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    <title>Global South World Brasil - Principais notícias</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Europa expõe divisão sobre imigração após crise de Ceuta</title>
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      <pubDate>Wed, 05 Aug 2026 15:47:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A demonstração de unidade da União Europeia após a crise migratória em Ceuta esconde divergências profundas entre os Estados-membros e evidencia a dificuldade do bloco para construir uma política comum de imigração. Essa é a avaliação dos cientistas políticos Philippe d'Iribarne e Christophe Bouillaud, autores ouvidos pelo portal francês  Atlantico , que apontam diferenças políticas, interesses econômicos e limitações jurídicas como os principais obstáculos para uma resposta coordenada ao aumento da pressão migratória.</p>
<p>Na visão de d'Iribarne, a solidariedade manifestada pelos 27 países europeus à Espanha após a chegada de dezenas de milhares de jovens marroquinos não significa que exista uma doutrina migratória compartilhada. Segundo ele, as sociedades europeias permanecem profundamente divididas sobre o tema, e o peso das diferentes correntes de opinião varia de um país para outro.</p>
<p>O pesquisador observa que a própria percepção da imigração mudou significativamente em alguns Estados. A Suécia, por exemplo, passou de uma postura considerada altamente receptiva a um ambiente de crescente desconfiança em relação aos imigrantes. Ele afirma ainda que os franceses tendem a tratar o debate sob uma perspectiva mais ideológica, enquanto os países do Norte da Europa costumam adotar uma abordagem mais pragmática, baseada nos efeitos concretos da imigração.</p>
<p>As diferenças também se refletem nas necessidades econômicas. D'Iribarne lembra que determinadas regiões da Itália dependem fortemente da mão de obra migrante sazonal, embora a legislação do país procure limitar a permanência desses trabalhadores e restringir o reagrupamento familiar. Como consequência, as políticas migratórias nacionais evoluem em ritmos distintos, alternando momentos de maior abertura com movimentos de endurecimento.</p>
<p>Segundo ele, qualquer tentativa de restringir a imigração ainda enfrenta um obstáculo importante no debate público europeu: o receio de acusações de racismo, xenofobia ou islamofobia. Para o pesquisador, esse ambiente dificulta que governos adotem políticas mais rigorosas sem sofrer forte desgaste político, enquanto parte da esquerda europeia continua defendendo uma visão multicultural da sociedade e vê na imigração uma pauta relevante também do ponto de vista eleitoral.</p>
<p>Ao analisar especificamente a crise de Ceuta, d'Iribarne afirma que o episódio revela, sobretudo, o enorme diferencial de oportunidades entre o Marrocos e a Europa. Na avaliação dele, muitos jovens marroquinos acreditam que basta conseguir chegar ao continente europeu para melhorar significativamente suas condições de vida. Essa percepção seria alimentada pelo fato de que muitos emigrantes escondem as dificuldades enfrentadas após deixar o país de origem, criando uma imagem distorcida do sucesso da migração.</p>
<p>Para Christophe Bouillaud, entretanto, o principal entrave para uma política migratória mais rígida não é político, mas jurídico. Segundo ele, as regras que estruturam o direito de asilo na Europa impedem um controle mais rigoroso das fronteiras, uma vez que exigem a análise individualizada de cada pedido de proteção internacional. O resultado é um sistema que, na prática, tem dificuldades para responder rapidamente ao grande volume de solicitações.</p>
<h2>Fuga da pobreza</h2>
<p>Bouillaud argumenta que o marco jurídico europeu continua baseado na Convenção de Genebra de 1951, elaborada em um contexto completamente diferente do atual. Na época, explica, o objetivo era proteger refugiados políticos perseguidos por seus Estados, em fluxos relativamente reduzidos. Hoje, segundo ele, a maior parte dos migrantes que tenta chegar à Europa busca escapar da pobreza e melhorar sua situação econômica, e não fugir de perseguições políticas.</p>
<p>Essa mudança, afirma o cientista político, criou uma contradição estrutural. As normas continuam fundamentadas em uma realidade histórica marcada pela Guerra Fria, enquanto os fluxos migratórios contemporâneos são predominantemente econômicos. Alterar esse modelo, porém, é extremamente difícil porque o direito de asilo se tornou um dos pilares da identidade política e jurídica construída pela União Europeia ao longo das últimas décadas.</p>
<p>Bouillaud observa ainda que muitos governos europeus convivem com outra contradição: ao mesmo tempo em que defendem discursos mais duros sobre imigração, suas economias dependem da chegada de trabalhadores estrangeiros. Espanha e Alemanha são exemplos, segundo ele, de países que incorporaram a imigração de trabalho como componente importante do funcionamento de seus mercados, embora parte da classe política evite reconhecer essa dependência de forma explícita.</p>
<p>Na avaliação dos dois especialistas, a crise de Ceuta expõe, mais uma vez, a dificuldade da União Europeia para conciliar seus princípios jurídicos, suas necessidades econômicas e as diferentes sensibilidades políticas existentes entre os Estados-membros. Enquanto esse equilíbrio não for encontrado, a retórica de unidade continuará convivendo com profundas divisões sobre como enfrentar os novos fluxos migratórios.</p>
<h2>Famílias buscam notícias</h2>
<p>Enquanto a crise se desenrola, famílias marroquinas se reúnem perto da fronteira com Ceuta, em busca de notícias de parentes que desapareceram enquanto tentavam chegar à Àfica pelo mar. Até o início da tarde, dados oficiais contabilizavam 77 mortos, a maioria afogados durante a travessia a nado do Marrocos até o território.</p>
<p>Imagens de segunda-feira, 3 de agosto, mostraram várias pessoas esperando ao lado do arame farpado, enquanto veículos de segurança patrulhavam a área. Um deles era Mohamed El Kandafi. Ele contou que seu filho saiu de Tânger com um amigo na quinta-feira (30/07) e entrou no mar, mas não foi visto desde então.</p>
<p>O migrante repatriado Osama Smalidine descreveu as condições difíceis em Ceuta, dizendo que os migrantes viviam nas ruas, comiam de latas de lixo e enfrentavam agressões.</p>
<p>As autoridades vincularam o aumento nas travessias, com a que ocorreu recentemente, a informações falsas na internet e a redes de contrabando, à medida que dezenas de milhares de pessoas se deslocaram em direção a Ceuta, desencadeando uma grande operação de segurança e estado de emergência no enclave.</p>
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        <media:title>Imigrantes em Ceuta </media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Meninas permanecem mais tempo na escola em busca de um futuro melhor</title>
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      <pubDate>Fri, 26 Jun 2026 18:25:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Gisele Melo trabalha há 13 anos como especialista da educação básica na Escola Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira, em Betim, Minas Gerais. Ao longo desse tempo, viu uma reviravolta silenciosa nas matrículas da escola: meninas que antes não chegavam até o fim do Ensino Médio hoje são maioria entre os alunos.</p>
<p>Hoje, segundo a educadora, esse padrão local de evasão mudou de perfil, e o ganho de permanência feminina é parte do que ela chama de papel emancipador da escola.</p>
<p>"Quero ressaltar o papel que a educação tem para as mulheres. Ele é fundamental para a emancipação feminina, para a igualdade de oportunidades e também para a igualdade no trabalho. Por isso, nós incentivamos todos os alunos, mas de forma ainda mais positiva para essas meninas que, muitas vezes, não tinham tantas oportunidades nem tanta longevidade escolar."</p>
<p>Sofia Lessa Medeiros, de 14 anos, está no 9º ano do Colégio Tiradentes de Betim. Ela já formula, na própria trajetória, o raciocínio que orienta políticas públicas de permanência escolar no mundo todo: educação como condição de futuro.</p>
<p>"Vejo a escola com grande importância porque a gente precisa estar sempre estudando, sempre aprendendo. Estudando, o futuro de todo mundo será melhor", diz.</p>
<p>Sofia também menciona um hábito que a literatura educacional associa a um melhor desempenho escolar, que é a leitura por prazer fora do currículo obrigatório.   "Gosto muito de ler, tanto livros normais quanto da escola, porque eu acho que consigo fixar melhor quando estou lendo. É bem legal, você adiciona mais palavras no seu vocabulário."</p>
<h2>Padrão a ser superado</h2>
<p>O que Betim mostra em escala municipal reflete um problema que o mundo ainda não resolveu. Segundo o Relatório de Monitoramento Global da Educação da Unesco, 133 milhões de meninas estavam fora da escola em 2024, parte de um contingente global de 273 milhões de crianças e jovens sem acesso à educação.</p>
<p>A desigualdade de gênero na conclusão escolar varia conforme a renda do país. Em nações de baixa renda, apenas 79 mulheres jovens completam o Ensino Médio para cada 100 homens na mesma faixa etária. Em países de alta renda, essa proporção se inverte: 106 mulheres concluem a etapa para cada 100 homens.</p>
<p>O recorte por escolaridade básica confirma o padrão. Em países de baixa renda, apenas 38% das meninas completam o ensino fundamental II (lower secondary), contra 43% dos meninos. O Banco Mundial atribui essa diferença, sobretudo, à pobreza: meninas que enfrentam desvantagens superpostas, como baixa renda familiar, residência em comunidades remotas ou pertencimento a minorias étnicas, ficam mais distantes do acesso e da conclusão escolar. Em 20 países com dados disponíveis, menos de 1% das jovens rurais entre os 20% mais pobres concluem o Ensino Médio.</p>
<p>No Brasil, a Pnad Contínua Educação do IBGE mostrou que, entre as mulheres de 14 a 29 anos que abandonaram a escola ou nunca a frequentaram em 2024, a necessidade de trabalhar foi o motivo mais citado (25,1%), seguida pela gravidez (23,4%) e pela falta de interesse (22,5%). Entre os homens na mesma faixa etária, a necessidade de trabalhar concentrou 53,6% das respostas.</p>
<h2>Aumento de renda</h2>
<p>A relação entre escolaridade feminina e desenvolvimento econômico é um dos achados mais consistentes da pesquisa educacional recente. Um estudo de 2024 citado pela Parceria Global pela Educação estima que a educação responde por 50% do crescimento econômico global, por 70% dos ganhos de renda entre a parcela mais pobre da população mundial e por 40% da redução da pobreza extrema desde 1980. Cada ano adicional de escolaridade concluído por uma pessoa gera, em média, 10% de aumento de renda, retorno superior à média histórica do mercado de ações americano.</p>
<p>A Unesco também quantificou o custo da omissão: a evasão escolar e as lacunas educacionais custam US$ 10 trilhões por ano à economia global até 2030. Em sentido inverso, reduzir em 10% a proporção de jovens que abandonam a escola sem habilidades básicas poderia elevar o PIB mundial em mais de US$ 6,5 trilhões ao ano.</p>
<p>O Relatório de Monitoramento Global da Educação de 2025 da Unesco, dedicado à liderança feminina na aprendizagem, identificou ainda uma defasagem de 20 pontos percentuais na presença de mulheres em cargos de liderança escolar, mesmo em sistemas educacionais onde elas já são maioria entre professoras e estudantes.</p>
<h2>O que o Brasil  faz a respeito</h2>
<p>A virada que Gisele descreve em Betim tem paralelo em iniciativas espalhadas pelo país, a maioria delas nascidas dentro da própria rede pública. Desde 2013, o projeto de extensão Meninas na Ciência, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), leva oficinas de robótica, astronomia e física a escolas públicas de Porto Alegre e da região metropolitana, priorizando unidades em situação de vulnerabilidade social. </p>
<p>A iniciativa já levou mais de 500 meninas para conhecer laboratórios da universidade e formou cerca de 50 estudantes de graduação como instrutores, numa tentativa direta de enfrentar o que pesquisadoras da área chamam de "efeito tesoura": a saída progressiva de mulheres das carreiras de ciência e tecnologia conforme a trajetória acadêmica avança.</p>
<p>Em Brasília, o projeto Mulheres Inspiradoras seguiu caminho parecido a partir da sala de aula de língua portuguesa. Criado em 2014 por uma professora da rede pública de Ceilândia, no Distrito Federal, o projeto leva estudantes a ler obras de autoras como Carolina Maria de Jesus e Malala Yousafzai e, depois, escrever a história de mulheres de suas próprias famílias e comunidades. A iniciativa foi premiada pela Organização de Estados Ibero-Americanos e pelo Ministério da Educação, e se tornou política pública da Secretaria de Educação do Distrito Federal, hoje presente em dezenas de escolas.</p>
<p>Na educação profissional, o Mulheres Mil, programa do Ministério da Educação em parceria com institutos federais, oferece qualificação técnica a mulheres em situação de vulnerabilidade social, incluindo moradoras de comunidades tradicionais e sobreviventes de violência doméstica. Entre 2023 e 2025, o programa recebeu R$ 216,1 milhões em investimentos, abriu 127,1 mil vagas e chegou a mais de 520 municípios.</p>
<p>Em março deste ano, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançou a Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação, construída ao longo de três anos de diálogo com a sociedade civil. A política prevê editais, bolsas e ações afirmativas para ampliar a presença feminina em carreiras científicas, além da criação de um comitê permanente dentro do ministério para acompanhar a equidade de gênero nas políticas públicas de ciência e tecnologia.</p>
<p>No Brasil, dados do MEC mostram que a virada observada por Gisele em Betim é também nacional: a matrícula de meninas no Ensino Médio público cresceu nos últimos anos, acompanhando o avanço de programas de permanência como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família, cujas condicionalidades de frequência escolar miram dois dos principais motivos de evasão feminina identificados pelo IBGE: trabalho precoce e gravidez na adolescência.</p>
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        <media:title>menina escola</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos, Bruno Torquato]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Avanço das mulheres na liderança no Brasil é maior que em outros países</title>
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      <pubDate>Wed, 24 Jun 2026 15:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A presença feminina em altos cargos de liderança recuou tanto nas grandes corporações como nas empresas de médio porte de forma global. O Brasil, entretanto, seguiu outra via. O país avançou na representatividade feminina na alta gestão, apresentando percentual superior ao da média global. Esse cenário foi traçado pela pesquisa “Woman in Business 2026”, feita pela consultoria Grant Thornton. </p>
<p>O Brasil mostrou avanço na representatividade feminina na alta gestão, alcançando 37,7% de mulheres em posições seniores em 2026, aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. A consultoria global atribui o avanço às alterações previstas na Lei 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 empregados a divulgar salários e critérios remuneratórios em relatórios de transparência a serem enviados ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). </p>
<p>Com isso, o país apresenta um dos menores índices de empresas sem mulheres em cargos de liderança. “Vimos bons avanços aqui no Brasil, mas é importante não estagnarmos neste patamar”, diz Élica Martins, Sócia de Auditoria da Grant Thornton Brasil, em material de divulgação. </p>
<h2>Crescimento na América do Sul</h2>
<p>Por região, a América do Sul segue com o maior percentual de mulheres na alta liderança, alcançando 37,0%, apesar de uma pequena redução de 0,2 ponto percentual em 2026. O Chile se destaca com a aprovação de um projeto de lei que promove a diversidade de gênero em conselhos corporativos. </p>
<p>Ao olhar de forma mais ampla, todas as regiões, exceto a Europa, apresentaram redução no percentual de mulheres na alta liderança em 2026. Na Europa, houve um pequeno aumento de 0,1 ponto percentual, enquanto que a África e a América do Norte registraram quedas superiores a 2,0 pontos percentuais. </p>
<p>A região Ásia-Pacífico continua com o menor percentual geral de líderes mulheres, com 31,8%. Apesar de incluir países de bom desempenho, como Filipinas e Tailândia, também concentra os dois países com os menores índices: Coreia do Sul e Japão. De forma positiva, porém, o Japão registrou um aumento de 3,1 pontos percentuais, superando pela primeira vez o marco de 20%. </p>
<h2>Liderança no setor público </h2>
<p>Com relação à participação feminina na alta liderança da estrutura administrativa federal do Brasil, a pesquisa ‘Perfil das Lideranças no Governo Federal – Recorte de Gênero” mostra um avanço significativo em quatro anos, saindo de 29%, fevereiro de 2022, para 38% em fevereiro de 2026. No total dos cargos de liderança, a presença de mulheres era de 39% em 2022. </p>
<p>Embora a presença feminina ainda não alcance a paridade plena nesse ambiente de trabalho, a trajetória dos últimos anos revela tendência de crescimento gradual, de acordo com a coordenadora-geral de Informações Gerenciais do  Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos  (MGI), Mayara Farias.  </p>
<p>As conquistas nessa esfera são, em boa medida, relacionadas às ações de afirmação do governo. Um exemplo é o que foi estabelecido no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no qual deveria haver equiparação no número de mulheres convocadas em relação aos homens. “Políticas de inclusão e equidade vêm produzindo efeitos, ainda que o caminho para igualdade substantiva permaneça em construção", diz Mayara. </p>
<h2>Custo pessoal e novos desafios</h2>
<p>O avanço feminino em cargos de liderança no país é positivo, mas é preciso notar o custo pessoal para cobrir a diferença competitiva já existente entre homens e mulheres. Há muito tempo que as mulheres em cargos de liderança sofrem mais com a síndrome de burnout. Em 2025, esse sintoma foi identificado em um grupo expressivo de líderes mulheres. Foi o mais alto em muito tempo mostra uma pesquisa da organização Lean In, feita em parceria com a consultoria McKinsey & Company. </p>
<p>A pesquisa "Mulheres no Ambiente de Trabalho 2025" — o maior estudo do gênero, baseado em dados de mais de 120 empresas e 9 mil funcionários — aponta para um momento crucial: o recuo das empresas com o movimento de diversificação de gênero e isso tem levado as mulheres a dobrar seu empenho, o que tem gerado exaustão emocional e profissional. E a inteligência artificial representa uma pressão adicional a esse quadro sintomático. </p>
<p>Os dados mostram que há uma probabilidade 27% maior de homens receberem elogios por seus esforços ao utilizar IA. Já as mulheres receiam ser vistas como trapaceiras ao usarem ferramentas de IA. Em 32% das mulheres entrevistadas, essa é a preocupação.  </p>
<h2>Inteligência artificial</h2>
<p>O estudo não traz recorte sobre o mercado de trabalho brasileiro, mas o que se percebe é que o uso de IA tem se difundido de forma mais positiva entre as profissionais e que a adoção da tecnologia está otimizando de forma consistente o fluxo de trabalho. E não é apenas na carreira, as mulheres estão dinamizando a vida pessoal com os agentes de IA. Só que o equilíbrio entre o uso dessas ferramentas e os demais aspectos pessoais estão em fase de amadurecimento para se alcançar um equilíbrio. </p>
<p>"Estou exercitando a disciplina pessoal para conseguir usar o tempo livre para atividades que não sejam relacionadas ao trabalho. Mas, é complicado porque a IA otimiza os processos e propicia ganho de tempo, só que eu acabo inserindo mais tarefas e isso gera novas ansiedades", diz Tati Oliva, sócia-fundadora da Cross Networking, consultoria de parcerias estratégicas. </p>
<p>Apesar de precisar estar equilirando pratos, a executiva defende o uso da tecnologia.  "Uso a IA para gerar informação, não para gerar confiança. Nada substitui as relações e as experiências presenciais. É a partir disso que geramos dados. Eu pego esses dados e jogo na IA, que mostra caminhos para melhorar o negócio, mas a direção e a visão estratégica é do gestor", afirma. Tati Oliva.</p>
<p>A dificuldade de equilibrar o benefício que a tecnologia propicia com os demais aspectos da vida acaba abrindo novos desafios para as profissionais. Quanto mais informação se consegue alcançar, mais tempo sobra. Só que esse tempo acaba sendo usado para adicionar mais trabalho. “Aí vem a exaustão mental. Eu tenho que me esforçar para usar esse tempo para o meu descanso. Num mundo com excesso de informação, multitelas e ainda por cima uma Copa do Mundo no meio do caminho, a gente não vai dar conta de tudo. Não tem versão otimizada de agenda que resolva isso”, diz Lisiane Lemos, executiva de tecnologia, cofundadora do Instituto Conselheira 101, mentora no Black Founders Fund do Google e professora no MBA de Tecnologia para Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). </p>
<p>Para a gerente médica do grupo de Atenção Primária e Doenças Raras da farmacêutica Daiichi Sankyo Brasil, Renata Gebara, a IA ajuda mais do que atrapalha.  “A inteligência artificial propicia acessar estudos científicos relevantes que são necessários para as minhas pesquisas. A busca é muito mais eficiente, tanto de qualidade dos dados como no design que eles são apresentados. Isso se traduz em mais tempo livre porque eu consigo terminar minhas pesquisas mais rápido e dedicar mais tempo para as crianças e casa. Com relação ao tempo para desenvolvimento pessoal, bom, esse ainda preciso buscar mais tempo”, diz. </p>
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        <media:title>Executivas brasileiras</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Irã agradece Los Angeles por Copa do Mundo 2026</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/ira-agradece-los-angeles-por-copa-do-mundo-2026</link>
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      <pubDate>Mon, 22 Jun 2026 15:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os atletas do Irã deixaram uma emocionante carta de agradecimento à cidade de Los Angeles após o empate de 0 a 0 com a Bélgica na noite de domingo, 21. </p>
<p>O texto, escrito em uma letra caprichosa e com corações desenhados, tem um tom emocional e exalta o desejo de paz,  respeito e amizade da Copa do Mundo. </p>
<h2>"Que a paz e o respeito prevaleçam"</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asdx0k9B1sgMzBidp.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Carta deixada pelos jogadores do Irã no vestiário em Los Angeles. Confira texto na íntegra:

“Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã segue vivo e firme.

Nós viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e deixamos a cidade com dignidade. Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade.

E obrigado a cada iraniano que deu que deu seu coração, sua voz e sua alma pelo Irã durante esse 180 minutos

Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações.” "/>
<p>A  mensagem na íntegra, em português:</p>
<p> “Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã segue vivo e firme</p>
<p>Viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e deixamos a cidade com dignidade. Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade.</p>
<p>E obrigado a cada iraniano que dedicou  seu coração, sua voz e sua alma ao Irã durante esses 180 minutos</p>
<p>Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações.”</p>
<h2>Deslocamento cansativo</h2>
<p>A cidade de Los Angeles recebeu os dois jogos do Irã no Grupo G, sempre indo e voltando de sua concentração baseada em Tijuana, no México. No dia 15, o Irã jogou com a Nova Zelândia, partida que acabou empatada em 2 a 2. </p>
<p>Em ambos os jogos houve massivo suporte da comunidade iraniana que vive nos Estados Unidos, que chegou a exibir antigas bandeiras do país, anteriores ao regime atual, em vigor desde 1979. O próximo jogo no Grupo G, será contra o Egito em Seattle, dia 27.</p>
<p>O esforço de deslocamento, bastante cansativo para os jogadores, foi adotado depois de uma série de restrições envolvendoa estadia do time nos Estados Unidos, uma vez que boa parte dos jogadores e dirigentes iranianos tiveram sua estadia e circulação no país vetada pelo governo americano.</p>
<h2>Negociações complexas</h2>
<p>O conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, com ataques também ao Líbano, está passando por negociações, com um acordo de cessar fogo provisório, depois de intenso conflito armado direto iniciado em fevereiro deste ano. </p>
<p>Em meio a uma situação  extremamente frágil e complexa, representantes do Irã e dos Estados Unidos seguem em reuniões diplomáticas na Suíça, com intermediação do Paquistão e do Catar.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[Daniel Hessel Teich]]></dc:creator>
    </item>
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