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    <title>Global South World Brasil - Nobel de Medicina</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Nobel de Medicina premia técnica que usa luz para desvendar o cérebro</title>
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      <pubDate>Mon, 05 Oct 2026 14:24:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma pequena alga que nada em direção à luz ajudou a criar uma das ferramentas mais poderosas para estudar o cérebro. A descoberta rendeu nesta segunda-feira, 5, o Nobel de Medicina de 2026 aos pesquisadores Karl Deisseroth, dos Estados Unidos, e Peter Hegemann e Georg Nagel, ambos da Alemanha.</p>
<p>Os três foram premiados pelos estudos que levaram à optogenética, método que permite aos cientistas usar luz para ativar ou desativar tipos específicos de neurônios. Com ela, tornou-se possível investigar com uma precisão antes inimaginável quais circuitos do cérebro estão envolvidos em funções como memória, medo, prazer, atenção, sono e comportamento social. </p>
<p>A história começou na década de 1990. O biofísico Hegemann, professor sênior de neurociência na Universidade Humboldt de Berlim, queria entender como a  Chlamydomonas , uma alga unicelular, conseguia perceber a luz e nadar rapidamente em direção a ela. A reação era extraordinariamente veloz: apenas meio milissegundo depois de a luz atingir uma pequena estrutura sensível na alga, surgia um impulso elétrico.</p>
<h3>Da alga para os neurônios</h3>
<p>A investigação levou Hegemann e o também biofísico Nagel, professor de fisiologia molecular de plantas na Universidade de Würzburg, à descoberta das canalrodopsinas, proteínas que funcionam como canais na membrana das células. </p>
<p>Quando atingidas pela luz, elas se abrem e permitem a passagem de partículas eletricamente carregadas, os íons. O resultado é um sinal elétrico. Mais importante: os pesquisadores perceberam que era possível inserir o gene responsável pela produção dessas proteínas em outras células e torná-las sensíveis à luz. </p>
<p>Foi aí que entrou o psiquiatra e neurocientista Karl Deisseroth, professor de bioengenharia e de psiquiatria e ciências do comportamento da Universidade Stanford,  que já buscava uma maneira de controlar com precisão a atividade dos neurônios. Ao conhecer a descoberta da canalrodopsina-2, ele escreveu a Nagel e pediu acesso ao DNA responsável pela produção da proteína. </p>
<p>Com o material em mãos, introduziu o gene em neurônios de ratos cultivados em laboratório e descobriu que podia produzir um impulso nervoso simplesmente iluminando as células com luz azul. O resultado foi publicado em 2005.</p>
<p>Dois anos depois, o método já funcionava no cérebro de camundongos vivos. Os pesquisadores inseriram o gene em determinados neurônios da região cerebral responsável pelos movimentos e fizeram a luz chegar até eles por uma fibra óptica. Dessa forma, conseguiram controlar o movimento dos bigodes dos animais. </p>
<p>Nascia a optogenética, combinação de genética e luz para controlar a atividade de células específicas.</p>
<h3>Uma janela para entender o cérebro</h3>
<p>O avanço resolveu um problema que acompanhava a neurociência havia décadas. Os cientistas conseguiam associar determinadas regiões cerebrais a funções do organismo, mas tinham dificuldade para demonstrar exatamente quais células causavam determinada resposta.</p>
<p>Com a optogenética, passaram a poder ligar ou desligar circuitos neurais específicos e observar o que acontecia. Desde então, cientistas identificaram circuitos relacionados à dor, sede, alimentação, recompensa, atenção e comportamento social, além de células envolvidas no controle do ritmo circadiano e até na produção da febre durante uma resposta do sistema imunológico. </p>
<p>Um dos experimentos mais marcantes ocorreu em 2012. Cientistas identificaram os neurônios ativados quando camundongos vivenciaram uma situação de medo. Mais tarde, ao reativar essas mesmas células, os animais voltaram a demonstrar medo mesmo sem estarem diante do perigo. O experimento permitiu mostrar quais células nervosas eram necessárias para uma memória específica. </p>
<p>“A optogenética oferece oportunidades de mapear o cérebro de uma forma com a qual antes só podíamos sonhar”, afirmou Per Svenningsson, presidente do Comitê Nobel de  Medicina.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as6AcswIfB6sKpi3t.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Ilustração do Nobel para os ganhadores em medicina: Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel. "/>
<h3>Da pesquisa para possíveis tratamentos</h3>
<p>A técnica é, sobretudo, uma ferramenta de pesquisa, mas o conhecimento produzido com ela já ampliou a compreensão de transtornos e doenças como depressão, ansiedade, esquizofrenia, Alzheimer e Parkinson. E começam a surgir tentativas de levar seus princípios para a medicina. </p>
<p>Uma das frentes mais promissoras envolve pessoas que perderam a visão por retinite pigmentosa, doença que destrói células da retina responsáveis pela captação da luz. Em estudos clínicos, pesquisadores introduziram na retina uma proteína semelhante à canalrodopsina. Em um dos casos descritos pelo Comitê Nobel, uma pessoa cega recuperou parcialmente a capacidade visual e, com óculos especiais que emitem luz, conseguiu distinguir e pegar objetos sobre uma mesa. </p>
<p>Também há expectativa de que a técnica possa, no futuro, tornar implantes cocleares mais precisos ao estimular o nervo auditivo com luz em vez de eletricidade. </p>
<p>Deisseroth, Hegemann e Nagel dividirão igualmente o prêmio de 12 milhões de coroas suecas atribuído pelo Nobel.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>cérebr-interruptor</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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