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    <title>Global South World Brasil - Liderança</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Lições de seis mulheres líderes no mercado de comunicação</title>
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      <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 10:32:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Propósito, empatia, diversidade, autenticidade, legado, redes de apoio e disposição para abrir caminho para outras mulheres foram conceitos abordados na 14ª edição do  Women To Watch , evento organizado pelo Meio & Mensagem, que todos os anos reconhece lideranças femininas do mercado de comunicação. Seis mulheres foram homenageadas nesta quarta-feira, 5, em São Paulo.</p>
<p>As mulheres celebradas neste ano são  Ana Coutinho , vice-presidente de negócios e sócia da Galeria, holding brasileira na área de comunicação;  Glaucia Montanha , CEO da agência de publicidade Artplan;  Ionah Kochen , vice-presidente de marketing e comunicação da Nestlé Brasil;  Karina Ribeiro , CEO da multinacional VML, também do segmento de publicidade;  Luana Ozemela , CSO e vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood; e  Thais Hagge , presidente de beleza e bem-estar da Unilever na América Latina.</p>
<p>Desde sua criação, em 2013, a premiação já reconheceu  92 mulheres que contribuíram para tornar o mercado mais diverso e inclusivo.</p>
<p>A abertura do evento ficou a cargo da atriz  Débora Falabella , que conversou com a apresentadora Laura Vicente sobre o tema  "Liderar o agora" . Estrela do premiado monólogo  " Prima Facie "  – que acompanha a trajetória de uma advogada que defende acusados de agressão sexual e que se vê obrigada a confrontar as desigualdades de gênero e as falhas do sistema de Justiça após sofrer violência sexual –, Débora fez reflexões sobre presença e escuta.</p>
<p>A atriz defendeu a importância da  desconexão do ambiente digital e da presença plena , usando o teatro como exemplo. Segundo ela, assistir ou atuar em uma peça exige concentração e escuta atenta, em um ritmo oposto ao da vida cotidiana, marcada por excesso de estímulos e respostas imediatas.</p>
<p>Debora contou que chega ao teatro duas horas antes das apresentações para se preparar e se desligar do celular. Para ela, a capacidade de desacelerar pode ser levada para outras áreas da vida e do trabalho, onde a produtividade não deveria ser medida apenas pela rapidez, mas também pela reflexão e pelo pensamento crítico.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asLVOqtCiYEmYsiYX.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Debora Falabella no palco do Women To Watch 2026."/>
<p>Depois desse momento, cada homenageada subiu ao palco e, nos discursos de agradecimento, deixaram mensagens que inspiram outras mulheres. Confira:</p>
<h2>Ninguém constrói uma carreira sozinho</h2>
<p>Essa é a principal mensagem das homenageadas. Ana, Ionah, Thais e Glaucia afirmaram que suas trajetórias só foram possíveis graças ao apoio de familiares, colegas, líderes e amigos.</p>
<p>Ana agradeceu às mulheres que passaram por sua vida e que a ajudaram a se tornar a líder que é atualmente. E agradeceu também às empresas onde atuou, à família, à equipe e aos clientes que a acompanharam nessa trajetória. Ionah afirmou que uma trajetória profissional nunca é construída de forma isolada. "Subo nesse palco, mas não subo sozinha", disse.</p>
<p>Glaucia atribuiu parte de sua carreira às mulheres que a acolheram e orientaram desde o início da profissão. Também mencionou os homens que a incentivaram em sua trajetória dentro do mercado. Thais destacou que existe uma "rede não dita e não vista" formada por familiares, líderes, equipes, parceiros e clientes que sustentam cada conquista.</p>
<h2>Quem chega ao topo pode abrir espaço para outras mulheres</h2>
<p>Karina e Thais defenderam que ocupar um cargo de comando vai além do reconhecimento individual. A CEO da VML afirmou que a liderança deve abrir caminho e espaço para outras mulheres, com cores, histórias e origens diferentes.</p>
<p>Thais reforçou que ampliar a presença feminina nos espaços de decisão também faz parte dessa responsabilidade. Segundo ela, decisões melhores acontecem quando mais mulheres ocupam as mesas de liderança.</p>
<h2>Mentoria e redes de apoio mudam carreiras</h2>
<p>Glaucia fez referência a mulheres que a orientaram em seu início com conselhos sobre trabalho, linguagem e até estilo. E falou do apoio recebido pela família.</p>
<p>Ionah também ressaltou que liderar é compartilhar aprendizados e desenvolver talentos. Ela pontuou que ainda há muito por vir. “Que muito mais mulheres possam ser vistas, ouvidas e celebradas”.</p>
<h2>É possível liderar com empatia e sem abrir mão da personalidade</h2>
<p>Thais ressaltou que hoje consegue exercer uma liderança fiel à própria personalidade, usando a empatia para tomar decisões. Essa postura a ajuda a trazer mais mulheres para cadeiras importantes, favorecendo ambientes inclusivos. “Decisões e movimentos acontecem quando há outras pessoas sentadas à mesa”. E ela emendou: “Temos de continuar ocupando espaços”.</p>
<h2>O desconforto diante de desigualdades pode ser um motor de transformação</h2>
<p>Luana fez uma reflexão sobre desigualdade inspirada em uma frase do filósofo Jiddu Krishnamurti: "Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente". Ela salientou que saúde também envolve a mente. E disse que viver em uma sociedade marcada por tantas desigualdades deveria nos causar desconforto.</p>
<p>Para ela, o reconhecimento recebido no palco não se trata apenas de celebrar trajetórias bem sucedidas. E sim de valorizar “mulheres que transformam o incômodo em ação. Mulheres que escolhem não se acomodar diante das barreiras que ainda impedem milhões de pessoas de desenvolver todo o seu potencial”.</p>
<p>A executiva do iFood deixou uma mensagem para todas as mulheres que sentem esse mesmo desconforto: “é normal sentir que ainda há muito a ser transformado. O que não pode ser normal é não fazer nada a respeito”.</p>
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        <media:credit role="provider">Divulgação/ Eduardo Lopes</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Oportunidades para mulheres existem, mas não para altos cargos, diz executiva</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/oportunidades-para-mulheres-existem-mas-nao-para-altos-cargos-diz-executiva</link>
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      <pubDate>Thu, 16 Jul 2026 18:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<h2>Mulheres na liderança: experiências e desafios no mundo do trabalho</h2>
<p>Referência no setor de  live marketing , área estratégica em que marcas promovem conexões com o consumidor por meio de eventos ao vivo e experiências presenciais ou digitais, Dilma Campos deixou para trás o mercado de entretenimento e mergulhou no setor de comunicação, onde há 25 anos exerce cargos de liderança.</p>
<p>Explica-se. Dilma deu voz à personagem Patativa no icônico “ Castelo Rá-Tim-Bum ”. Inaugurou, com essa vivência, uma história conectada a narrativas plurais, que já supera três décadas. Hoje é copresidente da Mark Up, agência de eventos, ativações e marketing de experiência.</p>
<p>Além de empresária e executiva, Dilma integra conselhos e faz mentorias para futuras líderes. É membro do Instituto Conselheira 101, iniciativa dedicada a promover a ascensão de mulheres negras e indígenas em posições de alta liderança e governança corporativa. É mentora na Rede Mulher Empreendedora, conselheira de instituições como Universidade São Judas, Ampro (Associação de Marketing Promocional), São Paulo Companhia de Dança, Instituto Clima e Sociedade, APP (Associação dos Profissionais de Propaganda) e Comitê de Diversidade da WOB ( Women on Board ), iniciativa independente brasileira lançada em 2019 e apoiada pela ONU Mulheres e pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), cujo objetivo é reconhecer, valorizar e promover ambientes corporativos com a presença de mulheres em cargos de liderança.</p>
<p>Reconhecida cinco vezes pelo Pacto Global da ONU por impacto comprovado em governança e clima, Dilma atua apoiando CEOs e fornecendo frameworks para escalar a cultura inclusiva nas organizações. É ainda coautora dos livros “ Publicidade Antirracista ” (finalista do Prêmio Jabuti), “ Uma Sobe e Puxa a Outra ” e “ Bora Inspirar: 16 Histórias Inspiradoras de Empreendedorismo Feminino ”.</p>
<p>Dilma é mais uma convidada do  GSW Brasil  para a série de conversas com lideranças femininas de diferentes segmentos sobre experiências e desafios na sociedade contemporânea.</p>
<p>Há quanto tempo desempenha cargos de liderança?</p>
<p>Há mais de 25 anos desempenho cargos de liderança. Começou quando eu assumi a parte do departamento de direção artística e de produção de uma empresa de eventos e desde então eu venho liderando.</p>
<p>Falando da perspectiva de uma mulher na liderança de uma empresa, que desafios encontrou ao chegar? E no setor: como as mulheres chegavam a postos de comando no início de sua jornada como executiva?</p>
<p>Na minha jornada como executiva, o que acontecia é que você era muito especialista em uma área para se tornar realmente líder. No meu caso, eu comecei na verdade com a diretoria artística das empresas de eventos. Depois, eu somei na questão da produção. No segmento de eventos, a gente já via mulheres liderando nesses cargos, embora a grande maioria ainda fosse de homens. Nós subíamos de cargo porque era muito especialista naquilo que a gente fazia. Ou porque a gente tinha uma metodologia de controle – que não se chamava assim na época –, um pouco mais eficiente, e isso era visível. Aquela mulher que conseguia fazer muitas planilhas e ter um controle do funcionamento das coisas e de tudo que precisava para realizar aquilo, ela realmente tinha a possibilidade de ascender e chegar a ser uma executiva do grupo, justamente por essa especialidade dela.</p>
<p>E hoje como vê esse cenário? Que avanços identifica? O que ainda merece atenção no segmento em que atua?</p>
<p>O meu segmento ainda merece muita atenção. A gente vê poucas mulheres no nível de liderança financeira, por exemplo. Ainda há muitos homens, muito mais, nessa área. Acho que a gente precisa dividir a melhoria. Porque quando você fala sobre liderança é uma coisa. Tem mais mulheres, há um pouco mais de equilíbrio. Mas, quando se fala em alta liderança, aí você entende que realmente não existe isso. Quando você olha para um conselho, então, a porcentagem de mulheres é muito menor.</p>
<p>Como equilibra as demandas da carreira e as demandas pessoais? É comum que as mulheres assumam dupla, tripla jornada. É uma questão para você?</p>
<p>Eu não tenho vida de trabalho e vida familiar. Para mim, tudo é vida. Então, tudo eu tento encaixar na minha vida. O tempo de atenção para minha filha, o tempo de atenção para o marido, o tempo para casa, o tempo de trabalho, o tempo de atenção para quem trabalha comigo, para quem já trabalhou comigo, para quem não trabalha comigo e precisa de uma mentoria para evoluir na carreira. Tenho esse lugar de mentorar muita gente que está aí, caminhando. Acho que a gente pode enxergar a vida como uma só. Você não é uma pessoa de dia e outra de noite. Você é a mesma pessoa. Eu só consegui equilibrar isso quando fez sentido para mim que é uma coisa só. As mulheres já assumem dupla ou tripla jornada. Até porque eu acho que essa minha geração é a primeira sanduíche. Eu comecei a cuidar da filha, mas que hoje eu cuido da minha mãe. Então, tenho essa tripla jornada que não é uma jornada só de trabalhar e vir para a minha casa. Eu trabalho, eu venho para a minha casa e eu olho para a casa da minha mãe. Então, essa primeira geração sanduíche que cuida dos pais e cuida dos filhos é uma novidade no mundo. E isso a gente tem de considerar. Quando a gente olha para a economia do cuidado, que é muito atribuída às mulheres, a gente sabe que ela representa milhões de dólares. Não sei as últimas pesquisas, mas é muito dinheiro mesmo. Porque é um trabalho não remunerado. Se a gente fosse remunerar todas as mulheres que trabalham, muitas, não só em dupla jornada, como eu dei o exemplo da tripla jornada, seria muito dinheiro na mesa. Muito dinheiro com que essas mulheres normalmente não são remuneradas.</p>
<p>Uma pergunta sobre IA: afinal, ela tem ajudado com a rotina a ponto de permitir mais tempo para outras atividades, inclusive as pessoais? Os agentes de IA ainda não são uma realidade para facilitar a vida? Muito se teme a tecnologia como “eliminadora de empregos”, mas ela pode ser um recurso para abrir mais espaço na agenda para que as pessoas tenham mais tempo para cuidar da mente, da saúde, da inspiração?</p>
<p>A IA chegou justamente com esse medo de que ela ia roubar o nosso emprego. Depois, entendemos que não. Ela está em um lugar que talvez a gente consiga ver muito mais a produtividade. O que temos visto nas pesquisas hoje é que a gente não tem ainda esse tempo, que a gente gostaria de produtividade. Mas também é relativamente novo o período que a gente começa a entender como colocamos a IA no meio dos humanos como ferramenta. Para mim, tem o input que eu dou para a IA, tem o trabalho que a IA faz e tem o que a IA me mostra o que fez. Daí, tem de ter, de fato, outro input meu para entender se aquilo faz sentido. Eu acho que, ao longo dos anos, a gente vai entender que essa ferramenta vai nos ajudar a melhorar o tempo. Isso a gente já tem visto, mas ainda não tem isso claramente definido em pesquisa. Inclusive as pesquisas dizem que, mesmo com a utilização da IA, nós não estamos tendo o tempo que a gente pensou que fosse ter. Talvez a gente tivesse a ilusão de que iria sobrar por dia umas quatro horas e não está sobrando. Sobra aí uma hora. Então, a gente tem de pensar nessas considerações. Mas que ela facilita a vida, isso é uma realidade. Que ela elimine emprego, eu não acredito. Acho que alguns sim no longo prazo. Mas, ao eliminar alguns, outros precisam nascer, até para lidar com ela. As oportunidades estão aí e a gente vai ver a IA como essa ferramenta para nos trazer para esse lugar do novo pensar. De pensar com uma nova ferramenta como extensão de nós mesmos.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>dilmacampos_Thiago Bruno</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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      <title>Para chefe do YouTube na América Latina, liderar é também decidir onde investir o tempo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/para-chefe-do-youtube-na-america-latina-liderar-e-tambem-decidir-onde-investir-o-tempo</link>
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      <pubDate>Wed, 01 Jul 2026 20:12:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<h2>Mulheres na liderança: experiências e desafios no mundo do trabalho</h2>
<p>O YouTube é uma das maiores empresas de mídia do mundo em receita e em audiência. No Brasil, a base de usuários chega a 144 milhões de pessoas. Um dos segmentos em que a plataforma mais cresce no país é o esportivo, com transmissões que estão fazendo história, como 100% dos jogos da Copa do Mundo, projeto em parceria com a Cazé TV. O setor é conhecido por ser liderado em sua imensa maioria por homens. Pelo lado do YouTube, quem dá as cartas, como diretora-geral da América Latina, é Patricia Muratori, profissional que saiu do mercado de agências de publicidade para entrar no Google há 13 anos.</p>
<p>Em seu papel de liderança, ela se dedica a promover a equidade de gênero nas tomadas de decisão e em posições de comando na companhia. E também oferece mentorias a profissionais que podem galgar posições na companhia.</p>
<p>O  GSW Brasil  inaugura com esta entrevista uma série de conversas com lideranças femininas de diferentes segmentos sobre experiências e desafios na sociedade contemporânea.</p>
<p>Há quanto tempo você desempenha cargos de liderança no YouTube? E antes do YouTube?</p>
<p>Tenho o privilégio de comandar a estratégia da plataforma na região como diretora-geral do YouTube para a América Latina, liderando times talentosos e multifuncionais espalhados por diversos países. Minha história no Google, onde inicialmente liderei as equipes de vendas nos segmentos de telecom e varejo, já soma 13 anos. Antes de ingressar na empresa, construí minha carreira no mercado publicitário. Minha última posição nessa área foi como diretora-geral de mídia na DM9DDB. Nessa trajetória, sempre estive à frente do lado estratégico e da construção de grandes marcas. Hoje, enxergo a liderança de uma maneira muito mais ampla. Vai além de gerenciar negócios ou chefiar equipes. Trata-se de ocupar uma posição de influência positiva e transformação, tanto internamente, no desenvolvimento das nossas pessoas, quanto externamente, no impacto que geramos no ecossistema digital. </p>
<p>Falando da perspectiva de uma mulher na liderança de uma empresa de tecnologia e também conectada ao audiovisual, que desafios encontrava ao desempenhar seu papel profissional e sua rotina pessoal? Entendemos que o Google é diferente das empresas mais tradicionais, mas mesmo assim pergunto. No seu entorno, percebia questões que mereciam mais atenção?</p>
<p>Mesmo em um ambiente inovador e culturalmente avançado como o do Google, os desafios de conciliar a liderança executiva com a rotina pessoal exigem muita inteligência emocional e, acima de tudo, um olhar muito consciente sobre nossas escolhas. Nós, mulheres, costumamos acumular múltiplas funções. Liderar, para mim, também significa decidir onde investir o nosso ativo mais valioso: o tempo. Entre minha família, a carreira, projetos voluntários, estudos contínuos e cadeiras em conselhos, o que existe é uma gestão mais cuidadosa de prioridades. Confesso que não acredito na ideia romântica de equilíbrio perfeito. O que funciona, na prática, é dedicar presença absoluta para cada “prato” que decido equilibrar, dependendo do momento. No âmbito corporativo, barreiras invisíveis e fenômenos como a Síndrome da Impostora são realidades complexas que muitas de nós enfrentamos ao longo da carreira. Tive o privilégio de contar com excelentes aliados, aliadas, referências e grandes mentores na minha jornada, mas, a falta de representatividade e de referências femininas no topo da pirâmide sempre foi uma questão que mereceu mais atenção. É justamente por entender essa lacuna que faço questão de dedicar parte do meu tempo à mentoria de lideranças femininas. E esse olhar para a diversidade vai além do gênero: tive a honra de liderar o comitê de pessoas com deficiência no YouTube globalmente. Para mim, o papel da liderança atual é ajudar a pavimentar o caminho e abrir portas para que todas as pluralidades possam, genuinamente, ocupar espaços de decisão. </p>
<p>E hoje? O YouTube lidera um movimento importante, de transformação do consumo de mídia e de expansão do audiovisual? Que ambiente encontra? Um dos segmentos em que o YouTube cresce é justamente no campo esportivo, sabidamente um setor dominado por homens – que o diga Leila Pereira (presidente do Palmeiras).</p>
<p>O ambiente atual no mercado é de transformação e consolidação. Estamos vivenciando um marco histórico no Brasil: a TV conectada superou o celular e tornou-se a principal tela de consumo do YouTube dentro das casas brasileiras, consolidando a plataforma como o serviço de streaming número um do país. Os criadores deixaram de ser apenas “canais" e se transformaram em verdadeiras startups de entretenimento que definem o horário nobre. Viver essa transformação como mulher traz uma camada profunda de responsabilidade. O audiovisual e a tecnologia — e, de forma ainda mais acentuada, o campo esportivo, que é um dos segmentos onde o YouTube mais cresce — são setores sabidamente dominados por homens, como bem pontua o exemplo da Leila Pereira. Estar na liderança desse movimento significa ter de provar nossa competência constantemente, mas também nos dá a oportunidade única de moldar como esses novos espaços são construídos. Como mulher, tenho o compromisso, pessoal e profissional, de garantir que essa transformação não seja apenas tecnológica, mas também inclusiva. Promover intencionalmente a equidade de gênero nas tomadas de decisão e em cargos de liderança na equipe e fomentar parcerias e ecossistemas plurais no nosso relacionamento externo são algumas das maneiras que tenho buscado na minha atuação profissional. Ocupar essa cadeira me permite abrir portas para que a nova era do entretenimento digital seja escrita por muitas outras vozes femininas.</p>
<p>Como as mulheres podem assumir posições de liderança nesses setores: tecnologia e audiovisual? O que tem ouvido das pessoas que estão nesses postos?</p>
<p>O caminho para que mais mulheres assumam posições de destaque nesses setores passa pela criação de redes de mentoria, engajamento em governança corporativa e o fortalecimento mútuo. Ouvindo outras executivas e lideranças, fica evidente que precisamos ir além do discurso e aplicar o conceito de capitalismo consciente na prática, gerando oportunidades reais de ascensão e, principalmente, puxar a próxima cadeira. Devemos investir ativamente no desenvolvimento da nova geração de talentos, quebrando ciclos históricos de exclusão. O topo só será verdadeiramente plural se pavimentarmos o acesso desde a base. </p>
<p>Por fim, uma pergunta sobre IA: afinal, ela tem ajudado com a rotina a ponto de permitir mais tempo para outras demandas, inclusive as pessoais? Muito se teme a IA como "eliminadora de empregos", mas ela pode ser uma facilitadora para que os profissionais, em especial as mulheres (que têm dupla jornada), tenham mais tempo para outras atividades?</p>
<p>Sem dúvidas. No YouTube, nós enxergamos a Inteligência Artificial não como uma substituta da capacidade humana, mas como a próxima grande alavanca para a criatividade. Ferramentas de IA generativa estão ajudando criadores e profissionais a superar barreiras, otimizando o tempo de produção de forma inovadora. Um exemplo prático e revolucionário que demonstramos recentemente é o recurso de dublagem automática por IA, que permite que um criador fale com mais pessoas mantendo sua própria voz em outros idiomas, expandindo audiências. Quando a tecnologia assume tarefas repetitivas e operacionais, ela atua diretamente como uma facilitadora de tempo. Para as mulheres, que frequentemente enfrentam os desafios da dupla jornada, a IA tem o potencial de ser uma aliada, devolvendo horas preciosas do dia para que possamos focar em decisões estratégicas, na nossa criatividade e, fundamentalmente, na nossa vida pessoal e bem-estar.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
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