: vídeo de Lula sobre Jair Bolsonaro viraliza após debate; entenda a frase e o voto nos presídios</title>
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      <pubDate>Tue, 20 Oct 2026 14:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Bastaram três palavras para transformar uma troca de provocações entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um dos momentos de maior repercussão do debate presidencial realizado pela Band no domingo (18). A frase “Até seu pai”, dita pelo presidente em referência a Jair Bolsonaro, viralizou nas redes sociais e alcançou mais de 4,1 milhões de curtidas em apenas seis publicações monitoradas no TikTok e no Facebook.</p>
<p>O levantamento foi realizado pela  Impactum Insights, empresa parceira do GSW Brasil , e identificou, também, mais de 142 mil comentários nessas publicações. O vídeo mais popular, publicado no TikTok, ultrapassou, sozinho, 2,3 milhões de curtidas.</p>
<p>A repercussão foi além das fronteiras brasileiras. Perfis de notícias no Brasil e no exterior publicaram diferentes versões do corte, ampliando a circulação internacional de uma das provocações mais comentadas do primeiro debate entre os dois candidatos no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.</p>
<p>A discussão começou quando Flávio Bolsonaro afirmou que 73% dos presos teriam votado em Lula no primeiro turno. O presidente rebateu dizendo que gostaria de receber o voto de todos, inclusive de Jair Bolsonaro, pai do adversário, que cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado.</p>
<p>A resposta provocou reações imediatas e rapidamente ganhou versões com legendas, montagens e memes, transformando uma frase de poucos segundos em conteúdo de grande circulação nas redes.</p>
<h3>Repercussão favorável </h3>
<p>A reação à frase também apareceu nos comentários. Segundo levantamento da Vox Radar,  82% das manifestações que mencionaram a provocação foram positivas para Lula.</p>
<p>A análise examinou 5,07 milhões de comentários em 2.146 publicações do Instagram relacionadas ao debate, entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira (19). Esses números correspondem ao universo geral monitorado, e não exclusivamente às publicações sobre a frase.</p>
<p>O episódio também se destacou no levantamento mais amplo da Impactum Insights sobre a repercussão do debate. Lula registrou 53% de manifestações positivas e 33% negativas, mantendo um saldo favorável de 20 pontos percentuais. Flávio Bolsonaro teve 37% positivas e 47% negativas.</p>
<p>Embora o presidente tenha apresentado desempenho superior ao do adversário no ambiente digital, ambos registraram uma deterioração dos indicadores em comparação com um monitoramento da Impactum Insights realizado na manhã do dia 18 de outubro. Lula perdeu cinco pontos percentuais de manifestações positivas, enquanto Flávio recuou quatro.</p>
<p>O levantamento, que leva em conta as interações digitais até a data de ontem, dia 19, analisou publicações e comentários em sete plataformas: TikTok, Facebook, Instagram, X, YouTube, LinkedIn e Bluesky. Lula apresentou saldo favorável em cinco delas. Flávio não registrou saldo positivo em nenhuma.</p>
<h3>Desafio para abertura de sigilo</h3>
<p>A provocação envolvendo Jair Bolsonaro não foi o único episódio do debate a ganhar destaque nas redes sociais.</p>
<p>Outro momento de forte repercussão foi o desafio feito por Lula para que os dois candidatos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos, em meio à troca de acusações sobre corrupção.</p>
<p>A discussão ganhou força com a hashtag #AbreOSigiloFlavio e continuou depois do debate, quando Lula voltou a abordar o assunto em entrevista ao SBT.</p>
<p>Um vídeo da campanha petista sobre o episódio alcançou 10,2 milhões de visualizações, segundo levantamento da Ativaweb DataLab.</p>
<p>A repercussão negativa para Flávio também envolveu críticas a sua conduta durante o debate, especialmente aos gestos e provocações feitos enquanto Lula falava.</p>
<p>Por outro lado, apoiadores do senador destacaram sua atuação no confronto e divulgaram vídeos em que o apresentavam como vencedor. Uma publicação do PL Nacional no TikTok alcançou mais de 800 mil curtidas, segundo a Impactum Insights.</p>
<p>Lula também enfrentou críticas, principalmente após uma declaração equivocada nas considerações finais, quando disse que o Brasil iria “acabar”, em uma fala explorada por adversários nas redes sociais.</p>
<h3>Votação nos presídios </h3>
<p>A discussão que deu origem à frase “Até seu pai” também levantou uma questão sobre as eleições brasileiras: quem pode votar dentro dos presídios e qual foi o resultado efetivo dessa votação no primeiro turno?</p>
<p>O percentual citado por Flávio Bolsonaro durante o debate se aproxima dos resultados registrados nas seções eleitorais instaladas em estabelecimentos prisionais e unidades socioeducativas. Mas isso não significa que 73% de toda a população carcerária brasileira tenha votado em Lula.</p>
<p>Segundo levantamento do Poder360, elaborado com base nos boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 8.118 votos, equivalentes a 72,55% dos votos válidos, nas 243 seções eleitorais destinadas a presos provisórios e eleitores de unidades socioeducativas.</p>
<p>Flávio Bolsonaro ficou em segundo lugar, com 2.605 votos, ou 23,28%. Ao todo, foram contabilizados 11.190 votos válidos nessas seções.</p>
<p>A legislação brasileira não permite que pessoas condenadas criminalmente por decisão definitiva, sem possibilidade de recurso, votem enquanto durarem os efeitos da condenação. A suspensão dos direitos políticos se aplica independentemente de o condenado estar em um presídio, em prisão domiciliar ou cumprindo pena em liberdade.</p>
<p>Já os presos provisórios, que ainda não receberam condenação definitiva, mantêm o direito ao voto, desde que estejam com a situação eleitoral regularizada.</p>
<p>Adolescentes a partir dos 16 anos que cumprem medidas socioeducativas de internação também podem votar. Para jovens de 16 e 17 anos, o voto é facultativo.</p>
<p>A votação é organizada pela Justiça Eleitoral em seções especiais instaladas nos estabelecimentos prisionais e nas unidades socioeducativas. Esses locais também podem receber votos de servidores e outros profissionais autorizados a votar nessas seções.</p>
<p>Por isso, os resultados registrados nesses estabelecimentos não representam exclusivamente o comportamento eleitoral dos presos provisórios, muito menos o conjunto da população carcerária brasileira.</p>
<p>Uma alteração legislativa aprovada em março de 2026 estabeleceu novas restrições ao voto de pessoas presas, inclusive provisoriamente. O TSE, porém, decidiu que a mudança não poderia ser aplicada às eleições deste ano, em razão do princípio constitucional da anualidade eleitoral.</p>
<p>Assim, os presos provisórios habilitados mantiveram o direito de votar no primeiro turno e poderão participar novamente do segundo.</p>
<h3>Viralização não significa mais votos</h3>
<p>O sucesso do corte “Até seu pai” ocorre em meio a uma mudança na estratégia digital da campanha de Lula para o segundo turno, com maior mobilização de apoiadores e distribuição de conteúdos nas redes sociais. </p>
<p>Uma das figuras centrais dessa reorganização é o deputado federal André Janones (Rede-MG), que lidera o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, com cerca de 4,2 milhões de participantes, segundo reportagem do GSW Brasil.</p>
<p>A estratégia busca transformar apoiadores em multiplicadores de mensagens, vídeos e campanhas de engajamento, ampliando a circulação de conteúdos para além dos perfis oficiais. Entre as iniciativas está a mobilização para incentivar eleitores de Lula a publicar fotografias usando verde e amarelo, em uma tentativa de disputar símbolos nacionais frequentemente associados ao bolsonarismo.</p>
<p>Embora a viralização de “Até seu pai” esteja alinhada a essa nova dinâmica de comunicação, não há evidências de que a circulação específica do vídeo tenha sido coordenada por Janones. O episódio mostra como uma frase curta, facilmente reproduzida e compartilhada, pode alcançar milhões de interações em diferentes plataformas.</p>
<p>Mas, o sucesso nas redes não significa necessariamente mais votos. Curtidas, comentários e manifestações positivas medem repercussão digital, não intenção de voto. A poucos dias do segundo turno, ainda é incerto se esse engajamento terá impacto concreto na decisão dos eleitores.</p>
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        <media:title>Debate ente Lula e Flávio Bolsonaro</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Daniel Hessel Teich]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Flávio Bolsonaro (51%) e Lula (49%) empatam dentro da margem de erro no 2º turno, diz Datafolha</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/flavio-bolsonaro-51-e-lula-49-empatam-dentro-da-margem-de-erro-no-2-turno-diz-datafolha</link>
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      <pubDate>Thu, 15 Oct 2026 21:42:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A segunda pesquisa Datafolha para Presidência divulgada após o primeiro turno mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 51% das intenções de votos válidos contra 49% de Lula (PT). O resultado representa um empate técnico dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.</p>
<p>Há uma semana, o instituto mostrava Flávio com 52% e Lula, com 48% dos votos válidos. Nesta modalidade, são excluídos da conta os brancos, nulos e indecisos.</p>
<p>Em votos totais, o '01' aparece com 47% e o incumbente, 45%. Nulos são 6%, e 2% dos entrevistados se disseram indecisos.</p>
<p>O Datafolha entrevistou 2.520 eleitores entre terça-feira (13) e quarta-feira (14), em 153 municípios, em pesquisa encomendada pela Folha. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-00466/2026.</p>
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        <media:credit role="provider">Montagem/GSW Brasil</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Obesidade, crise climática e uso malicioso da IA: ameaças à sobrevivência humana?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/obesidade-crise-climatica-e-uso-malicioso-da-ia-ameacas-a-sobrevivencia-humana</link>
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      <pubDate>Mon, 12 Oct 2026 13:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obesidade, desigualdade de renda, baixa escolaridade, mudanças climáticas, pandemias, conflitos armados e uso malicioso da inteligência artificial estão entre as 17 grandes ameaças que podem comprometer a saúde, a segurança e as condições de vida da humanidade até 2100. Duas delas, a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial, são consideradas capazes de provocar consequências extremas, incluindo a possibilidade de extinção humana.</p>
<p>Essa é a conclusão de um estudo publicado no sábado, 10, pela revista científica  The Lancet , que reuniu 35 especialistas de diferentes regiões para investigar os riscos que poderão afetar as próximas gerações. O comitê analisou dados e projeções de 204 países e territórios. Seu objetivo foi identificar não apenas ameaças capazes de provocar grandes perdas de saúde, mas também o que governos e instituições internacionais podem fazer para preveni-las ou reduzir suas consequências.</p>
<p>Intitulado  “The Lancet Commission on 21st century global threats to health” , o estudo propõe que os países ampliem sua preparação para além das crises sanitárias tradicionais. Problemas de evolução lenta, como desigualdade, doenças crônicas e envelhecimento com perda de saúde, também podem produzir consequências extraordinárias.</p>
<p>Os pesquisadores escolheram analisar o período de 2025 a 2100, um intervalo de 75 anos, para avaliar como diferentes ameaças podem evoluir ao longo do século e quais danos poderiam ser evitados por medidas de prevenção, políticas públicas e avanços científicos.</p>
<p>A escolha do ano de 2100 tem uma finalidade prática: estabelecer um horizonte comum para comparar riscos muito diferentes, desde doenças que já afetam milhões de pessoas até acontecimentos extremos que podem ocorrer no futuro. Esse período também permite examinar as consequências de decisões tomadas hoje sobre as próximas gerações.</p>
<p>O trabalho conta com a participação de dois pesquisadores brasileiros: a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima (entre janeiro de 2023 e março de 2025), ex-presidente da Fiocruz, e Luiz Augusto Galvão, pesquisador sênior do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz.</p>
<h2>Quais são as 17 ameaças e por que preocupam</h2>
<p>Para avaliar os riscos até 2100, os pesquisadores consideraram tanto problemas que já provocam doenças e mortes quanto acontecimentos extremos que, embora incertos, poderiam ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.</p>
<p>Entre as 17 ameaças selecionadas, duas receberam uma classificação especial: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial. Segundo o estudo, ambas poderiam, em determinadas circunstâncias, provocar consequências tão graves e disseminadas que colocariam em risco a existência da espécie humana.</p>
<p>No caso de uma guerra nuclear, a preocupação vai além da explosão de artefatos. De acordo com o estudo, a fumaça lançada na atmosfera poderia reduzir a luz solar, comprometer a produção agrícola em escala mundial e desencadear fome generalizada. Já a inteligência artificial poderia ser utilizada, por exemplo, para facilitar a criação de armas biológicas extremamente perigosas.</p>
<p>As consequências possíveis desses acontecimentos são graves o suficiente, na análise dos especialistas consultados pela Lancet, para justificar medidas de prevenção, mesmo diante das incertezas.</p>
<p>As outras 15 ameaças foram classificadas como riscos de consequências catastróficas para a saúde. São problemas capazes de provocar um número extraordinário de mortes, doenças e incapacidades ao longo das próximas décadas. Elas, porém, mas estão enquadradas pelo estudo como riscos de extinção da humanidade.</p>
<p>Nesse grupo estão desde fatores de risco conhecidos, como pressão alta e tabagismo, até problemas estruturais, como desigualdade de renda e baixa escolaridade, além de pandemias, conflitos armados e mudanças climáticas.</p>
<p>A distinção é importante porque o estudo não mede apenas a possibilidade de uma catástrofe acontecer. Ele também procura calcular quanto dos danos à saúde poderia ser evitado por meio de políticas públicas, prevenção e avanços científicos.</p>
<p>As duas ameaças com potencial de extinção são:</p>
<p>As outras 15 ameaças são:</p>
<p>Essas ameaças estão interligadas. Uma criança que cresce em situação de pobreza, por exemplo, pode enfrentar simultaneamente desnutrição, dificuldades de acesso à educação e falta de atendimento médico. Mudanças climáticas e conflitos podem agravar essas condições.</p>
<h2>Obesidade e desigualdade podem provocar perdas extraordinárias</h2>
<p>Para comparar problemas tão diferentes, os pesquisadores utilizaram uma medida chamada DALY (Disability-Adjusted Life Year), conceito em inglês que significa ano de vida ajustado por incapacidade. Ela calcula os anos de vida saudável perdidos tanto por mortes prematuras quanto pelo tempo vivido com doenças ou limitações de saúde.</p>
<p>A pesquisa compara dois futuros possíveis para cada ameaça: um cenário favorável e outro desfavorável. A diferença entre eles representa a quantidade de anos de vida saudável que poderia ser preservada por políticas públicas e outras medidas de prevenção.</p>
<p>A maior diferença aparece na categoria que reúne obesidade, alimentação inadequada e baixa atividade física. No cálculo dos cientistas, 23,1 bilhões de anos de vida saudável são potencialmente preserváveis entre 2025 e 2100 se esses problemas forem enfrentados de forma eficaz.</p>
<p>Em seguida estão a baixa escolaridade, com 16,1 bilhões, e a desigualdade de renda, com 13,8 bilhões. Problemas de saúde mental representam 9,35 bilhões, enquanto o envelhecimento com problemas de saúde responde por 8,26 bilhões.</p>
<p>Esses números não representam previsões de mortes nem significam que uma ameaça seja necessariamente mais grave do que outra. Eles expressam o potencial de redução dos danos dentro dos cenários considerados pelos pesquisadores.</p>
<h2>O desafio do clima</h2>
<p>As mudanças climáticas representam uma dificuldade particular para os pesquisadores porque nem todas as suas consequências sobre a saúde podem ser quantificadas. O estudo estima em 1,89 bilhão os anos de vida saudável potencialmente preserváveis por medidas capazes de reduzir os impactos do aquecimento global.</p>
<p>Esse cálculo, entretanto, não incorpora integralmente consequências como deslocamentos populacionais, perdas econômicas, alterações na produção de alimentos e outros efeitos indiretos sobre as condições de vida. Por isso, os autores alertam que os resultados podem subestimar a dimensão dos danos.</p>
<h2>Viver mais não significa viver mais tempo com saúde</h2>
<p>No cenário em que as tendências atuais continuam, a expectativa de vida mundial deverá aumentar 8,65 anos entre 2025 e 2100.</p>
<p>Já a expectativa de vida saudável crescerá apenas 5,69 anos.</p>
<p>A diferença significa que as pessoas poderão viver mais, mas também passar uma parcela maior da vida convivendo com doenças crônicas ou limitações físicas e mentais.</p>
<p>Diabetes, doenças cardiovasculares, problemas musculoesqueléticos e transtornos mentais estão entre as condições que contribuem para esse cenário.</p>
<p>O resultado reforça a necessidade de preparar os sistemas de saúde para acompanhar pacientes durante muitos anos, além de responder a emergências.</p>
<h2>O que os governos podem fazer</h2>
<p>Diante dessas ameaças, os pesquisadores propõem três medidas principais.</p>
<p>A primeira é fortalecer os sistemas de saúde para que consigam identificar riscos com antecedência, prevenir crises e responder rapidamente às emergências. Isso exige financiamento permanente, equipes preparadas e capacidade de planejamento de longo prazo.</p>
<p>A segunda é ampliar os investimentos em pesquisa e inovação. Entre as prioridades estão novas vacinas, antibióticos, tratamentos para obesidade e tecnologias capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O estudo também defende mecanismos de controle para tecnologias de alto risco, incluindo sistemas avançados de inteligência artificial.</p>
<p>A terceira é criar um acompanhamento permanente das ameaças mundiais à saúde, com atualização periódica das estimativas e apresentação dos resultados aos responsáveis pelas decisões políticas e econômicas.</p>
<p>A proposta é impedir que governos concentrem recursos apenas nas crises mais imediatas, enquanto problemas de evolução lenta continuam se agravando.</p>
<p>A principal mensagem do estudo é que a saúde das próximas gerações dependerá de decisões tomadas agora, não apenas para evitar catástrofes, mas também para reduzir desigualdades, melhorar a educação, prevenir doenças e garantir acesso aos cuidados de saúde.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>INSS garantirá renda a mulher que se afastar do trabalho por violência doméstica</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/inss-renda-mulher-afastada-trabalho-violencia-domestica</link>
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      <pubDate>Thu, 01 Oct 2026 20:56:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Mulheres que precisarem se afastar do trabalho por decisão da Justiça para se proteger de violência doméstica terão a renda mantida por um período de até seis meses. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou nesta quinta-feira, 1º, parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que determina como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deverá fazer esses pagamentos.</p>
<p>A medida vale para os casos em que o afastamento do local de trabalho for determinado pela Justiça como medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.</p>
<p>Para as mulheres que têm emprego e são seguradas da Previdência, os primeiros 15 dias de afastamento serão pagos pelo empregador. A partir do 16º dia, o pagamento ficará a cargo do INSS, pelo período determinado pela Justiça, respeitado o limite de seis meses.</p>
<p>Já as mulheres seguradas da Previdência, mas sem vínculo de emprego, como contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais, receberão o pagamento integralmente do INSS desde o início do afastamento.</p>
<p>Para mulheres que não são seguradas da Previdência, o pagamento será assistencial e ficará a cargo do Estado ou município indicado pelo juiz. Nesse caso, a Justiça também deverá reconhecer que, com o afastamento, a mulher ficará sem meios para garantir o próprio sustento.</p>
<h2>Decisão judicial será suficiente para pagamento</h2>
<p>A Lei Maria da Penha já prevê que a Justiça pode determinar o afastamento da mulher do local de trabalho por até seis meses, mantendo o vínculo de emprego, quando a medida for necessária para protegê-la. A legislação, porém, não tinha estabelecido expressamente quem deveria garantir sua renda durante esse período.</p>
<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu a questão ao julgar um caso envolvendo uma vítima de violência doméstica no Paraná. Em dezembro de 2025, a Corte decidiu que a mulher que tivesse o afastamento determinado pela Justiça como medida protetiva deveria continuar recebendo renda. Em junho deste ano, ao analisar recurso apresentado pelo INSS, o STF complementou a decisão e esclareceu pontos sobre contribuição previdenciária, tempo de contribuição e pagamento às mulheres que não são seguradas.</p>
<p>A decisão do STF nesse tipo de processo obrigava diretamente juízes e tribunais, mas ainda faltava uma orientação para que os órgãos federais, especialmente o INSS, aplicassem o entendimento de maneira uniforme.</p>
<p>É essa lacuna que o parecer da AGU aprovado por Lula preenche. Com a aprovação, o entendimento passa a ser obrigatório para os órgãos e entidades do governo federal.</p>
<p>Na prática, quando a Justiça determinar o afastamento como medida protetiva, essa decisão será suficiente para que o INSS providencie o pagamento. A autarquia deverá verificar apenas se a mulher é segurada da Previdência.</p>
<p>Não poderá exigir nova perícia médica, comprovação de incapacidade para o trabalho nem fazer outra análise sobre a necessidade do afastamento. Essa avaliação já terá sido feita pela Justiça ao conceder a medida protetiva.</p>
<h2>Sem carência e com tempo contado para aposentadoria</h2>
<p>A mulher não precisará ter feito um número mínimo de contribuições ao INSS para receber o pagamento. Também não haverá desconto de contribuição previdenciária sobre o valor recebido durante o afastamento.</p>
<p>Além disso, o período será contado como tempo de contribuição para a aposentadoria, sem que a mulher tenha de recolher a contribuição correspondente.</p>
<p>O Ministério da Previdência Social e o INSS terão até 15 dias, contados da publicação da aprovação do parecer, para regulamentar o procedimento.</p>
<p>A regulamentação deverá prever um serviço específico nos canais de atendimento do INSS, inclusive no Meu INSS, para apresentação da decisão judicial. O atendimento terá de ser prioritário e sigiloso para preservar a privacidade da vítima.</p>
<p>As regras também serão aplicadas aos afastamentos que já estiverem em andamento quando a regulamentação entrar em vigor, desde que tenham sido determinados pela Justiça com base na Lei Maria da Penha.</p>
<h2>INSS poderá cobrar valor do agressor</h2>
<p>Os valores desembolsados pelo INSS poderão ser cobrados posteriormente do responsável pela violência doméstica. A cobrança será feita judicialmente para ressarcir a Previdência dos recursos pagos à vítima.</p>
<p>O parecer relaciona a garantia de renda à possibilidade de a mulher se afastar de uma situação de risco sem perder sua independência financeira. O documento destaca que o local de trabalho pode se tornar um ponto de vulnerabilidade porque o agressor frequentemente conhece o endereço e os horários da vítima.</p>
<p>A AGU mencionou dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ele aponta que 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio no país em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica. Outras 4.189 sobreviveram a tentativas de feminicídio.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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        <media:title>violencia domestica</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Rubio encerra viagem pela América Latina com ofensiva contra narcotráfico e influência da China </title>
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      <pubDate>Thu, 10 Sep 2026 15:38:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco  Rubio , encerra nesta quinta-feira, 10, no Peru, uma viagem de três dias pela América Larina marcada pela  ofensiva contra o narcotráfico e o crime organizado . Antes do Peru, Rubio esteve na Colômbia e no Equador.</p>
<p>A agenda também expôs o objetivo da administração de Donald Trump de conter a crescente influência da China na região.</p>
<p>Hoje Rubio se reúne em Lima com a presidente peruana, Keiko Fujimori, em sua primeira visita oficial ao país como chefe da diplomacia americana. O Peru é o mais recente integrante do Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater organizações criminosas transnacionais. A Colômbia também anunciou sua entrada durante a passagem do secretário por Bogotá.</p>
<p>A viagem ocorre em um momento de aproximação política entre Washington e governos conservadores que chegaram recentemente ao poder na América do Sul. Rubio se encontrou com o colombiano Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência em agosto, com o equatoriano Daniel Noboa e, agora, com Keiko Fujimori, empossada no fim de julho. Os três governos adotam posições mais próximas às defendidas por Trump em temas como segurança, imigração e combate ao narcotráfico.</p>
<h2>Frente contra o narcotráfico</h2>
<p>A segurança foi o principal ponto de convergência da viagem. Na Colômbia, Rubio anunciou o reforço da cooperação com o governo de De la Espriella, que pediu apoio americano para modernizar equipamentos usados no combate ao narcotráfico, incluindo drones, radares e aeronaves.</p>
<p> O presidente colombiano também defendeu um novo programa inspirado no Plano Colômbia, iniciativa lançada no fim dos anos 1990 que recebeu bilhões de dólares em apoio dos Estados Unidos.</p>
<p>No Equador, Rubio anunciou que pedirá ao Congresso americano US$ 45 milhões em recursos adicionais para a segurança do país e confirmou o envio de uma embarcação da Guarda Costeira e cinco barcos interceptadores para a Marinha equatoriana. Washington também pretende destinar US$ 10 milhões para ações contra mineração ilegal, recrutamento por organizações criminosas e operações de financiamento ilícito.</p>
<p>Durante a visita a Quito, Rubio classificou o grupo criminoso Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. </p>
<p>A medida restringe o acesso da organização ao sistema financeiro americano e amplia as possibilidades de ação dos Estados Unidos contra seus integrantes. Segundo o governo americano, o grupo está envolvido com narcotráfico e outras atividades criminosas e ficou conhecido internacionalmente após a invasão de uma emissora de televisão equatoriana durante uma transmissão ao vivo, em 2024.</p>
<p>Rubio também defendeu a estratégia militar americana contra o tráfico de drogas na região. A campanha dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas já matou mais de 220 pessoas em operações realizadas ao longo do último ano, segundo a Reuters. Em Quito, o secretário afirmou que Washington passou a privilegiar operações conjuntas com governos aliados, mas manteve a possibilidade de ataques militares contra embarcações consideradas ameaças.</p>
<p>O secretário americano aproveitou ainda a passagem pelo Equador para fazer críticas à esquerda latino-americana. Questionado sobre o risco de uma reação política às ações de Washington, Rubio afirmou que governos de esquerda "destruíram" países da região e associou esses grupos a organizações ligadas ao narcotráfico.</p>
<p>"Podemos enfrentar essa ameaça em parceria com outros presidentes e outros líderes desta região que pensam da mesma forma", disse Rubio, em uma referência à aproximação dos Estados Unidos com governos que compartilham sua visão sobre segurança.</p>
<h2>Disputa por influência</h2>
<p>Por trás da agenda de segurança, a viagem também serviu para reforçar a disputa de Washington com Pequim pela influência política e econômica na América Latina. Na Colômbia, Rubio tratou de acordos envolvendo minerais críticos e cooperação nuclear civil, enquanto os Estados Unidos pressionam o novo governo a reduzir a dependência de investimentos chineses em setores considerados estratégicos.</p>
<p>No Peru, a questão é ainda mais sensível, já que a China é o principal parceiro comercial do país e possui forte presença em setores como infraestrutura e mineração. Antes de chegar a Lima, Rubio criticou investimentos chineses no país e afirmou que projetos apoiados por Pequim poderiam representar riscos à transparência e à segurança de dados.</p>
<p>A própria escolha dos países visitados reforça esse componente da estratégia americana. Colômbia, Equador e Peru mantêm relações comerciais importantes com a China e, ao mesmo tempo, passaram recentemente a ser governados por líderes de direita mais próximos de Trump. Para Washington, a aproximação em áreas como defesa, energia, tecnologia e infraestrutura também pode funcionar como instrumento para reduzir o espaço ocupado por Pequim na região.</p>
<p>A embaixada chinesa no Peru reagiu à movimentação de Rubio antes da chegada do secretário a Lima. "O hemisfério ocidental não é o 'quintal' de ninguém", afirmou a representação diplomática em uma publicação nas redes sociais.</p>
<p>*Com informações da AFP</p>
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        <media:title>Marco Rubio, secretário de estado dos EUA</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Petróleo na Foz do Amazonas: o potencial e os riscos do 'novo pré-sal'</title>
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      <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 12:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Dez meses após conseguir a licença do Ibama para perfurar um poço na Margem Equatorial – faixa litorânea que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte –, a  Petrobras confirmou a existência de petróleo na Foz do Amazonas.</p>
<p>Na segunda-feira, 17, a presidente da estatal, Magda Chambriard, informou que amostras retiradas do poço Morpho confirmaram a existência do combustível na bacia sedimentar ao largo do Amapá. Três dias antes, a Petrobras já havia sinalizado a descoberta de hidrocarbonetos na região, a 175 quilômetros da costa.</p>
<p>A confirmação foi dada em uma coletiva no Oiapoque (AP), com a  presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.  Segundo a presidente da estatal, a companhia pretende concluir a perfuração do poço em um prazo de 20 dias.</p>
<p>"Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área" , explicou.</p>
<p>É importante esclarecer que há uma distinção entre a "descoberta" e a "descoberta comercial". Isso porque a presença de hidrocarbonetos no poço fornece evidência de uma acumulação, mas ainda são necessários trabalhos para determinar extensão, volume, características do reservatório, produtividade e viabilidade técnica e econômica. </p>
<h2>O tamanho da aposta</h2>
<p>O interesse econômico na região data de 2013, quando o primeiro bloco da Margem Equatorial foi leiloado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). À época, a Petrobras tentava avançar na área, mas tinha concorrentes como a TotalEnergies, BP e Ecopetrol, que posteriormente desistiram diante da demora no licenciamento ambiental.</p>
<p>Desde então, a companhia destinou cerca de US$ 3 bilhões ao projeto até 2029 e vinha gastando US$ 1 milhão por dia apenas com a campanha exploratória do poço Morpho, segundo a diretora de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi.</p>
<p>A  Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a Bacia da Foz do Amazonas possa conter cerca de 6,2 bilhões de barris de petróleo recuperáveis . Caso esse potencial seja confirmado e posteriormente incorporado às reservas provadas, o volume seria equivalente a cerca de 35% das reservas provadas atuais do Brasil, que somaram 17,5 bilhões de barris em 2025, segundo a ANP.</p>
<p>É importante ressaltar, também, que os 6,2 bilhões são uma estimativa de potencial recuperável, e não reservas provadas ou petróleo já descoberto pela Petrobras.</p>
<p>Somadas a essa conta as demais bacias da Margem Equatorial, o Ministério de Minas e Energia fala em até 10 bilhões de barris no total, o equivalente a um "novo pré-sal".</p>
<p>Para o ministro Alexandre Silveira, a descoberta pode  "reposicionar o Brasil na geopolítica global" , colocando o país entre os seis maiores produtores globais de petróleo.</p>
<p>Segundo o  diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires , a exploração das bacias no Norte pode garantir competitividade econômica ao país sem ser incompatível com as bandeiras ambientais do governo.</p>
<p>"É preciso investir no conceito de adição energética, porque não há condição de abrir mão de nenhuma fonte. A produção de petróleo é o principal índice da nossa balança comercial e nos dá outra posição na disputa econômica global. Sem uma bacia que possa substituir o pré-sal, como é a Margem Equatorial, há um risco sério de perder esse protagonismo", afirmou.</p>
<h2>Conflito ambiental</h2>
<p>A confirmação do petróleo reforça as críticas de ambientalistas que acompanham o projeto desde as etapas iniciais. A urbanista e advogada  Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atual coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima , já questionava a finalidade da licença concedida ainda durante a fase de estudos.</p>
<p>"Está explícita a posição do governo de expandir a produção de petróleo na foz do Amazonas. A narrativa de que estão apenas pesquisando é usada para distorcer a realidade", afirmou, ainda na fase de estudos, quando a Petrobras buscava a primeira licença para perfurar o bloco FZA-M-59, hoje o mesmo bloco onde a companhia acaba de confirmar a existência de petróleo depois de mais de uma década tentando avançar na região. O Observatório do Clima move uma ação judicial contra a licença emitida para o bloco.</p>
<p>Ambientalistas contrários à exploração argumentam que a perfuração do poço Morpho ocorre em lâmina d'água de quase 2.900 metros, profundidade que torna qualquer resposta a um eventual vazamento mais lenta e mais cara do que nos poços do pré-sal, em águas bem mais rasas. </p>
<p>A região também fica próxima do maior cinturão de manguezais contínuos do mundo e de um sistema de recifes de coral identificado na foz do Amazonas há pouco mais de dez anos, e que os pesquisadores ainda não conseguiram mapear por completo.</p>
<p>Foi justamente a distância entre o poço e a base de resgate de animais afetados por óleo, que nas primeiras versões do projeto ficava em Belém, a centenas de quilômetros dali, um dos pontos que sustentou as negativas anteriores do Ibama.</p>
<p>A Petrobras afirma ter estruturado para a operação um sistema de resposta a emergências que inclui embarcações de contenção, monitoramento, resgate e atendimento à fauna afetada por óleo, além de apoio aéreo.</p>
<p>Em 2025, a empresa realizou uma Avaliação Pré-Operacional (APO), uma simulação destinada a testar sua capacidade de resposta a uma eventual emergência. O Ibama aprovou a avaliação, mas solicitou ajustes adicionais no plano de proteção à fauna apresentado pela companhia.</p>
<p>A descoberta também expõe uma contradição do governo brasileiro. O país sediou a COP30 em Belém no fim de 2025 defendendo metas globais para a redução de combustíveis fósseis, e agora gerencia a expansão de sua própria fronteira petrolífera. </p>
<p>A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que deixou o cargo em abril para se candidatar ao Senado por São Paulo, já reconheceu o contrassenso publicamente, mas ponderou que a transição energética deve ser gradual e justa, sem interromper o planejamento econômico do país.</p>
<h2>Ativo eleitoral</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as2VimdwEKlTfnEtB.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o presidente Lula e o ministro Alexandre Silveira em visita à sonda NS-42 que realiza a perfuração do poço Morpho, na Margem Equatorial

"/>
<p>Na segunda-feira, 17, Lula chamou a descoberta de  "passaporte para o futuro do país" , a mesma expressão usada há vinte anos, quando a Petrobras anunciou o pré-sal às vésperas da eleição de 2006 que lhe deu a reeleição.</p>
<p>Àquela altura, o achado ajudou a blindar politicamente um governo já desgastado pelo escândalo do Mensalão, descoberto um ano antes, e reforçou a imagem de um projeto nacional de desenvolvimento tocado pelo PT.</p>
<p>Duas décadas depois, Lula tenta reeditar o mesmo roteiro em um cenário em que o governo é pressionado por resultados econômicos concretos, às vésperas de uma eleição em que, aos 80 anos, disputa um quarto mandato não consecutivo.</p>
<p>A diferença é que, em 2006, o pré-sal já vinha acompanhado de estimativas de reservas relativamente sólidas. Desta vez, a Petrobras ainda não sabe quanto petróleo existe no poço Morpho.</p>
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        <media:title>sonda_de_perfuracao_ns-42_responsavel_pela_perfuracao_do_poco_em_aguas_profundas_do_amapa</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Vicaricídio: crime contra filhos para atingir mulheres chama atenção no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/vicaricidio-crime-contra-filhos-para-atingir-mulheres-ganha-atencao-no-brasil</link>
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      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 20:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Polícia Civil indiciou Breno de Souza Castro, que matou as filhas de três e cinco anos de idade, em São Paulo, no domingo, 9, por vicaricídio duplo. O termo se refere ao assassinato de descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta de uma mulher, com a finalidade de causar sofrimento, puni-la ou controlá-la, no contexto de violência doméstica e familiar.</p>
<p>Segundo a investigação policial, Breno queria se vingar da ex-esposa Jennifer Nayra Alves dos Santos.</p>
<p>O vicaricídio passou a ser um crime previsto no Código Penal em abril de 2026, com a sanção da Lei 15.384, que estabeleceu pena de 20 a 40 anos de prisão e também o incluiu no rol dos crimes hediondos. A mesma lei inseriu na Lei Maria da Penha a violência vicária, caracterizada pelo uso de filhos, familiares ou outra pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, como instrumento para causar sofrimento, puni-la ou controlá-la. O vicaricídio é a forma extrema dessa violência.</p>
<p>Em depoimento à polícia, Jennifer contou que estava separada de Breno desde março, após episódios de agressão. Eles viveram juntos por cerca de oito anos. Jennifer relatou que estava sendo perseguida e ameaçada. Para evitar encontrar Breno, ela levava as crianças para a ex-sogra no fim de semana.</p>
<p>No dia 7 de agosto, Jennifer recebeu uma mensagem do ex-marido depois de ela publicar uma foto com amigas nas redes sociais. Breno disse que aquela seria a última vez que veria as filhas. Ela tentou localizar o ex-companheiro com a ajuda de familiares.</p>
<p>Breno se apresentou à polícia no dia 9, às 6h da manhã, dizendo que tinha asfixiado as meninas. Câmeras de vigilância captaram o momento em que ele estaciona o carro, entra e sai do veículo.</p>
<h2>Morte em Goiás</h2>
<p>Em fevereiro passado, outro caso já havia chamado atenção para o vicaricídio. O secretário da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência da família. Os meninos, de 12 e oito anos, dormiam. Em seguida, ele tirou a própria vida.</p>
<p>Antes do crime, Thales postou nas redes sociais uma mensagem em que fazia menção a uma suposta traição pela esposa e uma crise conjugal.</p>
<p>Em março, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei que incluía a violência vicária na Lei Maria da Penha e criava o tipo penal relacionado ao vicaricídio no Código Penal. E em abril a Lei 15.384 foi sancionada.</p>
<p>Antes tratado apenas como homicídio qualificado, esse crime está tipificado no Art. 121-B no Código Penal. A lei reconhece que o agressor utiliza a vida de entes queridos como um instrumento de tortura psicológica contra a pessoa – principalmente, a mulher –, configurando a chamada violência vicária.</p>
<p>Este texto foi atualizado em 19/08/2024 às 17h46.</p>
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        <media:title>vicaricidio</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>STF tem maioria para ampliar alcance de medidas protetivas da Lei Maria da Penha</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/stf-tem-maioria-para-ampliar-alcance-de-medidas-protetivas-da-lei-maria-da-penha</link>
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      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O  STF (Supremo Tribunal Federal)  formou maioria nesta quarta-feira, 19, para  ampliar a proteção prevista pela Lei Maria da Penha  a mulheres que são vítimas de violência de gênero mesmo quando o agressor não faz parte do círculo familiar ou não mantém relação afetiva com elas.</p>
<p>Pela decisão,  medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas em casos como assédio, perseguição e sequestro , desde que fique caracterizado que a violência ocorreu por razões de gênero. A aplicação das medidas, portanto, não ficará restrita a situações de violência doméstica ou familiar.</p>
<p>A maioria dos ministros também definiu que qualquer  juiz que receber um pedido de proteção deverá analisá-lo com urgência , mesmo que não atue em uma vara ou juizado especializado em violência doméstica.</p>
<p>+ Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta  </p>
<p>Após a decisão sobre a medida, o processo poderá ser encaminhado ao magistrado competente. A determinação deverá ser observada pela Justiça em casos semelhantes.</p>
<p>Outro ponto estabelecido pelo STF é que pedidos de medidas protetivas relacionados à violência política de gênero deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>O julgamento teve origem em um recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais  contra uma decisão do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), que havia negado uma medida protetiva a uma mulher ameaçada por razões de gênero em uma comunidade. </p>
<p>Neste caso, a vítima era ameaçada por um vizinho, mas a relação entre os dois se restringia à proximidade das residências -- o que embasou a decisão da Justiça de Minas no sentido de que não havia necessidade de protetiva. Para o MP, que recorreu, a interpretação judicial violou obrigações internacionais assumidas pelo Estado brasileiro no combate à violência de gênero.</p>
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        <media:title>machismo-manifestação</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Com 191 candidaturas, eleições de 2026 têm recorde de participação indígena</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/com-191-candidaturas-eleicoes-de-2026-tem-recorde-de-participacao-indigena</link>
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      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 18:23:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Com  191  candidaturas registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as eleições de 2026 alcançam o  maior número de representantes indígenas  desde 2014, ano em que a Corte passou a incluir dados de cor e raça nos registros.</p>
<p>São 75 candidaturas a deputado federal, 99 para as Assembleias Legislativas e três para deputado distrital no Distrito Federal.</p>
<p> A disputa também inclui quatro candidatos ao Senado, três aos governos estaduais -- incluindo Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador e candidato à reeleição pela Bahia --, dois a vice-governador e cinco candidatos a suplente de senador.</p>
<p>O número representa um crescimento expressivo em relação às eleições anteriores. Em 2014, foram registradas 85 candidaturas indígenas. Em 2018, 133 e, em 2022, 186.</p>
<p>A disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados também alcança o maior patamar da série histórica: eram 25 candidaturas indígenas em 2014, 39 em 2018 e 59 em 2022, antes de chegar às 75 registradas neste ano.</p>
<p>Os dados mostram que o crescimento da participação indígena nas eleições não está concentrado em um único povo ou território.</p>
<p>Um levantamento da  APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)  mostra que as candidaturas reúnem  64 povos indígenas :</p>
<p>O crescimento das candidaturas ocorre em paralelo à consolidação de lideranças indígenas na política institucional, movimento que ganhou força ao longo das últimas eleições e ampliou a presença dos povos originários em diferentes níveis do poder público. </p>
<p>A série histórica iniciada em 2014 mostra uma ampliação constante dessa participação nas disputas eleitorais, tanto para cargos proporcionais, como deputados federais e estaduais, quanto para cargos majoritários, como Senado e governos estaduais.</p>
<h2>Mulheres indígenas</h2>
<p>As mulheres também representam uma parcela significativa das candidaturas. Segundo o levantamento da APIB, foram 84 mulheres indígenas entre os registros analisados, cerca de 44% do total. </p>
<p>Em 2014, elas eram 29 das 85 candidaturas. O número chegou a 49 em 2018 e a 85 em 2022, mostrando que a presença feminina se consolidou entre as candidaturas indígenas nas eleições gerais.</p>
<p>O crescimento ocorre depois de uma trajetória de maior participação dos povos indígenas na política institucional. Em 1982, Mário Juruna, do povo Xavante, tornou-se o primeiro indígena eleito deputado federal no Brasil.</p>
<p> Em 2018, Joenia Wapichana foi eleita a primeira mulher indígena para a Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, Sonia Guajajara e Célia Xakriabá foram eleitas deputadas federais, ampliando a representação indígena no Congresso Nacional.</p>
<p>Para a APIB, o aumento das candidaturas representa mais do que uma marca numérica e está relacionado à trajetória de mobilização política construída pelos povos indígenas nos territórios.</p>
<p> “Chegar a 191 candidaturas indígenas representa um dado eleitoral e a prova concreta de uma caminhada histórica de resistência e de cobrança dos nossos povos por espaço e respeito no poder”, afirma Marcos Sabaru, um dos coordenadores políticos da Campanha Indígena. </p>
<p>Segundo ele, a presença indígena ainda revela a falta de representação nas estruturas de decisão do país. “Essa realidade evidencia a ausência que ainda persiste nas estruturas de decisão do país”, diz.</p>
<p>A entidade também destaca a presença de candidatos de diferentes povos e regiões como parte desse processo de ampliação da participação política.</p>
<p> “Essa presença nasce dos territórios e amplia, com força política, nossa exigência de participação efetiva nos rumos do Brasil”, afirma Sabaru. </p>
<p>No dia 19 de agosto, a APIB e suas organizações regionais de base devem apresentar a Bancada Indígena 2026, formada por candidaturas indicadas pelas organizações de base. </p>
<p>Segundo Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB, a iniciativa pretende levar para a disputa eleitoral propostas construídas pelo movimento indígena. </p>
<p>“A Bancada Indígena que apresentaremos no dia 19 nasce das organizações de base e leva para as eleições um projeto construído pelo movimento indígena”, afirma.</p>
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        <media:title>candidaturas indígenas 2</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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      <title>Lula lança campanha à reeleição no estádio que marcou início de sua trajetória política</title>
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      <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 16:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou oficialmente neste domingo (16) sua campanha à reeleição à Presidência da República em um dos lugares mais simbólicos de sua trajetória política. No Estádio Municipal Primeiro de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o petista discursou por cerca de 30 minutos para um público que ocupou boa parte do campo e das arquibancadas.</p>
<p>Com o lema  “O Brasil pronto para mais” , acompanhado da frase  “Onde tudo começou” , o ato recuperou episódios da trajetória de Lula desde os anos em que era metalúrgico e líder sindical até as duas passagens pela prisão. A escolha do estádio, conhecido historicamente como Vila Euclides, reforçou a estratégia de associar a campanha às origens políticas do presidente. </p>
<p>Logo no início da fala, Lula explicou o uso do chapéu que tem aparecido em suas aparições públicas. O presidente contou que passou por sessões de radioterapia para tratar um câncer de pele e, por orientação, precisa evitar a exposição da cabeça ao sol. Em seguida, disse que, apesar do acessório, iria “tirar o chapéu” para o público presente. Durante o discurso, Lula relembrou a história da mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu, falou sobre a carreira política e mencionou os períodos em que esteve preso. Ao defender a busca por um quarto mandato, afirmou que pretende impedir que a direita volte a governar o país.</p>
<h2>A lembrança de Vavá e a crítica a Toffoli</h2>
<p>Ao relembrar os períodos em que esteve preso, Lula também fez uma crítica ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao comparar duas situações ocorridas em momentos políticos distintos.</p>
<p>O presidente lembrou que, durante a ditadura militar, quando ainda era líder sindical, um delegado permitiu que ele deixasse a prisão para acompanhar o velório de sua mãe. Em seguida, fez referência à prisão de 2019, quando estava detido em Curitiba e foi impedido de acompanhar o velório e o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. </p>
<p>Na ocasião, Toffoli autorizou que Lula se encontrasse com familiares em uma unidade militar, mas a decisão foi divulgada quando o sepultamento já estava em andamento, inviabilizando a participação do ex-presidente na cerimônia.</p>
<h2>Soberania em meio à tensão com os EUA</h2>
<p>Outro eixo do discurso foi a defesa da soberania nacional. Lula afirmou que o Brasil não deve se submeter aos interesses de nenhuma potência estrangeira e citou tanto os Estados Unidos quanto a China ao defender a autonomia do país nas relações internacionais.</p>
<p>A fala ocorre em um momento de forte tensão diplomática e comercial entre Brasília e Washington. O governo Donald Trump impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, com alíquotas que podem chegar a 37,5% em determinados casos. Em resposta, o Brasil acionou a Lei da Reciprocidade Econômica e também levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC).</p>
<p>Ao incorporar o tema à largada da campanha, Lula tenta apresentar a soberania como uma das marcas de sua candidatura e reforça a ideia de que o Brasil deve manter relações comerciais e diplomáticas sem ficar subordinado a Estados Unidos, China ou qualquer outra potência.</p>
<h2>Janja homenageia Marisa Letícia</h2>
<p>A primeira-dama Janja da Silva também participou do ato e fez uma homenagem que chamou a atenção do público ao lembrar Marisa Letícia, ex-mulher de Lula, que morreu em  3 de fevereiro de 2017 .</p>
<p>Janja destacou a participação de Marisa na construção do Partido dos Trabalhadores e lembrou que ela ajudou a costurar a primeira bandeira da legenda. A homenagem também recuperou o papel de mulheres que participaram dos primeiros anos do movimento sindical e da formação do PT.</p>
<p>“Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente”, afirmou Janja durante o discurso.</p>
<p>A menção a Marisa ganhou peso justamente em um evento marcado pela recuperação da memória da origem política de Lula. Antes de chegar à Presidência, o petista construiu sua liderança no movimento sindical do ABC ao lado de trabalhadores e de militantes que participaram das greves que desafiaram a ditadura militar no fim dos anos 1970.</p>
<p>O estádio Primeiro de Maio, antigo Vila Euclides, foi o principal palco dessa história. Foi ali que Lula liderou assembleias que reuniram dezenas de milhares de metalúrgicos durante as greves do ABC. Décadas depois, o mesmo espaço voltou a receber o presidente para o primeiro ato público de sua campanha em busca de um quarto mandato.</p>
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        <media:credit role="photographer">Foto: Ricardo Stuckert</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Larissa Pereira]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Governo eleva projeção do salário mínimo para R$ 1.741 em 2027</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/governo-eleva-projecao-do-salario-minimo-para-r-1741-em-2027</link>
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      <pubDate>Fri, 14 Aug 2026 14:21:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O governo federal elevou  de R$ 1.717 para R$ 1.741  a projeção do salário mínimo para 2027, segundo a  Folha de S.Paulo . Se confirmado, o valor representará um  reajuste de 7,4%  sobre o piso atual, de R$ 1.621.</p>
<p>A nova estimativa deverá constar do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será  enviado pelo governo ao Congresso Nacional até 31 de agosto.  O valor ainda não é definitivo e poderá mudar antes de entrar em vigor, em 1º de janeiro.</p>
<p>O piso também serve de referência para aposentadorias e outros benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e para o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Por isso, qualquer aumento também eleva despesas obrigatórias do governo federal.</p>
<p>Cálculos feitos pelo governo em abril indicavam que  cada R$ 1 acrescentado ao salário mínimo aumenta as despesas federais em cerca de R$ 413,2 milhões . A diferença de R$ 24 entre a projeção anterior e a atual poderia, portanto, acrescentar aproximadamente R$ 9,9 bilhões aos gastos em 2027.</p>
<h2>Por que a projeção aumentou</h2>
<p>A revisão ocorreu principalmente por causa do aumento da inflação esperada para este ano. A Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, trabalha agora com uma inflação acumulada de 4,93% nos 12 meses até novembro.  A estimativa subiu diante do risco de impactos do El Niño sobre os preços dos alimentos.</p>
<p>Pela política de valorização do salário mínimo, o reajuste considera a inflação acumulada até novembro do ano anterior e o crescimento da economia de dois anos antes.</p>
<p>Para o salário mínimo de 2027, será considerado o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, quando a economia brasileira cresceu 2,3%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<p>A fórmula permite repor a inflação e conceder aumento real, ou seja, acima da alta dos preços. Pelas atuais regras fiscais, no entanto, esse ganho real está limitado a 2,5%.</p>
<p>O valor definitivo do salário mínimo de 2027 será estabelecido após a divulgação dos indicadores que entram no cálculo do reajuste.</p>
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        <media:credit role="photographer">Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>OMS reage e defende vacinação após Trump reduzir imunização infantil nos EUA</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/oms-reage-e-defende-vacinacao-apos-trump-reduzir-imunizacao-infantil-nos-eua</link>
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      <pubDate>Tue, 11 Aug 2026 16:02:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu nesta terça-feira, 11, que os calendários de vacinação infantil sejam definidos com base em evidências científicas, após o governo de Donald Trump reduzir o número de imunizações recomendadas de forma ampla para crianças nos Estados Unidos. A nova orientação americana abrange 11 doenças, ante 17 anteriormente.</p>
<p>Na segunda-feira, 10, Trump assinou uma ordem executiva que alterou as recomendações de vacinação infantil nos Estados Unidos.</p>
<p>A mudança não significa que as crianças norte-americanas passarão a tomar apenas 11 injeções. O número se refere às doenças para as quais o governo recomenda vacinação de rotina a todas as crianças. Algumas vacinas exigem mais de uma dose ao longo da infância.</p>
<p>Trump afirmou que a reformulação oferecerá às crianças uma proteção de “padrão-ouro” e aproximará o calendário americano do adotado por outros países desenvolvidos, alguns dos quais recomendam menos imunizações de forma universal. Especialistas ouvidos pela Reuters, no entanto, ressaltam que calendários nacionais não são diretamente comparáveis, porque os países enfrentam riscos diferentes de doenças e possuem sistemas de saúde distintos.</p>
<h2>O que diz a OMS</h2>
<p>Em entrevista coletiva em Genebra, nesta terça, o porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, afirmou que as recomendações de vacinação da organização são fundamentadas em mais de 60 anos de pesquisas, além de análises de autoridades nacionais e de grupos independentes de especialistas.</p>
<p>Segundo ele, o momento adequado para a aplicação de cada vacina é definido a partir de estudos sobre a idade em que as pessoas ficam mais vulneráveis a determinadas doenças e sobre o desenvolvimento do sistema imunológico.</p>
<p>A OMS também destacou o papel dos grupos técnicos consultivos nacionais de imunização. Formados por especialistas de diferentes áreas, eles fornecem recomendações aos governos e aos responsáveis pelos programas de vacinação. Esses grupos levam em consideração, entre outras referências, as orientações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage), da OMS.</p>
<p>“O que a OMS apresenta tem base científica”, afirmou Jašarević. Ele acrescentou que a entidade espera que os países utilizem as melhores evidências científicas disponíveis ao estabelecer suas políticas de vacinação.</p>
<h2>O que mudou nos Estados Unidos</h2>
<p>A nova política mantém como recomendações centrais as vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, coqueluche, tétano, difteria, Haemophilus influenzae tipo B (Hib), doença pneumocócica, HPV e varicela.</p>
<p>Com a reformulação, vacinas contra outras doenças, entre elas hepatite B, covid-19 e influenza, deixaram de integrar o conjunto de imunizações recomendadas de forma ampla para todas as crianças, segundo a Reuters.</p>
<p>A decisão dá continuidade a uma revisão da política de vacinação iniciada pelo governo Trump. Em dezembro de 2025, o presidente havia determinado que as autoridades de saúde comparassem o calendário dos Estados Unidos com o de outros países desenvolvidos e avaliassem mudanças nas recomendações.</p>
<p>A nova ordem também recomenda separar a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, em três aplicações individuais. A MSD, fabricante de vacinas, afirmou que não há evidências científicas publicadas de benefício com a separação e alertou que a necessidade de aplicações distintas pode aumentar o risco de atrasos ou de doses não tomadas.</p>
<h2>Especialistas criticam redução</h2>
<p>A mudança provocou críticas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas nos Estados Unidos. Segundo esses grupos, não foram apresentadas novas evidências científicas que justifiquem a redução do calendário e as recomendações anteriores refletiam décadas de pesquisas e as necessidades epidemiológicas específicas do país.</p>
<p>Médicos também alertam que a mudança pode aumentar a vulnerabilidade de crianças a doenças que podem ser prevenidas pela vacinação e provocar confusão entre pais e responsáveis sobre quais imunizantes devem ser administrados e em que momento.</p>
<p>A reformulação é defendida pelo secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que há anos questiona políticas de vacinação e já promoveu alegações relacionando vacinas ao autismo. Grandes estudos científicos e autoridades de saúde pública não encontraram evidências de relação causal entre vacinação e autismo.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Casa Branca</media:credit>
        <media:title>trump-pronunciamento</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>As bets e a saúde pública: custos para sociedade já estão na casa dos bilhões </title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/bets-saude-publica-custos-na-casa-dos-bilhoes</link>
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      <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 17:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>“Apesar de jogar todos os dias escondido e não conseguir dormir por ansiedade, eu não percebi que estava viciado em bets. Pedia adiantamento todo o tempo e trabalhava com a cabeça no jogo. Perdi o emprego por isso. Mentia a todos e quase perdi tudo. Cheguei a pensar em me matar, mas não tive coragem”, diz o motoboy autônomo Jonnattan Samuel Azevedo Silva de Oliveira, 24 anos.</p>
<p>Ele começou a jogar com 18 anos após ver um programa de televisão que prometia ganhos extras aos vencedores. “Depois disso, contratei um curso online por R$ 100 que ensinava a ganhar nas bets. Passei a seguir os influencers que contavam como fazer dinheiro com as bets e não consegui mais parar de apostar. Eu deixei de perceber o valor do dinheiro, R$ 100 dava no mesmo que R$ 1 mil. Já não pensava mais”, conta o motoboy. </p>
<p>Diagnosticado com ludopatia (vício em apostas online), o caso de Jonnattan se soma ao de milhões de brasileiros. São cerca de 12,8 milhões de pessoas em situação de risco com relação a apostas, segundo o dossiê "A saúde dos brasileiros em jogo: análise político-econômica da regulamentação de apostas online e seus impactos para a saúde da população brasileira", do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas da Saúde), que utilizou dados do Lenad III (2025) - Levantamento Nacional de Álcool e Drogas – da Universidade Federal de São Paulo. </p>
<h2>Motivação </h2>
<p>“A expectativa de mudança de vida rápida, o celular no bolso, os influenciadores e os mecanismos digitais propiciam o comportamento compulsivo e geram vícios. Esses são alguns dos componentes da epidemia que estamos vendo no país”, diz Felix Henrique Paim Kessler, psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da UFGRS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e chefe do serviço de psiquiatria de adições do HCPA (Hospital de Clínicas de Porto Alegre). </p>
<p>O especialista faz questão de ressaltar que não se trata de um termo hiperbólico quando se fala em epidemia. “A quantidade de usuários aumentou muito desde a regulamentação dos jogos. Essa legalização trouxe um aumento exponencial de apostadores. E, o pior, as crianças já têm contato com esses mecanismos digitais viciantes”, afirma Kessler.  </p>
<p>O psiquiatra cita o exemplo do "loot boxes", as chamadas "caixas de recompensa" que concedem vantagens surpresas no meio dos jogos eletrônicos. Segundo Kessler, esse mecanismo leva a hábitos compulsivos, considerados manipulativos, assim como a rolagem infinita e a reprodução automática de vídeos. O ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) — popularmente conhecida como “Lei Felca” — proibiu todas as estratégias consideradas manipulativas. </p>
<p>A regulamentação dos jogos de apostas online e de quota fixa no Brasil foi estabelecida pela  L14790 - Planalto , de dezembro de 2023, e define normas de operação, tributação e exigências de sede no país para as empresas autorizadas. Atualmente, existem 188 marcas de bets autorizadas a operar legalmente no Brasil,  confira a lista aqui .</p>
<h2>Aumento expressivo dos casos </h2>
<p>Devido ao crescimento expressivo de casos de pessoas que são encaminhadas pelos postos de saúde da rede pública por problemas relacionados a bets ao Ambulatório de Psiquiatria de Adições, o Hospital das Clínicas de Porto Alegre montou, há três meses, um grupo especializado para atendimento dessas pessoas encaminhadas pela rede pública. “O perfil é claro. Essas pessoas se matam de trabalhar na expectativa de mudar de vida, mas isso não vem. Olham para o Instagram e veem os influencers mostrando a vida que eles querem ter. Então, buscam um atalho nas bets”, explica o psiquiatra.   </p>
<h2>Rede púbica carregada </h2>
<p>O SUS (Sistema Único de Saúde) anunciou, no início de agosto, expansão das medidas de atendimento à população relacionada ao vício em bets. O número de teleatendimentos mensais a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online aumentou de 600 para 100 mil atendimentos. </p>
<p>“O serviço começou a ser ofertado em março, com uma média de 600 teleatendimentos mensais. A expansão se fez necessária em razão da alta procura”, informa o Ministério da Saúde.  </p>
<p>A ferramenta é oferecida por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com o Ministério da Fazenda e a AgSUS (Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS). </p>
<h2>Conta para todos </h2>
<p>A estimativa de custo para tratar os danos de saúde gerados às pessoas por problemas associados a apostas e jogos de azar chega à cifra de R$ 30,6 bilhões por ano para a sociedade, de acordo com o Ieps.  </p>
<p>No levantamento “A saúde dos brasileiros em jogo”, o instituto detalha os valores: os custos dos danos à saúde associados ao jogo são de R$ 17 bilhões relativos a mortes por suicídio e R$ 13,4 bilhões relativos à depressão, sendo R$ 10,4 bilhões pela perda de qualidade de vida e R$ 3 bilhões em tratamentos médicos. </p>
<p>“As estimativas envolvem custos diretos para o Estado, mas também custos sociais indiretos, mais amplos, associados à perda de qualidade e duração de vida”, explica o Ieps. </p>
<h2>Empresas alertam para o problema </h2>
<p>Os problemas gerados pelas pessoas com vício em bets chegou aos departamentos de Recursos Humanos das empresas. De acordo com Inês Restier, diretora financeira da ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo), o vício em apostas não deve ficar circunscrito à esfera particular, como um problema pessoal do funcionário. Há um impacto silencioso que afeta todo o clima organizacional”, diz Inês, em publicação da associação. Ela cita os riscos associados à queda de produtividade, saúde mental, ética dos colaboradores. </p>
<p>Na saúde mental dos profissionais, os jogos podem gerar ansiedade, depressão diante do endividamento, insônia e isolamento social. “Também há conflitos entre colegas, desmotivação e aumento da rotatividade por demissões. Temos visto casos de desvio de recursos nas empresas”, completa a diretora financeira na publicação da entidade. </p>
<h2>Influenciador </h2>
<p>Kelvin dos Santos Araújo, 23 anos, é o melhor amigo de Jonnattan, que relatou sua história no começo desta reportagem. Ele conta que começou a jogar por influência da amizade.</p>
<p>“Eu entrei nisso por diversão. Jogava com regularidade, mas valores baixos, tipo R$ 20. Percebi que perdia mais do que ganhava. Entendi que tanto os influenciadores como as plataformas só fazem dinheiro com a gente. Quanto mais a gente perde, mais eles ganham. Não vale a pena”, afirma.  </p>
<p>Kelvin se refere ao caso do influenciador Felipe Prior, que se tornou réu por publicidade enganosa, por receber comissão sobre o prejuízo dos apostadores que se cadastravam por meio de sua indicação. </p>
<p>“Eu só não me viciei por causa da minha mãe. Ela é ex-jogadora viciada em maquininhas de bar. Eu tive muitas experiências ruins na infância e o exemplo dela não me deixou entrar nesse problema das bets”, relata. Ele trabalha atualmente como líder de portaria numa empresa do setor de segurança. Começou com o jogo do tigrinho aos 18 anos e em plataformas não reguladas.  </p>
<p>“Muitas dessas plataformas retêm o dinheiro. Você não consegue sacar em menos de 24 horas. Nesse tempo, você acaba voltando a jogar por compulsão e perde tudo. Não importa se agora existem plataformas legalizadas. As bets deveriam ser proibidas”, defende. </p>
<h2>Problema ainda maior</h2>
<p>“O combate às bets ilegais foi um passo importante dado pelo governo. Mas seria importante a questão ser transversal, envolvendo outros órgãos do governo e não somente o Ministério da Fazenda. Afinal, trata-se de um problema que não está relacionado apenas à economia e ao nível de endividamento das pessoas, mas especialmente à saúde”, afirma o presidente do Procon de São Paulo, Luiz Orsatti Filho.  </p>
<p>Em sua opinião, seria importante estabelecer uma coordenação conjunta entre os ministérios da Fazenda, Saúde e Justiça. Vinculado à Secretaria da Justiça e Cidadania do Governo de São Paulo, o Procon lançou em junho a campanha #ApostadorÉConsumidor para alertar a população sobre os direitos de quem faz apostas e jogos online. </p>
<p>A ação faz parte de um conjunto de iniciativas do órgão que já atende e direciona consumidores superendividados pelas bets. “Ajudamos no processo de renegociação de dívida. Jogo online não é investimento”, destaca Orsatti.  </p>
<h2>CPF</h2>
<p>Perda de controle sobre o ato de jogar está entre os casos mais citados daqueles que acionaram a autoexclusão do CPF de sites e aplicativos de apostas. Dados do Ministério da Fazenda mostram que um milhão de pessoas fizeram esse pedido por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. Desse total, 35% dizem ter perdido o controle sobre as apostas. </p>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Uso de IA é permitido em 37% das escolas brasileiras; adoção entre gestores é de 53%, mas falta governança</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/uso-de-ia-e-permitido-em-37-das-escolas-brasileiras-adocao-entre-gestores-e-de-53-mas-falta-governanca</link>
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      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 19:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Apenas 37% das escolas brasileiras permitem que os alunos usem Inteligência Artificial generativa em atividades educacionais. Já entre gestores, a tecnologia é usada pela maioria, 53%, em atividades pedagógicas, administrativas ou financeiras. É o que mostra a 16ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta terça-feira, 4.</p>
<p>A permissão para alunos varia por rede de ensino. Nas escolas municipais, o índice fica em 35%, enquanto nas estaduais sobe para 47%. Nas particulares, chega a 31%.</p>
<p>O nível de ensino também influencia a liberação. Até o 5º ano do Ensino Fundamental, 26% das escolas permitem o uso de IA pelos alunos. Até o 9º ano, 42%. No Ensino Médio, a proporção chega a 52%.</p>
<p>A adoção de IA generativa pelos gestores também é desigual entre regiões. No Sul, 66% já usam a tecnologia em atividades de gestão. No Centro-Oeste, 59%. No Sudeste, 54%. No Nordeste, 52%. No Norte, o índice cai para 39%, o mais baixo do país.</p>
<p>Entre os gestores que usam IA, as aplicações mais comuns estão ligadas a comunicação e produção de conteúdo. Criar materiais audiovisuais, como imagens e apresentações de slides, é a atividade mais citada, com 83%. Em seguida vêm a elaboração automática de convites e avisos (80%) e a organização de atividades pedagógicas e de gestão (75%).</p>
<p>Usos mais sensíveis ficam para trás. Analisar dados sobre desempenho de alunos ou funcionamento da escola foi citado por 51% dos gestores. Aprimorar sistemas de segurança escolar, a atividade menos mencionada, aparece em apenas 22% das respostas.</p>
<h2>Regras de uso de IA são pouco discutidas em reuniões     </h2>
<p>A pesquisa mostra ainda que a adoção de IA entre gestores carece de governança: apenas 22% das escolas têm algum guia de orientação sobre o uso de IA no ensino, na aprendizagem ou na gestão.</p>
<p>O descompasso aparece também nas reuniões escolares. Entre os temas discutidos por gestores com professores e equipe, regras para uso de ferramentas de IA por alunos ou professores é o menos citado, presente em 60% das reuniões em 2025. Foi o tema que mais cresceu em relação a 2024, quando aparecia em apenas 40% das reuniões, mas segue como a última prioridade na pauta das escolas.</p>
<p>O TIC Educação é realizado anualmente desde 2010 pelo Cetic.br, centro do NIC.br vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A edição 2025 entrevistou gestores de 2.404 escolas públicas e particulares, urbanas e rurais, entre agosto de 2025 e abril de 2026.</p>
]]></description>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
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      <title>Por que os laboratórios de IA estão contratando filósofos?</title>
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      <pubDate>Sun, 02 Aug 2026 17:28:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os maiores laboratórios de inteligência artificial do mundo passaram a incorporar filósofos e especialistas em ética às suas equipes, em um movimento que tem chamado a atenção à medida que modelos de IA se tornam cada vez mais poderosos. O fenômeno acontece principalmente em organizações como Google DeepMind,  Anthropic e OpenAI e em instituições ligadas à governança da IA.</p>
<p>A lista de profissionais envolve nomes como Amanda Askell, da Anthropic, PhD em filosofia pela New York University e especialista em ética e teoria da decisão; Iason Gabriel, do Google DeepMind, pesquisador de ética da IA e líder da equipe que estuda impactos sociais da inteligência artificial na empresa, e Joe Carlsmith, da Anthropic, filósofo formado em Oxford e especialista em riscos existenciais e alinhamento de IA. Outros nomes conhecidos são Geoff Keeling, Henry Shevlin, ambos da DeepMind; Harvey Lederman, da Anthropic, e Robert Long, que dirige a organização Eleos AI, voltada a estudar questões de bem-estar e possível status moral de sistemas de IA.</p>
<p>A tendência pode sugerir que o setor finalmente reconheceu que questões como responsabilidade, consciência e tomada de decisão extrapolam o campo da engenharia. Mas, para o filósofo Emmanuel Goffi, a realidade é mais complexa.</p>
<p>Em entrevista ao site Atlantico.fr, pertencente ao mesmo grupo de comunicação que controla o  Global South World Brasil,  Goffi afirma que essas contratações respondem menos a uma evolução natural da tecnologia e mais à crescente pressão exercida por consumidores, reguladores e pela opinião pública. Segundo ele, as empresas perceberam que precisam demonstrar preocupação com ética e responsabilidade para conquistar credibilidade e facilitar a aceitação de seus produtos.</p>
<p>"Os laboratórios sabem que existe uma demanda crescente por garantias em torno da inteligência artificial e procuram responder a ela exibindo competências filosóficas ou éticas", afirma.</p>
<p>Isso não significa, porém, que a ética tenha se tornado parte central das decisões dessas empresas. Para o pesquisador, a presença de filósofos ainda cumpre predominantemente um papel simbólico e de relações públicas.</p>
<p>Embora reconheça que muitos engenheiros e pesquisadores demonstrem interesse genuíno por temas como responsabilidade, alinhamento e valores, Goffi argumenta que essa curiosidade dificilmente se traduz em mudanças concretas sem uma decisão institucional de incorporar essas preocupações ao processo de desenvolvimento dos sistemas.</p>
<p>Na avaliação do filósofo, a indústria vive um movimento ambivalente. Ao mesmo tempo em que reconhece que determinados problemas não podem ser resolvidos apenas pela tecnologia, também utiliza a ética como estratégia para responder às expectativas externas.</p>
<p>Ele chama esse fenômeno de "cosm-ética": o uso do vocabulário da ética para transmitir confiança e responsabilidade sem necessariamente adotar suas exigências de forma efetiva.</p>
<p>Essa lógica ajuda a explicar por que conceitos tradicionalmente filosóficos, como consciência, intenção, identidade e responsabilidade, passaram a ocupar espaço crescente nas discussões sobre inteligência artificial. Para Goffi, essas noções não se tornaram mais claras nem mais consensuais. Tornaram-se apenas mais úteis em um ambiente em que as empresas precisam responder a questionamentos públicos sobre os impactos de seus sistemas.</p>
<p>O próprio conceito de inteligência artificial, observa, continua cercado de ambiguidades. Segundo ele, falar em "a IA", como se existisse uma tecnologia única, mascara a enorme diversidade de sistemas, aplicações e objetivos reunidos sob esse mesmo rótulo.</p>
<p>Apesar da repercussão das recentes contratações, Goffi considera precipitado interpretar esse movimento como uma mudança estrutural na indústria. Em sua visão, ainda se trata de uma iniciativa pontual, impulsionada muito mais por necessidades estratégicas do que por uma transformação na governança das empresas.</p>
<p>Na prática, os filósofos costumam ocupar funções consultivas. Eles ajudam a identificar riscos, formular princípios internos e discutir cenários sensíveis, mas raramente participam das decisões que definem a arquitetura dos modelos, as prioridades comerciais ou o equilíbrio entre desempenho, segurança e competitividade.</p>
<p>Além disso, sua capacidade de contestar decisões também encontra limites. Como trabalham para as próprias empresas, sua autonomia crítica pode ficar comprometida. Goffi lembra o caso da pesquisadora Timnit Gebru, demitida pelo Google em 2020 após divergências sobre pesquisas envolvendo riscos da inteligência artificial.</p>
<p>Para ele, a ética frequentemente acaba reduzida, dentro das empresas, a um mecanismo de gestão de riscos e conformidade regulatória. Embora esse trabalho seja importante, está longe daquilo que considera uma reflexão ética propriamente dita, capaz de questionar os objetivos, os pressupostos e as consequências sociais das tecnologias.</p>
<p>O pesquisador também não acredita que a contratação de filósofos pelos laboratórios esteja provocando uma mudança equivalente entre os reguladores. Em sua avaliação, interesses econômicos continuam predominando na formulação das políticas públicas para inteligência artificial, enquanto as ciências humanas frequentemente são utilizadas apenas para legitimar decisões já tomadas.</p>
<p>Da mesma forma, ele rejeita a ideia de que o Vale do Silício esteja vivendo um verdadeiro renascimento da filosofia. Para Goffi, matemática, ciência da computação e interesses econômicos continuam ocupando o centro das decisões, enquanto as ciências humanas permanecem em posição secundária, valorizadas sobretudo quando ajudam a fortalecer a imagem das empresas ou a reduzir resistências do mercado.</p>
<p>Curiosamente, ele afirma encontrar maior disposição para debates filosóficos sobre inteligência artificial em países asiáticos e da Península Arábica do que entre empresas norte-americanas e europeias. Segundo sua experiência, nesses contextos existe maior abertura para discutir conceitos como consciência, responsabilidade e identidade, em vez de pressupor que seus significados já estejam definidos.</p>
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        <media:title>IA ilustrativo</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Daniel Hessel Teich]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Lula lança candidatura com discurso antietarista, em favor das mulheres e com apelo nacionalista</title>
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      <pubDate>Sun, 02 Aug 2026 16:59:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O PT oficializou neste domingo, 2, a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, em convenção realizada em São Paulo. A chapa repete a formação de 2022, com Geraldo Alckmin (PSB) como vice, já confirmado em convenção do PSB realizada na quarta-feira (29) em Brasília.</p>
<p> O evento reuniu sete partidos em torno da candidatura: PT, PCdoB e PV, que formam a Federação Brasil da Esperança, além de PSB, PDT, PSOL e Rede.</p>
<p>Antes da chegada de Lula, a militância cobrou a ausência de mulheres na programação de discursos. O presidente deu bronca na organização e convocou de improviso a primeira-dama, Janja da Silva, para falar. Ela discursou em tom de identificação com trabalhadoras. "Nós, mulheres, que fazemos marmita, limpamos a casa, chegamos em casa às dez horas da noite, nós que vamos te eleger", afirmou.</p>
<p>Em discurso, Lula adotou um tom saudosista, dedicando boa parte da fala à eleição de 1989 e à própria infância, citando nomes do passado da política brasileira para fazer críticas à política atual, incluindo o modelo de financiamento partidário. "Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Está levando os partidos à promiscuidade", disse.</p>
<p>O presidente também comentou o episódio ocorrido um dia antes na Bahia, quando pediu votos publicamente antes do período permitido pela legislação eleitoral. A lei só autoriza esse tipo de pedido a partir de 16 de agosto. "Eu não posso falar que sou candidato. Ontem eu falei na Bahia e vou ser multado. Eu falei na Bahia, eu pedi voto", afirmou.</p>
<p>Lula também dedicou parte do discurso à violência contra a mulher, citando o pacto contra o feminicídio e defendendo que vítimas denunciem sem medo. "O meu governo tem que ter coragem de dizer em alto e bom som - não tem problema perder voto -. O cara vai ter que escolher: ou ele vota em mim, ou bate em mulher. O cara que bate em mulher não precisa votar em mim", disse.</p>
<p>Depois das mulheres, Lula acenou aos eleitores mais velhos, prometendo políticas públicas ao eleitorado idoso, que classificou como "abandonado" pelo Estado e pelas famílias, defendendo programas de atividade física, social e intelectual para essa população. "Não é só porque tenho 80 anos", justificou. "Sou infinitamente melhor do que quando tinha 57 anos e assumi o primeiro mandato. Estou inteiraço."</p>
<p>O presidente também tratou de defesa nacional, dizendo que o Brasil deve se preparar para evitar ser invadido por potências estrangeiras e que a indústria de defesa deverá receber investimentos para proteger as fronteiras e as riquezas naturais, incluindo a fabricação de drones e baterias elétricas.</p>
<p> "Precisamos investir na defesa. Eu quero estar preparado para que ninguém invada este país para levar o presidente, como eles invadiram. Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar a se fazer de besta conosco. Nós precisamos saber da importância da defesa", afirmou. "Tem muita gente querendo meter o dedo na nossa terra e isso vai parar", completou.</p>
<p>Em outro momento do discurso, Lula se comparou a Pelé ao projetar uma eventual vitória em outubro. "Se eu ganhar essa, são quatro Copas. Não vou ter chance de tentar o Penta. Decidi que, depois de entregar o Brasil perfeitamente em ordem para o povo brasileiro, nós vamos sair de férias para namorar mais 20 anos", disse.</p>
<p>Ao falar de Alckmin, Lula elogiou o histórico do vice à frente do Ministério da Indústria e Comércio e agradeceu a Fernando Haddad por intermediar a aliança que resultou na chapa vitoriosa em 2022. "Além da competência tenho que agradecer o companheirismo. O Brasil já teve muitos empresários, já teve muita gente sabida da Faria Lima no Ministério da Indústria, mas o Brasil nunca teve um ministro da Indústria e Comércio da sua competência", afirmou.</p>
<p>Nos agradecimentos aos partidos coligados, o PCdoB recebeu a reação mais calorosa da militância presente. Lula também agradeceu nominalmente a políticos de outras siglas, como João Campos, pré-candidato a governador em Pernambuco, Marina Silva (Rede), pré-candidata ao Senado por São Paulo, e Carlos Lupi, presidente do PDT.</p>
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        <media:title>Lula</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brasil reduz mortes violentas intencionais em 8,2%; sete estados registram alta</title>
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      <pubDate>Thu, 23 Jul 2026 15:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil registrou em 2025 uma queda de 8,2% em mortes violentas intencionais (MVI) em relação ao ano anterior. Foram 40.775 registros, o que representa uma taxa de 19,1 óbitos por 100 mil habitantes.</p>
<p>Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira,23. </p>
<p>Com o resultado, o país antecipou em dois anos a meta de redução de homicídios prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que só venceria em 2027.</p>
<p>A categoria MVI reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Na comparação com 2012, a queda acumulada chega a 31%.</p>
<p>Mas o recuo não é nacional. Sete estados registraram alta nas mortes violentas intencionais. São eles:</p>
<p>O caso do Rio Grande do Norte é o mais expressivo. Além de ser o estado com maior incremento de vítimas, a alta é puxada diretamente por homicídios dolosos, que saltaram de 655 em 2024 para 843 em 2025.</p>
<p>O anuário atribui o salto à disputa entre facções – Comando Vermelho, Sindicato do Crime e PCC – por rotas do tráfico no estado. Ainda assim, a taxa de 2025 no Rio Grande do Norte segue abaixo de qualquer ano da série entre 2013 e 2023.</p>
<p>A alta em Rondônia e no Rio de Janeiro é puxada pela letalidade policial. Em Rondônia, as mortes decorrentes de uso da força policial pularam de 8 casos em 2024 para 47 em 2025, passando a responder por 9,5% de todas as MVI do estado.</p>
<p>No Rio de Janeiro, estado em que a letalidade foi alta durante toda a série histórica, ela chegou a 20,5% do total de mortes violentas do estado em 2025, patamar inflado pela Operação Contenção, deflagrada em outubro nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 122 mortos em um único dia.</p>
<p>O Nordeste segue como a região com a maior taxa de MVI do país, 31,6 por 100 mil habitantes, seguido pelo Norte, com 25,3, ambas acima da média nacional. É também no Nordeste que estão os dez municípios mais violentos do Brasil em 2025: cinco na Bahia, três no Ceará, um em Pernambuco e um na Paraíba.</p>
<h2>As dez cidades mais violentas do Brasil</h2>
<p>Se o Rio Grande do Norte lidera os estados com alta de mortes violentas, o Amazonas lidera a queda, a maior do país entre 2024 e 2025.</p>
<h2>Os 20 estados que reduziram a taxa de MVI</h2>
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        <media:title>Ato contra violência policial em São Paulo</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Argentina vive Copa mágica com Messi enquanto enfrenta acusações de racismo</title>
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      <pubDate>Sat, 11 Jul 2026 21:43:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Há fatos sobre a campanha argentina na Copa do Mundo 2026 que nenhuma controvérsia consegue tocar. Um deles é que Lionel Messi  é, até o momento, o maior artilheiro da história do mundial com 21 gols - nesta edição, ele superou o alemão Miroslav Klose. Também é incontestável a força do grupo no torneio que, defendendo o título que conquistou em 2022, protagonizou uma das maiores reviravoltas neste ano com a vitória de virada sobre o Egito no dia 7 de julho, que deu o passaporte para os argentinos para as quartas de final.</p>
<p>Os pontos de contestação estão nos episódios que aconteceram ao redor das partidas: as acusações de racismo envolvendo torcedores argentinos e uma sequência de questionamentos sobre possível tratamento privilegiado da arbitragem à seleção.</p>
<p>O primeiro caso de maior repercussão ocorreu no dia 3 de julho, em Miami, durante a vitória da Argentina sobre Cabo Verde por 3 a 2. O streamer norte-americano Darren Jason Watkins Jr., conhecido como IShowSpeed, acompanhava a partida com a camisa cabo-verdiana quando foi hostilizado por torcedores argentinos nas arquibancadas. “Volta para casa, macaco", gritou uma torcedora para o influenciador. </p>
<p>A  situação se repetiu no dia 7, em Atlanta, após a vitória argentina sobre o Egito por 3 a 2. Speed, então usando a camisa egípcia, filmou um torcedor argentino fazendo gesto de macaco em sua direção ao final da partida.</p>
<p>A Fifa confirmou, em nota, a abertura de uma investigação e disse condenar veementemente o racismo, o ódio e a discriminação "em todas as suas formas".</p>
<p>O caso não é isolado. Segundo levantamento divulgado pela Fifa em 1º de julho, foram identificadas cerca de 89 mil publicações abusivas nas redes sociais durante a fase de grupos da Copa de 2026 – um aumento de 13 vezes em relação à mesma etapa do Mundial do Catar, em 2022. </p>
<p>Jogadores holandeses também foram alvo de ofensas: Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville sofreram ataques racistas nas redes após desperdiçarem pênaltis na eliminação da Holanda para o Marrocos, nos 16 avos de final. Outro episódio que repercutiu foi o ataque de uma  senadora paraguaia, Celeste Amarilla, contra o atacante francês Kylian Mbappé , após a eliminação da seleção sul-americana para a França.</p>
<p>Durante a própria partida contra o Egito, o técnico Hossam Hassan cruzou os braços à altura dos pulsos em frente ao árbitro francês François Letexier, no minuto 93, segundos após o terceiro gol argentino. O gesto é o protocolo oficial da Fifa para denunciar suspeita de racismo em campo.</p>
<p>De acordo com o protocolo, o gesto pode acionar três níveis de resposta: interrupção momentânea da partida com aviso ao estádio, suspensão temporária com as equipes recolhidas ao vestiário, ou encerramento definitivo da partida em casos graves ou reincidentes. </p>
<p>Pelos relatos da delegação egípcia, Hassan entendeu que um gesto de caráter racista partiu da arquibancada durante a comemoração do terceiro gol argentino. </p>
<p>O árbitro optou por não interromper a partida nem acionar o protocolo, e advertiu Hassan com cartão amarelo. Em entrevista coletiva após o jogo, o técnico egípcio não falou explicitamente sobre a acusação de racismo, mas afirmou que os egípcios foram “tratados injustamente”.</p>
<h2>Histórico antigo</h2>
<p>Os episódios da Copa de 2026 não são um fato isolado na trajetória recente da seleção argentina. Em julho de 2024, um mês após a Argentina conquistar o bicampeonato da Copa América, o volante Enzo Fernández transmitiu ao vivo, pelo Instagram, um vídeo dentro do ônibus da delegação em que jogadores cantavam uma música com versos considerados racistas e transfóbicos contra atletas franceses de origem africana, incluindo Mbappé.</p>
<p>A canção já havia circulado entre torcedores argentinos durante a Copa do Mundo 2022, no Catar, torneio no qual a Argentina venceu a França na final.</p>
<p>Após a repercussão do vídeo de 2024, a Federação Francesa de Futebol formalizou queixa à Fifa e para a AFA (a associação de futebol argentina), e o Chelsea, clube de Enzo Fernández na época, abriu processo disciplinar interno contra o jogador. </p>
<p>O atleta publicou um pedido de desculpas nas redes sociais, afirmando que a música "inclui linguagem extremamente ofensiva" e que "não há qualquer desculpa para essas palavras". Um dos outros poucos argentinos envolvidos a se pronunciar foi o meio-campista Rodrigo De Paul, que minimizou o caso, afirmando ter se tratado de uma “brincadeira”.</p>
<p>Fora do ambiente da seleção principal, o histórico inclui outros episódios registrados por observatórios de discriminação racial no futebol. Em abril de 2022, um torcedor argentino foi detido na Neo Química Arena, em São Paulo, por fazer gesto de macaco durante partida entre Corinthians e Boca Juniors; a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) aplicou multa ao clube argentino. </p>
<p>Em 2023, durante semifinal entre Boca e Palmeiras, um torcedor exibiu no celular a palavra "macaco" voltada para a torcida brasileira; a Conmebol multou o clube e determinou a redução de lugares disponíveis em um setor do estádio, além da obrigatoriedade de hastear uma bandeira com a frase "basta de racismo" nas partidas seguintes.</p>
<h2>Acusações de favorecimento arbitral</h2>
<p>Após a eliminação nas oitavas de final, a Federação Egípcia de Futebol apresentou queixa formal à Fifa contra a equipe de arbitragem da partida, liderada por François Letexier e pelos assistentes Cyril Mugnier e Mehdi Rahmouni, pedindo investigação e o afastamento do trio do restante da competição. </p>
<p>O técnico Hassan chegou a insinuar interesse comercial na permanência da Argentina. "Talvez quisessem manter o campeão do mundo no torneio. Talvez quisessem que Messi continuasse na disputa por uma questão de marketing", disse. O atacante Mostafa Zico, autor de um gol anulado e de outro confirmado, afirmou que o campeonato estaria "direcionado".</p>
<p>O lance mais contestado foi a anulação do gol de Zico por decisão do VAR, que identificou uma falta no início do lance. Nos minutos finais da partida, o Egito reclamou de dois pênaltis não marcados a seu favor, envolvendo os jogadores Hamdi Fathy e Mohamed Salah. Nenhum dos lances foi assinalado pela arbitragem como penalidade.</p>
<p>Entre as seleções do torneio, a Argentina lidera o número de pênaltis a favor, com três cobranças, repetindo padrão observado na conquista do título de 2022, quando recebeu cinco pênaltis – recorde para uma única edição do Mundial. </p>
<p>Outro questionamento diz respeito à escalação da arbitragem para o confronto entre França e Marrocos, nas quartas de final. Pela primeira vez na Copa de 2026, toda a equipe de arbitragem em campo – árbitro principal, assistentes, quarto árbitro e árbitro reserva – foi formada por profissionais argentinos.</p>
<p>Nem toda "evidência" de favorecimento que circula na internet, porém, deve ser considerada. Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, supostamente lamentando um gol do Egito durante a partida contra a Argentina. As imagens são de outra partida, entre Marrocos e Países Baixos, disputada em 29 de junho, usadas fora de contexto. Anteriormente, esse mesmo vídeo já havia circulado como suposta reação a um gol de Cabo Verde.</p>
<p> A federação argelina de futebol também protestou formalmente à Fifa ainda na fase de grupos, questionando a ausência de punição a Messi após uma entrada considerada dura sobre o capitão da seleção argelina, Aïssa Mandi.</p>
<p>O técnico argentino Lionel Scaloni rebateu as acusações de favorecimento, classificando as teorias como "histórias de internet sem qualquer fundamento técnico ou esportivo". A Fifa, por meio de nota padrão, informou apenas que relatórios de arbitragem são analisados internamente ao longo do torneio, sem se pronunciar publicamente sobre processos em andamento.</p>
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        <media:title>Lionel Messi é lançado para o alto por companheiros de seleção após virada argentina contra o Marrocos</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Cientistas brasileiros identificam caminho para desenvolver vacina universal contra a malária</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/cientistas-brasileiros-identificam-caminho-para-desenvolver-vacina-universal-contra-a-malaria</link>
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      <pubDate>Tue, 07 Jul 2026 16:58:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram um passo importante para o desenvolvimento de uma nova geração de vacinas contra a malária. O grupo identificou um conjunto de proteínas do parasita  Plasmodium  que pode servir de base para um imunizante com potencial para proteger contra diferentes espécies do microrganismo e atuar em múltiplas fases da infecção.</p>
<p>A descoberta foi publicada no dia 1º de julho na  Nature , uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo. Embora ainda esteja em estágio inicial, o estudo abre perspectivas para o desenvolvimento de vacinas contra uma doença que continua sendo um dos maiores desafios da saúde global. Segundo o Relatório Mundial da Malária 2025, da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 280 milhões de casos e 600 mil mortes foram registrados no mundo em 2024.</p>
<p>A malária é transmitida pela picada da fêmea do mosquito  Anopheles . Os sintomas incluem febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores musculares e fadiga. Nos casos mais graves, a infecção pode provocar falência de órgãos e levar à morte.</p>
<p>Hoje, as vacinas aprovadas contra a doença oferecem proteção parcial. Elas são direcionadas principalmente contra o  Plasmodium falciparum , a espécie responsável por mais de 90% das mortes globais pela doença. A eficácia desses imunizantes tende a diminuir ao longo do tempo.</p>
<h2>Um caminho diferente</h2>
<p>A maior parte das vacinas em desenvolvimento busca estimular a produção de anticorpos. A pesquisa da Fiocruz adotou uma estratégia diferente ao investigar o papel dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir células infectadas pelo parasita. Esse é o principal avanço desse estudo. O mecanismo é diferente do oferecido pelos anticorpos, que impedem a entrada do parasita nas células. Já os linfócitos T CD8+ têm potencial para eliminar o microrganismo já presente no organismo.</p>
<p>Na primeira etapa da pesquisa, os cientistas identificaram peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas, do  Plasmodium  que ficam expostos na superfície das células infectadas. Eles funcionam como sinalizadores para os linfócitos T CD8+.</p>
<p>Ao todo, foram identificados 453 peptídeos, derivados de 166 proteínas do  Plasmodium vivax , espécie predominante nas Américas.</p>
<p>Em seguida, a equipe analisou a origem desses fragmentos e constatou que a maioria provinha das chamadas proteínas  housekeeping , responsáveis por funções essenciais para a sobrevivência do parasita.</p>
<p>Essas proteínas estão presentes em todas as fases do ciclo de vida do  Plasmodium  e sofrem poucas alterações entre as diferentes espécies. Por isso, elas representam alvos promissores para uma vacina com potencial de proteção mais ampla, capaz de atuar contra diversas variantes da malária e em diferentes momentos da infecção.</p>
<p>Os pesquisadores avaliaram, então, se esses peptídeos realmente eram reconhecidos pelo sistema imunológico. Os testes mostraram que células de pacientes infectados por  Plasmodium vivax  e  Plasmodium falciparum  responderam aos antígenos identificados. A reação também foi observada em outras três espécies do parasita que infectam primatas e camundongos.</p>
<p>A resposta imunológica foi confirmada em cinco espécies de  Plasmodium  e em diferentes hospedeiros. Os experimentos também mostraram que os antígenos ativaram células T em órgãos importantes para a infecção, como o fígado. Em alguns modelos animais, esses alvos reduziram a quantidade de parasitas no organismo, sugerindo um possível efeito protetor.</p>
<p>Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que ainda não se trata de uma vacina pronta. Os antígenos identificados precisarão passar por novas etapas de validação, estudos pré-clínicos e ensaios clínicos antes que possam ser incorporados ao desenvolvimento de um imunizante.</p>
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        <media:title>Malaria-tratamento</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Multidão toma as ruas de Teerã em cortejo fúnebre de Ali Khamenei</title>
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      <pubDate>Mon, 06 Jul 2026 21:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Iniciado no sábado, 4, o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, morto no ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, levou uma multidão para as ruas de Teerã nesta segunda-feira, 6. Segundo a imprensa estatal iraniana, a procissão percorreu cerca de 10 quilômetros entre a praça da Revolução e a praça Azadi.</p>
<p>Vestidos de preto, os participantes carregavam bandeiras do Irã, retratos de Khamenei e faixas com a inscrição "Nós nos levantaremos", enquanto entoavam palavras de ordem em homenagem ao líder, que morreu no dia 28 de fevereiro. O metrô da capital ficou lotado desde as primeiras horas da manhã e, apesar das temperaturas próximas dos 40°C, a marcha transcorreu sem incidentes. No fim do dia, o corpo de Khamenei seguiu para Qom, principal centro religioso xiita do país, onde novas cerimônias serão realizadas antes de homenagens em cidades do Iraque.</p>
<p>Khamenei será sepultado na quinta-feira, 9, no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, a cidade natal do aiatolá. O complexo abriga o túmulo de Ali al-Rida (Imã Reza), o oitavo imã do islamismo xiita, e é considerado o local mais sagrado do Irã e um dos principais centros de peregrinação do mundo muçulmano, recebendo cerca de 30 milhões de visitantes por ano.</p>
<p>O cortejo ocorre menos de duas semanas depois da entrada em vigor do cessar-fogo na guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, negociado após dias de confrontos. A dimensão do funeral chamou atenção porque, alguns meses antes da guerra, o Irã enfrentava um cenário de forte contestação interna, marcado por protestos reprimidos pelas forças de segurança. Para analistas, a mobilização desta segunda-feira representa uma demonstração de apoio ao regime em um momento de reorganização política após a morte de seu principal líder.</p>
<p>Bandeiras vermelhas, tradicionalmente associadas ao desejo de vingança, marcaram o cortejo. Em meio à multidão, viam-se mensagens contra Israel e os Estados Unidos. No domingo, 5, durante a oração fúnebre, participantes escreveram "Morte a Trump" no palco.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asE63jCIIAxgvn2m5.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O funeral esteve marcado por bandeiras e cores vermelhas, tom usado para significar vingança, foram vistas ao longo do cortejo."/>
<p>O governo buscou transformar a cerimônia em uma demonstração de unidade nacional. O sucessor do aiatolá, seu filho Mojtaba Khamenei, não foi visto publicamente. Segundo autoridades iranianas, ele permaneceu ausente por razões de segurança, e não em decorrência de ferimentos sofridos durante os ataques israelenses ao complexo presidencial. Outros três filhos do aiatolá, que sobreviveram ao bombardeio, estiveram presentes no funeral. Além de Khamenei, quatro integrantes da família morreram na data.</p>
<p>Ao comentar a mobilização popular para a despedida do aiatolá, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que as imagens do funeral demonstram a coesão do país. Ele rebateu declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que havia classificado o luto dos iranianos como "lágrimas falsas".</p>
<p>Mais de 300 jornalistas estrangeiros receberam vistos para cobrir as cerimônias, uma abertura rara promovida pelo regime para mostrar ao mundo a dimensão da despedida de Khamenei, que estava no poder desde 4 de junho de 1989, quando sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini.</p>
<p>Como líder supremo, Khamenei concentrava o comando das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária, do Judiciário e das diretrizes da política externa e do programa nuclear iraniano. Durante seu governo, consolidou a influência de Teerã no Oriente Médio por meio de grupos aliados no Líbano, Síria, Iraque e Iêmen, enfrentou sucessivas rodadas de sanções internacionais e manteve uma postura de confronto com Israel e os Estados Unidos.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/Iran Press/Instagram</media:credit>
        <media:title>funeral-khamenei</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Avanço das mulheres na liderança no Brasil é maior que em outros países</title>
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      <pubDate>Wed, 24 Jun 2026 15:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A presença feminina em altos cargos de liderança recuou tanto nas grandes corporações como nas empresas de médio porte de forma global. O Brasil, entretanto, seguiu outra via. O país avançou na representatividade feminina na alta gestão, apresentando percentual superior ao da média global. Esse cenário foi traçado pela pesquisa “Woman in Business 2026”, feita pela consultoria Grant Thornton. </p>
<p>O Brasil mostrou avanço na representatividade feminina na alta gestão, alcançando 37,7% de mulheres em posições seniores em 2026, aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. A consultoria global atribui o avanço às alterações previstas na Lei 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 empregados a divulgar salários e critérios remuneratórios em relatórios de transparência a serem enviados ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). </p>
<p>Com isso, o país apresenta um dos menores índices de empresas sem mulheres em cargos de liderança. “Vimos bons avanços aqui no Brasil, mas é importante não estagnarmos neste patamar”, diz Élica Martins, Sócia de Auditoria da Grant Thornton Brasil, em material de divulgação. </p>
<h2>Crescimento na América do Sul</h2>
<p>Por região, a América do Sul segue com o maior percentual de mulheres na alta liderança, alcançando 37,0%, apesar de uma pequena redução de 0,2 ponto percentual em 2026. O Chile se destaca com a aprovação de um projeto de lei que promove a diversidade de gênero em conselhos corporativos. </p>
<p>Ao olhar de forma mais ampla, todas as regiões, exceto a Europa, apresentaram redução no percentual de mulheres na alta liderança em 2026. Na Europa, houve um pequeno aumento de 0,1 ponto percentual, enquanto que a África e a América do Norte registraram quedas superiores a 2,0 pontos percentuais. </p>
<p>A região Ásia-Pacífico continua com o menor percentual geral de líderes mulheres, com 31,8%. Apesar de incluir países de bom desempenho, como Filipinas e Tailândia, também concentra os dois países com os menores índices: Coreia do Sul e Japão. De forma positiva, porém, o Japão registrou um aumento de 3,1 pontos percentuais, superando pela primeira vez o marco de 20%. </p>
<h2>Liderança no setor público </h2>
<p>Com relação à participação feminina na alta liderança da estrutura administrativa federal do Brasil, a pesquisa ‘Perfil das Lideranças no Governo Federal – Recorte de Gênero” mostra um avanço significativo em quatro anos, saindo de 29%, fevereiro de 2022, para 38% em fevereiro de 2026. No total dos cargos de liderança, a presença de mulheres era de 39% em 2022. </p>
<p>Embora a presença feminina ainda não alcance a paridade plena nesse ambiente de trabalho, a trajetória dos últimos anos revela tendência de crescimento gradual, de acordo com a coordenadora-geral de Informações Gerenciais do  Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos  (MGI), Mayara Farias.  </p>
<p>As conquistas nessa esfera são, em boa medida, relacionadas às ações de afirmação do governo. Um exemplo é o que foi estabelecido no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no qual deveria haver equiparação no número de mulheres convocadas em relação aos homens. “Políticas de inclusão e equidade vêm produzindo efeitos, ainda que o caminho para igualdade substantiva permaneça em construção", diz Mayara. </p>
<h2>Custo pessoal e novos desafios</h2>
<p>O avanço feminino em cargos de liderança no país é positivo, mas é preciso notar o custo pessoal para cobrir a diferença competitiva já existente entre homens e mulheres. Há muito tempo que as mulheres em cargos de liderança sofrem mais com a síndrome de burnout. Em 2025, esse sintoma foi identificado em um grupo expressivo de líderes mulheres. Foi o mais alto em muito tempo mostra uma pesquisa da organização Lean In, feita em parceria com a consultoria McKinsey & Company. </p>
<p>A pesquisa "Mulheres no Ambiente de Trabalho 2025" — o maior estudo do gênero, baseado em dados de mais de 120 empresas e 9 mil funcionários — aponta para um momento crucial: o recuo das empresas com o movimento de diversificação de gênero e isso tem levado as mulheres a dobrar seu empenho, o que tem gerado exaustão emocional e profissional. E a inteligência artificial representa uma pressão adicional a esse quadro sintomático. </p>
<p>Os dados mostram que há uma probabilidade 27% maior de homens receberem elogios por seus esforços ao utilizar IA. Já as mulheres receiam ser vistas como trapaceiras ao usarem ferramentas de IA. Em 32% das mulheres entrevistadas, essa é a preocupação.  </p>
<h2>Inteligência artificial</h2>
<p>O estudo não traz recorte sobre o mercado de trabalho brasileiro, mas o que se percebe é que o uso de IA tem se difundido de forma mais positiva entre as profissionais e que a adoção da tecnologia está otimizando de forma consistente o fluxo de trabalho. E não é apenas na carreira, as mulheres estão dinamizando a vida pessoal com os agentes de IA. Só que o equilíbrio entre o uso dessas ferramentas e os demais aspectos pessoais estão em fase de amadurecimento para se alcançar um equilíbrio. </p>
<p>"Estou exercitando a disciplina pessoal para conseguir usar o tempo livre para atividades que não sejam relacionadas ao trabalho. Mas, é complicado porque a IA otimiza os processos e propicia ganho de tempo, só que eu acabo inserindo mais tarefas e isso gera novas ansiedades", diz Tati Oliva, sócia-fundadora da Cross Networking, consultoria de parcerias estratégicas. </p>
<p>Apesar de precisar estar equilirando pratos, a executiva defende o uso da tecnologia.  "Uso a IA para gerar informação, não para gerar confiança. Nada substitui as relações e as experiências presenciais. É a partir disso que geramos dados. Eu pego esses dados e jogo na IA, que mostra caminhos para melhorar o negócio, mas a direção e a visão estratégica é do gestor", afirma. Tati Oliva.</p>
<p>A dificuldade de equilibrar o benefício que a tecnologia propicia com os demais aspectos da vida acaba abrindo novos desafios para as profissionais. Quanto mais informação se consegue alcançar, mais tempo sobra. Só que esse tempo acaba sendo usado para adicionar mais trabalho. “Aí vem a exaustão mental. Eu tenho que me esforçar para usar esse tempo para o meu descanso. Num mundo com excesso de informação, multitelas e ainda por cima uma Copa do Mundo no meio do caminho, a gente não vai dar conta de tudo. Não tem versão otimizada de agenda que resolva isso”, diz Lisiane Lemos, executiva de tecnologia, cofundadora do Instituto Conselheira 101, mentora no Black Founders Fund do Google e professora no MBA de Tecnologia para Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). </p>
<p>Para a gerente médica do grupo de Atenção Primária e Doenças Raras da farmacêutica Daiichi Sankyo Brasil, Renata Gebara, a IA ajuda mais do que atrapalha.  “A inteligência artificial propicia acessar estudos científicos relevantes que são necessários para as minhas pesquisas. A busca é muito mais eficiente, tanto de qualidade dos dados como no design que eles são apresentados. Isso se traduz em mais tempo livre porque eu consigo terminar minhas pesquisas mais rápido e dedicar mais tempo para as crianças e casa. Com relação ao tempo para desenvolvimento pessoal, bom, esse ainda preciso buscar mais tempo”, diz. </p>
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        <media:title>Executivas brasileiras</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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      <title>"El Tigre": o outsider que encerrou o experimento de esquerda na Colômbia</title>
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      <pubDate>Mon, 22 Jun 2026 23:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A vitória de Abelardo de la Espriella por menos de 250 mil votos interrompe a breve experiência colombiana de ser governada pela esquerda. O advogado de 47 anos, filiado ao Movimento de Salvação Nacional e estreante em cargos públicos derrotou o senador Iván Cepeda – candidato de Gustavo Petro – no segundo turno deste domingo, 21. A posse está marcada para 7 de agosto.</p>
<p>No discurso logo após a contagem preliminar dos votos, o ultraliberal adotou tom mais comedido do que o habitual e prometeu respeitar a Carta de 1991, afastando a ideia de uma nova Assembleia Constituinte.</p>
<p>“Serei o presidente de todos os colombianos. Vou governar para todos. Esta será a pátria de todos os colombianos, de todas as religiões, a pátria de todas as comunidades ancestrais, de todos os jovens, avós, agricultores, empreendedores. Uma pátria de todos, para todos”, disse, diante de milhares de apoiadores em Barranquilla.</p>
<p>A transição é que não deve ser pacífica. Iván Cepeda e Gustavo Petro já anunciaram que vão contestar o resultado em cerca de 33 mil urnas durante o escrutínio oficializado pelos juízes eleitorais, apontando supostas inconsistências na contagem rápida de domingo e alegando "ingerência estrangeira" no pleito. </p>
<h2>Da candidatura relâmpago à Casa de Nariño</h2>
<p>Abelardo Gabriel de la Espriella Otero nasceu em Bogotá em 31 de julho de 1978, mas cresceu em Montería, no Caribe colombiano. É casado com Ana Lucía Pineda Aruachan, com quem tem quatro filhos: Lucía, Salvador, Filippo e Francesca. Fora dos tribunais e dos palanques, cultiva seu lado artístico cantando vallenato, a música folclórica tradicional da região caribenha.</p>
<p>Antes de se lançar à presidência, construiu carreira como advogado de causas consideradas complexas. Defendeu desde figuras do entretenimento e do futebol até nomes ligados ao paramilitarismo, escândalos financeiros (como o esquema de pirâmide DMG) e o empresário e ex-ministro da Indústria e da Produção Nacional da Venezuela Alex Saab, apontado como operador financeiro de Nicolás Maduro.</p>
<p>Embora adote o discurso de “defensor da pátria”, De la Espriella tem uma trajetória marcada pelo trânsito internacional: possui três cidadanias (colombiana, italiana e americana), viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano nos Estados Unidos. Declarava-se ateu até 2020, quando se converteu ao cristianismo após uma perda familiar, transformando os valores cristãos em um dos pilares de sua retórica.</p>
<p>A entrada na política foi gestada pelo atentado contra o jornalista e então pré-candidato Miguel Uribe Turbay, alvo de dois tiros na cabeça em Bogotá em 7 de junho de 2025. Ele faleceu após mais de dois meses de internação.</p>
<p>O crime gerou um forte clamor público por segurança. Aproveitando a onda de indignação, De la Espriella fundou o movimento Defensores de la Patria e, com o apoio do Movimento de Salvação Nacional, lançou uma campanha que reuniu 4,8 milhões de assinaturas para registrar sua candidatura independente.</p>
<p>O lançamento oficial da campanha ocorreu em novembro de 2025, em uma casa de shows lotada em Bogotá. O projeto, que inicialmente enfrentou a fragmentação do espectro conservador, ganhou força definitiva com a escolha do vice: José Manuel Restrepo. Ex-ministro da Economia de Iván Duque, Restrepo trouxe respeitabilidade técnica à chapa e acalmou o mercado financeiro.</p>
<h2>Cartilha da nova direita</h2>
<p>A imagem de outsider foi o principal capital eleitoral de De la Espriella. A estratégia tem parentesco direto com a de outros líderes da nova direita latino-americana. O apelido "El Tigre" nasceu de uma frase do ex-presidente Álvaro Uribe, que disse em 2024 que a Colômbia precisava de "um tigre" no poder –  uma analogia ao leão de Javier Milei na Argentina e à águia de Donald Trump nos Estados Unidos. </p>
<p>Em comícios, ele encerra os discursos levando a mão ao cenho e gritando "Firme pela pátria!", gesto militar repetido por apoiadores.</p>
<p>Uma das maiores forças visuais da campanha foi a apropriação da camisa amarela da seleção colombiana de futebol como uniforme não oficial. Apoiadores foram às urnas vestindo peças com os nomes de ídolos como James Rodríguez e Luis Díaz.</p>
<p>O fenômeno guarda um paralelo direto com a direita brasileira, que transformou a camisa da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em seu principal símbolo de identidade política e nacionalismo estético nas ruas.</p>
<p>De la Espriella ancora seu programa de governo em uma agenda de segurança pública de linha-dura. Entre as principais medidas estão uma ofensiva militar contra o crime organizado, a construção de dez megaprisões, a erradicação química de plantações de coca, o bombardeio de acampamentos de grupos armados e a autorização para derrubar aviões e embarcações suspeitos de transportar drogas. </p>
<p>Na economia, o candidato prometeu reduzir o tamanho do Estado, cortar impostos corporativos e retomar de forma agressiva a exploração de petróleo, gás e mineração.</p>
<h2>O novo mapa sul-americano </h2>
<p>A vitória de De la Espriella consolida uma mudança na geopolítica da América do Sul. A região, que há poucos anos vivia uma "nova onda rosa" de governos de esquerda, agora testemunha o avanço de uma direita reformulada.</p>
<p>Com o atual cenário, a direita governará seis países na América do Sul: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai.</p>
<p>À esquerda estão cinco países: Brasil, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela.</p>
<p>Já o Peru tem apuração em curso entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez e a rival de direita Keiko Fujimori, que lidera a disputa.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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