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    <title>Global South World Brasil - Sustentabilidade</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Petróleo na Foz do Amazonas: o potencial e os riscos do 'novo pré-sal'</title>
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      <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 12:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Dez meses após conseguir a licença do Ibama para perfurar um poço na Margem Equatorial – faixa litorânea que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte –, a  Petrobras confirmou a existência de petróleo na Foz do Amazonas.</p>
<p>Na segunda-feira, 17, a presidente da estatal, Magda Chambriard, informou que amostras retiradas do poço Morpho confirmaram a existência do combustível na bacia sedimentar ao largo do Amapá. Três dias antes, a Petrobras já havia sinalizado a descoberta de hidrocarbonetos na região, a 175 quilômetros da costa.</p>
<p>A confirmação foi dada em uma coletiva no Oiapoque (AP), com a  presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.  Segundo a presidente da estatal, a companhia pretende concluir a perfuração do poço em um prazo de 20 dias.</p>
<p>"Ainda precisamos delimitar a descoberta, saber quanto petróleo de fato existe nessa área" , explicou.</p>
<p>É importante esclarecer que há uma distinção entre a "descoberta" e a "descoberta comercial". Isso porque a presença de hidrocarbonetos no poço fornece evidência de uma acumulação, mas ainda são necessários trabalhos para determinar extensão, volume, características do reservatório, produtividade e viabilidade técnica e econômica. </p>
<h2>O tamanho da aposta</h2>
<p>O interesse econômico na região data de 2013, quando o primeiro bloco da Margem Equatorial foi leiloado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). À época, a Petrobras tentava avançar na área, mas tinha concorrentes como a TotalEnergies, BP e Ecopetrol, que posteriormente desistiram diante da demora no licenciamento ambiental.</p>
<p>Desde então, a companhia destinou cerca de US$ 3 bilhões ao projeto até 2029 e vinha gastando US$ 1 milhão por dia apenas com a campanha exploratória do poço Morpho, segundo a diretora de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi.</p>
<p>A  Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a Bacia da Foz do Amazonas possa conter cerca de 6,2 bilhões de barris de petróleo recuperáveis . Caso esse potencial seja confirmado e posteriormente incorporado às reservas provadas, o volume seria equivalente a cerca de 35% das reservas provadas atuais do Brasil, que somaram 17,5 bilhões de barris em 2025, segundo a ANP.</p>
<p>É importante ressaltar, também, que os 6,2 bilhões são uma estimativa de potencial recuperável, e não reservas provadas ou petróleo já descoberto pela Petrobras.</p>
<p>Somadas a essa conta as demais bacias da Margem Equatorial, o Ministério de Minas e Energia fala em até 10 bilhões de barris no total, o equivalente a um "novo pré-sal".</p>
<p>Para o ministro Alexandre Silveira, a descoberta pode  "reposicionar o Brasil na geopolítica global" , colocando o país entre os seis maiores produtores globais de petróleo.</p>
<p>Segundo o  diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires , a exploração das bacias no Norte pode garantir competitividade econômica ao país sem ser incompatível com as bandeiras ambientais do governo.</p>
<p>"É preciso investir no conceito de adição energética, porque não há condição de abrir mão de nenhuma fonte. A produção de petróleo é o principal índice da nossa balança comercial e nos dá outra posição na disputa econômica global. Sem uma bacia que possa substituir o pré-sal, como é a Margem Equatorial, há um risco sério de perder esse protagonismo", afirmou.</p>
<h2>Conflito ambiental</h2>
<p>A confirmação do petróleo reforça as críticas de ambientalistas que acompanham o projeto desde as etapas iniciais. A urbanista e advogada  Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atual coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima , já questionava a finalidade da licença concedida ainda durante a fase de estudos.</p>
<p>"Está explícita a posição do governo de expandir a produção de petróleo na foz do Amazonas. A narrativa de que estão apenas pesquisando é usada para distorcer a realidade", afirmou, ainda na fase de estudos, quando a Petrobras buscava a primeira licença para perfurar o bloco FZA-M-59, hoje o mesmo bloco onde a companhia acaba de confirmar a existência de petróleo depois de mais de uma década tentando avançar na região. O Observatório do Clima move uma ação judicial contra a licença emitida para o bloco.</p>
<p>Ambientalistas contrários à exploração argumentam que a perfuração do poço Morpho ocorre em lâmina d'água de quase 2.900 metros, profundidade que torna qualquer resposta a um eventual vazamento mais lenta e mais cara do que nos poços do pré-sal, em águas bem mais rasas. </p>
<p>A região também fica próxima do maior cinturão de manguezais contínuos do mundo e de um sistema de recifes de coral identificado na foz do Amazonas há pouco mais de dez anos, e que os pesquisadores ainda não conseguiram mapear por completo.</p>
<p>Foi justamente a distância entre o poço e a base de resgate de animais afetados por óleo, que nas primeiras versões do projeto ficava em Belém, a centenas de quilômetros dali, um dos pontos que sustentou as negativas anteriores do Ibama.</p>
<p>A Petrobras afirma ter estruturado para a operação um sistema de resposta a emergências que inclui embarcações de contenção, monitoramento, resgate e atendimento à fauna afetada por óleo, além de apoio aéreo.</p>
<p>Em 2025, a empresa realizou uma Avaliação Pré-Operacional (APO), uma simulação destinada a testar sua capacidade de resposta a uma eventual emergência. O Ibama aprovou a avaliação, mas solicitou ajustes adicionais no plano de proteção à fauna apresentado pela companhia.</p>
<p>A descoberta também expõe uma contradição do governo brasileiro. O país sediou a COP30 em Belém no fim de 2025 defendendo metas globais para a redução de combustíveis fósseis, e agora gerencia a expansão de sua própria fronteira petrolífera. </p>
<p>A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que deixou o cargo em abril para se candidatar ao Senado por São Paulo, já reconheceu o contrassenso publicamente, mas ponderou que a transição energética deve ser gradual e justa, sem interromper o planejamento econômico do país.</p>
<h2>Ativo eleitoral</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as2VimdwEKlTfnEtB.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o presidente Lula e o ministro Alexandre Silveira em visita à sonda NS-42 que realiza a perfuração do poço Morpho, na Margem Equatorial

"/>
<p>Na segunda-feira, 17, Lula chamou a descoberta de  "passaporte para o futuro do país" , a mesma expressão usada há vinte anos, quando a Petrobras anunciou o pré-sal às vésperas da eleição de 2006 que lhe deu a reeleição.</p>
<p>Àquela altura, o achado ajudou a blindar politicamente um governo já desgastado pelo escândalo do Mensalão, descoberto um ano antes, e reforçou a imagem de um projeto nacional de desenvolvimento tocado pelo PT.</p>
<p>Duas décadas depois, Lula tenta reeditar o mesmo roteiro em um cenário em que o governo é pressionado por resultados econômicos concretos, às vésperas de uma eleição em que, aos 80 anos, disputa um quarto mandato não consecutivo.</p>
<p>A diferença é que, em 2006, o pré-sal já vinha acompanhado de estimativas de reservas relativamente sólidas. Desta vez, a Petrobras ainda não sabe quanto petróleo existe no poço Morpho.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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