<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0">
  <channel>
    <atom:link href="https://www.globalsouthworld.com.br/rss/tag/Guerra%20do%20Ir%C3%A3" rel="self" type="application/rss+xml" />
    <title>Global South World Brasil - Guerra do Irã</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Acordo dá aos EUA controle sobre 21% das reservas de petróleo da Venezuela</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/eua-controle-reservas-petroleo-venezuela</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/eua-controle-reservas-petroleo-venezuela?feed=Guerra%20do%20Ir%C3%A3</guid>
      <pubDate>Wed, 02 Sep 2026 22:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Um acordo entre Estados Unidos e Venezuela dará aos norte-americanos  controle majoritário sobre 17 campos que concentram 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo — cerca de 21% de todo o volume conhecido no subsolo venezuelano.</p>
<p>O acerto foi anunciado nesta sexta-feira, 28, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pouco depois, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o acordo em comunicado publicado em seu perfil no Instagram.</p>
<p>Trump afirmou na rede Truth Social que os Estados Unidos garantiram o “controle majoritário” de mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas, em uma parceria com o setor privado e “sem qualquer custo para o contribuinte norte-americano”.</p>
<p>A Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris de reservas comprovadas, uma das maiores do mundo.  O país, no entanto, produz atualmente cerca de 1,25 milhão de barris por dia.</p>
<h2>17 campos e US$ 100 bilhões em investimentos</h2>
<p>No comunicado veiculado no Instagram, Delcy declarou que o acordo permitirá “aumentar consideravelmente a produção de petróleo com a participação de operadores privados”.</p>
<p>Conforme o comunicado, estão previstos o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com potencial comprovado de 65 bilhões de barris, mais de US$ 100 bilhões em investimentos e mais de US$ 209 bilhões em tributos para o Estado venezuelano.</p>
<p>Delcy afirmou que os recursos contribuirão para “a recuperação e modernização de nossa indústria” e para o crescimento econômico do país. De acordo com ela, o objetivo é colocar as reservas venezuelanas “a serviço do desenvolvimento nacional”, com geração de empregos e aumento da renda dos trabalhadores.</p>
<p>O país ainda enfrenta os  efeitos dos terremotos de 24 de junho, que deixaram mais de 6,3 mil mortos . O Banco Mundial estima que  a reconstrução da Venezuela poderá custar até US$ 50 bilhões .</p>
<h2>Como será o controle dos EUA</h2>
<p>Os 65 bilhões de barris não serão transferidos para os Estados Unidos. O número representa o petróleo que se estima existir no subsolo dos campos incluídos no acordo.</p>
<p>O  Washington Post  reportou ter ouvido de autoridades do governo que  os Estados Unidos serão sócios majoritários de uma nova empresa petrolífera que terá contratos de 100 anos para atuar nos campos venezuelanos . O arranjo dará aos norte-americanos controle sobre uma parcela significativa das reservas do país.</p>
<p>Os termos jurídicos e financeiros do acordo não foram tornados públicos. O anúncio de Trump não identificou os 17 campos nem detalhou todas as empresas privadas que participarão do projeto.</p>
<p>A dimensão do negócio também aparece no comunicado venezuelano. Enquanto Trump enfatiza o controle norte-americano sobre as reservas,  Delcy apresenta o acordo como uma forma de atrair capital para recuperar a indústria petrolífera do país.  Ela defendeu que a iniciativa facilitará “um importante fluxo de investimentos” para reconstruir a infraestrutura estratégica do setor.</p>
<h2>Petróleo venezuelano ganha importância para os EUA</h2>
<p>O acordo ocorre em meio à  crise no mercado de energia provocada pela  guerra contra o Irã, iniciada há seis meses por Estados Unidos e Israel.  O conflito reduziu drasticamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás, e mantém os preços dos combustíveis pressionados.</p>
<p>O barril do Brent permanece em torno de US$ 90, cerca de 25% acima do nível anterior à guerra. O impacto é maior sobre os combustíveis: nos Estados Unidos, o preço da gasolina subiu aproximadamente 30% em um ano.</p>
<p>O acerto entre Venezuela e Estados Unidos acontece também em mais um cenário de pressão sobre Trump, a poucos meses das eleições legislativas de novembro. O presidente enfrenta desgaste na opinião pública.</p>
<p>Trump declarou que o negócio “mais que duplica” as reservas petrolíferas norte-americanas. Os 65 bilhões de barris, porém, não devem ser confundidos com a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.</p>
<p>A reserva estratégica é formada por petróleo já extraído e armazenado pelo governo para situações de emergência.</p>
<p>Desde a operação militar norte-americana que capturou Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e o levou para os Estados Unidos, Washington vem ampliando sua influência sobre o setor petrolífero venezuelano.  O petróleo ocupa papel central na relação estabelecida entre o governo Trump e a administração interina de Delcy.</p>
<p>Matéria atualizada 02/09/2026 às 19h52</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://cdn.vpplayer.tech/agmipocc/encode/vjsollzp/mp4/1440p.mp4" medium="video" type="video/mp4">
        <media:title>petroleo-venezuela</media:title>
      </media:content>
      <media:thumbnail url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asJGM1hUAzCgDKdvt.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" />
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Após seis meses de guerra, Irã e EUA travam disputa de resistência e pressão econômica</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/em-seis-meses-de-guerra-ira-e-eua-travam-disputa-de-resistencia-e-pressao-economica</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/em-seis-meses-de-guerra-ira-e-eua-travam-disputa-de-resistencia-e-pressao-economica?feed=Guerra%20do%20Ir%C3%A3</guid>
      <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 18:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Seis meses depois do ataque conjunto que causou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o regime no país continua de pé . E os Estados Unidos ainda não conseguiram transformar a superioridade militar em uma solução política para a guerra.</p>
<p>Ao longo do tempo, o conflito passou por momentos de queda e alta de intensidade. Houve cessar-fogos e um memorando de entendimento em junho, mas nenhum deles produziu uma paz definitiva; agora, com o  Estreito de Ormuz  praticamente fechado e Washington ampliando as sanções, a guerra entra em uma fase em que a  pressão econômica substitui a expectativa de uma vitória bélica rápida.</p>
<p>Para  Leandro Consentino, professor de Relações Internacionais do Insper , o conflito também mudou o cálculo político de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, principalmente o de Trump.</p>
<p>Na quarta-feira, 26, Irã e Omã firmaram um acordo para criar um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, que visa liberar a passagem de embarcações comerciais pelas águas iranianas e omanenses.</p>
<p>É importante estabelecer, porém, que o anúncio ainda não representa uma reabertura plena da rota. À Reuters, uma fonte iraniana afirmou que os detalhes do acordo seguem sendo negociados, enquanto autoridades dos dois países falavam em estabelecer uma passagem temporária e retirar minas da região. O entendimento também prevê uma discussão sobre a administração futura da via e sobre a divisão das receitas entre Irã e Omã.</p>
<p>Isso importa porque Ormuz ainda é o principal instrumento de pressão de Teerã e, ao mesmo tempo, o maior entrave econômico que a guerra gestou. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito transportados por via marítima no mundo passava pelo estreito. Desde fevereiro, o movimento de navios despencou e, apesar de períodos de recuperação durante as tréguas, os fluxos continuam muito abaixo do nível anterior à guerra.</p>
<p>Segundo dados da Kpler, empresa de inteligência especializada no rastreamento do comércio mundial de commodities, as importações asiáticas de petróleo do Oriente Médio em agosto ficaram cerca de 14% abaixo da média dos três meses anteriores ao conflito.</p>
<p>Há cerca de 6 mil marítimos presos na região do Golfo, segundo estimativas divulgadas nas últimas semanas, enquanto companhias de navegação continuam evitando ou reduzindo operações pelo estreito. A Agência Internacional de Energia afirma que a interrupção das exportações do Golfo e os preços mais altos de combustíveis já estão afetando a demanda mundial por petróleo e as cadeias internacionais de abastecimento.</p>
<h2>A escalada até aqui</h2>
<p>O ataque de 28 de fevereiro não veio do nada. Em junho de 2025, oito meses antes do início da atual guerra, Israel lançou uma campanha contra instalações nucleares e militares iranianas. O conflito, conhecido como Guerra dos 12 Dias, terminou em 24 de junho, depois que os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas. A trégua não resolveu a questão central: o programa nuclear iraniano continuou sendo o principal ponto de disputa entre Teerã, Washington e Jerusalém.</p>
<p>Meses depois, as negociações não produziram um acordo e Estados Unidos e Israel decidiram atacar novamente. Em 28 de fevereiro de 2026, os dois países lançaram operações simultâneas contra o Irã, batizadas de Roaring Lion por Israel e Epic Fury pelos Estados Unidos. Khamenei foi morto no primeiro dia, junto com outros integrantes da cúpula iraniana, e os ataques atingiram instalações militares e nucleares. O objetivo americano e israelense incluía reduzir a capacidade militar e nuclear iraniana e, segundo autoridades dos dois países, produzir uma mudança política em Teerã.</p>
<p>Em abril, Estados Unidos e Irã aceitaram um cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão. Em junho, os dois lados chegaram a um novo memorando, que previa o fim das operações militares, a retirada progressiva do bloqueio naval americano, a retomada do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz e negociações para um acordo definitivo em até 60 dias. O prazo passou sem um tratado de paz.</p>
<p>Dentro do Irã, a guerra se sobrepôs a uma crise política e econômica que já vinha de antes. Os protestos iniciados no fim de dezembro de 2025, depois da forte desvalorização do rial e do agravamento da crise econômica, foram reprimidos pelo governo. Organizações de direitos humanos registraram milhares de mortos, mas o número exato permanece objeto de disputa porque houve apagões de internet e dificuldade de verificação independente.</p>
<p>O que não aconteceu foi justamente o que Washington e Israel pareciam esperar: a morte de Khamenei, a destruição de parte importante da estrutura militar iraniana e a pressão econômica não produziram o colapso do regime. O Irã continuou funcionando, reorganizou sua liderança e manteve capacidade de lançar mísseis e drones, ainda que tenha sofrido perdas militares muito grandes.</p>
<h2>Ormuz, ponto de pressão permanente</h2>
<p>É difícil entender a situação atual sem olhar para o Estreito de Ormuz. Por ali passava, antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás liquefeito transportados por via marítima no mundo. O fechamento da rota reduziu drasticamente os embarques do Golfo, obrigou produtores a procurar caminhos alternativos e levou países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos a acelerar projetos de oleodutos que permitem exportar petróleo sem depender integralmente do estreito.</p>
<p>O petróleo também passou a refletir essa incerteza. Houve momentos de disparada, mas os preços caíram durante a trégua de junho e voltaram a subir à medida que a situação se deteriorou. Em agosto, o Brent chegou a ser negociado perto dos US$ 90, e a Reuters calculava o preço cerca de 25% acima do nível anterior à guerra.</p>
<p>No Brasil, o efeito passa pelo petróleo, pelos derivados, pelo frete e pelo comércio exterior. O país é exportador líquido de petróleo, o que reduz parte do impacto externo, mas também importa derivados e está exposto à formação internacional dos preços. Do lado das exportações, a guerra também afetou o comércio com o Oriente Médio: em março, os embarques brasileiros de milho para o Irã despencaram, enquanto as exportações de frango para o país ficaram zeradas naquele mês.</p>
<p>Para Consentino, o impacto regional vai além do mercado de energia e envolve uma reorganização dos alinhamentos geopolíticos.</p>
<p>“Teve uma reorganização importante do ponto de vista geopolítico, apoios de lado a lado que talvez tenham se tornado mais importantes ou mais relevantes dentro disso.” </p>
<p>A relação entre os Estados Unidos e os países do Golfo também ficou mais frágil, avalia o professor.</p>
<h2>O cálculo político dos dois lados</h2>
<p>Em Washington, a expectativa inicial de uma guerra relativamente curta deu lugar a uma  disputa econômica  prolongada, e o governo de Donald Trump passou a apostar cada vez mais em sanções para cortar as fontes de receita iranianas. </p>
<p>Em agosto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que os Estados Unidos preparavam o que chamou de as sanções mais duras já impostas ao Irã e disse explicitamente que a combinação entre bloqueio e pressão econômica levaria ao colapso do regime, uma aposta que, embora aumente a pressão sobre uma economia já devastada, também tem limites.</p>
<p>O Irã passou décadas aprendendo a operar sob sanções, o rial, moeda do país, atingiu novas mínimas e a inflação disparou, enquanto a China continua sendo um comprador fundamental do petróleo iraniano e Washington precisa decidir até onde está disposto a pressionar empresas e instituições chinesas para fechar as rotas de evasão.</p>
<p>É nesse ambiente que o cálculo político de Donald Trump também mudou. No início, uma vitória rápida poderia render dividendos eleitorais nas eleições parlamentares de novembro; seis meses depois, porém, a duração do conflito e seus efeitos sobre a economia tornaram o resultado menos previsível.</p>
<p>“Só que há outro lado, e por isso o cálculo é ambíguo: como o conflito se estendeu e não foi tão fácil quanto ele imaginava, isso também pode ter gerado um problema do ponto de vista econômico, agravado pela questão do petróleo, que pode acabar custando caro para ele nas eleições parlamentares” , analisa o professor do Insper.</p>
<p>Para Benjamin  Netanyahu , diz Consentino, a lógica é diferente e está mais diretamente ligada à sobrevivência política do primeiro-ministro israelense.</p>
<p>Mas a mesma guerra que pode ajudar a sustentar um governo também pode se tornar um problema político conforme o custo aumenta. “E a medida que esse conflito se delonga, se desgasta e produz mais baixas, isso pode custar caro para ele também.”</p>
<p>Em Teerã, por outro lado, a sobrevivência do regime virou argumento de negociação. O governo iraniano pode dizer que os Estados Unidos conseguiram destruir instalações e matar integrantes da liderança, mas não conseguiram derrubar o sistema político. A questão agora é quanto cada lado está disposto a pagar para continuar sustentando essa posição: para os Estados Unidos, o custo é militar, econômico e político; para o Irã, é sobretudo econômico, além da destruição provocada pelos ataques e do isolamento internacional.</p>
<p>É nesse ponto que o Estreito de Ormuz volta ao centro da história. O corredor negociado com Omã pode ser um primeiro passo para reduzir a pressão sobre o comércio e permitir a retirada de milhares de marítimos, mas ainda não resolve a disputa entre Washington e Teerã sobre quem controla a passagem, quem garante a segurança dos navios e quais sanções serão suspensas.</p>
<p>Seis meses depois, portanto, o resultado é menos uma vitória de um lado do que um impasse caro. Os Estados Unidos e Israel conseguiram atingir profundamente a estrutura militar iraniana e eliminaram Khamenei, mas não produziram a mudança de regime que estava entre seus objetivos; o Irã sobreviveu politicamente, mas está economicamente devastado e ainda tenta recuperar alguma capacidade de negociação.</p>
<p>Para Consentino, a relação entre Washington e Teerã deve continuar marcada por períodos de pressão e descompressão, sem uma mudança estrutural no curto prazo.</p>
<p>“As perspectivas são bastante complicadas. Vai persistir uma relação bastante conflituosa, de idas e vindas entre momentos de descompressão e de maior pressão, mas nada que seja construtivo no curto prazo.” </p>
<p>A mudança, na avaliação dele, dependeria principalmente de alterações no cenário político americano e iraniano. “No geral, teremos períodos de bastante fragilidade nessa relação, que só tendem a mudar com a mudança de governo dos dois lados.”</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asMeGDuIWGZlvQ60L.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">Nasa/Divulgação</media:credit>
        <media:title>estreito de ormuz</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estreito de Ormuz em compasso de espera; ameaças rondam acordo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/estreito-de-ormuz-em-compasso-de-espera-ameacas-rondam-acordo</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/estreito-de-ormuz-em-compasso-de-espera-ameacas-rondam-acordo?feed=Guerra%20do%20Ir%C3%A3</guid>
      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 16:17:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, entraram em fase decisiva, mas ainda há muitas incertezas quanto a um acordo. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que há possibilidade de um acordo com o Irã ser alcançado ainda nesta terça-feira, 4, ou na quarta-feira, 5. Ao mesmo tempo, declarações de líderes dos dois países e divergências sobre o controle da passagem mostram que o entendimento ainda está longe de ser garantido.</p>
<p>"Estamos em negociações com os iranianos, e acho que há uma chance de chegarmos a um acordo para abrir o estreito e avançarmos em direção a uma situação mais normalizada neste conflito", disse Bessent em entrevista à CNBC.</p>
<p>O principal impasse continua sendo quem exercerá autoridade sobre a via marítima. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters nesta terça-feira, 4, Teerã negocia com Omã um modelo que lhe daria controle sobre todo o tráfego de entrada de navios comerciais no estreito, além de visibilidade sobre as embarcações que deixam a região e poder para intervir quando considerar necessário.</p>
<p>Pela proposta em discussão, a autorização para saída dos navios seria concedida por Omã, mas apenas após notificação às autoridades iranianas. A mesma fonte afirmou que o Irã dificilmente aceitará qualquer alternativa que não preserve esse nível de controle. No fim de semana, Teerã informou que o plano conjunto com Omã havia entrado na etapa final de negociações.</p>
<p>Os Estados Unidos, por outro lado, defendem que a navegação seja restabelecida sem restrições e rejeitam qualquer arranjo que reconheça soberania exclusiva iraniana sobre a rota, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.</p>
<h2>Guerra de versões</h2>
<p>Enquanto diplomatas tentam destravar as negociações, Washington e Teerã mantêm discursos conflitantes. Na segunda-feira, 3, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, salientou que as conversas representam a "última chance" para que o Irã aceite um acordo. Ele chegou a dizer que pretendia dar a Teerã "todas as últimas chances antes da decapitação" e acusou a liderança iraniana de enviar sinais contraditórios ao solicitar reuniões reservadas enquanto negava publicamente qualquer negociação.</p>
<p>Trump também declarou que o bloqueio ao Estreito de Ormuz seria mantido até que houvesse um entendimento ou a "rendição total" do governo iraniano. Nesta terça-feira, 4, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país defenderá seu território, mas não pretende ampliar a guerra no Oriente Médio.</p>
<h2>Estoques de mísseis aumentam pressão</h2>
<p>Outro fator reforça a pressão por uma solução diplomática. Segundo reportagem da Reuters, o exército dos Estados Unidos consumiu grande parte de seus estoques de mísseis táticos de longo alcance durante os cinco meses de guerra contra o Irã.</p>
<p>Entre as armas mais utilizadas estão os ATACMS e os Precision Strike Missile (PrSM), sistemas empregados em ataques de precisão e considerados estratégicos também para outros cenários militares, como um eventual confronto envolvendo a China.</p>
<p>De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias, líderes militares norte-americanos vêm alertando a Casa Branca há semanas sobre a redução dos estoques de munições de alta precisão e de sistemas defensivos, como os interceptadores Patriot. Uma autoridade do governo, contudo, contestou que esse tenha sido o principal motivo para a suspensão de uma nova ofensiva de grande escala, atribuindo a decisão também à pressão exercida por aliados dos Estados Unidos no Golfo.</p>
<p>Aparentemente, as negociações seguem em andamento e ainda não há consenso sobre o futuro do Estreito de Ormuz nem sobre o modelo de gestão da rota marítima.  </p>
<h2>Mudanças de postura de Trump após suas ameaças contra o Irã</h2>
<p>Donald Trump fez algumas das ameaças públicas mais agressivas de ação militar já feitas por um presidente dos Estados Unidos na história recente. No entanto, também voltou atrás em muitas delas.</p>
<p>As declarações do presidente republicano sobre a guerra contra o Irã mudaram de forma dramática e rápida em várias ocasiões desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.</p>
<p>Ele declarou repetidamente vitória ao afirmar que as capacidades militares iranianas tinham sido completamente derrotadas, para depois alterar o cronograma da guerra ou ameaçar Teerã com novos ataques.</p>
<p>Em 17 de junho, Trump elogiou os novos líderes iranianos como "muito inteligentes" e "muito menos radicalizados" do que seus antecessores, mortos em ataques aéreos americanos e israelenses.</p>
<p>No entanto, o presidente norte-americano demonstrou frustração em 8 de julho quando disse que "não queria mais lidar com eles" porque "são lixo".</p>
<p>A AFP reuniu alguns exemplos de ameaças de Trump contra o Irã e de como ele posteriormente suavizou sua posição.</p>
<p>21 de março</p>
<p>"Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR DELAS!"</p>
<p>A ameaça de Trump, publicada em sua plataforma Truth Social, causou impacto porque um ataque deliberado contra usinas de energia, consideradas infraestrutura civil essencial, é amplamente visto como crime de guerra.</p>
<p>23 de março</p>
<p>Dois dias depois, Trump prorrogou o prazo em cinco dias, citando "conversas muito boas e produtivas" com o Irã. Em seguida, suspendeu o "período de destruição das usinas de energia por 10 dias", até 6 de abril, alegando que havia negociações diplomáticas em andamento.</p>
<p>5 de abril</p>
<p>Com o prazo da prorrogação de 10 dias chegando ao fim, Trump publicou uma mensagem repleta de palavrões no Domingo de Páscoa:</p>
<p>"Abram a porra do estreito, seus bastardos malucos, ou vão viver no inferno."</p>
<p>Ele concluiu a mensagem dizendo: "Louvado seja Alá."</p>
<p>7 de abril</p>
<p>"Toda uma civilização morrerá esta noite, para jamais ser recuperada", anunciou Trump em uma publicação que muitos interpretaram como uma ameaça de aniquilar o Irã e sua população de cerca de 90 milhões de habitantes.</p>
<p>7 de abril, horas depois</p>
<p>"Aceito suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas", disse Trump, ao aprovar uma proposta de trégua apresentada pelos mediadores da guerra após conversar com líderes do Paquistão.</p>
<p>11 de junho</p>
<p>"Os Estados Unidos atacarão o Irã... MUITO DURAMENTE ESTA NOITE" e "em algum momento em um futuro não muito distante tomaremos a ilha de Kharg" e outras instalações da infraestrutura petrolífera, publicou Trump na Truth Social.</p>
<p>11 de junho, cinco horas depois</p>
<p>Cinco horas depois, Trump afirmou que "cancelou os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite", citando avanços nas negociações para alcançar um acordo destinado a encerrar a guerra.</p>
<p>Em junho, foi assinado um acordo provisório para pôr fim aos combates, mas, um mês depois, o conflito voltou a se intensificar.</p>
<p>O Irã atacou instalações americanas no Oriente Médio, enquanto Washington bombardeou defesas costeiras iranianas e passou a incluir entre seus alvos pontes e outras infraestruturas.</p>
<p>31 de julho</p>
<p>"Nós vamos atingi-los com muita força, e eles sabem que, em algum momento, vão dizer: 'Não aguentamos mais isso'", afirmou Trump durante uma reunião de gabinete na sexta-feira.</p>
<p>1º de agosto</p>
<p>"O Irã e outros países do Oriente Médio acabaram de nos pedir para adiar qualquer ataque", disse Trump. Ele acrescentou que "os parâmetros de um acordo foram aceitos".</p>
<p>A imprensa estatal iraniana negou categoricamente que a República Islâmica tivesse feito tal pedido.</p>
<p>Com AFP</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/askUDTp0nH3XEfOhF.jpeg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="photographer">U.S. Navy Photo</media:credit>
        <media:credit role="provider">U.S. Navy</media:credit>
        <media:title>USS Delbert D. Black (DDG 119) Fires a Tomahawk Land Attack Missile</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump dá cessar-fogo com o Irã por encerrado e projeta novos ataques no Golfo</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-da-cessar-fogo-com-o-ira-por-encerrado-e-projeta-novos-ataques-no-golfo</link>
      <guid isPermaLink="true">https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-da-cessar-fogo-com-o-ira-por-encerrado-e-projeta-novos-ataques-no-golfo?feed=Guerra%20do%20Ir%C3%A3</guid>
      <pubDate>Wed, 08 Jul 2026 16:39:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , afirmou nesta quarta-feira, 8, que  considera encerrado o cessar-fogo com o Irã , assinado há três semanas, e disse que novos ataques americanos são prováveis ainda hoje à noite.</p>
<p>"Nós os atingimos com força na noite passada e muito provavelmente os atingiremos novamente com força hoje à noite", disse, durante a cúpula da Otan, na Turquia.</p>
<p>A declaração ocorre após uma escalada no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. O Irã atacou três navios-tanque comerciais na região, e foram contra-atacados pelos Estados Unidos com ataques aéreos contra mais de 80 alvos iranianos. Em nova resposta, Teerã utilizou drones e mísseis contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait.</p>
<p>Trump classificou o cessar-fogo como "acabado" e disse que, para ele, seguir negociando com o governo iraniano "é perda de tempo". O republicano afirmou também que não quer mais lidar com os líderes do país.</p>
<p>"Eles são escória. São pessoas doentes. São lideradas por pessoas doentes", declarou ele a repórteres em Ancara.</p>
<p>Ao lado de Zelensky, Trump chegou a  cometer uma gafe ao se confundir e atribuir o ataque com mísseis à "República Islâmica do Japão".</p>
<p>Apesar do tom, o americano indicou que os negociadores das duas partes podem continuar as conversas “se quiserem”.</p>
<p>A nova escalada do conflito ocorre enquanto o Irã ainda vive o luto por Ali Khamenei, morto no ataque de fevereiro. O  cortejo fúnebre do aiatolá segue por Teerã desde sábado , 4, e o sepultamento está marcado para esta quinta-feira, 9, em Mashhad.</p>
<h2>O vai e vem dos acordos</h2>
<p>O conflito entre Estados Unidos e Irã começou em fevereiro de 2026, com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra instalações nucleares e militares do Irã. O país do Oriente Médio respondeu atacando bases americanas na região e acionando aliados.</p>
<p>Em abril, as partes chegaram a uma primeira trégua, quebrada e renegociada por diversas vezes. Em 17 de junho, Trump e o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinaram remotamente o  Memorando de Islamabad, documento de 14 pontos mediado pelo Paquistão . O texto previa a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval americano a portos iranianos e um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo.</p>
<p>Na semana passada, o Irã acusou os Estados Unidos de manter sanções e violar o espírito do memorando. Nos últimos dias, três navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz. Washington atribuiu o ataque a Teerã e classificou o episódio como uma violação do acordo.</p>
<p>Na terça-feira, 7, forças americanas atingiram mais de 80 alvos iranianos, incluindo embarcações da Guarda Revolucionária e instalações na costa. Horas depois, o Irã respondeu com drones e mísseis contra bases americanas no Bahrein e no Kuwait. Nesta quarta, durante a cúpula da Otan em Ancara, Trump declarou o cessar-fogo encerrado.</p>
<p>O memorando nunca teve adesão total das duas partes. Desde a assinatura, Estados Unidos e Irã trocaram acusações de descumprimento.</p>
<p>No centro do impasse estão interesses opostos: os Estados Unidos buscam controle sobre o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e a redução da capacidade militar iraniana, enquanto o Irã usa o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão contra sanções e ataques externos.</p>
<h2>Reação e mercado</h2>
<p>A Guarda Revolucionária do Irã declarou que pretende revidar "de forma mais dura" nos próximos dias.</p>
<p>O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou nesta quarta. Apenas quatro navios cruzaram a rota até o fim da manhã, ante uma média diária de 32 desde o início do cessar-fogo, em 17 de junho, segundo dados da consultoria Kpler enviados à CNN.</p>
<p>As bolsas americanas caíram após a declaração de Trump. O índice Dow Jones recuou cerca de 1% na abertura, e o Nasdaq, 0,4%. O petróleo subiu: o barril do tipo Brent avançou mais de 5%, para US$ 78, maior valor em duas semanas. O WTI, referência americana, teve alta semelhante, a US$ 73,50.</p>
<p>Apesar dos novos ataques e das ameaças dos dois lados, não há, por enquanto, fim formal de negociações.</p>
]]></description>
      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
      <media:content url="https://gsw.codexcdn.net/assets/asYeZ17QQWGuR8MKy.jpg?width=1280&amp;height=720&amp;quality=75&amp;r=fill&amp;g=no" medium="image" type="image/jpeg">
        <media:credit role="provider">White House/Reprodução</media:credit>
        <media:title>trump</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
  </channel>
</rss>