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    <title>Global South World Brasil - Nobel</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Anne Carson, a canadense que reinventou os clássicos, ganha Nobel de Literatura</title>
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      <pubDate>Sat, 10 Oct 2026 10:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, ganhou nesta quinta-feira, 8, o Prêmio Nobel de Literatura. Poeta, ensaísta, tradutora e professora de literatura clássica, a autora construiu uma obra que atravessa as fronteiras entre poesia, romance, teatro e filosofia, recuperando personagens e histórias da antiguidade para tratar de questões contemporâneas, como amor, desejo, identidade e perda.</p>
<p>A Academia Sueca justificou a escolha por sua obra “ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.</p>
<p>Nascida em Toronto, em 1950, Anne é a 19ª mulher a receber o Nobel de Literatura, criado em 1901. O prêmio já foi concedido a 122 pessoas, nenhuma do Brasil.</p>
<p>A produção literária de Anne, que é filóloga, se distingue pela experimentação: poemas podem assumir a estrutura de romances, ensaios se aproximam da ficção e tragédias gregas ganham interpretações que dialogam com o presente.</p>
<p>A relação da canadense com a linguagem está no centro de sua obra. Ao longo da carreira, ela combinou a escrita de poesia com a tradução de textos clássicos e o ensino em diferentes universidades. Segundo a Fundação Nobel, praticamente toda a sua obra nasce do encontro entre o interesse da filóloga, que investiga a história e o significado das palavras, e o desejo da poeta de encontrar novos sentidos para elas.</p>
<p>A própria escritora já apontou a etimologia, estudo da origem das palavras, como ponto de partida de seu trabalho. É dessa combinação que surgem textos nos quais a tradição literária da antiguidade ganha novas interpretações e formas contemporâneas.</p>
<p>A autora também desenvolveu uma extensa carreira acadêmica, dedicando-se ao estudo do grego antigo e à tradução de obras clássicas. Entre seus trabalhos estão versões de textos de Safo, Sófocles e Eurípides.</p>
<h2>Um monstro grego transformado em personagem de uma história de amor</h2>
<p>Uma das obras mais conhecidas de Anne é “Autobiografia do vermelho”, publicada originalmente em 1998 – aqui, foi traduzida por Ismar Tirelli Neto para a Editora 34. O livro parte do mito de Gerião, um gigante de três corpos que aparece na mitologia grega como adversário de Héracles (ou Hércules, na mitologia romana).</p>
<p>Na versão da escritora, Gerião se transforma em um jovem sensível, com asas vermelhas, que enfrenta conflitos familiares, descobre sua sexualidade e se apaixona por Héracles. A narrativa aborda experiências como violência, solidão, desejo e sofrimento amoroso.</p>
<p>Escrito em versos, mas com estrutura de romance de formação, o livro exemplifica a maneira como Anne utiliza histórias antigas para explorar sentimentos e relações humanas.</p>
<p>Outra obra notória é “O ensaio de vidro”, de 1995, longo poema que acompanha uma mulher abandonada pelo companheiro durante uma visita à mãe. A narrativa se entrelaça à vida e à obra da escritora inglesa Emily Brontë, autora de “O morro dos ventos uivantes”.</p>
<p>Em “A beleza do marido”, de 2001, Anne transforma o desgaste de um casamento marcado pela infidelidade em uma sequência de 29 episódios chamados de tangos. Cada um deles começa com versos do poeta inglês John Keats.</p>
<h2>Um livro para lidar com a morte do irmão</h2>
<p>A experimentação de Anne não se limita à linguagem. Em “Nox”, publicado em 2010, a escritora criou um livro-objeto em memória do irmão Michael, morto na Dinamarca em 2000, depois de passar anos afastado da família.</p>
<p>A obra reúne fotografias, cartas, fragmentos de textos e traduções, organizados em páginas dobradas como uma sanfona e guardadas em uma caixa. A composição se desenvolve em diálogo com um poema do escritor romano Catulo, que também escreveu sobre a morte de um irmão em terras estrangeiras.</p>
<p>Em “Float”, de 2016, Anne voltou a desafiar o formato tradicional do livro ao reunir 22 pequenos volumes independentes, que podem ser lidos em qualquer ordem.</p>
<p>Já em “Wrong Norma”, de 2024, combinou textos de diferentes naturezas, aproximando literatura, artes visuais, performance e reflexão acadêmica.</p>
<p>Ao longo da carreira, a canadense também colaborou com artistas plásticos, coreógrafos e diretores de teatro e ópera, ampliando sua produção para além da página escrita.</p>
<p>Em sua trajetória, Anne conquistou importantes distinções literárias. Em 2001, tornou-se a primeira mulher a ganhar o prêmio britânico T. S. Eliot de poesia, por “A beleza do marido”. Também recebeu o Griffin Poetry Prize, uma das principais premiações dedicadas à poesia em língua inglesa.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asEjAGssoPuE0I6w6.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A escritora canadense é a 19ª mulher a receber um Nobel de Literatura. O prêmio já foi dado a 103 homens."/>
<h2>As mulheres na história do Nobel de Literatura</h2>
<p>Com o reconhecimento de Anne, chega a 19 o número de mulheres que receberam o Nobel de Literatura desde sua criação. Ao todo, 103 homens receberam o prêmio. Isso significa que as mulheres representam apenas 15,6% dos vencedores.</p>
<p>A primeira mulher a ser laureada com esse Nobel foi a sueca Selma Lagerlöf, em 1909. Entre as vencedoras estão a chilena Gabriela Mistral (1945), primeira latino-americana a conquistar o prêmio, a alemã Herta Müller (2009), a canadense Alice Munro (2013), a bielorrussa Svetlana Aleksiévitch (2015), a polonesa Olga Tokarczuk (2018) e a francesa Annie Ernaux (2022).</p>
<p>A britânica Doris Lessing recebeu o Nobel de Literatura em 2007, aos 87 anos. Na época, tornou-se a pessoa mais velha a ganhar o prêmio nessa categoria, recorde que mantém até hoje.</p>
<p>Antes de Anne, a última mulher premiada foi a sul-coreana Han Kang, em 2024, reconhecida por uma obra que aborda traumas históricos e a fragilidade da vida humana. Em 2025, o prêmio foi concedido ao húngaro László Krasznahorkai.</p>
<p>Apesar de o Brasil nunca ter recebido um Nobel de Literatura, Clarice Lispector teria sido apontada como candidata ao prêmio em 1971, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Mas isso não foi comprovado.</p>
<h2>Obras publicadas no Brasil</h2>
<p>A obra de Anne começou a chegar ao país em edições traduzidas há quase uma década. Um dos primeiros títulos foi “O método Albertine”, publicado em 2017 pelas Edições Jabuticaba, inspirado em uma personagem de Marcel Proust.</p>
<p>Em 2021, a Editora 34 lançou “Autobiografia do vermelho”. Dois anos depois, lançou “Sobre aquilo em que eu mais penso”, reunião de 11 ensaios traduzidos por Sofia Nestrovski e organizados por ela e Danilo Hora. O livro foi escolhido pela revista Quatro Cinco Um como o melhor de crítica literária daquele ano.</p>
<p>Em 2022, a Bazar do Tempo publicou “Eros, o doce-amargo”, ensaio sobre o desejo amoroso e suas contradições. Em 2024, foi a vez de “A beleza do marido”.</p>
<p>A Relicário lançou em 2022 “Falas curtas”, coletânea de textos breves em edição bilíngue. E em julho deste ano, publicou “Vidro, ironia e deus”, com tradução da escritora brasileira Adriana Lisboa. A coletânea reúne cinco poemas longos e um ensaio, entre eles “O ensaio de vidro”, um dos trabalhos mais conhecidos da canadense.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Nobel da Paz é de jurista sul-africana que ajudou a redefinir crimes contra a humanidade</title>
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      <pubDate>Fri, 09 Oct 2026 12:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Nobel da Paz de 2026 foi concedido nesta sexta-feira, 9, à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, por seus esforços para promover a paz e o direito internacional. A escolha reconhece uma trajetória dedicada ao combate à discriminação racial, à defesa dos direitos humanos e à responsabilização de governos e indivíduos por crimes contra a humanidade e genocídio.</p>
<p>O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, na Noruega. Ao justificar a decisão, a instituição destacou a contribuição de Navi para o fortalecimento dos tribunais internacionais e para a criação de mecanismos jurídicos capazes de investigar e punir violações graves dos direitos humanos.</p>
<p>A premiação também traz uma mensagem sobre o cenário internacional. Em um momento de multiplicação dos conflitos armados e de ataques às instituições responsáveis pela aplicação do direito internacional, o comitê defendeu a importância de regras jurídicas que se imponham ao uso da força.</p>
<p>O comunicado reconhece, porém, que a aplicação dessas regras nem sempre ocorre de maneira igualitária. Grandes potências frequentemente escapam da responsabilização, enquanto os resultados dos processos internacionais podem variar conforme os países e as pessoas envolvidas.</p>
<p>Para o comitê, a trajetória de Pillay demonstra que a justiça pode funcionar como instrumento de prevenção da violência e de resolução pacífica de conflitos. A instituição resumiu a mensagem da premiação em uma frase: “A paz exige justiça”.</p>
<h2>Quem é Navi Pillay</h2>
<p>Navanethem Pillay nasceu em 23 de setembro de 1941, em Durban, em uma família de origem indiana tâmil. Cresceu sob o apartheid, sistema de segregação racial institucionalizado que vigorou no país até o início da década de 1990 e que restringia os direitos políticos, sociais e econômicos da população não branca.</p>
<p>Mulher e descendente de indianos em uma sociedade marcada por profundas desigualdades raciais, Navi enfrentou obstáculos para estudar e exercer a advocacia.</p>
<p>Em 1967, abriu seu próprio escritório de advocacia em Durban. Passou a defender ativistas que se opunham ao apartheid, incluindo Nelson Mandela, uma das principais lideranças da luta contra o regime e que posteriormente se tornaria o primeiro presidente negro do país.</p>
<p>A experiência na defesa de pessoas perseguidas pelo Estado marcou sua trajetória profissional. Nas décadas seguintes, Navi passou da advocacia à magistratura e se tornou uma referência internacional na aplicação das leis de direitos humanos.</p>
<p>Na década de 1980, estudou na Universidade Harvard (EUA), onde concluiu um doutorado em ciências jurídicas em 1988. Em 1995, foi nomeada juíza da Alta Corte da África do Sul, no período de reconstrução democrática do país após o fim do apartheid.</p>
<h2>O julgamento que mudou o tratamento da violência sexual</h2>
<p>Uma das contribuições mais importantes de Navi Pillay ocorreu no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado pelas Nações Unidas para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994.</p>
<p>Naquele ano, cerca de 800 mil pessoas, principalmente da população tutsi, foram assassinadas em aproximadamente cem dias de violência no país africano.</p>
<p>Navi integrou o tribunal e, em 1999, tornou-se sua presidente. Durante sua atuação, participou de decisões que ampliaram a interpretação jurídica dos crimes cometidos durante conflitos armados.</p>
<p>Até então, a violência sexual era frequentemente tratada como uma consequência das guerras, sem receber o mesmo reconhecimento jurídico de outros crimes internacionais.</p>
<p>Os julgamentos em Ruanda ajudaram a estabelecer que estupros e outras formas de violência sexual podem constituir crimes contra a humanidade e, quando praticados com a intenção específica de destruir um grupo protegido, também podem configurar genocídio.</p>
<p>A jurista contribuiu ainda para avanços no tratamento da propaganda como instrumento de incitação ao genocídio. O reconhecimento da responsabilidade criminal pela incitação pública à violência representou outro marco na atuação dos tribunais internacionais.</p>
<p>Essas decisões ajudaram a consolidar princípios que passaram a orientar investigações e processos sobre atrocidades cometidas em diferentes regiões do mundo.</p>
<h2>Da Justiça internacional à defesa dos direitos humanos na ONU</h2>
<p>Depois de atuar no tribunal para Ruanda, Navi foi nomeada juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), instituição permanente criada para processar indivíduos acusados de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão, nas condições previstas em seu tratado constitutivo.</p>
<p>Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, uma das principais funções do sistema internacional de proteção dessas garantias.</p>
<p>Nesse posto, sua responsabilidade era acompanhar violações de direitos humanos, cobrar providências dos governos e promover o cumprimento de tratados internacionais.</p>
<p>Mais recentemente, entre 2021 e 2025, presidiu a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel.</p>
<p>A comissão foi criada para investigar violações do direito internacional e identificar suas causas, reunindo informações que podem subsidiar mecanismos de responsabilização.</p>
<p>Desde 2019, Navi também atua como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça, em processo no qual Mianmar é acusado de genocídio contra a população rohingya, minoria predominantemente muçulmana que sofreu perseguições e deslocamentos forçados.</p>
<p>A função de juíza ad hoc permite que um Estado participante de um processo indique um magistrado quando não possui um juiz de sua nacionalidade na composição da Corte.</p>
<p>A Corte Internacional de Justiça, principal órgão judicial da ONU, julga disputas entre Estados. É diferente do Tribunal Penal Internacional, que processa indivíduos acusados de crimes internacionais graves.</p>
<h2>Por que o Nobel da Paz foi concedido a uma jurista</h2>
<p>A escolha de Navi Pillay para o Nobel da Paz 2026 também é uma defesa do direito internacional em um momento de aumento dos conflitos armados e de pressões políticas sobre tribunais e magistrados. Para o Comitê Norueguês do Nobel, a existência de instituições capazes de aplicar as leis internacionais e responsabilizar os autores de crimes graves é uma condição para a construção de uma paz duradoura.</p>
<p>Na justificativa da premiação, o comitê afirma que o direito internacional deixou de ser apenas um complemento à paz e à segurança e se tornou uma necessidade absoluta. A organização destaca que Pillay demonstrou, em julgamentos históricos, como os mecanismos jurídicos podem contribuir para prevenir guerras e atos de violência.</p>
<p>Ao reconhecer a jurista sul-africana, o comitê chama a atenção para os ataques às instituições internacionais e para as dificuldades de responsabilizar governos e indivíduos por violações graves dos direitos humanos.</p>
<p>A distinção é importante porque o direito internacional não dispõe dos mesmos mecanismos de execução existentes dentro de um país. O cumprimento das decisões judiciais depende, em diferentes graus, da cooperação dos Estados e das instituições internacionais.</p>
<p>O próprio comitê reconheceu que as grandes potências frequentemente escapam da responsabilização e que a aplicação das normas internacionais apresenta desigualdades.</p>
<p>A escolha de Navi procura reforçar justamente a necessidade de preservar e ampliar esses mecanismos, em um cenário no qual a atuação dos tribunais internacionais e de seus magistrados enfrenta pressões políticas.</p>
<p>O Nobel da Paz é concedido desde 1901, seguindo as disposições do testamento de Alfred Nobel. Diferentemente das demais categorias, cuja seleção ocorre na Suécia, o prêmio é decidido por um comitê norueguês e entregue em Oslo.</p>
<h2>Quem ganhou o Nobel da Paz nos últimos dez anos</h2>
<p>A relação dos vencedores em uma década mostra a diversidade de causas reconhecidas pelo comitê, da defesa da liberdade de imprensa ao combate às armas nucleares.</p>
<p>A relação completa dos premiados desde 1901 pode ser consultada no  site oficial do Nobel .</p>
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