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    <title>Global South World Brasil - Oriente Médio</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>EUA concluem retirada militar do Iraque após mais de 20 anos e encerram missão contra o Estado Islâmico</title>
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      <pubDate>Wed, 30 Sep 2026 17:24:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os  Estados Unidos  concluíram nesta quarta-feira, 30, a  retirada definitiva de suas últimas tropas do Iraque , encerrando uma presença militar contínua iniciada com a invasão de 2003.</p>
<p> O movimento põe fim à missão da coalizão internacional contra o Estado Islâmico em solo iraquiano e transfere de forma integral a responsabilidade pela segurança nacional às forças de Bagdá. </p>
<p>O último contingente americano deixou uma base na região autônoma do Curdistão iraquiano, cumprindo o cronograma estabelecido entre Washington e o governo central. O Pentágono classificou o encerramento como a conclusão de uma campanha de 12 anos contra o grupo extremista, que em 2014 chegou a dominar grandes extensões do território iraquiano.</p>
<p>A saída marca o encerramento de um ciclo militar de mais de duas décadas que redefiniu a política do Iraque e a dinâmica de poder no Oriente Médio. A trajetória começou em março de 2003, quando os EUA e aliados invadiram o país e derrubaram o regime de Saddam Hussein sob a justificativa – posteriormente desmentida – de que Bagdá mantinha armas de destruição em massa. </p>
<p>A rápida queda do governo foi sucedida por uma intensa insurgência armada e por uma escalada da violência entre grupos sunitas e xiitas, amplificada pela dissolução das antigas instituições estatais e pelo expurgo de integrantes do partido Baath.</p>
<p>Para conter a espiral de violência, Washington promoveu em 2007 um expressivo reforço de tropas, chegando a manter mais de 160 mil militares no país. A estratégia, combinada com a atuação de forças locais e a cooperação de tribos sunitas contra a Al Qaeda no Iraque, reduziu temporariamente os conflitos.</p>
<p>Em 2008, os dois países firmaram o acordo que previa a saída total das forças americanas até o final de 2011, compromisso cumprido pelo governo de Barack Obama. No entanto, a retirada deixou um vácuo de segurança que, somado às divisões sectárias internas e ao estouro da guerra civil na vizinha Síria, criou as condições para a ascensão do Estado Islâmico.</p>
<h2>Retorno em 2014 e o reposicionamento das forças no Oriente Médio</h2>
<p>O avanço do grupo extremista culminou na tomada de Mossul em meados de 2014 e no colapso de divisões do exército iraquiano, levando o governo de Bagdá a solicitar novamente ajuda militar aos americanos.</p>
<p>Liderando uma coalizão internacional na Operação Inherent Resolve, os EUA retornaram com o objetivo de apoiar as forças locais por meio de cobertura aérea, inteligência, apoio logístico e treinamento.</p>
<p>Embora o Iraque tenha declarado a derrota territorial do grupo em 2017, tropas americanas permaneceram no país com foco progressivo no assessoramento técnico e combate a células clandestinas, até que em 2024 ambos os governos definiram o cronograma para o desmonte final da coalizão.</p>
<p>A saída americana mexe  no tabuleiro do Oriente Médio. Enquanto o primeiro-ministro Ali al-Zaidi vende a retirada como vitória da soberania nacional, Bagdá segue refém das milícias pró-Irã, com a promessa de desarmá-las adiada para 2027, além de assumir a segurança sem total autonomia em inteligência e defesa aérea para conter os ataques de guerrilha do Estado Islâmico. </p>
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        <media:credit role="photographer">Lenin Nolly</media:credit>
        <media:credit role="provider">NurPhoto</media:credit>
        <media:title>Donald Trump, presidente dos EUA, e Ali al-Zaidi, primeiro-ministro do Iraque</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Leonardo Rodrigues]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Guerra no Oriente Médio e tarifas impostas pelos EUA testam a unidade do Brics</title>
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      <pubDate>Sun, 13 Sep 2026 11:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A guerra no Oriente Médio e as tarifas impostas pelos Estados Unidos atravessaram as discussões da 18ª Cúpula do Brics, realizada neste fim de semana (12 e 13), em Nova Délhi, na Índia, e colocaram à prova a capacidade do bloco de construir posições comuns entre países com interesses políticos e econômicos distintos.</p>
<p>Anfitrião do encontro, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, recebeu líderes como os presidentes Xi Jinping, da China; Vladimir Putin, da Rússia; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; e Masoud Pezeshkian, do Irã. O Brasil, que exerceu a presidência do Brics em 2025, foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.</p>
<p>O encontro resultou na Declaração de Nova Délhi, documento de 140 parágrafos que reúne posições sobre os conflitos internacionais, comércio, reforma das instituições multilaterais, sistemas de pagamento, saúde e inteligência artificial, entre outras áreas de cooperação.</p>
<h2>Intensa negociação para acordo sobre o Oriente Médio</h2>
<p>O consenso sobre o Oriente Médio foi um dos mais difíceis. Em maio, uma reunião de chanceleres do Brics terminou sem uma declaração conjunta diante das divergências sobre a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O impasse envolvia especialmente o regime iraniano e o dos Emirados Árabes Unidos, integrantes do bloco que ocupam posições opostas no conflito.</p>
<p>As diferenças persistiram até os dias anteriores à cúpula. O Irã buscava uma condenação mais explícita aos Estados Unidos e a Israel, enquanto os Emirados defendiam que os ataques iranianos também fossem condenados. Depois de meses de negociações, os 11 integrantes do bloco chegaram a uma formulação comum.</p>
<p>A solução foi um texto que evita responsabilizar diretamente os países envolvidos. A Declaração de Nova Délhi manifesta “profunda preocupação” com a escalada das tensões, pede “máxima contenção” e defende diálogo e diplomacia para alcançar paz, segurança e estabilidade duradouras na região.</p>
<p>O documento também ressalta a necessidade de proteger civis e infraestrutura civil, respeitar a soberania e a integridade territorial dos países e preservar o fluxo do comércio, das cadeias globais de abastecimento e de energia.</p>
<p>A declaração é mais específica ao tratar das instalações nucleares. Os países manifestam preocupação com ataques deliberados contra infraestrutura civil e instalações nucleares destinadas a fins pacíficos e submetidas às salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica. O Brics afirma que a segurança dessas instalações deve ser preservada inclusive durante conflitos armados.</p>
<p>A cúpula também abriu espaço para uma aproximação direta. Pezeshkian reuniu-se com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, à margem do encontro.</p>
<h2>Gaza e Estado palestino</h2>
<p>A situação dos palestinos também ocupa espaço importante na declaração. O Brics defende a manutenção do cessar-fogo e o acesso humanitário pleno e sem obstáculos à Faixa de Gaza, rejeita o deslocamento forçado da população palestina e reafirma apoio à solução de dois Estados.</p>
<p>O documento defende ainda a entrada da Palestina como membro pleno das Nações Unidas e um Estado palestino independente e viável, dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas de 1967, incluindo Gaza e Cisjordânia e tendo Jerusalém Oriental como capital.</p>
<h2>Xi volta à Índia após sete anos</h2>
<p>Além das negociações entre os integrantes do Brics, a cúpula abriu espaço para encontros bilaterais entre algumas das maiores potências do grupo.</p>
<p>Xi Jinping voltou à Índia depois de sete anos. A visita ocorreu após um longo período de tensão entre Pequim e Nova Délhi, agravado pelos confrontos entre tropas dos dois países na fronteira do Himalaia em 2020.</p>
<p>Modi e Xi discutiram a recuperação das relações bilaterais, a disputa na fronteira, comércio e acesso aos mercados. Os dois defenderam que as diferenças entre China e Índia não se transformem em disputas. Xi também pediu uma atuação maior do Brics na busca da paz no Oriente Médio e criticou tarifas indiscriminadas e medidas protecionistas.</p>
<p>Modi também se reuniu com Vladimir Putin. No encontro, realizado no dia 11, às vésperas da abertura formal da cúpula, os dois discutiram comércio, energia, defesa, espaço e outras áreas da relação entre Índia e Rússia. Também conversaram sobre os conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro e seus impactos sobre o comércio marítimo.</p>
<p>A guerra contra a Ucrânia entrou, portanto, nas conversas entre os líderes. Modi voltou a defender diálogo e diplomacia para solucionar os conflitos e reiterou a disposição da Índia de contribuir para esforços de paz. A guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, porém, não recebeu uma referência específica na Declaração de Nova Délhi.</p>
<h2>Brasil leva desigualdade e reforma da ONU à declaração</h2>
<p>Sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil foi representado por Mauro Vieira. Entre as propostas de interesse brasileiro incorporadas ao resultado da cúpula está a criação de um painel internacional sobre desigualdade, iniciativa apresentada em conjunto por Brasil e África do Sul para produzir conhecimento e recomendações voltados ao enfrentamento das disparidades econômicas e sociais.</p>
<p>Outra pauta histórica da diplomacia brasileira aparece no capítulo sobre a reforma da governança internacional. O Brics defende mudanças nas Nações Unidas e em instituições como Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio (OMC), com maior representação dos países em desenvolvimento.</p>
<p>China e Rússia, integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU, reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia de exercer um papel maior nas Nações Unidas, inclusive no Conselho de Segurança. O documento, porém, não afirma expressamente que os dois países devam receber assentos permanentes.</p>
<p>A posição sobre comércio também toca diretamente o Brasil. O país está entre as economias atingidas pelas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Na declaração, os integrantes do Brics manifestam “sérias preocupações” com tarifas e medidas não tarifárias unilaterais consideradas incompatíveis com as regras da OMC.</p>
<p>Vieira afirmou durante a cúpula que o sistema de governança global passa por um “colapso” e defendeu um “multilateralismo renovado e legítimo”. A reforma das instituições internacionais, a defesa das regras multilaterais de comércio e o combate à desigualdade ficaram, assim, entre os pontos defendidos pelo Brasil que aparecem no resultado do encontro.</p>
<h2>Tarifas entram na mira do Brics</h2>
<p>Embora não mencione os Estados Unidos no trecho sobre comércio, a declaração critica tarifas e outras medidas unilaterais consideradas incompatíveis com as regras da OMC.</p>
<p>Segundo o documento, essas barreiras podem reduzir o comércio, romper cadeias globais de suprimentos e ampliar as desigualdades econômicas. O Brics também condena medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional, incluindo sanções econômicas e sanções secundárias não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU.</p>
<p>A posição ganha peso diante das políticas comerciais dos Estados Unidos, que atingiram algumas das maiores economias do grupo, entre elas China, Índia e Brasil.</p>
<p>O Brics reafirmou ainda a defesa de um sistema multilateral de comércio centrado na OMC e pediu avanços na reforma da organização.</p>
<h2>Mais negócios em moedas locais</h2>
<p>Os países decidiram continuar as discussões para ampliar o uso de suas próprias moedas no comércio e nos investimentos entre integrantes do Brics.</p>
<p>O trabalho envolve mecanismos de pagamentos internacionais e maior interoperabilidade entre sistemas nacionais, com o objetivo de tornar as transações mais rápidas, baratas, acessíveis e seguras. A declaração ressalta que as soluções devem respeitar as prioridades e as legislações de cada país, sem um modelo único para todos.</p>
<p>O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, também é incentivado a ampliar seus financiamentos em moedas locais.</p>
<h2>Saúde e inteligência artificial</h2>
<p>Na área da saúde, uma das iniciativas é avançar na criação de um sistema integrado de alerta precoce para prevenir e responder a grandes surtos de doenças infecciosas.</p>
<p>A declaração também trata de doenças transmitidas entre animais e seres humanos, resistência aos antimicrobianos, desenvolvimento de vacinas e cooperação em saúde digital.</p>
<p>Na inteligência artificial, os integrantes defendem maior cooperação para ampliar o acesso à tecnologia, especialmente no Sul Global, e avançar na discussão sobre a governança internacional da IA. O documento também prevê cooperação em infraestrutura pública digital.</p>
<h2>China assume a presidência em 2027</h2>
<p>A cúpula de Nova Délhi encerra a presidência indiana do Brics em 2026. A China assumirá a presidência rotativa do grupo em 2027 e sediará a 19ª Cúpula do Brics.</p>
<p>A Declaração de Nova Délhi registra o apoio dos demais integrantes à presidência chinesa e à realização do próximo encontro no país.</p>
<p>A passagem do comando para Pequim ocorre em um momento em que o Brics tenta ampliar seu peso na governança mundial sem eliminar as diferenças entre seus integrantes — diferenças que a guerra no Oriente Médio e as disputas comerciais com os Estados Unidos deixaram particularmente evidentes em Nova Délhi.</p>
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        <media:credit role="provider">Divulgação/ Ministério de Relações Exteriores da Índia</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Combates no Iêmen deixam 46 mil deslocados e agravam crise humanitária</title>
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      <pubDate>Sat, 12 Sep 2026 16:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Pelo menos 46 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde a retomada, na semana passada, dos combates entre os houthis, movimento político e armado apoiado pelo Irã que controla parte do Iêmen, e forças pró-governo no sudoeste do país. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, o número de deslocados estava “aumentando de forma alarmante a cada hora”.</p>
<p>A nova onda de deslocamentos ocorre em meio a uma ofensiva dos houthis pela costa do Mar Vermelho. Na sexta-feira, 11, o grupo avançou por cidades e ilhas da região e passou a controlar o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.</p>
<p>O avanço começou com a tomada de Mokha, importante cidade portuária da província de Taiz. Os houthis seguiram, então, para o sul, ocupando Dhubab, a ilha de Perim e outras áreas costeiras.</p>
<p>Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e está em uma das principais rotas marítimas entre a Ásia e a Europa. A posição conquistada pelos houthis aumenta a preocupação com a navegação internacional e amplia os efeitos potenciais do conflito para além do Iêmen.</p>
<h2>Famílias fogem novamente</h2>
<p>Após a tomada de Mokha, moradores foram vistos deixando a cidade com seus pertences. Em três distritos de Taiz — Maqbanah, Jabal Habashi e Al Ma’afer — vilarejos inteiros ficaram vazios à medida que os combates se aproximaram de áreas habitadas. A estrada entre Mokha e Taiz, importante para o abastecimento, também teria sido interrompida.</p>
<p>“As famílias estão sendo obrigadas a fugir pela segunda ou terceira vez desde o início deste conflito, praticamente sem nada”, afirmou Amy Pope, diretora-geral da OIM. Segundo ela, a expansão dos combates também dificulta a chegada de assistência humanitária.</p>
<p>A nova escalada atinge um país que já enfrenta uma grave crise humanitária. Segundo informações apresentadas ao Conselho de Segurança da ONU, mais de 22 milhões de pessoas precisam de assistência no Iêmen e mais de 18 milhões enfrentam insegurança alimentar aguda.</p>
<p>Novos deslocados estão chegando às províncias de Lahj e Aden, enquanto há relatos de pessoas seguindo para o norte, em direção a Ibb. A OIM afirma que os estoques de emergência já estão reduzidos depois das recentes operações de socorro às vítimas de enchentes. Entre as necessidades mais urgentes estão abrigo, alimentos, água, itens domésticos, assistência médica e serviços de proteção.</p>
<h2>Sistema de saúde sob pressão</h2>
<p>A escalada também agrava a situação do sistema de saúde. Pelo menos 14 civis, entre eles duas crianças, foram mortos ou feridos desde o início de setembro, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou ainda 67 mortes e 288 feridos entre 6 e 24 de agosto em sete províncias.</p>
<p>Apenas 60% das unidades de saúde do Iêmen estão plenamente operacionais. Hospitais de Marib, Hadramaut e Taiz recebem um fluxo crescente de pacientes com traumas, pressionando serviços de emergência, centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva.</p>
<p>No Hospital Geral de Marib, os serviços de maternidade e obstetrícia foram temporariamente suspensos para liberar recursos para o atendimento dos feridos. O número de mortos também ultrapassou a capacidade do necrotério.</p>
<h2>Tensão com os sauditas e pedido de apoio aos EUA</h2>
<p>A ofensiva também aumentou a tensão entre os houthis e a Arábia Saudita. Em reunião do Conselho de Segurança da ONU, o representante saudita declarou que ataques com mísseis e drones contra Abha, Khamis Mushait, Jazan e Najran, em 8 de setembro, deixaram 73 civis feridos, entre eles mulheres e crianças.</p>
<p>Neste sábado, 12, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os houthis procuraram seu governo e sinalizaram que não querem um confronto direto com Washington. “Eles não querem que nós os ataquemos”, disse Trump a jornalistas em Dublin.</p>
<p>O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, procurou Trump em busca de apoio militar americano contra os houthis, mas o presidente decidiu não envolver diretamente os Estados Unidos na ofensiva. Washington ofereceu apoio de inteligência à Arábia Saudita.</p>
<p>Trump também afirmou que o Irã provavelmente está por trás do ataque ao oleoduto que liga campos produtores de petróleo no leste da Arábia Saudita ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A estrutura chegou a ser temporariamente fechada. Até o momento, ninguém reivindicou a responsabilidade pelo ataque.</p>
<p>Os houthis afirmaram que pretendem manter Bab el-Mandeb aberto à navegação, com exceção de embarcações ligadas à Arábia Saudita.</p>
<h2>Uma guerra que se arrasta desde 2014</h2>
<p>Os houthis tomaram Sanaa, a capital, em 2014, expulsando da cidade o governo reconhecido internacionalmente. Desde então, enfrentam forças do governo iemenita, apoiadas pela Arábia Saudita. A relativa calmaria que predominava desde 2022 se desfez com a intensificação dos confrontos em diferentes frentes.</p>
<p>A OIM pediu às partes envolvidas que garantam acesso humanitário seguro e contínuo e protejam trabalhadores, instalações e meios utilizados nas operações de ajuda.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ OMS</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
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      <title>Multidão toma as ruas de Teerã em cortejo fúnebre de Ali Khamenei</title>
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      <pubDate>Mon, 06 Jul 2026 21:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Iniciado no sábado, 4, o cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, morto no ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, levou uma multidão para as ruas de Teerã nesta segunda-feira, 6. Segundo a imprensa estatal iraniana, a procissão percorreu cerca de 10 quilômetros entre a praça da Revolução e a praça Azadi.</p>
<p>Vestidos de preto, os participantes carregavam bandeiras do Irã, retratos de Khamenei e faixas com a inscrição "Nós nos levantaremos", enquanto entoavam palavras de ordem em homenagem ao líder, que morreu no dia 28 de fevereiro. O metrô da capital ficou lotado desde as primeiras horas da manhã e, apesar das temperaturas próximas dos 40°C, a marcha transcorreu sem incidentes. No fim do dia, o corpo de Khamenei seguiu para Qom, principal centro religioso xiita do país, onde novas cerimônias serão realizadas antes de homenagens em cidades do Iraque.</p>
<p>Khamenei será sepultado na quinta-feira, 9, no Santuário do Imã Reza, em Mashhad, a cidade natal do aiatolá. O complexo abriga o túmulo de Ali al-Rida (Imã Reza), o oitavo imã do islamismo xiita, e é considerado o local mais sagrado do Irã e um dos principais centros de peregrinação do mundo muçulmano, recebendo cerca de 30 milhões de visitantes por ano.</p>
<p>O cortejo ocorre menos de duas semanas depois da entrada em vigor do cessar-fogo na guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, negociado após dias de confrontos. A dimensão do funeral chamou atenção porque, alguns meses antes da guerra, o Irã enfrentava um cenário de forte contestação interna, marcado por protestos reprimidos pelas forças de segurança. Para analistas, a mobilização desta segunda-feira representa uma demonstração de apoio ao regime em um momento de reorganização política após a morte de seu principal líder.</p>
<p>Bandeiras vermelhas, tradicionalmente associadas ao desejo de vingança, marcaram o cortejo. Em meio à multidão, viam-se mensagens contra Israel e os Estados Unidos. No domingo, 5, durante a oração fúnebre, participantes escreveram "Morte a Trump" no palco.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asE63jCIIAxgvn2m5.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O funeral esteve marcado por bandeiras e cores vermelhas, tom usado para significar vingança, foram vistas ao longo do cortejo."/>
<p>O governo buscou transformar a cerimônia em uma demonstração de unidade nacional. O sucessor do aiatolá, seu filho Mojtaba Khamenei, não foi visto publicamente. Segundo autoridades iranianas, ele permaneceu ausente por razões de segurança, e não em decorrência de ferimentos sofridos durante os ataques israelenses ao complexo presidencial. Outros três filhos do aiatolá, que sobreviveram ao bombardeio, estiveram presentes no funeral. Além de Khamenei, quatro integrantes da família morreram na data.</p>
<p>Ao comentar a mobilização popular para a despedida do aiatolá, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que as imagens do funeral demonstram a coesão do país. Ele rebateu declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que havia classificado o luto dos iranianos como "lágrimas falsas".</p>
<p>Mais de 300 jornalistas estrangeiros receberam vistos para cobrir as cerimônias, uma abertura rara promovida pelo regime para mostrar ao mundo a dimensão da despedida de Khamenei, que estava no poder desde 4 de junho de 1989, quando sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini.</p>
<p>Como líder supremo, Khamenei concentrava o comando das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária, do Judiciário e das diretrizes da política externa e do programa nuclear iraniano. Durante seu governo, consolidou a influência de Teerã no Oriente Médio por meio de grupos aliados no Líbano, Síria, Iraque e Iêmen, enfrentou sucessivas rodadas de sanções internacionais e manteve uma postura de confronto com Israel e os Estados Unidos.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/Iran Press/Instagram</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Papamóvel que virou clínica para crianças em Gaza ganha prêmio em Cannes</title>
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      <pubDate>Tue, 23 Jun 2026 15:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um dos maiores reconhecimentos mundiais à criatividade, o festival Cannes Lions, que ocorre todos os anos no sul da França, dedica algumas de suas categorias de premiação ao impacto social. Na noite da segunda-feira, 22, um desses cobiçados troféus foi concedido a um projeto que deu novo uso a um dos símbolos mais conhecidos do Vaticano, o papamóvel.</p>
<p>O Lions Health Grand Prix for Good, categoria que faz parte dos prêmios especiais do festival - também chamado de Oscar da publicidade -, foi para "Vehicle of Hope", projeto que transformou esse veículo desenvolvido originalmente para transportar o sumo pontífice em uma clínica móvel para atender crianças na Faixa de Gaza. A ideia de modificar o papamóvel é das agências suecas Differ e Colony para a Caritas, entidade mundial de organizações católicas presente em mais de 200 países. Foi por meio dela que a proposta virou realidade.</p>
<p>A premiação especial, que tem a parceria da Fundação das Nações Unidas, reconhece iniciativas que utilizam a criatividade para enfrentar desafios humanitários e gerar benefícios concretos para a sociedade. Diferentemente das categorias tradicionais do festival – voltadas para marcas e campanhas com objetivos de negócios –, o Grand Prix for Good destaca ações em que o impacto social é o principal resultado.</p>
<p>O papamóvel modificado foi utilizado pelo papa Francisco durante a visita que fez a Belém, na Cisjordânia, em 2014. A proposta foi apresentada ao pontífice no início de 2025 e recebeu sua aprovação poucos meses antes de sua morte.</p>
<p>Batizado de “Vehicle of Hope” ("Veículo da Esperança"), o automóvel foi equipado com vacinas, medicamentos, cilindros de oxigênio, kits de sutura, equipamentos de diagnóstico e monitoramento clínico. A unidade foi projetada para prestar atendimento médico em áreas devastadas pela guerra, basta que haja acesso seguro ao território.</p>
<p>Segundo a Caritas, a clínica móvel pode atender até 200 crianças por dia quando as condições permitirem seu deslocamento pelas áreas atingidas. </p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asXnmVaI2LNlhGrN9.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Interior de uma clínica móvel com equipamentos para atendimento pediátrico."/>
<p>A iniciativa nasceu em meio à grave crise humanitária enfrentada pela população de Gaza. Bloqueios e o conflito na região dificultam a entrada de profissionais de saúde e suprimentos médicos.</p>
<p>A proposta do “Vehicle of Hope” chamou atenção do júri que analisava trabalhos nas categorias de Health & Wellness e Pharma (competições que envolvem, em geral, laboratórios farmacêuticos, hospitais e fabricantes de equipamentos e produtos para a saúde). Eles justificaram a decisão de conferir esse Leão (nome dos prêmios) pela transformação de um símbolo religioso em uma infraestrutura de atendimento médico. Ou seja, a ideia foi além da conscientização de um problema de saúde para oferecer uma solução prática.</p>
<p>O presidente do júri que definiu essa escolha, David Ohana, diretor de comunicação e marketing da Fundação para as Nações Unidas, afirmou que o projeto representa "audácia, coragem e o poder transformador da criatividade".</p>
<p>"O projeto leva luz onde há escuridão, escolhe a esperança em vez do ódio e demonstra pessoas ajudando pessoas — exatamente o que o mundo mais precisa neste momento", declarou.</p>
<p>Além dessa vitória, “Vehicle of Hope” é finalista de outro prêmio disputadíssimo em Cannes, o de Titanium, reservado às ideias capazes de provocar ruptura ou promover uma mudança significativa na comunicação. Mas esse prêmio terá seus vencedores revelados na sexta-feira, 26, dia de encerramento do festival.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="photographer">JOSEPH SAADEH</media:credit>
        <media:credit role="provider">Divulgação/Caritas</media:credit>
        <media:title>papamovel-clínica-móvel</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Irã agradece Los Angeles por Copa do Mundo 2026</title>
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      <pubDate>Mon, 22 Jun 2026 15:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os atletas do Irã deixaram uma emocionante carta de agradecimento à cidade de Los Angeles após o empate de 0 a 0 com a Bélgica na noite de domingo, 21. </p>
<p>O texto, escrito em uma letra caprichosa e com corações desenhados, tem um tom emocional e exalta o desejo de paz,  respeito e amizade da Copa do Mundo. </p>
<h2>"Que a paz e o respeito prevaleçam"</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asdx0k9B1sgMzBidp.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Carta deixada pelos jogadores do Irã no vestiário em Los Angeles. Confira texto na íntegra:

“Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã segue vivo e firme.

Nós viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e deixamos a cidade com dignidade. Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade.

E obrigado a cada iraniano que deu que deu seu coração, sua voz e sua alma pelo Irã durante esse 180 minutos

Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações.” "/>
<p>A  mensagem na íntegra, em português:</p>
<p> “Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã segue vivo e firme</p>
<p>Viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e deixamos a cidade com dignidade. Obrigado, Los Angeles, por sua hospitalidade.</p>
<p>E obrigado a cada iraniano que dedicou  seu coração, sua voz e sua alma ao Irã durante esses 180 minutos</p>
<p>Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações.”</p>
<h2>Deslocamento cansativo</h2>
<p>A cidade de Los Angeles recebeu os dois jogos do Irã no Grupo G, sempre indo e voltando de sua concentração baseada em Tijuana, no México. No dia 15, o Irã jogou com a Nova Zelândia, partida que acabou empatada em 2 a 2. </p>
<p>Em ambos os jogos houve massivo suporte da comunidade iraniana que vive nos Estados Unidos, que chegou a exibir antigas bandeiras do país, anteriores ao regime atual, em vigor desde 1979. O próximo jogo no Grupo G, será contra o Egito em Seattle, dia 27.</p>
<p>O esforço de deslocamento, bastante cansativo para os jogadores, foi adotado depois de uma série de restrições envolvendoa estadia do time nos Estados Unidos, uma vez que boa parte dos jogadores e dirigentes iranianos tiveram sua estadia e circulação no país vetada pelo governo americano.</p>
<h2>Negociações complexas</h2>
<p>O conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, com ataques também ao Líbano, está passando por negociações, com um acordo de cessar fogo provisório, depois de intenso conflito armado direto iniciado em fevereiro deste ano. </p>
<p>Em meio a uma situação  extremamente frágil e complexa, representantes do Irã e dos Estados Unidos seguem em reuniões diplomáticas na Suíça, com intermediação do Paquistão e do Catar.</p>
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        <media:credit role="photographer">Divulgação </media:credit>
        <media:credit role="provider">Iranian Football Federation</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Daniel Hessel Teich]]></dc:creator>
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