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    <title>Global South World Brasil - Mulher</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Vicaricídio: crime contra filhos para atingir mulheres chama atenção no Brasil</title>
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      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 20:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Polícia Civil indiciou Breno de Souza Castro, que matou as filhas de três e cinco anos de idade, em São Paulo, no domingo, 9, por vicaricídio duplo. O termo se refere ao assassinato de descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta de uma mulher, com a finalidade de causar sofrimento, puni-la ou controlá-la, no contexto de violência doméstica e familiar.</p>
<p>Segundo a investigação policial, Breno queria se vingar da ex-esposa Jennifer Nayra Alves dos Santos.</p>
<p>O vicaricídio passou a ser um crime previsto no Código Penal em abril de 2026, com a sanção da Lei 15.384, que estabeleceu pena de 20 a 40 anos de prisão e também o incluiu no rol dos crimes hediondos. A mesma lei inseriu na Lei Maria da Penha a violência vicária, caracterizada pelo uso de filhos, familiares ou outra pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, como instrumento para causar sofrimento, puni-la ou controlá-la. O vicaricídio é a forma extrema dessa violência.</p>
<p>Em depoimento à polícia, Jennifer contou que estava separada de Breno desde março, após episódios de agressão. Eles viveram juntos por cerca de oito anos. Jennifer relatou que estava sendo perseguida e ameaçada. Para evitar encontrar Breno, ela levava as crianças para a ex-sogra no fim de semana.</p>
<p>No dia 7 de agosto, Jennifer recebeu uma mensagem do ex-marido depois de ela publicar uma foto com amigas nas redes sociais. Breno disse que aquela seria a última vez que veria as filhas. Ela tentou localizar o ex-companheiro com a ajuda de familiares.</p>
<p>Breno se apresentou à polícia no dia 9, às 6h da manhã, dizendo que tinha asfixiado as meninas. Câmeras de vigilância captaram o momento em que ele estaciona o carro, entra e sai do veículo.</p>
<h2>Morte em Goiás</h2>
<p>Em fevereiro passado, outro caso já havia chamado atenção para o vicaricídio. O secretário da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência da família. Os meninos, de 12 e oito anos, dormiam. Em seguida, ele tirou a própria vida.</p>
<p>Antes do crime, Thales postou nas redes sociais uma mensagem em que fazia menção a uma suposta traição pela esposa e uma crise conjugal.</p>
<p>Em março, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei que incluía a violência vicária na Lei Maria da Penha e criava o tipo penal relacionado ao vicaricídio no Código Penal. E em abril a Lei 15.384 foi sancionada.</p>
<p>Antes tratado apenas como homicídio qualificado, esse crime está tipificado no Art. 121-B no Código Penal. A lei reconhece que o agressor utiliza a vida de entes queridos como um instrumento de tortura psicológica contra a pessoa – principalmente, a mulher –, configurando a chamada violência vicária.</p>
<p>Este texto foi atualizado em 19/08/2024 às 17h46.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Cirurgias plásticas de mama crescem 54% no SUS em quase dez anos</title>
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      <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 20:13:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O número de cirurgias plásticas de mama feitas no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou 54,3% entre 2016 e 2025, passando de aproximadamente 9 mil procedimentos para 14.213. A informação é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional Rio de Janeiro, que divulgou um levantamento durante evento na cidade na semana passada, a 45ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica.</p>
<p>Outro dado é que, em 2020, ano em que eclodiu a pandemia de covid-19, foram realizadas 4.547 operações de mama, a metade do que vinha sendo praticado rotineiramente.</p>
<p>O estudo inclui procedimentos indicados para a reconstrução da mama e o tratamento de diferentes alterações na estrutura. O SUS oferece cirurgias plásticas com foco em procedimentos reparadores (não estéticos).</p>
<p>De acordo com esse trabalho, em quase dez anos, o sistema único de saúde aprovou 90.648 cirurgias plásticas mamárias. Os estados com maior registro desse tipo de procedimento foram:</p>
<p>Do total de registros analisados, 74.619 correspondem à plástica mamária feminina não estética, responsável por 82,3% das internações.</p>
<p>Segundo o levantamento da regional carioca, foram feitas, no período, 12.600 internações para reconstrução mamária pós-mastectomia, com implante de prótese, além de 3.429 internações relacionadas à reconstrução mamária pós-mastectomia total.</p>
<p>O objetivo principal das cirurgias plásticas oferecidas pelo SUS é corrigir alterações decorrentes de doenças ou acidentes, como excesso de pele após grande perda de peso, ginecomastia (aumento anormal das mamas em homens) e reconstrução após mastectomia.</p>
<p>Para fazer uma cirurgia plástica reparadora pelo SUS, é necessário passar por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) indicada para a residência da pessoa. Feita a análise do caso, o procedimento é encaminhado, se houver indicação médica. É imprescindível avaliação médica documentada e laudo que justifique a necessidade funcional ou reparadora.</p>
<p>A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica aponta que, apesar do avanço no acesso, ainda há grandes disparidades regionais: a região Sudeste concentra a maioria dos procedimentos (49,7% de cirurgias pós-bariátricas; 43,83% das mastectomias), seguida pelo Sul e Nordeste, enquanto o Norte registra os menores índices.</p>
<p>De acordo com a entidade em seu site, “fatores como infraestrutura limitada, poucos profissionais especializados e linhas de código pouco detalhadas no Data SUS dificultam análises mais precisas”.</p>
<p>Como a entidade ressalta, “o SUS oferece procedimentos essenciais de cirurgia plástica reparadora, assegurando direitos legais e contribuindo para a recuperação da saúde física, emocional e social dos pacientes. No entanto, o acesso ainda é desigual e requer melhorias”.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>Divulgação do Ligue 180 será ampliada; saiba como funciona a central de apoio às mulheres</title>
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      <pubDate>Fri, 31 Jul 2026 10:42:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O governo federal sancionou uma lei que obriga a divulgação em larga escala do  Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher.  Ele é o principal canal de orientação, acolhimento e denúncia de violência contra a mulher no Brasil. Publicada na edição desta quinta-feira, 30, do Diário Oficial da União, a norma determina que o número seja divulgado em meios de comunicação de massa e em locais públicos e privados de grande circulação, como escolas, hospitais, órgãos públicos, casas de espetáculos, espaços de lazer e meios de transporte coletivo.</p>
<p>A  Lei 15.478/26 , cujo texto original é de autoria da  deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ),  altera a Lei nº 10.714, de 13 de agosto de 2003, que criou o Ligue 180. A nova legislação, que compreende a ampliação da divulgação do serviço pelo governo federal, busca aumentar o conhecimento da população sobre esse canal, que é a porta de entrada para uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher.</p>
<p>Implantado em   25 de novembro de 2005, no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, o Ligue 180 evoluiu ao longo do período e  completou 20 anos com números massivos .</p>
<p>No início, era mais voltado à orientação sobre direitos e serviços públicos. Em 2014, passou a receber denúncias diretamente, encaminhando os casos às autoridades competentes. Desde 2023, o serviço foi reestruturado, ampliou a equipe de atendimento e incorporou novos canais de comunicação, como WhatsApp e atendimento em Libras.</p>
<p>A reestruturação em 2023 desfez a unificação que foi feita, em 2020, entre o Ligue 180 e o Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos (como casos envolvendo crianças e adolescentes, idosos e pessoas com deficiência). De acordo com o Ministério das Mulheres, a medida permitiu fortalecer o atendimento especializado às mulheres e melhorar o encaminhamento das denúncias.</p>
<p>Hoje, a Central de Atendimento à Mulher conta com  uma equipe de 346 profissionais, todas mulheres . São 298 atendentes e analistas, incluindo profissionais bilíngues, além de psicólogas.</p>
<p>Em duas décadas de funcionamento, a Central realizou  mais de 16 milhões de atendimentos , de acordo com dados divulgados no ano passado.  Apenas em 2025, registrou 1.088.900 atendimentos , quase três mil por dia, o que representa um aumento de 45% em comparação com 2024. Foram  contabilizadas 155.111 denúncias de violência, alta de 17,4% sobre o ano anterior . A média diária de denúncias é de 425.</p>
<p>Para o Ministério das Mulheres, o aumento da procura pelo Ligue 180 demonstra maior confiança das vítimas no serviço. Os relatórios mais recentes, como o  Anuário Brasileiro de Segurança Pública , evidenciem que a violência contra as mulheres continua elevada no país.</p>
<p>Em 2025, o Brasil bateu   recorde de feminicídios, com 1.571 casos e alta de 4%  sobre o ano anterior. Os números constam na 20ª edição do Anuário, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.</p>
<p>A expectativa é que a divulgação obrigatória do número em meios de comunicação e locais de grande circulação amplie o acesso das mulheres ao serviço e fortaleça a rede de proteção, reduzindo uma das principais barreiras para o rompimento do ciclo da violência: o desconhecimento sobre onde buscar ajuda.</p>
<h2>Como funciona o Ligue 180</h2>
<p>Mais do que um canal para denúncias, o Ligue 180 integra a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher. O serviço acolhe mulheres em situação de violência, presta orientação sobre direitos, informa quais serviços especializados podem ser acionados, registra denúncias e encaminha os casos a órgãos responsáveis pela investigação.</p>
<p>Também acompanha o andamento das ocorrências e orienta vítimas, familiares e qualquer pessoa que queira denunciar episódios de violência. As denúncias podem ser feitas pela própria vítima, por terceiros ou de forma anônima.</p>
<p>A Central atua em articulação com serviços como as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), as Casas da Mulher Brasileira, os Centros de Referência de Atendimento à Mulher, as Defensorias Públicas e outros órgãos da rede de proteção. As denúncias são encaminhadas a polícias civis e ao Ministério Público, enquanto o Ministério das Mulheres acompanha os casos em parceria com estados, municípios e o Distrito Federal.</p>
<h2>Quais são os canais de atendimento</h2>
<p>O Ligue 180 funciona  24 horas por dia, todos os dias da semana , e pode ser acessado por diferentes canais:</p>
<p>Além de receber denúncias, o serviço esclarece dúvidas sobre a Lei Maria da Penha, orienta sobre os direitos das mulheres e informa quais serviços especializados estão disponíveis em cada município.</p>
<h2>Quando ligar para o 180 e quando acionar o 190</h2>
<p>O Ligue 180 deve ser utilizado para orientação, acolhimento, registro e encaminhamento de denúncias de violência contra a mulher. Já em situações de agressão em andamento, ameaça imediata ou risco de morte, a recomendação é acionar o  190 , telefone de emergência da Polícia Militar, para atendimento imediato.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash / Karollyne Videira Hubert</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Mulheres podem comprar spray de pimenta para defesa pessoal; veja as regras</title>
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      <pubDate>Fri, 24 Jul 2026 21:17:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Mulheres com 18 anos ou mais poderão adquirir spray de pimenta para defesa pessoal em todo o Brasil. A autorização entrou em vigor nesta sexta-feira (24), com a publicação da Lei nº 15.474 no  Diário Oficial da União . Apesar da mudança, o produto ainda não está disponível no mercado nacional de forma regular: a comercialização depende de regulamentação do Poder Executivo, que definirá quais equipamentos poderão ser vendidos, quais estabelecimentos serão autorizados e quais requisitos técnicos deverão ser cumpridos.</p>
<p>Em nota enviada à reportagem, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que a regulamentação já começou a ser elaborada em conjunto com os demais órgãos competentes e que o objetivo é estabelecer, "com a maior brevidade possível", as condições para que os equipamentos possam ser comercializados e utilizados com segurança pelas mulheres brasileiras.</p>
<p>Segundo a pasta, o regulamento definirá as especificações dos produtos destinados ao uso civil, as regras para venda, utilização, rastreabilidade e descarte, além de compatibilizar a nova legislação com as normas que disciplinam os Produtos Controlados pelo Exército (PCE).</p>
<h2>O que muda na prática</h2>
<p>A nova legislação autoriza a comercialização, aquisição e posse de aerossóis de extratos vegetais destinados à defesa pessoal de mulheres maiores de 18 anos. O equipamento é classificado como instrumento de menor potencial ofensivo e deverá ser utilizado exclusivamente para conter temporariamente um agressor em situações de violência em andamento ou de ameaça iminente contra a integridade física ou sexual da mulher.</p>
<p>No entanto, a entrada em vigor da lei não libera automaticamente a venda de todos os sprays de pimenta existentes no mercado.</p>
<p>O Ministério da Justiça esclareceu que os produtos à base de oleorresina de  capsicum  — popularmente conhecidos como spray de pimenta — continuam sujeitos às restrições estabelecidas pelo Comando do Exército até que a regulamentação seja publicada. Já outros aerossóis de extratos vegetais que não integram a lista de Produtos Controlados pelo Exército, como os sprays à base de gengibre, permanecem com comercialização permitida pela legislação atualmente em vigor.</p>
<p>Ainda segundo o ministério, caberá ao regulamento definir exatamente quais produtos passarão a ser abrangidos pela Lei nº 15.474.</p>
<h2>Quem poderá comprar?</h2>
<p>A compra será permitida para mulheres com 18 anos ou mais mediante apresentação de:</p>
<p>A lei não exige, neste momento, a apresentação de certidão de antecedentes criminais. A comprovação da inexistência de condenação será feita por declaração da própria compradora.</p>
<p>O dispositivo deverá ser de uso individual e intransferível. Os estabelecimentos autorizados também deverão registrar as vendas para garantir a rastreabilidade do equipamento, mantendo identificação da compradora e da pessoa que ficará responsável pela posse.</p>
<h2>Onde será possível comprar</h2>
<p>A lei ainda não define quais lojas ou empresas poderão comercializar os equipamentos. Essa definição ficará a cargo do Poder Executivo, que regulamentará:</p>
<p>Enquanto essas normas não forem publicadas, permanecem em vigor as regras atuais para os aerossóis de extratos vegetais.</p>
<p>Estados como Rio de Janeiro e Santa Catarina já possuem legislações próprias sobre o tema. No Rio de Janeiro, por exemplo, a norma estadual estabelece concentração máxima de 20% para o produto e determina que a comercialização seja realizada em farmácias, mediante identificação da compradora, limitada a duas unidades por pessoa por mês.</p>
<h2>Regras de segurança</h2>
<p>O aerossol autorizado pela nova lei não poderá conter substâncias de efeito letal nem de toxicidade permanente. As especificações deverão observar as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dos demais órgãos competentes.</p>
<p>A Lei nº 15.474 também cria o Programa Nacional de Capacitação em Defesa Pessoal e Uso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo para Mulheres, que será implementado gradualmente.</p>
<p>Na sanção presidencial, foram vetados dispositivos que permitiam a compra por adolescentes a partir de 16 anos com autorização dos responsáveis, estabeleciam o porte irrestrito do equipamento e criavam sanções administrativas para uso indevido do spray. Os vetos ainda serão analisados pelo Congresso Nacional.</p>
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        <media:title>spray de pimenta</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Larissa Pereira]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Onda de true crime com mulheres em foco tem mais um filme: ‘Elize’, da Netflix</title>
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      <pubDate>Fri, 24 Jul 2026 21:05:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O gênero true crime tem força no Brasil, em especial se há mulheres no centro da história. Entre os exemplos mais recentes de sucesso estão as produções em torno de Suzane von Richthofen, que, aos 18 anos, planejou o assassinato dos pais junto com o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão do criminoso, Cristian Cravinhos.</p>
<p>O caso, ocorrido na casa das vítimas, em 2002, chocou o Brasil. E ainda choca. A história rendeu uma trilogia baseada nos autos do processo: “A Menina que Matou os Pais” (2021), “O Menino que Matou Meus Pais” (2021) e “A Menina que Matou os Pais: A Confissão” (2023). Nos três filmes, a atriz Carla Diaz interpreta Suzane.</p>
<p>No ano passado, o público brasileiro garantiu boa audiência à série “Tremembé” em que Suzane volta a aparecer, mas vivida por Marina Ruy Barbosa. Tanto os filmes quanto a série estão disponíveis no Prime Vídeo.</p>
<p>“Tremembé” reúne outros personagens inspirados em presos conhecidos, como Elize Matsunaga, que assassinou com um tiro e esquartejou seu marido, e Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, condenados pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, em 2008. A menina era filha de Alexandre que, na época, estava casado com Anna Carolina. Todos estiveram, em algum momento, no Complexo Penitenciário de Tremembé, no interior paulista.</p>
<p>Na série do Prime Video, Elize (vivida por Carol Garcia) já tinha chamado atenção dos interessados no gênero. Agora, a história do crime que ela cometeu volta a atrair olhares. Nesta quarta-feira, 22, estreou o filme “Elize:  Sombras de Uma Mulher ”, na Netflix .   Lorena Comparato é a protagonista e brilha ao interpretar a jovem que foi garota de programa e vira namorada de um cliente, o herdeiro de empresa famosa do segmento alimentício, com quem depois se casa.</p>
<p>O longa tem roteiro de Raphael Montes (“ Bom Dia, Verônica ”), em parceria com Mariana Torres ( Bom Dia, Verônica  - Temporada 3). A direção é de Felipe Vellas (“ DNA do Crime” ). No elenco estão Henrique Kimura – que faz Marcos Matsunaga, neto do fundador da Yoki (a companhia foi vendida para a General Mills em 2012) – e Denise Weinberg, que interpreta uma tia de Elize.</p>
<p>É importante ressaltar que o filme é inspirado no caso real. Isso porque a trama envolve algumas modificações em relação ao que se passou e cria trechos ficcionais ou sobre os quais não há certezas.</p>
<p>Definida como um suspense psicológico dramático, a produção transita pela história de Elize e sugere que a jovem passou por uma situação de abuso sexual dentro de sua casa, quando adolescente. Também mostra que o relacionamento tinha turbulências. Um ponto que o filme traz para o público é que Elize temia ser internada pelo marido – que a chamava de louca – e perder a guarda da filha.</p>
<p>“Esse não é um filme apenas sobre um crime. O objetivo era contar uma história que também fizesse refletir. Queríamos trazer a violência como discussão: o que levou Elize a esse ato tão brutal?”, declarou Raphael Montes. “A gente quis mostrar a dualidade dessa mulher. É uma história que pode até ser identificável em alguns aspectos, mas tem o pior desfecho possível”, completou a roteirista Mariana.</p>
<p>Lorena, que fez terapia para fazer o papel de Elize, disse que interpretar uma mulher “com tantas camadas” e uma história cheia de nuances foi um trabalho extremamente complexo. “Exige muita responsabilidade, pois a gente está falando de um crime real com consequências reais. Espero que o filme contribua para debates importantes na sociedade”. </p>
<p>Produzido pela Boutique Filmes, responsável pelo documentário “ Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime” (2021) , também disponível na Netflix, o filme tem produção de Gustavo Mello, produção executiva de Renata Artigas, Marcelo Máximo e Adriana Gaspar, e conta também com Raphael Montes como produtor associado.</p>
<p>Assim como Suzane von Richthofen, Elize deverá voltar ao streaming em 2027, quando está prevista a estreia da segunda temporada de “Tremembé”. A série deverá acompanhar a vida das duas depois da saída da prisão. Condenada em 5 de dezembro de 2016, a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão, pela morte de Marcos e pela destruição e ocultação do cadáver, Elize teve a pena referente ao homicídio reduzida pelo STJ em 2019, após o reconhecimento da atenuante da confissão e obteve liberdade condicional em 2022.</p>
<p>Suzane, que foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão em 2006, deixou a prisão em janeiro de 2023, após obter progressão para o regime aberto.</p>
<h2>Crimes reais no streaming</h2>
<p>Confira outras produções que retratam ou se inspiram em casos verdadeiros e que têm mulheres no centro da história.</p>
<p>Documentários</p>
<p>Dramatizações</p>
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        <media:title>Cena do filme "Elize"</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Diretrizes de proteção às mulheres na internet entram em vigor no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/diretrizes-de-protecao-as-mulheres-na-internet-entram-em-vigor-no-brasil</link>
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      <pubDate>Fri, 24 Jul 2026 19:49:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As diretrizes estabelecidas pelo Decreto nº 12.976/2026, que aumenta a proteção de mulheres na internet, entraram em vigor na terça-feira, 22. O texto saiu no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de maio e previa vigência 60 dias após a publicação. </p>
<h2>O que muda?</h2>
<p>A norma define deveres para redes sociais e aplicativos de mensagens, estabelecendo medidas para prevenir, identificar e reduzir práticas de violência de gênero em plataformas como o Instagram, Facebook, TikTok e WhatsApp. Essas diretrizes abrangem diferentes formas de violência digital, incluindo:</p>
<p>O texto também orienta que as plataformas ofereçam canais acessíveis de denúncia, além de procedimentos ágeis para análise das notificações e transparência sobre as medidas adotadas. </p>
<p>As plataformas devem manter espaço permanente, gratuito e de fácil acesso para o recebimento de notificações, com confirmação de recebimento e acompanhamento do caso, além de divulgar, de forma clara, o telefone e os canais da Central de Atendimento à Mulher.</p>
<p>A comunicação poderá ser feita pela vítima, por representante legal, por advogado constituído, por autoridade policial, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública.</p>
<h2>Duas horas para remoção </h2>
<p>Entre as determinações, os provedores passam a ser obrigados a remover, em até duas horas após a notificação da vítima, conteúdos íntimos divulgados sem consentimento. </p>
<p>O decreto também prevê a adoção de mecanismos para impedir a republicação desse material e determina que as plataformas implementem medidas proporcionais para prevenir e mitigar riscos sistêmicos relacionados à violência contra mulheres no ambiente digital.</p>
<p>De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o decreto estabelece princípios para orientar a atuação  dos órgãos competentes, além de subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência digital de gênero.</p>
<h2>Denuncie</h2>
<p>Central de Atendimento à Mulher</p>
<p>

Ligue 180 – atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.</p>
<p>

Disque 100 – recebimento de denúncias de violações de direitos humanos, inclusive em ambiente digital.  </p>
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      <dc:creator><![CDATA[Alessandro Martins]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Marcas do feminicídio no Brasil</title>
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      <pubDate>Thu, 23 Jul 2026 22:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, iniciada em 2015, quando o crime foi incluído no Código Penal. O total cresceu 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 vítima para cada grupo de 100 mil mulheres.</p>
<p>Os dados integram o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A edição é publicada às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 para criar mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.</p>
<p>Um dos destaques do Anuário é a queda de 10% dos homicídios dolosos em relação a 2024. Além disso,  o Brasil registrou em 2025 uma queda de 8,2% em mortes violentas intencionais (MVI)  em relação ao ano anterior. Foram 40.775 registros, o que representa uma taxa de 19,1 óbitos por 100 mil habitantes.</p>
<p>No início desta semana, foram divulgados os  números de feminicídio do primeiro semestre deste ano  segundo o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Mulheres a partir das informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O país registrou 741 casos, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas nove estados tiveram alta, entre eles, São Paulo.</p>
<h2>Feminicídios crescem na contramão dos homicídios</h2>
<p>Autoras de um capítulo do Anuário sobre o feminicídio, Isabella Matosinhos, pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões, e Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça no FBSP, avaliam que a lei representou um divisor de águas ao retirar a violência doméstica do campo privado e transformá-la em um problema político e de Estado. O avanço jurídico, porém, não conseguiu desmontar na mesma velocidade a combinação de dependência econômica, controle coercitivo, tolerância social à violência e falhas na proteção estatal que alimenta o ciclo de agressões.</p>
<p>O levantamento mostra que os feminicídios aumentaram mesmo em um período de redução das mortes violentas intencionais de mulheres. Em 2025, o país contabilizou 3.539 mulheres assassinadas, queda de 5,5% na comparação com o ano anterior. Desse total, 1.571 casos foram classificados como feminicídios e 1.968 permaneceram registrados como homicídios femininos sem motivação de gênero identificada.</p>
<p>Todo feminicídio é uma morte violenta intencional de mulher, mas nem toda mulher assassinada é considerada vítima de feminicídio. A classificação é aplicada quando a morte ocorre em contexto de violência doméstica e familiar ou envolve menosprezo ou discriminação à condição de mulher.</p>
<p>Em 2025, os feminicídios corresponderam a 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil, a maior proporção desde a criação da categoria penal. O ano também foi o primeiro período completo de vigência da Lei nº 14.994, de 2024, que transformou o feminicídio em crime autônomo, deixando de tratá-lo apenas como uma qualificadora do homicídio.</p>
<p>Para Isabella e Juliana, os dados revelam um “recuo seletivo” da violência letal contra as mulheres. Diminuíram principalmente as mortes associadas a dinâmicas como disputas territoriais, mercados ilícitos e outras manifestações da violência urbana. Não recuaram, porém, os assassinatos motivados por desigualdade de gênero, cometidos sobretudo dentro de casa e por homens próximos às vítimas.</p>
<p>A análise sustenta que o feminicídio não acompanha a queda geral dos homicídios porque é alimentado por relações marcadas por desigualdade, controle, dominação, machismo e padrões violentos de masculinidade. É, nas palavras das autoras, “a violência que permanece”, mesmo diante da queda dos demais homicídios de mulheres.</p>
<p>A taxa de feminicídios cresceu em 18 unidades da Federação: Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.</p>
<p>Os maiores aumentos ocorreram no Amapá, onde a taxa avançou 347,7% e chegou a 2,2 vítimas por 100 mil mulheres; no Acre, com alta de 74,3% e taxa de 3,2, a maior do país; e em Rondônia, com crescimento de 66% e taxa de 2,9.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asQHQD80gppRk0aLz.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Tabela mostra os casos de homicídios de mulheres e de feminicídios (quando o crime é cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino). Aqui, foram feitos dois quadros para melhor visualização. A parte 1 inclui os números nacionais e estaduais, do Acre a MG."/>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asndQXMpu7jmSCc6Y.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Tabela 2 de homicídios e feminicídios, com dados dos estados entre Pará e Tocantins."/>
<h2>Quase três tentativas para cada morte</h2>
<p>O Anuário contabilizou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. O número equivale a quase três tentativas para cada um dos 1.571 feminicídios consumados no país. Segundo a publicação, “o autor não desistiu de matar: ele não conseguiu”.</p>
<p>A tentativa aparece como o degrau mais próximo da morte em uma escalada que pode incluir ameaça, perseguição, humilhação, violência psicológica, agressão física, controle da rotina e violação de medidas protetivas.</p>
<p>Os crimes que frequentemente antecedem o feminicídio também cresceram em 2025. Os registros de perseguição aumentaram 30,1%; os de violência psicológica, 16,9%; e os de descumprimento de medidas protetivas de urgência, 16,7%. Este último indicador avançou em todas as unidades da federação.</p>
<p>Para cada feminicídio consumado, o país registrou, em média, 502 ameaças, 182 casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, 84 descumprimentos de medidas protetivas e 79 ocorrências de perseguição.</p>
<h2>Uma em cada nove vítimas estava sob proteção</h2>
<p>A falha do Estado aparece de forma mais direta nos feminicídios cometidos contra mulheres que tinham uma medida protetiva ativa. Apenas 18 unidades da federação forneceram essa informação. Nelas, 70 das 797 vítimas estavam formalmente sob proteção quando foram assassinadas, o equivalente a 8,8% dos casos — aproximadamente uma em cada nove mulheres.</p>
<p>Em 2024, a proporção havia sido de 8,6%. A estabilidade sugere um padrão, embora o resultado seja incompleto. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia não informaram quantas vítimas tinham medida protetiva ativa. Juntos, os quatro estados concentraram mais de 40% dos feminicídios do país.</p>
<p>A medida protetiva é uma ordem judicial destinada a interromper a violência. Ela pode determinar, entre outras providências, o afastamento do agressor do lar e a proibição de manter contato ou se aproximar da vítima.</p>
<p>“Uma parcela significativa das mulheres mortas por feminicídio já havia acionado o sistema de proteção. Elas tinham uma medida protetiva ativa. O Estado havia se comprometido, formalmente, a protegê-las. Mas não protegeu”, afirmam Isabella e Juliana.</p>
<p>Em 2025, foram contabilizados 132.025 descumprimentos de medidas protetivas, alta de 16,7%. Isso representa 362 violações por dia, 15 por hora ou uma a cada quatro minutos.</p>
<p>Para as autoras, o descumprimento da ordem judicial é frequentemente um sinal claro de alarme antes da morte. Ainda assim, “o Estado brasileiro o registra 362 vezes por dia sem, ainda, tratá-lo como tal”.</p>
<h2>Paraná reúne os indicadores mais graves</h2>
<p>O Paraná apresentou a maior taxa de descumprimento de medidas protetivas do país: 195,3 registros para cada 100 mil mulheres, mais de três vezes a média nacional.</p>
<p>Entre os estados que forneceram informações, o Paraná também teve a maior proporção de feminicídios cometidos contra mulheres com medida protetiva ativa. Em 2025, 13 mulheres foram assassinadas nessas condições, o equivalente a 14,9% das vítimas de feminicídio no estado.</p>
<p>Os autores do Anuário ponderam que uma taxa elevada de descumprimentos pode indicar tanto dificuldade para conter os agressores quanto maior eficiência na fiscalização e no registro das violações. No Paraná, porém, a combinação dos dois indicadores aponta para um quadro mais grave: as medidas protetivas são descumpridas e, com frequência superior à média, essas violações terminam em morte.</p>
<h2>Características dos crimes cometidos no ano passado</h2>
<p>Os registros de 2025 mostram que o feminicídio no Brasil é, sobretudo, “uma violência doméstica, relacional e privada”:</p>
<p>Os dados sobre o perfil precisam ser interpretados considerando as falhas no preenchimento dos registros policiais. A raça ou cor não foi informada em 13,1% dos feminicídios. A relação entre vítima e autor estava ausente em 74,8% dos casos. Portanto, os percentuais sobre companheiros, ex-companheiros e outros autores consideram somente as ocorrências em que o vínculo foi registrado.</p>
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        <media:title>Mulher ameaçada</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Feminicídios recuam 2,5% no 1º semestre, mas aumentam em nove estados</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/feminicidios-recuam-2-5-no-1-semestre-mas-aumentam-em-nove-estados</link>
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      <pubDate>Wed, 22 Jul 2026 21:18:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Brasil registrou 741 feminicídios no primeiro semestre de 2026, uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 760 mulheres foram assassinadas. A diferença representa 19 mortes a menos, mas não ocorreu de forma homogênea: nove estados tiveram aumento nos casos e três das cinco regiões do país encerraram o período com alta.</p>
<p>Os dados constam do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Mulheres a partir das informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).</p>
<p>Mesmo com a redução, o país manteve uma média de aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica ou familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição feminina.</p>
<p>Junho teve 108 vítimas, o menor número mensal do primeiro semestre. A comparação entre os dois primeiros trimestres também mostra uma redução de 59 feminicídios entre os períodos de janeiro a março e de abril a junho.</p>
<h2>Queda não ocorreu em todo o país</h2>
<p>As regiões Norte e Nordeste puxaram a redução nacional, com quedas de 20% e 19,9%, respectivamente. Centro-Oeste e Sul seguiram na direção oposta, com aumentos de 19% e 19,2%. No Sudeste, os casos cresceram 2,6%.</p>
<p>Entre os estados, a maior alta proporcional ocorreu em Goiás, onde o número de feminicídios aumentou 113,6%. Em seguida aparecem Sergipe, com crescimento de 71,4%; Amazonas, de 66,7%; Santa Catarina, de 33,3%; Paraná, de 17%; Amapá, de 16,7%; Rio Grande do Sul, de 13,9%; São Paulo, de 10,1%; e Rio Grande do Norte, de 10%.</p>
<h2>São Paulo concentra maior número de casos</h2>
<p>No Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, São Paulo apresentou o maior número de feminicídios do país no primeiro semestre. Foram 142 vítimas entre janeiro e junho de 2026, ante 129 no mesmo período de 2025, alta de 10,1%.</p>
<p>Vale ressaltar que esses números são dos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Mulheres, com dados do Sinesp.</p>
<p>Já o levantamento mais recente da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo cobre um período menor. A base estadual contabilizou 124 feminicídios entre janeiro e maio de 2026, 17 a mais do que as 107 ocorrências registradas nos mesmos cinco meses de 2025. O crescimento foi de 15,9%. Desse total, 85 feminicídios ocorreram no interior paulista.</p>
<p>Considerando apenas maio, houve redução: os registros passaram de 26, em 2025, para 18 neste ano. Nos municípios do interior, caíram de 15 para nove.</p>
<p>A SSP afirma que os dados mostram que o enfrentamento ao feminicídio permanece como um desafio para as forças de segurança e para a rede de proteção às mulheres.</p>
<p>Alguns indicadores demonstram a complexidade de tratar o problema. Na Grande São Paulo, os registros de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentaram 11% entre janeiro e maio, passando de 12.298, em 2025, para 13.685 neste ano. As ocorrências de ameaça cresceram 16%, de 15.886 para 18.471, enquanto as de violência psicológica avançaram 19%, de 574 para 684.</p>
<p>No estado, os registros de estupro também aumentaram nos cinco primeiros meses do ano: passaram de 6.219 para 6.500. Apenas em maio, foram 1.320 ocorrências, ante 1.183 no mesmo mês de 2025.</p>
<h2>Resultado nacional vem após recorde em 2025</h2>
<p>A redução nacional registrada no primeiro semestre ainda não representa uma reversão da trajetória recente. O Brasil encerrou 2025 com 1.568 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.</p>
<p>O total representou crescimento de 4,7% em relação às 1.492 vítimas contabilizadas em 2024. Nos últimos cinco anos, o número de feminicídios aumentou 14,5%: passou de 1.347, em 2021, para 1.568, em 2025.</p>
<h2>Mais de 3.800 tentativas em um ano</h2>
<p>Em 2025, o Brasil registrou 3.813 tentativas de feminicídio, segundo o Mapa da Segurança Pública 2026, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foram, em média, mais de dez mulheres por dia que sobreviveram a ataques classificados pelas autoridades como tentativas de assassinato por razões de gênero.</p>
<p>O número ficou 11% acima do registrado em 2024, quando foram contabilizadas 3.436 vítimas. Para cada feminicídio consumado em 2025, houve mais de duas tentativas registradas pelas autoridades.</p>
<p>Mato Grosso apresentou o maior crescimento proporcional entre os estados com dados comparáveis: as tentativas passaram de 171 para 241, alta de 40,9%. No Maranhão, o número subiu de 107 para 150, crescimento de 40,2%. São Paulo teve o maior total, com 751 vítimas, 17,7% a mais do que as 638 registradas no ano anterior.</p>
<h2>Governo amplia operações</h2>
<p>Em fevereiro deste ano, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa destinada a fortalecer a rede de proteção às vítimas e melhorar a resposta do Estado à violência de gênero. Também foi inaugurado o Centro Integrado Mulher Segura, estrutura criada para integrar e monitorar os serviços de atendimento em todo o país.</p>
<p>O Ministério da Justiça coordena ainda a Operação Integrada Mulher Segura, que mobiliza as polícias civis e militares nos estados. As duas fases realizadas neste ano resultaram em 20.441 prisões, no atendimento a 92.144 vítimas e no acompanhamento de 55.808 medidas protetivas.</p>
<p>Do total de prisões, 16.131 ocorreram em flagrante e 4.310 decorreram do cumprimento de mandados. As ações mobilizaram quase 100 mil policiais.</p>
<p>Desde 2024, o feminicídio é definido como crime autônomo no Código Penal. A pena varia de 20 a 40 anos de prisão e pode chegar a 60 anos quando há agravantes. O endurecimento da legislação, no entanto, ainda convive com um número elevado de mulheres assassinadas ou que sobrevivem a tentativas de feminicídio no país.</p>
<p>Em mensagem enviado ao  GSW Brasil , o Ministério da Justiça diz que o enfrentamento da violência contra a mulher é uma prioridade do governo federal e da pasta. “A redução observada no primeiro semestre ocorre em um contexto de ampliação das ações de prevenção, proteção às vítimas, integração entre as forças de segurança e responsabilização dos agressores”. Além do Pacto Nacional, o Ministério da Justiça destacou a Operação Integrada Mulher Segura, entre as iniciativas em andamento. Esse trabalho, fora as prisões, envolve o cumprimento de mandados de prisão, o acompanhamento de medidas protetivas, o atendimento às vítimas e a realização de ações preventivas.</p>
<p>Outro ponto ressaltado foi o Decreto nº 12.976/2026, editado pelo governo federal para estabelecer diretrizes de enfrentamento à violência contra as mulheres no ambiente digital, que entrou em vigor nesta segunda-feira, 20. De acordo com a resposta do ministério, ele “constitui marco significativo para a responsabilização de agressores e para a mudança cultural, ao reconhecer que a violência de gênero também se manifesta na internet”.</p>
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        <media:title>Levante Mulheres Vivas</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Fifa e Brasil se preparam para a Copa do Mundo Feminina em 2027</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/fifa-e-brasil-se-preparam-para-a-copa-do-mundo-feminina-em-2027</link>
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      <pubDate>Sat, 18 Jul 2026 16:29:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Mal termina uma Copa do Mundo, começa outra. Neste domingo, 19, às 16h, Espanha e Argentina decidem quem levará a taça deste ano para casa. Com a definição do novo campeão, a Fifa poderá anunciar os ingressos para seu próximo torneio: a Copa do Mundo Feminina 2027, que será disputada no Brasil. Sobre valores, há expectativas de que sejam “acessíveis”, o que não ocorreu com as entradas deste mundial, o maior de todos na história da entidade máxima do futebol, que reuniu 48 seleções e promoveu 104 jogos.</p>
<p>Em 2027, a promessa da entidade é que, pela primeira vez, uma Copa do Mundo Feminina irá gerar lucro. É o que se diz nos bastidores da organização. Em dezembro de 2025, a Fifa fez uma previsão de aporte para a estruturação do evento: US$ 800 milhões. A federação espera que o volume total de arrecadação supere esse montante.</p>
<p>A Copa do Mundo Feminina no Brasil, que reunirá 32 seleções, ocorrerá entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Serão 64 jogos distribuídos em oito cidades-sedes: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Os estádios escolhidos são Mineirão, Mané Garrincha, Castelão, Beira-Rio, Arena de Pernambuco, Maracanã, Fonte Nova e Neo Química Arena. A final será no Maracanã.</p>
<p>A transmissão da Copa do Mundo 2027 no Brasil já está definida e pode reeditar a rivalidade vista neste ano, mas não nas mesmas proporções. A Cazé TV exibirá gratuitamente os 64 jogos no YouTube. O Grupo Globo fará a cobertura pela televisão aberta e por assinatura. A TV Globo transmitirá 56 partidas, e o SporTV mostrará todos os 64 confrontos, uma diferença em relação ao torneio masculino. Não haverá exclusividade de partidas.</p>
<p>Sobre os ingressos, ainda não se sabe quanto custarão, nem como serão as categorias, o calendário de vendas e se haverá preços fixos ou dinâmicos. Por enquanto, existe apenas um cadastro de interesse.</p>
<p>Também há expectativas sobre as chaves da Copa. O   formato da disputa é conhecido: serão oito grupos de quatro seleções, com as duas primeiras avançando às oitavas de final. Mas ainda não se sabe quais equipes estarão em cada chave. A Fifa não anunciou a data do sorteio, a composição dos potes nem a distribuição das partidas pelas cidades.</p>
<p>Neste momento, com a Copa masculina se encerrando, o mundial feminino conta com 14 seleções já classificadas. Restam 18 vagas.</p>
<p>Já estão garantidas na Copa as seguintes equipes: Brasil (país-sede); Argentina e Colômbia pela América do Sul; Dinamarca, França, Alemanha e Espanha (atual campeã mundial) pela Europa; Austrália, China, Coreia do Sul, Japão, Filipinas e Coreia do Norte pela Ásia; e Nova Zelândia pela Oceania.</p>
<p>Há competições à vista para a definição das demais seleções. É o caso da Copa Africana de Nações. Ela será realizada de 26 de julho a 16 de agosto e classificará as quatro semifinalistas para o mundial. Ainda restarão duas vagas para as equipes do continente. Elas serão definidas na repescagem internacional, que envolverá outras regiões e acontecerá entre novembro e fevereiro de 2027.</p>
<p>O Brasil terá uma atração a mais para encher os estádios em seus dias de jogos: o torneio deverá ser a despedida de Marta. A jogadora estará com 41 anos e ela anunciou, há cerca de um mês, que irá se aposentar. O mundial em casa, portanto, é a despedida da craque, dona de uma carreira de 24 anos vestindo a camisa amarelinha.</p>
<p>Marta é a maior artilheira da história das Copas, somando as edições masculina e feminina, com 17 gols marcados. Ela foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa, um feito que reforça sua trajetória de destaque no esporte. Apesar de toda essa história, ela nunca conquistou um título mundial pela seleção brasileira — o que torna a Copa de 2027 ainda mais simbólica. Será, ao todo, a sétima Copa do Mundo de Marta, que estreou no torneio em 2003.</p>
<h2>Confira o calendário da Copa do Mundo Feminina 2027:</h2>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asW5ZfX33DcDf7gy6.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Mapa da Copa do Mundo 2027"/>
<h2>Panorama do futebol feminino no Brasil</h2>
<p>A CBF divulgou recentemente os números do esporte no país, contando competições adultas e de base femininas nos últimos cinco anos. Os dados mostram como o futebol feminino cresceu em partidas, clubes, transmissões, valores de cotas e premiações.</p>
<p>De acordo com a entidade, em cinco anos, de 2021 para 2026, as competições femininas subiram de seis para nove (aumento de 50%); a quantidade de clubes disputando os torneios (times adultos ou de base) passou de 58 para 79 (36%); e as partidas saíram de 398 para 712 (79%).</p>
<p>O principal avanço, segundo a CBF, foi no número de partidas, com aumento nos jogos do A1 (divisão mais disputada) do Brasileirão em 25%. Nas demais, A2 e A3, o crescimento foi de 91% e 62%, respectivamente. Na Copa do Brasil, a quantidade de partidas subiu 12,5%.</p>
<p>Para promover maior visibilidade dos embates, a CBF assumiu, por meio da CBF TV, a transmissão de 100% dos jogos da Copa do Brasil Feminina e dos Brasileiros A1, Sub-20 e Sub-17 e das quartas, semifinais e finais dos Brasileiros A2 e A3.</p>
<p>“Quando ampliamos o calendário, damos às atletas aquilo que elas mais precisam para se desenvolver: tempo de jogo. Mais minutos em campo significam mais experiência, maior evolução técnica e uma preparação mais consistente”, declarou a gerente de competições femininas da CBF, Aline Pellegrino.</p>
<p>A entidade ressaltou que os clubes passaram a ter melhores condições para planejar toda a temporada, desde a pré-temporada até a integração entre as competições nacionais e os campeonatos estaduais. Isso traz mais previsibilidade, favorece investimentos e fortalece a estrutura das equipes, de acordo com a CBF.</p>
<p>Em novembro passado, a confederação divulgou o planejamento para 2026 com o calendário e também com um aumento considerável das cotas de participação e premiações.</p>
<p>Supercopa : R$ 1 milhão para o time campeão, aumento de 43%, e R$ 600 mil para o vice-campeão, alta de 20%.</p>
<p>Brasileirão A1 : a cota de participação para os 18 clubes da primeira fase subiu para R$ 720 mil, o dobro do ano anterior; premiação de R$ 2 milhões para o campeão e de R$ 1 milhão para o vice.</p>
<p>A2 : a cota de participação para os 16 clubes da primeira fase subiu para R$ 360 mil, valor 2,4 vezes maior.</p>
<p>A3 : a cota de participação para os 32 clubes da primeira fase subiu para R$ 120 mil, valor 3,3 vezes maior.</p>
<p>Copa do Brasil : a cota de participação de todas as fases dobrou.</p>
<p>Sub-20 e Sub-17 : as cotas de participação de todas as fases foram reajustadas em 10%.</p>
<p>O Brasileirão está interrompido em função da Copa do Mundo Masculina. Os jogos retornam no dia 26 de julho. Até a 12ª rodada, os times que lideram a disputa na primeira divisão são: Corinthians — 28 pontos; Palmeiras — 27 pontos; São Paulo — 26 pontos; Ferroviária — 22 pontos; e Flamengo — 22 pontos.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>seleção brasileira feminina</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Como o voto feminino pode decidir a eleição presidencial no Brasil em 2026</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/como-o-voto-feminino-pode-decidir-a-eleicao-presidencial-no-brasil-em-2026</link>
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      <pubDate>Fri, 17 Jul 2026 11:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Existe um termo que descreve a diferença de comportamento eleitoral entre homens e mulheres e que cientistas políticos acreditam ser um dos fatores eleitorais mais relevantes nas democracias contemporâneas:  gender gap . O fenômeno é global, mas aparece com clareza no Brasil – onde as mulheres são maioria no eleitorado.</p>
<p>Historicamente, o eleitorado masculino e o feminino no país votavam sem grandes disparidades nas disputas presidenciais, tendência que começou a ser revertida em 2018, quando Jair Bolsonaro, então no PSL, foi eleito presidente com forte apoio do eleitorado masculino. A propensão se ampliou em 2022 e, para o pleito de 2026, segue a mesma tendência, conforme mostram as pesquisas.</p>
<p>Segundo o levantamento Datafolha divulgado em junho, entre homens, o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho mais velho do ex-presidente, supera o presidente Luiz Inácio Lula Silva, que tenta a reeleição, por 50% a 41%. Entre mulheres, porém, o mandatário está à frente com 52% contra 37% de seu adversário mais direto. No eleitorado em geral, a disputa é bem mais equilibrada, com Lula marcando 47% contra 43% de Flávio – distância que fica dentro da margem de erro.</p>
<p>O movimento coincide com uma guinada mais ampla à direita no eleitorado brasileiro. De acordo com o mesmo instituto, pela primeira vez desde 2014, mais brasileiros se posicionam à direita e centro-direita (44%) do que à esquerda e centro-esquerda (39%). Entre as mulheres, no entanto, 44% se dizem de esquerda, e 38%, de direita.</p>
<p>Para a professora Maria do Socorro Sousa Braga, cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), essa clivagem entre mulheres e homens sofistica os rachas partidários e ideológicos.</p>
<p>"O gênero se tornou uma das principais linhas de fratura da própria polarização ideológica tradicional e passou a funcionar como um atalho cognitivo fortíssimo: homens e mulheres passaram a processar a economia, os costumes e os discursos políticos por lentes profundamente moldadas por suas realidades sociais."</p>
<p>A percepção é reforçada por Carolina Botelho, doutora em ciência política pelo INCT/SANI (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva, sediado na Universidade Presbiteriana Mackenzie), que explica  como as funções sociais distintas moldam o voto mesmo em cenários socioeconômicos idênticos.</p>
<p>“As dinâmicas sociais entre os gêneros são completamente diferentes. Muda o padrão de como a mulher se comporta, do que ela precisa, de como está na posição de renda e de como se vê no ambiente de trabalho.”</p>
<p>Com a percepção de que o voto das mulheres pode definir o resultado das eleições, as equipes de campanha têm acelerado as ações para ampliar sua presença e influência junto ao eleitorado feminino.</p>
<p>A pré-campanha de Flávio Bolsonaro prepara o lançamento do plano "Brasil Por Elas" – coordenado pela economista Daniella Marques, um dos nomes cotados para integrar a chapa de Flávio como candidata a vice – focado em incentivos ao empreendedorismo feminino e independência financeira das mulheres, uma tentativa  de quebrar a barreira de desconfiança e conter os estragos de imagem após episódios de atrito com Michelle Bolsonaro.</p>
<p>No lado oposto, a equipe de Lula aposta na sustentação e ampliação de políticas públicas consolidadas historicamente pelo governo federal voltadas para as chefes de família de baixa renda.</p>
<p>Os acenos não são  formalidades e respondem a uma lógica de sobrevivência matemática. Segundo Maria do Socorro Sousa Braga, em um cenário de empate técnico virtual, qualquer oscilação mínima na preferência feminina pode ser significativa.</p>
<p>"O comparecimento feminino às urnas é estatisticamente mais consistente e imune à abstenção do que o masculino. Qualquer oscilação de 1% ou 2% na preferência das mulheres movimenta uma massa de votos maior do que o mesmo movimento entre os homens. Se para a esquerda o desafio é reter o voto das mulheres de baixa renda, para a oposição o desafio é de sobrevivência política”, analisa.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asAS3woPpRGaQP7HL.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Maria do Socorro Sousa Braga, cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)"/>
<p>O lançamento de programas sociais voltados às mulheres historicamente gera resultados, mas a trajetória política dos dois principais candidatos do pleito, nesse aspecto, é diferente.  Enquanto um construiu ao longo dos anos uma imagem de maior sensibilidade e ações concretas em prol das mulheres, o outro carrega um histórico marcado por declarações e posições controversas que ainda geram rejeição em parcelas importantes desse eleitorado.</p>
<p>“No caso de Lula, as mulheres têm um histórico concreto e palpável de governos anteriores para avaliar. Já Flávio Bolsonaro passou a vida pública submetido à agenda do pai, que pautou sua construção de indivíduo político pela misoginia e pela defesa da submissão feminina. São trajetórias profundamente diferentes diante do eleitorado”, sinaliza   Carolina   Botelho.</p>
<p>Maria do Socorro pondera que a conversão real depende de entregas práticas, mas ressalta que, no marketing eleitoral, esses acenos são vitais para evitar perdas.</p>
<p>Na visão da cientista política, o impacto desses movimentos funciona como uma ferramenta essencial de prevenção de danos e consolidação de base. Mesmo que não conquiste milhões de eleitoras da oposição, ajuda a evitar que o candidato sangre votos em um segmento que representa a maioria absoluta do eleitorado.</p>
<h2>A comprometedora declaração contra mulheres que votam</h2>
<p>Foi justamente a percepção de que a direita ainda patina na conquista do voto feminino que serviu de pano de fundo para uma crise que explodiu na pré-campanha do senador do PL no final de junho.</p>
<p>Em um vídeo que gerou grande repercussão, o empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos onde faz lobby pela família do ex-presidente, sustentou que mulheres "votam estatisticamente mal", com destaque para as solteiras, e atribuiu o fenômeno ao avanço do feminismo. A fala ocorreu após a circulação de um vídeo em que Michelle Bolsonaro acusava Flávio Bolsonaro de tê-la desrespeitado publicamente.</p>
<p>O estrago causado pela declaração foi medido pela pesquisa Meio/Ideia, divulgada em 8 de julho. O levantamento revelou que 60,6% dos brasileiros discordaram da frase de Figueiredo, com rejeição ainda maior entre as mulheres: 75,4% delas reprovaram a fala. Entre os homens, o índice de rejeição ficou em 44,6%. Outros 24,1% dos entrevistados disseram concordar com a tese de Figueiredo em algum grau.</p>
<p>Pressionado, Flávio Bolsonaro tentou se desvincular do aliado e afirmou repudiar o argumento de Figueiredo, reforçando que ele não integra a pré-campanha oficial e admitindo que a perda de apoio feminino ao seu nome era resultado de “falta de competência” da própria campanha.</p>
<p>Carolina Botelho interpreta a fala de Figueiredo como típica de uma ala da direita que, no Brasil, convencionou-se chamar de bolsonarismo.</p>
<p>“Se analisarmos as falas de políticos da Nova República até hoje, dificilmente veremos líderes de outras gerações falarem tamanhos absurdos. Desde a Nova República, foi construída uma ideia de inserção e independência da mulher, enquanto o atual grupo de extrema-direita tende a ver a mulher como submissa ao homem”, argumenta.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asV6aak54TKT9CuEF.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="Carolina Botelho, doutora em ciência política pelo INCT/SANI"/>
<p> Maria do Socorro detecta no episódio também um comportamento clássico de frustração eleitoral. "Quando um grupo demográfico específico se consolida como uma barreira para as pretensões de um campo político, vozes desse espectro tendem a deslegitimar o comportamento eleitoral desse grupo em vez de ajustar suas próprias propostas”, avalia.</p>
<p>A postura de Figueiredo não é um posicionamento  inédito, mas parte de uma onda em curso nos Estados Unidos, onde influenciadores da chamada  manosphere  (machosfera) e da extrema-direita têm defendido abertamente a revogação da 19ª Emenda à Constituição americana, que garantiu o voto feminino em 1920.</p>
<p>A pauta ganhou tração digital após a reeleição de Donald Trump em 2024, impulsionada por virais e influenciadores que defendem o "voto por domicílio", sob a justificativa de que as mulheres teriam uma suposta "empatia suicida" nas urnas que prejudicaria a direita. O investidor Peter Thiel, de linha conservadora e um dos apoiadores do presidente norte-americano, já manifestou visão semelhante sobre o sufrágio feminino.</p>
<p>A conexão ideológica entre o bolsonarismo e a extrema-direita americana funciona de maneira operacional e estruturada, observa Maria do Socorro. "O bolsonarismo historicamente não cria suas pautas morais do zero; ele traduz e adapta os pânicos morais americanos para o contexto brasileiro. Diante do avanço global do feminismo, esses movimentos compartilham um forte ressentimento cultural”, afirma.</p>
<h3>O peso da história e os recortes que podem decidir 2026</h3>
<p>As mulheres representam hoje a maior fatia do eleitorado brasileiro. Em 2026, elas somam 82,8 milhões de eleitoras contra 73,9 milhões de homens, o que equivale a 52,8% do total, uma diferença de quase nove milhões de votos.</p>
<p>Paradoxalmente, essa maioria numérica nas urnas não se converte em representação legislativa. A média de candidaturas femininas entre 2018 e 2024 foi de 34%, mas apenas 17% delas foram eleitas. Mulheres ocupam apenas 18,1% das cadeiras da Câmara dos Deputados.</p>
<p> "Embora a legislação obrigue o repasse de verbas do Fundo Eleitoral para mulheres, a distribuição ainda é controlada por caciques partidários homens, que concentram os recursos em poucas candidatas tradicionais, deixando as novatas sem capital. Além disso, há o problema das candidaturas laranjas usadas para burlar as cotas, a sobrecarga da dupla jornada e as agressões de violência política de gênero que afastam novas lideranças”, detalha Maria do Socorro.</p>
<p>Para além das barreiras de representação, o voto feminino em 2026 não deve se comportar como um bloco monolítico. As análises indicam que a eleição será decidida justamente nas subdivisões desse eleitorado. Dois segmentos concentram as atenções: as evangélicas e as chefes de família de baixa renda que vivem com até dois salários mínimos.</p>
<p>"Elas priorizam de forma pragmática o poder de compra, o controle dos preços dos alimentos e o funcionamento de serviços públicos básicos como creches e postos de saúde", analisa a cientista política.</p>
<p>Com as preferências do eleitorado masculino já consolidadas entre os polos da disputa, os indecisos que podem definir o segundo turno, hoje entre 3% e 4%, estão em grande parte concentrados no eleitorado feminino de centro ou sem posição ideológica definida. A definição da disputa passa diretamente pela capacidade das campanhas de dialogar com as urgências cotidianas dessas mulheres.</p>
<p>O principal desvio nessa tendência ocorre na faixa de 16 a 24 anos. Nesse grupo, Flávio Bolsonaro bate Lula por 45,7% a 33,3%, segundo a pesquisa Meio/Ideia, a maior vantagem do senador em qualquer recorte etário. O dado sugere que o fator geracional impõe um limite ao chamado  gender gap .</p>
<p>Para Carolina Botelho, é nesse recorte fino que a disputa pode se decidir. "Grupos como as mulheres, os mais pobres, os jovens e o eleitorado do Nordeste são perfis que podem decidir uma eleição. O grande desafio das candidaturas será entender e explorar de forma cirúrgica qual perfil desse eleitorado indeciso  pode ser conquistado na reta final."</p>
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        <media:credit role="provider">Tomás Silva - Agência Brasil</media:credit>
        <media:title>Mulher votando na eleição de 2022 no Brasil</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Oportunidades para mulheres existem, mas não para altos cargos, diz executiva</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/oportunidades-para-mulheres-existem-mas-nao-para-altos-cargos-diz-executiva</link>
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      <pubDate>Thu, 16 Jul 2026 18:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<h2>Mulheres na liderança: experiências e desafios no mundo do trabalho</h2>
<p>Referência no setor de  live marketing , área estratégica em que marcas promovem conexões com o consumidor por meio de eventos ao vivo e experiências presenciais ou digitais, Dilma Campos deixou para trás o mercado de entretenimento e mergulhou no setor de comunicação, onde há 25 anos exerce cargos de liderança.</p>
<p>Explica-se. Dilma deu voz à personagem Patativa no icônico “ Castelo Rá-Tim-Bum ”. Inaugurou, com essa vivência, uma história conectada a narrativas plurais, que já supera três décadas. Hoje é copresidente da Mark Up, agência de eventos, ativações e marketing de experiência.</p>
<p>Além de empresária e executiva, Dilma integra conselhos e faz mentorias para futuras líderes. É membro do Instituto Conselheira 101, iniciativa dedicada a promover a ascensão de mulheres negras e indígenas em posições de alta liderança e governança corporativa. É mentora na Rede Mulher Empreendedora, conselheira de instituições como Universidade São Judas, Ampro (Associação de Marketing Promocional), São Paulo Companhia de Dança, Instituto Clima e Sociedade, APP (Associação dos Profissionais de Propaganda) e Comitê de Diversidade da WOB ( Women on Board ), iniciativa independente brasileira lançada em 2019 e apoiada pela ONU Mulheres e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), cujo objetivo é reconhecer, valorizar e promover ambientes corporativos com a presença de mulheres em cargos de liderança.</p>
<p>Reconhecida cinco vezes pelo Pacto Global da ONU por impacto comprovado em governança e clima, Dilma atua apoiando CEOs e fornecendo frameworks para escalar a cultura inclusiva nas organizações. É ainda coautora dos livros “ Publicidade Antirracista ” (finalista do Prêmio Jabuti), “ Uma Sobe e Puxa a Outra ” e “ Bora Inspirar: 16 Histórias Inspiradoras de Empreendedorismo Feminino ”.</p>
<p>Dilma é mais uma convidada do  GSW Brasil  para a série de conversas com lideranças femininas de diferentes segmentos sobre experiências e desafios na sociedade contemporânea.</p>
<p>Há quanto tempo desempenha cargos de liderança?</p>
<p>Há mais de 25 anos desempenho cargos de liderança. Começou quando eu assumi a parte do departamento de direção artística e de produção de uma empresa de eventos e desde então eu venho liderando.</p>
<p>Falando da perspectiva de uma mulher na liderança de uma empresa, que desafios encontrou ao chegar? E no setor: como as mulheres chegavam a postos de comando no início de sua jornada como executiva?</p>
<p>Na minha jornada como executiva, o que acontecia é que você era muito especialista em uma área para se tornar realmente líder. No meu caso, eu comecei na verdade com a diretoria artística das empresas de eventos. Depois, eu somei na questão da produção. No segmento de eventos, a gente já via mulheres liderando nesses cargos, embora a grande maioria ainda fosse de homens. Nós subíamos de cargo porque era muito especialista naquilo que a gente fazia. Ou porque a gente tinha uma metodologia de controle – que não se chamava assim na época –, um pouco mais eficiente, e isso era visível. Aquela mulher que conseguia fazer muitas planilhas e ter um controle do funcionamento das coisas e de tudo que precisava para realizar aquilo, ela realmente tinha a possibilidade de ascender e chegar a ser uma executiva do grupo, justamente por essa especialidade dela.</p>
<p>E hoje como vê esse cenário? Que avanços identifica? O que ainda merece atenção no segmento em que atua?</p>
<p>O meu segmento ainda merece muita atenção. A gente vê poucas mulheres no nível de liderança financeira, por exemplo. Ainda há muitos homens, muito mais, nessa área. Acho que a gente precisa dividir a melhoria. Porque quando você fala sobre liderança é uma coisa. Tem mais mulheres, há um pouco mais de equilíbrio. Mas, quando se fala em alta liderança, aí você entende que realmente não existe isso. Quando você olha para um conselho, então, a porcentagem de mulheres é muito menor.</p>
<p>Como equilibra as demandas da carreira e as demandas pessoais? É comum que as mulheres assumam dupla, tripla jornada. É uma questão para você?</p>
<p>Eu não tenho vida de trabalho e vida familiar. Para mim, tudo é vida. Então, tudo eu tento encaixar na minha vida. O tempo de atenção para minha filha, o tempo de atenção para o marido, o tempo para casa, o tempo de trabalho, o tempo de atenção para quem trabalha comigo, para quem já trabalhou comigo, para quem não trabalha comigo e precisa de uma mentoria para evoluir na carreira. Tenho esse lugar de mentorar muita gente que está aí, caminhando. Acho que a gente pode enxergar a vida como uma só. Você não é uma pessoa de dia e outra de noite. Você é a mesma pessoa. Eu só consegui equilibrar isso quando fez sentido para mim que é uma coisa só. As mulheres já assumem dupla ou tripla jornada. Até porque eu acho que essa minha geração é a primeira sanduíche. Eu comecei a cuidar da filha, mas que hoje eu cuido da minha mãe. Então, tenho essa tripla jornada que não é uma jornada só de trabalhar e vir para a minha casa. Eu trabalho, eu venho para a minha casa e eu olho para a casa da minha mãe. Então, essa primeira geração sanduíche que cuida dos pais e cuida dos filhos é uma novidade no mundo. E isso a gente tem de considerar. Quando a gente olha para a economia do cuidado, que é muito atribuída às mulheres, a gente sabe que ela representa milhões de dólares. Não sei as últimas pesquisas, mas é muito dinheiro mesmo. Porque é um trabalho não remunerado. Se a gente fosse remunerar todas as mulheres que trabalham, muitas, não só em dupla jornada, como eu dei o exemplo da tripla jornada, seria muito dinheiro na mesa. Muito dinheiro com que essas mulheres normalmente não são remuneradas.</p>
<p>Uma pergunta sobre IA: afinal, ela tem ajudado com a rotina a ponto de permitir mais tempo para outras atividades, inclusive as pessoais? Os agentes de IA ainda não são uma realidade para facilitar a vida? Muito se teme a tecnologia como “eliminadora de empregos”, mas ela pode ser um recurso para abrir mais espaço na agenda para que as pessoas tenham mais tempo para cuidar da mente, da saúde, da inspiração?</p>
<p>A IA chegou justamente com esse medo de que ela ia roubar o nosso emprego. Depois, entendemos que não. Ela está em um lugar que talvez a gente consiga ver muito mais a produtividade. O que temos visto nas pesquisas hoje é que a gente não tem ainda esse tempo, que a gente gostaria de produtividade. Mas também é relativamente novo o período que a gente começa a entender como colocamos a IA no meio dos humanos como ferramenta. Para mim, tem o input que eu dou para a IA, tem o trabalho que a IA faz e tem o que a IA me mostra o que fez. Daí, tem de ter, de fato, outro input meu para entender se aquilo faz sentido. Eu acho que, ao longo dos anos, a gente vai entender que essa ferramenta vai nos ajudar a melhorar o tempo. Isso a gente já tem visto, mas ainda não tem isso claramente definido em pesquisa. Inclusive as pesquisas dizem que, mesmo com a utilização da IA, nós não estamos tendo o tempo que a gente pensou que fosse ter. Talvez a gente tivesse a ilusão de que iria sobrar por dia umas quatro horas e não está sobrando. Sobra aí uma hora. Então, a gente tem de pensar nessas considerações. Mas que ela facilita a vida, isso é uma realidade. Que ela elimine emprego, eu não acredito. Acho que alguns sim no longo prazo. Mas, ao eliminar alguns, outros precisam nascer, até para lidar com ela. As oportunidades estão aí e a gente vai ver a IA como essa ferramenta para nos trazer para esse lugar do novo pensar. De pensar com uma nova ferramenta como extensão de nós mesmos.</p>
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        <media:credit role="provider">Thiago Bruno</media:credit>
        <media:title>dilmacampos_Thiago Bruno</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Projeto de lei permite mudança de nome a mulher vítima de violência doméstica</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/projeto-de-lei-permite-mudanca-de-nome-a-mulheres-vitimas-de-violencia-domestica</link>
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      <pubDate>Thu, 16 Jul 2026 10:06:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em situação de risco poderão alterar seus nomes em registros públicos e, nos casos mais graves, ser encaminhadas para análise de inclusão em programa especial de proteção a vítimas e testemunhas ameaçadas. Essa é a proposta do Projeto de Lei (PL) 1.976/2025, que foi aprovado nesta quarta-feira, 15, pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado.</p>
<p>O texto aprovado foi o substitutivo apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) ao projeto original da senadora Jussara Lima (PSD-PI). Agora, o PL segue para análise terminativa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).</p>
<p>Hoje, a legislação brasileira permite a alteração do nome em situações como casamento, divórcio, proteção de testemunhas, mudanças administrativas previstas na Lei de Registros Públicos e por decisão judicial em casos específicos. Mulheres vítimas de violência doméstica até podem obter essa autorização na Justiça, mas não há uma previsão legal específica para esses casos na Lei Maria da Penha e na Lei de Registros Públicos. Na prática, a decisão depende da análise e do entendimento do juiz.</p>
<p>O substitutivo de Vieira mantém a possibilidade de alteração excepcional do nome da vítima, mediante decisão judicial (prevista no texto original). A principal novidade é a previsão de que, quando as medidas protetivas da Lei Maria da Penha não forem suficientes para neutralizar ameaças concretas, o caso poderá ser encaminhado aos órgãos responsáveis pelo programa especial de proteção a pessoas ameaçadas.</p>
<p>O ingresso nesse programa dependerá de três condições: requerimento da própria vítima, manifestação do Ministério Público e avaliação técnica dos órgãos competentes.</p>
<p>Em seu parecer, Alessandro Vieira pondera que a troca de nome, isoladamente, não elimina todos os riscos à vítima. Por isso, a medida deve ser tratada como excepcional e articulada a uma rede mais ampla de proteção. O relator afirma que o texto busca equilibrar a proteção à mulher com sua autonomia, seguindo a lógica da Lei Maria da Penha, e reserva o acesso aos programas especiais para situações de risco descritas como concretas, atuais e relevantes.</p>
<h2>Desafios para implementação do projeto</h2>
<p>A presidente da CDH, Damares Alves (Republicanos-DF), avaliou que a proposta representa um avanço, mas alertou para dificuldades práticas na execução dos programas de proteção. Segundo ela, mesmo quando a pessoa é protegida e muda de estado, registros como CPF, Cartão SUS e sistemas digitais ainda podem permitir a identificação.</p>
<p>Por ser terminativo, o PL 1.976/2025 pode ser aprovado em caráter definitivo pela CCJ, sem necessidade de votação no plenário do Senado, salvo se houver recurso para que a matéria seja analisada pelo conjunto dos senadores.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asbWSt4xWjXMbYEgw.png?width=800&height=600&quality=75" alt="infográfico com alterações de nomes previstas em lei"/>
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        <media:credit role="provider">Divulgação/ SSP-PI</media:credit>
        <media:title>carteira de identidade</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Banco de dados reunirá iniciativas para prevenir a violência contra a mulher</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/banco-nacional-reunira-iniciativas-para-prevenir-a-violencia-contra-a-mulher</link>
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      <pubDate>Fri, 10 Jul 2026 20:31:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Programas que deram resultado no combate à violência contra a mulher em diferentes regiões do Brasil passarão a integrar uma base nacional de consulta pública. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.466, publicada nesta sexta-feira, 10, no Diário Oficial da União, que cria o Banco Nacional de Boas Práticas na Prevenção e no Combate à Violência contra a Mulher.</p>
<p>A proposta é reunir, em uma única plataforma, experiências desenvolvidas por governos, instituições e organizações da sociedade civil que possam servir de referência para estados e municípios. A expectativa é facilitar o compartilhamento de estratégias já testadas, fortalecer políticas públicas e estimular a adoção de iniciativas bem-sucedidas em diferentes partes do país.</p>
<p>O banco será organizado e administrado pelo governo federal. As informações serão públicas e deverão ser atualizadas pelo menos uma vez por ano. Entre os dados disponíveis estarão o nome do programa ou projeto, o ano de início, os órgãos e entidades responsáveis, os locais onde a iniciativa foi implementada e o perfil do público atendido.</p>
<p>A nova lei também prevê que seminários, reuniões técnicas, pesquisas e levantamentos de dados contribuam para ampliar continuamente o conteúdo da plataforma, permitindo que ela funcione como um repositório nacional de experiências voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.</p>
<p>A medida teve origem no Projeto de Lei 6.113/2023, de autoria do deputado federal Duda Ramos (Podemos-RR). A sanção ocorre em um contexto de persistência da violência de gênero no país. Segundo o Ministério da Justiça, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, reforçando a necessidade de ampliar e aperfeiçoar as políticas de prevenção e proteção.</p>
<p>Em fevereiro, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que reúne os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para coordenar ações de prevenção da violência contra mulheres, ampliar a proteção às vítimas, fortalecer a responsabilização de agressores e integrar políticas públicas em todo o país.</p>
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        <media:credit role="photographer">Thales Antonio</media:credit>
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        <media:title>Manifestação-feminina</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>‘Ranking sexual’ com alunas de colégio no Rio expõe o aumento da violência digital sobre adolescentes</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/ranking-sexual-com-alunas-de-colegio-no-rio-expoe-o-aumento-da-violencia-digital-sobre-adolescentes</link>
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      <pubDate>Thu, 09 Jul 2026 21:58:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma lista criada em uma plataforma digital de rankings com nomes de alunas do colégio Cruzeiro, de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, está em investigação pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav). Com idades entre 14 e 15 anos, as meninas eram categorizadas segundo termos pejorativos, sexuais e misóginos. O caso chegou à polícia civil por meio de denúncias, uma delas da própria escola.</p>
<p>Publicada de forma anônima, a lista classificava as estudantes com expressões como “bêbado vai”, “comeria no lucro”, “me arrependi depois”, conforme o  site G1  , que teve acesso à relação. Estima-se que 65 alunas foram relacionadas no ranking.</p>
<p>Algumas vítimas começaram a ser ouvidas pelos investidores nesta quinta-feira, 9. O diretor do colégio teria dito à polícia que a equipe interna está tentando descobrir os responsáveis pelo “ranking sexual” – que já foi tirado do ar.</p>
<p>A delegacia também está ouvindo estudantes suspeitos de terem participado da criação da lista. Eles podem responder por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento. Outros podem ser incluídos a depender do resultado da investigação.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as1J5tCChyopP9yKK.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Vista aérea do Colégio Cruzeiro"/>
<p>Em comunicado, o colégio disse: “ Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias.</p>
<p>Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros”.</p>
<p>Responsável pela condução das investigações, a delegada Maria Luiza Machado disse ao G1 que os registros de casos como esses   vêm aumentando nos últimos anos.</p>
<h2>Cyberbullying  atinge mais meninas</h2>
<p>Entre os dados revelados pela 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o com apoio do Ministério da Educação (MEC) –, estão números relativos ao  bullying  cibernético sofrido e praticado por estudantes.</p>
<p>A pesquisa, que entrevistou alunos de 13 a 17 anos, das redes públicas (84,3%) e privada (15,7%), mostrou que 12,7% dos adolescentes relataram ter sofrido bullying nas redes sociais, sendo as meninas (15,2%) mais afetadas do que meninos (10,3%). Os resultados nacionais indicaram ainda que 10% dos adolescentes afirmaram ter praticado  bullying  nas redes sociais. A prática é mais comum entre os meninos (11,6%) do que entre as meninas (8,4%).  </p>
<h2>Lei mais severa</h2>
<p>O caso veio a público pouco depois de o Senado ter aprovado um projeto de lei, o PL 3.066/2025, que amplia as punições contra a violência sexual digital contra crianças e adolescentes. Um dos focos da nova proposta está no uso da inteligência artificial.</p>
<p>O texto, de autoria do deputado federal Osmar Terra (PL-RS), foi analisado no Senado pelo plenário em regime de urgência. O último relator foi o senador Fabiano Contarato (PT-ES). Em sua visão, as estatísticas indicam que as atuais penas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente não têm sido suficientes para prevenir os crimes de exploração sexual contra eles, de acordo com a Agência Senado.</p>
<p>O PL aumenta penas para crimes como produzir, divulgar ou comercializar conteúdo de violência sexual contra menores por meio da internet ou das redes sociais. Também torna hediondos vários desses crimes, tornando mais rígidas as condições de cumprimento da pena.</p>
<p>Nos casos de produção, reprodução, direção, fotografia, filmagem ou registro de conteúdo de violência sexual contra criança ou adolescente, assim como a sua venda ou exposição, a pena atual é de 4 a 8 anos de reclusão e multa. O projeto eleva essa punição para 4 a 10 anos de reclusão e multa.</p>
<p>A pena é aumentada em um terço se a venda ou exposição ocorrer por meio da internet, das redes sociais ou de outras tecnologias da informação e comunicação.</p>
<p>A proposta aumenta a punição para quem oferece, troca, disponibiliza, transmite, distribui, publica ou divulga material de violência sexual contra criança ou adolescente. Hoje, a pena prevista é de 3 a 6 anos de reclusão e multa. O texto proposto permite aumentar a pena para 4 a 10 anos de reclusão e multa.</p>
<p>A pena é aumentada em um terço quando o conteúdo for publicado ou compartilhado em mais de uma plataforma digital, rede social, serviço de vídeo sob demanda ou aplicativo acessível ao público.</p>
<p>Em relação à tecnologia, o PL estabelece que as penas podem ser aumentadas de um terço a dois terços quando ocorrer em caso de uso de inteligência artificial;  deepfake  (montagem feita com IA); filtros; perfis falsos; "anonimização" (quando se utilizam mecanismos para impedir a identificação do criminoso); aplicativos de mensagens; redes sociais; e jogos on-line.</p>
<p>Para os casos em que há a simulação da participação de crianças e adolescentes em conteúdo de violência sexual, com montagens ou alterações na imagem, o texto eleva a pena de 1 a 3 anos de reclusão e multa para 3 a 5 anos de reclusão e multa.</p>
<p>O PL segue agora para sanção presidencial.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>ranking-sexual-na-escola</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Programas feitos para autores de violência contra a mulher voltados à conscientização dos crimes crescem 125% no país em seis anos</title>
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      <pubDate>Thu, 09 Jul 2026 20:07:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma das estratégias de enfrentamento da violência contra a mulher, além de leis e programas de proteção às vítimas, é promover iniciativas voltadas à conscientização e à mudança de comportamento de agressores, sem abrir mão da responsabilização criminal. Esse é o foco dos chamados grupos reflexivos voltados a homens que agrediram mulheres. O número desses projetos mais que dobrou no Brasil nos últimos seis anos. O país passou de 312 iniciativas em 2020 para 704 em 2026, aumento de 125,6%, segundo levantamento nacional apresentado recentemente ao presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin.</p>
<p>O crescimento ocorre em meio ao esforço do CNJ para transformar esses programas em uma política pública nacional. Em agosto, quando a Lei Maria da Penha completa 20 anos, o plenário do conselho deverá votar as primeiras diretrizes nacionais para o funcionamento e o monitoramento dos grupos reflexivos, com o objetivo de padronizar a atuação das iniciativas em todo o país.</p>
<p>O levantamento foi coordenado pelo desembargador Álvaro Kalix Ferro e servirá de base para a elaboração dessas diretrizes.</p>
<h2>O que são os grupos reflexivos</h2>
<p>As iniciativas reúnem homens autores de violência contra a mulher em encontros conduzidos por equipes multidisciplinares. A proposta não substitui a responsabilização criminal desses agressores, nem impedem as demais medidas previstas na Lei Maria da Penha. O objetivo é complementar essas ações, promovendo mudanças de comportamento e contribuindo para interromper o ciclo da violência.</p>
<p>Durante as reuniões, os participantes discutem temas como machismo, abuso de poder, relações de gênero, masculinidades, paternidade, desigualdade e resolução de conflitos. A ideia é estimular a reflexão sobre as próprias atitudes e incentivar relações livres de violência.</p>
<p>A minuta de resolução que será analisada pelo CNJ prevê que os programas ofereçam, no mínimo, 12 encontros distribuídos ao longo de três meses, com até 20 participantes por grupo, coordenação de equipes interdisciplinares e avaliações periódicas sobre a efetividade da política.</p>
<h2>Reincidência é um dos indicadores</h2>
<p>Um dos principais indicadores para avaliar esses programas é a reincidência. Pesquisas nacionais apontam que entre 3% e 7% dos homens voltam a cometer crimes de violência de gênero após participarem dos grupos reflexivos — percentual inferior às taxas gerais de reincidência observadas em outros tipos de crimes no país.</p>
<p>Embora a Lei Maria da Penha já previsse programas de recuperação e reeducação, foi a Lei nº 13.984, sancionada em abril de 2020, que permitiu ao Judiciário determinar a participação do agressor em centros de educação e reabilitação psicossocial como medida protetiva de urgência.</p>
<p>Na prática, quando concede uma medida protetiva à vítima, a Justiça também pode determinar que o agressor participe dos encontros. O descumprimento da decisão pode resultar em sanções penais, inclusive prisão preventiva.</p>
<p>A mudança na legislação impulsionou o aumento dos encaminhamentos feitos pelas Varas de Violência Doméstica às instituições responsáveis pelos grupos. Algumas iniciativas também recebem homens que procuram atendimento espontaneamente após reconhecerem comportamentos abusivos nas relações, sejam eles físicos, psicológicos, verbais, morais ou patrimoniais.</p>
<h2>Projeto atua há 17 anos em São Paulo</h2>
<p>Um dos programas mais antigos do país é desenvolvido pelo Grupo Reflexivo e Responsabilizante do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, em São Paulo, que atua de forma ininterrupta desde 2009.</p>
<p>Inicialmente presencial, na sede da organização, em Pinheiros, o projeto passou a funcionar exclusivamente on-line em março de 2020, em razão da pandemia de Covid-19 e de mudanças na logística da instituição.</p>
<p>Coordenador do grupo desde 2019, Ivan Baraldi explica que o programa oferece 16 encontros semanais de duas horas cada, totalizando quatro meses de acompanhamento. Os participantes são encaminhados pela Vara de Violência Doméstica e Familiar da Barra Funda, e cada grupo é conduzido por dois facilitadores de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais das áreas de direito, psicologia, educação e história.</p>
<p>Segundo Baraldi, os homens costumam chegar aos encontros reativos e convencidos de que foram tratados de forma injusta. </p>
<p>"O homem que chega está muito reativo, nervoso e se sentindo injustiçado na maioria das vezes. Ele vai encontrar ali um homem que já está há mais tempo no grupo, e a gente até pede para esse participante explicar o que acontece nos encontros", conta.</p>
<p>Ao longo do processo, de acordo com o coordenador, o foco da discussão deixa de ser a conduta da vítima e passa a ser a responsabilização do próprio autor da violência.</p>
<p>"É muito comum os homens falarem muito da mulher, da companheira. E a gente diz: 'Não. Esse grupo não é sobre a mulher. Esse grupo é sobre você e sobre o ato que trouxe você até aqui'."</p>
<p>Por limitações técnicas e metodológicas, o projeto não atende casos de violência sexual nem tentativas de feminicídio. O trabalho é direcionado principalmente a situações de ameaça, lesão corporal, empurrões, tapas e outras formas de violência doméstica.</p>
<h2>Falta de financiamento</h2>
<p>Apesar do crescimento dos grupos reflexivos, a falta de financiamento permanente continua sendo um dos principais desafios para consolidar essa política pública.</p>
<p>No Coletivo Feminista, o trabalho foi realizado de forma totalmente voluntária entre 2009 e meados de 2025. Atualmente, o projeto recebe recursos por meio de um edital do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP).</p>
<p>Para Baraldi, a ausência de orçamento contínuo dificulta a realização de pesquisas que acompanhem os participantes após o encerramento dos encontros e permitam medir, de forma mais consistente, os índices de reincidência.</p>
<p>"Nós não temos tido esse fôlego para fazer esse tipo de pesquisa mais concreta da reincidência. Mas, na prática, desde 2019 até agora, nenhum homem voltou na reincidência no nosso grupo", afirma.</p>
<p>Ele reforça que o reconhecimento institucional da política precisa ser acompanhado de investimento público permanente.</p>
<p>"Se existe a previsão na Lei Maria da Penha, se o CNJ recomenda a realização dos grupos, se as pesquisas mostram que o homem que passa pelo grupo tem menos reincidência, como é que você não remunera essa equipe profissional? O poder público tem de prever esse dinheiro no orçamento e garantir a continuidade do trabalho com homens autores de violência", defende.</p>
]]></description>
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        <media:credit role="provider">Divulgação </media:credit>
        <media:title>grupos reflexivos </media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Larissa Pereira]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Livro aborda a maternidade de mulheres negras escravizadas do Rio de Janeiro do século XIX</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/livro-resgata-a-maternidade-de-mulheres-negras-escravizadas-do-rio-de-janeiro-do-seculo-xix</link>
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      <pubDate>Mon, 06 Jul 2026 19:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O que acontecia com os bebês das mulheres negras escravizadas obrigadas a serem amas de leite das crianças nas casas senhoriais nos tempos do Brasil imperial? Como a Lei do Ventre Livre, promulgada no país em 1871, impactou a relação das mães e seus filhos, muitas vezes separados de modo ilegal? De que forma conhecimentos africanos sobre gravidez e parto resistiram à violência da escravidão? Essas são algumas das questões investigadas pela historiadora Lorena Féres da Silva Telles, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em sua pesquisa sobre mulheres africanas e afrodescendentes escravizadas no Rio de Janeiro do século XIX, baseada em milhares de documentos históricos, como teses de medicina, anúncios de jornais, registros de batismo, processos judiciais e até relatos de viajantes.</p>
<p>O estudo deu origem ao livro “ Teresa Benguela e Felipa Crioula estavam grávidas: maternidade e escravidão no Rio de Janeiro (1830-1888)” , lançado em português em 2022 pela Editora Unifesp e agora publicado nos Estados Unidos pela University of Georgia Press com o título “ Teresa Benguela and Felipa Crioula Were Pregnant: Motherhood and Slavery in Nineteenth-Century Rio de Janeiro” . O livro pode ser encontrado na Amazon. A edição original também está disponível no site da editora da Unifesp.</p>
<p>Mestre e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado pela Universidade de Campinas (Unicamp) e pela University of Pittsburgh (EUA) e pesquisadora no Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Social do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Lorena traça um forte e sensível retrato das mulheres escravizadas, que lutaram para manter suas culturas e visões de mundo com a ajuda de uma rede de parentes, entre elas suas próprias mães, comadres e parteiras africanas e afrodescendentes. Para dar a dimensão do tamanho dessa população, em 1849, o censo do Rio de Janeiro apontava que viviam na cidade 40 mil mulheres, metade delas eram africanas.</p>
<p>A autora também traz à luz histórias de mulheres como Teresa Benguela e Felipa Crioula sob a ótica da maternidade. Histórias de Teresas e Felipas, como consta no prefácio no livro, mostram que essas mulheres, além de cumprirem uma extensa e dolorosa jornada de trabalho doméstico ou no comércio, “atravessaram todas as desventuras da vida sob escravidão, da menarca à menopausa, como corpos e ventres que proviam a continuidade da escravidão”. O prefácio é assinado pela historiadora Maria Helena Pereira Toledo Machado, professora titular do departamento de história da USP, orientadora de Lorena no doutorado.</p>
<p>“ Teresa Benguela and Felipa Crioula Were Pregnant: Motherhood and Slavery in Nineteenth-Century Rio de Janeiro”  amplia o acesso internacional a uma pesquisa que dialoga com estudos sobre escravidão, gênero e diáspora africana nas Américas e ajuda a inserir a experiência brasileira em um debate em que prevalecem estudos sobre o sul dos Estados Unidos e o Caribe. Em entrevista ao  Global South World Brasil,  Lorena detalha as principais descobertas do trabalho e demonstra como as histórias dessas mulheres permitem compreender dimensões da escravidão que ainda hoje permanecem invisíveis.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asESFZe6ZfoljolgR.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A historiadora Lorena Féres da Silva Telles mostra as edições em português e inglês de "Teresa Benguela e Felipa Crioula estavam grávidas"."/>
<p>Como surgiu seu interesse por esse tema? De que forma o assunto das mulheres africanas escravizadas no Rio de Janeiro chamou sua atenção pela maternidade e suas implicações?</p>
<p>A questão da maternidade entre mulheres escravizadas surgiu depois do meu mestrado. O livro é resultado da minha pesquisa de doutorado, com contribuições da minha pesquisa de pós-doutorado. Tenho estudado relações raciais, histórias de mulheres negras e trabalho doméstico em São Paulo, que foi o tema do meu mestrado. No doutorado, houve um interesse meu. Ao mesmo tempo, é campo de estudo do momento da minha orientadora, Maria Helena Pereira Toledo Machado. Quando fui procurá-la, pensava em um projeto sobre século XIX, sobre as mulheres na escravidão. Estava com a vontade de entender melhor as experiências das mulheres escravizadas. No meu mestrado, tratei das mulheres livres e libertas. Minha orientadora estava pesquisando amas de leite. Ela tinha escrito um artigo sobre mulheres ocupadas como amas de leite. Aí, comecei a minha tese, a minha pesquisa de doutorado falando sobre amas de leite e com foco na maternidade da mulher negra. Toda mulher que foi ama de leite teve seu filho. Engravidou, deu à luz e teve seu bebê. Comecei a pensar o destino desses filhos e como era se ocupar de duas crianças, sendo que uma delas era a criança negra dela e a outra era o bebê senhorial, isso dentro das relações escravistas. Fui atrás de muitas fontes. Pesquisei, sobretudo, teses de medicina, revistas médicas, casos clínicos, muitos anúncios de jornal envolvendo aluguel, fuga e venda de mulheres escravizadas. Fui juntando muito material, assentos (registros) de batismo – era o momento dos batizados; as mães escravizadas tinham também as madrinhas e os padrinhos dos filhos, que eram redes sociais e de parentesco muito importantes. Quando eu vi, tinha fôlego para pensar a maternidade de uma maneira mais ampla. E também, na historiografia que eu estava pesquisando – sobre mulheres negras e maternidade e escravidão no sul dos Estados Unidos e na Jamaica – estavam questões sobre os partos, as parteiras negras e as práticas dos médicos. Aí, minha tese acabou se debruçando sobre a gravidez dessas mulheres no Rio de Janeiro. Então, passei a pensar relações afetivas, relações sexuais, autonomia e estupro e coerção sexual. Pensando na relação com os senhores, quem era o pai desses bebês, como foi o processo da gravidez, que conhecimentos elas tinham sobre gravidez, como contavam as luas para saber o tempo da menstruação. Tudo isso eu fui encontrando indícios nos casos clínicos dos médicos, quando eles atendiam as mulheres africanas e afrodescendentes. Depois, parti para a análise dos partos, onde elas davam à luz, quais eram as práticas. Pesquisei as diferentes parteiras, os diferentes perfis de parteiras no Rio de Janeiro: havia parteiras brancas francesas, brancas brasileiras, portuguesas, mulheres africanas, mulheres negras nascidas no Brasil – chamadas de criolas –, afrodescendentes. E aí eu pesquisei as práticas e as especificidades das parteiras africanas e afrodescendentes. Em outro capítulo, enfoquei as práticas dos médicos. A faculdade de medicina surge nesse formato, de faculdade, em 1832 na cidade do Rio de Janeiro e em Salvador. Ali, havia muitas teses no final do século XIX, na década de 80, que trazia ideias racistas sobre os corpos e os partos das mulheres negras, dentro também de uma linha do racismo científico do período na Europa e nos Estados Unidos. Pesquisei as práticas dos médicos, o uso de instrumentos obstétricos e a violência obstétrica. Existem alguns casos clínicos de jovens mulheres afrodescendentes, escravizadas que tinham a participação de vários médicos no momento do parto. Havia diversas situações opressivas para essas mulheres. Depois, pesquisei a amamentação. Enfoquei as amas de leite e os impactos da ocupação de ama de leite no Rio de Janeiro. Existia um mercado de aluguel de amas de leite muito amplo no século XIX inteiro. E também dei foco à questão da separação dos bebês e as famílias locatárias, que alugavam. As mulheres brancas não amamentavam seus próprios filhos. As que não tinham escravizadas nutrizes como suas propriedades alugavam mulheres de outros senhores. Cobrava-se mais caro pela mulher sem o próprio filho, pela mulher negra cativa sem o filho. Então, havia situações de separações, de abandonos de bebês. E tensões também dessas mulheres em ter de cuidar do bebê da senhora, se ela amamentasse a criança senhorial e não da locatária. Eram tensões de ter dois bebês. Muitas vezes o próprio filho era preterido. E tinha uma alta mortalidade das crianças negras. Também tratei das práticas da amamentação, a amamentação estendida de muitas mulheres africanas, centro-africanas, principalmente da região de Congo, Angola e Moçambique. Elas amarravam os bebês às costas. Davam de mamar, sobretudo, as lavadeiras, as quitandeiras que ficavam mais tempo distantes dos senhores. Elas podiam amamentar os filhos com mais frequência do que as amas de leite, do que as mucamas ou do que as mulheres que trabalhavam muito próximas dos senhores. No capítulo sobre a criação dos filhos, abordo a relação delas com as crianças pequenas. A criação era comunitária. Tinha a participação das suas comadres, das redes de parentesco, muitas vezes das mães delas, das avós. Muitas vezes, elas também participavam dos partos e das dificuldades, até a Lei do Ventre Livre, em que as mães e as crianças poderiam ser separadas até 1869. Tem uma lei de 1869 que proíbe separação de famílias e de mãe e filho até 15 anos. Havia as práticas de separações das crianças e a das vendas conjuntas. Muitas vezes essas mulheres eram vendidas com os filhos pequenos. Também há a questão dos infanticídios, quando, em situações de muita tensão, de ameaças senhoriais, de muita violência senhorial, elas tiravam a vida de seus filhos, das crianças pequenas. Elas tentavam também o suicídio e muitas delas sobreviveram. Enfim, são situações muito dramáticas e muito trágicas. Uma questão importante é que o Rio de Janeiro foi um porto que recebia até 1831, no Valongo, muitas africanas e africanos. A escravidão urbana nas grandes cidades sempre precisou muito dessas mulheres no trabalho doméstico ou no ganho de rua, como quitandeiras. Então, as mulheres eram muito numerosas no Rio de Janeiro, que era corte imperial também. Só para se ter noção, em 1849, o censo, apesar de seus problemas de imprecisões, registrou na cidade e nas franjas suburbanas aproximadamente 40 mil mulheres. Metade delas eram africanas. Essa demografia do tráfico contava com mulheres de Congo-Angola, dos portos de Benguela, de Luanda, de Cabinda, de Ambris, que eram mulheres também falantes das línguas Congo, ambundo, quicongo. Tive interesse em compreender as visões de mundo, a cultura e as reelaborações dessas mulheres na diáspora. Elas chegavam meninas, jovenzinhas, e reelaboraram, dentro das circunstâncias e das limitações da escravização, em diferentes momentos históricos, as suas práticas culturais de criação de filhos, o uso de amuletos para proteger os bebês, as redes de parentesco para evitar que os filhos fossem separados delas.</p>
<p>Havia boas fontes por aqui ou foi necessário fazer uma pesquisa fora do Brasil para completar seu trabalho?</p>
<p>Trabalhei com muitas teses de medicina. No século XIX, os estudantes de medicina tinham de fazer um trabalho de conclusão de curso, que chamavam tese de doutorado – mas não era o nosso doutorado. Um dos principais temas abordados era a questão da amamentação e da higiene infantil, dentro de um discurso que colocava as mulheres brancas em um novo papel social voltado para a função de mãe, como as responsáveis pelos cuidados dos filhos e pelo futuro da nação. Ao mesmo tempo, eram trabalhos que faziam críticas às amas de leite negras africanas e descendentes. Eram trabalhos que acabavam justificando, de alguma maneira, o uso de amas de leite, dizendo que as mulheres brancas eram frágeis, fracas, que o leite delas era pouco nutritivo. Então, eles justificavam, de algum modo, a prática escravista de alugar ou de usar mulheres mães escravizadas como amas de leite. Também pesquisei teses sobre menstruação e sobre aborto. Usei muitas fontes da medicina de casos clínicos, de atendimento dos médicos, geralmente da classe senhorial mais abastada – eles chamavam os médicos em último caso, diante de complicações na gestação ou no parto das mulheres cativas. Eles nem sempre conseguiam dar conta dos problemas no parto porque a cesariana só vai ser uma cirurgia segura no comecinho do século XX. Então, eles iam com fórceps e, muitas vezes, causavam lacerações nas mulheres e nas crianças. A gente vê, por meio dessas teses e dos casos clínicos, as práticas das parteiras a partir de uma análise das entrelinhas, das críticas que faziam a elas. Também usei muito jornais através da hemeroteca digital, que é uma base de dados da Biblioteca Nacional, com muitos jornais do século XIX digitalizados. Ali, encontrei muitos anúncios de fuga, de venda, de aluguel de mulheres grávidas ou com bebês e crianças pequenas. Também pesquisei literatura de viajantes estrangeiros que estiveram no Brasil, literatura de memórias de fazendeiras, de mulheres brancas escravistas, que escreviam sobre o cotidiano dentro de um discurso de paternalismo, de uma escravidão benigna, cheio de distorções, e também por meio de fotografias e pinturas. Eu investi num conjunto de fontes bem amplo para conseguir encontrar indícios desses aspectos das vidas das mulheres escravizadas, que não ficaram nos registros ou que eram pouco registrados nas fontes ligadas às instituições ou aos interesses das classes senhoriais brancas. Com relação a fontes estrangeiras, usei alguns manuais de medicina franceses. Pesquisei tudo isso através de buscas em bibliotecas digitais. Também em alguns livros de viajantes ingleses que estiveram na África Central e na África Ocidental. Fiz uma viagem durante o doutorado para Edimburgo, na Escócia, onde havia uma professora que pesquisava sobre mulheres escravizadas no Caribe britânico, na Jamaica. Ali, na biblioteca, foi muito importante o acesso que tive à bibliografia sobre parteiras e partos em algumas regiões da África. Então, a maior parte das pesquisas eu fiz no Brasil mesmo.</p>
<p>Que aspectos podem ser ressaltados das mulheres escravizadas no Rio de Janeiro antes e depois da Lei do Ventre Livre, em relação à sexualidade, maternidade, criação de filhos, morte de mães e filhos?</p>
<p>A Lei do Ventre Livre foi promulgada em 1871, no final do século XIX. Teve um impacto importante do ponto de vista do direito das mulheres escravizadas se manterem junto a seus filhos até os 8 anos, pelo menos. Porém, também foi muito conservadora porque a lei obrigava os “ingênuos”, como eram chamadas as crianças nascidas de ventre livre, a 21 anos de trabalho para os senhores. Aí, eles seriam libertos. Então, do ponto de vista do direito à maternidade, essas mulheres disputaram muito a lei, sobretudo quando a classe senhorial praticava escravização ilegal, ao tentar vender em separado mãe e crianças, principalmente na Bahia e no Nordeste. Algumas delas foram vendidas com os filhos, ou seja, respeitando a Lei do Ventre Livre. Muitas vezes, ela foi burlada, separando mães e crianças. Então, um dos impactos mais importantes foi a questão da manutenção dos vínculos maternos com as crianças. A Lei do Ventre Livre vai retroceder uma lei de 1869. Nessa, ficava estabelecida a proibição da venda em separado de mães e filhos de até 15 anos de idade. A do Ventre Livre, baixou essa idade para 12 anos. Ou seja, ela protegeu também a relação das mães com filhos nascidos antes da Lei do Ventre Livre, ou seja, para os filhos a quem legavam a sua condição escravizada. A Lei do Ventre Livre também teve impactos muito específicos com relação aos contextos, se era urbano ou se era rural. No caso da cidade do Rio de Janeiro, em que havia um mercado de aluguel de amas de leite bastante importante, muitos dos bebês ingênuos foram abandonados para que a mãe fosse alugada como ama de leite por um preço mais alto. Muitos desses senhores, sobretudo os das elites e das classes médias, não tinham interesse em criar essas crianças porque elas não seriam escravizadas. Então, a lei teve um impacto no mercado de amas de leite, principalmente no Rio de Janeiro. E houve um impacto com relação à sobrevivência dessas crianças. Muitas foram mortas, abandonadas nas ruas e nas rodas dos expostos, em que a Igreja Católica acolhia bebês abandonados. Havia projetos de lei que eram mais arrojados, vamos dizer assim. Eles previam uma libertação imediata, mas o que acabou vencendo foram os interesses senhoriais de postergar ao máximo a exploração dos filhos das mulheres escravizadas.</p>
<p>No livro, você destacou alguns nomes. Que material encontrou para falar delas? Como foi o resgate das histórias dessas mulheres?</p>
<p>Essa escolha dependeu muito da disponibilidade das fontes históricas. Por exemplo, um anúncio de fuga muitas vezes é um texto curto de um senhor ou de uma senhora que descreve os laços sociais, as roupas, o olhar senhorial sobre o físico, sobre o jeito [da pessoa escravizada]. No anúncio de busca dessas mulheres aparecem muitos detalhes das vidas delas. Alguns foram muito ricos nesse sentido, ao mostrar as relações que estavam indo encontrar com a mãe. Muitas dessas mulheres escravizadas tinham relações com mães que eram libertas ou escravizadas, fugindo junto com companheiros. Teresa Benguela era uma mulher comum, africana, embarcada no porto angolano de Benguela. Eu a escolhi, por exemplo, porque tem indícios muito interessantes em muitos desses anúncios que falam de traços da maternidade. A que eu pude aprofundar mais foi a Geralda, que era uma mulher ocupada como mucama. Ela foi vendida do Rio Grande do Sul. Pesquisei através da Gazeta dos Tribunais, que era uma revista que transcrevia partes de processo criminal. Os processos adentram mais na vida das pessoas envolvidas. Trabalhei também com a Marcelina, uma mulher que foi presa acusada de ter matado a locatária. Pelos testemunhos do processo é possível ver as tensões cotidianas, as relações de opressão e também os limites dessa mulher. Foi uma situação de luta corporal, em que ela é acusada de ter sufocado a senhora, a locatária, na verdade. A Ângela Maria é uma mulher que matou os filhos em um contexto de muitas ameaças da classe senhorial. Ela tentou se matar depois. Foi um infanticídio seguido de tentativa de suicídio. Ela tenta se matar afogada na praia do Flamengo. E assim, um envolvimento muito afetivo com essas pessoas, com essas mulheres do passado. Eu me esforcei em escrever [sobre elas]. O texto é historiográfico. Foi escrito dentro de uma pesquisa acadêmica, mas escrevi de maneira a respeitá-las, a tratá-las com dignidade e olhá-las com delicadeza dentro das relações sociais em que elas foram tão objetificadas, como foi a escravidão negra nas Américas. Tive um envolvimento profundo, tive momentos de tristeza, de identificação também com os indícios do que elas viveram, do que elas passaram. Como falar sobre temas delicados também, como falar sobre estupros, abusos sexuais de meninas de 12 anos, 11 anos, 10 anos? Isso aparecia também em algumas fontes da medicina. São casos de muito sofrimento. Então, foi desafiador falar sobre temas que são delicados e que tocam mulheres negras e as descendentes dessas africanas e afrodescendentes do século XIX. Essas são realidades, legados ainda da sociedade escravista.</p>
<p>Que indícios encontrou de Teresa Benguela [líder quilombola] e de Felipa Crioula [mulher escravizada que vivia no Rio de Janeiro no fim do século XIX]?</p>
<p>Encontrei indícios de Teresa Benguela em um anúncio de fuga. Dizia que ela fugia grávida e com uma criança pequena, um filho dela. Essa fuga falava da fuga dela da casa da senhora e do senhor e buscando dar à luz longe deles, indo para uma casa de uma comadre, de uma pessoa da comunidade afrodescendente, que era muito populosa na época em que ela viveu. Felipa Crioula também aparece em um anúncio de fuga, mas já no final do século XIX, em torno de 1872. É no contexto do Ventre Livre, em que as relações escravistas estão sendo colocadas em xeque pelos próprios escravizados. Nesse anúncio de fuga, parece que ela está grávida, quase a ponto de dar à luz. Ela é vista por pessoas conhecidas da casa senhorial, trocando de roupa e de nome. E com pessoas que conhecia. Ou seja, ela mobilizou uma rede de solidariedade. Ela tinha outros filhos também. Achei em um jornal que ela entrou com uma ação de liberdade, um processo em que os escravizados acionavam a Justiça para se alforriarem, para fazer a auto compra.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asAuPyC7lzoHHyHyN.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="A fotografia "Partida para a Colheita do Café, Vale do Paraíba, c. 1882", de Marc Ferrez, está no livro."/>
<p>De que modo sua pesquisa se conecta a outros trabalhos relativos às populações escravizadas que saíram da África e foram levadas às Américas?</p>
<p>Minha pesquisa se insere dentro da tradição da história social, mais especificamente da história social das mulheres e da história social da escravidão. É uma linha historiográfica que tenta recuperar, analisar e compreender o mundo social, econômico e político a partir das perspectivas desses grupos sociais; no caso, de subalternizados como foram as africanas, africanos e seus descendentes que foram atravessados pela escravização. Acredito que o meu trabalho dialoga muito com trabalhos sobre mulheres negras e maternidade no sul dos Estados Unidos e no Caribe. A gente poderia falar de uma perspectiva Atlântica. Busquei também o que havia de comum, o que aproximou as vivências dessas mulheres nesses diferentes países – alguns eram independentes, outros eram colônias. Entendo meu trabalho como diálogo com estudos da diáspora africana e das reelaborações das culturas, dos modos de viver e de se relacionar, e dos cultos e da espiritualidade dessas pessoas, sobretudo meninas e mulheres africanas. É também uma história de sobrevivência, de muita luta, e dores e lamentos, mas também de vitórias. Eu tive um mestre, Flávio dos Santos Gomes, professor na UFRJ, que foi muito importante na minha pesquisa de doutorado. Ele é um grande historiador da escravidão, dos quilombos e é um homem negro. Ele me dizia: as pessoas escravizadas são pressionadas pela escravidão, mas não são reduzidas a ela. Então, esse olhar da história social e o olhar que eu dirigi para essas mulheres, quando interpretei as fontes históricas, foi para inserir num contexto maior as suas vivências, as suas relações sociais. Escrevi com esse objetivo de olhá-las para além da condição de escravidão. Olhei também suas outras identidades, os seus outros pertencimentos, as suas relações familiares, suas relações amorosas e sexuais, suas relações com seus filhos, com a comadre, e, enfim, com os senhores, que eram muito tensas.</p>
<p>O interesse por uma edição em inglês foi atendendo a pedidos de outros pesquisadores e universidades?</p>
<p>O caminho para a publicação desse livro se deu sobretudo quando eu recebi um prêmio pela minha tese de doutorado, como a melhor tese pela Lasa, a Latin American Studies Association. É um prêmio considerado nas universidades norte-americanas. Uma colega me sugeriu que eu entrasse em contato com essa editora. Daí teve todo um processo de pareceristas, de pessoas que leram a obra em português, que avaliaram e fizeram sugestões. Fiz algumas mudanças e aí o livro foi traduzido. De uns anos para cá, tem sido criadas redes de pesquisadoras e pesquisadores, de historiadoras e historiadores que abordam mulheres africanas e afrodescendentes numa perspectiva atlântica. Então, tem vários grupos de pesquisa que estão se conectando, como historiadores que trabalham com gênero e escravidão nas Américas. Por uma questão linguística, o português não é lido pelos pesquisadores anglófonos. Acho que há interesse pelas universidades do sul dos Estados Unidos, como a da Geórgia. Essa universidade tem uma série de publicações que se chama “Gender and Slavery”, sobre gênero e escravidão. A edição é uma possibilidade para o público anglófono, sobretudo para se aproximarem dos estudos sobre a escravidão no Brasil, é muito pouco conhecida por eles – apesar de a nossa escravidão ter sido a mais longa e nós termos sido o país que mais recebeu africanas e africanos entre todas as Américas.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Para chefe do YouTube na América Latina, liderar é também decidir onde investir o tempo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/para-chefe-do-youtube-na-america-latina-liderar-e-tambem-decidir-onde-investir-o-tempo</link>
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      <pubDate>Wed, 01 Jul 2026 20:12:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<h2>Mulheres na liderança: experiências e desafios no mundo do trabalho</h2>
<p>O YouTube é uma das maiores empresas de mídia do mundo em receita e em audiência. No Brasil, a base de usuários chega a 144 milhões de pessoas. Um dos segmentos em que a plataforma mais cresce no país é o esportivo, com transmissões que estão fazendo história, como 100% dos jogos da Copa do Mundo, projeto em parceria com a Cazé TV. O setor é conhecido por ser liderado em sua imensa maioria por homens. Pelo lado do YouTube, quem dá as cartas, como diretora-geral da América Latina, é Patricia Muratori, profissional que saiu do mercado de agências de publicidade para entrar no Google há 13 anos.</p>
<p>Em seu papel de liderança, ela se dedica a promover a equidade de gênero nas tomadas de decisão e em posições de comando na companhia. E também oferece mentorias a profissionais que podem galgar posições na companhia.</p>
<p>O  GSW Brasil  inaugura com esta entrevista uma série de conversas com lideranças femininas de diferentes segmentos sobre experiências e desafios na sociedade contemporânea.</p>
<p>Há quanto tempo você desempenha cargos de liderança no YouTube? E antes do YouTube?</p>
<p>Tenho o privilégio de comandar a estratégia da plataforma na região como diretora-geral do YouTube para a América Latina, liderando times talentosos e multifuncionais espalhados por diversos países. Minha história no Google, onde inicialmente liderei as equipes de vendas nos segmentos de telecom e varejo, já soma 13 anos. Antes de ingressar na empresa, construí minha carreira no mercado publicitário. Minha última posição nessa área foi como diretora-geral de mídia na DM9DDB. Nessa trajetória, sempre estive à frente do lado estratégico e da construção de grandes marcas. Hoje, enxergo a liderança de uma maneira muito mais ampla. Vai além de gerenciar negócios ou chefiar equipes. Trata-se de ocupar uma posição de influência positiva e transformação, tanto internamente, no desenvolvimento das nossas pessoas, quanto externamente, no impacto que geramos no ecossistema digital. </p>
<p>Falando da perspectiva de uma mulher na liderança de uma empresa de tecnologia e também conectada ao audiovisual, que desafios encontrava ao desempenhar seu papel profissional e sua rotina pessoal? Entendemos que o Google é diferente das empresas mais tradicionais, mas mesmo assim pergunto. No seu entorno, percebia questões que mereciam mais atenção?</p>
<p>Mesmo em um ambiente inovador e culturalmente avançado como o do Google, os desafios de conciliar a liderança executiva com a rotina pessoal exigem muita inteligência emocional e, acima de tudo, um olhar muito consciente sobre nossas escolhas. Nós, mulheres, costumamos acumular múltiplas funções. Liderar, para mim, também significa decidir onde investir o nosso ativo mais valioso: o tempo. Entre minha família, a carreira, projetos voluntários, estudos contínuos e cadeiras em conselhos, o que existe é uma gestão mais cuidadosa de prioridades. Confesso que não acredito na ideia romântica de equilíbrio perfeito. O que funciona, na prática, é dedicar presença absoluta para cada “prato” que decido equilibrar, dependendo do momento. No âmbito corporativo, barreiras invisíveis e fenômenos como a Síndrome da Impostora são realidades complexas que muitas de nós enfrentamos ao longo da carreira. Tive o privilégio de contar com excelentes aliados, aliadas, referências e grandes mentores na minha jornada, mas, a falta de representatividade e de referências femininas no topo da pirâmide sempre foi uma questão que mereceu mais atenção. É justamente por entender essa lacuna que faço questão de dedicar parte do meu tempo à mentoria de lideranças femininas. E esse olhar para a diversidade vai além do gênero: tive a honra de liderar o comitê de pessoas com deficiência no YouTube globalmente. Para mim, o papel da liderança atual é ajudar a pavimentar o caminho e abrir portas para que todas as pluralidades possam, genuinamente, ocupar espaços de decisão. </p>
<p>E hoje? O YouTube lidera um movimento importante, de transformação do consumo de mídia e de expansão do audiovisual? Que ambiente encontra? Um dos segmentos em que o YouTube cresce é justamente no campo esportivo, sabidamente um setor dominado por homens – que o diga Leila Pereira (presidente do Palmeiras).</p>
<p>O ambiente atual no mercado é de transformação e consolidação. Estamos vivenciando um marco histórico no Brasil: a TV conectada superou o celular e tornou-se a principal tela de consumo do YouTube dentro das casas brasileiras, consolidando a plataforma como o serviço de streaming número um do país. Os criadores deixaram de ser apenas “canais" e se transformaram em verdadeiras startups de entretenimento que definem o horário nobre. Viver essa transformação como mulher traz uma camada profunda de responsabilidade. O audiovisual e a tecnologia — e, de forma ainda mais acentuada, o campo esportivo, que é um dos segmentos onde o YouTube mais cresce — são setores sabidamente dominados por homens, como bem pontua o exemplo da Leila Pereira. Estar na liderança desse movimento significa ter de provar nossa competência constantemente, mas também nos dá a oportunidade única de moldar como esses novos espaços são construídos. Como mulher, tenho o compromisso, pessoal e profissional, de garantir que essa transformação não seja apenas tecnológica, mas também inclusiva. Promover intencionalmente a equidade de gênero nas tomadas de decisão e em cargos de liderança na equipe e fomentar parcerias e ecossistemas plurais no nosso relacionamento externo são algumas das maneiras que tenho buscado na minha atuação profissional. Ocupar essa cadeira me permite abrir portas para que a nova era do entretenimento digital seja escrita por muitas outras vozes femininas.</p>
<p>Como as mulheres podem assumir posições de liderança nesses setores: tecnologia e audiovisual? O que tem ouvido das pessoas que estão nesses postos?</p>
<p>O caminho para que mais mulheres assumam posições de destaque nesses setores passa pela criação de redes de mentoria, engajamento em governança corporativa e o fortalecimento mútuo. Ouvindo outras executivas e lideranças, fica evidente que precisamos ir além do discurso e aplicar o conceito de capitalismo consciente na prática, gerando oportunidades reais de ascensão e, principalmente, puxar a próxima cadeira. Devemos investir ativamente no desenvolvimento da nova geração de talentos, quebrando ciclos históricos de exclusão. O topo só será verdadeiramente plural se pavimentarmos o acesso desde a base. </p>
<p>Por fim, uma pergunta sobre IA: afinal, ela tem ajudado com a rotina a ponto de permitir mais tempo para outras demandas, inclusive as pessoais? Muito se teme a IA como "eliminadora de empregos", mas ela pode ser uma facilitadora para que os profissionais, em especial as mulheres (que têm dupla jornada), tenham mais tempo para outras atividades?</p>
<p>Sem dúvidas. No YouTube, nós enxergamos a Inteligência Artificial não como uma substituta da capacidade humana, mas como a próxima grande alavanca para a criatividade. Ferramentas de IA generativa estão ajudando criadores e profissionais a superar barreiras, otimizando o tempo de produção de forma inovadora. Um exemplo prático e revolucionário que demonstramos recentemente é o recurso de dublagem automática por IA, que permite que um criador fale com mais pessoas mantendo sua própria voz em outros idiomas, expandindo audiências. Quando a tecnologia assume tarefas repetitivas e operacionais, ela atua diretamente como uma facilitadora de tempo. Para as mulheres, que frequentemente enfrentam os desafios da dupla jornada, a IA tem o potencial de ser uma aliada, devolvendo horas preciosas do dia para que possamos focar em decisões estratégicas, na nossa criatividade e, fundamentalmente, na nossa vida pessoal e bem-estar.</p>
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        <media:title>Patricia-Muratori-YouTube</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Setor privado reforça combate à violência contra a mulher</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/setor-privado-reforca-combate-a-violencia-contra-a-mulher</link>
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      <pubDate>Mon, 29 Jun 2026 21:41:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A violência contra a mulher e os casos de feminicídio no Brasil têm causas que se entrelaçam. É resultado de questões culturais, raciais e institucionais que se reforçam mutuamente na sociedade brasileira. </p>
<p>Os números que avaliam esse cenário conjunto impressionam por si só. Os relatos individuais encontrados nas redes sociais se multiplicam a cada ano e muitas mulheres seguem mal informadas sobre como se proteger de casos de agressão antes que a violência se torne uma estatística de feminicídio. </p>
<p>“A falta de conhecimento dos canais de ajuda leva muitas mulheres a não tomarem medidas de proteção. Daí, os casos podem evoluir para situações fatais. É preciso agir antes, criando uma rede de apoio física ou virtual”, afirma Fabiano Moraes, advogado e cofundador do Assistência Maria, um serviço de apoio à mulher feito por geolocalização e que o agressor não consegue identificar de forma fácil.</p>
<p>Segundo Moraes, a primeira medida do agressor é vasculhar o celular da mulher. “Ele vai em busca de aplicativos, fotos e contatos de homens no WhatsApp. Esse é um comportamento já mapeado.” </p>
<p>O serviço Assistência Maria não é um aplicativo. É um contato no WhatsApp de uma mulher negra que pode ter qualquer nome. A escolha desse perfil, explica Moraes, faz referência ao recorte racial relativo à violência feminina no Brasil: 62,6% das vítimas são negras. </p>
<p>“O agressor não identifica de forma fácil que aquele contato é um canal de assistência que oferece uma gama de serviços à mulher, que vai desde orientação legal, saúde, proteção física dela e dos filhos. O direcionamento é feito por geolocalização, ou seja, direcionado de forma muito específica”, diz. </p>
<p>A ferramenta também possibilita a criação de uma rede de apoio de pessoas que serão acionadas caso a mulher esteja em situação de risco. O serviço é oferecido como um dos benefícios comercializados nos pacotes das seguradoras. Também pode ser contratado junto com a aquisição de uma linha de financiamento habitacional do banco Caixa Econômica Federal. </p>
<p>Moraes ressalta que o risco maior está no ambiente doméstico. Em 2025, quase 70% das agressões ocorreram em casa, sendo 40,76% no lar da vítima e 28,58% em residência compartilhada com o suspeito. Os dados são da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, que considerou 155.111 denúncias de violência contra às mulheres. </p>
<h2>Alerta para mulheres</h2>
<p>Para aqueles que já ouviram a antiga expressão “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”, a empresária do segmento de varejo Luiza Trajano responde “Eu meto sim.” Esse é o mote de uma campanha lançada pela presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza (Magalu), uma das maiores potências de varejo e tecnologia do Brasil. A companhia fatura cerca de R$ 70 bilhões anualmente, opera mais de 1.250 lojas físicas espalhadas por 21 estados brasileiros e possui um quadro com mais de 40.000 funcionários.</p>
<p>A empresária conta que o Magalu assumiu uma posição firme: em briga de marido e mulher, a gente mete a colher, sim. “Reforçamos a importância dessa luta com um dado alarmante: 75% das mulheres no Brasil desconhecem seus próprios direitos em casos de violência. Elas precisam saber que não estão sozinhas”, diz a empresária no vídeo de divulgação da campanha nas redes sociais. A iniciativa faz parte das medidas adotadas pela varejista a partir da morte de uma gerente da companhia, em 2017. Ela tinha 37 anos e foi assassinada pelo marido dentro de casa, em Campinas, no interior paulista. </p>
<p>A primeira ação do Magalu foi criar o Canal Mulher, uma linha interna sigilosa para que as funcionárias pudessem fazer denúncias. Outra medida foi incluir no aplicativo da rede varejista um botão para que a usuária se conecte ao Ligue 180. Investir em comunicação, orientando as mulheres a reconhecer a escalada de violência foi mais uma iniciativa.</p>
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        <media:title>Celular na mão de mulher </media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Avanço das mulheres na liderança no Brasil é maior que em outros países</title>
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      <pubDate>Wed, 24 Jun 2026 15:33:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A presença feminina em altos cargos de liderança recuou tanto nas grandes corporações como nas empresas de médio porte de forma global. O Brasil, entretanto, seguiu outra via. O país avançou na representatividade feminina na alta gestão, apresentando percentual superior ao da média global. Esse cenário foi traçado pela pesquisa “Woman in Business 2026”, feita pela consultoria Grant Thornton. </p>
<p>O Brasil mostrou avanço na representatividade feminina na alta gestão, alcançando 37,7% de mulheres em posições seniores em 2026, aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. A consultoria global atribui o avanço às alterações previstas na Lei 14.611/2023, que obriga empresas com mais de 100 empregados a divulgar salários e critérios remuneratórios em relatórios de transparência a serem enviados ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). </p>
<p>Com isso, o país apresenta um dos menores índices de empresas sem mulheres em cargos de liderança. “Vimos bons avanços aqui no Brasil, mas é importante não estagnarmos neste patamar”, diz Élica Martins, Sócia de Auditoria da Grant Thornton Brasil, em material de divulgação. </p>
<h2>Crescimento na América do Sul</h2>
<p>Por região, a América do Sul segue com o maior percentual de mulheres na alta liderança, alcançando 37,0%, apesar de uma pequena redução de 0,2 ponto percentual em 2026. O Chile se destaca com a aprovação de um projeto de lei que promove a diversidade de gênero em conselhos corporativos. </p>
<p>Ao olhar de forma mais ampla, todas as regiões, exceto a Europa, apresentaram redução no percentual de mulheres na alta liderança em 2026. Na Europa, houve um pequeno aumento de 0,1 ponto percentual, enquanto que a África e a América do Norte registraram quedas superiores a 2,0 pontos percentuais. </p>
<p>A região Ásia-Pacífico continua com o menor percentual geral de líderes mulheres, com 31,8%. Apesar de incluir países de bom desempenho, como Filipinas e Tailândia, também concentra os dois países com os menores índices: Coreia do Sul e Japão. De forma positiva, porém, o Japão registrou um aumento de 3,1 pontos percentuais, superando pela primeira vez o marco de 20%. </p>
<h2>Liderança no setor público </h2>
<p>Com relação à participação feminina na alta liderança da estrutura administrativa federal do Brasil, a pesquisa ‘Perfil das Lideranças no Governo Federal – Recorte de Gênero” mostra um avanço significativo em quatro anos, saindo de 29%, fevereiro de 2022, para 38% em fevereiro de 2026. No total dos cargos de liderança, a presença de mulheres era de 39% em 2022. </p>
<p>Embora a presença feminina ainda não alcance a paridade plena nesse ambiente de trabalho, a trajetória dos últimos anos revela tendência de crescimento gradual, de acordo com a coordenadora-geral de Informações Gerenciais do  Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos  (MGI), Mayara Farias.  </p>
<p>As conquistas nessa esfera são, em boa medida, relacionadas às ações de afirmação do governo. Um exemplo é o que foi estabelecido no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no qual deveria haver equiparação no número de mulheres convocadas em relação aos homens. “Políticas de inclusão e equidade vêm produzindo efeitos, ainda que o caminho para igualdade substantiva permaneça em construção", diz Mayara. </p>
<h2>Custo pessoal e novos desafios</h2>
<p>O avanço feminino em cargos de liderança no país é positivo, mas é preciso notar o custo pessoal para cobrir a diferença competitiva já existente entre homens e mulheres. Há muito tempo que as mulheres em cargos de liderança sofrem mais com a síndrome de burnout. Em 2025, esse sintoma foi identificado em um grupo expressivo de líderes mulheres. Foi o mais alto em muito tempo mostra uma pesquisa da organização Lean In, feita em parceria com a consultoria McKinsey & Company. </p>
<p>A pesquisa "Mulheres no Ambiente de Trabalho 2025" — o maior estudo do gênero, baseado em dados de mais de 120 empresas e 9 mil funcionários — aponta para um momento crucial: o recuo das empresas com o movimento de diversificação de gênero e isso tem levado as mulheres a dobrar seu empenho, o que tem gerado exaustão emocional e profissional. E a inteligência artificial representa uma pressão adicional a esse quadro sintomático. </p>
<p>Os dados mostram que há uma probabilidade 27% maior de homens receberem elogios por seus esforços ao utilizar IA. Já as mulheres receiam ser vistas como trapaceiras ao usarem ferramentas de IA. Em 32% das mulheres entrevistadas, essa é a preocupação.  </p>
<h2>Inteligência artificial</h2>
<p>O estudo não traz recorte sobre o mercado de trabalho brasileiro, mas o que se percebe é que o uso de IA tem se difundido de forma mais positiva entre as profissionais e que a adoção da tecnologia está otimizando de forma consistente o fluxo de trabalho. E não é apenas na carreira, as mulheres estão dinamizando a vida pessoal com os agentes de IA. Só que o equilíbrio entre o uso dessas ferramentas e os demais aspectos pessoais estão em fase de amadurecimento para se alcançar um equilíbrio. </p>
<p>"Estou exercitando a disciplina pessoal para conseguir usar o tempo livre para atividades que não sejam relacionadas ao trabalho. Mas, é complicado porque a IA otimiza os processos e propicia ganho de tempo, só que eu acabo inserindo mais tarefas e isso gera novas ansiedades", diz Tati Oliva, sócia-fundadora da Cross Networking, consultoria de parcerias estratégicas. </p>
<p>Apesar de precisar estar equilirando pratos, a executiva defende o uso da tecnologia.  "Uso a IA para gerar informação, não para gerar confiança. Nada substitui as relações e as experiências presenciais. É a partir disso que geramos dados. Eu pego esses dados e jogo na IA, que mostra caminhos para melhorar o negócio, mas a direção e a visão estratégica é do gestor", afirma. Tati Oliva.</p>
<p>A dificuldade de equilibrar o benefício que a tecnologia propicia com os demais aspectos da vida acaba abrindo novos desafios para as profissionais. Quanto mais informação se consegue alcançar, mais tempo sobra. Só que esse tempo acaba sendo usado para adicionar mais trabalho. “Aí vem a exaustão mental. Eu tenho que me esforçar para usar esse tempo para o meu descanso. Num mundo com excesso de informação, multitelas e ainda por cima uma Copa do Mundo no meio do caminho, a gente não vai dar conta de tudo. Não tem versão otimizada de agenda que resolva isso”, diz Lisiane Lemos, executiva de tecnologia, cofundadora do Instituto Conselheira 101, mentora no Black Founders Fund do Google e professora no MBA de Tecnologia para Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). </p>
<p>Para a gerente médica do grupo de Atenção Primária e Doenças Raras da farmacêutica Daiichi Sankyo Brasil, Renata Gebara, a IA ajuda mais do que atrapalha.  “A inteligência artificial propicia acessar estudos científicos relevantes que são necessários para as minhas pesquisas. A busca é muito mais eficiente, tanto de qualidade dos dados como no design que eles são apresentados. Isso se traduz em mais tempo livre porque eu consigo terminar minhas pesquisas mais rápido e dedicar mais tempo para as crianças e casa. Com relação ao tempo para desenvolvimento pessoal, bom, esse ainda preciso buscar mais tempo”, diz. </p>
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        <media:title>Executivas brasileiras</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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      <title>Dignidade feminina na África e no Brasil</title>
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      <pubDate>Thu, 18 Jun 2026 20:37:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Uma mancha de sangue em formato oval ilustrou a parte central da capa de um dos jornais diários mais influentes da África do Sul, o The Star. Não era mais uma notícia relacionada a um caso de violência física. Era uma campanha nacional para chamar a atenção sobre a Justiça Menstrual. A mensagem central era: “Um jornal pode absorver o sangue, mas não a vergonha.” </p>
<p>A imagem não se limitou à capa. Quem foleou até a terceira página, encontrou a mesma mancha de sangue, o que evidenciou a profundidade do problema social vivenciado naquele país. Segundo a MENstruation Foundation, a pobreza menstrual afeta uma em cada três meninas em idade escolar. Até quatro milhões de estudantes recorrem a alternativas precárias e insalubres, como jornais, panos ou papel higiênico, por não terem condições de comprar produtos menstruais.  </p>
<p>A MENstruation Foundation é a maior organização sem fins lucrativos da África dedicada à distribuição gratuita de absorventes, atendendo cerca de 100 mil meninas por mês. A organização fez parceria com a agência de publicidade Joe Public e com o grupo Independent Media, para apresentar a campanha nos jornais The Star, The Mercury e Cape Times, no começo de junho deste ano.  </p>
<h2>Cenario brasileiro</h2>
<p>No Brasil, em 2021, a Unicef e a UNFPA traçaram um panorama alarmante da realidade menstrual vivida por meninas brasileiras. Na época, uma enquete feita pela da Unicef e Viração na plataforma U-Report Brasil mostrava que 37% das adolescentes e jovens que menstruam tinham dificuldades de acesso a itens de higiene em escolas ou locais públicos.  </p>
<p>No mesmo ano, em 2021, o governo brasileiro instituiu o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, alterando a Lei 11.346/ 2006, para determinar que as cestas básicas entregues no âmbito do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) deverão conter como item essencial o absorvente higiênico feminino. Em 2023, o governo regulamentou o programa de 2021 para assegurar a oferta gratuita de absorventes higiênicos e outros cuidados básicos de saúde menstrual, com vistas à promoção da dignidade menstrual. No ano seguinte, em 2024, lançou o programa Dignidade Menstrual. </p>
<p>A iniciativa alcançou 2,1 milhões de pessoas em todo o Brasil. Foram distribuídos mais de 240 milhões de unidades de absorventes em mais de 31 mil estabelecimentos credenciados no Programa Farmácia Popular do Brasil. Os estados brasileiros do Nordeste com o maior número de mulheres beneficiadas foram Bahia, Ceará e Pernambuco, de acordo com a Agência Gov.  </p>
<h2>Projetos em andamento no Congresso</h2>
<p>Em 2020, a deputada Tabata Amaral, que há época estava filiada ao PDT-SP, apresentou o Projeto de Lei 428/20, que tinha como objetivo principal propiciar a oferta de absorventes higiênicos em espaços públicos. Em 2022, a deputada apresentou o Projeto de Lei 1396/2022, que propõe a instituição do dia 28 de maio como o ‘Dia Nacional da Dignidade menstrual’. </p>
<p>Tabata é uma das parlamentares que mais contribuem para que a discussão ganhe proporções nacionais. Há uma semana, a deputada, que atualmente está no PSB-SP, fez um vídeo nas redes sociais alertando para o fato de que 20 milhões de meninas e mulheres ainda desconhecem o Programa Dignidade Menstrual, que distribui gratuitamente absorventes pela rede Farmácia Popular do país. </p>
<p>A ausência nas escolas, com prejuízo à educação das meninas, também tem relação direta com a menstruação. De acordo com o Ministério das Mulheres, pesquisas indicam que uma em cada quatro meninas falta à escola durante o período menstrual por falta de acesso a produtos básicos de higiene.  </p>
<p>Os dados também revelam que cerca de 4 milhões de meninas sofrem com pelo menos uma privação de higiene nas escolas (acesso a absorventes e instalações básicas tais como banheiros e sabonetes). Além disso, apenas 20% das alunas sentiam-se bem informadas na ocasião da primeira menstruação, que geralmente ocorre entre 10 e 13 anos de idade. </p>
<p>Essa falta de informação, aliada aos preconceitos e à carência no acesso a itens de higiene pessoal, gera desconforto, constrangimento e até bullying, o que exclui as meninas de diversas atividades cotidianas. Ainda de acordo com as pesquisas, as mulheres que estão entre os 5% mais pobres da população precisam trabalhar até quatro anos só para custear os absorventes que usarão ao longo da vida. No Brasil, 33% das mulheres já usaram papel higiênico no lugar do absorvente. </p>
<p>Nos presídios, a deputada federal Renata Abreu (Podemos-SP) apresentou o Projeto de Lei 59/2023 para garantir a distribuição de absorventes e papel higiênico em todas as unidades prisionais do país. A parlamentar também defendeu a redução de 60% das alíquotas sobre produtos de saúde menstrual, o que o inclui absorventes, tampões e coletores menstruais. Sua proposta foi incluída no âmbito da discussão da reforma tributária. </p>
<h2>Reforma tributária</h2>
<p>A aprovação da reforma tributária trouxe como benefícios específicos para as mulheres a isenção de 100% dos tributos para produtos de cuidados básicos à saúde menstrual, além da redução de 60% das alíquotas do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) para o DIU (dispositivo intrauterino). As mudanças nas alíquotas serão implementadas de forma gradual a partir de 2027, com transição até 2033. O movimento se estende à Europa. Na Alemanha, as mulheres fizeram uma campanha para redução da tributação sobre absorventes e repasse do benefício no preço.  </p>
<p>Outros projetos relacionados aos cuidados pessoais e saúde menstrual seguem em tramitação e análise legislativa nas duas casas Câmara e Senado, entre eles o de a licença menstrual que prevê o direito a um afastamento remunerado de até 2 dias consecutivos por mês para mulheres que sofrem com sintomas graves associados ao fluxo menstrual (como cólicas severas e endometriose), mediante a apresentação de laudo médico. Especialistas dizem que o Brasil já avançou de forma significativa na luta contra a pobreza menstrual e saúde da mulher, mas que ainda há etapas importantes a serem vencidas. </p>
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        <media:credit role="photographer">Reprodução redes sociais</media:credit>
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        <media:title>Jornal da África do Sul 'The Start'</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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