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    <title>Global South World Brasil - Festival do Rio</title>
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    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Curta resgata história da ‘mãe do futebol feminino brasileiro’</title>
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      <pubDate>Tue, 06 Oct 2026 18:45:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Nos anos 1940, quando jogar futebol era visto como incompatível com o papel reservado às mulheres, Carlota Rezende não apenas comandava um time feminino como planejava levá-lo para jogar no exterior. Dirigente e treinadora do Primavera Atlético Clube, ela transformou a própria casa, em Pilares, no subúrbio do Rio de Janeiro, em sede de uma equipe na qual mulheres treinavam, conviviam, festejavam e chegavam a ganhar dinheiro com o esporte.</p>
<p>A ousadia teve consequências. Em 1941, Carlota foi presa pela Delegacia de Costumes e a sede do Primavera foi fechada. Três meses depois, o governo Getúlio Vargas publicou o decreto-lei que proibiu às mulheres a prática de esportes considerados “incompatíveis com as condições de sua natureza”.</p>
<p>O futebol feminino passaria décadas submetido a restrições e só seria regulamentado no país em 1982. Agora, o esporte atravessa outro momento no país, que receberá a Copa do Mundo em 2027.</p>
<p>Mais de oito décadas depois, a mulher chamada de “mãe do futebol feminino brasileiro” tem sua trajetória levada ao cinema. Carlota é a protagonista de “A Casa de Dona Carlota”, curta-metragem escrito e dirigido por Lili Fialho e Bruna Linzmeyer que terá sua primeira exibição no Festival do Rio, que começou no dia 1º e vai até 11 de outubro.</p>
<p>O filme será apresentado nesta terça-feira, 7, na Estação Gávea; na quarta-feira, 8, no Cine Odeon, em sessão seguida de debate; e na sexta-feira, 9, no Cinesystem Belas Artes Botafogo. A estreia no Festival do Rio dá início à trajetória do curta por festivais nacionais e internacionais. Segundo a produção, há perspectiva de distribuição em plataformas de streaming em 2027.</p>
<h2>Uma casa onde mulheres podiam jogar</h2>
<p>Baseado na pesquisa histórica de Aira Bonfim, o curta acompanha Carlota enquanto prepara o Primavera para uma excursão internacional no início da década de 1940. No centro da trama está a negociação da dirigente com o empresário argentino Afonso Doce para levar suas jogadoras ao exterior.</p>
<p>A história revela também o que existia no futebol feminino brasileiro antes da proibição. Nas décadas de 1930 e 1940, equipes de mulheres atraíam público e começavam a reivindicar a profissionalização, ao mesmo tempo que enfrentavam a pressão do Estado Novo e de setores da imprensa que condenavam a presença feminina nos campos.</p>
<p>O Primavera era parte desse movimento. Mais do que sede do clube, a casa de Carlota tornou-se um espaço de autonomia pouco comum para as mulheres daquele período.</p>
<p>No cinema, Carlota é interpretada pela atriz paraibana Ingrid Trigueiro, que tem mais de três décadas de carreira no teatro e no audiovisual. Ela esteve em filmes como “Bacurau”, “Manas”, “Rebento” e “Central do Brasil”.</p>
<p>O elenco reúne ainda Tay O’hana, Luisa Mangini, Diego Pallardo e Bruna Linzmeyer – que faz sua estreia como diretora e roteirista. A produção conta com participação especial de Sandra Sá.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asMs8TBSP3jBHdj8N.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Lili Fialho e Bruna Linzmeyer assinam a direção e o roteiro de "A Casa de Dona Carlota". Bruna também atua no filme."/>
<h2>Memória do futebol feminino</h2>
<p>Bruna Linzmeyer atua há quase dez anos em projetos ligados à cultura do futebol de mulheres e, ao longo desse período, aproximou-se de atletas, torcedoras, pesquisadoras e profissionais da modalidade.</p>
<p>Lili Fialho, que também assina o argumento do filme, já desenvolvia trabalhos dedicados à memória do futebol feminino. Entre eles estão “Absolutas”, série documental sobre a modalidade, e “Joias Brutas”, sobre jovens promessas do esporte. O curta nasceu de anos de pesquisa sobre as mulheres que participaram dessa história e acabaram apagadas de sua narrativa mais conhecida.</p>
<p>“Mesmo durante a proibição, elas nunca pararam de jogar bola”, afirma Bruna, em comunicado. Segundo ela, recuperar o sucesso de Carlota e do Primavera é também uma maneira de desafiar a história oficial do futebol feminino e seguir os rastros deixados por essas mulheres.</p>
<p>Produzido por Mayra Faour Auad e Gabrielle Auad, “A Casa de Dona Carlota” é uma produção da MyMama Entertainment. A produtora completou 15 anos em 2026. Entre seus projetos recentes estão “Medusa”, de Anita Rocha da Silveira; “Fogaréu”, de Flávia Neves; “Alice”, de Gabriel Novis; e a coprodução “Vitória”, dirigida por Andrucha Waddington e estrelada por Fernanda Montenegro.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>A Casa de Dona Carlota</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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