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    <title>Global South World Brasil - Recife</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Cinema de rua ganha novas salas e recupera lugares históricos pelo Brasil</title>
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      <pubDate>Wed, 30 Sep 2026 15:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Quem assistiu a “O Agente Secreto”, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, viu um cinema de rua ocupar papel de destaque na história. Inaugurado em 1952 às margens do rio Capibaribe, no Recife, o Cinema São Luiz é um dos principais cenários do filme estrelado por Wagner Moura.</p>
<p>Fora das telas, cinemas como o São Luiz ajudam a contar outra história. Depois de décadas em que boa parte deles migrou para os shopping centers, mais salas estão surgindo nas ruas de cidades brasileiras, enquanto espaços históricos são recuperados e voltam a receber público.</p>
<p>O exemplo mais recente está em São Paulo. Nesta sexta-feira, 2, a Vila Madalena ganha seu primeiro cinema de rua. Instalado na rua Girassol, o Cine Tutu nasce com 114 lugares e uma proposta que procura aproximar a experiência da tela grande e a vida do bairro.</p>
<p>Na véspera da inauguração oficial, o cinema recebe uma sessão especial do documentário “Naza”, ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza, que examina as vítimas civis das operações militares de Israel em Gaza e os sistemas por trás dos assassinatos seletivos de palestinos. A programação já está definida e os ingressos para as primeiras sessões estão à venda. Entre os títulos estão “As Dores do Mundo: Hyldon”, sobre a trajetória do cantor e compositor baiano, e “Digger”, com Tom Cruise, que faz um magnata bilionário do petróleo.</p>
<p>Idealizado por Paulo Velasco, também à frente do Cinesala, cinema de rua paulistano, no bairro de Pinheiros, o Tutu ocupa um imóvel originalmente concebido para ser um teatro, mas que permaneceu por anos sem uso. O projeto arquitetônico é de Isay Weinfeld.</p>
<p>A sala tem tela de 8,90 por 3,72 metros, projetor a laser com resolução 4K e som digital Dolby 7.1. As poltronas têm estampa floral e, antes de chegar à sala de exibição, o público atravessa espaços concebidos também para a convivência.</p>
<p>Logo na entrada fica uma unidade do Barouche, café-bar aberto mesmo para quem não vai ao cinema. Há ainda uma arquibancada com almofadas e áreas de estar. A proposta é fazer com que o público permaneça no espaço antes ou depois das sessões.</p>
<p>“O cinema de rua tem uma relação muito particular com a cidade. Você não vai apenas assistir a um filme: sai de casa, atravessa o bairro, encontra pessoas, passa pelo bar, conversa antes ou depois da sessão”, afirma Velasco. A intenção, de acordo com ele, é levar o Cine Tutu faça parte da vida na cidade e “que aproxime diferentes públicos do cinema”.</p>
<p>O Cine Tutu também tem como sócios Alfredo Setubal, sócio da Editora Todavia; Marcos Nisti, empreendedor social, sócio-fundador da Maria Farinha Filmes e vice-presidente do Instituto Alana; e Mariana Lucas, pesquisadora e professora de Cinema e Audiovisual da Faap e especialista em história e teoria do cinema, como investidores e conselheiros da iniciativa.</p>
<p>A programação reunirá produções brasileiras e internacionais, lançamentos, cinema de arte, sessões temáticas e mostras. Já no primeiro mês de funcionamento, o Tutu fará parte do circuito da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asrIo87eu0f0R1aa2.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Com 144 lugares, a sala do Cine Tutu tem assentos com estampa floral."/>
<h2>Salas de diferentes gerações em São Paulo</h2>
<p>A capital paulista mantém cinemas de rua de diferentes épocas e dimensões. O próprio Cinesala funciona em um endereço dedicado ao cinema desde 1962, quando ali foi inaugurado o Cine Fiammetta. Depois de passar por diferentes nomes e administrações, o espaço foi reformado e reaberto como Cinesala em 2014.</p>
<p>Em Perdizes, o Cine LT3 representa uma geração mais recente de pequenos cinemas de bairro. Aberto em 2022 na rua Apinajés, mantém programação de filmes brasileiros e estrangeiros em uma sala de poucas dezenas de lugares.</p>
<p>No centro, o PlayArte Multiplex Marabá preserva um endereço da antiga Cinelândia Paulistana. Inaugurado em 1945, o antigo Cine Marabá nasceu com uma única e enorme sala. Depois de uma reforma, reabriu em 2009 transformado em um complexo de cinco salas.</p>
<p>Outro endereço histórico prepara uma volta ainda mais simbólica. O antigo Cine Copan, no térreo do edifício projetado por Oscar Niemeyer, está fechado há quase quatro décadas e será transformado no Nu Cine Copan.</p>
<p>O espaço terá cerca de 440 lugares, tela LED de 17 metros e sistema de som Dolby Atmos. Neste ano, recebeu temporariamente o espetáculo “Hamlet, sonhos que virão”, antes do início das obras. A reforma começou em maio e tem conclusão prevista para junho de 2027. Só depois dessa etapa o espaço deverá entrar em funcionamento como cinema.</p>
<h2>Rio recupera cinemas de rua</h2>
<p>No Rio de Janeiro, o movimento recente tem outra característica. Em vez de se concentrar na abertura de salas privadas inteiramente novas, a cidade vem recuperando cinemas em diferentes regiões.</p>
<p>Entre eles está o CineCarioca José Wilker, inaugurado em dezembro de 2024 nas Casas Casadas, em Laranjeiras. O endereço estava sem cinema desde 2008 e voltou a funcionar com duas salas.</p>
<p>Também passaram por recuperação ou modernização espaços como o Ponto Cine, em Guadalupe; o Cine Santa, em Santa Teresa; o CineCarioca Penha e o CineCarioca Nova Brasília, no Complexo do Alemão.</p>
<p>A Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) também reabriu sua sala de exibição em março de 2025 após uma ampla modernização, com novos equipamentos de projeção, áudio e iluminação.</p>
<p>As iniciativas fazem parte de um movimento da prefeitura para recuperar cinemas de rua. A RioFilme informa que sete espaços passaram por reformas, reaberturas ou modernizações nos últimos anos.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asuNQpkfraHACfGCR.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O CineCarioca José Wilker, inaugurado em dezembro de 2024 nas Casas Casadas, em Laranjeiras, retomou um espaço que estava sem cinema desde 2008."/>
<h2>Uma nova sala em Salvador</h2>
<p>Em Salvador, um dos exemplos mais recentes está longe dos tradicionais circuitos culturais do centro da cidade.</p>
<p>O Cine Lankiana foi inaugurado em janeiro de 2025 no Quilombo do Coqueiro Grande, na região de Cajazeiras. Criado pelo Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, tem 48 lugares e programação de produções brasileiras e estrangeiras.</p>
<p>Em setembro, o espaço recebeu parte da programação da Mostra de Cinemas Africanos, com produções de países como Senegal e Quênia.</p>
<p>Com isso, a programação cultural de Salvador ganhou uma nova sala, após a cidade ter perdido grande parte de seus antigos cinemas de rua. Entre os que permanecem está o Cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves. O endereço abrigou o antigo Cine Guarany, inaugurado em 1919. Depois de fechar em 1998, foi recuperado e voltou a funcionar como complexo cinematográfico em 2008.</p>
<h2>No Recife, o cinema que virou personagem</h2>
<p>A capital pernambucana se destaca pela recuperação de cinemas que fazem parte da memória da cidade. Inaugurado em 1952 na rua da Aurora, o São Luiz se tornou um dos mais emblemáticos cinemas de rua do país. Fechado por mais de dois anos para obras estruturais, reabriu em 2024. Em janeiro deste ano, passou por uma nova intervenção para recuperação do forro, modernização da climatização e melhorias de acessibilidade.</p>
<p>Em julho, voltou a manter sessões permanentes de quarta-feira a domingo. O prédio também passou a abrigar o Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano.</p>
<p>E a relação entre a sala e o cinema ganhou uma nova dimensão com “O Agente Secreto”. Ambientado no Recife de 1977, o filme – que entrou na disputa do Oscar – transformou o São Luiz em parte da própria narrativa. O personagem interpretado por Carlos Francisco trabalha como projecionista, e o interior da sala aparece em momentos importantes da história.</p>
<p>Recife prepara ainda a retomada de outro cinema de rua. O Teatro Apolo, no Recife Antigo, deverá voltar a receber sessões de cinema até o fim de 2026.</p>
<p>O espaço ganhou uma sala de exibição em 1996, mas as sessões foram interrompidas em 2016 por problemas técnicos. O projeto de recuperação prevê obras e novos equipamentos para que o cinema volte a funcionar uma década depois.</p>
<p>Os exemplos de São Paulo, Rio, Salvador e Recife mostram que as salas de cinema oferecem mais do que títulos de filmes: são acessos para uma relação maior com a vida do bairro e da cidade.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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