<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0">
  <channel>
    <atom:link href="https://www.globalsouthworld.com.br/rss/tag/Lei%20Maria%20da%20Penha" rel="self" type="application/rss+xml" />
    <title>Global South World Brasil - Lei Maria da Penha</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Vicaricídio: crime contra filhos para atingir mulheres chama atenção no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/vicaricidio-crime-contra-filhos-para-atingir-mulheres-ganha-atencao-no-brasil</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/vicaricidio-crime-contra-filhos-para-atingir-mulheres-ganha-atencao-no-brasil?feed=Lei%20Maria%20da%20Penha</guid>
      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 20:48:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Polícia Civil indiciou Breno de Souza Castro, que matou as filhas de três e cinco anos de idade, em São Paulo, no domingo, 9, por vicaricídio duplo. O termo se refere ao assassinato de descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta de uma mulher, com a finalidade de causar sofrimento, puni-la ou controlá-la, no contexto de violência doméstica e familiar.</p>
<p>Segundo a investigação policial, Breno queria se vingar da ex-esposa Jennifer Nayra Alves dos Santos.</p>
<p>O vicaricídio passou a ser um crime previsto no Código Penal em abril de 2026, com a sanção da Lei 15.384, que estabeleceu pena de 20 a 40 anos de prisão e também o incluiu no rol dos crimes hediondos. A mesma lei inseriu na Lei Maria da Penha a violência vicária, caracterizada pelo uso de filhos, familiares ou outra pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, como instrumento para causar sofrimento, puni-la ou controlá-la. O vicaricídio é a forma extrema dessa violência.</p>
<p>Em depoimento à polícia, Jennifer contou que estava separada de Breno desde março, após episódios de agressão. Eles viveram juntos por cerca de oito anos. Jennifer relatou que estava sendo perseguida e ameaçada. Para evitar encontrar Breno, ela levava as crianças para a ex-sogra no fim de semana.</p>
<p>No dia 7 de agosto, Jennifer recebeu uma mensagem do ex-marido depois de ela publicar uma foto com amigas nas redes sociais. Breno disse que aquela seria a última vez que veria as filhas. Ela tentou localizar o ex-companheiro com a ajuda de familiares.</p>
<p>Breno se apresentou à polícia no dia 9, às 6h da manhã, dizendo que tinha asfixiado as meninas. Câmeras de vigilância captaram o momento em que ele estaciona o carro, entra e sai do veículo.</p>
<h2>Morte em Goiás</h2>
<p>Em fevereiro passado, outro caso já havia chamado atenção para o vicaricídio. O secretário da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, atirou contra os dois filhos na residência da família. Os meninos, de 12 e oito anos, dormiam. Em seguida, ele tirou a própria vida.</p>
<p>Antes do crime, Thales postou nas redes sociais uma mensagem em que fazia menção a uma suposta traição pela esposa e uma crise conjugal.</p>
<p>Em março, o Congresso Nacional aprovou o projeto de lei que incluía a violência vicária na Lei Maria da Penha e criava o tipo penal relacionado ao vicaricídio no Código Penal. E em abril a Lei 15.384 foi sancionada.</p>
<p>Antes tratado apenas como homicídio qualificado, esse crime está tipificado no Art. 121-B no Código Penal. A lei reconhece que o agressor utiliza a vida de entes queridos como um instrumento de tortura psicológica contra a pessoa – principalmente, a mulher –, configurando a chamada violência vicária.</p>
<p>Este texto foi atualizado em 19/08/2024 às 17h46.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://cdn.vpplayer.tech/agmipocc/encode/vjsoldvw/mp4/720p.mp4" medium="video" type="video/mp4">
        <media:title>vicaricidio</media:title>
      </media:content>
      <media:thumbnail url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asYfPUdOnQi9FtSh3.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" />
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>STF tem maioria para ampliar alcance de medidas protetivas da Lei Maria da Penha</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/stf-tem-maioria-para-ampliar-alcance-de-medidas-protetivas-da-lei-maria-da-penha</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/stf-tem-maioria-para-ampliar-alcance-de-medidas-protetivas-da-lei-maria-da-penha?feed=Lei%20Maria%20da%20Penha</guid>
      <pubDate>Wed, 19 Aug 2026 19:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O  STF (Supremo Tribunal Federal)  formou maioria nesta quarta-feira, 19, para  ampliar a proteção prevista pela Lei Maria da Penha  a mulheres que são vítimas de violência de gênero mesmo quando o agressor não faz parte do círculo familiar ou não mantém relação afetiva com elas.</p>
<p>Pela decisão,  medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas em casos como assédio, perseguição e sequestro , desde que fique caracterizado que a violência ocorreu por razões de gênero. A aplicação das medidas, portanto, não ficará restrita a situações de violência doméstica ou familiar.</p>
<p>A maioria dos ministros também definiu que qualquer  juiz que receber um pedido de proteção deverá analisá-lo com urgência , mesmo que não atue em uma vara ou juizado especializado em violência doméstica.</p>
<p>+ Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta  </p>
<p>Após a decisão sobre a medida, o processo poderá ser encaminhado ao magistrado competente. A determinação deverá ser observada pela Justiça em casos semelhantes.</p>
<p>Outro ponto estabelecido pelo STF é que pedidos de medidas protetivas relacionados à violência política de gênero deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral.</p>
<p>O julgamento teve origem em um recurso apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais  contra uma decisão do TJ-MG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), que havia negado uma medida protetiva a uma mulher ameaçada por razões de gênero em uma comunidade. </p>
<p>Neste caso, a vítima era ameaçada por um vizinho, mas a relação entre os dois se restringia à proximidade das residências -- o que embasou a decisão da Justiça de Minas no sentido de que não havia necessidade de protetiva. Para o MP, que recorreu, a interpretação judicial violou obrigações internacionais assumidas pelo Estado brasileiro no combate à violência de gênero.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asqTimxGFQ6kivPxU.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Agência Brasil/ Tomaz Silva</media:credit>
        <media:title>machismo-manifestação</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Entenda o que motivou a prisão do ex-marido de Maria da Penha</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/entenda-o-que-motivou-a-prisao-do-ex-marido-de-maria-da-penha</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/entenda-o-que-motivou-a-prisao-do-ex-marido-de-maria-da-penha?feed=Lei%20Maria%20da%20Penha</guid>
      <pubDate>Mon, 10 Aug 2026 13:29:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha, foi preso no domingo, 9, em Natal (RN), após dar uma entrevista para a "TV Record" sobre sua condenação contra a antiga companheira, no episódio de agressão que inspirou a Lei Maria da Penha, que completou 20 anos.</p>
<p>A ordem de prisão partiu da Justiça do Ceará, que atendeu pedido do Ministério Público. Segundo o MP do estado, Viveros está proibido de divulgar informações sobre o processo e de propagar o nome ou a imagem de Maria da Penha e das duas filhas.  A decisão também determina a proibição da veiculação da entrevista.</p>
<p>A Justiça do Ceará determinou a preservação de todo o material relacionado à produção de conteúdo sobre o caso, incluindo arquivos, registros de edição, contratos, comunicações internas e documentos correlatos. O descumprimento da ordem sujeita o responsável a multa diária de R$ 100 mil.</p>
<p>O juiz ressaltou que a medida tem como objetivo garantir a ordem pública, assegurar a efetividade das medidas protetivas de urgência e impedir a continuidade de práticas delitivas.</p>
<p>O colombiano Marco Antonio Heredia Viveros foi condenado por tentativa de homicídio contra Maria da Penha. O crime ocorreu em 1983, em Fortaleza. </p>
<p>Segundo o processo, na primeira agressão ele atirou contra a então esposa enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. Meses depois, manteve-a em cárcere privado e tentou eletrocutá-la durante o banho.</p>
<p>Após anos de recursos judiciais e da condenação pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o caso tornou-se um marco no enfrentamento à violência doméstica no Brasil e resultou na sanção da Lei Maria da Penha, em 7 de agosto de 2006.</p>
<p>A defesa de Viveros ainda não se pronunciou até a mais recente atualização desta reportagem.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/as264vxETrFRcsiOW.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Reprodução - Redes Sociais</media:credit>
        <media:title>Ex-marido de Maria da Penha</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Lei Maria da Penha: 20 anos de um marco na luta contra a violência que fere e mata mulheres no Brasil</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/lei-maria-da-penha-20-anos-marco-violencia-contra-mulher</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/lei-maria-da-penha-20-anos-marco-violencia-contra-mulher?feed=Lei%20Maria%20da%20Penha</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Aug 2026 11:54:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Principal marco legal da prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil,  a Lei Maria da Penha completa 20 anos  nesta sexta-feira, 7. Foi sancionada após uma  extensa batalha até que se tornasse realidade.  Atualizada ao longo desse período, hoje dispõe de 46 artigos distribuídos em sete títulos, com mecanismos para prevenir e coibir agressões físicas, psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais e para oferecer assistência às vítimas.</p>
<p>Oficialmente, ela é a  Lei nº 11.340/2006 . Mas ficou amplamente conhecida pelo nome da  farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes , que se empenhou em buscar a Justiça para a violência que sofreu do então marido, o colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, com quem se casou em 1976.</p>
<p>Em maio de 1983, quando a farmacêutica já tinha três filhas, ela levou um tiro nas costas. Era de noite e Maria da Penha dormia.  O tiro a deixou paraplégica . Marco Antonio disse à polícia que o ataque teria sido de um ladrão que invadira a casa. Mas a investigação desmontou a história que ele tinha inventado com base em provas reunidas pela vítima. Após obter cidadania brasileira e encontrar estabilidade profissional, Marco Antonio se tornou uma pessoa agressiva na relação com a mulher e as filhas. Já era um agressor.</p>
<p>Quatro meses depois desse crime, Maria da Penha pôde sair do hospital e retornar à casa. Porém, Marco Antonio a manteve em cárcere privado durante 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. Essa foi a segunda tentativa de  feminicídio, palavra que, na época, nem se imaginava entrar um dia no vocabulário das mulheres.</p>
<p>A farmacêutica narra esses e outros momentos em seu livro “ Sobrevivi... posso contar ” (1994).</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asSSJLMvMXc8AskPl.png?width=800&height=600&quality=75" alt="Maria da Penha foi atingida por um tiro nas costas que a deixou tetraplégica."/>
<p>Com ajuda da família e de amigos, Maria da Penha conseguiu obter apoio jurídico que garantisse sua saída de casa sem que isso configurasse abandono de lar – o que poderia levá-la a perder a guarda das filhas. Em seguida, iniciou-se uma longa luta para que o ex-marido respondesse pelo crime na Justiça.</p>
<p>O primeiro julgamento de Marco Antonio aconteceu oito anos depois do crime, em 1991. Foi  sentenciado a 15 anos , mas, por manobras da defesa, conseguiu sair do fórum em liberdade.</p>
<p>O segundo julgamento foi realizado em 1996, dois anos depois do lançamento do livro de Maria da Penha. O agressor foi  condenado a 10 anos e 6 meses de prisão . Novas manobras da defesa o livraram da cadeia mais uma vez.</p>
<p>Em 1998, o descaso da Justiça brasileira chegou a esferas internacionais. Maria da Penha, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional e o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher denunciaram o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Estado brasileiro permaneceu sem responder às denúncias.</p>
<p>Em 2001, após ignorar quatro ofícios enviados pela comissão entre 1998 e 2001,  o Brasil foi responsabilizado por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica contra as mulheres.</p>
<p>No ano seguinte, um consórcio de organizações feministas elaborou uma proposta de lei para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher.</p>
<p>A prisão de Marco Antonio só ocorreu em 29 de outubro de 2002, em Natal, 19 anos após a tentativa de feminicídio e quando a pena estava perto de prescrever. Ele cumpriu cerca de dois anos de prisão antes de passar ao regime semiaberto e, posteriormente, obter a liberdade condicional.</p>
<p>Quatro anos depois da prisão do agressor de Maria da Penha, o projeto de lei, que criava mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica, instituía os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e previa medidas protetivas para as vítimas,  foi aprovado por unanimidade na Câmara e no Senado . Em 7 de agosto de 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva  sancionou a Lei nº 11.340 .</p>
<p>Como parte das recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Maria da Penha foi indenizada pelo Estado do Ceará, e a lei recebeu seu nome em reconhecimento à sua  luta pelos direitos das mulheres .</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/ashoasqs8DrITo1En.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Maria da Penha em evento do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília. Foto: "/>
<p>A farmacêutica criou em 2009 o  Instituto Maria da Penha , uma organização não governamental e sem fins lucrativos, que atua junto a diversos setores da sociedade e promove ações de enfrentamento à violência contra a mulher, além de permanecer atenta ao cumprimento da lei. A entidade zela pela  uniformidade da aplicação da legislação .</p>
<h2>Que cenário temos hoje?</h2>
<p>O  20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública , divulgado pelo  Fórum Brasileiro de Segurança Pública  (FBSP) no fim de julho, mostra que foram registrados  1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica,  iniciada em 2015, quando o crime foi incluído no Código Penal.</p>
<p>Em relação a 2024, o total desses crimes cresceu 4%. Isso corresponde a uma taxa de 1,4 vítima por 100 mil mulheres.</p>
<p>Em 2025, os feminicídios corresponderam a  44,4% das mulheres assassinadas  no Brasil, a maior proporção desde a criação da categoria penal.</p>
<p>O documento aponta ainda que  4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio : foram quase três crimes tentados para cada morte consumada.</p>
<p>As autoras de um capítulo do anuário dedicado à violência cometida contra as mulheres –  Isabella Matosinhos, pesquisadora da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões, e Juliana Brandão, coordenadora de gênero e raça no FBSP  – destacaram a Lei Maria da Penha como “um divisor de águas que, ao permitir o endereçamento normativo das demandas  derivadas da violência doméstica e familiar, criou, simultaneamente, um novo paradigma para a responsabilização dos autores de violência, bem como retirou a violência contra as mulheres do âmbito estritamente privado e a transformou em um problema político de Estado”.</p>
<p>Segundo Isabella e Juliana, “o marco jurídico foi reorganizado, porém não foi suficiente para desmontar, na mesma velocidade, a combinação de dependência econômica, controle coercitivo, tolerância social à violência e falhas na proteção estatal, que alimentam o ciclo de agressões”.</p>
<p>Elas salientam que é sabido que os feminicídios costumam ser o último estágio de “uma dinâmica cíclica e crescente de abusos”. Ou seja,  os casos de ameaças, perseguições e violências psicológicas, entre outras agressões, representam um risco acumulado.  Na visão das autoras, se monitorados, eles permitem enxergar o padrão de escalada que frequentemente culmina em feminicídio.</p>
<p>Uma pesquisa do  Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva , divulgada recentemente, mostra que a Lei Maria da Penha ampliou o conhecimento da população sobre a violência doméstica, mas  o problema continua disseminado no país.  O estudo revela que  muitas mulheres só identificam determinadas agressões como violência quando elas são descritas de forma específica.</p>
<p>Quando questionadas de maneira geral,  34%  das mulheres disseram já ter sofrido violência praticada por parceiro ou ex-parceiro. No entanto, ao serem apresentadas às diferentes formas de violência previstas na Lei Maria da Penha, esse percentual sobe para  54% , o equivalente a cerca de  47,7 milhões de brasileiras  que já vivenciaram pelo menos um tipo de violência tipificado pela legislação. Entre as ocorrências mais relatadas estão as  violências psicológica e física .</p>
<p>Por outro lado,  apenas 11% dos homens admitem ter cometido alguma agressão  contra uma parceira ou ex-parceira com quem já se relacionou. Esse índice sugere que há um longo caminho a percorrer no país para uma efetiva diminuição das violências cometidas contras as mulheres no Brasil.</p>
<h2>Conversas no WhatsApp</h2>
<p>Em nossa comunidade do  WhatsApp ,  Segurança e Força para as Mulheres no Brasil  – criada para levar conteúdo para mulheres, mães e famílias que acompanham as leis, os serviços e as histórias que tornam o país mais seguro –, apresentamos uma pergunta ( mais abaixo ).</p>
<p>Destacamos aqui três respostas de integrantes da comunidade.</p>
<p>Diante dos desafios que as mulheres ainda enfrentam hoje, qual é a medida mais urgente que precisa ser adotada para aumentar a segurança das mulheres?</p>
<p>“ Serem ouvidas de verdade. Sem influência externa. Até nos B.O.s os policiais interferem”</p>
<p>Duda</p>
<p>“ Letramento do ecossistema judicial. Principalmente o  Protocolo de Gênero do CNJ.  Desde o porteiro até o juiz e desembargadores. E demais instituições de apoio ”</p>
<p>Flávia</p>
<p>“ Comunicação entre os processos. Meu caso: casei com uma pessoa que estava em liberdade provisória por estupro, cárcere privado e tortura. Cometidos em 2018. Sofri os mesmos crimes culminando em tentativa de feminicídio em 2022. E o mesmo foi julgado como réu primário em 2024 porque o antigo [processo] da ex mulher estava parado desde 2018. Só voltou a andar em 2024 porque eu abri um segundo processo de estupro e violência psicológica. [Ele foi] condenado a 22 anos e 2 meses, ainda em grau de recurso. O da ex-mulher ainda não saiu a sentença, mesmo sendo julgado um mês antes do meu. A partir de janeiro do ano que vem poderá sair em semiaberto (...). Resumindo: o mesmo homem, com três processos nas costas por crimes hediondos cometidos contra mulheres diferentes sendo beneficiado com semiaberto e réu primário simplesmente por morosidade e erros judiciários inaceitáveis ”</p>
<p>Luciana</p>
<h3>Leia também: </h3>
<h6>Artigo | 20 anos da Lei Maria da Penha e a proteção à mulher ainda em falta</h6>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://cdn.vpplayer.tech/agmipocc/encode/vjsokxeu/mp4/1440p.mp4" medium="video" type="video/mp4">
        <media:title>lei-maria-da-penha</media:title>
      </media:content>
      <media:thumbnail url="https://gsw.codexcdn.net/assets/assTRBZ2N5aBJ9opC.png?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" />
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
  </channel>
</rss>