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    <title>Global South World Brasil - Estreito de Ormuz</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Irã ameaça com mais ataques e aguarda resposta dos Estados Unidos sobre Ormuz</title>
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      <pubDate>Tue, 29 Sep 2026 15:09:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Irã intensificou sua retórica, nesta terça-feira (29), com mais ameaças de ataques contra instalações em todo o Oriente Médio, enquanto aguarda uma resposta dos Estados Unidos sobre seu plano para reabrir o Estreito de Ormuz.</p>
<p>O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta de Teerã. Mas, o ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou na segunda-feira (28) que espera uma resposta oficial nos próximos dias.</p>
<p>Os combates diminuíram nas últimas semanas, apesar dos ataques de Teerã contra navios no estreito. Washington, por sua vez, privilegia a pressão econômica contra a República Islâmica.</p>
<p>O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta terça-feira que nenhuma infraestrutura da região estará a salvo de ataques se a segurança do país não for garantida.</p>
<p>"Em uma região na qual não possamos vender petróleo, ninguém mais venderá. Ou, se não garantirem nossa segurança, nenhuma infraestrutura permanecerá a salvo", declarou Ghalibaf, que também preside o Parlamento iraniano, em um vídeo divulgado pela televisão estatal.</p>
<p>O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que espera uma resposta formal dos Estados Unidos à proposta de seu país de reabrir Ormuz, segundo informe da imprensa estatal.</p>
<p>O Irã bloqueia o tráfego marítimo comercial através de Ormuz desde que a guerra começou, no fim de fevereiro, com os ataques dos EUA e de Israel contra seu território. Antes do conflito bélico, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam por esta via.</p>
<p>Washington respondeu com um contrabloqueio aos portos iranianos, em uma tentativa de impedir que Teerã transporte petróleo.</p>
<h2>Condições impostas pelo Irã</h2>
<p>Na segunda-feira, Araghci declarou que os intermediários do Catar "apresentaram ideias e nós as discutimos; eles pretendem apresentar mais uma vez o assunto aos Estados Unidos, e depois nos comunicarão a resposta definitiva" de Washington.</p>
<p>O chefe da diplomacia iraniana afirmou que "os cataris esperam que isto seja resolvido" nesta terça-feira.</p>
<p>"A abordagem atual se concentra exclusivamente no Estreito de Ormuz. A reabertura do estreito depende do cumprimento de certas condições, que comunicamos à outra parte", acrescentou.</p>
<p>Na semana passada, Araghchi e os enviados dos Estados Unidos Steve Witkoff e Jared Kushner participaram de conversações, mas com resultados limitados.</p>
<p>Entre as condições prévias, o Irã exige um cessar-fogo de sete dias em todo o Oriente Médio, incluindo o Líbano, onde Israel bombardeia com frequência o movimento pró-iraniano Hezbollah.</p>
<p>Também exige o desbloqueio dos ativos iranianos congelados no exterior, a suspensão das sanções sobre seu setor petrolífero e o fim do bloqueio naval dos EUA contra seus portos.</p>
<p>As duas partes afirmam controlar Ormuz. O governo dos Estados Unidos diz que os petroleiros conseguem atravessar o estreito, mas Teerã nega.</p>
<p>"Fazer passar às escondidas algumas poucas centenas de barris de petróleo (...) não significa que o estreito esteja aberto", declarou nesta terça‑feira Hossein Mohebi, porta‑voz da Guarda Revolucionária iraniana, o braço ideológico das Forças Armadas do país.</p>
<p>"Um estreito verdadeiramente aberto é aquele pelo qual passariam pelo menos 125 navios por dia, como no passado, transportando no mínimo 20 milhões de barris de petróleo e derivados", disse.</p>
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        <media:credit role="photographer">FATEMEH BAHRAMI</media:credit>
        <media:credit role="provider">Foto de  Fatemeh Bahrami / Anadolu via AFP</media:credit>
        <media:title>Iran says it seized US underwater drone in Strait of Hormuz</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[AFP]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Após seis meses de guerra, Irã e EUA travam disputa de resistência e pressão econômica</title>
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      <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 18:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Seis meses depois do ataque conjunto que causou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o regime no país continua de pé . E os Estados Unidos ainda não conseguiram transformar a superioridade militar em uma solução política para a guerra.</p>
<p>Ao longo do tempo, o conflito passou por momentos de queda e alta de intensidade. Houve cessar-fogos e um memorando de entendimento em junho, mas nenhum deles produziu uma paz definitiva; agora, com o  Estreito de Ormuz  praticamente fechado e Washington ampliando as sanções, a guerra entra em uma fase em que a  pressão econômica substitui a expectativa de uma vitória bélica rápida.</p>
<p>Para  Leandro Consentino, professor de Relações Internacionais do Insper , o conflito também mudou o cálculo político de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, principalmente o de Trump.</p>
<p>Na quarta-feira, 26, Irã e Omã firmaram um acordo para criar um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, que visa liberar a passagem de embarcações comerciais pelas águas iranianas e omanenses.</p>
<p>É importante estabelecer, porém, que o anúncio ainda não representa uma reabertura plena da rota. À Reuters, uma fonte iraniana afirmou que os detalhes do acordo seguem sendo negociados, enquanto autoridades dos dois países falavam em estabelecer uma passagem temporária e retirar minas da região. O entendimento também prevê uma discussão sobre a administração futura da via e sobre a divisão das receitas entre Irã e Omã.</p>
<p>Isso importa porque Ormuz ainda é o principal instrumento de pressão de Teerã e, ao mesmo tempo, o maior entrave econômico que a guerra gestou. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito transportados por via marítima no mundo passava pelo estreito. Desde fevereiro, o movimento de navios despencou e, apesar de períodos de recuperação durante as tréguas, os fluxos continuam muito abaixo do nível anterior à guerra.</p>
<p>Segundo dados da Kpler, empresa de inteligência especializada no rastreamento do comércio mundial de commodities, as importações asiáticas de petróleo do Oriente Médio em agosto ficaram cerca de 14% abaixo da média dos três meses anteriores ao conflito.</p>
<p>Há cerca de 6 mil marítimos presos na região do Golfo, segundo estimativas divulgadas nas últimas semanas, enquanto companhias de navegação continuam evitando ou reduzindo operações pelo estreito. A Agência Internacional de Energia afirma que a interrupção das exportações do Golfo e os preços mais altos de combustíveis já estão afetando a demanda mundial por petróleo e as cadeias internacionais de abastecimento.</p>
<h2>A escalada até aqui</h2>
<p>O ataque de 28 de fevereiro não veio do nada. Em junho de 2025, oito meses antes do início da atual guerra, Israel lançou uma campanha contra instalações nucleares e militares iranianas. O conflito, conhecido como Guerra dos 12 Dias, terminou em 24 de junho, depois que os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas. A trégua não resolveu a questão central: o programa nuclear iraniano continuou sendo o principal ponto de disputa entre Teerã, Washington e Jerusalém.</p>
<p>Meses depois, as negociações não produziram um acordo e Estados Unidos e Israel decidiram atacar novamente. Em 28 de fevereiro de 2026, os dois países lançaram operações simultâneas contra o Irã, batizadas de Roaring Lion por Israel e Epic Fury pelos Estados Unidos. Khamenei foi morto no primeiro dia, junto com outros integrantes da cúpula iraniana, e os ataques atingiram instalações militares e nucleares. O objetivo americano e israelense incluía reduzir a capacidade militar e nuclear iraniana e, segundo autoridades dos dois países, produzir uma mudança política em Teerã.</p>
<p>Em abril, Estados Unidos e Irã aceitaram um cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão. Em junho, os dois lados chegaram a um novo memorando, que previa o fim das operações militares, a retirada progressiva do bloqueio naval americano, a retomada do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz e negociações para um acordo definitivo em até 60 dias. O prazo passou sem um tratado de paz.</p>
<p>Dentro do Irã, a guerra se sobrepôs a uma crise política e econômica que já vinha de antes. Os protestos iniciados no fim de dezembro de 2025, depois da forte desvalorização do rial e do agravamento da crise econômica, foram reprimidos pelo governo. Organizações de direitos humanos registraram milhares de mortos, mas o número exato permanece objeto de disputa porque houve apagões de internet e dificuldade de verificação independente.</p>
<p>O que não aconteceu foi justamente o que Washington e Israel pareciam esperar: a morte de Khamenei, a destruição de parte importante da estrutura militar iraniana e a pressão econômica não produziram o colapso do regime. O Irã continuou funcionando, reorganizou sua liderança e manteve capacidade de lançar mísseis e drones, ainda que tenha sofrido perdas militares muito grandes.</p>
<h2>Ormuz, ponto de pressão permanente</h2>
<p>É difícil entender a situação atual sem olhar para o Estreito de Ormuz. Por ali passava, antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás liquefeito transportados por via marítima no mundo. O fechamento da rota reduziu drasticamente os embarques do Golfo, obrigou produtores a procurar caminhos alternativos e levou países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos a acelerar projetos de oleodutos que permitem exportar petróleo sem depender integralmente do estreito.</p>
<p>O petróleo também passou a refletir essa incerteza. Houve momentos de disparada, mas os preços caíram durante a trégua de junho e voltaram a subir à medida que a situação se deteriorou. Em agosto, o Brent chegou a ser negociado perto dos US$ 90, e a Reuters calculava o preço cerca de 25% acima do nível anterior à guerra.</p>
<p>No Brasil, o efeito passa pelo petróleo, pelos derivados, pelo frete e pelo comércio exterior. O país é exportador líquido de petróleo, o que reduz parte do impacto externo, mas também importa derivados e está exposto à formação internacional dos preços. Do lado das exportações, a guerra também afetou o comércio com o Oriente Médio: em março, os embarques brasileiros de milho para o Irã despencaram, enquanto as exportações de frango para o país ficaram zeradas naquele mês.</p>
<p>Para Consentino, o impacto regional vai além do mercado de energia e envolve uma reorganização dos alinhamentos geopolíticos.</p>
<p>“Teve uma reorganização importante do ponto de vista geopolítico, apoios de lado a lado que talvez tenham se tornado mais importantes ou mais relevantes dentro disso.” </p>
<p>A relação entre os Estados Unidos e os países do Golfo também ficou mais frágil, avalia o professor.</p>
<h2>O cálculo político dos dois lados</h2>
<p>Em Washington, a expectativa inicial de uma guerra relativamente curta deu lugar a uma  disputa econômica  prolongada, e o governo de Donald Trump passou a apostar cada vez mais em sanções para cortar as fontes de receita iranianas. </p>
<p>Em agosto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que os Estados Unidos preparavam o que chamou de as sanções mais duras já impostas ao Irã e disse explicitamente que a combinação entre bloqueio e pressão econômica levaria ao colapso do regime, uma aposta que, embora aumente a pressão sobre uma economia já devastada, também tem limites.</p>
<p>O Irã passou décadas aprendendo a operar sob sanções, o rial, moeda do país, atingiu novas mínimas e a inflação disparou, enquanto a China continua sendo um comprador fundamental do petróleo iraniano e Washington precisa decidir até onde está disposto a pressionar empresas e instituições chinesas para fechar as rotas de evasão.</p>
<p>É nesse ambiente que o cálculo político de Donald Trump também mudou. No início, uma vitória rápida poderia render dividendos eleitorais nas eleições parlamentares de novembro; seis meses depois, porém, a duração do conflito e seus efeitos sobre a economia tornaram o resultado menos previsível.</p>
<p>“Só que há outro lado, e por isso o cálculo é ambíguo: como o conflito se estendeu e não foi tão fácil quanto ele imaginava, isso também pode ter gerado um problema do ponto de vista econômico, agravado pela questão do petróleo, que pode acabar custando caro para ele nas eleições parlamentares” , analisa o professor do Insper.</p>
<p>Para Benjamin  Netanyahu , diz Consentino, a lógica é diferente e está mais diretamente ligada à sobrevivência política do primeiro-ministro israelense.</p>
<p>Mas a mesma guerra que pode ajudar a sustentar um governo também pode se tornar um problema político conforme o custo aumenta. “E a medida que esse conflito se delonga, se desgasta e produz mais baixas, isso pode custar caro para ele também.”</p>
<p>Em Teerã, por outro lado, a sobrevivência do regime virou argumento de negociação. O governo iraniano pode dizer que os Estados Unidos conseguiram destruir instalações e matar integrantes da liderança, mas não conseguiram derrubar o sistema político. A questão agora é quanto cada lado está disposto a pagar para continuar sustentando essa posição: para os Estados Unidos, o custo é militar, econômico e político; para o Irã, é sobretudo econômico, além da destruição provocada pelos ataques e do isolamento internacional.</p>
<p>É nesse ponto que o Estreito de Ormuz volta ao centro da história. O corredor negociado com Omã pode ser um primeiro passo para reduzir a pressão sobre o comércio e permitir a retirada de milhares de marítimos, mas ainda não resolve a disputa entre Washington e Teerã sobre quem controla a passagem, quem garante a segurança dos navios e quais sanções serão suspensas.</p>
<p>Seis meses depois, portanto, o resultado é menos uma vitória de um lado do que um impasse caro. Os Estados Unidos e Israel conseguiram atingir profundamente a estrutura militar iraniana e eliminaram Khamenei, mas não produziram a mudança de regime que estava entre seus objetivos; o Irã sobreviveu politicamente, mas está economicamente devastado e ainda tenta recuperar alguma capacidade de negociação.</p>
<p>Para Consentino, a relação entre Washington e Teerã deve continuar marcada por períodos de pressão e descompressão, sem uma mudança estrutural no curto prazo.</p>
<p>“As perspectivas são bastante complicadas. Vai persistir uma relação bastante conflituosa, de idas e vindas entre momentos de descompressão e de maior pressão, mas nada que seja construtivo no curto prazo.” </p>
<p>A mudança, na avaliação dele, dependeria principalmente de alterações no cenário político americano e iraniano. “No geral, teremos períodos de bastante fragilidade nessa relação, que só tendem a mudar com a mudança de governo dos dois lados.”</p>
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        <media:title>estreito de ormuz</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estreito de Ormuz em compasso de espera; ameaças rondam acordo</title>
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      <pubDate>Tue, 04 Aug 2026 16:17:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As negociações para reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, entraram em fase decisiva, mas ainda há muitas incertezas quanto a um acordo. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que há possibilidade de um acordo com o Irã ser alcançado ainda nesta terça-feira, 4, ou na quarta-feira, 5. Ao mesmo tempo, declarações de líderes dos dois países e divergências sobre o controle da passagem mostram que o entendimento ainda está longe de ser garantido.</p>
<p>"Estamos em negociações com os iranianos, e acho que há uma chance de chegarmos a um acordo para abrir o estreito e avançarmos em direção a uma situação mais normalizada neste conflito", disse Bessent em entrevista à CNBC.</p>
<p>O principal impasse continua sendo quem exercerá autoridade sobre a via marítima. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters nesta terça-feira, 4, Teerã negocia com Omã um modelo que lhe daria controle sobre todo o tráfego de entrada de navios comerciais no estreito, além de visibilidade sobre as embarcações que deixam a região e poder para intervir quando considerar necessário.</p>
<p>Pela proposta em discussão, a autorização para saída dos navios seria concedida por Omã, mas apenas após notificação às autoridades iranianas. A mesma fonte afirmou que o Irã dificilmente aceitará qualquer alternativa que não preserve esse nível de controle. No fim de semana, Teerã informou que o plano conjunto com Omã havia entrado na etapa final de negociações.</p>
<p>Os Estados Unidos, por outro lado, defendem que a navegação seja restabelecida sem restrições e rejeitam qualquer arranjo que reconheça soberania exclusiva iraniana sobre a rota, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.</p>
<h2>Guerra de versões</h2>
<p>Enquanto diplomatas tentam destravar as negociações, Washington e Teerã mantêm discursos conflitantes. Na segunda-feira, 3, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, salientou que as conversas representam a "última chance" para que o Irã aceite um acordo. Ele chegou a dizer que pretendia dar a Teerã "todas as últimas chances antes da decapitação" e acusou a liderança iraniana de enviar sinais contraditórios ao solicitar reuniões reservadas enquanto negava publicamente qualquer negociação.</p>
<p>Trump também declarou que o bloqueio ao Estreito de Ormuz seria mantido até que houvesse um entendimento ou a "rendição total" do governo iraniano. Nesta terça-feira, 4, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o país defenderá seu território, mas não pretende ampliar a guerra no Oriente Médio.</p>
<h2>Estoques de mísseis aumentam pressão</h2>
<p>Outro fator reforça a pressão por uma solução diplomática. Segundo reportagem da Reuters, o exército dos Estados Unidos consumiu grande parte de seus estoques de mísseis táticos de longo alcance durante os cinco meses de guerra contra o Irã.</p>
<p>Entre as armas mais utilizadas estão os ATACMS e os Precision Strike Missile (PrSM), sistemas empregados em ataques de precisão e considerados estratégicos também para outros cenários militares, como um eventual confronto envolvendo a China.</p>
<p>De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias, líderes militares norte-americanos vêm alertando a Casa Branca há semanas sobre a redução dos estoques de munições de alta precisão e de sistemas defensivos, como os interceptadores Patriot. Uma autoridade do governo, contudo, contestou que esse tenha sido o principal motivo para a suspensão de uma nova ofensiva de grande escala, atribuindo a decisão também à pressão exercida por aliados dos Estados Unidos no Golfo.</p>
<p>Aparentemente, as negociações seguem em andamento e ainda não há consenso sobre o futuro do Estreito de Ormuz nem sobre o modelo de gestão da rota marítima.  </p>
<h2>Mudanças de postura de Trump após suas ameaças contra o Irã</h2>
<p>Donald Trump fez algumas das ameaças públicas mais agressivas de ação militar já feitas por um presidente dos Estados Unidos na história recente. No entanto, também voltou atrás em muitas delas.</p>
<p>As declarações do presidente republicano sobre a guerra contra o Irã mudaram de forma dramática e rápida em várias ocasiões desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.</p>
<p>Ele declarou repetidamente vitória ao afirmar que as capacidades militares iranianas tinham sido completamente derrotadas, para depois alterar o cronograma da guerra ou ameaçar Teerã com novos ataques.</p>
<p>Em 17 de junho, Trump elogiou os novos líderes iranianos como "muito inteligentes" e "muito menos radicalizados" do que seus antecessores, mortos em ataques aéreos americanos e israelenses.</p>
<p>No entanto, o presidente norte-americano demonstrou frustração em 8 de julho quando disse que "não queria mais lidar com eles" porque "são lixo".</p>
<p>A AFP reuniu alguns exemplos de ameaças de Trump contra o Irã e de como ele posteriormente suavizou sua posição.</p>
<p>21 de março</p>
<p>"Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR DELAS!"</p>
<p>A ameaça de Trump, publicada em sua plataforma Truth Social, causou impacto porque um ataque deliberado contra usinas de energia, consideradas infraestrutura civil essencial, é amplamente visto como crime de guerra.</p>
<p>23 de março</p>
<p>Dois dias depois, Trump prorrogou o prazo em cinco dias, citando "conversas muito boas e produtivas" com o Irã. Em seguida, suspendeu o "período de destruição das usinas de energia por 10 dias", até 6 de abril, alegando que havia negociações diplomáticas em andamento.</p>
<p>5 de abril</p>
<p>Com o prazo da prorrogação de 10 dias chegando ao fim, Trump publicou uma mensagem repleta de palavrões no Domingo de Páscoa:</p>
<p>"Abram a porra do estreito, seus bastardos malucos, ou vão viver no inferno."</p>
<p>Ele concluiu a mensagem dizendo: "Louvado seja Alá."</p>
<p>7 de abril</p>
<p>"Toda uma civilização morrerá esta noite, para jamais ser recuperada", anunciou Trump em uma publicação que muitos interpretaram como uma ameaça de aniquilar o Irã e sua população de cerca de 90 milhões de habitantes.</p>
<p>7 de abril, horas depois</p>
<p>"Aceito suspender os bombardeios e ataques ao Irã por um período de duas semanas", disse Trump, ao aprovar uma proposta de trégua apresentada pelos mediadores da guerra após conversar com líderes do Paquistão.</p>
<p>11 de junho</p>
<p>"Os Estados Unidos atacarão o Irã... MUITO DURAMENTE ESTA NOITE" e "em algum momento em um futuro não muito distante tomaremos a ilha de Kharg" e outras instalações da infraestrutura petrolífera, publicou Trump na Truth Social.</p>
<p>11 de junho, cinco horas depois</p>
<p>Cinco horas depois, Trump afirmou que "cancelou os ataques e bombardeios programados contra o Irã para esta noite", citando avanços nas negociações para alcançar um acordo destinado a encerrar a guerra.</p>
<p>Em junho, foi assinado um acordo provisório para pôr fim aos combates, mas, um mês depois, o conflito voltou a se intensificar.</p>
<p>O Irã atacou instalações americanas no Oriente Médio, enquanto Washington bombardeou defesas costeiras iranianas e passou a incluir entre seus alvos pontes e outras infraestruturas.</p>
<p>31 de julho</p>
<p>"Nós vamos atingi-los com muita força, e eles sabem que, em algum momento, vão dizer: 'Não aguentamos mais isso'", afirmou Trump durante uma reunião de gabinete na sexta-feira.</p>
<p>1º de agosto</p>
<p>"O Irã e outros países do Oriente Médio acabaram de nos pedir para adiar qualquer ataque", disse Trump. Ele acrescentou que "os parâmetros de um acordo foram aceitos".</p>
<p>A imprensa estatal iraniana negou categoricamente que a República Islâmica tivesse feito tal pedido.</p>
<p>Com AFP</p>
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        <media:credit role="photographer">U.S. Navy Photo</media:credit>
        <media:credit role="provider">U.S. Navy</media:credit>
        <media:title>USS Delbert D. Black (DDG 119) Fires a Tomahawk Land Attack Missile</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Governo aprova aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32% por 180 dias</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/governo-aprova-aumento-da-mistura-de-etanol-anidro-na-gasolina-para-32-e32</link>
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      <pubDate>Tue, 14 Jul 2026 14:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira 14/07, o aumento temporário do percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32). A medida terá vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogar a decisão uma única vez pelo mesmo período. O percentual de álcool vai aumentar a partir de 1º de agosto.</p>
<p>O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a elevação temporária do teor de etanol anidro obrigatoriamente misturado à gasolina deve reduzir o preço do litro do combustível em R$ 0,03. Em coletiva de imprensa, o ministro disse que “estamos completamente seguros quanto a avançarmos até o E32, e a transitoriedade é só uma maneira de nos precavermos. Dentro de 180 dias, veremos o que está acontecendo com relação ao etanol”, acrescentou.</p>
<p>Com a atualização do teor da mistura, o governo prevê uma redução nas importações de gasolina de 900 milhões de litros por ano. Por nota, o governo informa que a decisão leva em consideração a volatilidade atual no mercado de petróleo e combustíveis marcada pela manutenção dos conflitos no Oriente Médio. </p>
<p>O Ministério de Minas e Energia diz que “nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira.   </p>
<h2>Estudos técnicos </h2>
<p>A decisão de ampliar a mistura para o E32 foi baseada em estudos técnicos e realizada no âmbito da implementação da Lei do Combustível do Futuro. Os testes foram feitos em modelos de veículos leves e motocicletas consideradas representativas da frota nacional. Foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso.  </p>
<p>De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex. </p>
<h2>Etanol anidro </h2>
<p>O etanol anidro é um biocombustível produzido a partir de matérias-primas renováveis, como cana-de-açúcar e milho.  </p>
<h2>Mistura no diesel</h2>
<p>Em outra resolução, o CNPE atualizou as diretrizes para o fornecimento de biodiesel destinado ao atendimento da mistura obrigatória ao óleo diesel. A resolução aplica-se exclusivamente ao biodiesel destinado ao atendimento da mistura obrigatória ao diesel B. A comercialização de biodiesel importado permanece permitida para os demais segmentos previstos na regulamentação vigente. </p>
<p>A norma estabelece que o biodiesel comercializado pelo mercado deverá ser produzido exclusivamente por unidades autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) </p>
<h2>Preocupação das entidades do setor</h2>
<p>Em nota conjunta, as entidades signatárias, representativas dos setores de combustíveis e de transportes Fecombustíveis, Brasilcom, Abicom e SindTRR manifestam preocupação com a possibilidade de elevação das misturas obrigatórias de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% sem a conclusão prévia de estudos e testes técnicos necessários. Confira abaixo a íntegra da nota sobre a mistura do etanol anidro na gasolina:</p>
<p>“Já em relação ao etanol anidro, a preocupação recai, especialmente, sobre os potenciais impactos na frota de veículos leves (cerca de 15% não são flex), embarcações de pequeno porte e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, com possíveis efeitos sobre desempenho, durabilidade das peças e sobre custo de manutenção, com impacto significativo aos usuários desses veículos. O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina acima dos atuais 30% também requer a realização de testes específicos para que se determine, com segurança, a sua viabilidade. Destaca-se ainda o potencial aumento do consumo específico de combustível decorrente da elevação dos teores de biocombustíveis, em razão de sua menor densidade energética, o que pode resultar em maior dispêndio ao consumidor para percorrer a mesma distância. Ademais, a elevação do teor de etanol requer o devido ajuste regulatório das especificações da gasolina — em especial quanto à octanagem (RON) e à massa específica —, observados os ritos técnicos e normativos aplicáveis, sob pena de ampliação do risco de fraudes, ao favorecer o uso de correntes de menor densidade e comprometer os mecanismos de controle de qualidade. Os setores de combustíveis e de transportes seguem comprometidos com as boas práticas para garantir a qualidade das misturas ao longo da cadeia logística, mas reforçam que esses cuidados não substituem avaliação técnica prévia, transparente e abrangente dos combustíveis que chegam aos consumidores finais. As entidades defendem que a política pública de biocombustíveis seja conduzida com previsibilidade, segurança jurídica, base científica, diálogo institucional e respeito aos ritos técnicos e regulatórios previstos em lei, em favor de uma agenda ambiental responsável, segura e tecnicamente fundamentada."</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>Fiscalização de combustível</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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      <title>Tensão no Estreito de Ormuz: EUA e Irã intensificam disputa pelo controle do canal</title>
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      <pubDate>Mon, 13 Jul 2026 18:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Quase cinco meses após o início da guerra, em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Irã estão intensificando o conflito que tem colocado o mundo em alerta. Nesta segunda-feira, 13, com o colapso do cessar-fogo e a volta de ataques militares na região, a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, ganha novas dimensões. A escalada coloca em risco o acordo provisório firmado entre os dois países em 17 de junho, que previa interromper as hostilidades e abrir caminho para negociações de paz.</p>
<p>Os ataques foram retomados na semana passada no entorno do Estreito de Ormuz. No final de semana, novos bombardeios aconteceram. Uma embarcação com bandeira do Chipre foi atingida por uma ofensiva iraniana e um tripulante desapareceu. Os Estados Unidos reagiram e atingiram dezenas de alvos, como instalações militares e locais de lançamento de mísseis e drones.</p>
<p>Na sequência, Teerã realizou ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã. E a região do Golfo voltou a acionar seus sistemas de alarmes. No domingo, 12, o governo iraniano avisou que o canal permaneceria fechado até a redução das tensões.</p>
<p>Nesta segunda-feira, 13, o presidente Donald Trump anunciou a retomada do bloqueio naval contra o Irã e afirmou que os Estados Unidos poderão assumir o controle de Ormuz. Em entrevista à Fox News, ele disse que Washington se tornará o “guardião” da passagem e cobrará uma taxa de 20% sobre todas as cargas que cruzarem a região. O presidente não apresentou detalhes sobre como isso seria operado.</p>
<p>A reação do governo iraniano veio rapidamente. A resposta é que não permitirá qualquer interferência norte-americana na administração do estreito. O Comando Central Khatam al-Anbiya advertiu que as forças armadas iranianas reagirão com severidade a embarcações que circulem fora das rotas autorizadas pelo país. Também ameaçou tratar qualquer apoio logístico regional aos Estados Unidos como participação em uma guerra contra a soberania iraniana.</p>
<p>Após o anúncio de Trump, o petróleo Brent voltou a se aproximar de US$ 80 por barril, acumulando alta de cerca de 5% desde sexta-feira, refletindo o temor de novas interrupções no abastecimento global de energia e de uma nova pressão inflacionária em diversos países.</p>
<p>Desde o início da guerra, o fluxo de embarcações caiu drasticamente. No domingo, 12, apenas 14 navios cruzaram a passagem, o menor movimento registrado em um mês, segundo a consultoria marítima Kpler.</p>
<h2>A morte do líder supremo</h2>
<p>A guerra começou quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã. No ataque, o líder supremo do país, Ali Khamenei, que comandava o país desde 1989, foi morto. Em resposta, Teerã iniciou ataques com mísseis e drones contra Israel, bases militares norte-americanas e passou a restringir a navegação pelo estreito de Ormuz.</p>
<p>Após meses de confrontos, Washington e Teerã assinaram, em 17 de junho, um memorando de entendimento que estabelecia uma trégua temporária, a reabertura de Ormuz e um prazo de 60 dias para negociar um acordo definitivo de paz. O entendimento, porém, nunca eliminou as divergências sobre quem teria autoridade para controlar o tráfego marítimo na região.</p>
<p>Khamenei foi sepultado na quinta-feira, 9, em sua cidade natal, Mashhad, após dias de cortejo fúnebre pelo país e também pelo Iraque. Multidões tomaram as ruas para a despedida. O sucessor do aiatolá, seu filho Mojtaba Khamenei, teria sido ferido nos primeiros ataques. Como ele não apareceu no sepultamento, novos rumores sobre seu estado de saúde voltaram a circular.</p>
<p>Na mesma entrevista para a Fox News, Trump declarou, sem apresentar evidências, que Mojtaba Khamenei está "90% fora de cena". Ele disse que os principais comandantes militares iranianos haviam sido eliminados e que as capacidades naval, aérea e de defesa antiaérea do país teriam sido praticamente destruídas.</p>
<h2>Ex-presidente espião</h2>
<p>A crise política iraniana tem mais um capítulo impactante nesta segunda-feira, 13. Segundo o jornal  The New York Times , o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad foi colocado em prisão domiciliar sob suspeita de ter participado de um plano secreto do serviço de inteligência israelense, o Mossad, para derrubar o regime dos aiatolás.</p>
<p>Segundo a reportagem, baseada em fontes dos governos dos Estados Unidos e do Irã, Ahmadinejad teria fornecido informações a Israel em troca da promessa de retornar ao poder após a queda do governo. O plano, porém, teria fracassado quando o ex-presidente desistiu da operação pouco antes do início da guerra contra o Irã. Até o momento, nem o governo iraniano nem representantes de Ahmadinejad comentaram oficialmente as revelações.</p>
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        <media:credit role="provider">Marinha dos Estados Unidos</media:credit>
        <media:title>us department of war</media:title>
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