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    <title>Global South World Brasil - Povos Originários</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Cacique Raoni, 94 anos, enfrenta câncer agressivo e recebe cuidados paliativos</title>
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      <pubDate>Tue, 15 Sep 2026 18:43:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O cacique Raoni Metuktire, uma das mais conhecidas lideranças indígenas do Brasil e do mundo, enfrenta um câncer agressivo no aparelho digestivo e recebe cuidados paliativos. Ele está em Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, próximo da família. Aos 94 anos, ele conta com assistência domiciliar, segundo informações divulgadas pelo Instituto Raoni.</p>
<p>A condição de saúde é considerada delicada e exige acompanhamento contínuo. Os cuidados são voltados ao controle da dor e de outros sintomas, alimentação, hidratação, fisioterapia, administração de medicamentos e monitoramento de possíveis complicações.</p>
<p>Raoni passou por sucessivas internações ao longo de 2026. Os primeiros sinais que levaram à investigação surgiram após o cacique apresentar dores abdominais persistentes. Exames de imagem identificaram uma alteração na região abaixo do fígado, com suspeita de um processo expansivo intestinal ou hepático em estágio avançado.</p>
<p>O quadro se agravou em junho. No dia 13 daquele mês, Raoni começou a apresentar vômitos intensos e, após atendimento em Peixoto de Azevedo, foi transferido para Sinop. Os exames identificaram uma obstrução no duodeno provocada pelo tumor.</p>
<p>Além da obstrução, o cacique enfrentou desidratação, alterações renais, infecção e pneumonia aspirativa. Diante da complexidade do quadro, médicos de Mato Grosso e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) decidiram transferi-lo para São Paulo.</p>
<h2>Cirurgia confirmou câncer</h2>
<p>Raoni chegou à capital paulista em 19 de junho e, no dia seguinte, passou por uma cirurgia no Hospital São Paulo. Como o tumor estava bloqueando a passagem dos alimentos, os médicos criaram um desvio para contornar a obstrução. O objetivo era permitir que ele voltasse a se alimentar e tivesse mais conforto.</p>
<p>Exames realizados depois da cirurgia confirmaram um tumor agressivo no aparelho digestivo. Diante da idade de Raoni e de outros problemas de saúde, os médicos avaliaram que tratamentos mais agressivos, como uma nova cirurgia de grande porte ou quimioterapia, representariam riscos elevados.</p>
<p>O cacique tem problemas cardíacos, usa marcapasso e também apresenta uma doença pulmonar crônica. Por isso, a equipe optou pelos cuidados paliativos.</p>
<h2>O que são cuidados paliativos</h2>
<p>A partir dessa avaliação, a assistência passou a priorizar os cuidados paliativos. Esse tipo de cuidado não significa interromper a assistência médica. O objetivo é aliviar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos e preservar, tanto quanto possível, a autonomia e a qualidade de vida do paciente.</p>
<p>No caso de Raoni, a estratégia permite ainda que ele permaneça próximo de seu povo, não apenas da família.  </p>
<p>Depois de receber alta do Hospital São Paulo em 14 de julho, o cacique voltou a Peixoto de Azevedo no dia seguinte. Foi montada uma estrutura de atendimento domiciliar com técnicos de enfermagem e fisioterapeuta, além de apoio de nutricionista e supervisão de enfermagem da Casa de Saúde Indígena (Casai).</p>
<p>O Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas da Unifesp também passou a prestar suporte por telessaúde.</p>
<p>No fim de julho, Raoni voltou a ser internado após sofrer uma hemorragia digestiva que provocou perda significativa de sangue. O tratamento incluiu medicamentos e transfusões. Depois de mais de 72 horas sem novos sinais de sangramento ativo, seu estado voltou a ser considerado estável.</p>
<p>O acompanhamento médico é realizado em conjunto com práticas tradicionais escolhidas pelo cacique e por sua família. Raoni é pajé e tem recebido a presença de outros pajés de sua confiança durante o tratamento.</p>
<p>“Neste momento, nossa prioridade é que o Cacique Raoni esteja bem cuidado, confortável e próximo de sua família e de seu povo. Queremos compartilhar essas informações com transparência, mas também pedimos respeito à sua privacidade, ao seu descanso e às decisões de sua família”, afirmou o Instituto Raoni.</p>
<h2>Quase sete décadas de luta</h2>
<p>Conhecido internacionalmente pela defesa dos povos indígenas e da Amazônia, Raoni construiu uma trajetória de quase sete décadas de atuação.</p>
<p>Nascido no início da década de 1930, no nordeste de Mato Grosso, tornou-se uma das principais vozes indígenas do país. Sua projeção internacional cresceu a partir do fim dos anos 1970 e ganhou novo impulso na década seguinte, quando seu encontro com o músico britânico Sting ajudou a ampliar a visibilidade internacional da defesa da Amazônia.</p>
<p>Raoni também participou das mobilizações indígenas durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988 e, em 1989, esteve no centro do histórico encontro de Altamira, que reuniu povos indígenas e apoiadores contra projetos de grandes hidrelétricas no rio Xingu.</p>
<p>Em abril de 2025, recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à aldeia Piaraçú, na Terra Indígena Capoto/ Jarinã, em reconhecimento à sua trajetória na defesa dos povos indígenas, da Amazônia e do meio ambiente.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Facebook - Instituto Raoni</media:credit>
        <media:title>cacique-raoni</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Conheça o primeiro manual de jornalismo indígena do Brasil</title>
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      <pubDate>Sat, 15 Aug 2026 11:25:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Entender as raízes e acompanhar a evolução do povo brasileiro é extremamente importante para disseminar informação sobre o que anda acontecendo nos mais diversos cantos deste país tão diversos. O jornalismo e a educação cumprem parte disso. E agora ganharam uma ferramenta valiosa para explorar essas vertentes a partir da perspectiva indígena.</p>
<p>É o “Poranga Marandúa – Manual de Redação do Jornalismo Indígena”, lançado neste mês na Câmara dos Deputados, em Brasília. </p>
<p>O título não é por acaso.“Boa notícia" é o significado da expressão  Poranga Marandúa,  na língua Nheengatu, da família Tupi-Guarani.</p>
<p>A iniciativa partiu da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), em parceria com mais de 40 povos indígenas. A primeira edição do  Poranga Marandúa  pode ser acessada online, de forma gratuita.</p>
<p>“Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias”, reforça Luciene Kaxinawá, coordenadora da Abrinjor.</p>
<p>Sônia Kaingáng, jornalista indígena pioneira e comunicadora do Inka, reforça que o manual é um instrumento de trabalho para jornalistas de todo o país, mas também um material educativo.</p>
<p>Isso tem um impacto direto nas escolas de jornalismo, como explica a pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré. “Essa é uma grande oportunidade para os currículos, para as ementas dos cursos de jornalismo, incluírem esse manual como uma ferramenta pedagógica de redação antirracista para falar de povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais", defende.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asGLDJeYkDW2aN5xX.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O manual Poranga Marandúa foi criado pela Abrinjor em parceria com mais de 40 povos indígenas."/>
<h2>O objetivo do manual pode ser resumido em dois pontos principais:</h2>
<p>Os organizadores do documento explicam que o manual chega em um momento no qual a comunicação indígena vive um momento de afirmação e crescimento. </p>
<p>É um cenário com mais jornalistas e comunicadores indígenas atuando na grande imprensa, veículos de comunicação indígenas digitais e assessorias de comunicação de organizações indígenas e não indígenas – cobrindo desde questões culturais até pautas políticas. </p>
<p>O manual defende que o jornalismo indígena não é uma editoria ou um jornalismo étnico específico. É, sim, uma prática transversal e integradora, que comunica desde a resistência e denúncia de violações até vivências positivas e afirmativas dos povos indígenas.  </p>
<p>Além disso, promove uma comunicação de pertencimento, pautada na autonomia narrativa, no respeito às lideranças e no compromisso com as gerações futuras.</p>
<p>Aprende-se, por exemplo, que o jornalismo indígena se constrói a partir de três bases fundamentais:</p>
<h2>O que jornalistas não indígenas podem aprender</h2>
<p>O público-alvo, no entanto, não são apenas indígenas jornalistas, mas comunicadores de uma maneira mais ampla.</p>
<p>Isso porque  um dos propósitos do manual é contribuir para que os jornalistas, em geral, ao cobrir a pauta indígena, estabeleçam condutas comprometidas com o combate a injustiças e estereótipos.  </p>
<p>Para tanto, o Poranga Marandúa traz uma série de orientações profissionais da comunicação, no que diz respeito a temas associados aos povos indígenas.</p>
<p>Entre os tópicos destrinchados no manual estão:</p>
<p>“O Poranga Marandúa – Manual de Redação do Jornalismo Indígena é fruto de um processo político, epistemológico e cultural que vem sendo construído pelos povos indígenas ao longo de décadas de luta por reconhecimento, direitos e autodeterminação narrativa.  Ele é a expressão do momento em que os povos indígenas passam ocupar o campo da comunicação como sujeitos da narrativa e não apenas como objetos da notícia”, afirma a  educadora, pesquisadora e gestora pública indígena Rita Potyguara, no prefácio. </p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram/ @lucienekaxinawa</media:credit>
        <media:title>Luciene-Kaxinawa</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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