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    <title>Global South World Brasil - Mulheres</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Curta resgata história da ‘mãe do futebol feminino brasileiro’</title>
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      <pubDate>Tue, 06 Oct 2026 18:45:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Nos anos 1940, quando jogar futebol era visto como incompatível com o papel reservado às mulheres, Carlota Rezende não apenas comandava um time feminino como planejava levá-lo para jogar no exterior. Dirigente e treinadora do Primavera Atlético Clube, ela transformou a própria casa, em Pilares, no subúrbio do Rio de Janeiro, em sede de uma equipe na qual mulheres treinavam, conviviam, festejavam e chegavam a ganhar dinheiro com o esporte.</p>
<p>A ousadia teve consequências. Em 1941, Carlota foi presa pela Delegacia de Costumes e a sede do Primavera foi fechada. Três meses depois, o governo Getúlio Vargas publicou o decreto-lei que proibiu às mulheres a prática de esportes considerados “incompatíveis com as condições de sua natureza”.</p>
<p>O futebol feminino passaria décadas submetido a restrições e só seria regulamentado no país em 1982. Agora, o esporte atravessa outro momento no país, que receberá a Copa do Mundo em 2027.</p>
<p>Mais de oito décadas depois, a mulher chamada de “mãe do futebol feminino brasileiro” tem sua trajetória levada ao cinema. Carlota é a protagonista de “A Casa de Dona Carlota”, curta-metragem escrito e dirigido por Lili Fialho e Bruna Linzmeyer que terá sua primeira exibição no Festival do Rio, que começou no dia 1º e vai até 11 de outubro.</p>
<p>O filme será apresentado nesta terça-feira, 7, na Estação Gávea; na quarta-feira, 8, no Cine Odeon, em sessão seguida de debate; e na sexta-feira, 9, no Cinesystem Belas Artes Botafogo. A estreia no Festival do Rio dá início à trajetória do curta por festivais nacionais e internacionais. Segundo a produção, há perspectiva de distribuição em plataformas de streaming em 2027.</p>
<h2>Uma casa onde mulheres podiam jogar</h2>
<p>Baseado na pesquisa histórica de Aira Bonfim, o curta acompanha Carlota enquanto prepara o Primavera para uma excursão internacional no início da década de 1940. No centro da trama está a negociação da dirigente com o empresário argentino Afonso Doce para levar suas jogadoras ao exterior.</p>
<p>A história revela também o que existia no futebol feminino brasileiro antes da proibição. Nas décadas de 1930 e 1940, equipes de mulheres atraíam público e começavam a reivindicar a profissionalização, ao mesmo tempo que enfrentavam a pressão do Estado Novo e de setores da imprensa que condenavam a presença feminina nos campos.</p>
<p>O Primavera era parte desse movimento. Mais do que sede do clube, a casa de Carlota tornou-se um espaço de autonomia pouco comum para as mulheres daquele período.</p>
<p>No cinema, Carlota é interpretada pela atriz paraibana Ingrid Trigueiro, que tem mais de três décadas de carreira no teatro e no audiovisual. Ela esteve em filmes como “Bacurau”, “Manas”, “Rebento” e “Central do Brasil”.</p>
<p>O elenco reúne ainda Tay O’hana, Luisa Mangini, Diego Pallardo e Bruna Linzmeyer – que faz sua estreia como diretora e roteirista. A produção conta com participação especial de Sandra Sá.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asMs8TBSP3jBHdj8N.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Lili Fialho e Bruna Linzmeyer assinam a direção e o roteiro de "A Casa de Dona Carlota". Bruna também atua no filme."/>
<h2>Memória do futebol feminino</h2>
<p>Bruna Linzmeyer atua há quase dez anos em projetos ligados à cultura do futebol de mulheres e, ao longo desse período, aproximou-se de atletas, torcedoras, pesquisadoras e profissionais da modalidade.</p>
<p>Lili Fialho, que também assina o argumento do filme, já desenvolvia trabalhos dedicados à memória do futebol feminino. Entre eles estão “Absolutas”, série documental sobre a modalidade, e “Joias Brutas”, sobre jovens promessas do esporte. O curta nasceu de anos de pesquisa sobre as mulheres que participaram dessa história e acabaram apagadas de sua narrativa mais conhecida.</p>
<p>“Mesmo durante a proibição, elas nunca pararam de jogar bola”, afirma Bruna, em comunicado. Segundo ela, recuperar o sucesso de Carlota e do Primavera é também uma maneira de desafiar a história oficial do futebol feminino e seguir os rastros deixados por essas mulheres.</p>
<p>Produzido por Mayra Faour Auad e Gabrielle Auad, “A Casa de Dona Carlota” é uma produção da MyMama Entertainment. A produtora completou 15 anos em 2026. Entre seus projetos recentes estão “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira; “Fogaréu”, de Flávia Neves; “Alice”, de Gabriel Novis; e a coprodução “Vitória”, dirigida por Andrucha Waddington e estrelada por Fernanda Montenegro.</p>
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        <media:credit role="provider">Divulgação</media:credit>
        <media:title>A Casa de Dona Carlota</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Mulheres Mil abre mais de 1,3 mil vagas em cursos gratuitos em sete estados</title>
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      <pubDate>Tue, 29 Sep 2026 17:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Programa Mulheres Mil vai oferecer, a partir de outubro, mais de 1,3 mil vagas gratuitas em cursos de qualificação profissional. Ao todo, serão 18 opções presenciais, distribuídas entre dez instituições de ensino em sete estados.</p>
<p>As oportunidades estão distribuídas pelo Amapá, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina. Com carga horária mínima de 160 horas, as atividades serão realizadas em institutos federais, escolas técnicas vinculadas a universidades e instituições das redes estaduais de ensino.</p>
<p>A lista reúne áreas como administração, logística, alimentação, cuidados, empreendedorismo, agricultura, artesanato e beleza. Entre as opções estão assistente administrativo, assistente de logística, cuidador de idoso, maquiador, salgadeiro e horticultor orgânico.</p>
<h2>Quem pode participar?</h2>
<p>O Mulheres Mil é voltado a mulheres maiores de 16 anos em situação de vulnerabilidade social, incluindo vítimas de violência e pessoas com baixa ou nenhuma escolaridade. Para participar, é preciso cumprir os pré-requisitos estabelecidos para cada formação.</p>
<p>A iniciativa é fomentada pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e integra as ações de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação (MEC).</p>
<h2>Como consultar as vagas?</h2>
<p>As vagas disponíveis e os locais onde cada curso será oferecido podem ser consultados no Painel de Oportunidades do Pronatec. Na plataforma, é preciso selecionar o filtro “Mulheres Mil” e escolher “outubro” no campo referente ao mês previsto para a oferta.</p>
<p>As regras de ingresso variam conforme a formação. As interessadas devem procurar a instituição responsável ou acessar o site oficial para conferir os pré-requisitos e os procedimentos previstos no respectivo edital.</p>
<h2>Cursos disponíveis</h2>
<p>As 18 formações previstas para outubro são:</p>
<p>A disponibilidade de cada opção varia de acordo com o estado e a instituição responsável.</p>
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        <media:credit role="photographer">Tomaz Silva</media:credit>
        <media:credit role="provider">Tomaz Silva/Agência Brasil</media:credit>
        <media:title>curso-profissionalizante</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Ivan Gomes]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>STF iguala licença-maternidade de mães biológicas e adotantes</title>
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      <pubDate>Thu, 24 Sep 2026 11:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira, 23, igualar os critérios e os prazos da licença-maternidade para mães biológicas e adotantes. A regra estabelece 120 dias de afastamento remunerado, prorrogável por mais 60 dias, independentemente da natureza do vínculo profissional.</p>
<p>A decisão alcança trabalhadoras contratadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), servidoras públicas federais e militares. No caso de adoção, o período não poderá variar de acordo com a idade da criança.</p>
<p>Até agora, havia diferenças importantes entre as categorias. Pela CLT, mães biológicas e adotantes já tinham direito a 120 dias. No serviço público federal, porém, mães adotantes tinham 90 dias de licença quando a criança tinha até um ano e apenas 30 dias nos demais casos. Nas Forças Armadas, havia previsão de licença-maternidade de 120 dias, prorrogável por outros 60, mas não de licença para mães adotantes.</p>
<p>E os 60 dias adicionais?</p>
<p>A decisão do STF estabelece um período de 120 dias, que pode ser prorrogado por mais 60. Para trabalhadoras da iniciativa privada, a extensão está prevista no Programa Empresa Cidadã. A companhia precisa participar dele e a trabalhadora deve solicitar a prorrogação até o fim do primeiro mês após o parto. O período adicional começa logo depois dos 120 dias iniciais.</p>
<p>A prorrogação também se aplica à adoção ou à guarda judicial para fins de adoção, agora sem diferença de prazo entre mães biológicas e adotantes.</p>
<p>Quando começa a contar</p>
<p>O afastamento pode ser contado a partir do nono mês de gestação, do parto, da adoção ou da obtenção da guarda para fins de adoção. Em caso de internação, a contagem considera a alta hospitalar do recém-nascido ou da mãe, o que ocorrer por último.</p>
<p>A nova regra vale desde 23 de setembro para licenças iniciadas a partir dessa data e para aquelas que já estavam em andamento. Licenças encerradas antes da conclusão do julgamento não serão reabertas.</p>
<p>A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7495, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O STF considerou inconstitucionais as diferenças de tratamento decorrentes da forma de maternidade ou do vínculo profissional.</p>
<p>O tribunal rejeitou, porém, o pedido para permitir o compartilhamento da licença entre os integrantes da família. Segundo o STF, cabe ao Congresso definir por lei se e como esse período poderá ser dividido.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Kateryna Hliznitsova </media:credit>
        <media:title>mão-mulher-crianca</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Violência leva 98% das brasileiras a mudar hábitos e até a abrir mão de trabalhos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/medo-violencia-leva-98-das-brasileiras-a-mudar-habitos</link>
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      <pubDate>Thu, 17 Sep 2026 11:22:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência e o medo de sofrê-la mudam a rotina de praticamente todas as brasileiras. Uma pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, divulgada nesta quarta-feira, 16, mostra que 98% das mulheres entrevistadas adotam pelo menos uma estratégia no dia a dia para reduzir o risco de violência.</p>
<p>Evitar determinados lugares, deixar de sair à noite, mudar o caminho habitual, compartilhar a localização com alguém de confiança e recorrer a um carro ou moto por aplicativo para não andar pelas ruas estão entre essas estratégias.</p>
<p>Mas as consequências vão além das mudanças na rotina. O medo já levou 45% das mulheres ouvidas pela pesquisa a deixar passar oportunidades de trabalho ou estudo. Outras 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam e 44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.</p>
<p>Os dados fazem parte da pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.</p>
<p>Foram ouvidas 1.500 pessoas acima de 16 anos, de todas as regiões do Brasil, entre 22 e 30 de abril de 2026. As entrevistas foram realizadas de forma digital, por autopreenchimento. A margem de erro informada é de 2,8 pontos percentuais.</p>
<h2>94% se sentem inseguras</h2>
<p>A sensação de insegurança é quase generalizada entre as mulheres ouvidas. A pesquisa encontrou uma diferença de dez pontos percentuais entre elas e os homens:</p>
<p>94% das mulheres se sentem inseguras diante da violência no dia a dia;</p>
<p>84% dos homens têm a mesma percepção.</p>
<p>Nos deslocamentos pela cidade, a diferença diminui, mas o medo continua muito elevado: 94% das mulheres e 90% dos homens dizem temer a violência nessas situações.</p>
<p>A pesquisa também perguntou à população sobre a vulnerabilidade de homens e mulheres a diferentes formas de violência. As mulheres são percebidas como mais vulneráveis principalmente à violência doméstica, sexual, psicológica e física.</p>
<h2>Quase 8 em cada 10 já sofreram violência</h2>
<p>O medo não aparece isolado das experiências vividas pelas próprias mulheres. Entre as entrevistadas:</p>
<p>78% afirmam já ter sofrido pelo menos um dos tipos de violência investigados;</p>
<p>a violência psicológica é a mais declarada;</p>
<p>6 em cada 10 dizem temer atualmente a violência doméstica.</p>
<p>Os resultados ajudam a explicar por que a preocupação com a segurança acompanha as mulheres em diferentes espaços da cidade.</p>
<h2>Onde elas se sentem menos seguras</h2>
<p>Pontos de ônibus e estações estão entre os locais que provocam maior sensação de vulnerabilidade:</p>
<p>42% não se sentem nada seguras em pontos de ônibus e estações;</p>
<p>41% não se sentem nada seguras em bares, festas e baladas;</p>
<p>33% não se sentem nada seguras dentro do transporte público.</p>
<p>A insegurança acaba interferindo não apenas no lugar aonde as mulheres vão, mas também em quando, como e com quem elas se deslocam.</p>
<h2>Medo interfere em lazer, transporte e trabalho</h2>
<p>A pesquisa dimensiona algumas dessas mudanças:</p>
<p>62% já mudaram hábitos de lazer;</p>
<p>58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam;</p>
<p>56% já escolheram algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo quando o destino era próximo;</p>
<p>45% deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo;</p>
<p>44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.</p>
<p>Para Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, a insegurança é alimentada por experiências concretas de violência, vividas pelas próprias mulheres ou compartilhadas por outras pessoas próximas. “A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades”.</p>
<p>Segundo ela, as brasileiras acabam adaptando trajetos, horários e formas de deslocamento e até escolhas relacionadas ao trabalho, estudo e lazer. “Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira”, diz.</p>
<h2>O que 98% fazem para tentar se proteger</h2>
<p>Quase todas as brasileiras ouvidas — 98% — adotam pelo menos uma das estratégias pesquisadas para reduzir o risco de violência. Algumas medidas já fazem parte da rotina de mais de oito em cada dez mulheres:</p>
<p>90% evitam determinados locais;</p>
<p>88% evitam compartilhar informações pessoais ou a localização nas redes sociais;</p>
<p>84% evitam usar o celular na rua;</p>
<p>83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e horários;</p>
<p>83% evitam sair à noite;</p>
<p>80% evitam utilizar aplicativos bancários no celular quando estão na rua.</p>
<p>Outros comportamentos mostram como a preocupação com a violência interfere diretamente na mobilidade:</p>
<p>77% compartilham a localização com pessoas de confiança;</p>
<p>69% mudam seus trajetos habituais;</p>
<p>66% chamam carro ou moto por aplicativo para não precisar andar pelas ruas;</p>
<p>66% pedem para alguém acompanhá-las quando saem de casa.</p>
<p>Entre outras estratégias, 63% evitam sair com cartão de crédito, 62% utilizam aplicativos com recursos de segurança e 30% andam com um celular reserva.</p>
<p>Há ainda mulheres que adotam medidas específicas de proteção: 27% praticam ou já praticaram técnicas de defesa pessoal e 26% carregam itens de proteção pessoal, como spray de pimenta ou alarme pessoal.</p>
<p>Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, ressalta que o estudo confirma que a insegurança deixou de ser uma percepção ocasional. “Ela se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas”, afirma.</p>
<p>De acordo com Vera, isso mostra que a segurança das mulheres não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania. “Por isso, reforçamos a urgência de políticas públicas que ampliem os canais de denúncia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades que sustentam esse cenário”.</p>
<h2>Decisão nas urnas</h2>
<p>O tema faz diferença nas escolhas eleitorais. Para 78% das mulheres entrevistadas, ter propostas de enfrentamento à violência e ao assédio contra as mulheres nas ruas e no transporte público influenciará a decisão de voto nas próximas eleições.</p>
<p>A cobrança se estende a diferentes esferas do poder público. Para 73% das entrevistadas, as polícias militar e civil têm responsabilidade na prevenção e no enfrentamento da violência, seguidas pelos governos federal e estadual, ambos com 69%, e pelos municípios, com 66%.</p>
<p>Ao mesmo tempo, a atuação das instituições nesse campo recebe avaliações negativas: Legislativo (74%), governo estadual (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%).</p>
<h2>O que as mulheres consideram importante mudar</h2>
<p>A pesquisa também perguntou quais medidas são consideradas importantes para prevenir e enfrentar a violência:</p>
<p>95% defendem a ampliação dos canais de denúncia e apoio às vítimas;</p>
<p>93% consideram importante melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos;</p>
<p>93% defendem a criação ou ampliação de políticas específicas de proteção às mulheres;</p>
<p>93% consideram importantes ações de prevenção, como educação e medidas voltadas à mudança cultural;</p>
<p>92% apontam a redução das desigualdades sociais e econômicas como parte das estratégias de prevenção e enfrentamento da violência.</p>
<p>As respostas mostram que, para as entrevistadas, enfrentar a violência contra as mulheres envolve tanto proteção e atendimento às vítimas quanto mudanças no espaço urbano e ações preventivas.</p>
<p>Crédito da foto no alto:  Depositphots/ Kraken Images</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="provider">Depositphotos</media:credit>
        <media:title>insegurança-mulher</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Em 20 anos, Brasil reduz desigualdade de gênero, mas fica atrás em renda</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/brasil-reduz-desigualdade-de-genero-em-20-anos-mas-ainda-fica-atras-em-renda-e-politica</link>
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      <pubDate>Wed, 16 Sep 2026 20:02:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em 20 anos, o Brasil reduziu a distância entre mulheres e homens quando se trata de igualdade de gênero, mas os resultados de 2026 do relatório global sobre o tema coordenado pelo Fórum Econômico Mundial mostram que o avanço foi desigual e não se manteve no mesmo ritmo em todas as áreas. Segundo o levantamento, as mulheres alcançaram – e até superaram – os homens nos indicadores de educação, mas continuam atrás na renda, na participação no mercado de trabalho e na representação política.</p>
<p>Em 2026, o país permaneceu na 72ª posição entre 145 economias e teve um pequeno recuo na pontuação geral, de 72% para 71,5%. Na comparação com 2006, no entanto, a desigualdade diminuiu 6,1 pontos percentuais.</p>
<p>Divulgado nesta quarta-feira, 16, o Relatório Global sobre a Desigualdade de Gênero 2026 chega à 20ª edição e permite acompanhar a evolução das diferenças entre mulheres e homens ao longo de duas décadas.</p>
<p>O balanço traz números positivos, mas também expõe a perda de ritmo e retrocessos no último ano. No comunicado que acompanha o estudo, o Fórum Econômico Mundial classifica o progresso como “frágil”: a primeira década do levantamento registrou avanços mais rápidos que a segunda, enquanto algumas conquistas começaram a ser revertidas.</p>
<h2>O que o índice mede</h2>
<p>Para entender os números, é preciso saber exatamente o que o estudo está medindo. O índice do Fórum Econômico Mundial não avalia as condições de vida das mulheres de maneira ampla nem diz, por exemplo, se um país oferece boa educação, bons salários ou elevada participação política.</p>
<p>O levantamento compara os resultados de mulheres e homens nas seguintes áreas: mercado de trabalho e renda, educação, saúde e participação política.</p>
<p>Se as participações delas e deles em um determinado segmento forem iguais, o índice chega a 100%. Quando o resultado feminino supera o masculino, a pontuação se limita a 100%, porque o objetivo do levantamento é medir a desvantagem das mulheres.</p>
<p>Isso significa que os 71,5% registrados pelo Brasil não querem dizer que o país tenha “71,5% de igualdade de gênero”. O percentual mostra quanto da distância entre mulheres e homens, dentro dos indicadores selecionados pelo Fórum Econômico Mundial, já foi eliminada.</p>
<p>Com essa metodologia, um país pode atingir a pontuação máxima em educação porque as mulheres igualaram ou superaram os homens nos indicadores escolhidos. Porém, isso não significa que tenham desaparecido outras desigualdades enfrentadas pelas mulheres.</p>
<h2>Avanço global perde força</h2>
<p>No mundo, o índice do Fórum Econômico Mundial ficou em 69,2% em 2026. Na comparação entre as 143 economias presentes também na edição anterior, houve avanço de 0,4 ponto percentual.</p>
<p>Para avaliar o que aconteceu em 20 anos, o Fórum considerou as 97 nações presentes em todas as edições. Nesse grupo, o resultado passou de 64,2% em 2006 para 69,4% em 2026, avanço de 5,2 pontos percentuais e o maior nível da série histórica. Mantido o ritmo registrado ao longo desse período, seriam necessários outros 120 anos para eliminar a distância restante.</p>
<p>As diferenças são grandes entre as áreas analisadas. No ritmo observado desde 2006, seriam necessários 129 anos para eliminar a diferença na área econômica e 194 anos na política. Para a educação, a estimativa é de oito anos.</p>
<p>A política mostra de forma mais evidente como a trajetória pode combinar avanço e retrocesso. Foi a área que mais evoluiu globalmente desde 2006, com ganho de 8 pontos percentuais entre as 97 economias acompanhadas durante todo o período. Ainda assim, continua sendo aquela em que mulheres e homens estão mais distantes. E o resultado de 2026 está abaixo do registrado em 2016.</p>
<p>O Fórum Econômico Mundial chama atenção para outra reversão: entre as 97 economias acompanhadas desde o início do levantamento, a parcela com uma mulher como chefe de Estado chegou a 27% em 2022, mas depois recuou e, em 2026, voltou ao mesmo nível registrado em 2016.</p>
<h2>Mulheres perdem espaço no poder político</h2>
<p>O sinal de perda de fôlego não aparece apenas no levantamento do Fórum Econômico Mundial. Dados divulgados em março pela ONU Mulheres e pela União Interparlamentar (UIP), organização mundial dos parlamentos nacionais, revelam estagnação e, em alguns casos, retrocesso na presença das mulheres no poder político.</p>
<p>Segundo o levantamento, as mulheres ocupavam 22,4% dos cargos ministeriais e 27,5% das cadeiras parlamentares no mundo no início de 2026. Apenas 28 países eram liderados por uma mulher como chefe de Estado ou de governo, enquanto 101 nunca haviam tido uma mulher no comando. ( ONU Mulheres )</p>
<h2>No mundo corporativo, avanço também perde fôlego</h2>
<p>A perda de espaço não se restringe à política. Dados do LinkedIn Economic Graph Research Institute analisados no Relatório Global sobre a Desigualdade de Gênero 2026, do Fórum Econômico Mundial, mostram que a presença das mulheres nos níveis mais altos de gestão está praticamente estagnada desde 2024.</p>
<p>Em 62 economias analisadas, as mulheres ocupam menos de 30% desses postos. Entre as 16 economias para as quais há dados sobre novas contratações para a alta gestão, a participação feminina caiu todos os anos desde 2022: passou de 34,8% naquele ano para 32,3% nos dois primeiros trimestres de 2026.</p>
<p>Nos cargos de maior poder dentro das empresas, a distância aumenta. Segundo o Fórum Econômico Mundial, mulheres ocupam 19,1% das posições de CEO e aproximadamente um quarto dos cargos de direção financeira e de operações. Ao mesmo tempo, representam cerca de dois terços dos postos de direção de recursos humanos e gestão de pessoas, mas menos de uma em cada dez posições de direção de tecnologia.</p>
<p>Outro levantamento recente aponta na mesma direção. O estudo “Unfinished Business: Private Sector and Gender Equality”, publicado pela ONU Mulheres em setembro de 2025, analisa os avanços e as lacunas das empresas na promoção da igualdade entre mulheres e homens.</p>
<p>A conclusão da ONU Mulheres é que, apesar do aumento dos compromissos empresariais com o tema, as iniciativas continuam fragmentadas e pouco mensuradas. O relatório aponta falta de mecanismos de responsabilização, dados confiáveis e incentivos para que as empresas incorporem a igualdade entre mulheres e homens à liderança, às operações e às cadeias de fornecedores. O resultado, segundo a organização, são avanços desiguais e diferenças persistentes na representação e no poder econômico das mulheres. ( UN Women )</p>
<h2>Educação se destaca no Brasil</h2>
<p>No Brasil, a educação apresenta o melhor resultado no estudo do Fórum Econômico Mundial. Pelo segundo ano consecutivo, o país atingiu a pontuação máxima nos quatro indicadores avaliados: alfabetização e matrículas nos ensinos fundamental, médio e superior.</p>
<p>Isso não significa que haja exatamente o mesmo número de mulheres e homens estudando. Como o índice procura medir a desvantagem feminina, considera a meta atingida quando o resultado das mulheres iguala ou supera o dos homens.</p>
<p>No ensino superior, por exemplo, a taxa bruta de matrícula considerada pelo Fórum Econômico Mundial é de 85,3% entre as mulheres e de 55% entre os homens.</p>
<p>No ensino fundamental, a comparação histórica mostra uma mudança: o indicador que mede a distância entre mulheres e homens passou de 94% em 2006 para 100% em 2026.</p>
<h2>Diferença permanece no mercado de trabalho</h2>
<p>O resultado favorável nos indicadores educacionais não se repete no mercado de trabalho. Segundo os dados usados pelo Fórum Econômico Mundial, a participação na força de trabalho no Brasil é de 53,7% entre as mulheres e de 73,5% entre os homens — diferença de quase 20 pontos percentuais.</p>
<p>Na estimativa de rendimento utilizada pelo Fórum, a renda das mulheres corresponde a 62,2% da dos homens. O Brasil ocupa a 92ª posição entre as economias avaliadas nesse indicador.</p>
<p>No indicador que reúne legisladores, altos funcionários e gerentes, a distância também diminuiu em duas décadas: a pontuação passou de 58,7% em 2006 para 66% em 2026.</p>
<p>No conjunto da participação e das oportunidades econômicas, o Brasil alcançou 66,6% em 2026. O resultado representa avanço de 6,2 pontos percentuais desde 2006, embora o país ocupe a 102ª posição entre as 145 economias nessa dimensão.</p>
<h2>Política avançou em 20 anos, mas recuou agora</h2>
<p>A participação política apresenta outra trajetória que exige atenção. Segundo o Fórum Econômico Mundial, foi a área em que o Brasil mais avançou desde 2006, com melhora de 15,8 pontos percentuais. Mesmo assim, continua sendo aquela em que mulheres e homens estão mais distantes.</p>
<p>Além disso, houve piora no último ano. O resultado caiu 2,1 pontos percentuais em relação à edição anterior e ficou em 21,8% em 2026.</p>
<p>As mulheres representam 17,15% das cadeiras parlamentares consideradas pelo levantamento do Fórum, ante 82,85% dos homens. Nos ministérios, a participação feminina considerada pelo estudo é de 29,03%, contra 70,97% masculina.</p>
<p>Dados divulgados em março pela ONU Mulheres e pela União Interparlamentar também mostram recuo recente no Brasil. A participação feminina na Câmara dos Deputados passou de 18,1% para 17,2% entre 2025 e 2026, de 93 para 88 mulheres entre as 513 cadeiras. No Senado, caiu de 19,8% para 18,5%, de 16 para 15 mulheres entre 81 cadeiras. ( ONU Mulheres )</p>
<p>Assim, o resultado brasileiro reúne movimentos diferentes. Em relação a 2006, houve redução da distância entre mulheres e homens. No retrato mais recente, porém, o país permaneceu em 72º lugar e sua pontuação geral caiu ligeiramente.</p>
<h2>América Latina teve maior avanço em 20 anos</h2>
<p>A América Latina e o Caribe foram a região que mais avançou desde 2006 no levantamento do Fórum Econômico Mundial. A desigualdade diminuiu 8,6 pontos percentuais no período, e o índice regional chegou a 74,5% em 2026.</p>
<p>A região aparece em terceiro lugar, atrás da Europa e da América do Norte. No ritmo observado nas últimas duas décadas, o Fórum estima que seriam necessários ainda 60 anos para eliminar a diferença restante.</p>
<p>O resultado regional reforça uma das conclusões dos 20 anos do levantamento: houve progresso, mas ele não ocorreu em linha reta nem com a mesma intensidade em todas as áreas. Educação se aproximou muito mais rapidamente do equilíbrio entre mulheres e homens, enquanto renda, participação econômica e acesso ao poder continuam concentrando algumas das maiores diferenças.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Rodrigo Gonzalez</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Me Too Brasil cria Comitê Judaico e amplia atuação em direitos humanos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/me-too-brasil-comite-direitos-de-mulheres-judias</link>
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      <pubDate>Fri, 11 Sep 2026 12:13:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Me Too Brasil, organização de apoio a vítimas de violência sexual, criou um comitê dedicado às questões que atingem mulheres judias. A proposta é incorporar vivências e a memória coletiva do povo judeu aos debates sobre direitos humanos. O grupo foi lançado nesta quarta-feira, 9, em São Paulo.</p>
<p>Presidido pela pedagoga, escritora e investigadora em direitos humanos Ana Beatriz Prudente Alckmin, o Comitê Judaico pretende funcionar como um espaço permanente de escuta, produção de conhecimento e atuação.</p>
<p>“As mulheres judias vivem realidades diversas, atravessadas por fatores como gênero, pertencimento religioso, origem étnica e racismo. Compreender como esses aspectos se cruzam é fundamental para enfrentar formas de exclusão e violência que ainda são pouco debatidas”, afirma Ana Beatriz, mulher negra judia que é embaixadora do Me Too Brasil para a comunidade judaica e para pautas climáticas.</p>
<p>Entre as atividades previstas estão a produção de pareceres e artigos, o assessoramento ao Me Too Brasil e a realização de encontros sobre temas de interesse público.</p>
<p>O comitê também poderá participar como  amicus curiae , o chamado “amigo da Corte”, em processos relacionados aos direitos humanos. Nesse tipo de atuação, poderá fornecer informações e argumentos técnicos que contribuam para a análise dos casos pela Justiça.</p>
<p>São participantes do comitê:</p>
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        <media:credit role="provider">Valery Stevanin</media:credit>
        <media:title>me too</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Violência doméstica leva 15 mulheres por dia a hospitais no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/violencia-domestica-15-mulheres-por-dia-hospitais</link>
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      <pubDate>Thu, 10 Sep 2026 21:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência doméstica levou, em média, cerca de 15 mulheres por dia a internações em hospitais brasileiros entre 2008 e 2023. O dado faz parte de um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que analisou 90.798 hospitalizações de mulheres de 20 a 59 anos registradas no Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) com diagnósticos relacionados à violência.</p>
<p>Publicado na revista científica “Ciência & Saúde Coletiva”, o estudo “Análise de padrões da violência contra mulheres no Brasil: uma abordagem com aprendizado de máquina não supervisionado” reúne ainda pesquisadores ligados ao Hospital São Paulo e à Fiocruz Mato Grosso do Sul.</p>
<p>Mais do que dimensionar as hospitalizações, os pesquisadores utilizaram técnicas de Inteligência Artificial (IA) para procurar relações que poderiam passar despercebidas em uma base de dados tão extensa. A análise permitiu associar determinados tipos de lesão aos mecanismos de agressão e identificar nove perfis diferentes de internação.</p>
<h2>Mais de oito em cada dez internações foram de urgência</h2>
<p>A gravidade dos casos aparece nas características do atendimento. Das 90.798 internações analisadas, 81,87% ocorreram em caráter de urgência e 67,17% foram em leitos cirúrgicos.</p>
<p>As mulheres de 20 a 29 anos responderam por 34,42% das internações e as de 30 a 39, por 30,44%. Outros 21,21% dos registros eram de pacientes de 40 a 49 anos e 13,93%, de mulheres entre 50 e 59 anos. Assim, quase 65% das hospitalizações se concentraram entre 20 e 39 anos, embora os casos graves apareçam em todas as faixas etárias incluídas na pesquisa.</p>
<p>Em relação à raça ou cor, 35,57% das mulheres foram registradas como pardas, 20,49% como brancas e 4,37% como pretas. Há, no entanto, uma lacuna importante nos dados: em 38,29% das internações, essa informação foi ignorada ou não preenchida.</p>
<p>São Paulo, Bahia e Minas Gerais concentraram juntos 46% dos casos em números absolutos. Quando os pesquisadores consideraram as taxas populacionais, o Rio Grande do Norte apresentou a maior média, de 17,49 internações por 100 mil habitantes, seguido pelo Pará, com 6,49 por 100 mil.</p>
<p>Os autores alertam que essas diferenças não permitem concluir simplesmente que há mais violência nos Estados com taxas mais elevadas. Os números podem ser influenciados pela prevalência das agressões, mas também pelo acesso aos serviços de saúde, pela cobertura assistencial e pela maneira como os casos são registrados.</p>
<h2>Como foi feito o estudo</h2>
<p>Os pesquisadores partiram de 193,4 milhões de internações registradas pelo SUS entre 2008 e 2023. Desse universo, 828.264 continham códigos relacionados à violência e 144.140 correspondiam a mulheres. Depois da aplicação do recorte etário de 20 a 59 anos, a amostra ficou em 90.798 internações.</p>
<p>A equipe utilizou aprendizado de máquina não supervisionado, uma modalidade de inteligência artificial na qual o sistema procura padrões e agrupamentos nos próprios dados, sem receber previamente categorias nas quais cada caso deva ser encaixado.</p>
<p>Uma das técnicas empregadas foi o algoritmo Apriori, usado para descobrir quais diagnósticos apareciam associados com frequência acima do esperado. Dessa forma, os pesquisadores puderam verificar relações entre determinados ferimentos e o mecanismo de agressão registrado na internação.</p>
<p>A segunda técnica foi o LDA (Latent Dirichlet Allocation), método que permitiu agrupar combinações recorrentes de características das hospitalizações — como idade, raça ou cor, Estado, tipo de leito, urgência, diagnóstico e procedimento realizado. Os pesquisadores testaram de dois a 15 agrupamentos e chegaram a nove perfis como a divisão que melhor representava os padrões encontrados na base.</p>
<h2>Lesões nas mãos podem indicar tentativa de defesa</h2>
<p>Uma das relações mais fortes encontradas no estudo envolve traumatismos de músculos e tendões do punho e da mão e agressões com objetos cortantes ou penetrantes. Entre os registros com esse tipo de traumatismo, 69,5% também apresentavam o código correspondente à agressão com objeto cortante ou penetrante.</p>
<p>Segundo os pesquisadores, o padrão pode estar relacionado ao movimento instintivo de colocar as mãos ou os braços à frente do corpo para se defender durante um ataque, mecanismo já descrito em estudos de medicina legal.</p>
<p>Também foi encontrada uma associação entre fraturas do crânio e dos ossos da face e agressões por força corporal: 61,05% dos registros com esse tipo de fratura estavam associados a esse mecanismo. Os autores observam que lesões craniofaciais estão entre os padrões reconhecidos em agressões diretas e repetidas relacionadas a situações graves de violência doméstica.</p>
<p>Ferimentos do tórax também apareceram associados a agressões com objetos cortantes ou penetrantes em 59,01% dos registros da respectiva regra. Nos casos de traumatismo intratorácico, a proporção foi de 57,28%.</p>
<p>Essas relações são estatísticas. Elas não significam que uma determinada lesão seja suficiente, isoladamente, para estabelecer como ocorreu uma agressão, mas mostram combinações que aparecem de forma recorrente nas internações analisadas.</p>
<h2>Perfis mostram diferentes formas de violência</h2>
<p>Outra etapa do estudo separou as hospitalizações em nove perfis recorrentes, mostrando que os casos que chegam aos hospitais apresentam características bastante diferentes.</p>
<p>O grupo mais frequente, responsável por 17,2% das internações, reuniu principalmente mulheres de 20 a 29 anos atendidas com urgência e submetidas a procedimentos cirúrgicos por politraumatismos ou a toracostomia com drenagem pleural, procedimento para retirar ar ou líquido do espaço ao redor dos pulmões. Nesse perfil predominavam mulheres pardas e apareciam diagnósticos de agressão por objeto cortante ou penetrante e traumatismo intratorácico.</p>
<p>Outro grupo, com 13,5% dos casos, reuniu principalmente internações em São Paulo e Minas Gerais, em caráter de urgência, por traumatismos de localização não especificada, agressões por força corporal ou ferimentos múltiplos.</p>
<p>A análise também encontrou um perfil formado por mulheres de 40 a 59 anos, equivalente a 10,8% dos casos. Nele predominavam mulheres brancas de São Paulo e Santa Catarina internadas em leitos cirúrgicos depois de agressões por força corporal ou com objetos contundentes.</p>
<p>Um grupo menor, correspondente a 5,5% das internações, reuniu alguns dos quadros mais graves. Eram principalmente mulheres pardas de São Paulo e Ceará, com registros de agressão por arma de fogo ou exposição a substâncias tóxicas. Nesse perfil apareceram tratamento por envenenamento ou cirurgias de emergência, necessidade de UTI e evolução para morte.</p>
<h2>Casos que não chegam à internação ficam fora da conta</h2>
<p>A taxa de internações por violência contra mulheres se estabilizou a partir de 2012, oscilando entre 2,6 e 3,2 por 100 mil habitantes. Os pesquisadores apontam que esse comportamento pode estar relacionado a avanços na legislação e à ampliação da rede de atendimento às mulheres, mas ressaltam que parte expressiva da violência permanece invisível para os sistemas de saúde.</p>
<p>Esse é um ponto importante para interpretar os números. A pesquisa analisou exclusivamente internações hospitalares registradas no SIH-SUS. Portanto, não entram nas 90.798 ocorrências mulheres atendidas em pronto-atendimento sem internação, na atenção primária nem aquelas que não chegaram ao sistema de saúde.</p>
<p>Os próprios autores citam a subnotificação e o preenchimento inadequado dos códigos de diagnóstico entre as limitações do levantamento. Mudanças ao longo dos anos ou diferenças entre Estados também podem refletir alterações na qualidade dos registros, no acesso e na oferta de serviços, e não necessariamente uma variação real da violência.</p>
<p>Por isso, a média de cerca de 15 por dia representa internações registradas no universo analisado pelo estudo, e não a totalidade das mulheres vítimas de violência doméstica no país.</p>
<h2>Dados podem ajudar profissionais a reconhecer situações de risco</h2>
<p>Ao encontrar combinações recorrentes entre ferimentos, mecanismos de agressão e características das pacientes, os pesquisadores avaliam que esse tipo de análise pode contribuir para aprimorar a vigilância em saúde e auxiliar na identificação de grupos que exigem diferentes formas de atendimento.</p>
<p>O trabalho também pode servir de base para discussões futuras sobre sistemas de informação e ferramentas de apoio à decisão. Os autores destacam especialmente o potencial de utilização dessas informações na Atenção Primária à Saúde, além do planejamento de serviços e de políticas públicas de prevenção.</p>
<p>O estudo, porém, não criou uma ferramenta capaz de prever individualmente se uma mulher sofrerá uma nova agressão. O que a pesquisa faz é identificar e organizar padrões clínicos e epidemiológicos presentes em milhares de internações, que poderão subsidiar o desenvolvimento futuro de instrumentos de vigilância e análise em saúde.</p>
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        <media:title>protesto-mulher-violencia</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Artigo | Além do feminicídio: as faces menos visíveis da violência contra a mulher</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/alem-do-feminicidio-as-faces-menos-visiveis-da-violencia-contra-a-mulher</link>
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      <pubDate>Sat, 05 Sep 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Quando se fala em violência contra a mulher, é comum que o pensamento seja imediatamente direcionado a agressões físicas e, em sua manifestação mais extrema, ao  feminicídio . Estas são formas gravíssimas de brutalidade que, justificadamente, despertam grande preocupação social; mas não são as únicas.</p>
<p>A  Lei Maria da Penha (11.340/2006)  reconhece que a violência pode ser física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Mesmo assim, quando não há marcas visíveis, identificar uma relação como opressiva pode ser muito mais desafiadora -- inclusive para a  vítima.</p>
<h2>Outras faces da violência</h2>
<p>Humilhações, ameaças, perseguição, controle excessivo, retenção de documentos e restrição da autonomia financeira são exemplos de comportamentos que podem integrar uma dinâmica de violência. </p>
<p>Com o avanço da tenolocia, parte dessas práticas encontraram novas maneiras de existir, como o monitoramento eletrônico, a exposição da intimidade, a perseguição virtual e o  uso das redes sociais para constranger ou desqualificar a mulher. </p>
<p>No âmbito das relações familiares, a modalidade mais presente é a  violência patrimonial . Dinheiro e bens, afinal, não são só riqueza, mas também autonomia. Ter acesso aos próprios recursos é ter condição para decidir onde morar e trabalhar, contratar assistência jurídica e, não menos importante, deixar uma relação sem entraves.</p>
<p>Durante o relacionamento, essa violência nem sempre é evidente. Pode ocorrer, por exemplo, quando o homem arca sozinho com as despesas domésticas, administra investimentos e empresas da família, controla de maneira abusiva os gastos pessoais da companheira ou impede a mulher de ter acesso aos recursos do casal. </p>
<p>A situação pode ser ainda mais delicada quando ela reduz ou abandona a própria carreira para assumir, predominantemente, os cuidados da casa e dos filhos, tornando-se, assim, economicamente dependente do companheiro ao longo dos anos.</p>
<h2>Patrimônio é poder</h2>
<p>É necessário, entretanto, fazer importante distinção.  A desigualdade de renda entre os cônjuges não configura, por si só, violência , assim como a administração das finanças de esfera doméstica por apenas um deles; o problema surge quando a posição econômica privilegiada de um passa a ser, deliberadamente, utilizada para controlar, constranger, punir, humilhar ou limitar a autonomia do outro.</p>
<p>E é justamente no momento do divórcio que algumas dessas situações se tornam ainda mais evidentes, uma vez que a ruptura conjugal pode revelar desigualdades e mecanismos de comando anteriormente encobertos pela confiança inerente à relação. </p>
<p>Muitas mulheres  chegam ao processo de separação sem conhecer a verdadeira dimensão do patrimônio construído em décadas de casamento . Não sabem quais investimentos existem, desconhecem a estrutura empresarial e não têm acesso a documentos e a dados que sempre estiveram sob a administração exclusiva do cônjuge. Isso, aliás, lhes causa indiscutível prejuízo na busca pela partilha justa dos bens comuns. </p>
<p>Ocultação patrimonial, retenção de recursos, esvaziamento de contas, apropriação exclusiva do inventário e utilização deliberada da assimetria de informações são considerados instrumentos de violência. </p>
<p>Reconhecer outras formas de agressão contra a mulher exige abandonar a ideia de que este tipo de crime só tem validade quando deixa marcas fisicamente perceptíveis. Algumas atingem a autoestima e a dignidade; outras restringem a liberdade; e há, ainda, aquelas que comprometem a própria possibilidade material de escolha, de recomeço. </p>
<p>* Bruna Lago  é advogada especializada em direito da mulher e da família. Professora do Centro Universitário Fieo, integra a Comissão de Direito da Família da OAB-SP e o Iasp (Instituto dos Advogados de São Paulo). Escreve a convite do  GSW Brasil .</p>
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        <media:title>Violência contra a mulher</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Bruna Lago]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Laudo mostra que soldado Gisele foi assassinada</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/laudo-mostra-que-soldado-gisele-foi-assassinada</link>
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      <pubDate>Fri, 04 Sep 2026 21:57:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo descartou a hipótese de suicídio da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana. A investigação concluiu também que houve a intervenção de outra pessoa em sua morte. </p>
<p>Gisele, de 32 anos, foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava, no Brás, região central de São Paulo. Seu então companheiro, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, é réu por feminicídio e permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes. O caso chocou o país.</p>
<p>Segundo a perícia, a análise das manchas de sangue e dos demais vestígios encontrados no apartamento contradiz a versão de suicídio e sustenta a participação de uma segunda pessoa. O laudo complementar, de 15 páginas, foi elaborado após questionamentos apresentados pela defesa de Geraldo, que nega o crime.</p>
<p>Uma nova audiência está marcada para terça-feira, 8, quando o tenente-coronel deverá ser interrogado.</p>
<h2>O que aconteceu</h2>
<p>Geraldo estava no apartamento quando Gisele morreu. Inicialmente, o tenente-coronel informou às autoridades que ela havia cometido suicídio. Uma vizinha, porém, relatou ter ouvido um disparo às 7h28. O chamado do então marido à Polícia Militar ocorreu às 7h57, quase meia hora depois.</p>
<p>As suspeitas aumentaram com os resultados da perícia. Laudos do Instituto Médico Legal identificaram lesões no rosto e no pescoço da soldado, incluindo marcas compatíveis com pressão dos dedos e unhas. Exames também apontaram que Gisele havia sido agredida por um adulto. Não encontraram vestígios de pólvora em suas mãos.</p>
<p>Também foram encontradas manchas de sangue no banheiro e no calção de Geraldo. O militar tomou banho após a chegada da polícia, apesar da orientação para que não o fizesse. A medida iria preservar possíveis vestígios. Mensagens encontradas no celular de Gisele também indicaram situações de humilhação no relacionamento. </p>
<p>Geraldo foi preso em 18 de março, em São José dos Campos. No fim de agosto, o Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva ao considerar, entre outros pontos, o risco de interferência na produção de provas e os indícios de tentativa de alteração da cena da morte.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram e edição por IA para aumentar a resolução</media:credit>
        <media:title>soldado-gisele</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Capacitação gratuita em IA oferece 5 mil vagas para empreendedoras</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/capacitacao-gratuita-em-ia-oferece-5-mil-vagas-para-mulheres-empreendedoras</link>
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      <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 21:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Estão abertas as inscrições para o novo curso do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), realizado em parceria com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP). A iniciativa visa ensinar mulheres, na prática, a aplicar ferramentas de IA para impulsionar vendas, organizar as finanças e otimizar a gestão do negócio.</p>
<p>O projeto Impacto Feminino – Inteligência Artificial para Pequenos Negócios Liderados por Mulheres é financiado por uma emenda parlamentar e, ao todo, serão ofertadas cinco mil vagas, totalmente gratuitas e online, abertas para participantes de todo o país.</p>
<h2>Quem pode se inscrever </h2>
<p>Para concorrer às vagas, é preciso ter 25 anos ou mais, ser mulher e ter renda familiar de até R$ 810,50 por pessoa, dividido pelo número total de moradores da casa. Ter um negócio, formal ou informal, é obrigatório, assim como disponibilidade para participar de pelo menos sete das dez aulas. </p>
<p>Mulheres negras e moradoras de bairros periféricos ou de regiões mais vulneráveis terão prioridade na escolha e, para participar, será preciso ter familiaridade com ferramentas como Zoom e Google Meet.</p>
<p>As participantes que trabalham ou têm parentesco até o terceiro grau com a diretoria do IRME ou com agentes públicos do MEMP não poderão concorrer ao edital, assim como empreendedoras com negócios voltados à política partidária.</p>
<h2>Como serão as aulas</h2>
<p>As aulas irão começar em 1º de setembro e seguem até 5 de novembro, sempre pela internet. São dez aulas ao vivo intercaladas com dez rodadas de mentoria coletiva, cada uma com uma hora de duração.</p>
<p>O conteúdo abordará temas como: </p>
<p>Após cada aula, a aluna deve emitir o certificado diretamente na plataforma para comprovar sua participação e as turmas irão contar com dois grupos no WhatsApp, um exclusivo para avisos oficiais e outro para networking e troca de ideias entre as participantes.</p>
<h2>Apoio financeiro e capital semente</h2>
<p>Ao término do projeto, 50 empreendedoras serão selecionadas para receber um aporte financeiro de R$ 1.000 cada para ajudar na implementação do plano desenvolvido durante o curso.</p>
<p>Para concorrer a esse valor as regras do edital mudam um pouco. O negócio precisa ter CNPJ ativo, porque o dinheiro irá ser depositado direto na conta da empresa, não na conta pessoal da empreendedora.</p>
<p>Também será preciso apresentar o certificado do curso e contar como pretende usar o crédito. As inscrições para essa etapa abrem em 27 de outubro, e as 50 empreendedoras escolhidas serão divulgadas em 17 de novembro.</p>
<p>O depósito acontece até 30 de novembro. Depois disso elas ainda terão até 17 de dezembro para mandar os comprovantes de que o dinheiro realmente foi utilizado no negócio, com fotos e notas fiscais.</p>
<h2>Como se inscrever</h2>
<p>Basta acessar e preencher o formulário de  inscrição , sem nenhum custo adicional. Quem tiver dúvida na hora de mandar os documentos pode escrever para projetos@rme.net.br.</p>
<p>O link ficará aberto até 20 de outubro, prazo que já foi atualizado depois de uma retificação feita no edital em 25 de agosto.</p>
<h2>Outras iniciativas ao redor do país</h2>
<p>Vale ressaltar que o projeto não é o único caminho para quem quer auxílio para expandir o negócio. A própria Rede Mulher Empreendedora disponibiliza vários cursos gratuitos em sua  plataforma , desde marketing à inteligência artificial, sem processo seletivo.</p>
<p>O Sebrae Delas, maior programa de empreendedorismo feminino do Sebrae, também está presente em diversos estados e têm investido em formações gratuitas, tanto  online  quanto presenciais.</p>
<p>Já para quem está em busca de incentivo financeiro, o  Prêmio Sebrae Mulher de Negócios,  desde 2004, distribui anualmente até R$ 50 mil para negócios de sucesso escolhidos em etapas estadual, regional e nacional. </p>
<p>A Trilha Mulheres de Sucesso, do Grupo Mulheres do Brasil, também está com inscrições abertas pelo  Sympla . O curso é gratuito e vai acontecer de 1º de setembro a 13 de outubro, sempre às terças e quintas, das 19h às 21h. As aulas passam por posicionamento de marca, formalização, gestão financeira e precificação, tudo online e sem processo seletivo.</p>
<p>Quem mora em São Paulo também pode aproveitar o Ela Empreende, do programa estadual Qualifica SP Empreenda, feito em parceria com o Itaú, com aulas curtas enviadas direto pelo WhatsApp, cobrindo dez módulos sobre gestão, finanças e marketing. As  inscrições  vão até o dia 14 de setembro. </p>
<p>Já o  Itaú Mulher Empreendedora , é um programa contínuo do banco, sem prazo nem limite de vagas, com vídeos, artigos e ferramentas de gestão liberados o ano inteiro.</p>
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        <media:title>empreendedora-IA</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Renda de 41% das mulheres que acionam o Ligue 180 é de até um salário mínimo</title>
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      <pubDate>Fri, 21 Aug 2026 10:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Ministério das Mulheres divulgou dados da  Análise Estatística do Perfil da Vítima  do  Ligue 180.  Em 2025, entre as mulheres que buscaram ajuda,  41,3% declararam viver com até um salário mínimo . E  28% informaram não ter renda alguma.</p>
<p>O balanço também mostrou o grau de escolaridade das mulheres que acionaram no ano passado a Central de Atendimento à Mulher, outro nome do Ligue 180. Delas,  35,3% concluíram o ensino médio e 13,6 %, apenas o superior . O índice de  mulheres que não terminaram o ensino fundamental é 18,8% .</p>
<p>Como ressaltou o ministério nas redes sociais, quanto  maiores a escolaridade e a autonomia financeira ,  menor a vulnerabilidade à violência.</p>
<p>Com 20 anos completados em novembro de 2025,  o Ligue 180 registrou  no ano passado 1.088.900 atendimentos,  quase três mil por dia, o que representa um  aumento de 45% em comparação com 2024 . </p>
<p>Foram contabilizadas  155.111 denúncias de violência, alta de 17,4% sobre o ano anterior . A média diária de denúncias foi de 425.</p>
<h2>Central mais acionada em 2026</h2>
<p>Neste ano, o serviço já superou um milhão de atendimentos. Os registros são dos primeiros sete meses.  Esse volume (1.035.647) representa 95% do total de 2025.</p>
<p>De acordo com os dados do ministério, foram feitas  98.705 denúncias de violência de gênero nesse período.  A psicológica se mantém como a mais relatada. Ela responde por 35% dos casos.</p>
<p>A maior parte das chamadas se refere a pedidos de informação (872.257).  Também foram feitos 63.478 pedidos de orientação e serviços da rede. O Ligue 180 registrou ainda 1.207 manifestações. </p>
<p>Em relação às solicitações de informação, há chamadas que incluem relatos de violência. Isso demonstra a percepção das agressões sofridas.</p>
<p>Quanto às denúncias, elas ficaram distribuídas desta forma:</p>
<h2>Em que estados o serviço foi mais procurado</h2>
<p>São Paulo tem o maior número de atendimentos registrados nos primeiros sete meses do ano, em comparação aos demais estados. Depois, estão Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.</p>
<h2>Quais são os canais de atendimento</h2>
<p>O Ligue 180 funciona 24 horas por dia , todos os dias da semana, e pode ser acessado por diferentes canais:</p>
<p>Além de receber denúncias, a Central de Atendimento à Mulher  esclarece dúvidas sobre a Lei Maria da Penha, orienta sobre os direitos das mulheres e informa quais serviços especializados estão disponíveis em cada município.</p>
<p>Em situações de agressão em andamento, ameaça imediata ou risco de morte, a recomendação é acionar o 190,  telefone de emergência da Polícia Militar, para atendimento imediato.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplah/ Chris J Davis</media:credit>
        <media:title>mulher-celular</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>STF tem maioria para ampliar alcance de medidas protetivas da Lei Maria da Penha</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/stf-tem-maioria-para-ampliar-alcance-de-medidas-protetivas-da-lei-maria-da-penha</link>
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      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O  STF (Supremo Tribunal Federal)  formou maioria nesta quarta-feira, 19, para  ampliar a proteção prevista pela Lei Maria da Penha  a mulheres que são vítimas de violência de gênero mesmo quando o agressor não faz parte do círculo familiar ou não mantém relação afetiva com elas.</p>
<p>Pela decisão,  medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas em casos como assédio, perseguição e sequestro , desde que fique caracterizado que a violência ocorreu por razões de gênero. A aplicação das medidas, portanto, não ficará restrita a situações de violência doméstica ou familiar.</p>
<p>A maioria dos ministros também definiu que qualquer  juiz que receber um pedido de proteção deverá analisá-lo com urgência , mesmo que não atue em uma vara ou juizado especializado em violência doméstica.</p>
<p>+ Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta  </p>
<p>Após a decisão sobre a medida, o processo poderá ser encaminhado ao magistrado competente. A determinação deverá ser observada pela Justiça em casos semelhantes.</p>
<p>Outro ponto estabelecido pelo STF é que pedidos de medidas protetivas relacionados à violência política de gênero deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>O julgamento teve origem em um recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais  contra uma decisão do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), que havia negado uma medida protetiva a uma mulher ameaçada por razões de gênero em uma comunidade. </p>
<p>Neste caso, a vítima era ameaçada por um vizinho, mas a relação entre os dois se restringia à proximidade das residências -- o que embasou a decisão da Justiça de Minas no sentido de que não havia necessidade de protetiva. Para o MP, que recorreu, a interpretação judicial violou obrigações internacionais assumidas pelo Estado brasileiro no combate à violência de gênero.</p>
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        <media:credit role="provider">Agência Brasil/ Tomaz Silva</media:credit>
        <media:title>machismo-manifestação</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Quatro em cada 10 brasileiras já apostaram online; 67% afirmam que bets destroem famílias</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/quatro-em-cada-10-brasileiras-ja-fizeram-apostas-onlines-67-afirmam-que-bets-destrem-familias</link>
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      <pubDate>Tue, 18 Aug 2026 14:44:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Bets estão na rotina dos brasileiros e das brasileiras. A pesquisa “ Mulheres & Bets: O impacto da epidemia de apostas online para as brasileiras e suas famílias ”, divulgada nesta segunda-feira, 17 ,  mostra que  49% da população masculina e 42% da feminina já apostaram ou apostam atualmente.</p>
<p>Conduzido pela Clarice, estúdio de pesquisa e projetos criativos sobre mulheres e poder, em parceria com as empresas Estratégia Latina e Ideia, o estudo aponta que  para 67% das entrevistadas as apostas estão acabando com as famílias . Para os homens, esse índice está em 59%.</p>
<p>São elas também que cobram soluções:  62% defendem a proibição dos jogos online no país versus 50% dos homens . Essa posição se mantém majoritária independentemente do viés político. </p>
<p>O trabalho foi feito a partir de estudos qualitativos e quantitativos. As entrevistas qualitativas, realizadas em junho e agosto, ouviram 60 pessoas, sobretudo mulheres de 18 a 58 anos, das classes C, D e E, no Sudeste e Nordeste.</p>
<p>Na enquete quantitativa, foram ouvidas 2.008 pessoas (mulheres e homens) em todo o Brasil, entre 8 e 9 de julho, de acordo com a distribuição da população conforme o Censo 2022, PNAD 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais. </p>
<p>O estudo avaliou o impacto do jogo na vida das brasileiras sob duas óticas: as que apostam e as impactadas por um parente apostador. Os dados revelam um cenário alarmante de desestruturação familiar, danos graves à saúde mental e superendividamento. Além disso,  23% das pessoas ouvidas conhecem ou presenciaram alguma situação em que as apostas contribuíram para casos de violência dentro da família.  O efeito é ainda mais severo nas classes D e E.</p>
<p>“As bets jogam com dois imaginários muito fortes. Elas seduzem pela promessa de vida digna - a conta paga, a mesa farta, o presente para os filhos e também pelo lado de cuidado, papel historicamente atribuído às mulheres. A casa, o principal lugar em que a influência feminina é plenamente exercida, acaba capturada pela armadilha", declarou Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da Clarice.</p>
<p>Além do endividamento, a pesquisa indica que a expansão das apostas online está erodindo as relações que sustentam a família por dentro. No centro dessa crise, estão as mulheres.  “A dívida é só a parte visível. Quem gerencia as contas da casa e cuida das relações da família são as mulheres, e é nessas duas pontas, a do dinheiro e a dos afetos, que o dano aparece por inteiro”, reforçou Beatriz.</p>
<p>A pesquisa mapeou ainda as políticas que os brasileiros validam para conter o avanço das bets.  O apoio à proibição das casas de apostas é majoritário: 56%. Quem puxa esse posicionamento são as mulheres, com 62%. Metade dos homens é favorável a essa medida.</p>
<p>Entre as medidas testadas,  45% aprovam o bloqueio do Pix em apostas para quem recebe benefícios sociais e 33% teriam interesse em um canal anônimo de apoio — índice que sobe para 57% entre quem aposta com frequência.</p>
<p>Um dado chama atenção para a falta de conhecimento de serviços de apoio: 70% dos brasileiros nunca ouviram falar do sistema de autoexclusão criado pelo governo federal e o desconhecimento é maior entre as mulheres das classes D e E.</p>
<p>Cofundadora da Clarice, Mariana Ribeiro destacou que a perspectiva das mulheres é a única por meio da qual se vê a crise inteira. “Sem escutá-las, não é possível medir o tamanho real do problema. Nenhuma estratégia de resposta será eficaz sem considerar as mulheres e seu papel social”, afirmou.</p>
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        <media:credit role="photographer">Ievgen Chabanov</media:credit>
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        <media:title>mulheres-jogo-online</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estudo mostra que 46% dos negócios de empreendedoras faturam até R$ 3,2 mil por mês</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/46-porcento-dos-negocios-de-empreendedoras-faturam-r-3-2-mil-por-mes</link>
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      <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 23:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O cotidiano de uma mulher empreendedora envolve diversos desafios. Entre eles, tocar o negócio sozinha. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME) em parceria com a consultoria Tewá 225. O trabalho revela que 70% das entrevistadas cuidam de suas empresas sem ter nenhum funcionário.  </p>
<p>Divulgado às vésperas do Dia Nacional da Mulher Empresária, celebrado nesta segunda-feira, 17, o estudo "Empreendedoras e Seus Negócios 2026" apresenta um cenário de intensa sobrecarga para elas. Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, citados na pesquisa, o país tem hoje quase 10 milhões de empresas ativas lideradas por mulheres.</p>
<p>São profissionais que vendem roupas, cortam cabelo, cozinham e prestam serviços diversos no dia a dia, muitas vezes sem nem chamar isso de "empreender". </p>
<p>A pesquisa ouviu 1.176 empreendedoras de todos os estados brasileiros por meio de questionário, além de 95 mulheres em 15 grupos focais e cinco especialistas e representantes de organizações. O levantamento tem margem de erro máxima de 3,1%.</p>
<h2>O preço de empreender sozinha</h2>
<p>A informalidade atinge quase um terço das empreendedoras: 31,9% das entrevistadas não têm CNPJ, e o motivo mais citado é o custo dessa formalização (resposta de 38,9% das participantes do estudo). A situação pesa de forma desigual sobre as mulheres negras, com 42,8% ainda na informalidade, contra 24,5% das brancas. Sem isso, elas ficam mais vulneráveis e fora de linhas de crédito, licença-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria.</p>
<p>Ainda assim, a série histórica da pesquisa mostra que a formalização via MEI subiu de 37,1% em 2024 para 40,1% em 2026, e o acesso a crédito quase dobrou em três anos, de 25% das empreendedoras em 2023 para 47,8% em 2026, puxado principalmente por capital de giro. </p>
<p>Porém, por trás disso ainda está uma defasagem na renda. Segundo o estudo, 43,5% das empreendedoras dizem que menos da metade do que ganham em casa vem do próprio negócio, o que as deixa dependentes de salário, benefícios ou outras fontes. </p>
<p>Dentre as entrevistadas, mais da metade (54,7%) começou a empreender por necessidade, e não por oportunidade. O estudo revela que 38% têm faturamento insuficiente para cobrir os custos do próprio negócio e nove em cada dez não conseguem sobra para reinvestir ou poupar. A pesquisa aponta que 46,6% dos negócios têm faturamento médio mensal de até R$ 3.242.</p>
<h2>Os desafios continuam</h2>
<p>Na análise da série histórica, alguns dos principais desafios relatados pelas empreendedoras pioraram desde 2024, primeiro ano do levantamento. Hoje, marketing e divulgação representam a maior queixa (51,9%), com um aumento contínuo nos últimos três anos. </p>
<p>A parte de gestão financeira também cresceu, com 42,3% considerando um empecilho para o crescimento do negócio, aliado à fidelização de clientes e acesso a crédito. </p>
<p>Segundo o estudo, 72,2% das empreendedoras usam a internet para divulgar o que vendem, mas não se veem como criadoras de conteúdo, estando presentes na web por necessidade e empilhando mais uma função na rotina.</p>
<h2>O trabalho de cuidado invisível</h2>
<p>Quase três em cada quatro empreendedoras (73,8%) são mães e 42,4% delas criam os filhos sozinhas. O impacto disso no negócio é direto: mais de 80% já interromperam o próprio trabalho para cuidarem de alguém, e 74,2% fazem isso sem nenhuma rede de apoio não institucional, seja de parceiro, família ou ajuda paga.</p>
<p>“Às vezes tem dia que a gente tem de abrir mão: ou é a família ou é o comércio, isso acontece direto”, resumiu uma participante de um grupo focal do Sudeste ouvida pela pesquisa.</p>
<p>Além do peso do cuidado, 57,3% dessas mulheres são as principais provedoras de suas famílias, muitas vezes sustentando a casa e o negócio ao mesmo tempo, sem intervalo entre as duas jornadas.</p>
<h2>Quem são elas</h2>
<p>Dentre as empreendedoras entrevistadas, 52,3% se consideram negras (pretas e pardas), a maioria em todas as edições da pesquisa desde 2021, enquanto 57,9% chegaram ao ensino superior e 36,6% concluíram pós-graduação. </p>
<p>A faixa etária predominante é de 30 a 49 anos (59,1%). Desde 2024, porém, a proporção de empreendedoras com 70 anos ou mais quintuplicou, chegando a 5% em 2026.</p>
<p>Apesar da sobrecarga, informalidade e desigualdade, 70,1% das empreendedoras se dizem confiantes e 66,7%, otimistas quanto ao futuro dos seus negócios. "Quando as mulheres prosperam financeiramente, tendem a reinvestir na educação dos filhos, na família e na comunidade ao redor", resume Ana Fontes, fundadora e presidente da RME, no relatório.</p>
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        <media:title>mulher-empreendedora</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Lula lança campanha à reeleição no estádio que marcou início de sua trajetória política</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/lula-lanca-campanha-a-reeleicao-no-estadio-que-marcou-inicio-de-sua-trajetoria-politica</link>
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      <pubDate>Sun, 16 Aug 2026 16:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou oficialmente neste domingo (16) sua campanha à reeleição à Presidência da República em um dos lugares mais simbólicos de sua trajetória política. No Estádio Municipal Primeiro de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, o petista discursou por cerca de 30 minutos para um público que ocupou boa parte do campo e das arquibancadas.</p>
<p>Com o lema  “O Brasil pronto para mais” , acompanhado da frase  “Onde tudo começou” , o ato recuperou episódios da trajetória de Lula desde os anos em que era metalúrgico e líder sindical até as duas passagens pela prisão. A escolha do estádio, conhecido historicamente como Vila Euclides, reforçou a estratégia de associar a campanha às origens políticas do presidente. </p>
<p>Logo no início da fala, Lula explicou o uso do chapéu que tem aparecido em suas aparições públicas. O presidente contou que passou por sessões de radioterapia para tratar um câncer de pele e, por orientação, precisa evitar a exposição da cabeça ao sol. Em seguida, disse que, apesar do acessório, iria “tirar o chapéu” para o público presente. Durante o discurso, Lula relembrou a história da mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a dona Lindu, falou sobre a carreira política e mencionou os períodos em que esteve preso. Ao defender a busca por um quarto mandato, afirmou que pretende impedir que a direita volte a governar o país.</p>
<h2>A lembrança de Vavá e a crítica a Toffoli</h2>
<p>Ao relembrar os períodos em que esteve preso, Lula também fez uma crítica ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao comparar duas situações ocorridas em momentos políticos distintos.</p>
<p>O presidente lembrou que, durante a ditadura militar, quando ainda era líder sindical, um delegado permitiu que ele deixasse a prisão para acompanhar o velório de sua mãe. Em seguida, fez referência à prisão de 2019, quando estava detido em Curitiba e foi impedido de acompanhar o velório e o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. </p>
<p>Na ocasião, Toffoli autorizou que Lula se encontrasse com familiares em uma unidade militar, mas a decisão foi divulgada quando o sepultamento já estava em andamento, inviabilizando a participação do ex-presidente na cerimônia.</p>
<h2>Soberania em meio à tensão com os EUA</h2>
<p>Outro eixo do discurso foi a defesa da soberania nacional. Lula afirmou que o Brasil não deve se submeter aos interesses de nenhuma potência estrangeira e citou tanto os Estados Unidos quanto a China ao defender a autonomia do país nas relações internacionais.</p>
<p>A fala ocorre em um momento de forte tensão diplomática e comercial entre Brasília e Washington. O governo Donald Trump impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, com alíquotas que podem chegar a 37,5% em determinados casos. Em resposta, o Brasil acionou a Lei da Reciprocidade Econômica e também levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC).</p>
<p>Ao incorporar o tema à largada da campanha, Lula tenta apresentar a soberania como uma das marcas de sua candidatura e reforça a ideia de que o Brasil deve manter relações comerciais e diplomáticas sem ficar subordinado a Estados Unidos, China ou qualquer outra potência.</p>
<h2>Janja homenageia Marisa Letícia</h2>
<p>A primeira-dama Janja da Silva também participou do ato e fez uma homenagem que chamou a atenção do público ao lembrar Marisa Letícia, ex-mulher de Lula, que morreu em  3 de fevereiro de 2017 .</p>
<p>Janja destacou a participação de Marisa na construção do Partido dos Trabalhadores e lembrou que ela ajudou a costurar a primeira bandeira da legenda. A homenagem também recuperou o papel de mulheres que participaram dos primeiros anos do movimento sindical e da formação do PT.</p>
<p>“Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente”, afirmou Janja durante o discurso.</p>
<p>A menção a Marisa ganhou peso justamente em um evento marcado pela recuperação da memória da origem política de Lula. Antes de chegar à Presidência, o petista construiu sua liderança no movimento sindical do ABC ao lado de trabalhadores e de militantes que participaram das greves que desafiaram a ditadura militar no fim dos anos 1970.</p>
<p>O estádio Primeiro de Maio, antigo Vila Euclides, foi o principal palco dessa história. Foi ali que Lula liderou assembleias que reuniram dezenas de milhares de metalúrgicos durante as greves do ABC. Décadas depois, o mesmo espaço voltou a receber o presidente para o primeiro ato público de sua campanha em busca de um quarto mandato.</p>
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        <media:credit role="photographer">Foto: Ricardo Stuckert</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Larissa Pereira]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Número de empreendedoras cresce no país, mas acesso a crédito ainda é desafio</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/numero-de-empreendedoras-cresce-no-brasil-mas-acesso-a-credito-ainda-e-desafio</link>
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      <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 19:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Duas advogadas do interior do Rio Grande do Sul sustentam, com o faturamento do escritório, um aplicativo para mulheres em situação de violência, a Protagonizza. Elas fazem parte de um contingente cada vez maior no país: o de empreendedoras. Apesar do crescimento, elas representam uma fatia que segue sem crédito e sem investimento.</p>
<p>O projeto, criado por Franciéle Thaís Mundstock e Brenda Luiza Medina Rech, em 2024, começou no Instagram. A primeira mensagem chegou em uma sexta-feira à noite, momento em que boa parte das pessoas se prepara para aproveitar o fim de semana. Depois, vieram outras e até domingo eram mais de 50 na caixa de entrada da rede. Eram mulheres pedindo ajuda, informação, um caminho para sair de uma situação de violência. "Passei aquele final de semana inteiro trabalhando, orientando. E eram informações básicas", conta Franciéle.</p>
<p>E assim, sem planejar, as duas advogadas estabeleceram um negócio e entraram nas estatísticas do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Em 2025, o país abriu 4,96 milhões de micro e pequenas empresas e MEIs. Pouco mais de duas milhões tinham uma mulher no comando, 42% do total e a maior porcentagem já registrada. São 320 mil a mais que no ano anterior. Na década, o número de empreendedoras saiu de 8,2 milhões para 10,4 milhões, um avanço de 27% contra 11% entre os homens.</p>
<p>Por mais que ainda sejam apenas um terço dos empresários, desde 2023, as mulheres já são maioria entre os chamados empreendedores potenciais, que ainda não têm empresas, mas pretendem abrir uma em até três anos.</p>
<h2>A ideia por trás do negócio</h2>
<p>Foi em meio a esse cenário que nasceu a Protagonizza, com a ideia de montar um aplicativo para reunir em um só lugar o que o Estado oferece de forma esparsa a mulheres em situação de violência. O projeto era concentrar canais de denúncia, apoio jurídico e psicológico, geolocalização de serviços públicos e cursos de capacitação.</p>
<p>Hoje, ele tem seis áreas de atuação: assistência social, jurídico, saúde, bem-estar, emprego e capacitação.</p>
<p>A concepção da Protagonizza nasceu de um caso de violência doméstica dentro do próprio escritório. Isso fez Franciéle se perguntar o motivo pelo qual suas clientes não registravam boletim de ocorrência. Ela sempre ouvia as mesmas duas razões: não tinham para onde ir ou temiam que a denúncia piorasse tudo. “Fomos percebendo que era uma falha de sistema, de estrutura e de informação”, conta.</p>
<p>No começo, elas atuavam no fim de semana para cuidar do novo projeto. Esse “plantão” não constava em nenhum plano de negócios. Essa particularidade, porém, não é exclusividade da Protagonizza. Um levantamento do Sebrae com base na Pnad Contínua mostra que 51% das empresárias brasileiras trabalham mais de 40 horas semanais no próprio negócio, contra 71% dos empresários homens.</p>
<p>A explicação, muitas vezes, está na sobrecarga de tarefas, que faz com que elas tenham de conciliar o cuidado da casa, dos filhos e dos idosos com as atividades do negócio. É a essa segunda jornada, informal e sem remuneração, que se somam às demandas da empresa.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asPHmPjs74gLLJZsX.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Fundada por Brenda Luiza Medina Rech e Franciéle Thaís Mundstock, a Protagonizza é uma plataforma que dá acesso a serviços voltados a mulheres em situação de violência."/>
<h2>A busca por crédito</h2>
<p>A proposta do aplicativo tinha potencial, mas, como todas as demandas, precisava de capital para ser resolvida. Esse é o principal entrave enfrentado pelas empreendedoras, que respondem por menos de 12% do capital distribuído pelos maiores fundos de venture capital do país, segundo levantamento de 2023 da revista Startups.</p>
<p>Rodadas avançadas em empresas fundadas só por mulheres são raras a ponto de nem ao menos render série histórica. Além disso, mesmo fora do setor de tecnologia, predominantemente masculino, a diferença de renda persiste. Em 2025, a média salarial delas era de R$ 2.929, o melhor resultado já registrado, contra R$ 3.864 dos homens.</p>
<p>Franciéle também enfrentou problemas nessa parte. "Falar do Protagonizza nunca foi fácil. Nada, absolutamente nada. O fato de sermos mulheres já torna tudo um pouco mais desafiador", relembra.</p>
<p>As propostas de investimento que apareceram vinham com contrapartidas comerciais, e ela recusou todas. O aplicativo se mantém, desde então, com o dinheiro do escritório de advocacia das sócias, que reservam as tardes de terça-feira e quinta-feira para tocar o projeto.</p>
<h2>Um trabalho em constante progresso</h2>
<p>Algumas engrenagens, porém, funcionaram. Hoje, elas participam de três programas de aceleração: o Startando, no Rio Grande do Sul, o AVTEC, no Paraná, e o Founders Club, e pesquisam uma parceria com a Espanha, ainda em fase inicial.</p>
<p>Ainda em fase de ideação, a Protagonizza também recebeu auxílio de um programa de pré-aceleração da UCS (Universidade de Caxias do Sul) e recebeu as primeiras mentorias do Sebrae da cidade.</p>
<p>No ano passado, a Fampe Mulher, fundo de aval do Sebrae voltado a negócios liderados por mulheres, destinou mais de R$ 734 milhões em crédito para empreendedoras. Além disso, fornece cursos e especializações gratuitas, sendo uma das indicações que o aplicativo faz às usuárias que precisam de renda própria para ir embora de casa, e quem sabe abrir um empreendimento próprio.</p>
<h2>O escalonamento do negócio</h2>
<p>Hoje, o site da Protagonizza registra cerca de 350 acessos por semana. O site é aberto a qualquer pessoa. O cadastro, que dá acesso aos serviços voltados especificamente a mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, é uma etapa à parte e totalmente sigilosa.</p>
<p>A plataforma organiza os serviços em três instâncias, nacional, estadual e municipal. Quando uma prefeitura adere ao programa, ganha um painel de gestão que centraliza secretarias antes dispersas (Mulher, Assistência Social e, num projeto piloto em Caxias do Sul, também da Saúde).</p>
<p>Além de incentivar e dar visibilidade a serviços prestados por outras mulheres, o aplicativo fornece uma rede de bem-estar com cabeleireiras, manicures, esteticistas e massoterapeutas que dão pelo menos 10% de desconto. "Muitas mulheres não se identificam mais esteticamente, não cortam o cabelo, não fazem a unha há anos", explica Franciéle.</p>
<p>A história da Protagonizza foi compartilhada na comunidade  Segurança para as Mulheres , que você acessa  aqui , pelo GSW Brasil.</p>
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        <media:title>mulheres-negras-documento</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Violência contra mulher cresce quase 30% em dias de jogo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/violencia-contra-mulher-cresce-quase-30-em-dias-de-jogo-alta-e-maior-entre-vitimas-brancas</link>
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      <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 16:08:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em dias de partidas de futebol no Brasil, as ocorrências de lesão corporal dolosa praticadas contra mulheres registram um salto de 28,9%, enquanto os casos de ameaça crescem 27,4%.</p>
<p>Os dados são da segunda edição do estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, lançado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).</p>
<p>O estudo mostra ainda estatísticas mais elevadas entre vítimas brancas do que entre negras.</p>
<p>Nos boletins de ocorrência analisados, o crescimento das lesões corporais em dias de jogos alcança 36,2% entre mulheres brancas, enquanto entre mulheres negras o aumento é de 23,2%, uma diferença de 13 pontos percentuais.</p>
<p>Nos casos de ameaça, as notificações sobem 30,9% entre vítimas brancas contra 14,6% entre negras, uma distância de 16,3 pontos percentuais.</p>
<p>Segundo especialistas do Fórum, a menor variação entre as mulheres negras não reflete uma rotina doméstica mais segura, mas sim os obstáculos que distanciam a população negra dos órgãos de segurança pública.</p>
<p>Para a coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, Juliana Brandão, a combinação entre rotinas de trabalho informal ou jornadas estendidas que afastam essas mulheres de casa durante as partidas, somada à desconfiança em relação às forças policiais e à naturalização do conflito no cotidiano, faz com que episódios de violência em dias de futebol sejam subnotificados.</p>
<h2>Jovens são as principais vítimas</h2>
<p>A faixa etária das vítimas também é mensurada pelo estudo. As mulheres com idade entre 15 e 29 anos são as mais impactadas pelo fenômeno, registrando uma alta de 44,4% tanto nas ameaças quanto nas lesões corporais dolosas em dias de jogo. </p>
<p>Quando a análise se restringe às agressões cometidas estritamente no ambiente residencial, o aumento atinge 35,1% para lesões corporais e 26,8% para ameaças nesse grupo jovem.</p>
<p>O calendário semanal também influencia a distribuição dos episódios violentos. Os registros de agressão física concentram seus picos nos sábados e domingos, acompanhando os horários tradicionais das rodadas do Campeonato Brasileiro e de copas nacionais e continentais.</p>
<p>Já as ameaças atingem seus maiores níveis nos domingos, nas sextas-feiras e nas segundas-feiras, período que frequentemente sucede os resultados dos confrontos do fim de semana.</p>
<p>O levantamento analisou 219 mil ocorrências de ameaça e 88 mil casos de lesão corporal reportados à polícia entre 2023 e 2025 em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Os números atuais superam os apurados na primeira edição da pesquisa, que cobriu o período de 2015 a 2018 e indicava altas de 20,8% para lesões corporais e de 23,7% para ameaças.</p>
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        <media:title>mulher-agressão</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Projeto para garantir 50% de mulheres no Legislativo brasileiro é lançado em SP</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/projeto-para-garantir-50-de-mulheres-no-legislativo-brasileiro-e-lancado-em-sp</link>
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      <pubDate>Wed, 12 Aug 2026 12:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um grupo de entidades lança nesta quarta-feira, 12, a coleta digital de assinaturas para tramitação do  PLIP (Projeto de Lei de Iniciativa Popular) Mais Mulheres na Política , que prevê a  reserva obrigatória de 50% das cadeiras dos Poderes Legislativos municipais, estaduais e federal no Brasil para representantes femininas , com  25% destinado especificamente a negras .</p>
<p>O lançamento da plataforma ocorrerá em ato na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista, com a presença de autoridades como a ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do STF (Supremo Tribunal Militar) e integrantes do Ministério Público de São Paulo, incluído como autor do PL.</p>
<p>+Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta</p>
<p>Historicamente, eventos do tipo têm a função de apresentar a adesão de figuras públicas à pauta para mobilizar o debate público e ampliar as chances de adesão popular à pauta -- o objetivo da plataforma é alcançar  1,7 milhão de assinaturas digitais , número que encaminha o texto à tramitação no Congresso Nacional.</p>
<p>A tese da proposta é que a  política  de cota de gêneros vigente -- que obriga os partidos a apresentarem ao menos 30% de candidaturas femininas a cada eleição -- foi insuficiente para garantir equidade na representação política nacional. </p>
<p>O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking da União Internacional Parlamentar em relação à presença das mulheres em cargos eletivos. Na Câmara dos Deputados, 77 dos 513 assentos são ocupados por mulheres, sendo 13  por mulheres negras -- grupo que representa 27,9% da população brasileira.</p>
<p>"Somente a instituição da reserva de cadeiras poderá corrigir a desigualdade de gênero existente entre homens e mulheres no cenário político e aumentar a tão necessária e importante representatividade feminina na política, garantindo a devida representação das mulheres no campo político, possibilitando a participação das mesmas no debate em relação às políticas públicas", conclui a apresentação do PL.</p>
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        <media:title>Mulheres na política</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Uma em cada três medidas protetivas foi descumprida em 2025, aponta polícia</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/uma-em-cada-tres-medidas-protetivas-foi-descumprida-em-2025-aponta-policia</link>
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      <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 10:28:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As unidades especializadas no  Atendimento à Mulher  da  Polícia Civil  de todo o país realizaram  782.474 atendimentos   em 2025,  incluindo ocorrências de ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e feminicídio.</p>
<p>Ao todo, foram  329.451 vítimas atendidas . O número indica que muitas vezes as mulheres precisam voltar para o atendimento mais de uma vez.</p>
<p>Os dados foram divulgados no  10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres , publicado na sexta-feira, 7, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A data marcou os  20 anos da Lei Maria da Penha , principal mecanismo legal de proteção a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.</p>
<p>O levantamento compilou dados de  530 das 585 unidades espalhadas pelo país.  Apenas os estados de Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Alagoas e Goiás tiveram 100% de participação, com respostas de todos os serviços. Os menores percentuais vieram de: Amapá (33%), Distrito Federal (63%), Paraíba (72%), Sergipe (73%) e Rio de Janeiro (75%).</p>
<p>A região Sudeste concentrou o maior número de vítimas.  Foram 125.769, o que representa 47,8% do total nacional. Em seguida, estão as regiões Nordeste, com 53.067 vítimas (20,2%), Centro-Oeste, com 43.662 (16,6%), Sul, com 21.087 (8,0%), e Norte, com 19.712 vítimas (7,5%).</p>
<p>Entre os estados, a maioria das vítimas atendidas foi de São Paulo (84.103). É o equivalente a 31,9% do total nacional.  Também registrou os maiores quantitativos de vítimas de ameaça (29.013), lesão corporal (22.810), injúria (16.359), perseguição (8.536), estupro (3.699), registro não autorizado da intimidade sexual (658) e feminicídio (169).</p>
<p>O Rio de Janeiro destacou-se por apresentar o maior quantitativo de vítimas de violência psicológica contra a mulher, com 3.369 registros, correspondentes a 18,1% do total nacional dessa natureza.</p>
<h2>As principais ocorrências registradas pela polícia</h2>
<p>O relatório mostra que a ocorrência com maior número de registros em 2025 foi a  ameaça  (148.544), seguida por  lesão corporal  (99.473) e  injúria  (88.739).</p>
<p>Os tipos que tiveram maior alta em relação à pesquisa anterior (ano-base 2023) foram a  perseguição  (52.855, alta de 44,3%) e a  violência psicológica  (23.911, aumento de 49,7%).</p>
<p>Os quantitativos relatados correspondem exclusivamente às informações declaradas pelas unidades especializadas participantes do levantamento e não representam a totalidade das vítimas registradas pelas Polícias Civis brasileiras.</p>
<p>As maiores ocorrências declaradas pelas unidades especializadas no ano passado , portanto, são de:</p>
<p>1.       Ameaça (34,7%);</p>
<p>2.       Lesão corporal (23,3%);</p>
<p>3.       Injúria (20,8%);</p>
<p>4.       Perseguição (12,4%);</p>
<p>5.       Violência psicológica contra a mulher (5,6%);</p>
<p>6.       Estupro (2,8%);</p>
<p>7.       Registro não autorizado da intimidade sexual (0,4%)</p>
<p>8.       Feminicídio (0,1%).</p>
<h2>Medidas protetivas concedidas</h2>
<p>De acordo com o documento, os atendimentos nas unidades especializadas resultaram no pedido de 302.626 medidas protetivas de urgência, das quais  118.672 foram concedidas (74,2% do total).  Dessas, 38.214 foram descumpridas pelos agressores.</p>
<p>Isso corresponde a 32,2%. Ou seja, quase  uma em cada três medidas protetivas foi descumprida .</p>
<p>Das medidas protetivas concedidas, 31,7% levaram até 24h para serem confirmadas; 42,5% levaram entre 24h e 48h; e 12,5% após 48h.</p>
<h2>Que atendimentos foram feitos?</h2>
<p>Em 2025, as unidades especializadas no atendimento às mulheres registraram 608.152 boletins de ocorrência, constituindo o procedimento de maior volume entre os analisados.</p>
<p>Na sequência, foram contabilizadas  329.751 medidas protetivas solicitadas, 323.196 inquéritos policiais instaurados e 53.517 prisões em flagrante.  </p>
<p>Em relação a procedimentos encaminhados ao Poder Judiciário, foram remetidos 243.962 inquéritos policiais. Desse total, 232.014 (95,1%) possuíam autoria definida.</p>
<h2>Que profissionais atuam nas delegacias?</h2>
<p>As unidades especializadas começaram a ser instaladas em 1985, com a criação da primeira  Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam)  do Brasil, na região central da cidade de São Paulo. Naquele mesmo ano foram inauguradas mais 19 unidades.</p>
<p>Desde então, novas unidades foram instaladas a cada ano, chegando às 585 atuais, em que  6.200 profissionais, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais  que seguem protocolos especiais de acolhimento e escuta das vítimas.</p>
<p>As cidades com maior quantidade de unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, em 2025, são:  São Paulo  (com 10),  Brasília e Rio de Janeiro  (cada uma com 5),  Teresina e Belo Horizonte  (com 4, cada uma).</p>
<h2>As principais carências das delegacias</h2>
<p>Desafios dessas unidades também foram apresentados pelo relatório. Um deles é o fato de  80% delas ainda não funcionarem 24 horas . </p>
<p>Entre as principais carências, o estudo identificou ainda a  insuficiência de recursos de investigação, mencionada por 57% das unidades , a falta de viaturas, citada por 46%, e a falta de material de menor potencial ofensivo (40%).</p>
<h2>Proporção de unidades especializadas pela população de mulheres</h2>
<p>Um dado do diagnóstico revela que a  quantidade absoluta de unidades de um estado não reflete, necessariamente, sua disponibilidade proporcional em relação à população feminina residente .</p>
<p>A razão entre o número de unidades especializadas e a população de mulheres no estado, estimada para 2025 e expressa por 100 mil pessoas, permite comparar a disponibilidade relativa dessas estruturas, considerando as diferenças de porte populacional.</p>
<p>Esse indicador não representa a capacidade operacional das unidades, nem o volume de atendimentos realizados. Para seu cálculo, foram consideradas as 585 unidades às quais o instrumento de pesquisa foi encaminhado.</p>
<p>Tocantins registrou o maior valor observado, com 1,77 unidade por 100 mil mulheres, seguido por Rondônia (1,26) e Piauí (1,21). Por outro lado,  os menores valores foram observados no Amazonas (0,09), Rio de Janeiro (0,18) e Bahia (0,20).</p>
<p>Embora São Paulo tenha concentrado o maior número absoluto de unidades especializadas (145), sua razão foi de 0,61 unidade por 100 mil mulheres.  É um valor menor do que o registrado por Goiás, Espírito Santo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Rio Grande do Norte.</p>
<p>Com Agência Brasil</p>
<h3>Leia também:</h3>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>delegacia-da-mulher</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Rio cria Salas Lilás em delegacias para atender mulheres vítimas de violência</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/rio-cria-salas-lilas-em-delegacias-para-atender-mulheres-vitimas-de-violencia</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 18:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Polícia Civil do Rio de Janeiro criou o Programa Salas Lilás, que prevê a implantação de espaços especializados em delegacias para atender mulheres vítimas de violência. As estruturas também poderão funcionar em unidades do Instituto Médico Legal (IML). A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira, 4.</p>
<p>As Salas Lilás fazem parte de uma política nacional criada em 2025 para ampliar e padronizar o atendimento humanizado às vítimas de violência. O objetivo é oferecer acolhimento especializado e reduzir a revitimização, evitando que mulheres tenham de reviver repetidamente situações traumáticas durante o registro da ocorrência, os exames periciais e outros procedimentos.</p>
<p>No Rio de Janeiro, a implantação será feita de forma gradual. A definição das unidades seguirá critérios técnicos, como os índices de violência de gênero em cada região, incluindo ocorrências de violência doméstica, registros de estupro, pedidos de medidas protetivas e casos de feminicídio. Também serão considerados a existência de espaço físico adequado, a disponibilidade orçamentária e a integração da unidade com a rede de proteção às mulheres.</p>
<p>As Salas Lilás serão organizadas em três ambientes interligados. O primeiro será uma sala de espera, com material informativo e espaço lúdico para crianças. O segundo será destinado ao acolhimento da vítima, ao registro da ocorrência e à solicitação de medidas protetivas de urgência. O terceiro será reservado aos exames médico-legais, quando necessários.</p>
<p>Segundo o governo estadual, os ambientes terão fluxo de acesso planejado para preservar a privacidade das usuárias e tornar o atendimento mais acolhedor durante todo o processo.</p>
<h2>O que são as Salas Lilás?</h2>
<p>As Salas Lilás são espaços destinados ao atendimento especializado de mulheres vítimas de violência. Criadas dentro de uma política nacional lançada em 2025, elas podem funcionar em delegacias, unidades de perícia e outros órgãos do sistema de Justiça. O modelo busca ampliar o acesso ao atendimento humanizado, especialmente em locais que não contam com Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) ou Casas da Mulher Brasileira.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/20-anos-da-lei-maria-da-penha-e-a-protecao-a-mulher-ainda-em-falta</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 11:14:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Principal norma brasileira para prevenir, punir e erradicar a agressão doméstica e familiar contra a mulher, a  Lei Maria da Penha  (11.340/2006) completa 20 anos nesta sexta-feira, 7 de agosto. Mesmo com previsão de expedição de medidas protetivas de urgência, tipificação de cinco tipos de violência e criação de juizados especializados, este arcabouço, apesar de importante marcador histórico e indispensável, ainda se mostra insuficiente para enfrentar o crime que mais mata mulheres no Brasil: o feminicídio. </p>
<p>Os números são gritantes. Em 2025, em todo o país,  1.568 mulheres foram assassinadas em razão do gênero . Somente no primeiro trimestre de 2026, tivemos 399 execuções - um caso a cada 5 horas e 25 minutos. </p>
<p>A medida protetiva de urgência é o instrumento mais visível da lei em tela, mas é preciso refletir: trata-se de uma ordem judicial, não de um escudo. A cautelar cria fronteira legal entre o agressor e a vítima, mas sua capacidade de proteger termina onde começa a vontade do algoz de descumprir a Justiça e a lentidão do Estado em monitorar a desobediência e advertir o transgressor. </p>
<p>De janeiro a julho de 2026, mais de 351 mil novos pedidos judiciais de proteção foram protocolados em Varas Criminais e de Defesa da Mulher  espalhadas pelo Brasil — um volume que esgarça qualquer sistema. Vale ressalvar: a medida funciona quando vem escoltada por uma  rede de salvaguarda, com direito a patrulhamento e abrigo.</p>
<p>Sem isso, falamos tão somente de um papel - muitas vezes lido e ignorado pelo agressor, que não admitindo o fim de um relacionamento ou não reconhecendo a necessidade de limites de convivência, parte para o ataque, sem temer polícia, Justiça ou sociedade.</p>
<h2>O risco nas lacunas</h2>
<p> É justamente na lacuna entre a legislação especializada e a proteção integral que se insere o Estatuto da Vítima, previsto no Projeto de Lei (PL) 3.890/2020. Já aprovada na Câmara, a matéria tramita no Senado Federal, onde passou pelas Comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública com parecer favorável e em caráter de urgência. </p>
<p>O texto seguirá para deliberação em plenário, com expectativa de que os senadores votem o projeto original com prioridade para que ele seja sancionado pelo presidente Lula (PT) ainda neste ano. </p>
<p>A exemplo de códigos que já são realidade em países da Europa, o  Estatuto da Vítima detalha direitos e define regras para a chamada justiça restaurativa , focada em reparar o dano causado pelo crime, em vez de apenas punir o ofensor. O arcabouço prevê, além de melhor e maior atendimento e combate à revitimização, indenização para vítimas de acidentes, de crimes, de calamidades públicas, de catástrofes climáticas e de epidemias. </p>
<p>Nosso sistema protege a mulher no momento em que ela faz a denúncia, mas não a acompanha em todo o percurso — da Delegacia ao abrigo, do processo na Justiça à pós-condenação do agressor. O Estatuto da Vítima, portanto, é o instrumento que falta para completar esse ciclo, sendo relevante apoio à Lei Maria da Penha. </p>
<p>A mulher precisa de cada vez mais instrumentos que a permitam minimamente viver sem o medo de ter a existência interrompida a qualquer momento pelo companheiro ou pelo ex. Estamos, afinal, em meio a uma escalada de feminicídios que precisa ter um basta.</p>
<h2>Individualização de dever do Estado</h2>
<p>Quando se fala em ampliação de medidas que possam proteger a vítima, não podemos desconsiderar a lei 15.474/2026. Recentemente sancionada pela Presidência da República, a  legislação autoriza venda, aquisição ,  porte e uso de spray de pimenta por mulheres maiores de 18 anos . </p>
<p>Não tenho objeção quanto ao dispositivo, caso a presença dele na bolsa fizer com que a mulher se sinta mais segura. Meu senão é com o que esta lei significa como política pública.</p>
<p>Na prática, tal legislação foi sancionada com a justificativa, entre outras teses, de promover o empoderamento feminino. Contudo, o que se revela é o oposto:  a admissão de que o Estado não consegue garantir proteção  - se divorciando do que prega, aliás, a Constituição Federal. Então, ele fornece à vítima um frasco, sem treinamento e a mais pálida orientação, e a isso chama de resposta, de solução. </p>
<p>Duas décadas decorridas, a  pergunta que se coloca não é se a Lei Maria da Penha foi fundamental. Foi e é . Isto é ponto pacífico, indiscutível. A questão é: por que, então, ainda, morrem tantas mulheres no Brasil por execução? </p>
<p>A resposta passa pelo Estatuto da Vítima, que ainda aguarda aprovação; pela rede de proteção que não se implantou ainda no País; e pela cultura da violência estrutural que não muda, apesar do avanço da humanidade. E não passa, certamente, por um frasco de extratos vegetais como instrumento de autodefesa.</p>
<p>* Celeste Leite dos Santos  é promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Presidente de Honra do Instituto Brasileiro de Atenção Integral à Vítima (Pró-Vítima), idealizou o Estatuto da Vítima e a Lei de Importunação Sexual.</p>
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        <media:title>Levante Mulheres Vivas</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Celeste Leite dos Santos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Ministra diz que mulheres podem 'decidir eleição' e devem votar em quem honra compromissos</title>
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      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 15:02:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A ministra das Mulheres ,  Márcia Lopes , afirmou na segunda-feira, 3, que a população feminina deve votar em quem "honrou os compromissos com as mulheres" nas eleições de 2026.</p>
<p>"É fácil falar que vai fazer, mas é um momento para analisarmos quem faz pelas mulheres", disse Lopes. " Nós, mulheres, podemos decidir uma eleição pela quantidade de eleitoras e pela influência que temos ", concluiu ela durante evento na capital paulista. A declaração foi reportada pelo jornal Folha de S. Paulo.</p>
<p>O raciocínio culminou em um elogio às ações do presidente Lula (PT), que a nomeou para o cargo, voltadas às mulheres. "Foi o presidente quem criou o Ministério das Mulheres, que traz mais força política, e lidera o pacto nacional contra o feminicídio. De fevereiro para cá, mais de 21 mil agressores foram presos, 30 mil tornozeleiras distribuídas", disse.</p>
<h2>Em busca do voto das mulheres</h2>
<p>A declaração ocorre em meio a uma ofensiva dos presidenciáveis para conquistar o eleitorado feminino, que representa 52,8% do total de votantes no país, conforme o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).</p>
<p>Em pesquisa Datafolha divulgada em junho, o senador Flávio Bolsonaro (PL) superou Lula por 50% a 41% entre os homens. Entre as mulheres, porém, o mandatário ficou à frente com 52% contra 37% das intenções de voto de seu principal adversário.</p>
<p>O movimento coincide com uma guinada mais ampla à direita no eleitorado brasileiro. De acordo com o mesmo instituto, pela primeira vez desde 2014, mais brasileiros se posicionam à direita e centro-direita (44%) do que à esquerda e centro-esquerda (39%). Entre as mulheres, no entanto, 44% se dizem de esquerda, e 38%, de direita.</p>
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        <media:title>Márcia Lopes</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Violência contra a mulher segue em alta, mesmo com programas e campanhas</title>
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      <pubDate>Mon, 29 Jun 2026 23:02:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A morte da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, vitimada por um tiro na cabeça em sua casa, causou comoção no país em fevereiro deste ano. No primeiro momento, trataram do caso como suicídio. Mas as investigações mudaram o rumo da história. Nesta segunda-feira, 29, começaram as audiências do processo em que o marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, também da PM, é réu por feminicídio e fraude processual. Ele estava no apartamento no momento do tiro, que ocorreu após uma briga do casal, e disse que confundiu o som do disparo com o barulho de uma porta batendo. Mas as circunstâncias da morte de Gisele levantaram suspeitas de assassinato. Mensagens no celular de Gisele aumentaram as dúvidas sobre a alegada inocência de Rosa Neto, que está preso desde o dia 18 de março.</p>
<p>O caso gerou, mais uma vez, debates sobre o aumento da violência contra a mulher no Brasil. O processo ainda tem está em seu início, mas exames demonstraram que Gisele foi agredida por um adulto e que não havia vestígio de pólvora nas mãos da soldado. Também não havia nas mãos do tenente-coronel, que decidiu tomar banho quando a polícia chegou, apesar da orientação contrária. Foram encontradas manchas de sangue no banheiro e no calção de Rosa Neto. E mensagens de celular demonstraram que a soldada passava por situações de humilhação por parte do marido.</p>
<p>Entre os casos confirmados como feminicídio, os números demonstram a gravidade e a escalada do quadro de violência contra a mulher no país, apesar de o tema ser cada vez mais divulgado e debatido, dos meios acadêmicos aos protestos nas redes sociais. Apenas no estado de São Paulo, o que mais registra esse tipo de morte, o balanço do primeiro quadrimestre de 2026 revela que a situação é alarmante. De janeiro a abril, foram 107 os casos de feminicídio, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública. É um aumento de 30,5% em relação ao mesmo período no ano passado. É também o maior número registrado nos quatro primeiros meses do ano desde 2018.  </p>
<h2>Cenário nacional</h2>
<p>Divulgado em março, o estudo “Retrato dos feminicídios no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta que, em 2025, o número de vítimas de feminicídio no país foi de 1.568, que representa um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. A tipificação da lei do feminicídio, em 2015, considera que esse crime está relacionado à condição da vítima ser do sexo feminino. Desde a entrada em vigor da Lei Maria da Penha, foram contabilizadas mais de 13 mil mulheres vítimas de feminicídio em todo o território brasileiro.</p>
<p>Uma prima da estudante de educação física Lorena Gonçalves de Oliveira, moradora de Betim (MG) faz parte dessa aterradora estatística. “Para a família é muito triste. O ex-namorado dela não aceitou a separação e isso me mostrou a realidade: o quanto é importante apontar esse quadro para as pessoas porque não é algo normal. Acho que isso tem de ser trabalhado na sociedade”, afirma.</p>
<p>Já Larissa Martins da Silva, estudante de engenharia civil, relata que percebe essa realidade no dia a dia. “A violência está muito agravada. Está fora do comum. Eu vejo como influência de o homem sentir poder sobre a mulher. Tem muito influenciador digital que trata mulher como se fosse objeto”, acredita Larissa, que trabalha em construção civil em Belo Horizonte. Para ela, as leis precisam ser cumpridas de maneira mais eficaz. “Elas não são corretamente aplicadas”.</p>
<p>O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que os números são gerados por boletins de ocorrência registrados pelas polícias civis de cada estado. Os dados podem ser ainda maiores, já que nem todos os casos são tipificados como feminicídio, seja na hora de registrar o boletim de ocorrência ou pela falta de registro como um todo.</p>
<h2>Agressores na mira</h2>
<p>Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um conjunto de Projetos de Lei e decretos para ampliar a proteção das mulheres e fortalecer mecanismos de responsabilização de agressores. Nesse sentido, foi criado o Cadastro Nacional de Agressores, um banco de dados com nomes de pessoas que foram condenadas por violência contra a mulher.</p>
<p>Outra proposta focou o ambiente digital como meio de combater o discurso de ódio. Com isso, as plataformas sociais devem atuar para coibir a disseminação de crimes, fraudes e violências em seus ecossistemas e reduzir eventuais danos causados às vítimas.</p>
<p>As medidas surgiram na data em que se celebraram 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, firmado entre Executivo, Legislativo e Judiciário. No balanço desse acordo, o Ministério da Justiça informou que mais de seis mil agressores de mulheres foram presos. Nesses 100 dias, o poder judiciário deu celeridade em algumas das decisões. Mais da metade das medidas protetivas de urgência, contra agressores de mulheres, passaram a ser concedidas no mesmo dia. </p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/Annie Spratt </media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon, Bruno Torquato]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Meninas permanecem mais tempo na escola em busca de um futuro melhor</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/meninas-permanecem-mais-tempo-na-escola-em-busca-de-um-futuro-melhor</link>
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      <pubDate>Fri, 26 Jun 2026 18:25:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Gisele Melo trabalha há 13 anos como especialista da educação básica na Escola Estadual Juscelino Kubitschek de Oliveira, em Betim, Minas Gerais. Ao longo desse tempo, viu uma reviravolta silenciosa nas matrículas da escola: meninas que antes não chegavam até o fim do Ensino Médio hoje são maioria entre os alunos.</p>
<p>Hoje, segundo a educadora, esse padrão local de evasão mudou de perfil, e o ganho de permanência feminina é parte do que ela chama de papel emancipador da escola.</p>
<p>"Quero ressaltar o papel que a educação tem para as mulheres. Ele é fundamental para a emancipação feminina, para a igualdade de oportunidades e também para a igualdade no trabalho. Por isso, nós incentivamos todos os alunos, mas de forma ainda mais positiva para essas meninas que, muitas vezes, não tinham tantas oportunidades nem tanta longevidade escolar."</p>
<p>Sofia Lessa Medeiros, de 14 anos, está no 9º ano do Colégio Tiradentes de Betim. Ela já formula, na própria trajetória, o raciocínio que orienta políticas públicas de permanência escolar no mundo todo: educação como condição de futuro.</p>
<p>"Vejo a escola com grande importância porque a gente precisa estar sempre estudando, sempre aprendendo. Estudando, o futuro de todo mundo será melhor", diz.</p>
<p>Sofia também menciona um hábito que a literatura educacional associa a um melhor desempenho escolar, que é a leitura por prazer fora do currículo obrigatório.   "Gosto muito de ler, tanto livros normais quanto da escola, porque eu acho que consigo fixar melhor quando estou lendo. É bem legal, você adiciona mais palavras no seu vocabulário."</p>
<h2>Padrão a ser superado</h2>
<p>O que Betim mostra em escala municipal reflete um problema que o mundo ainda não resolveu. Segundo o Relatório de Monitoramento Global da Educação da Unesco, 133 milhões de meninas estavam fora da escola em 2024, parte de um contingente global de 273 milhões de crianças e jovens sem acesso à educação.</p>
<p>A desigualdade de gênero na conclusão escolar varia conforme a renda do país. Em nações de baixa renda, apenas 79 mulheres jovens completam o Ensino Médio para cada 100 homens na mesma faixa etária. Em países de alta renda, essa proporção se inverte: 106 mulheres concluem a etapa para cada 100 homens.</p>
<p>O recorte por escolaridade básica confirma o padrão. Em países de baixa renda, apenas 38% das meninas completam o ensino fundamental II (lower secondary), contra 43% dos meninos. O Banco Mundial atribui essa diferença, sobretudo, à pobreza: meninas que enfrentam desvantagens superpostas, como baixa renda familiar, residência em comunidades remotas ou pertencimento a minorias étnicas, ficam mais distantes do acesso e da conclusão escolar. Em 20 países com dados disponíveis, menos de 1% das jovens rurais entre os 20% mais pobres concluem o Ensino Médio.</p>
<p>No Brasil, a Pnad Contínua Educação do IBGE mostrou que, entre as mulheres de 14 a 29 anos que abandonaram a escola ou nunca a frequentaram em 2024, a necessidade de trabalhar foi o motivo mais citado (25,1%), seguida pela gravidez (23,4%) e pela falta de interesse (22,5%). Entre os homens na mesma faixa etária, a necessidade de trabalhar concentrou 53,6% das respostas.</p>
<h2>Aumento de renda</h2>
<p>A relação entre escolaridade feminina e desenvolvimento econômico é um dos achados mais consistentes da pesquisa educacional recente. Um estudo de 2024 citado pela Parceria Global pela Educação estima que a educação responde por 50% do crescimento econômico global, por 70% dos ganhos de renda entre a parcela mais pobre da população mundial e por 40% da redução da pobreza extrema desde 1980. Cada ano adicional de escolaridade concluído por uma pessoa gera, em média, 10% de aumento de renda, retorno superior à média histórica do mercado de ações americano.</p>
<p>A Unesco também quantificou o custo da omissão: a evasão escolar e as lacunas educacionais custam US$ 10 trilhões por ano à economia global até 2030. Em sentido inverso, reduzir em 10% a proporção de jovens que abandonam a escola sem habilidades básicas poderia elevar o PIB mundial em mais de US$ 6,5 trilhões ao ano.</p>
<p>O Relatório de Monitoramento Global da Educação de 2025 da Unesco, dedicado à liderança feminina na aprendizagem, identificou ainda uma defasagem de 20 pontos percentuais na presença de mulheres em cargos de liderança escolar, mesmo em sistemas educacionais onde elas já são maioria entre professoras e estudantes.</p>
<h2>O que o Brasil  faz a respeito</h2>
<p>A virada que Gisele descreve em Betim tem paralelo em iniciativas espalhadas pelo país, a maioria delas nascidas dentro da própria rede pública. Desde 2013, o projeto de extensão Meninas na Ciência, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), leva oficinas de robótica, astronomia e física a escolas públicas de Porto Alegre e da região metropolitana, priorizando unidades em situação de vulnerabilidade social. </p>
<p>A iniciativa já levou mais de 500 meninas para conhecer laboratórios da universidade e formou cerca de 50 estudantes de graduação como instrutores, numa tentativa direta de enfrentar o que pesquisadoras da área chamam de "efeito tesoura": a saída progressiva de mulheres das carreiras de ciência e tecnologia conforme a trajetória acadêmica avança.</p>
<p>Em Brasília, o projeto Mulheres Inspiradoras seguiu caminho parecido a partir da sala de aula de língua portuguesa. Criado em 2014 por uma professora da rede pública de Ceilândia, no Distrito Federal, o projeto leva estudantes a ler obras de autoras como Carolina Maria de Jesus e Malala Yousafzai e, depois, escrever a história de mulheres de suas próprias famílias e comunidades. A iniciativa foi premiada pela Organização de Estados Ibero-Americanos e pelo Ministério da Educação, e se tornou política pública da Secretaria de Educação do Distrito Federal, hoje presente em dezenas de escolas.</p>
<p>Na educação profissional, o Mulheres Mil, programa do Ministério da Educação em parceria com institutos federais, oferece qualificação técnica a mulheres em situação de vulnerabilidade social, incluindo moradoras de comunidades tradicionais e sobreviventes de violência doméstica. Entre 2023 e 2025, o programa recebeu R$ 216,1 milhões em investimentos, abriu 127,1 mil vagas e chegou a mais de 520 municípios.</p>
<p>Em março deste ano, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação lançou a Política de Empoderamento de Meninas e Mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação, construída ao longo de três anos de diálogo com a sociedade civil. A política prevê editais, bolsas e ações afirmativas para ampliar a presença feminina em carreiras científicas, além da criação de um comitê permanente dentro do ministério para acompanhar a equidade de gênero nas políticas públicas de ciência e tecnologia.</p>
<p>No Brasil, dados do MEC mostram que a virada observada por Gisele em Betim é também nacional: a matrícula de meninas no Ensino Médio público cresceu nos últimos anos, acompanhando o avanço de programas de permanência como o Pé-de-Meia e o Bolsa Família, cujas condicionalidades de frequência escolar miram dois dos principais motivos de evasão feminina identificados pelo IBGE: trabalho precoce e gravidez na adolescência.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos, Bruno Torquato]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>6 mulheres que estão transformando o futuro agrícola da África com tecnologia</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/6-mulheres-que-estao-transformando-o-futuro-agricola-da-africa</link>
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      <pubDate>Fri, 26 Jun 2026 14:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Em todo o continente, as mulheres contribuem significativamente para a produção agrícola e para os sistemas alimentares, mas continuam a enfrentar grandes barreiras quando tentam deixar de ser apenas agricultoras e produtoras para se tornarem fundadoras de tecnologia, empreendedoras e líderes industriais.</p>
<p>O desequilíbrio é evidente em meio ao rápido crescimento do setor de agrotecnologia, no qual as empresas lideradas por mulheres recebem uma fração menor do investimento disponível em comparação aos homens. Embora a agricultura continue a ser um dos setores econômicos mais importantes de África, as mulheres empreendedoras que trabalham na agricultura e na tecnologia enfrentam frequentemente dificuldades devido ao acesso limitado a capital, redes de contato e visibilidade.</p>
<p>Mas por trás da lacuna de financiamento estão histórias de mulheres que transformam silenciosamente os sistemas alimentares do continente por meio de inovações como ferramentas de inteligência artificial que aconselham os agricultores, a criação de plataformas digitais que ligam os proprietários de gado a serviços veterinários, o desenvolvimento de empresas de agricultura climática inteligente e a utilização da tecnologia para combater a insegurança alimentar e as mudanças climáticas.</p>
<p>Aqui estão algumas das mulheres que mudam o futuro da agricultura africana.</p>
<h2>Priscillah Wakarera, CEO da Rhea Soil (Quênia)</h2>
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<p>No Quênia, a cientista do solo Priscillah Wakarera estuda a fraca saúde do solo, um desafio que tem prejudicado silenciosamente a produtividade agrícola há décadas.</p>
<p>Como fundadora e CEO da Rhea Soil, Wakarera desenvolveu uma tecnologia que combina sensores IoT, aprendizagem automática e conhecimento agrícola local para tornar os testes de solo mais rápidos, mais baratos e acessíveis aos agricultores.</p>
<p>Ela inspirou-se depois de ver como os métodos tradicionais de teste de solo desincentivavam os agricultores.</p>
<p>“Recolhemos mais de 100 amostras de solo, esperando os resultados em duas semanas. Demorou três meses. Os agricultores acharam o processo tão enfadonho que não quiseram mais fazer. Foi aí que percebi que tinha de haver uma forma melhor”, explicou em uma  entrevista .</p>
<p>Os dispositivos portáteis de teste de solo desenvolvidos por Priscillah podem reduzir o tempo de análise de semanas para minutos, permitindo que os agricultores recebam recomendações imediatas enquanto trabalham nas suas explorações agrícolas.</p>
<p>A empresa expandiu-se por todo o Quênia, alcançando milhares de agricultores por meio de redes de agrônomos, e também testou as suas soluções na Tanzânia e em Ruanda.</p>
<p>Priscillah  Wakarera também criou um chatbot de WhatsApp alimentado por IA que funciona como um agrônomo virtual, fornecendo aos agricultores aconselhamento agrícola em vários idiomas.</p>
<p>“Os agricultores só precisam enviar um simples ‘olá’ para começar”, disse ela, explicando que o chatbot pode apoiar os agricultores com conselhos sobre culturas, identificação de pragas e recomendações de nutrientes.</p>
<p>A sua inovação tirou a inteligência artificial dos laboratórios para transformá-la em uma ferramenta prática nas mãos dos agricultores rurais.</p>
<h2>Dorcas Lukwesa, fundadora da Mobile Aquaponics (Zâmbia)</h2>
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<p>Dorcas Lukwesa é a fundadora da Mobile Aquaponics, um empreendimento social dedicado a fornecer uma resposta resiliente às alterações climáticas por meio de uma técnica agrícola inovadora chamada aquaponia.</p>
<p>A aquaponia é o cultivo de peixes e vegetais em um ecossistema construído e de recirculação que utiliza ciclos bacterianos naturais para converter os resíduos dos peixes em nutrientes para as plantas.</p>
<p>O sistema utiliza 90% menos água do que a agricultura tradicional. É 70% mais produtivo, não necessita de solo, não tem ervas daninhas, tem menos pragas e pode ser construído em qualquer escala, em qualquer parte do mundo.</p>
<p>“Vivi em primeira mão o impacto das alterações climáticas, que provocam uma meteorologia imprevisível, não tendo comida suficiente para nos sustentar quando as secas ou as cheias destruíram as nossas culturas”, afirmou numa  entrevista , aconselhando os agricultores a olharem para a sustentabilidade alimentar.</p>
<p>“Uma coisa que aprendi e que ficou gravada em mim: cada ação em prol da segurança alimentar deve ser sempre acompanhada de sustentabilidade. Podemos resolver a fome hoje, mas na verdade causar a fome de amanhã”, afirmou.</p>
<h2>Martha Fanny Gaisie, CEO da Healthy Choice Agro Consult (Gana)</h2>
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<p>A fundadora e CEO da Healthy Choice Agro Consult, Martha Fanny Gaisie, dedicou-se ao cultivo de cogumelos depois de testemunhar como as alterações climáticas estavam afetando os meios de subsistência rurais.</p>
<p>Para ela, o cultivo de cogumelos tornou-se uma alternativa inteligente contra os desafios do clima, uma vez que o seu negócio utiliza a serradura residual das serrações de madeira como composto, enquanto o substrato de cogumelos restante é transformado em fertilizante orgânico.</p>
<p>“Nos últimos anos, o tempo tornou-se mais imprevisível. Os poços secam após uma seca prolongada. Também temos incêndios florestais que podem queimar toda a propriedade de alguém. Os cogumelos são uma cultura inteligente face ao clima porque não há necessidade de cortar árvores ou queimar culturas. Eles crescem numa área fechada”, disse ela à CAMFED em uma  entrevista .</p>
<p>Para além da produção, ela utilizou o seu negócio para gerar emprego, dar formação a mulheres e apoiar a capacitação dos jovens por meio da sua fundação.</p>
<h2>Peninah Wanja, fundadora da DigiCow (Quênia)</h2>
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<p>Peninah Wanja é uma técnica de extensão agrícola no Quênia que identificou um problema na produção de leite e decidiu resolvê-lo.</p>
<p>Ao crescer no Quênia, viu a sua mãe lutar para conseguir leite suficiente da vaca da família, apesar de investir tempo e esforço em cuidar dela.</p>
<p>“Apesar de todo o esforço dela, a vaca produzia apenas duas chávenas de leite por dia. Essa experiência ficou gravada em mim. Quando olhamos para as estatísticas, um técnico de extensão atende cerca de 4.000 agricultores. Isso significa que a maioria dos agricultores é deixada por conta própria para descobrir as coisas”,  disse  Wanja à Mercy Corps AgriFin.</p>
<p>Essa lacuna levou-a a criar a DigiCow Africa Limited, uma plataforma digital que ajuda os produtores de leite a melhorar a produtividade por meio de dados. A aplicação DigiCow permite aos agricultores acompanhar a produção de leite, os ciclos de reprodução, a saúde animal e acessar serviços veterinários.</p>
<p>Para superar as barreiras, incluindo o baixo letramento digital, a empresa introduziu serviços de aconselhamento baseados em voz e ferramentas que permitem aos trabalhadores de saúde animal recolher dados das explorações agrícolas em nome dos agricultores.</p>
<p>Hoje, a DigiCow apoia centenas de milhares de agricultores em todo o Quênia, ligando-os a técnicos de extensão, veterinários e prestadores de serviços agrícolas.</p>
<p>“As pessoas não achavam que uma mulher pudesse construir uma empresa de tecnologia que trabalha com veterinários e agricultores. Mas eu sabia que se construísse algo que resolvesse verdadeiramente os problemas dos agricultores, os resultados falariam mais alto do que o preconceito”, referiu ela sobre as percepções sobre as mulheres na tecnologia.</p>
<h2>Forget Shareka, CEO da Chashi Foods (Zimbábue)</h2>
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<p>Forget Shareka é especialista em perdas pós-colheita, um grande desafio que a agricultura africana enfrenta.</p>
<p>Por meio da Chashi Foods, ela transforma o excedente de fruta e vegetais em produtos secos, ajudando os agricultores a reduzir o desperdício e a aumentar os rendimentos.</p>
<p>“Muitas comunidades rurais africanas acabam perdendo uma grande parte das suas colheitas duramente conquistadas devido à falta de instalações de armazenamento a frio e de processamento pós-colheita. Quando os produtos perecem, não é apenas em detrimento dos agricultores e das famílias, mas também do ambiente, porque as culturas emitem metano à medida que se decompõem”,  disse  ela à CAMFED.</p>
<p>A sua empresa seca tomates, maçãs, bananas, mamões, pântanos, ervas aromáticas e especiarias. Para ela, reduzir o desperdício alimentar é uma missão econômica e ambiental.</p>
<h2>Olivia Kipo, Fundadora da Kobaa Farms (Gana)</h2>
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<p>Olivia Kipo fundou a Kobaa Farms para combater a escassez de alimentos causada por desafios agrícolas sazonais no Gana.</p>
<p>Kipo percebeu que muitos agricultores dependiam fortemente da chuva, deixando as comunidades vulneráveis durante as estações secas. Decidiu utilizar sistemas de irrigação e métodos de conservação de água para produzir vegetais durante todo o ano.</p>
<p>“Muitas das explorações agrícolas no norte do Gana não colhem produtos fora da época das chuvas. Isto significa que os vegetais se tornam mais caros, uma vez que têm de ser transportados do sul. Significa também que há menos oportunidades de emprego”, afirmou numa  entrevista .</p>
<p>Ela abastece hotéis, restaurantes e habitações, ao mesmo tempo que cria oportunidades de emprego local.</p>
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