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    <title>Global South World Brasil - Pesquisa</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Brasil participa de estudo que busca avançar na cura da hepatite B</title>
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      <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 22:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pesquisadores brasileiros participam de um estudo internacional que pretende avançar na busca de uma cura para a hepatite B, doença que atinge o fígado e pode provocar cirrose e câncer.</p>
<p>O Brasil integra o  Hepatitis B and HIV Cure Consortium  (BICC), consórcio liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Participam também grupos de pesquisa da Índia, Senegal e Uganda.</p>
<p>Por aqui, o trabalho envolve o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p>O consórcio recebeu US$ 24 milhões do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), ligado aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). O financiamento tem duração de cinco anos.</p>
<h2>O que o estudo pretende descobrir</h2>
<p>O estudo internacional prevê reunir 675 participantes: 450 pessoas que vivem simultaneamente com HIV e hepatite B crônica e 225 com hepatite B crônica. No Brasil, serão acompanhados 150 voluntários. Os cientistas querem entender também como o HIV interfere nos mecanismos que poderiam levar ao controle da hepatite B.</p>
<p>Os pesquisadores vão analisar amostras de sangue e tecido do fígado para entender como o vírus se comporta, como o sistema imunológico reage à infecção e por que algumas pessoas conseguem controlar melhor a hepatite B do que outras.</p>
<p>Uma das metas é chegar ao que os pesquisadores chamam de cura funcional. Na prática, significa conseguir manter o vírus sob controle sem a necessidade de tratamento contínuo, ainda que permaneçam vestígios dele no organismo.</p>
<p>Para isso, uma das linhas de investigação acompanhará a redução ou o desaparecimento do HBsAg, uma proteína presente na superfície do vírus. A perda desse marcador durante o tratamento é um sinal de que a infecção está sendo bem controlada.</p>
<p>“Isso poderá fornecer informações cruciais para o desenvolvimento de uma cura funcional para o HBV e, entre as pessoas que vivem com HBV e HIV, ajudar a compreender de que maneira o HIV afeta essa possibilidade de cura”, afirma Chloe Thio, professora da Universidade Johns Hopkins e líder do consórcio.</p>
<h2>Pesquisa brasileira já começou</h2>
<p>No Brasil, 75 dos 150 participantes serão acompanhados pela equipe da infectologista Tânia Reuter, do Hucam-Ufes. O recrutamento começou em julho e, até o fim de agosto, 40 voluntários já tinham sido incluídos. A pesquisadora pretende completar o grupo até o final deste ano.</p>
<p>“A hepatite B não tem cura, esse é o grande objetivo global”, disse Tânia para a Agência Brasil. “O primeiro objetivo é eliminar as hepatites virais, no nosso caso aqui, eliminar a hepatite B como problema de saúde pública até 2030”, completou.</p>
<p>A metodologia combina o acompanhamento dos pacientes com análises feitas em laboratório. Além de procurar possíveis indicadores de cura, os pesquisadores querem descobrir fatores associados à evolução da doença e identificar potenciais alvos para novos medicamentos.</p>
<p>Segundo Tânia, as descobertas poderão contribuir para o desenvolvimento de medicamentos capazes de atuar sobre o vírus ou sobre a resposta imunológica do paciente.</p>
<h2>Um milhão de novas infecções a cada ano</h2>
<p>A hepatite B é causada por um vírus que ataca o fígado e frequentemente não provoca sintomas. A infecção pode ser aguda ou tornar-se crônica e, nesse caso, aumentar o risco de cirrose e câncer de fígado.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 300 milhões de pessoas vivam com hepatite B no mundo e que mais de um milhão de novas infecções ocorram a cada ano.</p>
<p>O vírus pode ser transmitido por relações sexuais sem preservativo, pelo contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.</p>
<h2>Vacina é principal forma de prevenção</h2>
<p>Apesar de ainda não existir uma cura disponível para a hepatite B crônica, há vacina contra a doença. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo SUS a pessoas não vacinadas, independentemente da idade.</p>
<p>A vacinação começa ao nascer. Para crianças, o calendário prevê ainda doses aos 2, 4 e 6 meses. Para adultos que não foram vacinados, o esquema geralmente é composto por três doses.</p>
<p>O Ministério da Saúde também recomenda o uso de preservativo nas relações sexuais e orienta a não compartilhar agulhas, lâminas ou outros objetos que possam ter contato com sangue.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Aumentar os passos diários ajuda a controlar a asma, aponta estudo da USP</title>
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      <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 16:51:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Aumentar a atividade física no dia a dia pode ajudar no controle da asma. E não precisa ser em uma academia. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que pacientes orientados a caminhar mais e aumentar o número de passos tiveram benefícios semelhantes aos de quem participou de sessões supervisionadas de treinamento aeróbico.</p>
<p>A pesquisa acompanhou 52 adultos, entre 18 e 65 anos, com asma moderada a grave e não controlada. Todos eram fisicamente inativos, praticavam menos de 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada a vigorosa e recebiam tratamento médico havia pelo menos seis meses. O estudo foi publicado na revista científica  Pulmonology .</p>
<p>O trabalho foi desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com a Unidade de Doenças de Vias Aéreas da Divisão de Pneumologia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas. A pesquisa recebeu apoio da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>
<p>Os participantes foram divididos por sorteio em dois grupos. Um deles, com 27 pessoas, fez treinamento aeróbico em esteira duas vezes por semana, durante 45 minutos e com orientação profissional.</p>
<p>O outro, com 25 participantes, comparecia uma vez por semana ao Hospital das Clínicas para receber orientações e estabelecer metas para aumentar a atividade física no cotidiano, principalmente por meio de caminhadas. Eles também receberam relógios inteligentes para acompanhar a quantidade de passos. As duas atividades duraram oito semanas.</p>
<p>Antes do início, todos participaram de uma aula sobre a asma, o uso correto dos medicamentos e os benefícios da atividade física.</p>
<h2>Caminhada e treino melhoraram controle da asma</h2>
<p>Ao fim dos dois meses, os dois grupos apresentaram melhora no controle clínico da asma e na qualidade de vida. Os benefícios ainda eram observados quatro meses depois, quando os pesquisadores voltaram a avaliar os participantes. Nenhuma das duas formas de aumentar a atividade física apresentou resultados superiores à outra.</p>
<p>Também houve redução de sintomas respiratórios, de ansiedade e de depressão.</p>
<p>“Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”, afirmou o fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro, primeiro autor do estudo, à Agência Fapesp.</p>
<p>A diferença está principalmente na forma de colocar a atividade física em prática. O treinamento aeróbico exige equipamentos e supervisão profissional. Já aumentar as caminhadas e os passos no dia a dia dispensa aparelhos de academia e pode ser mais fácil de incorporar à rotina.</p>
<p>No estudo, porém, os participantes que caminhavam mais não receberam apenas a recomendação de se movimentar. Durante oito semanas, tiveram acompanhamento, orientações e metas semanais para aumentar gradualmente a atividade física.</p>
<h2>Participantes continuaram mais ativos</h2>
<p>Os pesquisadores também mediram quantos passos os participantes davam por dia. Para isso, eles usaram acelerômetros durante sete dias e sete noites em três momentos: antes da pesquisa, ao fim dos dois meses de atividades e quatro meses depois.</p>
<p>No grupo que fez treinamento aeróbico, o número de passos aumentou, em média, 1.537 por dia ao fim dos dois meses. Quatro meses depois, os participantes ainda davam 983 passos diários a mais do que antes do início do estudo.</p>
<p>Entre aqueles orientados a aumentar a atividade física no cotidiano, foram 1.126 passos adicionais por dia ao término das oito semanas. Quatro meses depois, o aumento em relação ao início da pesquisa era de 996 passos diários.</p>
<h2>Caminhada não substitui os medicamentos</h2>
<p>A atividade física foi avaliada como complemento ao tratamento da asma. Os participantes continuaram usando os medicamentos prescritos pelos médicos durante a pesquisa.</p>
<p>“Tanto o treinamento aeróbio como a intervenção são um complemento da medicação. Não podemos jamais parar de fazer uso do tratamento que o médico prescreve”, afirmou Pinheiro à Agência Fapesp.</p>
<p>Os próprios pesquisadores também apontam limites para a interpretação dos resultados. O trabalho reuniu apenas 52 pessoas e analisou um grupo específico: adultos fisicamente inativos com asma moderada a grave e não controlada. A maioria dos participantes era formada por mulheres com sobrepeso ou obesidade grau 1 e apresentava sintomas de ansiedade e depressão, além de baixa qualidade de vida.</p>
<p>Os resultados, portanto, não permitem afirmar que os mesmos efeitos serão observados em todas as pessoas com asma.</p>
<p>Com Agência Fapesp</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Arek Adeoye</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Ceará vai ganhar a primeira fábrica de curativos de pele de tilápia do Brasil</title>
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      <pubDate>Tue, 25 Aug 2026 10:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A cidade de Jaguaribara, a 226 quilômetros de Fortaleza, receberá a primeira fábrica do país dedicada à produção de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. A tecnologia foi desenvolvida no estado, a partir de um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC).</p>
<p>A pesquisa começou em 2015 no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC, com a participação de pesquisadores do Ceará, de Pernambuco e de Goiás. O resultado é um curativo com base em pele de animal aquático e que agora ganha escala industrial. </p>
<p>A fábrica foi viabilizada por meio de uma parceria entre o Governo do Ceará e a empresa Biotec Medical Xenograft Engineering e a escolha da cidade não foi por acaso. Jaguaribara é a maior produtora de tilápia do Ceará e ocupa a 14ª posição no ranking nacional, sendo que a piscicultura sustenta boa parte da economia local. </p>
<p>O empreendimento representa um investimento superior a R$ 52 milhões nos próximos três anos. A expectativa é impulsionar a capacidade produtiva de 180 mil peles processadas mensalmente no início das atividades para 400 mil por mês ao final do terceiro ano. </p>
<p>Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a fábrica deve gerar mais de 200 empregos diretos já no primeiro ano e a previsão é de que os trâmites para sua instalação, incluindo a compra de equipamentos e a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sejam concluídos em até 15 meses. </p>
<p>Manoel Odorico de Moraes Filho, pesquisador e um dos coordenadores do projeto, também acredita que a fábrica "vai colocar a cidade de Jaguaribara no mapa do Ceará, do Brasil e do mundo". </p>
<h2>Como se deu a descoberta </h2>
<p>A tecnologia começou a ser desenvolvida há mais de uma década, em 2015, no NPDM. Os pesquisadores estavam em busca de uma solução para o tratamento tradicional de queimaduras, que até então dependia de sulfadiazina de prata (creme antibiótico de uso tópico) ou de bancos de pele humana, um recurso escasso e caro no país.</p>
<p>A pele humana é doada por familiares próximos de uma pessoa falecida. É o principal método utilizado até hoje. Ela cobre menos de 1% da demanda dos cerca de 500 mil pacientes que sofrem queimaduras todos os anos no Brasil e que seriam elegíveis para esse tipo de tratamento.</p>
<p>Foi aí que a tilápia virou o centro do estudo, pois sua pele tem alta concentração de colágeno tipo 1 e tem características equivalentes à da pele humana. O peixe é um animal de criação rápida, pronto para consumo em seis a oito meses. "A pele da tilápia era o único produto da cadeia produtiva da tilápia que era descartado, jogado no lixo", conta Odorico.</p>
<p>O estudo desenvolveu um processo que usa liofilização (processo avançado de desidratação) e esterilização por radiação gama, o que permite guardar a pele em temperatura ambiente, sem a necessidade de refrigeração. Na hora de usar, basta reidratar o curativo com soro fisiológico.</p>
<h2>Mas o que muda para os pacientes?</h2>
<p>Mais de 350 pacientes já passaram pelo tratamento, com resultados positivos na cicatrização de queimaduras de segundo grau. Diferentemente do curativo tradicional, a pele de tilápia é aplicada uma única vez e retirada apenas quando a cicatrização termina.</p>
<p>Além do conforto com a diminuição das trocas constantes de curativo, os pacientes passam por menos sessões de anestesia e correm menor risco de infecção hospitalar. "O tratamento convencional exige que você substitua o curativo a cada 24h ou no máximo 48h. Então, você imagina uma pessoa queimada, com 30% da área corporal queimada, e você tendo que substituir esse curativo. Imagine a dor que esse paciente vai sentir", explica. </p>
<p>Hoje, a tecnologia já saiu do Ceará e ganhou diferentes aplicações, com seu uso em cirurgias ginecológicas. Já foi utilizada com sucesso em procedimentos de reconstrução vaginal de mulheres transsexuais, com síndrome de Rokitansky (malformação congênita rara que afeta o sistema reprodutivo feminino e que faz com que a menina nasça sem o útero e com ausência total ou parcial do canal vaginal), agenesia vaginal (malformação congênita) e câncer pélvico.</p>
<h2>O próximo passo do estudo</h2>
<p>Em 2017, pesquisadores da UFC inauguraram o primeiro banco de pele de tilápia para uso em tratamentos médicos. Atualmente, estuda-se um potencial subproduto, com o uso do scaffold, ou matriz dérmica acelular da tilápia. </p>
<p>O processo retira quimicamente todas as células da pele do peixe, deixando apenas uma membrana pura de colágeno. "Consegui identificar 48 aplicações em medicina humana, medicina veterinária e em odontologia", afirma Odorico.</p>
<p>O scaffold já foi testado com sucesso em lesões de córnea de cerca de 900 cães e gatos, e agora passa por pesquisas clínicas em córneas humanas. Também está sendo estudado para a reconstrução da dura-máter, a membrana que protege o cérebro, em procedimentos de neurocirurgia.</p>
<h2>Economia bilionária para o SUS</h2>
<p>Fora os pacientes, o Sistema Único de Saúde (SUS) deverá sentir o impacto da tecnologia. Responsável por 93% dos atendimentos a queimados no país, enquanto uma membrana artificial importada custa cerca de R$ 50 por centímetro quadrado, a pele de tilápia sairia por apenas R$ 0,12 por centímetro quadrado, aponta Odorico.</p>
<p>A diferença de preço, multiplicada pela escala de produção industrial, deve representar uma economia bilionária para o setor de saúde, além de otimizar o trabalho das equipes médicas, reduzir o tempo de internação e diminuir o desperdício de insumos descartáveis.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Universidade Federal do Ceará</media:credit>
        <media:title>pele-de-tilápia</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pesquisa de polipílula para prevenir o AVC busca voluntários</title>
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      <pubDate>Sun, 23 Aug 2026 15:20:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma  polipílula , medicamento que reúne  três substâncias em uma única formulação , está no centro de uma  pesquisa com foco na prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC) . O comprimido reúne remédios para hipertensão e colesterol, dois dos principais fatores de risco para a doença. Desde 2025, o  Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde, conduz um estudo com voluntários para avaliar a eficácia da abordagem.  Mas ele precisa de mais participantes.</p>
<p>O objetivo é reunir  8,5 mil pessoas, que serão acompanhadas por médicos entre três e quatro anos.  Os pesquisadores procuram por  homens e mulheres com idades entre 50 e 75 anos que nunca tiveram AVC ou infarto e que não façam uso de medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes.</p>
<p>Coordenado pela  neurologista Sheila Martins , chefe do serviço de neurologia e neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, o estudo Promote testa a combinação de rosuvastatina 10 mg, indicada para reduzir o colesterol, e valsartana 80 mg e amlodipina 5 mg, usados contra a pressão alta. </p>
<p>A proposta da polipílula é tornar o tratamento mais simples e prático, facilitando a adesão dos pacientes, além de antecipar os cuidados com a saúde cerebral e cardiovascular.</p>
<p>A pesquisa também avalia estratégias para mudança de hábitos que são fatores de risco para o AVC, caso de fumo, obesidade, sedentarismo e alimentação não saudável.</p>
<p>Já foi realizada uma  primeira fase de testes em humanos, considerada bem-sucedida. Ela envolveu 370 pessoas em Porto Alegre, entre 2020 e 2023.  O projeto, que tem a parceria do ministério via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), conta com outros centros para ampliar o atendimento.</p>
<p>O recrutamento de participantes e o acompanhamento ocorrem em  14 centros de AVC distribuídos por São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre, além do Rio Grande do Sul. Outros centros em todo o país serão incluídos.</p>
<p>"Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção", afirmou a coordenadora para a  Agência Brasil .</p>
<h2>Como é o estudo</h2>
<p>Os voluntários selecionados serão sorteados e divididos em dois grupos. Um irá usar a polipílula e o outro vai receber placebo, que é uma polipílula sem a medicação ativa. </p>
<p>Ao longo de três anos, em média,  será avaliado se esse tratamento reduz o risco de AVC, demência ou piora da memória. E, como desfecho secundário, a pesquisa vai comparar se foi reduzido também o risco de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória.</p>
<p>As informações sobre o processo de participação na pesquisa podem ser obtidas pelo telefone ou  WhatsApp (51) 99935-6911. </p>
<h2>Aplicativo para medir riscos</h2>
<p>O projeto tem um aplicativo, o Riscômetro, que permite ao paciente calcular o risco de ter um AVC, um infarto ou uma doença circulatória e aprender a monitorar a redução dos fatores que predispõe ao problema.  O app foi criado na Universidade da Nova Zelândia e traduzido em 30 línguas, inclusive português.</p>
<p>“Uma coisa importante na fase inicial do estudo foi que as pessoas, usando o aplicativo, puderam mudar seu estilo de vida. Aumentaram a atividade física, por exemplo. Isso é maravilhoso. Elas recebiam mensagens lembrando de fazer atividade física. Quem fumava, parou de fumar. Então, isso motiva as pessoas a mudar para também reduzir o risco”, contou Sheila.</p>
<h2>Alerta no Brasil e no mundo</h2>
<p>O AVC é  a principal causa de morte no Brasil.  De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil,  89.490 pessoas morreram em decorrência da doença no ano passado.  </p>
<p>Em termos globais, a Organização Mundial do AVC estima que  o número de mortes pode crescer até 50% nas próximas décadas , passando de 6,6 milhões de óbitos, em 2020, para cerca de 9,7 milhões, em 2050. </p>
<p>Para a Agência Brasil, a neurologista destacou que  90% dos casos podem ser prevenidos se houver controle dos principais fatores de risco. E o mais importante deles é a hipertensão. </p>
<p>A pressão alta começa a aumentar o risco de AVC a partir de 115 milímetros de mercúrio (mmHg) de sistólica, que é a pressão máxima, e 75 mmHg de diastólica (pressão mínima). A partir daí, quanto maior a pressão, maior o risco.</p>
<p>A pressão arterial sistólica (PAS) se refere à pressão do sangue no momento que o coração se contrai para impulsionar o fluído para as artérias. Já a pressão arterial diastólica (PAD) ocorre no início do ciclo cardíaco e se refere à capacidade de adaptação ao volume de sangue que o coração ejetou. A leitura da pressão arterial é medida por milímetros de mercúrio (mmHg).</p>
<p>Sheila explicou que, normalmente, o que se faz é orientar as pessoas que têm a pressão levemente aumentada a mudar o estilo de vida, diminuir sal na alimentação, fazer atividade física e não abusar do álcool. A médica disse que só a partir de 140 x 90 também é prescrita medicação.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Tecnologia de ponta revela criaturas desconhecidas na costa brasileira</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/tecnologia-criaturas-desconhecidas-costa-brasileira</link>
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      <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 15:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Utilizando equipamentos altamente sofisticados, expedições com equipes internacionais revelaram a presença de formas de vida jamais documentadas em áreas remotas do oceano Atlântico, incluindo a costa brasileira.</p>
<p>Também foram identificadas formações geológicas que compõem um ecossistema praticamente inacessível.</p>
<p>Em uma das viagens, concentrada no litoral do Ceará (Brasil), os pesquisadores navegaram pela faixa pelágica intermediária: uma camada aquática situada entre 200 e 1.000 metros de profundidade. </p>
<p>Por ser um ambiente vasto, escuro e inviável para o mergulho tradicional, a investigação exigiu o uso de submersíveis robóticos e varredura a laser. </p>
<p>Essa abordagem permitiu registrar os organismos em seu ecossistema original, sem danificar suas estruturas corporais, extremamente frágeis.</p>
<p>O geocientista marinho Aaron Micallef, do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey, nos EUA, foi o cientista-chefe dessa expedição, que explorou uma região conhecida como Zona de Fratura de Doldrums.</p>
<h2>Confira algumas descobertas e registros do grupo:</h2>
<p>Paralelamente, outra etapa do projeto direcionou o navio de pesquisa para a Zona de Fratura de Doldrums, um abismo oceânico a cerca de 4 mil metros abaixo da superfície. </p>
<p>Apesar da ausência total de iluminação solar e da escassez extrema de nutrientes convencionais, a equipe científica identificou chaminés hidrotermais repletas de atividade biológica, formando um cenário natural tão belo quanto intrigante.</p>
<p>Com um volume massivo de dados acumulados, a comunidade científica prevê anos de trabalho de laboratório para classificar oficialmente todas as espécies e publicar as descrições formais dessa rica biodiversidade marinha.</p>
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        <media:credit role="provider">ROV SuBastian / Schmidt Ocean Institute</media:credit>
        <media:title>corais</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pesquisadores estudam drogas que funcionem como um Ozempic para o cérebro</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/pesquisadores-estudam-drogas-que-funcionem-como-um-ozempic-para-o-cerebro</link>
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      <pubDate>Sat, 22 Aug 2026 11:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Depois de revolucionarem o tratamento do diabetes e da obesidade, medicamentos que atuam sobre mecanismos naturais do organismo podem estar prestes a provocar uma transformação semelhante no tratamento de doenças neurológicas. A nova aposta da indústria farmacêutica são os agonistas da orexina, substâncias que atuam em sistemas cerebrais relacionados ao sono, à vigília, à atenção e à motivação e que começam a apresentar resultados promissores contra a narcolepsia.</p>
<p>A expectativa em torno dessa nova classe de medicamentos levou especialistas a questionarem se a orexina poderia se tornar para o cérebro algo semelhante ao que os agonistas do GLP-1, como os usados no Ozempic, representaram para o metabolismo. A comparação se deve principalmente à possibilidade de atuar diretamente sobre mecanismos fisiológicos relacionados às doenças, em vez de apenas combater seus sintomas.</p>
<p>A orexina é um peptídeo produzido naturalmente pelo organismo e desempenha papel importante na regulação do ciclo de sono e vigília. Segundo o médico e fisiologista francês Christophe de Jaeger, entrevistado pelo site Atlantico, o princípio se aproxima, em alguns aspectos, daquele que transformou os medicamentos GLP-1 em um fenômeno mundial. Esses medicamentos imitam mecanismos ligados à saciedade, fazendo com que os pacientes reduzam a ingestão de alimentos e, consequentemente, percam peso. Essa redução da massa corporal pode contribuir para melhorar doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.</p>
<p>No cérebro, a orexina atua de maneira diferente. Existem dois receptores principais relacionados a ela, OX1 e OX2. O primeiro está mais associado à motivação e aos mecanismos de recompensa, enquanto o segundo tem papel relevante na regulação do sono e da vigília. É justamente sobre o OX2 que se concentram algumas das pesquisas mais avançadas para o tratamento da narcolepsia.</p>
<p>A importância dessa abordagem está na possibilidade de corrigir diretamente um mecanismo biológico associado à doença. Atualmente, pacientes com narcolepsia podem ser tratados com medicamentos como o modafinil, um estimulante utilizado para combater a sonolência excessiva. Os agonistas da orexina, por outro lado, buscam atuar sobre um sistema fisiológico relacionado à própria origem do problema.</p>
<p>Essa diferença abre perspectivas que vão além da narcolepsia. Pesquisadores estudam o potencial do sistema da orexina em condições como hipersonia e outros distúrbios do sono, além de possíveis aplicações relacionadas ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e às dependências. A atuação sobre mecanismos de motivação, recompensa, concentração e vigília explica o interesse crescente nessa área.</p>
<p>O entusiasmo, porém, é acompanhado por obstáculos importantes. Um dos principais desafios é desenvolver moléculas capazes de reproduzir adequadamente a ação dos peptídeos naturais e chegar ao cérebro sem provocar efeitos adversos significativos. Alguns medicamentos experimentais dessa classe já tiveram seu desenvolvimento interrompido depois da identificação de problemas hepáticos.</p>
<p>Para De Jaeger, esse é um dos dilemas enfrentados pela indústria farmacêutica. Os laboratórios precisam desenvolver moléculas que sejam ao mesmo tempo eficazes, seguras e passíveis de proteção por patentes. Alterações feitas para transformar moléculas naturais em medicamentos comercialmente viáveis podem trazer efeitos indesejados que nem sempre aparecem nas fases iniciais dos estudos.</p>
<p>Apesar dessas dificuldades, o potencial comercial e terapêutico ajuda a explicar por que grandes laboratórios passaram a dedicar maior atenção aos peptídeos e polipeptídeos capazes de atuar sobre o cérebro. O precedente dos medicamentos GLP-1 reforça esse interesse. Criados inicialmente para indicações específicas, como diabetes tipo 2 e obesidade, esses tratamentos ganharam enorme projeção por causa de seus efeitos sobre a perda de peso e posteriormente passaram a ser estudados também por seus possíveis benefícios em outras condições.</p>
<p>A expectativa é que algo semelhante possa ocorrer com medicamentos que atuam sobre a orexina. Tratamentos inicialmente desenvolvidos contra a narcolepsia e outros distúrbios do sono poderiam, no futuro, revelar aplicações em diferentes doenças neurológicas e psiquiátricas.</p>
<p>De Jaeger considera possível que pesquisas futuras identifiquem efeitos até mesmo em doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. Por enquanto, porém, essas possibilidades permanecem como hipóteses a serem investigadas, e não como aplicações terapêuticas comprovadas.</p>
<p>A possibilidade de o cérebro viver seu próprio “momento Ozempic”, portanto, ainda depende de avanços científicos importantes. O desafio será encontrar moléculas capazes de combinar eficácia, segurança e viabilidade farmacêutica. Se essa equação for resolvida, os agonistas da orexina poderão abrir uma nova frente no tratamento de doenças cerebrais, substituindo, em alguns casos, medicamentos voltados apenas para controlar sintomas por terapias capazes de atuar mais diretamente sobre os mecanismos biológicos envolvidos nas doenças.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Você sabe qual o gesto de gratidão mais eficaz no mundo, incluindo o Brasil?</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/o-gesto-de-gratidao-mais-eficaz-no-mundo</link>
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      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 10:45:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Enquanto a IA explode e as telas digitais ocupam cada vez mais o nosso dia, escrever e  enviar uma mensagem para alguém foi apontado como o gesto mais poderoso na hora de demonstrar gratidão.</p>
<p>O resultado surgiu a partir de uma  pesquisa global com 10 mil voluntários, de 34 países – incluindo o Brasil , onde foram ouvidas 598 pessoas.</p>
<p>O estudo foi publicado na r evista científica PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos , e divulgado pela Agência Fapesp aqui no país.</p>
<p>Foram testadas seis formas de induzir sentimentos de apreço e reciprocidade.</p>
<p>A que menos gerou impacto positivo foi apenas listar cinco coisas pelas quais você se sente grato. E a que teve mais efeito foi escrever e enviar uma mensagem de gratidão para alguém.</p>
<p>De maneira geral, o estudo concluiu que todas as intervenções atingiram resultados positivos, como explicou o psicólogo Paulo Sérgio Boggio, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva.</p>
<p>O que muda é o quanto cada uma funcionou. Segundo Boggio, as mais efetivas foram as que envolveram conexão social explícita.   </p>
<h2>Como diferenças culturais impactaram o resultado</h2>
<p>Boggio foi um dos 36 pesquisadores que assinaram o estudo, representando o Brasil junto com Beatriz Bezerra de Souza, que foi sua orientada. O trabalho internacional teve coordenação de Nicholas Coles, da Universidade da Flórida.</p>
<p>A ideia era exatamente apresentar a maior diversidade cultural possível, subvertendo a tradicional concentração de estudos sobre o tema nos Estados Unidos (ou em outros países ocidentais).</p>
<p>“Mais ou menos 50% dos estudos de gratidão têm origem nos Estados Unidos. A proposta foi fugir um pouco disso e aplicar o teste em países com uma grande variação cultural”, afirmou Boggio para a Agência Fapesp.</p>
<p>Essa pluralidade de entrevistados revelou uma diferença expressiva entre os habitantes dos países incluídos no estudo, no que diz respeito a melhoras geradas pelas práticas sugeridas.</p>
<p>O México, por exemplo, apresentou um impacto significativo nesse sentido. Já na Noruega, no entanto, essas atitudes praticamente não tiveram efeito nenhum. Enquanto isso, o Brasil ficou mais ou menos no meio da lista.</p>
<p>Entre os resultados positivos observados estão aumento no afeto positivo e no sentimento de reciprocidade social, redução do afeto negativo, maior satisfação com a vida, otimismo e menos inveja.</p>
<p>“A gratidão é uma emoção com componente social muito forte. Sentir-se grato aumenta a probabilidade de você ajudar outras pessoas – e não necessariamente a pessoa que te ajudou”, declarou. “Isso gera uma espiral de ajuda entre as pessoas, não obrigatoriamente porque há uma expectativa de ganho direto.”</p>
<p>O próximo passo, para os pesquisadores, é entender essas diferenças entre as respostas de acordo com cada região. E, em alguns casos, agir proativamente para estimular a gratidão em determinados países.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estudo mostra que 46% dos negócios de empreendedoras faturam até R$ 3,2 mil por mês</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/46-porcento-dos-negocios-de-empreendedoras-faturam-r-3-2-mil-por-mes</link>
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      <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 23:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O cotidiano de uma mulher empreendedora envolve diversos desafios. Entre eles, tocar o negócio sozinha. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME) em parceria com a consultoria Tewá 225. O trabalho revela que 70% das entrevistadas cuidam de suas empresas sem ter nenhum funcionário.  </p>
<p>Divulgado às vésperas do Dia Nacional da Mulher Empresária, celebrado nesta segunda-feira, 17, o estudo "Empreendedoras e Seus Negócios 2026" apresenta um cenário de intensa sobrecarga para elas. Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, citados na pesquisa, o país tem hoje quase 10 milhões de empresas ativas lideradas por mulheres.</p>
<p>São profissionais que vendem roupas, cortam cabelo, cozinham e prestam serviços diversos no dia a dia, muitas vezes sem nem chamar isso de "empreender". </p>
<p>A pesquisa ouviu 1.176 empreendedoras de todos os estados brasileiros por meio de questionário, além de 95 mulheres em 15 grupos focais e cinco especialistas e representantes de organizações. O levantamento tem margem de erro máxima de 3,1%.</p>
<h2>O preço de empreender sozinha</h2>
<p>A informalidade atinge quase um terço das empreendedoras: 31,9% das entrevistadas não têm CNPJ, e o motivo mais citado é o custo dessa formalização (resposta de 38,9% das participantes do estudo). A situação pesa de forma desigual sobre as mulheres negras, com 42,8% ainda na informalidade, contra 24,5% das brancas. Sem isso, elas ficam mais vulneráveis e fora de linhas de crédito, licença-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria.</p>
<p>Ainda assim, a série histórica da pesquisa mostra que a formalização via MEI subiu de 37,1% em 2024 para 40,1% em 2026, e o acesso a crédito quase dobrou em três anos, de 25% das empreendedoras em 2023 para 47,8% em 2026, puxado principalmente por capital de giro. </p>
<p>Porém, por trás disso ainda está uma defasagem na renda. Segundo o estudo, 43,5% das empreendedoras dizem que menos da metade do que ganham em casa vem do próprio negócio, o que as deixa dependentes de salário, benefícios ou outras fontes. </p>
<p>Dentre as entrevistadas, mais da metade (54,7%) começou a empreender por necessidade, e não por oportunidade. O estudo revela que 38% têm faturamento insuficiente para cobrir os custos do próprio negócio e nove em cada dez não conseguem sobra para reinvestir ou poupar. A pesquisa aponta que 46,6% dos negócios têm faturamento médio mensal de até R$ 3.242.</p>
<h2>Os desafios continuam</h2>
<p>Na análise da série histórica, alguns dos principais desafios relatados pelas empreendedoras pioraram desde 2024, primeiro ano do levantamento. Hoje, marketing e divulgação representam a maior queixa (51,9%), com um aumento contínuo nos últimos três anos. </p>
<p>A parte de gestão financeira também cresceu, com 42,3% considerando um empecilho para o crescimento do negócio, aliado à fidelização de clientes e acesso a crédito. </p>
<p>Segundo o estudo, 72,2% das empreendedoras usam a internet para divulgar o que vendem, mas não se veem como criadoras de conteúdo, estando presentes na web por necessidade e empilhando mais uma função na rotina.</p>
<h2>O trabalho de cuidado invisível</h2>
<p>Quase três em cada quatro empreendedoras (73,8%) são mães e 42,4% delas criam os filhos sozinhas. O impacto disso no negócio é direto: mais de 80% já interromperam o próprio trabalho para cuidarem de alguém, e 74,2% fazem isso sem nenhuma rede de apoio não institucional, seja de parceiro, família ou ajuda paga.</p>
<p>“Às vezes tem dia que a gente tem de abrir mão: ou é a família ou é o comércio, isso acontece direto”, resumiu uma participante de um grupo focal do Sudeste ouvida pela pesquisa.</p>
<p>Além do peso do cuidado, 57,3% dessas mulheres são as principais provedoras de suas famílias, muitas vezes sustentando a casa e o negócio ao mesmo tempo, sem intervalo entre as duas jornadas.</p>
<h2>Quem são elas</h2>
<p>Dentre as empreendedoras entrevistadas, 52,3% se consideram negras (pretas e pardas), a maioria em todas as edições da pesquisa desde 2021, enquanto 57,9% chegaram ao ensino superior e 36,6% concluíram pós-graduação. </p>
<p>A faixa etária predominante é de 30 a 49 anos (59,1%). Desde 2024, porém, a proporção de empreendedoras com 70 anos ou mais quintuplicou, chegando a 5% em 2026.</p>
<p>Apesar da sobrecarga, informalidade e desigualdade, 70,1% das empreendedoras se dizem confiantes e 66,7%, otimistas quanto ao futuro dos seus negócios. "Quando as mulheres prosperam financeiramente, tendem a reinvestir na educação dos filhos, na família e na comunidade ao redor", resume Ana Fontes, fundadora e presidente da RME, no relatório.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pandemias artificiais: IA já consegue projetar vírus inexistentes na natureza. Entenda como e por quê</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/ia-ja-consegue-projetar-virus-inexistentes</link>
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      <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 12:58:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A inteligência artificial (IA) atingiu um novo patamar na biologia ao se demonstrar capaz de  projetar vírus funcionais voltados para o combate a bactérias . A conquista, fruto de pesquisas lideradas pela  Universidade de Stanford e pelo Arc Institute , resultou na criação de genomas virais inéditos, gerados por modelos computacionais. </p>
<p>Após serem sintetizados em laboratório, esses vírus comprovaram sua eficácia ao eliminar bactérias-alvo em testes reais.  O avanço abre portas promissoras para a medicina . Por outro lado,  acende um alerta sobre os riscos do uso indevido dessas tecnologias na geração de patógenos perigosos.</p>
<p>Na verdade, a manipulação e a reconstituição de sequências de DNA não são conceitos novos. São praticadas desde os primórdios da biologia molecular e da engenharia genética, que fundamentam abordagens como a terapia gênica. </p>
<p>O grande diferencial do atual experimento está no papel desempenhado pela inteligência artificial, como explica Laurent Foiry, doutor em genética molecular e biólogo. Ele é autor do livro “ Les faux savants Plongée au cœur du complotisme scientifique ” (“Cientistas falsos: uma análise profunda do coração das teorias da conspiração científica", em tradução livre).</p>
<p> Segundo Foiry, a IA altera o panorama científico em duas frentes centrais: </p>
<p>Como grande parte do DNA não é codificante – isto é, não produz proteínas diretamente –, a tecnologia otimiza a concepção dessas sequências complexas e simplifica drasticamente o processo de construção. Apesar do feito, Foiry destaca que a taxa de sucesso da pesquisa ainda é modesta, com 16 acertos em 285 tentativas.</p>
<p>Ele explica que vírus são estruturas inanimadas relativamente simples e com genomas curtos, o que torna sua modelagem menos complexa do que a de sistemas biológicos mais avançados. </p>
<p>Para que o vírus funcione, é necessário reunir elementos de infecção, reprodução e proteção celular, etapa em que a IA atua como um potente otimizador e acelerador.</p>
<h2>Os riscos e o enfraquecimento das barreiras de entrada</h2>
<p>A possibilidade de surgirem vírus inéditos e até pandemias artificiais figuram no debate científico desde a consolidação da engenharia genética. Esse debate foi intensificado nos últimos anos com as discussões sobre a origem do vírus da Covid-19 e pesquisas de "ganho de função". </p>
<p>No entanto, na era da IA, a evolução acelerada das ferramentas computacionais e biológicas reduziu significativamente as barreiras técnicas e financeiras de entrada.</p>
<p>Tecnologias de biologia molecular tornaram-se acessíveis e de baixo custo, com grande parte dos insumos e equipamentos disponíveis em catálogos comerciais. </p>
<p>Esse cenário reduz a complexidade prática das manipulações biológicas, criando o risco real de que agentes mal-intencionados reúnam os meios necessários para desenvolver organismos nocivos.</p>
<p>Nesse contexto, a IA pode abrir caminho para avanços extraordinários, como o direcionamento celular preciso, tratamentos customizados e até vacinas personalizadas.  No entanto, Foiry alerta que a sua capacidade de iterar sucessivamente até atingir um resultado ideal também pode ser aplicada para conceber organismos capazes de burlar o sistema imunitário e os tratamentos existentes.</p>
<h2>Ética, regulamentação e o papel da comunidade científica</h2>
<p>Diante dessa dupla face da tecnologia, a busca por um equilíbrio entre os benefícios terapêuticos e o controle de riscos vai além do rigor científico, recaindo principalmente no campo da ética. Particularmente, na ética científica.</p>
<p>“Esse debate existe há muito tempo”, diz Foiry. “Quando eu ainda era estudante, a clonagem já gerava muita controvérsia. Após o nascimento da ovelha Dolly, houve uma corrida para clonar diferentes espécies. Mas nunca apresentaram evidências de que um ser humano havia sido clonado”.</p>
<p>Em termos de fiscalização, a regulamentação atual apresenta fortes lacunas e ainda muitas diferenças de acordo com cada país.</p>
<p>Foiry ressalta que, como costuma ocorrer com inovações muito aceleradas, as leis surgem com atraso e criam pontos cegos difíceis de verificar. </p>
<p>Nesses cenários, a responsabilidade ética do próprio cientista torna-se a principal linha de defesa.  Isso exige reflexão contínua sobre a legitimidade das pesquisas e a consulta a órgãos de tutela no setor público ou o cumprimento estrito do enquadramento jurídico no setor privado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o arcabouço legislativo precisa evoluir de forma equilibrada, para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas sem inviabilizar o progresso. </p>
<p>Para Foiry, o debate central antecede as leis, e deve ser profundamente ético. Segundo ele, a sociedade precisa definir até onde está disposta a ir em nome do avanço científico para fundamentar a futura regulamentação de uma realidade que já se faz presente.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Atlantico.fr]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pais estão menos presentes na criação dos filhos, aponta estudo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/pais-estao-menos-presentes-na-criacao-dos-filhos-aponta-estudo</link>
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      <pubDate>Sun, 09 Aug 2026 14:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A percepção de ser um "bom pai" está mais atrelada à presença no dia a dia dos filhos do que educar/orientar com limites, mostra um levantamento feito pelo Instituto Nexus, com mais de duas mil pessoas. Apesar da participação ser considerada relevante para a criação dos filhos, metade dos entrevistados acredita que os pais da atualidade estão menos presentes do que nas gerações anteriores.</p>
<p>"O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa”, avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. O estudo fez a avaliação com 2.013 pessoas (homens e mulheres) de diferentes faixas etárias e em diferentes regiões do país para identificar como estão as relações parentais nos dias de hoje. </p>
<h2>"Bom pai"</h2>
<p>Na definição prática do que é ser um “bom pai”, a característica 'ser presente no dia a dia' é a mais importante para 49% dos entrevistados. Na sequência, 19% acreditam que educar/orientar com limites é a segunda principal característica de ser um 'bom pai'. Em terceiro está demonstrar carinho e afeto (8%), depois está dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%).  </p>
<p>A presença diária é o fator mais relevante para definir um 'bom pai' entre 53% das mulheres. Entre os homens (45%), essa característica não é a mais relevante. A imposição de limites na educação e orientação é tida como o principal atributo por 21% do público masculino e 17% do feminino.  </p>
<p>O convívio paterno no dia a dia é visto como mais importante entre a população de 25 a 40 anos (56%) e a de 16 a 24 anos (55%). Os mais velhos consideram a educação a caraterística mais importante. O índice é superior entre a faixa de 41 a 49 anos (24%) e de 60 anos ou mais (26%).</p>
<p>Quanto à importância na paternidade, 81% dos homens a classificam como alta ou muito alta no desenvolvimento dos filhos, em comparação com 73% das mulheres. </p>
<h2>Participação dos pais</h2>
<p>Para a maioria das mulheres (56%), os pais participam menos na criação dos filhos do que antes. Entre os homens, a percepção é outra. Para 44% deles, participação dos pais é maior atualmente, enquanto outros 44% afirmam que diminuiu.</p>
<p>Ao analisar as faixas etárias, observa-se que 82% dos jovens de 16 a 24 anos de idade a consideram importante. Por outro lado, esse reconhecimento reduz-se para 62% entre as pessoas com 60 anos ou mais.</p>
<p>"O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática", avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. </p>
<p>(Com Agência Brasil) </p>
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        <media:title>Pais</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estudo de dez anos mostra o peso da desigualdade social na prática de exercícios</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/estudo-de-dez-anos-mostra-o-peso-da-desigualdade-social-na-pratica-de-exercicios</link>
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      <pubDate>Mon, 20 Jul 2026 15:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros, em parceria com cientistas de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido, mostra que, na última década, embora tenha aumentado a parcela de moradores que praticam alguma atividade física, há uma importante desigualdade no acesso às atividades físicas durante o tempo livre, o que afeta, sobretudo, as pessoas em situação de maior vulnerabilidade social. Com foco em São Paulo, a pesquisa foi publicada no periódico científico  International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity .</p>
<p>Ao acompanhar 978 moradores da capital paulista por dez anos, entre 2014 e 2024, os pesquisadores identificaram que pessoas com maior vulnerabilidade social — mulheres, indivíduos pertencentes a grupos raciais ou étnicos minoritários e com baixa escolaridade — têm menor prevalência de atividade física de lazer do que homens brancos com ensino superior. E o mais preocupante: essa distância, que já era grande no início do estudo, ficou ainda maior com o passar dos anos.</p>
<h2>Como o estudo foi feito</h2>
<p>A pesquisa usou dados do ISA — Inquérito de Saúde de São Paulo: Atividade Física e Ambiente, um estudo de longo prazo que investiga como características do ambiente urbano influenciam comportamentos. As informações foram coletadas em três ondas: a primeira entre 2014 e 2015, com entrevistas presenciais; a segunda entre 2020 e 2021, feita por telefone devido à pandemia de covid-19; e a terceira entre 2023 e 2024, combinando entrevistas presenciais e por telefone. Eles informaram a frequência e a duração de atividades como esportes e exercícios, e a de deslocamentos a pé.</p>
<p>A atividade física foi medida por meio de um formulário chamado IPAQ (Questionário Internacional de Atividade Física). É um instrumento padronizado e validado para uso no Brasil, que investiga separadamente dois domínios: a atividade física de lazer (exercícios, esportes, caminhada por prazer) e a atividade física de deslocamento, nesse caso restrita à caminhada como forma de locomoção para o trabalho, a escola ou outros compromissos.</p>
<p>Para a análise principal, os pesquisadores consideraram como praticantes os participantes que relataram ao menos dez minutos semanais de atividade em cada domínio.</p>
<p>O diferencial metodológico do estudo está na forma como ele mediu a desigualdade social. Em vez de olhar separadamente para sexo, raça/cor ou escolaridade — como costuma ser feito na maioria das pesquisas —, os autores construíram um índice combinado, batizado de Índice de Vulnerabilidades Múltiplas. A lógica por trás do conceito é que essas características não atuam isoladamente: elas se sobrepõem e se multiplicam, criando níveis de vulnerabilidade que uma análise isolada de cada fator não conseguiria captar.</p>
<p>O índice atribuiu pontuações a cada participante: 0 para homens, 1 para mulheres; 0 para pessoas brancas, 1 para pessoas negras, pardas, indígenas, asiáticas ou que se identificaram com outras categorias raciais; e de 0 a 2 para escolaridade, do ensino superior completo até o ensino fundamental incompleto. A soma desses pontos gerou uma escala de 0 (menor vulnerabilidade: homem, branco, com curso superior) a 4 (maior vulnerabilidade: mulher, de grupo racial ou étnico minoritário, com baixa escolaridade).</p>
<p>Os cientistas, então, usaram modelos estatísticos multinível — que consideram a repetição das medidas ao longo do tempo, dentro de cada indivíduo, e a localização geográfica dos participantes — para testar a associação entre esse índice e a prática de atividade física nos dois domínios estudados.</p>
<h2>O que os dados mostraram</h2>
<p>Ao longo da década, a prática de atividade física de lazer cresceu de forma geral entre os paulistanos: de 38% dos participantes no início do estudo para 51,4% na última medição. A caminhada para transporte também aumentou, passando de 61,8% para 71,6%. À primeira vista, os números parecem positivos — e são. O problema é a distribuição desse ganho.</p>
<p>Quando os pesquisadores cruzaram esses números com o Índice de Vulnerabilidades, ficou claro que o crescimento não foi igual para todos. No início da pesquisa, a prática de atividade física de lazer era de 51% entre o grupo menos vulnerável e de apenas 29% entre o grupo mais vulnerável — uma diferença já expressiva. Dez anos depois, essa diferença se ampliou: 65% no grupo menos vulnerável contra 39% no mais vulnerável.</p>
<p>De acordo com o estudo, quanto maior o número de fatores de vulnerabilidade acumulados, menor a chance de praticar atividade física de lazer, numa gradação estatisticamente significativa.</p>
<p>Segundo os autores, a prática de exercícios não deve ser tratada exclusivamente como uma decisão individual. Afinal, o acesso ao lazer ativo é influenciado pela disponibilidade de tempo, pela renda, pelas condições de trabalho, pela divisão das tarefas domésticas e de cuidado, pela segurança e pela oferta de parques, praças e instalações esportivas. No caso de mulheres socialmente vulneráveis, elas podem enfrentar jornadas de trabalho extensas, empregos precários e maior responsabilidade pelo cuidado de crianças, idosos e pela manutenção da casa.</p>
<p>Já a atividade física de deslocamento (caminhar para ir a algum lugar) não apresentou essa mesma desigualdade. Isso não quer dizer que esse tipo de atividade seja mais "democrático", mas sim que ele muitas vezes não é uma escolha — é uma necessidade, ligada à falta de acesso a transporte motorizado ou a proximidade forçada entre moradia e destino, uma condição que atinge diferentes grupos sociais por razões distintas.</p>
<h2>O que isso revela sobre o Brasil urbano</h2>
<p>Os resultados confirmam, com evidência de dez anos de acompanhamento, algo que estudos transversais (feitos em um único momento) já vinham sugerindo: a atividade física de lazer no Brasil segue sendo, em grande medida, um privilégio de grupos socialmente favorecidos. O acesso a ambientes seguros, tempo livre, infraestrutura de lazer, flexibilidade no trabalho e redes de apoio social — fatores que facilitam a prática de exercícios — não está distribuído de forma equânime pela cidade.</p>
<p>A pesquisa situa São Paulo dentro de um panorama mais amplo do Sul Global. Os autores citam evidências semelhantes vindas da Colômbia, do México, da Índia, de países africanos e do Chile, reforçando que a combinação entre desigualdade estrutural, urbanização desigual e barreiras de gênero e raça é um padrão que se repete em diferentes contextos de países de renda baixa e média.</p>
<h2>Caminhos possíveis a partir dos achados</h2>
<p>O estudo também aponta direções para políticas públicas. Os autores defendem o que chamam de "universalismo proporcional": em vez de políticas genéricas de incentivo à atividade física, que tendem a beneficiar primeiro quem já tem mais acesso a recursos, as intervenções deveriam ser dimensionadas de acordo com o nível de vulnerabilidade social de cada grupo, priorizando investimento onde a barreira estrutural é maior.</p>
<p>Entre os caminhos estão investimentos em espaços públicos de lazer seguros, oportunidades acessíveis de atividade física e sistemas inclusivos de mobilidade, além de ações articuladas entre planejamento urbano, transporte, educação, segurança pública e proteção social. Os autores também recomendam que essas ações estejam alinhadas às metas de atividade física da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, como forma de dar sustentabilidade de longo prazo a esse tipo de política.</p>
<p>O trabalho foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e a pesquisadora principal recebeu ainda uma bolsa da  Bridge Global Health Partnership , parceria entre as universidades de Birmingham e Illinois.</p>
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      <title>Cesarianas avançam no SUS mesmo em gestações de baixo risco, aponta estudo</title>
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      <pubDate>Wed, 08 Jul 2026 18:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As cesarianas estão ganhando espaço no Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo entre gestantes de baixo risco, aponta um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.</p>
<p>Publicada em março na revista Einstein, a pesquisa analisou partos hospitalares de baixo risco realizados no SUS entre 2009 e 2023. No período, os partos por via vaginal caíram 39%, enquanto o número absoluto de cesarianas aumentou 3%. Com isso, a participação dos partos cirúrgicos subiu de 32,4% para 44,6% dos nascimentos, apesar das políticas públicas de incentivo ao parto vaginal.</p>
<p>O avanço ocorreu em todas as regiões do país, com diferenças importantes entre os estados. O Nordeste, historicamente associado a menores índices de cesariana, registrou crescimento expressivo. Roraima foi a única exceção, com queda na taxa de partos cirúrgicos, de 19,4% para 6,8% em 14 anos.</p>
<p>O estudo também aponta impacto sobre o sistema de saúde. As cesarianas estiveram associadas a maior tempo de internação e maior financiamento público por procedimento. “Quando pensamos no volume absoluto de nascimentos no país, o aumento progressivo das cesarianas representa também um aumento importante da carga financeira e estrutural sobre o sistema de saúde”, afirma Eduardo Felix Santana, ginecologista, obstetra, professor do Einstein e um dos autores do artigo.</p>
<p>Embora a cesariana seja essencial quando há indicação clínica, o procedimento sem necessidade pode aumentar riscos para mães e bebês. Entre as mulheres, estão hemorragia, infecção, trombose, complicações anestésicas, recuperação mais lenta e problemas em gestações futuras. Para recém-nascidos, a cesárea eletiva, especialmente antes do início do trabalho de parto, está associada a maior risco de desconforto respiratório, internação em UTI neonatal e alterações na formação inicial da microbiota intestinal.</p>
<p>Entre mulheres com 40 anos ou mais, os pesquisadores observaram piores indicadores hospitalares, especialmente no grupo das cesarianas. O estudo registra mortalidade hospitalar numericamente maior para partos cirúrgicos nessa faixa etária, embora sem significância estatística.</p>
<p>Para os autores, o avanço das cesarianas revela desafios estruturais, culturais e logísticos persistentes no SUS. O artigo defende o fortalecimento da atenção primária, a ampliação dos Centros de Parto Normal e o uso mais criterioso da cesariana, de forma a equilibrar segurança, acesso e qualidade da assistência materna no país.</p>
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