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    <title>Global South World Brasil - Mudanças climáticas</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Obesidade, crise climática e uso malicioso da IA: ameaças à sobrevivência humana?</title>
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      <pubDate>Mon, 12 Oct 2026 13:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Obesidade, desigualdade de renda, baixa escolaridade, mudanças climáticas, pandemias, conflitos armados e uso malicioso da inteligência artificial estão entre as 17 grandes ameaças que podem comprometer a saúde, a segurança e as condições de vida da humanidade até 2100. Duas delas, a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial, são consideradas capazes de provocar consequências extremas, incluindo a possibilidade de extinção humana.</p>
<p>Essa é a conclusão de um estudo publicado no sábado, 10, pela revista científica  The Lancet , que reuniu 35 especialistas de diferentes regiões para investigar os riscos que poderão afetar as próximas gerações. O comitê analisou dados e projeções de 204 países e territórios. Seu objetivo foi identificar não apenas ameaças capazes de provocar grandes perdas de saúde, mas também o que governos e instituições internacionais podem fazer para preveni-las ou reduzir suas consequências.</p>
<p>Intitulado  “The Lancet Commission on 21st century global threats to health” , o estudo propõe que os países ampliem sua preparação para além das crises sanitárias tradicionais. Problemas de evolução lenta, como desigualdade, doenças crônicas e envelhecimento com perda de saúde, também podem produzir consequências extraordinárias.</p>
<p>Os pesquisadores escolheram analisar o período de 2025 a 2100, um intervalo de 75 anos, para avaliar como diferentes ameaças podem evoluir ao longo do século e quais danos poderiam ser evitados por medidas de prevenção, políticas públicas e avanços científicos.</p>
<p>A escolha do ano de 2100 tem uma finalidade prática: estabelecer um horizonte comum para comparar riscos muito diferentes, desde doenças que já afetam milhões de pessoas até acontecimentos extremos que podem ocorrer no futuro. Esse período também permite examinar as consequências de decisões tomadas hoje sobre as próximas gerações.</p>
<p>O trabalho conta com a participação de dois pesquisadores brasileiros: a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade Lima (entre janeiro de 2023 e março de 2025), ex-presidente da Fiocruz, e Luiz Augusto Galvão, pesquisador sênior do Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fiocruz.</p>
<h2>Quais são as 17 ameaças e por que preocupam</h2>
<p>Para avaliar os riscos até 2100, os pesquisadores consideraram tanto problemas que já provocam doenças e mortes quanto acontecimentos extremos que, embora incertos, poderiam ameaçar a própria sobrevivência da humanidade.</p>
<p>Entre as 17 ameaças selecionadas, duas receberam uma classificação especial: a guerra nuclear e o uso malicioso da inteligência artificial. Segundo o estudo, ambas poderiam, em determinadas circunstâncias, provocar consequências tão graves e disseminadas que colocariam em risco a existência da espécie humana.</p>
<p>No caso de uma guerra nuclear, a preocupação vai além da explosão de artefatos. De acordo com o estudo, a fumaça lançada na atmosfera poderia reduzir a luz solar, comprometer a produção agrícola em escala mundial e desencadear fome generalizada. Já a inteligência artificial poderia ser utilizada, por exemplo, para facilitar a criação de armas biológicas extremamente perigosas.</p>
<p>As consequências possíveis desses acontecimentos são graves o suficiente, na análise dos especialistas consultados pela Lancet, para justificar medidas de prevenção, mesmo diante das incertezas.</p>
<p>As outras 15 ameaças foram classificadas como riscos de consequências catastróficas para a saúde. São problemas capazes de provocar um número extraordinário de mortes, doenças e incapacidades ao longo das próximas décadas. Elas, porém, mas estão enquadradas pelo estudo como riscos de extinção da humanidade.</p>
<p>Nesse grupo estão desde fatores de risco conhecidos, como pressão alta e tabagismo, até problemas estruturais, como desigualdade de renda e baixa escolaridade, além de pandemias, conflitos armados e mudanças climáticas.</p>
<p>A distinção é importante porque o estudo não mede apenas a possibilidade de uma catástrofe acontecer. Ele também procura calcular quanto dos danos à saúde poderia ser evitado por meio de políticas públicas, prevenção e avanços científicos.</p>
<p>As duas ameaças com potencial de extinção são:</p>
<p>As outras 15 ameaças são:</p>
<p>Essas ameaças estão interligadas. Uma criança que cresce em situação de pobreza, por exemplo, pode enfrentar simultaneamente desnutrição, dificuldades de acesso à educação e falta de atendimento médico. Mudanças climáticas e conflitos podem agravar essas condições.</p>
<h2>Obesidade e desigualdade podem provocar perdas extraordinárias</h2>
<p>Para comparar problemas tão diferentes, os pesquisadores utilizaram uma medida chamada DALY (Disability-Adjusted Life Year), conceito em inglês que significa ano de vida ajustado por incapacidade. Ela calcula os anos de vida saudável perdidos tanto por mortes prematuras quanto pelo tempo vivido com doenças ou limitações de saúde.</p>
<p>A pesquisa compara dois futuros possíveis para cada ameaça: um cenário favorável e outro desfavorável. A diferença entre eles representa a quantidade de anos de vida saudável que poderia ser preservada por políticas públicas e outras medidas de prevenção.</p>
<p>A maior diferença aparece na categoria que reúne obesidade, alimentação inadequada e baixa atividade física. No cálculo dos cientistas, 23,1 bilhões de anos de vida saudável são potencialmente preserváveis entre 2025 e 2100 se esses problemas forem enfrentados de forma eficaz.</p>
<p>Em seguida estão a baixa escolaridade, com 16,1 bilhões, e a desigualdade de renda, com 13,8 bilhões. Problemas de saúde mental representam 9,35 bilhões, enquanto o envelhecimento com problemas de saúde responde por 8,26 bilhões.</p>
<p>Esses números não representam previsões de mortes nem significam que uma ameaça seja necessariamente mais grave do que outra. Eles expressam o potencial de redução dos danos dentro dos cenários considerados pelos pesquisadores.</p>
<h2>O desafio do clima</h2>
<p>As mudanças climáticas representam uma dificuldade particular para os pesquisadores porque nem todas as suas consequências sobre a saúde podem ser quantificadas. O estudo estima em 1,89 bilhão os anos de vida saudável potencialmente preserváveis por medidas capazes de reduzir os impactos do aquecimento global.</p>
<p>Esse cálculo, entretanto, não incorpora integralmente consequências como deslocamentos populacionais, perdas econômicas, alterações na produção de alimentos e outros efeitos indiretos sobre as condições de vida. Por isso, os autores alertam que os resultados podem subestimar a dimensão dos danos.</p>
<h2>Viver mais não significa viver mais tempo com saúde</h2>
<p>No cenário em que as tendências atuais continuam, a expectativa de vida mundial deverá aumentar 8,65 anos entre 2025 e 2100.</p>
<p>Já a expectativa de vida saudável crescerá apenas 5,69 anos.</p>
<p>A diferença significa que as pessoas poderão viver mais, mas também passar uma parcela maior da vida convivendo com doenças crônicas ou limitações físicas e mentais.</p>
<p>Diabetes, doenças cardiovasculares, problemas musculoesqueléticos e transtornos mentais estão entre as condições que contribuem para esse cenário.</p>
<p>O resultado reforça a necessidade de preparar os sistemas de saúde para acompanhar pacientes durante muitos anos, além de responder a emergências.</p>
<h2>O que os governos podem fazer</h2>
<p>Diante dessas ameaças, os pesquisadores propõem três medidas principais.</p>
<p>A primeira é fortalecer os sistemas de saúde para que consigam identificar riscos com antecedência, prevenir crises e responder rapidamente às emergências. Isso exige financiamento permanente, equipes preparadas e capacidade de planejamento de longo prazo.</p>
<p>A segunda é ampliar os investimentos em pesquisa e inovação. Entre as prioridades estão novas vacinas, antibióticos, tratamentos para obesidade e tecnologias capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas. O estudo também defende mecanismos de controle para tecnologias de alto risco, incluindo sistemas avançados de inteligência artificial.</p>
<p>A terceira é criar um acompanhamento permanente das ameaças mundiais à saúde, com atualização periódica das estimativas e apresentação dos resultados aos responsáveis pelas decisões políticas e econômicas.</p>
<p>A proposta é impedir que governos concentrem recursos apenas nas crises mais imediatas, enquanto problemas de evolução lenta continuam se agravando.</p>
<p>A principal mensagem do estudo é que a saúde das próximas gerações dependerá de decisões tomadas agora, não apenas para evitar catástrofes, mas também para reduzir desigualdades, melhorar a educação, prevenir doenças e garantir acesso aos cuidados de saúde.</p>
<p>Crédito da foto:  Depositphotos</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Seca extrema na Amazônia pode se tornar nove vezes mais frequente até 2100</title>
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      <pubDate>Sun, 11 Oct 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A seca histórica que atingiu a Amazônia em 2023 e 2024 deixou rios em níveis excepcionalmente baixos, comunidades isoladas, florestas sob estresse e centenas de botos mortos pelo aquecimento das águas. Naquele momento, os efeitos foram associados a um episódio do El Niño, fenômeno natural que altera as temperaturas e as chuvas em diferentes partes do planeta. Agora, uma pesquisa internacional indica que condições climáticas semelhantes poderão ocorrer com frequência crescente nas próximas décadas, mesmo em anos sem El Niño.</p>
<p>O alerta é especialmente preocupante para a Amazônia.  Se as emissões globais de gases de efeito estufa permanecerem elevadas, a probabilidade de secas tão severas quanto as registradas em 2023 e 2024 poderá aumentar até nove vezes até o fim do século. No Nordeste brasileiro, a ocorrência de períodos com chuvas tão escassas quanto as daquele biênio poderá se tornar duas vezes mais provável.</p>
<p>As conclusões fazem parte de um estudo publicado na revista científica  Earth's Future , da União Geofísica Americana (AGU). A pesquisa reuniu cientistas de instituições de diferentes países e teve como autora principal Johanna Van Passel, da Universidade de Ghent, na Bélgica, pesquisadora visitante do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre os coautores está o biólogo Peter Groenendijk, professor do mesmo instituto.</p>
<p>A equipe investigou como o El Niño de 2023 e 2024 afetou as florestas tropicais da América, África e Ásia. Depois, comparou as condições daquele período com projeções climáticas até 2100, considerando quatro cenários de emissões de gases de efeito estufa.</p>
<p>O resultado revela que um evento considerado excepcional pode oferecer uma prévia do clima futuro das florestas tropicais. Em alguns cenários, temperaturas semelhantes às registradas em 2023 e 2024 poderão ocorrer praticamente todos os anos em grande parte dessas regiões, em menos de duas décadas.</p>
<h2>Um El Niño moderado, mas com consequências extremas</h2>
<p>O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico tropical. Esse aquecimento modifica a circulação dos ventos e a distribuição das chuvas, provocando efeitos em diferentes continentes.</p>
<p>No Brasil, costuma favorecer chuvas acima da média no Sul, reduzir as precipitações em partes do Norte e do Nordeste e elevar as temperaturas em diversas regiões.</p>
<p>Nem todos os episódios têm a mesma intensidade. Os de 1982–1983, 1997–1998 e 2015–2016 estão entre os mais fortes já registrados. O fenômeno de 2023–2024, porém, foi considerado moderado segundo um dos indicadores utilizados pelos pesquisadores. Isso não impediu que seus efeitos fossem excepcionalmente graves.</p>
<p>“Durante o El Niño de 2023-2024, a área e a duração dos eventos de seca e de ondas de calor foram as maiores e mais extensas dos últimos 25 anos”, afirmou Johanna Van Passel em entrevista à  Agência Fapesp .</p>
<p>O estudo identificou temperaturas excepcionalmente elevadas em praticamente toda a extensão das florestas tropicais da América, África e Ásia. A seca também foi generalizada: atingiu cerca de 80% dessas áreas. </p>
<p>O dado mais preocupante, porém, está na combinação dos dois fenômenos.  Em 77% das florestas tropicais do planeta, o calor extremo e a falta de chuvas ocorreram simultaneamente durante o El Niño de 2023 e 2024.</p>
<p>Nas áreas afetadas por essa combinação, os pesquisadores identificaram, em média, 6,4 meses de seca e calor extremos ao longo dos dois anos. Isso não significa que as florestas tenham enfrentado mais de seis meses consecutivos nessas condições. </p>
<p>Os cientistas somaram os meses em que os dois fenômenos coincidiram, mesmo quando houve intervalos entre eles.  Os resultados mostram, portanto, não apenas a extensão geográfica do problema, mas também por quanto tempo as florestas ficaram expostas a condições climáticas adversas.</p>
<p>Nas áreas atingidas nas florestas tropicais americanas, os períodos extremos foram mais prolongados. A duração média acumulada chegou a 10,3 meses de seca e a 9,2 meses de seca e calor simultâneos, ao longo dos dois anos. Em partes do centro e do oeste da Amazônia, os registros indicaram condições anormalmente secas durante quase todo o período analisado.</p>
<p>Na comparação com o El Niño de 2015–2016, a seca de 2023–2024 atingiu uma área maior das florestas tropicais americanas e africanas. Nas florestas asiáticas, ocorreu o contrário: a extensão afetada foi menor.</p>
<p>Os pesquisadores relacionam a gravidade do episódio recente à combinação de fatores naturais com o aquecimento global provocado pelas atividades humanas. O El Niño de 2023–2024 ocorreu em um planeta mais quente do que aquele que enfrentou episódios anteriores do fenômeno.</p>
<h2>A Amazônia diante de um novo padrão climático</h2>
<p>A principal preocupação para o Brasil está na combinação entre temperaturas cada vez mais elevadas e a possibilidade de secas mais frequentes.</p>
<p>Os pesquisadores verificaram que o aumento do calor é uma tendência comum às florestas tropicais dos três continentes. As projeções de chuva, entretanto, apresentam diferenças regionais importantes.</p>
<p>Na Bacia do Congo, na África, por exemplo, o risco futuro está associado sobretudo às temperaturas mais altas. Em algumas regiões asiáticas, a probabilidade de secas comparáveis às de 2023–2024 pode até diminuir.</p>
<p>Na Amazônia, o cenário é diferente.  Os modelos indicam aumento tanto da frequência do calor extremo quanto da probabilidade de períodos de chuva excepcionalmente escassa.</p>
<p>Nos dois cenários de emissões mais elevadas, a ocorrência de secas comparáveis às de 2023–2024 poderá se tornar até nove vezes mais provável até 2100.</p>
<p>É importante distinguir essa projeção de uma previsão de que haverá nove secas por década ou de que a floresta ficará permanentemente seca. O cálculo compara a probabilidade futura dessas condições com a frequência estimada para o período de referência, de 2000 a 2024.</p>
<p>O Nordeste brasileiro também aparece nas projeções. Na região, períodos com volumes de chuva tão baixos quanto os registrados durante o último El Niño poderão se tornar duas vezes mais prováveis até o fim do século, nos cenários de emissões mais altas.</p>
<p>Há incertezas importantes. Os próprios autores reconhecem que os modelos climáticos apresentam limitações para representar a disponibilidade de água em algumas regiões, incluindo a Amazônia. Por isso, os números devem ser interpretados como projeções condicionadas aos cenários de emissões, e não como previsões inevitáveis.</p>
<p>Ainda assim, a direção do alerta é clara: quanto maior o aquecimento global, maior tende a ser a exposição da floresta amazônica a condições climáticas capazes de comprometer seu funcionamento.</p>
<h2>O que acontece com uma floresta quando falta água e sobra calor</h2>
<p>As florestas tropicais dependem de um equilíbrio delicado entre chuva, temperatura, umidade do solo e disponibilidade de água para as árvores.</p>
<p>Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono da atmosfera e utilizam a energia da luz solar para produzir substâncias necessárias ao seu crescimento. Nesse processo, também liberam vapor de água pelas folhas, ajudando a regular sua temperatura e a umidade do ambiente.</p>
<p>Quando a temperatura aumenta, a atmosfera passa a demandar mais umidade. A água pode evaporar mais rapidamente do solo e ser perdida em maior quantidade pelas folhas, mesmo que o volume de chuva não diminua na mesma proporção.</p>
<p>Se houver água suficiente, as árvores conseguem compensar parte desse efeito. Em períodos prolongados de seca, porém, precisam reduzir a perda de água para sobreviver.</p>
<p>Uma das respostas é fechar pequenas aberturas nas folhas, chamadas estômatos. Isso diminui a transpiração, mas também limita a entrada do dióxido de carbono necessário à fotossíntese.</p>
<p>A árvore passa, então, a produzir menos energia para crescer e manter suas funções.</p>
<p>Em situações extremas, a falta de água compromete o sistema que a transporta das raízes até as folhas. Esse transporte ocorre por estruturas internas chamadas xilema. Quando ele falha, partes da copa podem morrer e, dependendo da intensidade e da duração do estresse, a própria árvore pode não sobreviver.</p>
<p>“O El Niño é um dos grandes moduladores do clima global. Ao procurarmos entender seus impactos, podemos ter diversos outros desdobramentos para as florestas, como compreender mecanismos que levam à mortalidade das árvores”, afirmou Peter Groenendijk à Agência Fapesp.</p>
<p>O estudo chama atenção para outro aspecto: cerca de 80% dos meses de calor extremo identificados ocorreram durante a estação chuvosa.</p>
<p>Isso é relevante porque as chuvas dessa época ajudam a abastecer as reservas de água no solo utilizadas pelas árvores durante os meses mais secos. Se a estação chuvosa também apresentar deficiência de precipitação, a floresta pode começar o período seco seguinte com menos água disponível.</p>
<p>Assim, os efeitos de uma seca não necessariamente terminam quando as chuvas retornam.</p>
<p>A equipe ressalta que ainda há lacunas importantes na compreensão dos mecanismos que levam à mortalidade das árvores sob calor e seca prolongados.</p>
<h2>O risco de a floresta deixar de absorver carbono</h2>
<p>A ameaça não se restringe à sobrevivência das árvores.</p>
<p>As florestas tropicais exercem um papel importante na regulação do clima porque retiram dióxido de carbono da atmosfera e armazenam carbono na vegetação e nos solos.</p>
<p>Enquanto absorvem mais carbono do que liberam, funcionam como sumidouros de carbono, ajudando a reduzir a quantidade desse gás de efeito estufa na atmosfera.</p>
<p>O equilíbrio pode mudar quando as árvores crescem menos, perdem folhas ou morrem em grande quantidade. A decomposição da vegetação morta libera parte do carbono armazenado, e os incêndios podem acelerar esse processo.</p>
<p>Nessas condições, determinadas áreas florestais podem passar temporariamente de absorvedoras a emissoras líquidas de carbono.</p>
<p>Os pesquisadores consideram provável que o calor e a seca de 2023–2024 tenham levado muitas florestas tropicais, ao menos temporariamente, nessa direção. O estudo, entretanto, não mediu diretamente o balanço de carbono de todas as áreas analisadas.</p>
<p>O problema pode se agravar porque a própria floresta participa da manutenção das chuvas.</p>
<p>Ao retirar água do solo e liberá-la na atmosfera, as árvores contribuem para a formação de umidade que poderá retornar em forma de precipitação. A perda de vegetação reduz essa contribuição e pode favorecer condições ainda mais secas.</p>
<p>Forma-se, assim, um mecanismo de retroalimentação:  a seca enfraquece a floresta, a perda de vegetação prejudica a reciclagem de umidade e a redução das chuvas pode intensificar novas secas.</p>
<p>Esse processo preocupa os cientistas porque, se persistir por tempo suficiente, poderá levar à degradação de áreas florestais e comprometer sua capacidade de recuperação.</p>
<h2>O que pode acontecer nas próximas décadas</h2>
<p>Para investigar o futuro, os cientistas combinaram informações de satélites, registros climáticos e projeções de 24 modelos utilizados em pesquisas internacionais sobre mudanças climáticas.</p>
<p>A análise considerou o período de 2000 a 2024 como referência e avaliou diferentes trajetórias possíveis entre 2025 e 2100.</p>
<p>Os quatro cenários utilizados representam desde uma trajetória de emissões relativamente baixas, com reduções importantes dos gases de efeito estufa, até situações em que essas emissões continuam elevadas.</p>
<p>Em todos eles, a probabilidade de temperaturas semelhantes às de 2023–2024 aumenta nas florestas tropicais.</p>
<p>Mesmo no cenário de menores emissões considerado pela pesquisa, os episódios de calor comparáveis aos daquele biênio poderão se tornar pelo menos seis vezes mais prováveis até 2100.</p>
<p>Nos cenários com reduções menos rigorosas, muitas regiões poderão atingir, já a partir da década de 2040, temperaturas médias anuais tão altas quanto as de 2023–2024 praticamente todos os anos.</p>
<p>Isso não significa que haverá um El Niño permanente. A pesquisa procurou justamente identificar a possibilidade de condições climáticas semelhantes ocorrerem independentemente da presença do fenômeno.</p>
<p>Também não significa que as secas acompanharão automaticamente o mesmo ritmo do aumento das temperaturas. Os autores analisaram separadamente as probabilidades futuras de calor e de falta de chuvas, pois a coincidência entre esses extremos envolve incertezas adicionais.</p>
<p>A diferença entre os cenários, entretanto, mostra que a intensidade do aquecimento futuro depende das decisões tomadas em relação às emissões globais.</p>
<h2>Ainda é possível evitar os cenários mais graves?</h2>
<p>A trajetória futura não está definida. Os modelos indicam que o aumento das temperaturas continuará representando um desafio para as florestas tropicais mesmo em um cenário de emissões mais baixas. Mas também mostram diferenças expressivas entre um mundo que reduz rapidamente a liberação de gases de efeito estufa e outro que mantém níveis elevados de emissões.</p>
<p>Na avaliação dos pesquisadores, cortes rápidos e profundos são necessários para impedir que as condições excepcionais de 2023–2024 se tornem cada vez mais frequentes.</p>
<p>A mensagem é especialmente relevante para a Amazônia, onde a elevação das temperaturas se soma ao risco de secas mais intensas, incêndios e perda de vegetação.</p>
<p>O estudo não prevê o desaparecimento da floresta nem estabelece uma data para um eventual colapso do ecossistema. O que demonstra é que as condições climáticas que colocam sua capacidade de recuperação sob pressão poderão se repetir com frequência muito maior.</p>
<p>A seca de 2023–2024, portanto, pode deixar de ser lembrada apenas como um acontecimento excepcional e passar a ser vista como um alerta sobre o clima que as florestas tropicais terão de enfrentar ao longo deste século.</p>
<p>Com Agência Fapesp/ Luciana Constantino</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>El Niño se fortalece e aumenta riscos à saúde no Brasil e no mundo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/el-nino-se-fortalece-e-aumenta-riscos-a-saude-no-brasil-e-no-mundo</link>
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      <pubDate>Tue, 22 Sep 2026 14:46:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Os efeitos do super El Niño já estão em curso e se intensificam rapidamente, aumentando a preocupação com os impactos do fenômeno sobre a saúde no Brasil e em outras partes do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira, 22, para riscos que incluem calor extremo, doenças transmitidas por mosquitos e pela água, problemas respiratórios e desnutrição.</p>
<p>“El Niño representa uma grande ameaça à saúde pública”, afirmou Teresa Zakaria, chefe da Unidade de Redução de Riscos de Desastres, Operações Humanitárias e Mudanças Climáticas da OMS, durante entrevista coletiva em Genebra, reporta a AFP. “Esperamos ver repercussões na saúde em todo o mundo.”</p>
<p>O fenômeno ocorre quando as águas superficiais do centro e leste do Oceano Pacífico equatorial ficam mais quentes que o normal. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.</p>
<p>Em análise global publicada no início do mês, a OMS esclarece que o El Niño não causa diretamente doenças. Ele funciona como um “modificador de risco”: as mudanças de temperatura e chuva podem criar condições mais favoráveis a determinados problemas de saúde, com impactos diferentes de acordo com a região e a vulnerabilidade da população e dos sistemas de atendimento.</p>
<p>Chuvas intensas e inundações, por exemplo, podem contaminar fontes de água, prejudicar o saneamento e favorecer a proliferação de mosquitos. A seca também pode aumentar criadouros quando a falta de abastecimento leva ao armazenamento de água em recipientes. Já temperaturas elevadas e tempo seco podem favorecer incêndios e piorar a qualidade do ar.</p>
<h2>Clima, doenças infecciosas e desnutrição</h2>
<p>O calor extremo está entre as principais preocupações. A exposição a temperaturas elevadas pode provocar exaustão pelo calor e insolação e agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e metabólicas. Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores ao ar livre estão entre os grupos mais vulneráveis.</p>
<p>As mudanças de temperatura e chuva também podem alterar as condições de transmissão de dengue, zika, chikungunya, febre amarela e malária. Em áreas atingidas por enchentes, a contaminação da água e os danos ao saneamento elevam ainda o risco de doenças transmitidas pela água.</p>
<p>Outro efeito pode ocorrer na alimentação. Secas reduzem a disponibilidade de água e podem prejudicar lavouras, enquanto inundações podem destruir plantações e provocar perdas de animais. A OMS considera a insegurança alimentar e a desnutrição riscos importantes nos dois cenários, principalmente para populações que já vivem em situação vulnerável.</p>
<p>Os efeitos variam pelo mundo. Na África, a análise da OMS aponta, entre outros riscos, malária, cólera e insegurança alimentar em diferentes países. Partes do Sul e Sudeste da Ásia podem enfrentar calor, seca e escassez de água. No Pacífico, algumas áreas têm maior risco de seca, enquanto outras podem receber chuvas acima do normal.</p>
<h2>O que pode acontecer no Brasil</h2>
<p>No país, os efeitos também devem variar de acordo com a região. A OMS indica maior risco de calor, seca, redução dos níveis dos rios e incêndios em partes do Norte e da bacia Amazônica. Já áreas do Sul estão entre as regiões da América do Sul onde são esperadas chuvas acima do normal, com possibilidade de inundações e deslizamentos.</p>
<p>A análise da OMS destaca para o Brasil riscos elevados de leptospirose associada às inundações, febre amarela e oropouche. A malária exige atenção especialmente na bacia Amazônica. A dengue está entre os principais riscos identificados para as Américas.</p>
<p>Alguns problemas ambientais já são observados no país. Em comunicado na sexta-feira, 18, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) chamou atenção para a redução dos níveis de água na bacia amazônica e a deterioração da qualidade do ar associada aos incêndios florestais.</p>
<p>De acordo com o monitoramento citado pela entidade, 630 municípios brasileiros registravam concentrações de partículas finas acima dos níveis recomendados pela OMS. Essas partículas presentes na fumaça podem penetrar profundamente nos pulmões.</p>
<p>A situação brasileira faz parte de um cenário mais amplo nas Américas. A Opas que mais de 5,2 milhões de pessoas estavam afetadas, expostas ou em situação de insegurança alimentar aguda nas áreas monitoradas. Oito países ou territórios apresentavam seca ou déficit hídrico, seis tinham incêndios florestais com impacto ou risco para a saúde e cinco registravam efeitos de chuvas intensas ou inundações. A entidade ressalta que nem todos esses eventos foram atribuídos diretamente ao El Niño.</p>
<h2>Fenômeno deve se intensificar</h2>
<p>A tendência é de fortalecimento nos próximos meses. Em declaração nesta terça-feira, 22, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, reforçou que “o El Niño está firmemente estabelecido e se intensificando rapidamente”.</p>
<p>“As previsões da OMM indicam uma probabilidade de quase 100% de que ele persista até fevereiro de 2027”, comentou Celeste. A expectativa é de que o fenômeno se torne muito forte no fim deste ano e possa atingir o limite superior dos registros históricos iniciados em 1950.</p>
<p>Isso não significa que cada região terá necessariamente seca, enchente ou calor extremo. “O El Niño altera as probabilidades; ele não determina o clima em todas as cidades nem causa todas as ondas de calor”, afirmou. A influência depende da região, da época do ano e da interação com outros fatores climáticos.</p>
<h2>Serviços de saúde também estão sob risco</h2>
<p>Além de aumentar a probabilidade de determinados problemas de saúde, os eventos extremos podem prejudicar o próprio atendimento. Inundações, deslizamentos, incêndios e interrupções de estradas podem danificar unidades ou dificultar o acesso dos pacientes. Falhas no fornecimento de água e energia também podem afetar hospitais, laboratórios e a conservação de medicamentos e vacinas.</p>
<p>A Opas recomenda que os países reforcem a vigilância epidemiológica e os sistemas de alerta, garantam acesso a água segura, vacinação e medicamentos e revisem os planos de contingência de hospitais e redes de atendimento.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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      <title>El Niño ‘muito forte’, inclusive no Brasil, amplia alerta climático da ONU</title>
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      <pubDate>Thu, 03 Sep 2026 18:54:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU especializada em clima, tempo e recursos hídricos, fez nesta quinta-feira, 3, um novo alerta sobre a intensidade do El Niño. O fenômeno deve continuar se fortalecendo nos próximos meses, atingir um nível muito forte e ampliar os riscos de eventos extremos em diferentes partes do mundo ao longo de 2027.</p>
<p>No Brasil, um boletim divulgado na terça-feira, 1, pelo Painel El Niño 2026-2027 aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.</p>
<p>A avaliação divulgada pela OMM reforça o cenário de alerta. A organização considera excepcionalmente alta a probabilidade de o El Niño persistir até fevereiro de 2027 e prevê que ele atinja o pico de intensidade no fim deste ano.</p>
<p>Pacífico registra forte aquecimento</p>
<p>O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico na porção equatorial. Essas alterações interferem na circulação atmosférica e, consequentemente, nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.</p>
<p>As medições ajudam a explicar a preocupação atual. Segundo a OMM, as temperaturas da superfície do Pacífico ficaram 1,5 °C acima da média entre maio e junho e 2 °C acima em julho. Em agosto, as anomalias semanais variaram entre 2,2 °C e 2,6 °C.</p>
<p>Abaixo da superfície, o aquecimento é ainda maior. Em determinadas áreas, as temperaturas chegaram a mais de 8 °C acima da média.</p>
<p>A intensidade do El Niño, porém, não determina sozinha o tamanho de seus efeitos em cada país. Outros fatores climáticos regionais podem reforçar, reduzir ou modificar os impactos. A OMM destaca, por exemplo, que tanto o Atlântico Tropical Norte quanto o Sul devem permanecer com temperaturas acima da média.</p>
<p>Para os últimos três meses de 2026, a organização prevê temperaturas elevadas em todos os continentes, acompanhadas por alterações nos padrões de chuva.</p>
<p>Diante do cenário, a OMM iniciou a maior mobilização de sua história com serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais para reforçar a preparação, as previsões e os sistemas de alerta precoce.</p>
<p>Outro alerta: estamos prestes a ultrapassar o limite de aquecimento</p>
<p>O aviso sobre o El Niño veio um dia depois de outro alerta climático das Nações Unidas. Na quarta-feira, 2, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou um relatório que aponta que a humanidade está prestes a ultrapassar temporariamente o limite de 1,5 °C de aquecimento em relação ao período pré-industrial.</p>
<p>Mesmo no cenário mais favorável analisado pelo Pnuma, o aquecimento chegaria a um pico de aproximadamente 1,8 °C antes de começar a recuar. Em outros cenários, ultrapassaria 2 °C.</p>
<p>Isso não significa abandonar a meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C, estabelecida pelo Acordo de Paris. Segundo a ONU, quanto menor for a elevação da temperatura e o período em que o planeta permanecer acima desse patamar, menores serão os riscos para a população e os ecossistemas.</p>
<p>O Pnuma defende, entre outras medidas, a redução acelerada da dependência de combustíveis fósseis, a expansão das fontes renováveis de energia, cortes nas emissões de metano e a recuperação de ecossistemas, como florestas e oceanos.</p>
<p>Os dois alertas tratam de fenômenos diferentes. O El Niño é um fenômeno natural e não é provocado pelo aquecimento global. A preocupação está nos efeitos de um episódio muito forte em um planeta que já registra temperaturas mais elevadas.</p>
<p>O que pode acontecer no Brasil</p>
<p>Por aqui, o alerta vem do Painel El Niño 2026-2027, iniciativa que reúne sete órgãos federais ligados ao monitoramento do clima, das águas e dos riscos de desastres.</p>
<p>Participam dele o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), responsável pelo monitoramento meteorológico do país; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que realiza pesquisas e previsões sobre tempo e clima; e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que acompanha ameaças como secas, enchentes e deslizamentos.</p>
<p>Segundo o Painel, a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro supera 90%. O documento também cita projeção da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), agência científica norte-americana responsável pelo monitoramento dos oceanos e da atmosfera, que calcula em 69% a possibilidade de o episódio de 2026/2027 ser o mais forte registrado desde 1950.</p>
<p>Os impactos previstos variam bastante pelo país. Para setembro, outubro e novembro, há maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul.</p>
<p>A maior preocupação é com a região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul. O boletim alerta para a possibilidade de chuvas intensas, grandes inundações e movimentos de massa, como deslizamentos.</p>
<p>O cenário é diferente no Norte e no Nordeste, onde são previstas chuvas abaixo da média. A mesma tendência aparece em partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território nacional.</p>
<p>Na Amazônia Legal, área que engloba nove estados, a combinação de menos chuva e temperaturas elevadas pode prolongar a estação seca, diminuir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais. O Pantanal também exige atenção diante do risco de fogo.</p>
<p>O El Niño se intensifica em um momento em que parte do país já enfrenta falta de chuva. Em julho, 157 municípios brasileiros estavam em situação de seca severa. No Sudeste, algum grau de seca atingia 89% da região, quadro que pode se agravar caso a estação chuvosa comece mais tarde ou tenha volumes insuficientes.</p>
<p>No Nordeste, a seca também estava mais intensa e abrangente em julho de 2026 do que no mesmo mês de 2023. Dados da ANA indicavam seca moderada em 45% da região, ante 12% três anos antes.</p>
<p>Diante das projeções, o Painel recomenda que estados e municípios atualizem seus planos de contingência e reforcem o monitoramento e os sistemas de alerta. Para a população, a orientação é acompanhar as previsões meteorológicas e os avisos das Defesas Civis diante da possibilidade de eventos extremos nos próximos meses.</p>
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        <media:title>El Niño</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellón]]></dc:creator>
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      <title>Chuva define cardápio de restaurante em São Paulo com 3 estrelas no guia Michelin</title>
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      <pubDate>Sat, 08 Aug 2026 15:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A adaptação climática chegou à cozinha de luxo. No Tuju, restaurante brasileiro com três estrelas no guia Michelin, algo até então inédito na América Latina, o cardápio é definido de acordo com o regime de chuvas, cada vez mais irregulares em São Paulo por causa do aquecimento global.</p>
<p>Os proprietários, o chef Ivan Ralston e sua companheira e pesquisadora gastronômica Katherina Cordás, tomaram a decisão depois de criar um centro próprio de pesquisa e explorar durante dois anos ingredientes regionais paulistas - embora não exclusivamente - para usá-los em seu momento ideal.</p>
<p>Nesta megacidade de 12 milhões de habitantes, onde as tempestades de verão provocam caos e as represas secam no inverno, é preciso ter "jogo de cintura" para aproveitar os produtos em sua plenitude, explica à AFP Katherina, de 38 anos, diretora do centro.</p>
<p>O Tuju oferece quatro menus por ano – umidade, chuva, vendaval, seca –, que não têm datas precisas: orientam-se pelo pluviômetro a cada temporada.</p>
<p>Ralston exemplifica fazendo referência ao tempo seco de São Paulo em julho: "A temporada de cogumelos durou quase o dobro do tempo. Você tem de sempre ficar esperto e se adaptar".</p>
<p>De uma adaptação do cuscuz paulista – que leva na montagem sardinha, milho e tomate verde – à bochecha de porco – acompanhada de mandioca e chucrute –, os dez pratos da degustação do Tuju são elaborados, sobretudo, com ingredientes de pequenos produtores do estado de São Paulo.</p>
<p>Alcachofras, castanhas, uvas, goiaba, amendoim, cebolas, abóboras, alcaparras e mais: são produtos regionais tratados com "as técnicas mais modernas, enfatizando a criatividade e o trabalho de pesquisa oculto", segundo o Michelin.</p>
<p>As três estrelas que o prestigioso guia deu ao restaurante em abril - juntamente com outro restaurante paulista, o Evvai - são "como o cinto preto para os caratecas", diz Ralston, de 41 anos, filho de donos de restaurante e formado em cozinhas de alto padrão na Espanha e no Japão.</p>
<p>Mas não o deslumbram. "A busca da perfeição é superficial, o que a gente pode prometer é uma experiência verdadeira", lembra.</p>
<h2>"Atenção aos detalhes"</h2>
<p>O casal divide o comando do restaurante. Ele, detalhista e eloquente, dirige oito jovens cozinheiros – mulheres em sua maioria –, que trabalham em silêncio e sincronia em uma cozinha aberta e teatralmente iluminada no centro do salão, de uma elegância minimalista.</p>
<p>Ela, reservada e gentil, desliza em meio às nove mesas de mármore verde nacional, atenta ao serviço e aos clientes, que pagam R$ 1.650 por pessoa.</p>
<p>"O brasileiro é um hospitaleiro nato, o cuidado com o outro é uma coisa intrínseca à nossa cultura", diz Katherina, ex-colega de escola e mãe de dois dos três filhos de Ralston.</p>
<p>Entre os clientes da noite estavam casais, milionários e um influenciador "caça estrelas", que viaja visitando restaurantes de alto padrão.</p>
<p>Ralston sabe que alguns vêm em busca de uma experiência para as redes sociais, o que o afeta: "Comer é um momento de prestar atenção aos detalhes. O recado que eu poderia dar é: parem de trabalhar pelo marketing de quem vive e desfrutem mais um pouco da vida!"</p>
<h2>Voo alto</h2>
<p>A noite começou com coquetéis debaixo de uma enorme jabuticabeira, que se ergue em paralelo a uma adega envidraçada com cinco mil garrafas: a harmonização de vinhos custa até R$ 2.300 por pessoa.</p>
<p>E vai terminar em um terraço com vista, bombons e mel de abelhas nativas.</p>
<p>Tudo em um edifício imponente de três andares, onde antes funcionava uma boate, cuja entrada fica escondida em uma rua sem saída atrás da avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.</p>
<p>Ralston inaugurou o Tuju em 2014 e poucos meses depois ganhou uma estrela Michelin. Depois, outra. E, então, teve de fechar por causa da covid-19.</p>
<p>Voltou em 2023, em sociedade com Katherina, após dois anos viajando e pesquisando a cozinha brasileira.</p>
<p>A terceira estrela veio este ano.</p>
<p>Mas por que São Paulo, uma cidade com meio milhão de famílias vivendo na extrema pobreza e, ao mesmo tempo, a mais rica da América do Sul, concentra a maior quantidade de reconhecimentos do guia Michelin?</p>
<p>"Sou muito marxista no jeito que eu vejo o mundo, então acho que é por conta do tamanho da economia paulista: aqui tem muito dinheiro", admite Ralston, cujo restaurante começou com um investimento de R$ 3 milhões.</p>
<p>Seu nome, Tuju, é uma homenagem a uma ave latino-americana que voa alto.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[AFP]]></dc:creator>
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