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    <title>Global South World Brasil - Pesquisa</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Cinco estados e o DF escolhem governadores no 2º turno</title>
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      <pubDate>Thu, 22 Oct 2026 22:25:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Eleitores de cinco estados e do Distrito Federal terão uma decisão a mais a tomar nas urnas neste domingo, 25. Além de escolher entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República, os moradores de Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Distrito Federal definirão quem comandará os respectivos governos pelos próximos quatro anos.</p>
<p>Nessas seis unidades da federação, o eleitor votará primeiro para governador e depois para presidente.</p>
<p>Entre os 12 candidatos que disputam os seis governos ainda indefinidos, três já estão à frente dos respectivos Executivos: Mailza Assis (PP), no Acre; Celina Leão (PP), no Distrito Federal; e Ricardo Ferraço (MDB), no Espírito Santo. Os três assumiram os cargos em 2026, após a saída de seus antecessores, e tentam permanecer no comando dos governos.</p>
<p>Vale mencionar que o Rio de Janeiro quase entrou na lista. Na contagem dos votos do primeiro turno, no dia 4 de outubro, o resultado indicava que Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) iriam para o segundo turno. No entanto, a definição dependia do julgamento sobre a validade dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que teve o registro de candidatura indeferido.</p>
<p>No dia 8, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anulou esses votos. Com a retotalização, Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, vencendo a eleição. No dia 15, o TRE-RJ homologou o resultado.</p>
<p>Como está o cenário?</p>
<p>O instituto Real Time Big Data divulgou na terça-feira, 20, pesquisas com as disputas estaduais que ainda estão abertas. Os levantamentos foram realizados entre 15 e 19 de outubro, com 1.600 eleitores entrevistados em cada unidade da federação, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.</p>
<p>Acre: governadora tenta permanecer no cargo</p>
<p>A governadora Mailza Assis (PP) disputa o segundo turno com o senador Alan Rick (Republicanos). Mailza assumiu o governo em abril, depois que Gladson Cameli deixou o cargo para concorrer ao Senado.</p>
<p>No primeiro turno, Mailza recebeu 49,76% dos votos válidos, enquanto Alan Rick obteve 32,27%.</p>
<p>Na pesquisa Real Time Big Data, Mailza aparece com 50% das intenções de voto, contra 35% de Alan Rick. Brancos e nulos somam 11%, e 4% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.</p>
<p>Amazonas: senador enfrenta candidata do PL</p>
<p>O senador Omar Aziz (PSD) e a professora Maria do Carmo (PL) estão disputando os votos do eleitor amazonense. Aziz já governou o estado entre 2010 e 2014 e tenta retornar ao cargo.</p>
<p>O atual governador é Roberto Cidade (União Brasil), eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa em maio, após a renúncia de Wilson Lima (União Brasil) e de seu vice, Tadeu de Souza (PP). Cidade concorreu ao governo no primeiro turno, mas não avançou para a etapa seguinte.</p>
<p>No primeiro turno, Omar Aziz recebeu 40,63% dos votos válidos, enquanto Maria do Carmo obteve 24,49%.</p>
<p>Segundo a Real Time Big Data, Aziz registra 46% das intenções de voto, contra 41% de Maria do Carmo. Brancos e nulos representam 11%, e 2% não souberam responder.</p>
<p>A diferença entre os candidatos é de cinco pontos percentuais.</p>
<p>Distrito Federal: Celina Leão e Leandro Grass</p>
<p>A governadora Celina Leão (PP) disputa o segundo turno com Leandro Grass (PT). Celina assumiu o governo em 2026, após a saída de Ibaneis Rocha, e busca continuar à frente do Executivo distrital.</p>
<p>No primeiro turno, Celina recebeu 49,93% dos votos válidos, ficando próxima de encerrar a disputa naquela etapa. Leandro Grass obteve 34,47%.</p>
<p>Na pesquisa Real Time Big Data, Celina aparece com 53% das intenções de voto, contra 37% de Grass. Brancos e nulos somam 8%, e 2% não souberam responder.</p>
<p>O Distrito Federal é a única das seis unidades da federação para a qual há duas rodadas do instituto realizadas durante o segundo turno. Na primeira pesquisa, divulgada no dia 14, Celina tinha 53% e Grass, 36%. Assim, Celina manteve o percentual, enquanto Grass oscilou um ponto percentual para cima, dentro da margem de erro.</p>
<p>Espírito Santo: Pazolini e Ferraço disputam governo</p>
<p>O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o atual governador Ricardo Ferraço (MDB) disputam o comando do Espírito Santo. Ferraço, que era vice-governador, assumiu o Executivo estadual em abril, após a renúncia de Renato Casagrande (PSB), que deixou o cargo para concorrer ao Senado.</p>
<p>No primeiro turno, Pazolini recebeu 49,65% dos votos válidos, enquanto Ferraço obteve 34,06%.</p>
<p>Na pesquisa Real Time Big Data, Pazolini aparece com 46% das intenções de voto, contra 43% de Ferraço. Brancos e nulos somam 8%, e 3% não souberam responder.</p>
<p>A diferença de três pontos percentuais configura empate técnico, considerando a margem de erro do levantamento.</p>
<p>Rio Grande do Norte: Allyson Bezerra enfrenta Cadu de Lula</p>
<p>O ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT), ex-secretário da Fazenda no governo de Fátima Bezerra (PT), disputam o governo. Fátima está concluindo seu segundo mandato consecutivo e não pode disputar nova reeleição.</p>
<p>No primeiro turno, Allyson recebeu 36,94% dos votos válidos. Cadu obteve 36,16%.</p>
<p>Na pesquisa Real Time Big Data, Allyson registra 45% das intenções de voto, contra 42% de Cadu. Brancos e nulos representam 9%, e 4% não souberam responder.</p>
<p>Os dois candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro do levantamento.</p>
<p>Tocantins: Vicentinho Júnior enfrenta Professora Dorinha</p>
<p>O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) e a senadora Professora Dorinha (União Brasil) disputam o governo do Tocantins. O atual governador, Wanderlei Barbosa (Republicanos), está concluindo seu segundo mandato consecutivo e não concorre à reeleição. Ele apoia a candidatura de Dorinha.</p>
<p>No primeiro turno, Dorinha recebeu 45,52% dos votos válidos. Vicentinho Júnior ficou com 43,94%.</p>
<p>Na pesquisa Real Time Big Data, Vicentinho Júnior registrou 46% das intenções de voto e Dorinha obteve 42%. Brancos e nulos somam 10%, e 2% não souberam responder.</p>
<p>A diferença de quatro pontos percentuais coloca os candidatos no limite da margem de erro.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Enxurrada de pesquisas eleitorais alimenta reta final da campanha para presidente</title>
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      <pubDate>Wed, 21 Oct 2026 18:56:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pesquisa eleitoral nem sempre acerta, mas tem poder de influenciar voto. E aí pode estar um trunfo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final das eleições deste ano.</p>
<p>Nesta semana que antecede o segundo turno de votação no Brasil (no domingo, 25), há cerca de 28 pesquisas nacionais de intenção de voto registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). </p>
<p>Entre elas, estão levantamentos de institutos mais renomados, como Quaest e Datafolha, e também de empresas pouco conhecidas (e reconhecidas). Sábado (24) é o prazo final para a divulgação desse tipo de levantamento. </p>
<p>Garimpar esse alto volume de pesquisas, divulgadas em tão poucos dias, seria uma das estratégias dos candidatos para explorar dados que favoreçam seus respectivos discursos – principalmente Lula, que busca dialogar com os indecisos.</p>
<p>Nesse caso, vale recorrer a institutos menos conceituados e tirar proveito da grande quantidade de pesquisas espremidas nos poucos dias que antecedem a votação.</p>
<p>Isso porque essa profusão de dados permite suprir as narrativas de ambos os lados, ajudando-os a encontrar números capazes de atenuar cenários desfavoráveis e reforçar a tese de vitória. </p>
<p>Por um lado, o campo de Flávio Bolsonaro aposta na vantagem do senador, que vem se mantendo na dianteira das pesquisas desde o resultado do primeiro turno.</p>
<p>Por outro, a equipe de Lula concentra forças no “vira-voto”, enfocando a redução da diferença entre os candidatos na preferência dos eleitores. Ou seja, o crescimento de Lula.</p>
<h2>Efeito bandwagon pode definir 2º turno?</h2>
<p>Esse recurso de explorar números favoráveis em pesquisas está ligado a estudos acadêmicos sobre o efeito  bandwagon  — a inclinação de parcela dos eleitores em alinhar seu voto ao candidato apontado como favorito. </p>
<p>Em experimento publicado em 2021 no International Journal of Public Opinion Research, o pesquisador Mike Farjam demonstrou que a liderança nas pesquisas conferiu aos candidatos tidos como favoritos um ganho médio de sete pontos percentuais. </p>
<p>O fenômeno se traduz na atração exercida pela perspectiva de vitória, resumida na máxima popular de não desperdiçar o voto.</p>
<p>Trata-se de um caminho particularmente atraente para Lula, que corre atrás dos votos dos indecisos.</p>
<p>Conforme análise de Cila Schulman, CEO do Instituto Ideia, para o Relatório Reservado, o eleitorado indeciso situa-se entre 3% e 4% do total, sendo composto majoritariamente por mulheres da classe C na região Sudeste, afetadas pelo desgaste da polarização política. </p>
<p>Esse percentual é considerado decisivo para definir a margem de vitória na apuração final.</p>
<p>Diante desse cenário, há indicações de que a equipe de campanha do atual presidente tenha intensificado a contratação de mídia paga nas redes sociais da Meta, durante esta semana. O objetivo seria justamente atingir os eleitores mais influenciáveis pelas pesquisas eleitorais.</p>
<p>A projeção aponta um investimento de aproximadamente R$ 3 milhões em publicidade no Facebook e no Instagram, em apenas dois dias. </p>
<p> Nesse cenário, o foco estratégico exige alta precisão no direcionamento digital para alcançar com exatidão o eleitorado que permanece indeciso.</p>
<h2>Empurrão positivo para Lula</h2>
<p>Um fato ocorrido hoje fortalece a estratégia da equipe de Lula e pode elevar a régua dos dados explorados pelo candidato nos próximos dias. </p>
<p>A pesquisa Quaest apresentada nesta quarta-feira (21), que está entre as de maior credibilidade do país, mostrou queda de 1% na intenção de votos para Flávio Bolsonaro, diminuindo a distância entre ele e Lula – mesmo que o empate técnico, já apresentado na pesquisa anterior, se mantenha.</p>
<p>O levantamento mostra Flávio com 45% das intenções de voto (ele tinha 46% na pesquisa do dia 14/10) e Lula com 44% (mesmo percentual da semana passada). </p>
<p>Foram entrevistadas 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, de sábado (17) a terça-feira (20). A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no TSE sob o número BR-08535/2026.</p>
<p>Mais expressivos do que esses números, no entanto, são os percentuais referentes à rejeição aos candidatos. </p>
<p>Segundo a Quaest, a rejeição a Lula caiu de 53% para 47%, enquanto o percentual dos que poderiam votar nele oscilou para cima, de 47% para 49%.</p>
<p>Além disso, há mais mais eleitores com medo do retorno da família Bolsonaro ao poder (a partir de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro). </p>
<p>A Quaest desta quarta-feira (21) revelou que 44% temem a eleição de Flávio, enquanto 42% receiam a continuação de Lula como presidente. Na pesquisa divulgada pela Quaest na semana anterior (no dia 14), ambos apareciam empatados, com 43%.</p>
<p>Também acena positivamente para o time de Lula o resultado da pesquisa espontânea, quando não se apresenta aos entrevistados os nomes dos candidatos. Nesse caso, segundo a Quaest, Lula e Flávio aparecem empatados, com 40% das intenções de votos, cada.</p>
<p>Essa mesma categoria da pesquisa revela que dobrou o número de indecisos – alvo principal da campanha de Lula no momento – passando de 7% para 14%. Em outras palavras, quanto mais pesquisas com dados que ajudem a construir narrativas para conquistar esse público, melhor. </p>
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        <media:credit role="photographer">Mayara Novais</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>O que estudantes esperam da educação em 2027? Pesquisa traz melhorias no ensino e na aprendizagem como prioridades</title>
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      <pubDate>Tue, 20 Oct 2026 18:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Melhorias relacionadas ao ensino e à aprendizagem são a principal expectativa de pelo menos um quarto dos estudantes brasileiros do ensino médio em relação aos  governos que se iniciam em 2027 .  A qualidade do ensino, para esse grupo, está diretamente relacionada à atuação do professor.</p>
<p>O levantamento ouviu 5.296 alunos do  ensino médio  e do ensino fundamental 2 (6° ao 9° ano), nas cinco regiões do país. Segundo eles, tais mudanças devem contemplar:</p>
<p>A pesquisa  O que os estudantes pensam sobre a Educação?  foi encomendada ao Instituto DataFolha pelas fundações Itaú, Lemann, Telefônica Vivo e pelos institutos Natura, Sonho Grande, Unibanco e Todos Pela Educação.</p>
<p>Entre os temas abordados nas perguntas, estão o processo de aprendizagem, a atuação dos professores, educação profissional, uso de tecnologia, educação em tempo integral.</p>
<h2>Desempenho dos professores</h2>
<p>Dados do estudo indicam que a percepção dos estudantes entre 12 e 21 anos sobre a forma como os professores explicam os conteúdos está associada à avaliação que fazem da escola. </p>
<p>Entre os que dizem que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%. </p>
<p>O diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, afirma que os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola.</p>
<p>“É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem.”</p>
<p>Segundo ele, o momento de eleições e o início de novos mandatos trazem oportunidade de revisão de estratégias e de repactuação de compromissos.</p>
<p>“[Nesse contexto], o país precisa acelerar muito o ritmo de crescimento dos indicadores de qualidade educacional.”</p>
<p>Ainda em relação aos professores, na etapa 2 do ensino fundamental, 78% avaliam que os professores estão motivados para dar aulas, enquanto no ensino médio esse número cai para 69%. </p>
<p>A ausência de professores parece ser um problema mais comum também no ensino médio, onde 66% concordam totalmente ou em parte que “há disciplinas que ficam um tempo sem ter professor”. No fundamental2, são 61% os que afirmam o mesmo. </p>
<h2>Ensino técnico</h2>
<p>Mais de 90% consideram importante ter a oportunidade de fazer um curso técnico ou profissionalizante durante essa etapa da educação. </p>
<p>O dado contrasta com o alcance atual da educação profissional e tecnológica: de acordo com o Censo Escolar 2025, cerca de 20% dos estudantes do ensino médio estão matriculados na educação profissional.</p>
<h2>Tecnologia</h2>
<p>A  tecnologia  é percebida como presente na rotina escolar: 70% dos estudantes afirmam que os professores usam tecnologia nas aulas pelo menos uma vez por semana. </p>
<p>A inteligência artificial aparece entre as ferramentas: 71% dizem usar IA com frequência ou às vezes para estudar. Ao mesmo tempo, quase um em cada três estudantes discorda de que seus professores estejam bem preparados para usar tecnologia em sala de aula. </p>
<h2>Tempo integral</h2>
<p>Entre os estudantes que estudam em tempo integral, 74% avaliam a escola como boa ou ótima, ante 68% dos estudantes do ensino regular. A diferença aparece nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.</p>
<p>Entre os benefícios estão mais tempo para aprender, participação em atividades esportivas, artísticas e culturais, preparação para o futuro e mais tempo de estudo para vestibular e para o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem. </p>
<p>Entre os estudantes do ensino médio que afirmam que não estão no tempo integral, 20% dizem trabalhar ou exercer atividade para garantir remuneração.</p>
<p>Para Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, a pesquisa revela que os estudantes têm consciência sobre o que é importante para a escola. </p>
<p>Quando a aprendizagem aparece como prioridade e a formação técnica, a tecnologia, o tempo integral e a possibilidade de escolha ganham relevância, há um recado claro para as políticas públicas, de acordo com a especialista.</p>
<p>“Ouvir os jovens é fundamental para construir respostas mais conectadas à realidade das escolas e garantir condições para que cada estudante e futuro profissional avance em sua trajetória com qualidade, equidade e perspectivas concretas para o futuro.”</p>
]]></description>
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      <dc:creator><![CDATA[Agência Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Unicamp busca voluntários para estudo sobre obesidade, imunidade e envelhecimento</title>
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      <pubDate>Fri, 16 Oct 2026 12:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está recrutando homens e mulheres de 20 a 40 anos, com ou sem obesidade, para participar de uma pesquisa sobre as relações entre gordura corporal, imunidade, metabolismo e envelhecimento. Os interessados devem atender a critérios de saúde como não ter diabetes e não fumar, entre outros. As avaliações serão realizadas na própria universidade.</p>
<p>O recrutamento foi divulgado pelo Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), sediado na Unicamp, e responsável pela pesquisa. O estudo faz parte do projeto “Caracterização cardiometabólica e imunológica de indivíduos com adiposopatias: um estudo translacional”, conduzido pelo pesquisador Marcelo Mori, professor associado do Instituto de Biologia da Unicamp e fundador do Laboratório de Biologia do Envelhecimento e Metabolismo.</p>
<p>O objetivo é compreender melhor como o tecido adiposo, responsável pelo armazenamento de gordura, se relaciona com o sistema imunológico e a saúde metabólica. A investigação poderá contribuir para ampliar o conhecimento sobre os mecanismos que associam a obesidade a alterações no funcionamento do organismo.</p>
<h2>Quem pode participar</h2>
<p>A pesquisa aceita voluntários que atendam às seguintes condições:</p>
<h2>Quais exames serão realizados</h2>
<p>Os participantes passarão por uma ressonância magnética para avaliação do timo, órgão localizado no tórax que desempenha papel importante no desenvolvimento e na maturação de células do sistema imunológico.</p>
<p>Também serão realizadas coletas de sangue para análise de células de defesa do organismo e dosagem de hormônios relacionados ao metabolismo e à composição corporal.</p>
<p>Todas as avaliações ocorrerão no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes (Limed), da Unicamp.</p>
<h2>Por que estudar a relação entre obesidade e imunidade</h2>
<p>A obesidade não se limita ao acúmulo de gordura corporal. O tecido adiposo também participa da produção de substâncias que influenciam o metabolismo e a resposta imunológica. Alterações em seu funcionamento podem estar associadas a processos inflamatórios e a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.</p>
<p>O timo, um dos órgãos avaliados na pesquisa, também sofre mudanças ao longo da vida, com redução progressiva de sua atividade. Investigar essas relações pode ajudar os cientistas a compreender melhor a interação entre obesidade, envelhecimento e funcionamento do sistema imunológico.</p>
<p>O estudo integra as atividades do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades, que reúne especialistas de diferentes áreas para investigar os mecanismos da obesidade e de doenças associadas, além de desenvolver novas abordagens de prevenção e tratamento. O centro recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</p>
<h2>Como se inscrever</h2>
<p>Os interessados devem entrar em contato com a pesquisadora Letícia Figueiredo, responsável pelo recrutamento, pelo  WhatsApp (22) 99787-0914.  Mais informações devem ser obtidas por esse canal.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/  I Yunmai</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Primeira vacina brasileira contra a malária avança para testes em humanos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/primeira-vacina-brasileira-contra-a-malaria-avanca-para-testes-em-humanos</link>
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      <pubDate>Tue, 13 Oct 2026 10:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A primeira vacina brasileira contra a malária deu um passo importante para chegar à população. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde no sábado, 10.</p>
<p>A pesquisa pode abrir caminho para uma nova forma de prevenção da malária, doença que registrou 118.037 casos no Brasil em 2025. A maior parte das infecções ocorre na região amazônica.</p>
<p>Atualmente, existem duas vacinas contra a malária recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), porém elas foram desenvolvidas para combater uma espécie do parasita que é mais comum na África. A Vivaxin atua contra outra, o  Plasmodium vivax , responsável pela maioria dos casos da doença no Brasil e predominante em outros países das Américas e em partes da Ásia.</p>
<p>Embora outras vacinas contra o  Plasmodium vivax  estejam sendo pesquisadas no mundo, nenhuma foi aprovada para uso na população.</p>
<h2>Como serão os testes</h2>
<p>A primeira fase da pesquisa será realizada no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, com 48 voluntários, de 18 a 59 anos, que nunca tiveram malária. A previsão da universidade é que os testes comecem nos próximos meses.</p>
<p>Os participantes receberão três aplicações, com intervalos de 28 dias, e serão acompanhados durante 360 dias. Parte deles receberá placebo, uma substância sem o componente ativo da vacina, para permitir a comparação dos resultados.</p>
<p>Nesta etapa, os pesquisadores querem verificar se a Vivaxin é segura, se provoca reações adversas e se consegue estimular as defesas do organismo contra o parasita.</p>
<p>A eficácia na prevenção da doença será avaliada nas etapas seguintes, com um número maior de participantes. Por isso, ainda não há previsão de quando a vacina poderá estar disponível para a população.</p>
<p>O Ministério da Saúde prevê investir R$ 12 milhões nas três fases de testes clínicos.</p>
<h2>Por que a malária ainda preocupa</h2>
<p>A malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados, conhecidos como mosquitos-prego. Seus principais sintomas são febre, calafrios, suor intenso, dor de cabeça e dores no corpo. Sem tratamento adequado, a doença pode provocar complicações graves e até a morte.</p>
<p>Uma das dificuldades para combater a malária causada pelo  Plasmodium vivax  é que o parasita pode permanecer adormecido no fígado e voltar a provocar sintomas semanas ou meses depois da primeira infecção, mesmo sem uma nova picada de mosquito.</p>
<p>Essa característica favorece as recaídas e dificulta o controle da doença.</p>
<p>Segundo a OMS, o  Plasmodium vivax  foi responsável por aproximadamente 9,9 milhões de casos de malária no mundo em 2024. Nas Américas, provocou 63,1% das infecções estimadas naquele ano.</p>
<p>O Brasil pretende eliminar a transmissão local da malária até 2035. Uma vacina eficaz contra o parasita mais comum no país poderia contribuir para alcançar essa meta.</p>
<h2>Uma vacina desenvolvida no Brasil</h2>
<p>A Vivaxin é resultado de pesquisas iniciadas na USP e desenvolvidas em parceria com o Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas), da UFMG, e o laboratório Cristália.</p>
<p>A vacina busca preparar o sistema imunológico para reconhecer e combater o parasita antes que a doença se desenvolva. Os resultados dos estudos realizados até agora em laboratório e em modelos experimentais permitiram que a pesquisa avançasse para a fase de testes em humanos.</p>
<p>A autorização da Anvisa representa uma nova etapa no desenvolvimento da primeira vacina brasileira contra a malária. Ainda será necessário demonstrar que ela é segura e realmente protege contra a doença antes que possa ser aprovada para uso na população.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Laudemiro Bezerra/ Ministério da Saúde</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Seca extrema na Amazônia pode se tornar nove vezes mais frequente até 2100</title>
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      <pubDate>Sun, 11 Oct 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A seca histórica que atingiu a Amazônia em 2023 e 2024 deixou rios em níveis excepcionalmente baixos, comunidades isoladas, florestas sob estresse e centenas de botos mortos pelo aquecimento das águas. Naquele momento, os efeitos foram associados a um episódio do El Niño, fenômeno natural que altera as temperaturas e as chuvas em diferentes partes do planeta. Agora, uma pesquisa internacional indica que condições climáticas semelhantes poderão ocorrer com frequência crescente nas próximas décadas, mesmo em anos sem El Niño.</p>
<p>O alerta é especialmente preocupante para a Amazônia.  Se as emissões globais de gases de efeito estufa permanecerem elevadas, a probabilidade de secas tão severas quanto as registradas em 2023 e 2024 poderá aumentar até nove vezes até o fim do século. No Nordeste brasileiro, a ocorrência de períodos com chuvas tão escassas quanto as daquele biênio poderá se tornar duas vezes mais provável.</p>
<p>As conclusões fazem parte de um estudo publicado na revista científica  Earth's Future , da União Geofísica Americana (AGU). A pesquisa reuniu cientistas de instituições de diferentes países e teve como autora principal Johanna Van Passel, da Universidade de Ghent, na Bélgica, pesquisadora visitante do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre os coautores está o biólogo Peter Groenendijk, professor do mesmo instituto.</p>
<p>A equipe investigou como o El Niño de 2023 e 2024 afetou as florestas tropicais da América, África e Ásia. Depois, comparou as condições daquele período com projeções climáticas até 2100, considerando quatro cenários de emissões de gases de efeito estufa.</p>
<p>O resultado revela que um evento considerado excepcional pode oferecer uma prévia do clima futuro das florestas tropicais. Em alguns cenários, temperaturas semelhantes às registradas em 2023 e 2024 poderão ocorrer praticamente todos os anos em grande parte dessas regiões, em menos de duas décadas.</p>
<h2>Um El Niño moderado, mas com consequências extremas</h2>
<p>O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico tropical. Esse aquecimento modifica a circulação dos ventos e a distribuição das chuvas, provocando efeitos em diferentes continentes.</p>
<p>No Brasil, costuma favorecer chuvas acima da média no Sul, reduzir as precipitações em partes do Norte e do Nordeste e elevar as temperaturas em diversas regiões.</p>
<p>Nem todos os episódios têm a mesma intensidade. Os de 1982–1983, 1997–1998 e 2015–2016 estão entre os mais fortes já registrados. O fenômeno de 2023–2024, porém, foi considerado moderado segundo um dos indicadores utilizados pelos pesquisadores. Isso não impediu que seus efeitos fossem excepcionalmente graves.</p>
<p>“Durante o El Niño de 2023-2024, a área e a duração dos eventos de seca e de ondas de calor foram as maiores e mais extensas dos últimos 25 anos”, afirmou Johanna Van Passel em entrevista à  Agência Fapesp .</p>
<p>O estudo identificou temperaturas excepcionalmente elevadas em praticamente toda a extensão das florestas tropicais da América, África e Ásia. A seca também foi generalizada: atingiu cerca de 80% dessas áreas. </p>
<p>O dado mais preocupante, porém, está na combinação dos dois fenômenos.  Em 77% das florestas tropicais do planeta, o calor extremo e a falta de chuvas ocorreram simultaneamente durante o El Niño de 2023 e 2024.</p>
<p>Nas áreas afetadas por essa combinação, os pesquisadores identificaram, em média, 6,4 meses de seca e calor extremos ao longo dos dois anos. Isso não significa que as florestas tenham enfrentado mais de seis meses consecutivos nessas condições. </p>
<p>Os cientistas somaram os meses em que os dois fenômenos coincidiram, mesmo quando houve intervalos entre eles.  Os resultados mostram, portanto, não apenas a extensão geográfica do problema, mas também por quanto tempo as florestas ficaram expostas a condições climáticas adversas.</p>
<p>Nas áreas atingidas nas florestas tropicais americanas, os períodos extremos foram mais prolongados. A duração média acumulada chegou a 10,3 meses de seca e a 9,2 meses de seca e calor simultâneos, ao longo dos dois anos. Em partes do centro e do oeste da Amazônia, os registros indicaram condições anormalmente secas durante quase todo o período analisado.</p>
<p>Na comparação com o El Niño de 2015–2016, a seca de 2023–2024 atingiu uma área maior das florestas tropicais americanas e africanas. Nas florestas asiáticas, ocorreu o contrário: a extensão afetada foi menor.</p>
<p>Os pesquisadores relacionam a gravidade do episódio recente à combinação de fatores naturais com o aquecimento global provocado pelas atividades humanas. O El Niño de 2023–2024 ocorreu em um planeta mais quente do que aquele que enfrentou episódios anteriores do fenômeno.</p>
<h2>A Amazônia diante de um novo padrão climático</h2>
<p>A principal preocupação para o Brasil está na combinação entre temperaturas cada vez mais elevadas e a possibilidade de secas mais frequentes.</p>
<p>Os pesquisadores verificaram que o aumento do calor é uma tendência comum às florestas tropicais dos três continentes. As projeções de chuva, entretanto, apresentam diferenças regionais importantes.</p>
<p>Na Bacia do Congo, na África, por exemplo, o risco futuro está associado sobretudo às temperaturas mais altas. Em algumas regiões asiáticas, a probabilidade de secas comparáveis às de 2023–2024 pode até diminuir.</p>
<p>Na Amazônia, o cenário é diferente.  Os modelos indicam aumento tanto da frequência do calor extremo quanto da probabilidade de períodos de chuva excepcionalmente escassa.</p>
<p>Nos dois cenários de emissões mais elevadas, a ocorrência de secas comparáveis às de 2023–2024 poderá se tornar até nove vezes mais provável até 2100.</p>
<p>É importante distinguir essa projeção de uma previsão de que haverá nove secas por década ou de que a floresta ficará permanentemente seca. O cálculo compara a probabilidade futura dessas condições com a frequência estimada para o período de referência, de 2000 a 2024.</p>
<p>O Nordeste brasileiro também aparece nas projeções. Na região, períodos com volumes de chuva tão baixos quanto os registrados durante o último El Niño poderão se tornar duas vezes mais prováveis até o fim do século, nos cenários de emissões mais altas.</p>
<p>Há incertezas importantes. Os próprios autores reconhecem que os modelos climáticos apresentam limitações para representar a disponibilidade de água em algumas regiões, incluindo a Amazônia. Por isso, os números devem ser interpretados como projeções condicionadas aos cenários de emissões, e não como previsões inevitáveis.</p>
<p>Ainda assim, a direção do alerta é clara: quanto maior o aquecimento global, maior tende a ser a exposição da floresta amazônica a condições climáticas capazes de comprometer seu funcionamento.</p>
<h2>O que acontece com uma floresta quando falta água e sobra calor</h2>
<p>As florestas tropicais dependem de um equilíbrio delicado entre chuva, temperatura, umidade do solo e disponibilidade de água para as árvores.</p>
<p>Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e utilizam a energia da luz solar para produzir substâncias necessárias ao seu crescimento. Nesse processo, também liberam vapor de água pelas folhas, ajudando a regular sua temperatura e a umidade do ambiente.</p>
<p>Quando a temperatura aumenta, a atmosfera passa a demandar mais umidade. A água pode evaporar mais rapidamente do solo e ser perdida em maior quantidade pelas folhas, mesmo que o volume de chuva não diminua na mesma proporção.</p>
<p>Se houver água suficiente, as árvores conseguem compensar parte desse efeito. Em períodos prolongados de seca, porém, precisam reduzir a perda de água para sobreviver.</p>
<p>Uma das respostas é fechar pequenas aberturas nas folhas, chamadas estômatos. Isso diminui a transpiração, mas também limita a entrada do dióxido de carbono necessário à fotossíntese.</p>
<p>A árvore passa, então, a produzir menos energia para crescer e manter suas funções.</p>
<p>Em situações extremas, a falta de água compromete o sistema que a transporta das raízes até as folhas. Esse transporte ocorre por estruturas internas chamadas xilema. Quando ele falha, partes da copa podem morrer e, dependendo da intensidade e da duração do estresse, a própria árvore pode não sobreviver.</p>
<p>“O El Niño é um dos grandes moduladores do clima global. Ao procurarmos entender seus impactos, podemos ter diversos outros desdobramentos para as florestas, como compreender mecanismos que levam à mortalidade das árvores”, afirmou Peter Groenendijk à Agência Fapesp.</p>
<p>O estudo chama atenção para outro aspecto: cerca de 80% dos meses de calor extremo identificados ocorreram durante a estação chuvosa.</p>
<p>Isso é relevante porque as chuvas dessa época ajudam a abastecer as reservas de água no solo utilizadas pelas árvores durante os meses mais secos. Se a estação chuvosa também apresentar deficiência de precipitação, a floresta pode começar o período seco seguinte com menos água disponível.</p>
<p>Assim, os efeitos de uma seca não necessariamente terminam quando as chuvas retornam.</p>
<p>A equipe ressalta que ainda há lacunas importantes na compreensão dos mecanismos que levam à mortalidade das árvores sob calor e seca prolongados.</p>
<h2>O risco de a floresta deixar de absorver carbono</h2>
<p>A ameaça não se restringe à sobrevivência das árvores.</p>
<p>As florestas tropicais exercem um papel importante na regulação do clima porque retiram dióxido de carbono da atmosfera e armazenam carbono na vegetação e nos solos.</p>
<p>Enquanto absorvem mais carbono do que liberam, funcionam como sumidouros de carbono, ajudando a reduzir a quantidade desse gás de efeito estufa na atmosfera.</p>
<p>O equilíbrio pode mudar quando as árvores crescem menos, perdem folhas ou morrem em grande quantidade. A decomposição da vegetação morta libera parte do carbono armazenado, e os incêndios podem acelerar esse processo.</p>
<p>Nessas condições, determinadas áreas florestais podem passar temporariamente de absorvedoras a emissoras líquidas de carbono.</p>
<p>Os pesquisadores consideram provável que o calor e a seca de 2023–2024 tenham levado muitas florestas tropicais, ao menos temporariamente, nessa direção. O estudo, entretanto, não mediu diretamente o balanço de carbono de todas as áreas analisadas.</p>
<p>O problema pode se agravar porque a própria floresta participa da manutenção das chuvas.</p>
<p>Ao retirar água do solo e liberá-la na atmosfera, as árvores contribuem para a formação de umidade que poderá retornar em forma de precipitação. A perda de vegetação reduz essa contribuição e pode favorecer condições ainda mais secas.</p>
<p>Forma-se, assim, um mecanismo de retroalimentação:  a seca enfraquece a floresta, a perda de vegetação prejudica a reciclagem de umidade e a redução das chuvas pode intensificar novas secas.</p>
<p>Esse processo preocupa os cientistas porque, se persistir por tempo suficiente, poderá levar à degradação de áreas florestais e comprometer sua capacidade de recuperação.</p>
<h2>O que pode acontecer nas próximas décadas</h2>
<p>Para investigar o futuro, os cientistas combinaram informações de satélites, registros climáticos e projeções de 24 modelos utilizados em pesquisas internacionais sobre mudanças climáticas.</p>
<p>A análise considerou o período de 2000 a 2024 como referência e avaliou diferentes trajetórias possíveis entre 2025 e 2100.</p>
<p>Os quatro cenários utilizados representam desde uma trajetória de emissões relativamente baixas, com reduções importantes dos gases de efeito estufa, até situações em que essas emissões continuam elevadas.</p>
<p>Em todos eles, a probabilidade de temperaturas semelhantes às de 2023–2024 aumenta nas florestas tropicais.</p>
<p>Mesmo no cenário de menores emissões considerado pela pesquisa, os episódios de calor comparáveis aos daquele biênio poderão se tornar pelo menos seis vezes mais prováveis até 2100.</p>
<p>Nos cenários com reduções menos rigorosas, muitas regiões poderão atingir, já a partir da década de 2040, temperaturas médias anuais tão altas quanto as de 2023–2024 praticamente todos os anos.</p>
<p>Isso não significa que haverá um El Niño permanente. A pesquisa procurou justamente identificar a possibilidade de condições climáticas semelhantes ocorrerem independentemente da presença do fenômeno.</p>
<p>Também não significa que as secas acompanharão automaticamente o mesmo ritmo do aumento das temperaturas. Os autores analisaram separadamente as probabilidades futuras de calor e de falta de chuvas, pois a coincidência entre esses extremos envolve incertezas adicionais.</p>
<p>A diferença entre os cenários, entretanto, mostra que a intensidade do aquecimento futuro depende das decisões tomadas em relação às emissões globais.</p>
<h2>Ainda é possível evitar os cenários mais graves?</h2>
<p>A trajetória futura não está definida. Os modelos indicam que o aumento das temperaturas continuará representando um desafio para as florestas tropicais mesmo em um cenário de emissões mais baixas. Mas também mostram diferenças expressivas entre um mundo que reduz rapidamente a liberação de gases de efeito estufa e outro que mantém níveis elevados de emissões.</p>
<p>Na avaliação dos pesquisadores, cortes rápidos e profundos são necessários para impedir que as condições excepcionais de 2023–2024 se tornem cada vez mais frequentes.</p>
<p>A mensagem é especialmente relevante para a Amazônia, onde a elevação das temperaturas se soma ao risco de secas mais intensas, incêndios e perda de vegetação.</p>
<p>O estudo não prevê o desaparecimento da floresta nem estabelece uma data para um eventual colapso do ecossistema. O que demonstra é que as condições climáticas que colocam sua capacidade de recuperação sob pressão poderão se repetir com frequência muito maior.</p>
<p>A seca de 2023–2024, portanto, pode deixar de ser lembrada apenas como um acontecimento excepcional e passar a ser vista como um alerta sobre o clima que as florestas tropicais terão de enfrentar ao longo deste século.</p>
<p>Com Agência Fapesp/ Luciana Constantino</p>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Há um movimento para deslegitimar o voto feminino? Sim, para 47% dos brasileiros</title>
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      <pubDate>Thu, 01 Oct 2026 11:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Dois em cada três brasileiros (67%) já ouviram frases como "mulher não sabe votar" ou "mulher vota com o coração". E, a menos de uma semana do primeiro turno, quase metade (47%), acredita que elas não são comentários soltos, mas parte de um movimento que tenta deslegitimar ou desestimular o voto feminino.</p>
<p>A percepção muda bastante a depender do gênero: 59% das mulheres identificam esse movimento, contra apenas 35% deles. Além disso, o trabalho apontou que 44% dos homens dizem que essa tentativa não existe. Foram ouvidos 1.449 eleitores brasileiros, entre 1 e 4 de setembro.</p>
<p>Os dados são de um estudo realizado pela Hibou, empresa de pesquisa e insights de mercado e consumo, para a plataforma Red é de Sangue – iniciativa do braço ESG da Fresh PR, com apoio da HeForShe Brasil (movimento da ONU Mulheres) e do Sindilegis, o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União, que combate a influência misógina nas redes sociais.</p>
<p>Essa sensação de que estão tentando desqualificar o voto feminino acontece em um ano em que as mulheres somam 52,8% dos 158.745.463 cidadãos aptos a votar em outubro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, elas representam 34,8% das candidaturas registradas para as eleições de 2026, e só duas das 13 candidaturas à Presidência.</p>
<p>Para Ligia Mello, coordenadora da Hibou, o índice alto assusta, mas também tem um lado positivo. "É sinal de que o movimento está acontecendo, mas também de que as pessoas estão atentas", afirma. Segundo ela, o discurso raramente é escancarado. "Ele aparece em pequenas falas, como a de que a mulher é muito emocional".</p>
<h2>Um debate que tomou as redes</h2>
<p>O tema voltou ao debate público em junho, quando o influenciador Paulo Figueiredo, próximo da família Bolsonaro, questionou em uma live a "qualidade" do voto feminino. Depois do episódio, um grupo de deputadas federais pediu à Procuradoria-Geral da República que investigasse se falas desse tipo configuram tentativa de intimidar eleitoras.</p>
<p>Mas esse discurso é antigo, e vem ganhando cada vez mais força na internet. A pesquisa mostra que 47% dos entrevistados já tiveram contato com esse tipo de fala nas redes sociais, mensagens dizendo que mulheres não deveriam votar ou que são manipuláveis. Entre as mulheres, o índice sobe para 62%, quase o dobro do registrado entre os homens, 33%.</p>
<p>"A internet não é o vilão; ela é o meio. Esse discurso sempre existiu. Estamos passando de novo por um movimento dos extremos. Isso é cíclico, não é só o Brasil, é o mundo inteiro", diz Ligia. Para ela, as redes apenas tornaram mais visível algo antigo.</p>
<h2>Homens ouvem, mas não reconhecem</h2>
<p>Fora das redes, os homens são os que mais dizem já ter ouvido comentários misóginos, 69%, contra 66% das mulheres. Ainda assim, só um terço deles diz ter visto esse tipo de conteúdo na internet.</p>
<p>O estudo mostra ainda que 72% das mulheres sentem serem tratadas de forma diferente quando expressam suas opiniões políticas. Entre os homens, esse índice cai para 44%. "As pessoas simplesmente não percebem. Eles não acham que o comentário é misógino, não acham errado dizer que mulher faz drama para tudo. Acham que isso é só a realidade", comenta Ligia.</p>
<p>Embora a lei obrigue os partidos a destinar às candidatas ao menos 30% do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda, cerca de dois terços dos recursos seguem indo para campanhas de homens, que são a maioria dos candidatos, o que reforça o seu peso na política.</p>
<h2>A ideia do "voto emocional"</h2>
<p>A pesquisa revela que 98% dos homens dizem que todos têm a mesma capacidade de avaliar candidatos e propostas. Mas 25% deles concordam, total ou parcialmente, que as mulheres são mais emocionais e que isso pode atrapalhar suas decisões políticas. E um em cada cinco concorda que os homens são mais centrados e votam melhor. Entre as mulheres, esses índices são de 12% e 8%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, questionados sobre quem pesquisa mais antes de votar, só 8% dos entrevistados apontam os homens, contra 22% que apontam as mulheres. A maioria (54%) acha que pesquisam igualmente. Para Ligia, essa contradição tem uma raiz cultural. Ela cita o efeito Dunning-Kruger, em que pessoas com pouco conhecimento sobre um tema superestimam a própria competência.</p>
<p>Segundo ela, os homens tendem a escolher uma bandeira única, como segurança ou redução da maioridade penal, enquanto as mulheres avaliam o conjunto das propostas. "O homem não pesquisa tanto porque acha que já sabe. Ele recebe uma informação sobre o candidato e aquilo basta", diz.</p>
<p>Sobre as 12% de mulheres que concordam com o estereótipo, Ligia acredita que a influência vem menos da internet e mais do círculo próximo: família, amigos, trabalho e parceiro. "Chega uma hora que você acredita e fala: 'é verdade mesmo, eu acho que eu faço drama, não sei se eu sei votar'", acrescenta.</p>
<h2>Silêncio em casa para evitar conflito</h2>
<p>Com a polarização, deixar a política de lado virou estratégia para quase metade dos brasileiros. De acordo com a pesquisa, 47% já deixaram de comentar sobre o assunto ou de declarar o voto para evitar conflito, e isso vale tanto para homens quanto para mulheres.</p>
<p>Ligia relaciona o silêncio delas ao medo. "Existe uma preocupação das mulheres em não gerar conflito, até pelo aumento da violência contra a mulher e do feminicídio", diz. Na prática, segundo ela, muitas preferem não discutir e decidir sozinhas, na cabine de votação.</p>
<p>Entre os entrevistados, 67% dizem já terem votado em um candidato diferente daquele que o parceiro queria. Diante de um pedido do parceiro para votar em alguém, 65% das mulheres dizem que considerariam a opinião, mas decidiriam sozinhas, e 21% afirmam que não mudariam o voto de jeito nenhum.</p>
<p>Entre os homens, esse número é menor, 14%. E 5% deles afirmam que mentiriam sobre o voto para evitar briga. O percentual entre as mulheres é de 1%.</p>
<h2>Pressão psicológica</h2>
<p>Em tese, quase ninguém defende o controle de voto. Nenhum entrevistado, literalmente 0%, acha que o homem deve ter a palavra final nas decisões políticas do casal. Mas, enquanto 87% das mulheres concordam totalmente que o voto de uma mulher pertence só a ela, entre os homens esse índice cai para 78%.</p>
<p>Além disso, só 43% dos homens consideram inaceitável pressionar incessantemente a parceira para que ela mude o voto. Os demais dizem que "depende" (35%) ou que é aceitável (22%). Para Ligia, essa pressão é uma forma de violência psicológica, e o "depende" coloca o homem em uma posição confortável. "É tipo: se ela concordar comigo, tudo bem. Se não concordar, não está tudo bem", diz.</p>
<p>A diferença de tratamento no debate político reforça esse pensamento. Para 70% das entrevistadas, uma mulher que expressa opinião política é chamada de histérica ou emocional, percepção compartilhada por apenas 28% dos homens. A consequência, muitas vezes, é que elas se afastam tanto das discussões quanto das candidaturas.</p>
<h2>Diferentes prioridades na hora de votar</h2>
<p>Questionados sobre o que levam em consideração na hora de votar, 98% dos homens citaram histórico de corrupção do candidato. O índice cai para 83% quando o critério é violência contra a mulher, 74% para nepotismo e 63% no caso de falas machistas.</p>
<p>Entre as mulheres, a prioridade é outra. A grande maioria, 95%, rejeitariam um candidato com histórico de violência contra a mulher e 93% recusariam alguém corrupto, seguido por 82% nepotismo. As falas machistas também aparecem por último, com 80%.</p>
<p>Para Ligia, a baixa rejeição a falas machistas mostra que muitos só reconhecem o machismo mais explícito. "’Seis meses de licença-maternidade é um absurdo’. Eu não sei até que ponto a gente consegue enxergar nos homens brasileiros se eles acham que isso é uma fala machista", comenta.</p>
<p>Nessa mesma lógica, 23% dos homens dizem ignorar falas machistas de candidatos, e outros 14% afirmam ignorá-las às vezes, o que soma pouco mais de um terço do eleitorado masculino. De acordo com Ligia, há candidatos que disputam justamente esse eleitor. "Existe essa população, e existe candidato para esse grupo", comenta.</p>
<h2>Mulheres pesquisam mais</h2>
<p>Apesar do cenário, Ligia diz que a pesquisa trouxe um dado importante: a percepção é de que as mulheres pesquisam mais sobre os candidatos antes de votar, o que o instituto também observa em pesquisas de mercado, seja na compra de um sapato, seja na troca de escola dos filhos. Esse comportamento também se nota na política.</p>
<p>Na avaliação de Lígia, essa autonomia se manifesta sobretudo nas escolhas para deputado e senador, em que há mais opções alinhadas a pautas específicas, como meio ambiente, educação ou combate à violência de gênero. Já nas disputas para presidente e governador, o voto tende a acompanhar o da casa, por falta de alternativas.</p>
<p>O instituto pretende repetir parte das perguntas entre o primeiro e o segundo turno, para comparar a intenção declarada com o voto efetivo.</p>
<h2>Enquete nas comunidades do GSW Brasil no WhatsApp</h2>
<p>Uma enquete enviada às comunidades de mulheres do  Global South World Brasil  perguntou às participantes o que é mais decisivo na escolha de um representante político. </p>
<p>Foram recebidas 113 respostas. Dentre elas, a opção mais votada foi a maior presença de mulheres em cargos de decisão política (28%), quase empatada com escolha pelo item “histórico e posicionamentos anteriores do candidato” (27%). Projetos voltados à autonomia econômica e social da mulher somaram 25% dos votos, e propostas práticas contra a violência e de fortalecimento da rede de apoio, 19%.</p>
<p>"Acho importante olhar o histórico e as propostas para prevenção e proteção de mulheres que sofrem violência doméstica das candidatas", escreveu Ana Lúcia, integrante de uma comunidade. </p>
<p>Para Chelesam, outra participante, o discurso precisa encontrar a prática. “Hoje, para mim, quem quiser subir em púlpito para falar de causas sociais a respeito da mulher, deveria ao menos sentar um dia na porta da delegacia e acompanhar uma mulher agredida para ver a realidade e sair da teoria e da filosofia. Palavras bonitas todos querem ouvir, mas acolher de verdade a vítima de agressão física está faltando muito para isso ser algo admirável”.</p>
<p>“Eu sempre voto em mulher quando está alinhada à minha ideologia. Essa minha postura tem a filosofia de que só uma mulher entende outra mulher”, comentou Maria Werneck, também integrante de comunidade. </p>
<p>Este texto foi atualizado em 01/10/2026 às 16h04.</p>
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        <media:credit role="provider">Imagem criada por IA sobre foto de Fernando Frazão/ Agência Brasil</media:credit>
        <media:title>voto-mulher-urna</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Musculação começa a mudar metabolismo da gordura antes da perda de peso, mostra estudo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/musculacao-metabolismo-da-gordura-estudo</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/musculacao-metabolismo-da-gordura-estudo?feed=Pesquisa</guid>
      <pubDate>Mon, 28 Sep 2026 10:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os resultados da musculação podem começar muito antes de aparecerem no espelho ou na balança. Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que um curto período de treinamento de força foi suficiente para provocar mudanças importantes no metabolismo da gordura de camundongos obesos, mesmo sem que os animais perdessem peso.</p>
<p>Depois de sete sessões de treinamento, mecanismos envolvidos na quebra da gordura estavam mais ativos. Os animais também apresentavam menor quantidade de gordura mesentérica — a localizada ao redor do intestino — e células de gordura menores.</p>
<p>Publicado na revista científica  Life Sciences , o trabalho procurou identificar o que acontece no tecido adiposo no início da prática de exercícios de força, antes que a perda de peso possa, por si só, provocar alterações no organismo.</p>
<p>Os pesquisadores concluíram que o treinamento de curta duração foi capaz de começar a reverter alterações provocadas pela obesidade no metabolismo da gordura. Isso reforça o papel da musculação não apenas no ganho e na preservação da massa muscular, mas também como estratégia para a saúde metabólica.</p>
<h2>O que aconteceu dentro das células</h2>
<p>Para entender o resultado, é preciso olhar para o que acontece dentro de uma célula de gordura. Os adipócitos funcionam como reservatórios de energia: armazenam gordura, principalmente na forma de triglicérides, e podem liberá-la quando o organismo precisa utilizá-la. Esse processo de mobilização da gordura armazenada é chamado de lipólise.</p>
<p>Na obesidade, porém, esse mecanismo pode ficar prejudicado. Foi o que os pesquisadores encontraram nos camundongos obesos sedentários: uma importante engrenagem molecular responsável por colocar a gordura armazenada em circulação estava funcionando abaixo do esperado.</p>
<p>Entre as proteínas envolvidas nesse sistema estão PLIN1, ABHD5 e ATGL. A primeira ajuda a controlar o acesso à gordura armazenada dentro da célula. Diante de determinados estímulos, como o exercício, ela passa por uma alteração que permite liberar a ABHD5. Esta, por sua vez, ativa a ATGL, uma enzima que participa do início da quebra dos triglicérides.</p>
<p>É como retirar uma trava que dificultava o acesso à gordura estocada: depois das sessões de treinamento, esse sistema voltou a ser acionado com maior intensidade.</p>
<p>A musculação aumentou a quantidade de ABHD5 e ativou outros marcadores ligados à lipólise. Ao mesmo tempo, reduziu a expressão do gene  Scd1 , relacionado à formação de gordura. Em outras palavras, os pesquisadores observaram mudanças nas duas pontas do processo: mecanismos associados ao armazenamento ficaram menos ativos, enquanto os envolvidos na quebra da gordura ganharam atividade.</p>
<p>“A população tem uma ideia de que fez musculação por dois meses, não emagreceu e, portanto, não adiantou nada. Mas o que vimos nesse estudo é que, com apenas sete dias de treinamento de força, mesmo quando ainda não havia perda de peso, vias moleculares que favorecem o acúmulo de gordura estavam menos ativas, enquanto aquelas que estimulam a quebra estavam mais ativas”, afirmou  Leandro Moura, professor da Unicamp e um dos autores do estudo, à Agência Fapesp.</p>
<h2>Células de gordura ficaram menores</h2>
<p>A mudança não apareceu apenas nas análises moleculares. Os pesquisadores encontraram menor massa de tecido adiposo mesentérico nos camundongos obesos que se exercitaram em comparação com os obesos sedentários. Os adipócitos também diminuíram de tamanho.</p>
<p>Esse é um dado relevante porque  o tecido adiposo não funciona simplesmente como um lugar onde o corpo guarda calorias. Ele participa da regulação do metabolismo e libera hormônios e outras substâncias que atuam no organismo. Na obesidade, o aumento excessivo dos adipócitos está relacionado à disfunção desse tecido.</p>
<p>O foco dos cientistas foi justamente o tecido adiposo mesentérico, localizado ao redor dos intestinos e utilizado no experimento como modelo de gordura visceral. Em seres humanos, o excesso de gordura visceral — acumulada profundamente no abdôme, ao redor dos órgãos — está associado a maior risco metabólico.</p>
<h2>Por que estudar apenas sete sessões?</h2>
<p>O período curto foi uma escolha importante do experimento.</p>
<p>Os camundongos obesos foram divididos entre animais sedentários e animais submetidos ao treinamento de força. Durante o estudo, ambos continuaram recebendo a mesma dieta rica em gordura. Dessa forma, os pesquisadores procuraram isolar o efeito do exercício e observá-lo antes que o próprio emagrecimento começasse a alterar o metabolismo.</p>
<p>Para simular o esforço de uma sessão de musculação, os animais subiam uma escada carregando uma carga presa ao corpo. O treinamento foi realizado a 70% da capacidade de carga de cada animal.</p>
<p>Ao final das sete sessões, o peso corporal não havia mudado. Dentro do tecido adiposo, porém, as alterações já estavam em curso. O resultado ajuda a mostrar por que a balança não conta toda a história sobre os efeitos do exercício.</p>
<p>“Mesmo que a gente não esteja vendo nada ainda a olho nu, metabolicamente, lá dentro do nosso organismo, várias sinalizações benéficas para a saúde, inclusive para o emagrecimento, estão acontecendo”, reforçou Moura.</p>
<h2>Musculação não serve apenas para ganhar músculos</h2>
<p>Os resultados também acrescentam evidências a uma visão mais ampla sobre o papel do treinamento de força. Estudos anteriores já tinham mostrado que exercícios aeróbicos de curta e longa duração reduzem gordura corporal e ativam proteínas envolvidas na lipólise. Também existiam evidências dos efeitos do treinamento de força realizado por períodos mais longos.</p>
<p>O que faltava compreender era o que acontece logo no início do treinamento de força: se ele seria capaz de acionar esses mecanismos moleculares antes mesmo de aparecer uma redução significativa do peso corporal. É justamente essa lacuna que o estudo procurou investigar.</p>
<p>Para Moura, como declarou à Agência Fapesp,  os achados ajudam a afastar a ideia de que o exercício aeróbico seria destinado ao emagrecimento enquanto a musculação serviria apenas para aumentar músculos. Segundo ele, os dois tipos de exercício ativam vias semelhantes, em intensidades diferentes, e também vias diferentes.  Por isso, a associação dos dois continua sendo a melhor recomendação e a melhor estratégia para quem quer emagrecer.</p>
<h2>Resultado ainda precisa ser confirmado em humanos</h2>
<p>O estudo traz uma limitação fundamental: foi realizado com camundongos, e não com pessoas. Portanto, não é possível concluir que sete sessões de musculação produzirão em seres humanos as mesmas alterações observadas no experimento.</p>
<p>Além disso, foram estudados apenas animais machos, e os pesquisadores analisaram um único depósito de gordura. O próprio artigo ressalta ainda que são necessários novos experimentos para medir diretamente o fluxo de lipídios, já que parte dos resultados se baseia em alterações de genes, proteínas e outros marcadores associados à lipólise.</p>
<p>A equipe pretende agora acompanhar períodos mais longos de treinamento para verificar como essas respostas evoluem quando começa a ocorrer perda de peso. Também estão sendo investigados os efeitos do exercício em outros depósitos de gordura, inclusive o localizado ao redor do coração.</p>
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        <media:credit role="provider">Pixabay/ Steve Buissinne</media:credit>
        <media:title>musculacao-exercicios</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Conheça o tilcayo, primeira espécie de gato selvagem descoberta em mais de um século</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/conheca-o-tilcayo-gato-selvagem-descoberta-seculo</link>
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      <pubDate>Fri, 18 Sep 2026 10:21:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma nova espécie de gato selvagem acaba de entrar para a lista de felinos conhecidos pela ciência. Encontrado nos Yungas bolivianos, região de florestas montanhosas na transição entre os Andes e a Amazônia, o  Leopardus tilcayo  é a primeira espécie de felino descoberta em mais de um século, segundo estudo publicado na revista científica Current Biology.</p>
<p>A descoberta é resultado de um trabalho internacional com forte participação brasileira. Entre os pesquisadores está Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). O estudo também envolve instituições como Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Instituto Pró-Carnívoros e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Genômica da Biodiversidade. Eizirik é um dos autores seniores da pesquisa.</p>
<p>O tilcayo é um felino pequeno. O corpo mede entre 42,5 e 50,5 centímetros e a cauda, de 25 a 26,5 centímetros. A pelagem é marrom-clara, mais escura no dorso, com grandes manchas irregulares, do marrom-escuro ao preto, que lembram as de um leopardo.</p>
<p>O nome nasceu na região. Tilcayo é a denominação usada pela população local para se referir ao animal. Os pesquisadores decidiram preservá-la como nome da nova espécie em reconhecimento à sua importância cultural e regional.</p>
<p>O animal que foi referência para a descrição científica é um macho adulto capturado vivo em 2021 nas proximidades do vilarejo de Arapata, no departamento de La Paz, a 1.570 metros de altitude. Posteriormente, ele foi conduzido ao santuário de vida selvagem Senda Verde, da Bolívia.</p>
<h2>DNA revelou uma espécie diferente</h2>
<p>A aparência, sozinha, não era suficiente para mostrar que se tratava de uma espécie até então desconhecida. Transitam pela região os chamados gatos-tigre, pequenos felinos muito semelhantes entre si, com diferenças discretas nas proporções do corpo e nos desenhos da pelagem.</p>
<p>Os pesquisadores analisaram genomas completos de 38 indivíduos do gênero  Leopardus , incluindo material obtido de espécimes preservados em museus. A comparação genética mostrou que os animais dos Yungas bolivianos formavam uma linhagem própria, diferente das demais.</p>
<p>As análises indicam que a linhagem do tilcayo se separou daquela que deu origem a outros gatos-tigre há cerca de 1,4 milhão de anos. Os pesquisadores relacionam essa história evolutiva às mudanças climáticas e geográficas ocorridas nos Andes durante o Pleistoceno. A fragmentação das florestas montanhosas pode ter contribuído para o isolamento das populações e sua diferenciação ao longo do tempo.</p>
<p>Ainda não se sabe exatamente qual é a área de distribuição da nova espécie. Até agora, os registros confirmados geneticamente estão restritos aos Yungas da Bolívia.</p>
<h2>Cinco espécies de gatos-tigre</h2>
<p>A descoberta do tilcayo faz parte de um resultado mais amplo. O estudo concluiu que o complexo dos gatos-tigre reúne cinco espécies distintas:  Leopardus guttulus ,  Leopardus emiliae ,  Leopardus pardinoides ,  Leopardus tigrinus  e o recém-descoberto  Leopardus tilcayo .</p>
<p>Duas delas têm ocorrência no Brasil. O  Leopardus guttulus  é nativo da Mata Atlântica, enquanto o  Leopardus emiliae  ocorre na Caatinga e no Cerrado. O trabalho traz novas evidências genômicas que sustentam o reconhecimento do  L. emiliae  como uma espécie própria.</p>
<p>A pesquisa também descreveu uma nova subespécie encontrada no Peru, o  Leopardus tigrinus antisuyo . “Antisuyo” faz referência a Antisuyu, uma das quatro grandes regiões administrativas do Império Inca, que abrangia parte dos Andes.</p>
<p>A nova classificação também pode contribuir para a preservação desses pequenos felinos. Ao identificar espécies e subespécies distintas, os pesquisadores fornecem uma base para que cada uma seja estudada e tenha suas necessidades de conservação avaliadas separadamente.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Current Biology / Paola Nogales-Ascarrunz</media:credit>
        <media:title>tilcayo-felino-bolivia</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Violência leva 98% das brasileiras a mudar hábitos e até a abrir mão de trabalhos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/medo-violencia-leva-98-das-brasileiras-a-mudar-habitos</link>
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      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 11:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência e o medo de sofrê-la mudam a rotina de praticamente todas as brasileiras. Uma pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, divulgada nesta quarta-feira, 16, mostra que 98% das mulheres entrevistadas adotam pelo menos uma estratégia no dia a dia para reduzir o risco de violência.</p>
<p>Evitar determinados lugares, deixar de sair à noite, mudar o caminho habitual, compartilhar a localização com alguém de confiança e recorrer a um carro ou moto por aplicativo para não andar pelas ruas estão entre essas estratégias.</p>
<p>Mas as consequências vão além das mudanças na rotina. O medo já levou 45% das mulheres ouvidas pela pesquisa a deixar passar oportunidades de trabalho ou estudo. Outras 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam e 44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.</p>
<p>Os dados fazem parte da pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.</p>
<p>Foram ouvidas 1.500 pessoas acima de 16 anos, de todas as regiões do Brasil, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram realizadas de forma digital, por autopreenchimento. A margem de erro informada é de 2,8 pontos percentuais.</p>
<h2>94% se sentem inseguras</h2>
<p>A sensação de insegurança é quase generalizada entre as mulheres ouvidas. A pesquisa encontrou uma diferença de dez pontos percentuais entre elas e os homens:</p>
<p>94% das mulheres se sentem inseguras diante da violência no dia a dia;</p>
<p>84% dos homens têm a mesma percepção.</p>
<p>Nos deslocamentos pela cidade, a diferença diminui, mas o medo continua muito elevado: 94% das mulheres e 90% dos homens dizem temer a violência nessas situações.</p>
<p>A pesquisa também perguntou à população sobre a vulnerabilidade de homens e mulheres a diferentes formas de violência. As mulheres são percebidas como mais vulneráveis principalmente à violência doméstica, sexual, psicológica e física.</p>
<h2>Quase 8 em cada 10 já sofreram violência</h2>
<p>O medo não aparece isolado das experiências vividas pelas próprias mulheres. Entre as entrevistadas:</p>
<p>78% afirmam já ter sofrido pelo menos um dos tipos de violência investigados;</p>
<p>a violência psicológica é a mais declarada;</p>
<p>6 em cada 10 dizem temer atualmente a violência doméstica.</p>
<p>Os resultados ajudam a explicar por que a preocupação com a segurança acompanha as mulheres em diferentes espaços da cidade.</p>
<h2>Onde elas se sentem menos seguras</h2>
<p>Pontos de ônibus e estações estão entre os locais que provocam maior sensação de vulnerabilidade:</p>
<p>42% não se sentem nada seguras em pontos de ônibus e estações;</p>
<p>41% não se sentem nada seguras em bares, festas e baladas;</p>
<p>33% não se sentem nada seguras dentro do transporte público.</p>
<p>A insegurança acaba interferindo não apenas no lugar aonde as mulheres vão, mas também em quando, como e com quem elas se deslocam.</p>
<h2>Medo interfere em lazer, transporte e trabalho</h2>
<p>A pesquisa dimensiona algumas dessas mudanças:</p>
<p>62% já mudaram hábitos de lazer;</p>
<p>58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam;</p>
<p>56% já escolheram algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo quando o destino era próximo;</p>
<p>45% deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo;</p>
<p>44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.</p>
<p>Para Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, a insegurança é alimentada por experiências concretas de violência, vividas pelas próprias mulheres ou compartilhadas por outras pessoas próximas. “A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades”.</p>
<p>Segundo ela, as brasileiras acabam adaptando trajetos, horários e formas de deslocamento e até escolhas relacionadas ao trabalho, estudo e lazer. “Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira”, diz.</p>
<h2>O que 98% fazem para tentar se proteger</h2>
<p>Quase todas as brasileiras ouvidas — 98% — adotam pelo menos uma das estratégias pesquisadas para reduzir o risco de violência. Algumas medidas já fazem parte da rotina de mais de oito em cada dez mulheres:</p>
<p>90% evitam determinados locais;</p>
<p>88% evitam compartilhar informações pessoais ou a localização nas redes sociais;</p>
<p>84% evitam usar o celular na rua;</p>
<p>83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e horários;</p>
<p>83% evitam sair à noite;</p>
<p>80% evitam utilizar aplicativos bancários no celular quando estão na rua.</p>
<p>Outros comportamentos mostram como a preocupação com a violência interfere diretamente na mobilidade:</p>
<p>77% compartilham a localização com pessoas de confiança;</p>
<p>69% mudam seus trajetos habituais;</p>
<p>66% chamam carro ou moto por aplicativo para não precisar andar pelas ruas;</p>
<p>66% pedem para alguém acompanhá-las quando saem de casa.</p>
<p>Entre outras estratégias, 63% evitam sair com cartão de crédito, 62% utilizam aplicativos com recursos de segurança e 30% andam com um celular reserva.</p>
<p>Há ainda mulheres que adotam medidas específicas de proteção: 27% praticam ou já praticaram técnicas de defesa pessoal e 26% carregam itens de proteção pessoal, como spray de pimenta ou alarme pessoal.</p>
<p>Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, ressalta que o estudo confirma que a insegurança deixou de ser uma percepção ocasional. “Ela se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas”, afirma.</p>
<p>De acordo com Vera, isso mostra que a segurança das mulheres não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania. “Por isso, reforçamos a urgência de políticas públicas que ampliem os canais de denúncia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades que sustentam esse cenário”.</p>
<h2>Decisão nas urnas</h2>
<p>O tema faz diferença nas escolhas eleitorais. Para 78% das mulheres entrevistadas, ter propostas de enfrentamento à violência e ao assédio contra as mulheres nas ruas e no transporte público influenciará a decisão de voto nas próximas eleições.</p>
<p>A cobrança se estende a diferentes esferas do poder público. Para 73% das entrevistadas, as polícias militar e civil têm responsabilidade na prevenção e no enfrentamento da violência, seguidas pelos governos federal e estadual, ambos com 69%, e pelos municípios, com 66%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a atuação das instituições nesse campo recebe avaliações negativas: Legislativo (74%), governo estadual (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%).</p>
<h2>O que as mulheres consideram importante mudar</h2>
<p>A pesquisa também perguntou quais medidas são consideradas importantes para prevenir e enfrentar a violência:</p>
<p>95% defendem a ampliação dos canais de denúncia e apoio às vítimas;</p>
<p>93% consideram importante melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos;</p>
<p>93% defendem a criação ou ampliação de políticas específicas de proteção às mulheres;</p>
<p>93% consideram importantes ações de prevenção, como educação e medidas voltadas à mudança cultural;</p>
<p>92% apontam a redução das desigualdades sociais e econômicas como parte das estratégias de prevenção e enfrentamento da violência.</p>
<p>As respostas mostram que, para as entrevistadas, enfrentar a violência contra as mulheres envolve tanto proteção e atendimento às vítimas quanto mudanças no espaço urbano e ações preventivas.</p>
<p>Crédito da foto no alto:  Depositphots/ Kraken Images</p>
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        <media:credit role="provider">Depositphotos</media:credit>
        <media:title>insegurança-mulher</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pesquisadores brasileiros criam açúcar com baixo índice glicêmico</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/pesquisadores-brasileiros-criam-acucar-com-baixo-indice-glicemico</link>
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      <pubDate>Fri, 11 Sep 2026 17:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pesquisadores brasileiros desenvolveram um açúcar de cana com baixo índice glicêmico, indicador que mede a velocidade com que os carboidratos elevam a concentração de glicose no sangue. A nova formulação não altera o sabor e utiliza antioxidantes extraídos de resíduos de café e amendoim. A tecnologia poderá ser aplicada pela indústria alimentícia. </p>
<p>A inovação foi criada por pesquisadores ligados à Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS), que reúne instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).</p>
<p>A pesquisa buscou criar uma opção com menor impacto sobre a glicemia e aproveitar resíduos gerados pelo setor alimentício.</p>
<p>“Nosso objetivo foi desenvolver um açúcar que pudesse ser absorvido de maneira mais lenta pelo organismo e, ao mesmo tempo, agregasse subprodutos agroindustriais no Brasil, como grãos de café defeituosos rejeitados pela indústria e a pele de amendoim”, explicou Juliana Macedo, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e coordenadora do projeto, à Agência Fapesp.</p>
<p>O pedido de patente já foi depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Desenvolvido na forma de cristais, o ingrediente poderá substituir o açúcar convencional em alimentos processados sem mudanças significativas nas formulações.</p>
<h2>Como funciona o novo açúcar</h2>
<p>Para desenvolver o novo açúcar, a equipe utilizou extratos obtidos da película do amendoim e de grãos defeituosos de café verde, materiais normalmente descartados. Esses resíduos contêm compostos fenólicos, com ação antioxidante, que contribuíram para retardar a digestão dos carboidratos durante os testes.</p>
<p>As substâncias foram adicionadas ao açúcar por meio da cocristalização, técnica que modifica a estrutura dos cristais de sacarose. Uma adaptação no método aumentou em 7,5 vezes a capacidade de incorporação desses materiais. </p>
<p>Regiane de Brito Vieira, integrante do projeto e doutoranda da Unicamp, disse à Agência Fapesp que a mudança aumentou em 7,5 vezes a capacidade de incorporação de material, preservando as propriedades fenólicas do produto. </p>
<h2>Teste com voluntários</h2>
<p>O novo açúcar foi testado em um ensaio clínico com 25 voluntários durante seis dias. Em diferentes sessões, eles consumiram formulações com derivados do café e do amendoim, separados ou combinados, além de amostras usadas para comparação.</p>
<p>A glicemia foi monitorada por duas horas após o consumo. Os resultados preliminares mostraram que a combinação dos ingredientes fez o índice glicêmico da sacarose passar de médio para baixo.</p>
<p>Ainda não há resultados sobre uma possível redução no valor calórico. Macedo afirmou à Agência FAPESP que novos testes serão necessários. “A princípio, supomos que o valor calórico seja igual ao da sacarose convencional. Mas também é possível que esse novo açúcar não seja totalmente absorvido e que exista alguma redução.”</p>
<p>Os próximos estudos devem avaliar os efeitos do açúcar sobre a microbiota intestinal, em parceria com a Universidade de Bolonha, na Itália. A tecnologia está pronta para ser oferecida ao mercado para licenciamento, mas produtos desenvolvidos a partir dela ainda terão de passar pelas etapas regulatórias.</p>
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        <media:credit role="photographer">Juliana Macedo</media:credit>
        <media:credit role="provider"> Juliana Macedo/Reprodução/FAPESP</media:credit>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Ivan Gomes]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Brazil Pulse: 69% dos brasileiros relacionam tarifaço a eleição presidencial</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/brazil-pulse-69-dos-brasileiros-relacionam-tarifaco-a-eleicao-presidencial</link>
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      <pubDate>Fri, 11 Sep 2026 12:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pesquisa Brazil Pulse divulgada com exclusividade pelo  GSW Brasil  nesta sexta-feira, 11, revela que,  para 69% dos brasileiros, o tarifaço imposto pelo governo dos EUA sobre produtos brasileiros impacta as eleições presidenciais .</p>
<p>Aqueles que consideram essa relação direta são 32% dos entrevistados, enquanto 37% responderam que há alguma relação entre as sobretaxas americanas e o pleito de outubro. Para 18%, as duas coisas não estão relacionadas; 13% disseram não saber.</p>
<p>Em sua campanha pela reeleição, o presidente  Lula (PT) tem insistido em associar Flávio Bolsonaro (PL) à retaliação comercial imposta pelo governo Donald Trump  na tentativa de desgastar o principal opositor. Nas pesquisas mais recentes, o '01' ganhou intenções de voto e chegou a superar o petista em simulações de segundo turno. </p>
<p> A primeira rodada do tarifaço,  em julho de 2025, foi anunciada pelo republicano em resposta a uma "caça às bruxas" promovida pelo Supremo Tribunal Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) -- hoje em prisão domiciliar --, de quem é aliado. </p>
<p>Desde então, apesar da negociação conduzida por Lula, novas taxas foram impostas sobre produtos brasileiros. Na avaliação de 38% dos entrevistados pela Brazil Pulse, a  resposta do petista às tarifas foi ruim ou péssima; 30% a consideram ótima ou boa; e 22%, regular .</p>
<p>Assim como no diagnóstico, os brasileiros também se dividem quanto às medidas que deveriam ser adotadas no cenário atual, em que as exportações para os EUA seguem sobretaxadas na base de 25%. </p>
<p>Para 46%, a melhor alternativa é negociar um acordo com a Casa Branca. Outros 31% sugeriram buscar novos parceiros comerciais e reduzir a dependência em relação ao mercado americano, enquanto 9% gostariam de ver uma retaliação comercial à altura. Para 4%, o problema se resolverá sozinho; 9% não souberam responder.  </p>
<h2>Percepção das taxas na 'vida real'</h2>
<p>A pesquisa ainda questionou os brasileiros a respeito do impacto real do tarifaço.  Para 66%, as taxas vão prejudicar a vida dos brasileiros ; enquanto 55% responderam que elas vão atrapalhar diretamente as suas  vidas. Para 13%, a população será beneficiada pelas taxas, enquanto 12% se consideram diretamente beneficiados por elas.</p>
<p>O instuto ouviu 2.000 pessoas com 16 anos ou mais nas 27 unidades da federação por meio de  questionários online . Como os pesquisadores não estabelecem uma seleção -- o que acontece ocorre em abordagens presenciais --, os dados foram ponderados para representar um extrato do eleitorado brasileiro. </p>
<p>A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.</p>
<p>Recém-chegado ao mercado brasileiro, o  Brazil Pulse  é um instituto de pesquisas e inteligência de dados dirigido por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, ex-executivos do Datafolha.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="photographer">ANDREW CABALLERO-REYNOLDS</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Trump e Lula</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Violência doméstica leva 15 mulheres por dia a hospitais no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/violencia-domestica-15-mulheres-por-dia-hospitais</link>
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      <pubDate>Thu, 10 Sep 2026 21:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência doméstica levou, em média, cerca de 15 mulheres por dia a internações em hospitais brasileiros entre 2008 e 2023. O dado faz parte de um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que analisou 90.798 hospitalizações de mulheres de 20 a 59 anos registradas no Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) com diagnósticos relacionados à violência.</p>
<p>Publicado na revista científica “Ciência & Saúde Coletiva”, o estudo “Análise de padrões da violência contra mulheres no Brasil: uma abordagem com aprendizado de máquina não supervisionado” reúne ainda pesquisadores ligados ao Hospital São Paulo e à Fiocruz Mato Grosso do Sul.</p>
<p>Mais do que dimensionar as hospitalizações, os pesquisadores utilizaram técnicas de Inteligência Artificial (IA) para procurar relações que poderiam passar despercebidas em uma base de dados tão extensa. A análise permitiu associar determinados tipos de lesão aos mecanismos de agressão e identificar nove perfis diferentes de internação.</p>
<h2>Mais de oito em cada dez internações foram de urgência</h2>
<p>A gravidade dos casos aparece nas características do atendimento. Das 90.798 internações analisadas, 81,87% ocorreram em caráter de urgência e 67,17% foram em leitos cirúrgicos.</p>
<p>As mulheres de 20 a 29 anos responderam por 34,42% das internações e as de 30 a 39, por 30,44%. Outros 21,21% dos registros eram de pacientes de 40 a 49 anos e 13,93%, de mulheres entre 50 e 59 anos. Assim, quase 65% das hospitalizações se concentraram entre 20 e 39 anos, embora os casos graves apareçam em todas as faixas etárias incluídas na pesquisa.</p>
<p>Em relação à raça ou cor, 35,57% das mulheres foram registradas como pardas, 20,49% como brancas e 4,37% como pretas. Há, no entanto, uma lacuna importante nos dados: em 38,29% das internações, essa informação foi ignorada ou não preenchida.</p>
<p>São Paulo, Bahia e Minas Gerais concentraram juntos 46% dos casos em números absolutos. Quando os pesquisadores consideraram as taxas populacionais, o Rio Grande do Norte apresentou a maior média, de 17,49 internações por 100 mil habitantes, seguido pelo Pará, com 6,49 por 100 mil.</p>
<p>Os autores alertam que essas diferenças não permitem concluir simplesmente que há mais violência nos Estados com taxas mais elevadas. Os números podem ser influenciados pela prevalência das agressões, mas também pelo acesso aos serviços de saúde, pela cobertura assistencial e pela maneira como os casos são registrados.</p>
<h2>Como foi feito o estudo</h2>
<p>Os pesquisadores partiram de 193,4 milhões de internações registradas pelo SUS entre 2008 e 2023. Desse universo, 828.264 continham códigos relacionados à violência e 144.140 correspondiam a mulheres. Depois da aplicação do recorte etário de 20 a 59 anos, a amostra ficou em 90.798 internações.</p>
<p>A equipe utilizou aprendizado de máquina não supervisionado, uma modalidade de inteligência artificial na qual o sistema procura padrões e agrupamentos nos próprios dados, sem receber previamente categorias nas quais cada caso deva ser encaixado.</p>
<p>Uma das técnicas empregadas foi o algoritmo Apriori, usado para descobrir quais diagnósticos apareciam associados com frequência acima do esperado. Dessa forma, os pesquisadores puderam verificar relações entre determinados ferimentos e o mecanismo de agressão registrado na internação.</p>
<p>A segunda técnica foi o LDA (Latent Dirichlet Allocation), método que permitiu agrupar combinações recorrentes de características das hospitalizações — como idade, raça ou cor, Estado, tipo de leito, urgência, diagnóstico e procedimento realizado. Os pesquisadores testaram de dois a 15 agrupamentos e chegaram a nove perfis como a divisão que melhor representava os padrões encontrados na base.</p>
<h2>Lesões nas mãos podem indicar tentativa de defesa</h2>
<p>Uma das relações mais fortes encontradas no estudo envolve traumatismos de músculos e tendões do punho e da mão e agressões com objetos cortantes ou penetrantes. Entre os registros com esse tipo de traumatismo, 69,5% também apresentavam o código correspondente à agressão com objeto cortante ou penetrante.</p>
<p>Segundo os pesquisadores, o padrão pode estar relacionado ao movimento instintivo de colocar as mãos ou os braços à frente do corpo para se defender durante um ataque, mecanismo já descrito em estudos de medicina legal.</p>
<p>Também foi encontrada uma associação entre fraturas do crânio e dos ossos da face e agressões por força corporal: 61,05% dos registros com esse tipo de fratura estavam associados a esse mecanismo. Os autores observam que lesões craniofaciais estão entre os padrões reconhecidos em agressões diretas e repetidas relacionadas a situações graves de violência doméstica.</p>
<p>Ferimentos do tórax também apareceram associados a agressões com objetos cortantes ou penetrantes em 59,01% dos registros da respectiva regra. Nos casos de traumatismo intratorácico, a proporção foi de 57,28%.</p>
<p>Essas relações são estatísticas. Elas não significam que uma determinada lesão seja suficiente, isoladamente, para estabelecer como ocorreu uma agressão, mas mostram combinações que aparecem de forma recorrente nas internações analisadas.</p>
<h2>Perfis mostram diferentes formas de violência</h2>
<p>Outra etapa do estudo separou as hospitalizações em nove perfis recorrentes, mostrando que os casos que chegam aos hospitais apresentam características bastante diferentes.</p>
<p>O grupo mais frequente, responsável por 17,2% das internações, reuniu principalmente mulheres de 20 a 29 anos atendidas com urgência e submetidas a procedimentos cirúrgicos por politraumatismos ou a toracostomia com drenagem pleural, procedimento para retirar ar ou líquido do espaço ao redor dos pulmões. Nesse perfil predominavam mulheres pardas e apareciam diagnósticos de agressão por objeto cortante ou penetrante e traumatismo intratorácico.</p>
<p>Outro grupo, com 13,5% dos casos, reuniu principalmente internações em São Paulo e Minas Gerais, em caráter de urgência, por traumatismos de localização não especificada, agressões por força corporal ou ferimentos múltiplos.</p>
<p>A análise também encontrou um perfil formado por mulheres de 40 a 59 anos, equivalente a 10,8% dos casos. Nele predominavam mulheres brancas de São Paulo e Santa Catarina internadas em leitos cirúrgicos depois de agressões por força corporal ou com objetos contundentes.</p>
<p>Um grupo menor, correspondente a 5,5% das internações, reuniu alguns dos quadros mais graves. Eram principalmente mulheres pardas de São Paulo e Ceará, com registros de agressão por arma de fogo ou exposição a substâncias tóxicas. Nesse perfil apareceram tratamento por envenenamento ou cirurgias de emergência, necessidade de UTI e evolução para morte.</p>
<h2>Casos que não chegam à internação ficam fora da conta</h2>
<p>A taxa de internações por violência contra mulheres se estabilizou a partir de 2012, oscilando entre 2,6 e 3,2 por 100 mil habitantes. Os pesquisadores apontam que esse comportamento pode estar relacionado a avanços na legislação e à ampliação da rede de atendimento às mulheres, mas ressaltam que parte expressiva da violência permanece invisível para os sistemas de saúde.</p>
<p>Esse é um ponto importante para interpretar os números. A pesquisa analisou exclusivamente internações hospitalares registradas no SIH-SUS. Portanto, não entram nas 90.798 ocorrências mulheres atendidas em pronto-atendimento sem internação, na atenção primária nem aquelas que não chegaram ao sistema de saúde.</p>
<p>Os próprios autores citam a subnotificação e o preenchimento inadequado dos códigos de diagnóstico entre as limitações do levantamento. Mudanças ao longo dos anos ou diferenças entre Estados também podem refletir alterações na qualidade dos registros, no acesso e na oferta de serviços, e não necessariamente uma variação real da violência.</p>
<p>Por isso, a média de cerca de 15 por dia representa internações registradas no universo analisado pelo estudo, e não a totalidade das mulheres vítimas de violência doméstica no país.</p>
<h2>Dados podem ajudar profissionais a reconhecer situações de risco</h2>
<p>Ao encontrar combinações recorrentes entre ferimentos, mecanismos de agressão e características das pacientes, os pesquisadores avaliam que esse tipo de análise pode contribuir para aprimorar a vigilância em saúde e auxiliar na identificação de grupos que exigem diferentes formas de atendimento.</p>
<p>O trabalho também pode servir de base para discussões futuras sobre sistemas de informação e ferramentas de apoio à decisão. Os autores destacam especialmente o potencial de utilização dessas informações na Atenção Primária à Saúde, além do planejamento de serviços e de políticas públicas de prevenção.</p>
<p>O estudo, porém, não criou uma ferramenta capaz de prever individualmente se uma mulher sofrerá uma nova agressão. O que a pesquisa faz é identificar e organizar padrões clínicos e epidemiológicos presentes em milhares de internações, que poderão subsidiar o desenvolvimento futuro de instrumentos de vigilância e análise em saúde.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Brasil participa de estudo que busca avançar na cura da hepatite B</title>
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      <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 22:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pesquisadores brasileiros participam de um estudo internacional que pretende avançar na busca de uma cura para a hepatite B, doença que atinge o fígado e pode provocar cirrose e câncer.</p>
<p>O Brasil integra o  Hepatitis B and HIV Cure Consortium  (BICC), consórcio liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Participam também grupos de pesquisa da Índia, Senegal e Uganda.</p>
<p>Por aqui, o trabalho envolve o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p>O consórcio recebeu US$ 24 milhões do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), ligado aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). O financiamento tem duração de cinco anos.</p>
<h2>O que o estudo pretende descobrir</h2>
<p>O estudo internacional prevê reunir 675 participantes: 450 pessoas que vivem simultaneamente com HIV e hepatite B crônica e 225 com hepatite B crônica. No Brasil, serão acompanhados 150 voluntários. Os cientistas querem entender também como o HIV interfere nos mecanismos que poderiam levar ao controle da hepatite B.</p>
<p>Os pesquisadores vão analisar amostras de sangue e tecido do fígado para entender como o vírus se comporta, como o sistema imunológico reage à infecção e por que algumas pessoas conseguem controlar melhor a hepatite B do que outras.</p>
<p>Uma das metas é chegar ao que os pesquisadores chamam de cura funcional. Na prática, significa conseguir manter o vírus sob controle sem a necessidade de tratamento contínuo, ainda que permaneçam vestígios dele no organismo.</p>
<p>Para isso, uma das linhas de investigação acompanhará a redução ou o desaparecimento do HBsAg, uma proteína presente na superfície do vírus. A perda desse marcador durante o tratamento é um sinal de que a infecção está sendo bem controlada.</p>
<p>“Isso poderá fornecer informações cruciais para o desenvolvimento de uma cura funcional para o HBV e, entre as pessoas que vivem com HBV e HIV, ajudar a compreender de que maneira o HIV afeta essa possibilidade de cura”, afirma Chloe Thio, professora da Universidade Johns Hopkins e líder do consórcio.</p>
<h2>Pesquisa brasileira já começou</h2>
<p>No Brasil, 75 dos 150 participantes serão acompanhados pela equipe da infectologista Tânia Reuter, do Hucam-Ufes. O recrutamento começou em julho e, até o fim de agosto, 40 voluntários já tinham sido incluídos. A pesquisadora pretende completar o grupo até o final deste ano.</p>
<p>“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, disse Tânia para a Agência Brasil. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, completou.</p>
<p>A metodologia combina o acompanhamento dos pacientes com análises feitas em laboratório. Além de procurar possíveis indicadores de cura, os pesquisadores querem descobrir fatores associados à evolução da doença e identificar potenciais alvos para novos medicamentos.</p>
<p>Segundo Tânia, as descobertas poderão contribuir para o desenvolvimento de medicamentos capazes de atuar sobre o vírus ou sobre a resposta imunológica do paciente.</p>
<h2>Um milhão de novas infecções a cada ano</h2>
<p>A hepatite B é causada por um vírus que ataca o fígado e frequentemente não provoca sintomas. A infecção pode ser aguda ou tornar-se crônica e, nesse caso, aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 300 milhões de pessoas vivam com hepatite B no mundo e que mais de um milhão de novas infecções ocorram a cada ano.</p>
<p>O vírus pode ser transmitido por relações sexuais sem preservativo, pelo contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.</p>
<h2>Vacina é principal forma de prevenção</h2>
<p>Apesar de ainda não existir uma cura disponível para a hepatite B crônica, há vacina contra a doença. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo SUS a pessoas não vacinadas, independentemente da idade.</p>
<p>A vacinação começa ao nascer. Para crianças, o calendário prevê ainda doses aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos que não foram vacinados, o esquema geralmente é composto por três doses.</p>
<p>O Ministério da Saúde também recomenda o uso de preservativo nas relações sexuais e orienta a não compartilhar agulhas, lâminas ou outros objetos que possam ter contato com sangue.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Aumentar os passos diários ajuda a controlar a asma, aponta estudo da USP</title>
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      <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 16:51:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Aumentar a atividade física no dia a dia pode ajudar no controle da asma. E não precisa ser em uma academia. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que pacientes orientados a caminhar mais e aumentar o número de passos tiveram benefícios semelhantes aos de quem participou de sessões supervisionadas de treinamento aeróbico.</p>
<p>A pesquisa acompanhou 52 adultos, entre 18 e 65 anos, com asma moderada a grave e não controlada. Todos eram fisicamente inativos, praticavam menos de 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e recebiam tratamento médico havia pelo menos seis meses. O estudo foi publicado na revista científica  Pulmonology .</p>
<p>O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com a Unidade de Doenças de Vias Aéreas da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas. A pesquisa recebeu apoio da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>
<p>Os participantes foram divididos por sorteio em dois grupos. Um deles, com 27 pessoas, fez treinamento aeróbico em esteira duas vezes por semana, durante 45 minutos e com orientação profissional.</p>
<p>O outro, com 25 participantes, comparecia uma vez por semana ao Hospital das Clínicas para receber orientações e estabelecer metas para aumentar a atividade física no cotidiano, principalmente por meio de caminhadas. Eles também receberam relógios inteligentes para acompanhar a quantidade de passos. As duas atividades duraram oito semanas.</p>
<p>Antes do início, todos participaram de uma aula sobre a asma, o uso correto dos medicamentos e os benefícios da atividade física.</p>
<h2>Caminhada e treino melhoraram controle da asma</h2>
<p>Ao fim dos dois meses, os dois grupos apresentaram melhora no controle clínico da asma e na qualidade de vida. Os benefícios ainda eram observados quatro meses depois, quando os pesquisadores voltaram a avaliar os participantes. Nenhuma das duas formas de aumentar a atividade física apresentou resultados superiores à outra.</p>
<p>Também houve redução de sintomas respiratórios, de ansiedade e de depressão.</p>
<p>“Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”, afirmou o fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, primeiro autor do estudo, à Agência Fapesp.</p>
<p>A diferença está principalmente na forma de colocar a atividade física em prática. O treinamento aeróbico exige equipamentos e supervisão profissional. Já aumentar as caminhadas e os passos no dia a dia dispensa aparelhos de academia e pode ser mais fácil de incorporar à rotina.</p>
<p>No estudo, porém, os participantes que caminhavam mais não receberam apenas a recomendação de se movimentar. Durante oito semanas, tiveram acompanhamento, orientações e metas semanais para aumentar gradualmente a atividade física.</p>
<h2>Participantes continuaram mais ativos</h2>
<p>Os pesquisadores também mediram quantos passos os participantes davam por dia. Para isso, eles usaram acelerômetros durante sete dias e sete noites em três momentos: antes da pesquisa, ao fim dos dois meses de atividades e quatro meses depois.</p>
<p>No grupo que fez treinamento aeróbico, o número de passos aumentou, em média, 1.537 por dia ao fim dos dois meses. Quatro meses depois, os participantes ainda davam 983 passos diários a mais do que antes do início do estudo.</p>
<p>Entre aqueles orientados a aumentar a atividade física no cotidiano, foram 1.126 passos adicionais por dia ao término das oito semanas. Quatro meses depois, o aumento em relação ao início da pesquisa era de 996 passos diários.</p>
<h2>Caminhada não substitui os medicamentos</h2>
<p>A atividade física foi avaliada como complemento ao tratamento da asma. Os participantes continuaram usando os medicamentos prescritos pelos médicos durante a pesquisa.</p>
<p>“Tanto o treinamento aeróbio como a intervenção são um complemento da medicação. Não podemos jamais parar de fazer uso do tratamento que o médico prescreve”, afirmou Pinheiro à Agência Fapesp.</p>
<p>Os próprios pesquisadores também apontam limites para a interpretação dos resultados. O trabalho reuniu apenas 52 pessoas e analisou um grupo específico: adultos fisicamente inativos com asma moderada a grave e não controlada. A maioria dos participantes era formada por mulheres com sobrepeso ou obesidade grau 1 e apresentava sintomas de ansiedade e depressão, além de baixa qualidade de vida.</p>
<p>Os resultados, portanto, não permitem afirmar que os mesmos efeitos serão observados em todas as pessoas com asma.</p>
<p>Com Agência Fapesp</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Ceará vai ganhar a primeira fábrica de curativos de pele de tilápia do Brasil</title>
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      <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 10:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A cidade de Jaguaribara, a 226 quilômetros de Fortaleza, receberá a primeira fábrica do país dedicada à produção de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. A tecnologia foi desenvolvida no estado, a partir de um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC).</p>
<p>A pesquisa começou em 2015 no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC, com a participação de pesquisadores do Ceará, de Pernambuco e de Goiás. O resultado é um curativo com base em pele de animal aquático e que agora ganha escala industrial. </p>
<p>A fábrica foi viabilizada por meio de uma parceria entre o Governo do Ceará e a empresa Biotec Medical Xenograft Engineering e a escolha da cidade não foi por acaso. Jaguaribara é a maior produtora de tilápia do Ceará e ocupa a 14ª posição no ranking nacional, sendo que a piscicultura sustenta boa parte da economia local. </p>
<p>O empreendimento representa um investimento superior a R$ 52 milhões nos próximos três anos. A expectativa é impulsionar a capacidade produtiva de 180 mil peles processadas mensalmente no início das atividades para 400 mil por mês ao final do terceiro ano. </p>
<p>Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a fábrica deve gerar mais de 200 empregos diretos já no primeiro ano e a previsão é de que os trâmites para sua instalação, incluindo a compra de equipamentos e a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sejam concluídos em até 15 meses. </p>
<p>Manoel Odorico de Moraes Filho, pesquisador e um dos coordenadores do projeto, também acredita que a fábrica "vai colocar a cidade de Jaguaribara no mapa do Ceará, do Brasil e do mundo". </p>
<h2>Como se deu a descoberta </h2>
<p>A tecnologia começou a ser desenvolvida há mais de uma década, em 2015, no NPDM. Os pesquisadores estavam em busca de uma solução para o tratamento tradicional de queimaduras, que até então dependia de sulfadiazina de prata (creme antibiótico de uso tópico) ou de bancos de pele humana, um recurso escasso e caro no país.</p>
<p>A pele humana é doada por familiares próximos de uma pessoa falecida. É o principal método utilizado até hoje. Ela cobre menos de 1% da demanda dos cerca de 500 mil pacientes que sofrem queimaduras todos os anos no Brasil e que seriam elegíveis para esse tipo de tratamento.</p>
<p>Foi aí que a tilápia virou o centro do estudo, pois sua pele tem alta concentração de colágeno tipo 1 e tem características equivalentes à da pele humana. O peixe é um animal de criação rápida, pronto para consumo em seis a oito meses. "A pele da tilápia era o único produto da cadeia produtiva da tilápia que era descartado, jogado no lixo", conta Odorico.</p>
<p>O estudo desenvolveu um processo que usa liofilização (processo avançado de desidratação) e esterilização por radiação gama, o que permite guardar a pele em temperatura ambiente, sem a necessidade de refrigeração. Na hora de usar, basta reidratar o curativo com soro fisiológico.</p>
<h2>Mas o que muda para os pacientes?</h2>
<p>Mais de 350 pacientes já passaram pelo tratamento, com resultados positivos na cicatrização de queimaduras de segundo grau. Diferentemente do curativo tradicional, a pele de tilápia é aplicada uma única vez e retirada apenas quando a cicatrização termina.</p>
<p>Além do conforto com a diminuição das trocas constantes de curativo, os pacientes passam por menos sessões de anestesia e correm menor risco de infecção hospitalar. "O tratamento convencional exige que você substitua o curativo a cada 24h ou no máximo 48h. Então, você imagina uma pessoa queimada, com 30% da área corporal queimada, e você tendo que substituir esse curativo. Imagine a dor que esse paciente vai sentir", explica. </p>
<p>Hoje, a tecnologia já saiu do Ceará e ganhou diferentes aplicações, com seu uso em cirurgias ginecológicas. Já foi utilizada com sucesso em procedimentos de reconstrução vaginal de mulheres transsexuais, com síndrome de Rokitansky (malformação congênita rara que afeta o sistema reprodutivo feminino e que faz com que a menina nasça sem o útero e com ausência total ou parcial do canal vaginal), agenesia vaginal (malformação congênita) e câncer pélvico.</p>
<h2>O próximo passo do estudo</h2>
<p>Em 2017, pesquisadores da UFC inauguraram o primeiro banco de pele de tilápia para uso em tratamentos médicos. Atualmente, estuda-se um potencial subproduto, com o uso do scaffold, ou matriz dérmica acelular da tilápia. </p>
<p>O processo retira quimicamente todas as células da pele do peixe, deixando apenas uma membrana pura de colágeno. "Consegui identificar 48 aplicações em medicina humana, medicina veterinária e em odontologia", afirma Odorico.</p>
<p>O scaffold já foi testado com sucesso em lesões de córnea de cerca de 900 cães e gatos, e agora passa por pesquisas clínicas em córneas humanas. Também está sendo estudado para a reconstrução da dura-máter, a membrana que protege o cérebro, em procedimentos de neurocirurgia.</p>
<h2>Economia bilionária para o SUS</h2>
<p>Fora os pacientes, o Sistema Único de Saúde (SUS) deverá sentir o impacto da tecnologia. Responsável por 93% dos atendimentos a queimados no país, enquanto uma membrana artificial importada custa cerca de R$ 50 por centímetro quadrado, a pele de tilápia sairia por apenas R$ 0,12 por centímetro quadrado, aponta Odorico.</p>
<p>A diferença de preço, multiplicada pela escala de produção industrial, deve representar uma economia bilionária para o setor de saúde, além de otimizar o trabalho das equipes médicas, reduzir o tempo de internação e diminuir o desperdício de insumos descartáveis.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Universidade Federal do Ceará</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pesquisa de polipílula para prevenir o AVC busca voluntários</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/pesquisa-de-polipilula-para-prevenir-o-avc-busca-voluntarios</link>
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      <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 15:20:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma  polipílula , medicamento que reúne  três substâncias em uma única formulação , está no centro de uma  pesquisa com foco na prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC) . O comprimido reúne remédios para hipertensão e colesterol, dois dos principais fatores de risco para a doença. Desde 2025, o  Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, conduz um estudo com voluntários para avaliar a eficácia da abordagem.  Mas ele precisa de mais participantes.</p>
<p>O objetivo é reunir  8,5 mil pessoas, que serão acompanhadas por médicos entre três e quatro anos.  Os pesquisadores procuram por  homens e mulheres com idades entre 50 e 75 anos que nunca tiveram AVC ou infarto e que não façam uso de medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes.</p>
<p>Coordenado pela  neurologista Sheila Martins , chefe do serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, o estudo Promote testa a combinação de rosuvastatina 10 mg, indicada para reduzir o colesterol, e valsartana 80 mg e amlodipina 5 mg, usados contra a pressão alta. </p>
<p>A proposta da polipílula é tornar o tratamento mais simples e prático, facilitando a adesão dos pacientes, além de antecipar os cuidados com a saúde cerebral e cardiovascular.</p>
<p>A pesquisa também avalia estratégias para mudança de hábitos que são fatores de risco para o AVC, caso de fumo, obesidade, sedentarismo e alimentação não saudável.</p>
<p>Já foi realizada uma  primeira fase de testes em humanos, considerada bem-sucedida. Ela envolveu 370 pessoas em Porto Alegre, entre 2020 e 2023.  O projeto, que tem a parceria do ministério via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), conta com outros centros para ampliar o atendimento.</p>
<p>O recrutamento de participantes e o acompanhamento ocorrem em  14 centros de AVC distribuídos por São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre, além do Rio Grande do Sul. Outros centros em todo o país serão incluídos.</p>
<p>"Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção", afirmou a coordenadora para a  Agência Brasil .</p>
<h2>Como é o estudo</h2>
<p>Os voluntários selecionados serão sorteados e divididos em dois grupos. Um irá usar a polipílula e o outro vai receber placebo, que é uma polipílula sem a medicação ativa. </p>
<p>Ao longo de três anos, em média,  será avaliado se esse tratamento reduz o risco de AVC, demência ou piora da memória. E, como desfecho secundário, a pesquisa vai comparar se foi reduzido também o risco de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória.</p>
<p>As informações sobre o processo de participação na pesquisa podem ser obtidas pelo telefone ou  WhatsApp (51) 99935-6911. </p>
<h2>Aplicativo para medir riscos</h2>
<p>O projeto tem um aplicativo, o Riscômetro, que permite ao paciente calcular o risco de ter um AVC, um infarto ou uma doença circulatória e aprender a monitorar a redução dos fatores que predispõe ao problema.  O app foi criado na Universidade da Nova Zelândia e traduzido em 30 línguas, inclusive português.</p>
<p>“Uma coisa importante na fase inicial do estudo foi que as pessoas, usando o aplicativo, puderam mudar seu estilo de vida. Aumentaram a atividade física, por exemplo. Isso é maravilhoso. Elas recebiam mensagens lembrando de fazer atividade física. Quem fumava, parou de fumar. Então, isso motiva as pessoas a mudar para também reduzir o risco”, contou Sheila.</p>
<h2>Alerta no Brasil e no mundo</h2>
<p>O AVC é  a principal causa de morte no Brasil.  De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil,  89.490 pessoas morreram em decorrência da doença no ano passado.  </p>
<p>Em termos globais, a Organização Mundial do AVC estima que  o número de mortes pode crescer até 50% nas próximas décadas , passando de 6,6 milhões de óbitos, em 2020, para cerca de 9,7 milhões, em 2050. </p>
<p>Para a Agência Brasil, a neurologista destacou que  90% dos casos podem ser prevenidos se houver controle dos principais fatores de risco. E o mais importante deles é a hipertensão. </p>
<p>A pressão alta começa a aumentar o risco de AVC a partir de 115 milímetros de mercúrio (mmHg) de sistólica, que é a pressão máxima, e 75 mmHg de diastólica (pressão mínima). A partir daí, quanto maior a pressão, maior o risco.</p>
<p>A pressão arterial sistólica (PAS) se refere à pressão do sangue no momento que o coração se contrai para impulsionar o fluído para as artérias. Já a pressão arterial diastólica (PAD) ocorre no início do ciclo cardíaco e se refere à capacidade de adaptação ao volume de sangue que o coração ejetou. A leitura da pressão arterial é medida por milímetros de mercúrio (mmHg).</p>
<p>Sheila explicou que, normalmente, o que se faz é orientar as pessoas que têm a pressão levemente aumentada a mudar o estilo de vida, diminuir sal na alimentação, fazer atividade física e não abusar do álcool. A médica disse que só a partir de 140 x 90 também é prescrita medicação.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Tecnologia de ponta revela criaturas desconhecidas na costa brasileira</title>
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      <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 15:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Utilizando equipamentos altamente sofisticados, expedições com equipes internacionais revelaram a presença de formas de vida jamais documentadas em áreas remotas do oceano Atlântico, incluindo a costa brasileira.</p>
<p>Também foram identificadas formações geológicas que compõem um ecossistema praticamente inacessível.</p>
<p>Em uma das viagens, concentrada no litoral do Ceará (Brasil), os pesquisadores navegaram pela faixa pelágica intermediária: uma camada aquática situada entre 200 e 1.000 metros de profundidade. </p>
<p>Por ser um ambiente vasto, escuro e inviável para o mergulho tradicional, a investigação exigiu o uso de submersíveis robóticos e varredura a laser. </p>
<p>Essa abordagem permitiu registrar os organismos em seu ecossistema original, sem danificar suas estruturas corporais, extremamente frágeis.</p>
<p>O geocientista marinho Aaron Micallef, do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey, nos EUA, foi o cientista-chefe dessa expedição, que explorou uma região conhecida como Zona de Fratura de Doldrums.</p>
<h2>Confira algumas descobertas e registros do grupo:</h2>
<p>Paralelamente, outra etapa do projeto direcionou o navio de pesquisa para a Zona de Fratura de Doldrums, um abismo oceânico a cerca de 4 mil metros abaixo da superfície. </p>
<p>Apesar da ausência total de iluminação solar e da escassez extrema de nutrientes convencionais, a equipe científica identificou chaminés hidrotermais repletas de atividade biológica, formando um cenário natural tão belo quanto intrigante.</p>
<p>Com um volume massivo de dados acumulados, a comunidade científica prevê anos de trabalho de laboratório para classificar oficialmente todas as espécies e publicar as descrições formais dessa rica biodiversidade marinha.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Pesquisadores estudam drogas que funcionem como um Ozempic para o cérebro</title>
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      <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 11:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Depois de revolucionarem o tratamento do diabetes e da obesidade, medicamentos que atuam sobre mecanismos naturais do organismo podem estar prestes a provocar uma transformação semelhante no tratamento de doenças neurológicas. A nova aposta da indústria farmacêutica são os agonistas da orexina, substâncias que atuam em sistemas cerebrais relacionados ao sono, à vigília, à atenção e à motivação e que começam a apresentar resultados promissores contra a narcolepsia.</p>
<p>A expectativa em torno dessa nova classe de medicamentos levou especialistas a questionarem se a orexina poderia se tornar para o cérebro algo semelhante ao que os agonistas do GLP-1, como os usados no Ozempic, representaram para o metabolismo. A comparação se deve principalmente à possibilidade de atuar diretamente sobre mecanismos fisiológicos relacionados às doenças, em vez de apenas combater seus sintomas.</p>
<p>A orexina é um peptídeo produzido naturalmente pelo organismo e desempenha papel importante na regulação do ciclo de sono e vigília. Segundo o médico e fisiologista francês Christophe de Jaeger, entrevistado pelo site Atlantico, o princípio se aproxima, em alguns aspectos, daquele que transformou os medicamentos GLP-1 em um fenômeno mundial. Esses medicamentos imitam mecanismos ligados à saciedade, fazendo com que os pacientes reduzam a ingestão de alimentos e, consequentemente, percam peso. Essa redução da massa corporal pode contribuir para melhorar doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.</p>
<p>No cérebro, a orexina atua de maneira diferente. Existem dois receptores principais relacionados a ela, OX1 e OX2. O primeiro está mais associado à motivação e aos mecanismos de recompensa, enquanto o segundo tem papel relevante na regulação do sono e da vigília. É justamente sobre o OX2 que se concentram algumas das pesquisas mais avançadas para o tratamento da narcolepsia.</p>
<p>A importância dessa abordagem está na possibilidade de corrigir diretamente um mecanismo biológico associado à doença. Atualmente, pacientes com narcolepsia podem ser tratados com medicamentos como o modafinil, um estimulante utilizado para combater a sonolência excessiva. Os agonistas da orexina, por outro lado, buscam atuar sobre um sistema fisiológico relacionado à própria origem do problema.</p>
<p>Essa diferença abre perspectivas que vão além da narcolepsia. Pesquisadores estudam o potencial do sistema da orexina em condições como hipersonia e outros distúrbios do sono, além de possíveis aplicações relacionadas ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e às dependências. A atuação sobre mecanismos de motivação, recompensa, concentração e vigília explica o interesse crescente nessa área.</p>
<p>O entusiasmo, porém, é acompanhado por obstáculos importantes. Um dos principais desafios é desenvolver moléculas capazes de reproduzir adequadamente a ação dos peptídeos naturais e chegar ao cérebro sem provocar efeitos adversos significativos. Alguns medicamentos experimentais dessa classe já tiveram seu desenvolvimento interrompido depois da identificação de problemas hepáticos.</p>
<p>Para De Jaeger, esse é um dos dilemas enfrentados pela indústria farmacêutica. Os laboratórios precisam desenvolver moléculas que sejam ao mesmo tempo eficazes, seguras e passíveis de proteção por patentes. Alterações feitas para transformar moléculas naturais em medicamentos comercialmente viáveis podem trazer efeitos indesejados que nem sempre aparecem nas fases iniciais dos estudos.</p>
<p>Apesar dessas dificuldades, o potencial comercial e terapêutico ajuda a explicar por que grandes laboratórios passaram a dedicar maior atenção aos peptídeos e polipeptídeos capazes de atuar sobre o cérebro. O precedente dos medicamentos GLP-1 reforça esse interesse. Criados inicialmente para indicações específicas, como diabetes tipo 2 e obesidade, esses tratamentos ganharam enorme projeção por causa de seus efeitos sobre a perda de peso e posteriormente passaram a ser estudados também por seus possíveis benefícios em outras condições.</p>
<p>A expectativa é que algo semelhante possa ocorrer com medicamentos que atuam sobre a orexina. Tratamentos inicialmente desenvolvidos contra a narcolepsia e outros distúrbios do sono poderiam, no futuro, revelar aplicações em diferentes doenças neurológicas e psiquiátricas.</p>
<p>De Jaeger considera possível que pesquisas futuras identifiquem efeitos até mesmo em doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. Por enquanto, porém, essas possibilidades permanecem como hipóteses a serem investigadas, e não como aplicações terapêuticas comprovadas.</p>
<p>A possibilidade de o cérebro viver seu próprio “momento Ozempic”, portanto, ainda depende de avanços científicos importantes. O desafio será encontrar moléculas capazes de combinar eficácia, segurança e viabilidade farmacêutica. Se essa equação for resolvida, os agonistas da orexina poderão abrir uma nova frente no tratamento de doenças cerebrais, substituindo, em alguns casos, medicamentos voltados apenas para controlar sintomas por terapias capazes de atuar mais diretamente sobre os mecanismos biológicos envolvidos nas doenças.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Você sabe qual o gesto de gratidão mais eficaz no mundo, incluindo o Brasil?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/o-gesto-de-gratidao-mais-eficaz-no-mundo</link>
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      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 10:45:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Enquanto a IA explode e as telas digitais ocupam cada vez mais o nosso dia, escrever e  enviar uma mensagem para alguém foi apontado como o gesto mais poderoso na hora de demonstrar gratidão.</p>
<p>O resultado surgiu a partir de uma  pesquisa global com 10 mil voluntários, de 34 países – incluindo o Brasil , onde foram ouvidas 598 pessoas.</p>
<p>O estudo foi publicado na r evista científica PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos , e divulgado pela Agência Fapesp aqui no país.</p>
<p>Foram testadas seis formas de induzir sentimentos de apreço e reciprocidade.</p>
<p>A que menos gerou impacto positivo foi apenas listar cinco coisas pelas quais você se sente grato. E a que teve mais efeito foi escrever e enviar uma mensagem de gratidão para alguém.</p>
<p>De maneira geral, o estudo concluiu que todas as intervenções atingiram resultados positivos, como explicou o psicólogo Paulo Sérgio Boggio, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva.</p>
<p>O que muda é o quanto cada uma funcionou. Segundo Boggio, as mais efetivas foram as que envolveram conexão social explícita.   </p>
<h2>Como diferenças culturais impactaram o resultado</h2>
<p>Boggio foi um dos 36 pesquisadores que assinaram o estudo, representando o Brasil junto com Beatriz Bezerra de Souza, que foi sua orientada. O trabalho internacional teve coordenação de Nicholas Coles, da Universidade da Flórida.</p>
<p>A ideia era exatamente apresentar a maior diversidade cultural possível, subvertendo a tradicional concentração de estudos sobre o tema nos Estados Unidos (ou em outros países ocidentais).</p>
<p>“Mais ou menos 50% dos estudos de gratidão têm origem nos Estados Unidos. A proposta foi fugir um pouco disso e aplicar o teste em países com uma grande variação cultural”, afirmou Boggio para a Agência Fapesp.</p>
<p>Essa pluralidade de entrevistados revelou uma diferença expressiva entre os habitantes dos países incluídos no estudo, no que diz respeito a melhoras geradas pelas práticas sugeridas.</p>
<p>O México, por exemplo, apresentou um impacto significativo nesse sentido. Já na Noruega, no entanto, essas atitudes praticamente não tiveram efeito nenhum. Enquanto isso, o Brasil ficou mais ou menos no meio da lista.</p>
<p>Entre os resultados positivos observados estão aumento no afeto positivo e no sentimento de reciprocidade social, redução do afeto negativo, maior satisfação com a vida, otimismo e menos inveja.</p>
<p>“A gratidão é uma emoção com componente social muito forte. Sentir-se grato aumenta a probabilidade de você ajudar outras pessoas – e não necessariamente a pessoa que te ajudou”, declarou. “Isso gera uma espiral de ajuda entre as pessoas, não obrigatoriamente porque há uma expectativa de ganho direto.”</p>
<p>O próximo passo, para os pesquisadores, é entender essas diferenças entre as respostas de acordo com cada região. E, em alguns casos, agir proativamente para estimular a gratidão em determinados países.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Vitaly Gariev</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estudo mostra que 46% dos negócios de empreendedoras faturam até R$ 3,2 mil por mês</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/46-porcento-dos-negocios-de-empreendedoras-faturam-r-3-2-mil-por-mes</link>
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      <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 23:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O cotidiano de uma mulher empreendedora envolve diversos desafios. Entre eles, tocar o negócio sozinha. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME) em parceria com a consultoria Tewá 225. O trabalho revela que 70% das entrevistadas cuidam de suas empresas sem ter nenhum funcionário.  </p>
<p>Divulgado às vésperas do Dia Nacional da Mulher Empresária, celebrado nesta segunda-feira, 17, o estudo "Empreendedoras e Seus Negócios 2026" apresenta um cenário de intensa sobrecarga para elas. Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, citados na pesquisa, o país tem hoje quase 10 milhões de empresas ativas lideradas por mulheres.</p>
<p>São profissionais que vendem roupas, cortam cabelo, cozinham e prestam serviços diversos no dia a dia, muitas vezes sem nem chamar isso de "empreender". </p>
<p>A pesquisa ouviu 1.176 empreendedoras de todos os estados brasileiros por meio de questionário, além de 95 mulheres em 15 grupos focais e cinco especialistas e representantes de organizações. O levantamento tem margem de erro máxima de 3,1%.</p>
<h2>O preço de empreender sozinha</h2>
<p>A informalidade atinge quase um terço das empreendedoras: 31,9% das entrevistadas não têm CNPJ, e o motivo mais citado é o custo dessa formalização (resposta de 38,9% das participantes do estudo). A situação pesa de forma desigual sobre as mulheres negras, com 42,8% ainda na informalidade, contra 24,5% das brancas. Sem isso, elas ficam mais vulneráveis e fora de linhas de crédito, licença-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria.</p>
<p>Ainda assim, a série histórica da pesquisa mostra que a formalização via MEI subiu de 37,1% em 2024 para 40,1% em 2026, e o acesso a crédito quase dobrou em três anos, de 25% das empreendedoras em 2023 para 47,8% em 2026, puxado principalmente por capital de giro. </p>
<p>Porém, por trás disso ainda está uma defasagem na renda. Segundo o estudo, 43,5% das empreendedoras dizem que menos da metade do que ganham em casa vem do próprio negócio, o que as deixa dependentes de salário, benefícios ou outras fontes. </p>
<p>Dentre as entrevistadas, mais da metade (54,7%) começou a empreender por necessidade, e não por oportunidade. O estudo revela que 38% têm faturamento insuficiente para cobrir os custos do próprio negócio e nove em cada dez não conseguem sobra para reinvestir ou poupar. A pesquisa aponta que 46,6% dos negócios têm faturamento médio mensal de até R$ 3.242.</p>
<h2>Os desafios continuam</h2>
<p>Na análise da série histórica, alguns dos principais desafios relatados pelas empreendedoras pioraram desde 2024, primeiro ano do levantamento. Hoje, marketing e divulgação representam a maior queixa (51,9%), com um aumento contínuo nos últimos três anos. </p>
<p>A parte de gestão financeira também cresceu, com 42,3% considerando um empecilho para o crescimento do negócio, aliado à fidelização de clientes e acesso a crédito. </p>
<p>Segundo o estudo, 72,2% das empreendedoras usam a internet para divulgar o que vendem, mas não se veem como criadoras de conteúdo, estando presentes na web por necessidade e empilhando mais uma função na rotina.</p>
<h2>O trabalho de cuidado invisível</h2>
<p>Quase três em cada quatro empreendedoras (73,8%) são mães e 42,4% delas criam os filhos sozinhas. O impacto disso no negócio é direto: mais de 80% já interromperam o próprio trabalho para cuidarem de alguém, e 74,2% fazem isso sem nenhuma rede de apoio não institucional, seja de parceiro, família ou ajuda paga.</p>
<p>“Às vezes tem dia que a gente tem de abrir mão: ou é a família ou é o comércio, isso acontece direto”, resumiu uma participante de um grupo focal do Sudeste ouvida pela pesquisa.</p>
<p>Além do peso do cuidado, 57,3% dessas mulheres são as principais provedoras de suas famílias, muitas vezes sustentando a casa e o negócio ao mesmo tempo, sem intervalo entre as duas jornadas.</p>
<h2>Quem são elas</h2>
<p>Dentre as empreendedoras entrevistadas, 52,3% se consideram negras (pretas e pardas), a maioria em todas as edições da pesquisa desde 2021, enquanto 57,9% chegaram ao ensino superior e 36,6% concluíram pós-graduação. </p>
<p>A faixa etária predominante é de 30 a 49 anos (59,1%). Desde 2024, porém, a proporção de empreendedoras com 70 anos ou mais quintuplicou, chegando a 5% em 2026.</p>
<p>Apesar da sobrecarga, informalidade e desigualdade, 70,1% das empreendedoras se dizem confiantes e 66,7%, otimistas quanto ao futuro dos seus negócios. "Quando as mulheres prosperam financeiramente, tendem a reinvestir na educação dos filhos, na família e na comunidade ao redor", resume Ana Fontes, fundadora e presidente da RME, no relatório.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pandemias artificiais: IA já consegue projetar vírus inexistentes na natureza. Entenda como e por quê</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/ia-ja-consegue-projetar-virus-inexistentes</link>
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      <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 12:58:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A inteligência artificial (IA) atingiu um novo patamar na biologia ao se demonstrar capaz de  projetar vírus funcionais voltados para o combate a bactérias . A conquista, fruto de pesquisas lideradas pela  Universidade de Stanford e pelo Arc Institute , resultou na criação de genomas virais inéditos, gerados por modelos computacionais. </p>
<p>Após serem sintetizados em laboratório, esses vírus comprovaram sua eficácia ao eliminar bactérias-alvo em testes reais.  O avanço abre portas promissoras para a medicina . Por outro lado,  acende um alerta sobre os riscos do uso indevido dessas tecnologias na geração de patógenos perigosos.</p>
<p>Na verdade, a manipulação e a reconstituição de sequências de DNA não são conceitos novos. São praticadas desde os primórdios da biologia molecular e da engenharia genética, que fundamentam abordagens como a terapia gênica. </p>
<p>O grande diferencial do atual experimento está no papel desempenhado pela inteligência artificial, como explica Laurent Foiry, doutor em genética molecular e biólogo. Ele é autor do livro “ Les faux savants Plongée au cœur du complotisme scientifique ” (“Cientistas falsos: uma análise profunda do coração das teorias da conspiração científica", em tradução livre).</p>
<p> Segundo Foiry, a IA altera o panorama científico em duas frentes centrais: </p>
<p>Como grande parte do DNA não é codificante – isto é, não produz proteínas diretamente –, a tecnologia otimiza a concepção dessas sequências complexas e simplifica drasticamente o processo de construção. Apesar do feito, Foiry destaca que a taxa de sucesso da pesquisa ainda é modesta, com 16 acertos em 285 tentativas.</p>
<p>Ele explica que vírus são estruturas inanimadas relativamente simples e com genomas curtos, o que torna sua modelagem menos complexa do que a de sistemas biológicos mais avançados. </p>
<p>Para que o vírus funcione, é necessário reunir elementos de infecção, reprodução e proteção celular, etapa em que a IA atua como um potente otimizador e acelerador.</p>
<h2>Os riscos e o enfraquecimento das barreiras de entrada</h2>
<p>A possibilidade de surgirem vírus inéditos e até pandemias artificiais figuram no debate científico desde a consolidação da engenharia genética. Esse debate foi intensificado nos últimos anos com as discussões sobre a origem do vírus da Covid-19 e pesquisas de "ganho de função". </p>
<p>No entanto, na era da IA, a evolução acelerada das ferramentas computacionais e biológicas reduziu significativamente as barreiras técnicas e financeiras de entrada.</p>
<p>Tecnologias de biologia molecular tornaram-se acessíveis e de baixo custo, com grande parte dos insumos e equipamentos disponíveis em catálogos comerciais. </p>
<p>Esse cenário reduz a complexidade prática das manipulações biológicas, criando o risco real de que agentes mal-intencionados reúnam os meios necessários para desenvolver organismos nocivos.</p>
<p>Nesse contexto, a IA pode abrir caminho para avanços extraordinários, como o direcionamento celular preciso, tratamentos customizados e até vacinas personalizadas.  No entanto, Foiry alerta que a sua capacidade de iterar sucessivamente até atingir um resultado ideal também pode ser aplicada para conceber organismos capazes de burlar o sistema imunitário e os tratamentos existentes.</p>
<h2>Ética, regulamentação e o papel da comunidade científica</h2>
<p>Diante dessa dupla face da tecnologia, a busca por um equilíbrio entre os benefícios terapêuticos e o controle de riscos vai além do rigor científico, recaindo principalmente no campo da ética. Particularmente, na ética científica.</p>
<p>“Esse debate existe há muito tempo”, diz Foiry. “Quando eu ainda era estudante, a clonagem já gerava muita controvérsia. Após o nascimento da ovelha Dolly, houve uma corrida para clonar diferentes espécies. Mas nunca apresentaram evidências de que um ser humano havia sido clonado”.</p>
<p>Em termos de fiscalização, a regulamentação atual apresenta fortes lacunas e ainda muitas diferenças de acordo com cada país.</p>
<p>Foiry ressalta que, como costuma ocorrer com inovações muito aceleradas, as leis surgem com atraso e criam pontos cegos difíceis de verificar. </p>
<p>Nesses cenários, a responsabilidade ética do próprio cientista torna-se a principal linha de defesa.  Isso exige reflexão contínua sobre a legitimidade das pesquisas e a consulta a órgãos de tutela no setor público ou o cumprimento estrito do enquadramento jurídico no setor privado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o arcabouço legislativo precisa evoluir de forma equilibrada, para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas sem inviabilizar o progresso. </p>
<p>Para Foiry, o debate central antecede as leis, e deve ser profundamente ético. Segundo ele, a sociedade precisa definir até onde está disposta a ir em nome do avanço científico para fundamentar a futura regulamentação de uma realidade que já se faz presente.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Atlantico.fr]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pais estão menos presentes na criação dos filhos, aponta estudo</title>
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      <pubDate>Sun, 09 Aug 2026 14:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A percepção de ser um "bom pai" está mais atrelada à presença no dia a dia dos filhos do que educar/orientar com limites, mostra um levantamento feito pelo Instituto Nexus, com mais de duas mil pessoas. Apesar da participação ser considerada relevante para a criação dos filhos, metade dos entrevistados acredita que os pais da atualidade estão menos presentes do que nas gerações anteriores.</p>
<p>"O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa”, avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. O estudo fez a avaliação com 2.013 pessoas (homens e mulheres) de diferentes faixas etárias e em diferentes regiões do país para identificar como estão as relações parentais nos dias de hoje. </p>
<h2>"Bom pai"</h2>
<p>Na definição prática do que é ser um “bom pai”, a característica 'ser presente no dia a dia' é a mais importante para 49% dos entrevistados. Na sequência, 19% acreditam que educar/orientar com limites é a segunda principal característica de ser um 'bom pai'. Em terceiro está demonstrar carinho e afeto (8%), depois está dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%).  </p>
<p>A presença diária é o fator mais relevante para definir um 'bom pai' entre 53% das mulheres. Entre os homens (45%), essa característica não é a mais relevante. A imposição de limites na educação e orientação é tida como o principal atributo por 21% do público masculino e 17% do feminino.  </p>
<p>O convívio paterno no dia a dia é visto como mais importante entre a população de 25 a 40 anos (56%) e a de 16 a 24 anos (55%). Os mais velhos consideram a educação a caraterística mais importante. O índice é superior entre a faixa de 41 a 49 anos (24%) e de 60 anos ou mais (26%).</p>
<p>Quanto à importância na paternidade, 81% dos homens a classificam como alta ou muito alta no desenvolvimento dos filhos, em comparação com 73% das mulheres. </p>
<h2>Participação dos pais</h2>
<p>Para a maioria das mulheres (56%), os pais participam menos na criação dos filhos do que antes. Entre os homens, a percepção é outra. Para 44% deles, participação dos pais é maior atualmente, enquanto outros 44% afirmam que diminuiu.</p>
<p>Ao analisar as faixas etárias, observa-se que 82% dos jovens de 16 a 24 anos de idade a consideram importante. Por outro lado, esse reconhecimento reduz-se para 62% entre as pessoas com 60 anos ou mais.</p>
<p>"O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática", avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. </p>
<p>(Com Agência Brasil) </p>
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        <media:title>Pais</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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      <title>Estudo de dez anos mostra o peso da desigualdade social na prática de exercícios</title>
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      <pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros, em parceria com cientistas de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido, mostra que, na última década, embora tenha aumentado a parcela de moradores que praticam alguma atividade física, há uma importante desigualdade no acesso às atividades físicas durante o tempo livre, o que afeta, sobretudo, as pessoas em situação de maior vulnerabilidade social. Com foco em São Paulo, a pesquisa foi publicada no periódico científico  International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity .</p>
<p>Ao acompanhar 978 moradores da capital paulista por dez anos, entre 2014 e 2024, os pesquisadores identificaram que pessoas com maior vulnerabilidade social — mulheres, indivíduos pertencentes a grupos raciais ou étnicos minoritários e com baixa escolaridade — têm menor prevalência de atividade física de lazer do que homens brancos com ensino superior. E o mais preocupante: essa distância, que já era grande no início do estudo, ficou ainda maior com o passar dos anos.</p>
<h2>Como o estudo foi feito</h2>
<p>A pesquisa usou dados do ISA — Inquérito de Saúde de São Paulo: Atividade Física e Ambiente, um estudo de longo prazo que investiga como características do ambiente urbano influenciam comportamentos. As informações foram coletadas em três ondas: a primeira entre 2014 e 2015, com entrevistas presenciais; a segunda entre 2020 e 2021, feita por telefone devido à pandemia de covid-19; e a terceira entre 2023 e 2024, combinando entrevistas presenciais e por telefone. Eles informaram a frequência e a duração de atividades como esportes e exercícios, e a de deslocamentos a pé.</p>
<p>A atividade física foi medida por meio de um formulário chamado IPAQ (Questionário Internacional de Atividade Física). É um instrumento padronizado e validado para uso no Brasil, que investiga separadamente dois domínios: a atividade física de lazer (exercícios, esportes, caminhada por prazer) e a atividade física de deslocamento, nesse caso restrita à caminhada como forma de locomoção para o trabalho, a escola ou outros compromissos.</p>
<p>Para a análise principal, os pesquisadores consideraram como praticantes os participantes que relataram ao menos dez minutos semanais de atividade em cada domínio.</p>
<p>O diferencial metodológico do estudo está na forma como ele mediu a desigualdade social. Em vez de olhar separadamente para sexo, raça/cor ou escolaridade — como costuma ser feito na maioria das pesquisas —, os autores construíram um índice combinado, batizado de Índice de Vulnerabilidades Múltiplas. A lógica por trás do conceito é que essas características não atuam isoladamente: elas se sobrepõem e se multiplicam, criando níveis de vulnerabilidade que uma análise isolada de cada fator não conseguiria captar.</p>
<p>O índice atribuiu pontuações a cada participante: 0 para homens, 1 para mulheres; 0 para pessoas brancas, 1 para pessoas negras, pardas, indígenas, asiáticas ou que se identificaram com outras categorias raciais; e de 0 a 2 para escolaridade, do ensino superior completo até o ensino fundamental incompleto. A soma desses pontos gerou uma escala de 0 (menor vulnerabilidade: homem, branco, com curso superior) a 4 (maior vulnerabilidade: mulher, de grupo racial ou étnico minoritário, com baixa escolaridade).</p>
<p>Os cientistas, então, usaram modelos estatísticos multinível — que consideram a repetição das medidas ao longo do tempo, dentro de cada indivíduo, e a localização geográfica dos participantes — para testar a associação entre esse índice e a prática de atividade física nos dois domínios estudados.</p>
<h2>O que os dados mostraram</h2>
<p>Ao longo da década, a prática de atividade física de lazer cresceu de forma geral entre os paulistanos: de 38% dos participantes no início do estudo para 51,4% na última medição. A caminhada para transporte também aumentou, passando de 61,8% para 71,6%. À primeira vista, os números parecem positivos — e são. O problema é a distribuição desse ganho.</p>
<p>Quando os pesquisadores cruzaram esses números com o Índice de Vulnerabilidades, ficou claro que o crescimento não foi igual para todos. No início da pesquisa, a prática de atividade física de lazer era de 51% entre o grupo menos vulnerável e de apenas 29% entre o grupo mais vulnerável — uma diferença já expressiva. Dez anos depois, essa diferença se ampliou: 65% no grupo menos vulnerável contra 39% no mais vulnerável.</p>
<p>De acordo com o estudo, quanto maior o número de fatores de vulnerabilidade acumulados, menor a chance de praticar atividade física de lazer, numa gradação estatisticamente significativa.</p>
<p>Segundo os autores, a prática de exercícios não deve ser tratada exclusivamente como uma decisão individual. Afinal, o acesso ao lazer ativo é influenciado pela disponibilidade de tempo, pela renda, pelas condições de trabalho, pela divisão das tarefas domésticas e de cuidado, pela segurança e pela oferta de parques, praças e instalações esportivas. No caso de mulheres socialmente vulneráveis, elas podem enfrentar jornadas de trabalho extensas, empregos precários e maior responsabilidade pelo cuidado de crianças, idosos e pela manutenção da casa.</p>
<p>Já a atividade física de deslocamento (caminhar para ir a algum lugar) não apresentou essa mesma desigualdade. Isso não quer dizer que esse tipo de atividade seja mais "democrático", mas sim que ele muitas vezes não é uma escolha — é uma necessidade, ligada à falta de acesso a transporte motorizado ou a proximidade forçada entre moradia e destino, uma condição que atinge diferentes grupos sociais por razões distintas.</p>
<h2>O que isso revela sobre o Brasil urbano</h2>
<p>Os resultados confirmam, com evidência de dez anos de acompanhamento, algo que estudos transversais (feitos em um único momento) já vinham sugerindo: a atividade física de lazer no Brasil segue sendo, em grande medida, um privilégio de grupos socialmente favorecidos. O acesso a ambientes seguros, tempo livre, infraestrutura de lazer, flexibilidade no trabalho e redes de apoio social — fatores que facilitam a prática de exercícios — não está distribuído de forma equânime pela cidade.</p>
<p>A pesquisa situa São Paulo dentro de um panorama mais amplo do Sul Global. Os autores citam evidências semelhantes vindas da Colômbia, do México, da Índia, de países africanos e do Chile, reforçando que a combinação entre desigualdade estrutural, urbanização desigual e barreiras de gênero e raça é um padrão que se repete em diferentes contextos de países de renda baixa e média.</p>
<h2>Caminhos possíveis a partir dos achados</h2>
<p>O estudo também aponta direções para políticas públicas. Os autores defendem o que chamam de "universalismo proporcional": em vez de políticas genéricas de incentivo à atividade física, que tendem a beneficiar primeiro quem já tem mais acesso a recursos, as intervenções deveriam ser dimensionadas de acordo com o nível de vulnerabilidade social de cada grupo, priorizando investimento onde a barreira estrutural é maior.</p>
<p>Entre os caminhos estão investimentos em espaços públicos de lazer seguros, oportunidades acessíveis de atividade física e sistemas inclusivos de mobilidade, além de ações articuladas entre planejamento urbano, transporte, educação, segurança pública e proteção social. Os autores também recomendam que essas ações estejam alinhadas às metas de atividade física da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como forma de dar sustentabilidade de longo prazo a esse tipo de política.</p>
<p>O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e a pesquisadora principal recebeu ainda uma bolsa da  Bridge Global Health Partnership , parceria entre as universidades de Birmingham e Illinois.</p>
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        <media:title>esporte no parque</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Cesarianas avançam no SUS mesmo em gestações de baixo risco, aponta estudo</title>
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      <pubDate>Wed, 08 Jul 2026 18:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As cesarianas estão ganhando espaço no Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo entre gestantes de baixo risco, aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.</p>
<p>Publicada em março na revista Einstein, a pesquisa analisou partos hospitalares de baixo risco realizados no SUS entre 2009 e 2023. No período, os partos por via vaginal caíram 39%, enquanto o número absoluto de cesarianas aumentou 3%. Com isso, a participação dos partos cirúrgicos subiu de 32,4% para 44,6% dos nascimentos, apesar das políticas públicas de incentivo ao parto vaginal.</p>
<p>O avanço ocorreu em todas as regiões do país, com diferenças importantes entre os estados. O Nordeste, historicamente associado a menores índices de cesariana, registrou crescimento expressivo. Roraima foi a única exceção, com queda na taxa de partos cirúrgicos, de 19,4% para 6,8% em 14 anos.</p>
<p>O estudo também aponta impacto sobre o sistema de saúde. As cesarianas estiveram associadas a maior tempo de internação e maior financiamento público por procedimento. “Quando pensamos no volume absoluto de nascimentos no país, o aumento progressivo das cesarianas representa também um aumento importante da carga financeira e estrutural sobre o sistema de saúde”, afirma Eduardo Felix Santana, ginecologista, obstetra, professor do Einstein e um dos autores do artigo.</p>
<p>Embora a cesariana seja essencial quando há indicação clínica, o procedimento sem necessidade pode aumentar riscos para mães e bebês. Entre as mulheres, estão hemorragia, infecção, trombose, complicações anestésicas, recuperação mais lenta e problemas em gestações futuras. Para recém-nascidos, a cesárea eletiva, especialmente antes do início do trabalho de parto, está associada a maior risco de desconforto respiratório, internação em UTI neonatal e alterações na formação inicial da microbiota intestinal.</p>
<p>Entre mulheres com 40 anos ou mais, os pesquisadores observaram piores indicadores hospitalares, especialmente no grupo das cesarianas. O estudo registra mortalidade hospitalar numericamente maior para partos cirúrgicos nessa faixa etária, embora sem significância estatística.</p>
<p>Para os autores, o avanço das cesarianas revela desafios estruturais, culturais e logísticos persistentes no SUS. O artigo defende o fortalecimento da atenção primária, a ampliação dos Centros de Parto Normal e o uso mais criterioso da cesariana, de forma a equilibrar segurança, acesso e qualidade da assistência materna no país.</p>
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