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    <title>Global South World Brasil - ONU</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Trump ameaça na ONU usar ‘poderio militar’ na América Latina</title>
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      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 18:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu nesta terça-feira, 22, diante da 81ª Assembleia Geral da ONU que está disposto a utilizar o “poderio militar sem igual” do país para assegurar seus interesses na América Latina.</p>
<p>Tais interesses passam por uma mudança de regime em Cuba, onde o governo comunista “cairá”, afirmou, e também por uma batalha sem trégua contra os cartéis de drogas, que seriam o “Estado Islâmico” da região, acrescentou Trump.</p>
<p>“Os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, utilizaremos nosso poderio militar sem igual para assegurar os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, disse.</p>
<p>“Os cartéis são o EI [grupo jihadista Estado Islâmico] do hemisfério” e, assim como os combatentes do EI, “deveriam ser executados, exilados ou detidos”, ressaltou o republicano.</p>
<p>O presidente chamou esses grupos de “organizações terroristas” em fevereiro do ano passado e, meses depois, iniciou uma campanha de ataques militares contra supostas embarcações usadas pelo narcotráfico, primeiro no Caribe e depois no Pacífico, com mais de 200 mortes até agora.</p>
<p>Trump defendeu esses ataques, apesar das críticas de organismos internacionais e de alguns governos da região. “Ninguém acreditava que fosse possível”, afirmou.</p>
<p>O poderio militar norte-americano não tem comparação, comentou o presidente. “Nossas ações na Venezuela são prova disso”, acrescentou.</p>
<p>Entre os presentes no grande salão da Assembleia Geral estava a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com quem estava previsto um breve encontro com Trump na própria terça-feira.</p>
<p>Forças norte-americanas capturaram e retiraram do país, em janeiro, o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, em uma audaciosa operação noturna.</p>
<p>Trump, que criou uma aliança regional de segurança, o Escudo das Américas, com governos conservadores aliados na América Latina, afirmou em várias ocasiões que agora é “a vez de Cuba”.</p>
<p>“Cuba cairá”, advertiu o presidente na tribuna da ONU.</p>
<p>“O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba”, disse.</p>
<p>“O regime comunista está sob forte pressão, a maior que já enfrentou”, afirmou, em referência ao bloqueio de petróleo e às sanções contra o regime.</p>
<p>Pouco antes do discurso de Trump, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva,  havia criticado os “inimigos da democracia” que, em sua avaliação, tentam interferir na região .</p>
<p>“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a testemunhar a ingerência estrangeira nos processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência para incursões neocoloniais em busca de recursos estratégicos constitui um gesto anacrônico”, declarou Lula, que busca a reeleição nas eleições, cujo primeiro turno acontece em 4 de outubro.</p>
<h2>Irã, Groenlândia e IA</h2>
<p>Outros temas de política externa e segurança entraram no discurso de Trump – que durou 37 minutos, mais que o dobro dos 15 minutos recomendados pela ONU para cada representante. Um deles foi o conflito com o Irã, a ampliação da presença militar norte-americana na Groenlândia e a “superinteligência”, como prefere chamar a inteligência artificial.</p>
<p>•  Acordo com o Irã  – Trump voltou a afirmar que não permitirá que o país tenha uma arma nuclear e fez uma ameaça direta ao regime iraniano. Depois de dizer que os Estados Unidos deram ao país oportunidades para negociar, apresentou duas alternativas: “Será feito um acordo com o Irã que permita que eles reconstruam e criem um país muito maior do que jamais foi antes, talvez um dos maiores do Oriente Médio ou até do mundo? Ou eu aniquilo a República Islâmica, e faço isso rapidamente, sem lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países novamente?” O presidente norte-americano disse, porém, acreditar que um acordo será alcançado após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. “A única coisa que importa é que o Irã nunca terá uma arma nuclear.”</p>
<p>•  Petróleo da Venezuela  – O mandatário destacou que Estados Unidos e Venezuela assinaram no mês passado “o maior acordo de petróleo da história”, envolvendo 65 bilhões de barris, e afiançou que o negócio beneficiará “enormemente” os dois países. Ao falar do acordo, relacionou diretamente o negócio ao resultado da intervenção norte-americana em território venezuelano. “Quando se somam Estados Unidos e Venezuela, temos mais de 60% do petróleo do mundo. Então, talvez seja o maior acordo. Foi uma guerra, mas talvez seja o maior acordo já feito. Ao vencedor pertencem os despojos”, declarou.</p>
<p>•  Presença na Groenlândia  – Trump falou da ampliação permanente da presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia por meio de um acordo com a Dinamarca e o governo groenlandês. O pacto mantém a soberania dinamarquesa sobre o território, mas amplia os direitos militares norte-americanos e prevê duas novas instalações, além da base que já mantêm na ilha. “Teremos capacidade total para fazer o que for necessário para defender o continente norte-americano, e também a Europa e outros lugares”, assegurou. Ele afirmou ainda que nenhum adversário dos EUA poderá estabelecer presença militar ou realizar investimentos considerados sensíveis na Groenlândia sem autorização de Washington.</p>
<p>•  Superinteligência x IA  – O presidente norte-americano afirmou que o governo passará a adotar o termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial” por acreditar que a palavra “artificial” faz a tecnologia parecer falsa. “Não é falsa. Na verdade, é incrível. Mas temos de ter cuidado”, afirmou. “A partir de agora, todos os documentos dos Estados Unidos e, espero, do mundo serão alterados para usar o termo muito mais preciso: ‘super’, em vez de ‘artificial’.” Ele salientou que os Estados Unidos não pretendem frear o desenvolvimento da tecnologia e disse que o país está à frente da China nessa área.</p>
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        <media:credit role="provider">Divulgação/ ONU / Loey Felipe</media:credit>
        <media:title>Donald-Trump-ONU</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[AFP, GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Na ONU, Lula se equilibra entre defesa do multilateralismo e discurso de candidato</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/na-onu-lula-se-equilibra-entre-defesa-do-multilateralismo-e-pauta-eleitoral</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 15:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Ao fazer o discurso de abertura dos debates da  Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas)  nesta terça-feira, 22,   o  presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  alternou a  defesa do multilateralismo , que o opõe ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outras lideranças da direita global, com  pautas da campanha eleitoral brasileira , em que vê sua reeleição ameaçada pelo avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas. </p>
<p>Ainda no início do discurso, o petista afirmou que este é o "momento mais crítico" nas Nações Unidas. "A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis –- os que não têm exército, nem arsenais –- nunca foi tão pequena", afirmou.</p>
<p>A tônica de defesa hegemônica e unilateral de cada nação, que tem Trump à frente, ganhou força na medida em que conflitos militares entre Irã, EUA e Israel e Ucrânia e Rússia prosseguem sem sinais de recrudescimento. Lula ponderou que, no ano de 2025, o mundo registrou o "maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra". Ao discursar em seguida, vale registrar, Trump sugeriu a possibilidade de "aniquilar" o Irã.</p>
<p>Em contraposição às principais lideranças da direita global, refratárias a acordos e entidades multilaterais, o brasileiro afirmou que a OMC (Organização Mundial do Comércio) "respira por aparelhos", refutou a necessidade de porta-aviões vigiando os oceanos e relatou ter entregado pessoalmente ao mandatário americano uma proposta que defende a cooperação como melhor forma de combater o crime -- a Casa Branca atribuiu ao enfrentamento do narcotráfico a invasão à Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro.</p>
<p>A duas semanas de disputar a reeleição nas urnas, o petista reservou boa fatia do discurso às bandeiras entoadas na campanha em que tem Flávio Bolsonaro como principal oponente. O palanque nova-iorquino é essencial em um contexto de acirramento da disputa:  na última edição do Datafolha, presidente e senador empataram tecnicamente nos cenários de primeiro e segundo turnos .</p>
<p>Pressionado pela direita neste campo, Lula afirmou que, durante muitos anos, o "crime se aproveitou da falta de coordenação" das autoridades no país, mas isso mudou. "Em 2005, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime", disse.</p>
<p>A exemplo do que levou à propaganda eleitoral nesta semana, o  mandatário afirmou que o Brasil "não vai tolerar" o modelo de negócio dos sites de aposta -- as chamadas bets  --, ao qual atribuiu responsabilidade pelo endividamento e destruição de lares. Em outra bandeira de campanha,  defendeu o fim da escala 6x1  para dar ao trabalhador "tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família".</p>
<p>Por fim, em recado mais claro ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar por tentar um golpe de Estado, afirmou que  "mudar não é retroceder" e que, em 4 de outubro, os brasileiros irão "entre democracia e negacionismo"  e "se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão".</p>
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        <media:credit role="photographer">ANGELA WEISS</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Lula Assembleia ONU 2026</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Lula viaja a Nova York para Assembleia Geral da ONU em meio a conflitos internacionais</title>
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      <pubDate>Sun, 20 Sep 2026 15:18:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participa da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). </p>
<p>O principal compromisso será o discurso de abertura da sessão de alto nível, na terça-feira (22), quando o presidente deve defender o multilateralismo, a negociação como caminho para a solução de conflitos e o respeito ao direito internacional humanitário.</p>
<p>A guerra e as demais crises internacionais devem ocupar espaço no discurso, assim como a defesa brasileira pela não interferência em assuntos internos de outros países. </p>
<p>Lula também deve voltar a defender uma reforma da ONU, especialmente do Conselho de Segurança, cuja composição e funcionamento são considerados pelo governo brasileiro incompatíveis com a realidade atual das relações internacionais.</p>
<p>A agenda começa com a chegada a Nova York ainda no domingo. Na segunda-feira (21), Lula terá reuniões bilaterais, incluindo um encontro com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, do Partido Democrata. </p>
<p>Na manhã de terça-feira, antes do discurso na Assembleia Geral, o presidente se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Lula retorna ao Brasil no mesmo dia.</p>
<p>Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ao longo dos três mandatos, ele deixou de comparecer apenas em 2010.</p>
<h2>Possível encontro de Lula e Trump</h2>
<p>O Itamaraty não confirmou um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a passagem dos dois pela ONU. Trump será o segundo chefe de Estado a discursar na sessão de abertura, logo depois do presidente brasileiro, o que pode levar os dois a se encontrar nos bastidores.</p>
<p>No ano passado, Lula e Trump tiveram um breve contato quando o brasileiro deixava o palco após seu discurso e o norte-americano se preparava para falar.</p>
<p> Depois, Trump classificou a relação entre os dois como marcada por uma "química excelente". Desde então, os presidentes tiveram outros encontros.</p>
<h2>Mauro Vieira terá agenda durante toda a semana</h2>
<p>O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de reuniões do Brics, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), além de encontros da Celac e do Consenso de Brasília.</p>
<p>Vieira também presidirá duas reuniões ministeriais. No dia 23, comandará o encontro da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante sua presidência do G20.</p>
<p> No dia seguinte, presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), atualmente sob presidência brasileira.</p>
<p>O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também estará em Nova York entre os dias 21 e 23 para participar de atividades relacionadas à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. Ele participará do encontro da Aliança Global no dia 23.</p>
<p>A delegação brasileira ainda terá reuniões e atividades relacionadas à situação da Palestina e à solução de dois Estados, ao combate à desigualdade, à Comissão de Consolidação da Paz e ao direito internacional humanitário.</p>
<p>Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, participam da programação a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, em atividades ligadas às respectivas áreas de atuação.</p>
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        <media:title>lula onu</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>ONU autoriza Autoridade Palestina a discursar por vídeo após novo veto de visto dos EUA</title>
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      <pubDate>Fri, 18 Sep 2026 14:03:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira, 17, uma resolução que permite ao presidente da Autoridade Palestina,  Mahmoud Abbas , discursar por vídeo na sessão de alto nível da próxima semana. </p>
<p>A votação ocorre após os Estados Unidos negaram, pelo segundo ano consecutivo, o visto que permitiria a Abbas viajar a Nova York.</p>
<p>O texto foi aprovado com 152 votos a favor, três contra e quatro abstenções.  Votaram contra Estados Unidos, Israel e Paraguai.</p>
<p>A resolução também autoriza Abbas e outros representantes palestinos de alto escalão a participar remotamente de reuniões e conferências da ONU ao longo do próximo ano, sempre que estiverem impedidos de viajar aos Estados Unidos.</p>
<p>Washington associa as restrições de visto a ações da Autoridade Palestina e da OLP, incluindo iniciativas para levar Israel a instâncias internacionais. </p>
<p>O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, disse que Abbas "não pode recompensar o terrorismo e exigir legitimidade internacional", referência aos pagamentos da Autoridade Palestina a famílias de presos e atacantes.</p>
<p>Do lado palestino, o Ministério das Relações Exteriores classificou as restrições de visto como violação do Acordo de Sede de 1947, que obriga os Estados Unidos, como país-sede da ONU, a facilitar o acesso de representantes a atividades da organização. </p>
<p>Washington argumenta que o acordo prevê exceções por motivos de segurança e política externa.</p>
<p>Será a segunda vez seguida que Abbas discursa por vídeo na Assembleia Geral.</p>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Ciclo da água está se tornando mais imprevisível, alerta ONU</title>
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      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 19:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O ciclo da água está se tornando cada vez mais imprevisível e o fenômeno El Niño deve agravar a tendência a longo prazo, alertou nesta quinta-feira (17) a ONU.</p>
<p>O ano de 2025 foi um dos períodos mais secos para os rios em três décadas, destacou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu relatório anual sobre o Estado dos Recursos Hídricos Mundiais.</p>
<p>Além disso, em 2025, um dos anos mais quentes já registrados, as geleiras também sofreram reduções em todas as regiões. Os níveis de águas subterrâneas em muitas partes do mundo estão em queda há vários anos, explicou a OMM.</p>
<p>No relatório, a organização indica que as reservas de água doce da Terra, ou seja, a quantidade total de água armazenada em aquíferos, lagos e rios, umidade do solo, vegetação, assim como em gelo e neve, continuam em queda – uma tendência que se prolonga há uma década.</p>
<p>Alguns elementos do ciclo da água mudam rapidamente, como as precipitações, a vazão dos rios e a umidade do solo, e respondem às condições meteorológicas em questão de dias ou semanas.</p>
<p>A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, expressou preocupação com o declínio das "reservas lentas", como as águas subterrâneas e as geleiras, que tradicionalmente têm funcionado como uma "conta poupança" para o planeta.</p>
<p>As reservas têm servido como um "colchão que absorve os anos ruins, de modo que uma única seca ou uma única estação seca não se traduza diretamente em uma crise hídrica", declarou à imprensa.</p>
<p>Agora "estamos esgotando a poupança", advertiu. "Estamos gastando nossas reservas", enfatizou.</p>
<h2>Mais desastres relacionados à água</h2>
<p>As geleiras também registram uma redução em ritmo vertiginoso, e 2025 será o quarto ano consecutivo em que perdem uma quantidade importante de massa de gelo em todas as regiões.</p>
<p>O relatório aponta que, entre 2023 e 2025, as geleiras perderam uma massa glacial mundial acumulada de 1.400 gigatoneladas de água, próximo de um terço das extrações anuais de água doce do mundo.</p>
<p>"As águas subterrâneas contam uma história semelhante: quase dois terços dos poços monitorados em todo o mundo apresentaram condições fora da norma histórica em 2025", afirmou Celeste Saulo.</p>
<p>De modo paralelo, destacou que estão acontecendo "mais desastres relacionados à água". Ela citou o atual padrão do El Niño, que deve ser o mais forte desde o início dos registros, há quatro décadas.</p>
<p>O El Niño é a fase quente de um ciclo climático natural que ocorre a cada dois a sete anos e se caracteriza por temperaturas oceânicas acima da média em todo o Oceano Pacífico, o que provoca mudanças em escala mundial nos padrões de ventos e precipitações e um clima imprevisível.</p>
<p>"O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de seca em algumas áreas e de enchentes em outras", advertiu a secretária-geral da OMM.</p>
<h2>Cenário anormal</h2>
<p>Mesmo antes de o El Niño ser percebido, os rios em todo o mundo já apresentavam vazões "anormais", indicou a OMM, sendo 2025 um dos três anos mais secos para os rios em 35 anos.</p>
<p>Pelo sétimo ano consecutivo, o número de bacias fluviais no mundo com condições "normais" foi claramente minoritário em 2025, com 36%.</p>
<p>A OMM ressaltou a importância de contar com bons dados para mapear a evolução do ciclo da água.</p>
<p>"O tempo não respeita fronteiras, e isso é especialmente verdadeiro no caso da água", afirmou Celeste Saulo, que defendeu a importância de "dados compartilhados, normas compartilhadas e alertas precoces compartilhados".</p>
<p>"Um desastre em um país pode provocar devastação em outro, como vimos com a recente tragédia da China e do Nepal", disse a secretária-geral da OMM.</p>
<p>Por Nina Larson / Agence France-Presse</p>
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        <media:credit role="photographer">ABDUL GONI</media:credit>
        <media:credit role="provider">Abdul Goni / Anadolu via AFP</media:credit>
        <media:title>Aftermath of the devastating flash floods in Nepal</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[AFP]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Projeto do Cerrado é reconhecido pela ONU como ‘Referência de Restauração’</title>
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      <pubDate>Sun, 06 Sep 2026 15:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A iniciativa brasileira Araticum – Restauração do Cerrado Brasileiro recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU) o título de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), reconhecimento concedido a iniciativas consideradas exemplos de recuperação de ecossistemas em grande escala e de longo prazo.</p>
<p>Com a escolha, anunciada no fim de agosto, o Brasil se tornou o único país a ter dois reconhecimentos desse tipo. O primeiro veio em 2022, com o Pacto Trinacional pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa conjunta de Brasil, Argentina e Paraguai.</p>
<p>Além da iniciativa brasileira, foram reconhecidos projetos na Arábia Saudita e no Sahel, região da África onde o projeto abrange Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. Juntos, os três assumem o compromisso de colocar quase cinco milhões de hectares em restauração até 2030.</p>
<p>As Referências da Restauração Mundial fazem parte da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021-2030), liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O reconhecimento destaca iniciativas que possam servir de referência para esforços de recuperação de ecossistemas em outras partes do mundo.</p>
<h2>O que é a Araticum</h2>
<p>Criada em 2020, a Araticum, Articulação pela Restauração do Cerrado, é uma rede colaborativa que atua para promover e monitorar a restauração ecológica do bioma. A iniciativa nasceu com a meta de contribuir para a restauração de dois milhões de hectares até 2030.</p>
<p>A rede reúne mais de 180 organizações e envolve povos indígenas e quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, empresas e instituições governamentais. As ações apoiadas pela iniciativa alcançam nove estados brasileiros e incluem regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas.</p>
<p>A atuação não se limita à recuperação de áreas degradadas. A Araticum faz monitoramento territorial, produz e dissemina conhecimento sobre restauração, trabalha para ampliar as áreas e os recursos disponíveis e atua na construção de políticas públicas. Também busca fortalecer as organizações locais e incluir povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares nos diferentes elos da cadeia da restauração, combinando conhecimentos tradicionais e locais com a pesquisa científica.</p>
<p>Mais de 27 mil hectares em processo de restauração já foram mapeados pela iniciativa. Sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas foram coletadas e utilizadas nas ações, contribuindo para uma cadeia produtiva que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.</p>
<p>O trabalho combina ainda a restauração ecológica com instrumentos como pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais e planejamento territorial.</p>
<p>O esforço ganha dimensão diante da situação do Cerrado. Com mais de dois milhões de quilômetros quadrados, o bioma já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, principalmente pela conversão de terras em grande escala. A degradação afeta a biodiversidade, a disponibilidade de água, a produção de alimentos e a capacidade de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.</p>
<p>“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”, afirmou Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum e coletora de sementes e integrante da comunidade tradicional geraizeira. Segundo ela, a escolha como Referência da Restauração Mundial reafirma a necessidade de investir na recuperação de florestas, savanas e campos nativos e no fortalecimento das organizações comunitárias que atuam na conservação.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asjkKpc5Nmcz43QVp.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A rede nasceu com a meta de contribuir para a restauração de dois milhões de hectares até 2030."/>
<h2>Brasil tem dois reconhecimentos</h2>
<p>O primeiro reconhecimento com participação brasileira ocorreu em 13 de dezembro de 2022, quando a ONU anunciou as dez primeiras Referências da Restauração Mundial.</p>
<p>Entre elas estava o Pacto Trinacional pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa de Brasil, Argentina e Paraguai. Na época, cerca de 700 mil hectares já haviam sido restaurados. A meta era alcançar um milhão de hectares até 2030 e 15 milhões até 2050.</p>
<p>O trabalho reúne centenas de organizações dos três países para recuperar a Mata Atlântica. As ações incluem recuperação da vegetação nativa, criação de corredores para a fauna e proteção de fontes de água.</p>
<h2>Os dez princípios da restauração</h2>
<p>As iniciativas reconhecidas como Referências da Restauração Mundial incorporam os dez princípios que orientam a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas. Eles estabelecem que a restauração:</p>
<h2>Mais dois reconhecimentos em 2026</h2>
<p>A ONU concedeu o título também ao Programa Nacional de Reflorestamento da Arábia Saudita, que pretende restaurar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030. Até junho de 2026, um milhão de hectares de terras degradadas estava em processo de restauração e 159 milhões de árvores haviam sido plantadas.</p>
<p>A terceira iniciativa escolhida foi a Iniciativa Integrada de Resiliência do Sahel, desenvolvida em Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger. Liderado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, o trabalho combina recuperação de terras, manejo de solo e água e apoio às populações locais.</p>
<p>Até junho, mais de 335 mil hectares haviam sido restaurados. A meta é alcançar 470 mil hectares até 2030. De acordo com o Pnuma, mais de 4 milhões de pessoas já foram beneficiadas pela iniciativa.</p>
<p>A Araticum, o programa saudita e a iniciativa do Sahel se somam às Referências da Restauração Mundial reconhecidas desde 2022. Ao todo, 30 iniciativas já receberam o título. Juntas, elas somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e compromissos para recuperar cerca de 75 milhões de hectares até 2030.</p>
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        <media:credit role="provider">Pnuma/ Todd Brown</media:credit>
        <media:title>cerrado-restauração</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>ONU endossa iniciativa liderada pela África para corrigir mapas mundiais</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/onu-endossa-iniciativa-liderada-pela-africa-para-corrigir-mapas-mundiais</link>
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      <pubDate>Sat, 05 Sep 2026 15:12:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Assembleia Geral da ONU adotou, na sexta-feira (4/9), uma resolução liderada por países africanos que pede representações mais precisas do continente em mapas mundiais. </p>
<p>A medida recebeu 164 votos a favor, seis abstenções e um único voto contrário, por parte dos Estados Unidos.</p>
<p>Antes da votação, a representante adjunta dos EUA no Conselho Econômico e Social da ONU, Yaryna Ferencevich, criticou a proposta, argumentando que elas contribuem para a perda de credibilidade da ONU.</p>
<p>No entanto, a resolução foi aprovada por maioria esmagadora. O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou que as antigas distorções cartográficas ajudaram a minimizar a percepção sobre o tamanho da África e contribuíram para uma visão desequilibrada da geografia mundial.</p>
<p>A medida incentiva o uso da projeção Equal Earth, que preserva o tamanho relativo dos continentes, com maior precisão do que a tradicional projeção de Mercator, criada há séculos e amplamente utilizada até hoje.</p>
<p>Dussey ressaltou que a iniciativa não visa atingir nenhum país ou tradição cartográfica específica, mas, sim, incentivar projeções que reflitam melhor as proporções reais dos continentes.</p>
<p>A União Africana apoia a campanha por meio da iniciativa "Corrija o Mapa" ( Correct the Map ), sustentando que os mapas influenciam diretamente a forma como países e continentes são percebidos globalmente.</p>
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        <media:credit role="photographer">Manuel Elías</media:credit>
        <media:credit role="provider">UN Photo/Manuel Elías</media:credit>
        <media:title>ONU aprova novo modelo de mapas</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Portia Etornam Kornu]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>El Niño ‘muito forte’, inclusive no Brasil, amplia alerta climático da ONU</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/el-nino-muito-forte-inclusive-no-brasil-amplia-alerta-climatico-da-onu</link>
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      <pubDate>Thu, 03 Sep 2026 18:54:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU especializada em clima, tempo e recursos hídricos, fez nesta quinta-feira, 3, um novo alerta sobre a intensidade do El Niño. O fenômeno deve continuar se fortalecendo nos próximos meses, atingir um nível muito forte e ampliar os riscos de eventos extremos em diferentes partes do mundo ao longo de 2027.</p>
<p>No Brasil, um boletim divulgado na terça-feira, 1, pelo Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.</p>
<p>A avaliação divulgada pela OMM reforça o cenário de alerta. A organização considera excepcionalmente alta a probabilidade de o El Niño persistir até fevereiro de 2027 e prevê que ele atinja o pico de intensidade no fim deste ano.</p>
<p>Pacífico registra forte aquecimento</p>
<p>O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico na porção equatorial. Essas alterações interferem na circulação atmosférica e, consequentemente, nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.</p>
<p>As medições ajudam a explicar a preocupação atual. Segundo a OMM, as temperaturas da superfície do Pacífico ficaram 1,5 °C acima da média entre maio e junho e 2 °C acima em julho. Em agosto, as anomalias semanais variaram entre 2,2 °C e 2,6 °C.</p>
<p>Abaixo da superfície, o aquecimento é ainda maior. Em determinadas áreas, as temperaturas chegaram a mais de 8 °C acima da média.</p>
<p>A intensidade do El Niño, porém, não determina sozinha o tamanho de seus efeitos em cada país. Outros fatores climáticos regionais podem reforçar, reduzir ou modificar os impactos. A OMM destaca, por exemplo, que tanto o Atlântico Tropical Norte quanto o Sul devem permanecer com temperaturas acima da média.</p>
<p>Para os últimos três meses de 2026, a organização prevê temperaturas elevadas em todos os continentes, acompanhadas por alterações nos padrões de chuva.</p>
<p>Diante do cenário, a OMM iniciou a maior mobilização de sua história com serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para reforçar a preparação, as previsões e os sistemas de alerta precoce.</p>
<p>Outro alerta: estamos prestes a ultrapassar o limite de aquecimento</p>
<p>O aviso sobre o El Niño veio um dia depois de outro alerta climático das Nações Unidas. Na quarta-feira, 2, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou um relatório que aponta que a humanidade está prestes a ultrapassar temporariamente o limite de 1,5 °C de aquecimento em relação ao período pré-industrial.</p>
<p>Mesmo no cenário mais favorável analisado pelo Pnuma, o aquecimento chegaria a um pico de aproximadamente 1,8 °C antes de começar a recuar. Em outros cenários, ultrapassaria 2 °C.</p>
<p>Isso não significa abandonar a meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C, estabelecida pelo Acordo de Paris. Segundo a ONU, quanto menor for a elevação da temperatura e o período em que o planeta permanecer acima desse patamar, menores serão os riscos para a população e os ecossistemas.</p>
<p>O Pnuma defende, entre outras medidas, a redução acelerada da dependência de combustíveis fósseis, a expansão das fontes renováveis de energia, cortes nas emissões de metano e a recuperação de ecossistemas, como florestas e oceanos.</p>
<p>Os dois alertas tratam de fenômenos diferentes. O El Niño é um fenômeno natural e não é provocado pelo aquecimento global. A preocupação está nos efeitos de um episódio muito forte em um planeta que já registra temperaturas mais elevadas.</p>
<p>O que pode acontecer no Brasil</p>
<p>Por aqui, o alerta vem do Painel El Niño 2026-2027, iniciativa que reúne sete órgãos federais ligados ao monitoramento do clima, das águas e dos riscos de desastres.</p>
<p>Participam dele o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), responsável pelo monitoramento meteorológico do país; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que realiza pesquisas e previsões sobre tempo e clima; e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que acompanha ameaças como secas, enchentes e deslizamentos.</p>
<p>Segundo o Painel, a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro supera 90%. O documento também cita projeção da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), agência científica norte-americana responsável pelo monitoramento dos oceanos e da atmosfera, que calcula em 69% a possibilidade de o episódio de 2026/2027 ser o mais forte registrado desde 1950.</p>
<p>Os impactos previstos variam bastante pelo país. Para setembro, outubro e novembro, há maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul.</p>
<p>A maior preocupação é com a região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul. O boletim alerta para a possibilidade de chuvas intensas, grandes inundações e movimentos de massa, como deslizamentos.</p>
<p>O cenário é diferente no Norte e no Nordeste, onde são previstas chuvas abaixo da média. A mesma tendência aparece em partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional.</p>
<p>Na Amazônia Legal, área que engloba nove estados, a combinação de menos chuva e temperaturas elevadas pode prolongar a estação seca, diminuir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais. O Pantanal também exige atenção diante do risco de fogo.</p>
<p>O El Niño se intensifica em um momento em que parte do país já enfrenta falta de chuva. Em julho, 157 municípios brasileiros estavam em situação de seca severa. No Sudeste, algum grau de seca atingia 89% da região, quadro que pode se agravar caso a estação chuvosa comece mais tarde ou tenha volumes insuficientes.</p>
<p>No Nordeste, a seca também estava mais intensa e abrangente em julho de 2026 do que no mesmo mês de 2023. Dados da ANA indicavam seca moderada em 45% da região, ante 12% três anos antes.</p>
<p>Diante das projeções, o Painel recomenda que estados e municípios atualizem seus planos de contingência e reforcem o monitoramento e os sistemas de alerta. Para a população, a orientação é acompanhar as previsões meteorológicas e os avisos das Defesas Civis diante da possibilidade de eventos extremos nos próximos meses.</p>
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        <media:credit role="provider">Agência Brasil</media:credit>
        <media:title>El Niño</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellón]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>A luta por reparações da escravidão: revolta que se tornou marco faz 235 anos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/reparacoes-escravidao-revolta-haiti-marco</link>
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      <pubDate>Wed, 26 Aug 2026 10:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>“O que estamos pedindo por meio das reparações não é simplesmente um cheque.  Estamos pedindo a vantagem inicial que nunca nos foi dada .” Foi assim que a jornalista  Crystal Cummings, de Trinidad e Tobago,  descreveu ao  Global South World  a defesa das reparações.</p>
<p>Seu argumento surge num momento em que  a questão das reparações pela escravidão volta a ganhar atenção internacional em 2026, mais de dois séculos depois de uma revolta de pessoas escravizadas ter ajudado a mudar o rumo do tráfico transatlântico de escravizados.</p>
<p>[ Nesse debate, reparações são medidas destinadas a reconhecer e compensar os danos provocados pela escravidão e seus efeitos. Podem envolver indenizações financeiras, pedidos formais de desculpas e restituição de bens. Nota da edição do GSW Brasil ]</p>
<p>Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, pessoas escravizadas na colônia francesa de Saint-Domingue [ território que corresponde principalmente ao atual Haiti ] se rebelaram contra o sistema que lhes havia tirado a liberdade.</p>
<p>A revolta marcou o início da Revolução Haitiana e desempenhou papel crucial na abolição do tráfico transatlântico de escravizados. Mais de dois séculos depois, 23 de agosto é lembrado pela Unesco como o Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e de sua Abolição.</p>
<p>Mas, em 2026, a lembrança vem acompanhada de outra pergunta: o que é devido às pessoas e às sociedades que continuam a conviver com as consequências?</p>
<p>A dimensão do que aconteceu é difícil de reduzir a um único número.  O Slave Voyages, uma das principais bases de dados do mundo sobre o tráfico transatlântico, estima que cerca de 12,5 milhões de homens, mulheres e crianças africanos foram forçados a embarcar em navios com destino às Américas entre 1501 e 1866.  Aproximadamente 10,7 milhões desembarcaram. Pesquisadores estimam que cerca de 41 mil viagens partiram da África transportando pessoas escravizadas.</p>
<p>O  presidente de Gana, John Dramani Mahama , argumenta que até a linguagem usada para descrever esses milhões importa.</p>
<p>“A verdade começa com a linguagem, com o poder que as palavras têm de moldar consciências, mudar perspectivas e impulsionar ações”, disse Mahama em um evento da ONU sobre justiça reparatória, em março.</p>
<p>“ Não existe algo como ‘um escravo’. Havia seres humanos que foram traficados e depois escravizados por pessoas que acreditavam poder possuir esses seres humanos como bens, como sua propriedade pessoa l.”</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asSb7LbOQCsxlrnYh.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="John Dramani Mahama, presidente de Gana, na ONU: até a linguagem muda perspectivas."/>
<h2>De vidas humanas a trilhões de dólares</h2>
<p>Essas pessoas foram transportadas principalmente  para o Caribe e para as Américas, onde seu trabalho passou a integrar economias baseadas em produtos como açúcar e outros itens agrícolas.</p>
<p>Séculos mais tarde, economistas tentaram algo ainda mais difícil: atribuir um valor financeiro aos danos.</p>
<p>Um estudo de 2023 do Brattle Group [ consultoria internacional especializada em economia e finanças] , preparado para a University of the West Indies [ universidade pública com unidades em diferentes países do Caribe ] e para o Segundo Simpósio sobre Reparações no Direito Internacional, da Sociedade Americana de Direito Internacional, estimou  entre US$ 100 trilhões e US$ 131 trilhões em reparações pela escravidão transatlântica de pessoas tratadas como propriedade nas Américas e no Caribe.</p>
<p>Os pesquisadores calcularam  entre US$ 77 trilhões e US$ 108 trilhões pelos danos causados durante a escravidão e outros US$ 23 trilhões pelos prejuízos persistentes após seu fim.  Os cálculos abrangeram cerca de 19 milhões de pessoas, incluindo africanos transportados pelo Atlântico e pessoas que posteriormente nasceram em condição de escravidão. Os autores do estudo também reconheceram que  alguns danos não poderiam receber um valor financeiro significativo.</p>
<h2>Mas já houve pagamento de compensações</h2>
<p>A ideia de associar dinheiro ao fim da escravidão não é nova.</p>
<p>Quando a Grã-Bretanha aboliu a escravidão em grande parte de seu império, na década de 1830, o governo aprovou £20 milhões em indenizações aos escravizadores pela perda das pessoas que tinham sido legalmente tratadas como sua “propriedade”.</p>
<p>O Banco da Inglaterra afirma que o pagamento representou um acréscimo sem precedentes à dívida nacional britânica fora de períodos de guerra.</p>
<p>As pessoas que tinham sido escravizadas não receberam nenhuma compensação. Em vez disso, muitas foram obrigadas a continuar trabalhando sem salário sob um sistema de “ apprenticeship”  (regime britânico que obrigava pessoas recém-libertadas a trabalhar gratuitamente por parte da semana para seus antigos escravizadores) após a emancipação.</p>
<p>A University College London (UCL) estima que os £20 milhões pagos aos escravizadores equivaleriam a cerca de £16,5 bilhões em valores atuais , segundo um dos métodos modernos de comparação.</p>
<p>Essa história acrescenta outra dimensão ao debate atual sobre reparações. A questão não é simplesmente se governos alguma vez compensaram pessoas pela abolição da escravidão, mas quem foi considerado com direito a essa compensação.</p>
<h2>Em 2026, o debate chegou à ONU</h2>
<p>Em 25 de março, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, por 123 votos a 3, com 52 abstenções, uma resolução liderada por Gana que reconhece o tráfico e a escravização racializada de africanos como o “mais grave crime contra a humanidade”.</p>
<p>Argentina, Israel e Estados Unidos votaram contra.</p>
<p>Antes da votação, Mahama disse à Assembleia Geral que os países tinham se reunido para “afirmar a verdade e buscar um caminho para a cura e a justiça reparatória”.</p>
<p>A resolução não é juridicamente vinculante e não obriga os países a fazer pagamentos financeiros. Mas pede discussões sobre justiça reparatória, incluindo pedidos formais de desculpas, restituição, compensação, reabilitação e garantias de não repetição. Também pede a devolução de bens culturais aos países de origem.</p>
<p>Sua aprovação levou ainda mais para o âmbito da diplomacia internacional uma reivindicação há muito defendida por países africanos e caribenhos.</p>
<p>O Caribe também está avançando. Em julho, líderes da Caricom [ Comunidade do Caribe, bloco de integração que reúne países da região ] aprovaram uma versão revisada do Plano de Dez Pontos para a Justiça Reparatória, destinado a orientar a campanha da região por reparações.</p>
<p>A Caricom argumenta que a riqueza gerada pelo trabalho de africanos escravizados ajudou a desenvolver impérios europeus, enquanto as sociedades caribenhas ficaram com as consequências de longo prazo da escravidão e do colonialismo.</p>
<h2>O que acontece depois das reparações?</h2>
<p>Crystal Cummings, que também é fundadora e editora da Africa-Caribbean Insights, argumenta que as reparações devem enfrentar as barreiras que impediram descendentes de pessoas escravizadas de ter acesso a oportunidades de construção de patrimônio.</p>
<p>Isso poderia significar investimentos em educação, acesso a capital, empreendedorismo, oportunidades de acesso à terra e à moradia e desenvolvimento de habilidades, criando caminhos para que as pessoas construam negócios e patrimônio entre gerações.</p>
<p>Para ela, a verdadeira medida seria observar como a sociedade ficaria depois.</p>
<p>“Uma sociedade com uma classe média maior e mais fortalecida economicamente, mais empresas prósperas, maior acesso à educação de qualidade, maior poder de compra das famílias e maior mobilidade econômica”, disse ela ao Global South World.</p>
<p>“A medida definitiva das reparações deve ser se elas ajudam a transformar as pessoas de beneficiárias de compensação em criadoras de riqueza, oportunidades e prosperidade para as próximas gerações.”</p>
]]></description>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Imagem de domínio público</media:credit>
        <media:title>revolução-haitiana</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Edward Sakyi]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Governos devem reforçar controle da água potável, da fonte à torneira, diz OMS</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/governos-devem-reforcar-controle-da-agua-potavel-da-fonte-a-torneira-diz-oms</link>
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      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 21:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou nesta terça-feira, 18, a necessidade de governos ampliarem a prevenção e o controle dos riscos que podem comprometer a qualidade da água consumida pela população. A recomendação faz parte da atualização das diretrizes internacionais para água potável, que incorpora novas evidências sobre contaminação e dá maior ênfase à segurança em todas as etapas do abastecimento.</p>
<p>No mundo, 2,1 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a água potável gerida de forma segura . No Brasil,  88,6% da população tinham acesso a esse nível de serviço em 2024 , segundo dados do Programa Conjunto de Monitoramento para Água, Saneamento e Higiene (JMP), mantido pela OMS e pelo Unicef.</p>
<p>O conceito de água potável gerida de forma segura vai além de simplesmente ter acesso a uma rede de abastecimento.  A água deve vir de uma fonte adequada, estar disponível quando necessária, ser acessível no local e estar livre de contaminação fecal e de substâncias químicas consideradas prioritárias.</p>
<p>As diretrizes da OMS servem de referência para que os países estabeleçam normas e padrões nacionais de qualidade da água e são revistas à medida que surgem novas evidências científicas.</p>
<h2>Prevenção de riscos</h2>
<p>A OMS mantém como um dos pilares os planos de segurança da água, uma abordagem preventiva destinada a identificar e administrar riscos em todas as etapas do sistema de abastecimento. A estratégia deve ser acompanhada por vigilância independente para verificar se as medidas adotadas são eficazes e se as metas de proteção à saúde são cumpridas.</p>
<p>Na atualização de 2026, a organização reforça principalmente a responsabilidade dos governos em criar políticas, regulamentações e instrumentos que permitam aos fornecedores colocar essa gestão de riscos em prática.</p>
<p>Uma das mudanças é a maior atenção aos pequenos sistemas de abastecimento. Além daqueles administrados por comunidades, a OMS destaca os geridos por famílias ou entidades profissionais. A recomendação é que eles sejam contemplados pelas políticas e regulamentações nacionais e recebam apoio adequado.</p>
<p>As inspeções sanitárias também ganham importância. Feitas no próprio local, elas permitem identificar fatores que podem levar à contaminação e podem complementar os planos de segurança ou funcionar como uma alternativa simplificada onde a implantação de um plano completo não seja viável.</p>
<h2>Contaminação microbiológica</h2>
<p>A contaminação por microrganismos continua sendo uma das principais ameaças à segurança da água potável. A OMS revisou as evidências sobre patógenos transmitidos pela água e atualizou as informações utilizadas para avaliar esses riscos.  A análise encontrou mais evidências de que microrganismos como  Helicobacter pylori ,  Yersinia ,  Toxoplasma  e  Fasciola  podem ser transmitidos pela água.</p>
<p>Outra orientação é combinar os resultados dos testes microbiológicos com avaliações sobre a forma como os fornecedores administram os riscos. A análise conjunta pode ajudar autoridades a identificar sistemas mais vulneráveis, direcionar recursos e acompanhar os resultados das medidas adotadas.</p>
<p>A OMS recomenda ainda que os países revisem políticas e regulamentos, fortaleçam planos de segurança e inspeções sanitárias e garantam que produtos e materiais utilizados no abastecimento e tratamento da água sejam adequados.</p>
<p>As diretrizes da organização reúnem mais de 60 anos de evidências sobre qualidade da água. A OMS já iniciou uma revisão mais ampla para preparar a quinta edição do documento, que deverá incorporar novas análises científicas sobre contaminantes.</p>
]]></description>
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        <media:credit role="photographer">Bing somsak</media:credit>
        <media:credit role="provider">Depositphotos/ Bing somsak</media:credit>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>A nova liderança da ONU está entre cinco latinos e um africano. Até o momento</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/a-nova-lideranca-da-onu-cinco-latinos-e-um-africano-ate-o-momento</link>
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      <pubDate>Mon, 27 Jul 2026 14:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Já começou a disputa pela sucessão do português António Guterres, secretário-geral da ONU, cujo mandato se encerra no fim deste ano. Na corrida, estão apenas candidatos do Sul Global. São cinco latino-americanos e um africano na busca pelo posto. Ou quatro mulheres e dois homens. Ao menos, até o momento. Na Carta da ONU, espécie de estatuto da organização, o artigo 97 estabelece que o secretário-geral é nomeado pela Assembleia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. Não há regras sobre inscrições, prazos ou número de candidatos.</p>
<p>Os seis postulantes que já se apresentaram são Michelle Bachelet (ex-presidente do Chile), María Fernanda Espinosa (equatoriana que foi presidente da Assembleia Geral da ONU), Rafael Grossi (argentino é o atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica), Rebeca Grynspan (costa-riquenha que é hoje a secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a UNCTAD), Carolyn Rodrigues-Birkett (ex-chanceler da Guiana) e Macky Sall (ex-presidente do Senegal). Eles participaram, na quinta-feira, 23, do primeiro debate entre candidatos que foi transmitido pela internet.</p>
<p>Dentro de uma semana, os 15 integrantes do Conselho de Segurança devem se reunir a portas fechadas para analisar os nomes postos à mesa. Embora não existam favoritos por enquanto, pelo que se nota hoje nos bastidores da ONU, comenta-se que, em oito décadas de existência da ONU, nenhuma mulher ocupou o cargo de secretário-geral. Algumas entidades da sociedade civil que gravitam em torno da organização vêm defendendo que a sucessão de Guterres represente também esse marco histórico.</p>
<p>Em meio a isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria defendendo a candidatura do ítalo-suíço Gianni Infantino, presidente da Fifa, ao cargo. A informação é do New York Post. Os dois se aproximaram por causa da Copa do Mundo. E vale lembrar que Infantino entregou a Trump o “Prêmio da Paz da Fifa”. Não se sabe quanto disso pode se tornar realidade. Pelas regras da ONU, porém, Infantino poderia entrar na disputa até mesmo nos 45 minutos do segundo tempo dessa disputa.</p>
<p>O novo líder da ONU enfrentará tarefas desafiadoras. Afinal, a organização enfrenta crise financeira e de confiança – com o próprio Trump atuando fortemente nesse sentido. Mas mesmo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva já questionou o papel hoje da ONU diante dos impasses em relação a conflitos da atualidade, como a destruição que vem ocorrendo na Faixa de Gaza desde que Israel lançou sua ofensiva militar em resposta aos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns no sul do país.</p>
<h2>Confira alguns temas do debate:</h2>
<p>Como enfrentar guerras e um Conselho de Segurança frequentemente paralisado</p>
<p>O primeiro bloco foi dominado pela discussão sobre o papel do secretário-geral diante de conflitos em que o Conselho de Segurança permanece dividido, como Gaza e a crise no Estreito de Ormuz. Apesar de nuances diferentes, todos concordaram que o ocupante do cargo precisa ser mais ativo politicamente e não pode se limitar às resoluções do Conselho.</p>
<p>Michelle Bachelet (Chile)  defendeu que o secretário-geral use todos os instrumentos previstos na Carta da ONU, como mediação, bons ofícios e enviados especiais, insistindo na negociação mesmo quando as chances de sucesso parecem pequenas. Ao ser questionada sobre Gaza, afirmou que a autoridade moral continua sendo indispensável, mas precisa ser acompanhada de presença em campo e da busca permanente por aliados e alternativas diplomáticas, incluindo maior uso da Assembleia Geral quando o Conselho estiver bloqueado.</p>
<p>Rafael Grossi (Argentina)  afirmou que o problema não é a falta de instrumentos, mas a capacidade do secretário-geral de utilizá-los com credibilidade. Defendeu uma postura imparcial — que, segundo ele, não significa neutralidade passiva — e disse que o líder da ONU precisa ouvir todas as partes, compreender as causas dos conflitos e apresentar soluções concretas. Citou sua experiência à frente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que conseguiu manter inspetores em uma usina nuclear em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia.</p>
<p>Rebeca  Grynspan (Costa Rica)  argumentou que o trabalho do secretário-geral começa justamente quando o Conselho de Segurança entra em impasse. Como exemplo, lembrou sua participação no acordo que permitiu a exportação de grãos pelo Mar Negro durante a guerra na Ucrânia e defendeu atuação precoce para evitar que conflitos regionais provoquem crises globais, como alta dos alimentos e da energia.</p>
<p>Como reformar uma ONU criticada por ser lenta, cara e pouco eficiente</p>
<p>Este bloco revelou consenso sobre a necessidade de reformas, mas diferenças quanto às prioridades.</p>
<p>María Fernanda Espinosa (Equador)  propôs uma transformação estrutural da organização. Defendeu uma ONU mais enxuta, moderna e orientada por resultados, mas afirmou que a reforma precisa ir além de cortes orçamentários. Segundo ela, o desafio é criar um novo modelo de gestão que integre paz, desenvolvimento e direitos humanos, reduzindo a fragmentação entre áreas que hoje trabalham de forma isolada.</p>
<p>Macky Sall (Senegal)  concentrou sua fala na governança interna. Disse que a organização acumula cerca de 40 mil mandatos e 27 mil reuniões anuais, o que exige revisão profunda dos métodos de trabalho. Para ele, a ONU precisa provar seu impacto e recuperar a confiança dos Estados-membros por meio de maior transparência e prestação de contas.</p>
<p>Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana)  destacou a necessidade de fortalecer a Secretaria da ONU com mais tecnologia, melhor gestão e maior representatividade geográfica entre os funcionários. Também defendeu dar continuidade às reformas já iniciadas e aproximar a administração das necessidades dos países.</p>
<p>Já  Michelle Bachelet ,  Rebeca  Grynspan  e  Rafael Grossi  convergiram na defesa de uma ONU mais ágil e eficiente, mas alertaram que a busca por economia não pode enfraquecer a capacidade operacional da organização.</p>
<p>Os novos desafios da ONU</p>
<p>Os candidatos discutiram inteligência artificial, mudanças climáticas, pandemias, financiamento e o crescente peso do setor privado nas decisões globais.</p>
<p>Rafael Grossi  chamou atenção para a inteligência artificial. Ele afirmou que seria um erro copiar para a IA o modelo de fiscalização usado pela AIEA para a energia nuclear. Como os sistemas de IA são desenvolvidos por empresas e distribuídos em diversas jurisdições, defendeu uma plataforma internacional de cooperação para estabelecer regras comuns sem frear a inovação.</p>
<p>María Fernanda Espinosa  afirmou que a mudança climática deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a influenciar conflitos, migrações, insegurança alimentar e crises humanitárias. Para ela, a principal falha não está na falta de conhecimento ou acordos internacionais, mas na implementação das medidas já aprovadas e no financiamento da adaptação climática.</p>
<p>Rebeca  Grynspan  defendeu que a ONU passe a trabalhar de forma mais integrada com governos locais, organizações da sociedade civil, universidades e empresas. Disse que a instituição precisa deixar de ser "orientada pela oferta" e passar a responder às demandas dos países, fortalecendo a atuação no terreno e ampliando o uso da inteligência artificial em áreas como prevenção de crises e proteção de populações vulneráveis.</p>
<p>Michelle Bachelet  e  Macky Sall  também destacaram que o secretário-geral deve atuar como articulador entre governos, setor privado e comunidade científica para enfrentar desafios globais que nenhum país consegue resolver sozinho, enquanto Rodrigues-Birkett defendeu regras internacionais para garantir que a IA estimule a inovação sem comprometer direitos e empregos.</p>
<h2>Quem já comandou a ONU antes</h2>
<p>Veja secretários-gerais desde 1946</p>
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        <media:title>Debate da ONU</media:title>
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