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    <title>Global South World Brasil - Envelhecimento</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Unicamp busca voluntários para estudo sobre obesidade, imunidade e envelhecimento</title>
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      <pubDate>Fri, 16 Oct 2026 12:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está recrutando homens e mulheres de 20 a 40 anos, com ou sem obesidade, para participar de uma pesquisa sobre as relações entre gordura corporal, imunidade, metabolismo e envelhecimento. Os interessados devem atender a critérios de saúde como não ter diabetes e não fumar, entre outros. As avaliações serão realizadas na própria universidade.</p>
<p>O recrutamento foi divulgado pelo Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), sediado na Unicamp, e responsável pela pesquisa. O estudo faz parte do projeto “Caracterização cardiometabólica e imunológica de indivíduos com adiposopatias: um estudo translacional”, conduzido pelo pesquisador Marcelo Mori, professor associado do Instituto de Biologia da Unicamp e fundador do Laboratório de Biologia do Envelhecimento e Metabolismo.</p>
<p>O objetivo é compreender melhor como o tecido adiposo, responsável pelo armazenamento de gordura, se relaciona com o sistema imunológico e a saúde metabólica. A investigação poderá contribuir para ampliar o conhecimento sobre os mecanismos que associam a obesidade a alterações no funcionamento do organismo.</p>
<h2>Quem pode participar</h2>
<p>A pesquisa aceita voluntários que atendam às seguintes condições:</p>
<h2>Quais exames serão realizados</h2>
<p>Os participantes passarão por uma ressonância magnética para avaliação do timo, órgão localizado no tórax que desempenha papel importante no desenvolvimento e na maturação de células do sistema imunológico.</p>
<p>Também serão realizadas coletas de sangue para análise de células de defesa do organismo e dosagem de hormônios relacionados ao metabolismo e à composição corporal.</p>
<p>Todas as avaliações ocorrerão no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes (Limed), da Unicamp.</p>
<h2>Por que estudar a relação entre obesidade e imunidade</h2>
<p>A obesidade não se limita ao acúmulo de gordura corporal. O tecido adiposo também participa da produção de substâncias que influenciam o metabolismo e a resposta imunológica. Alterações em seu funcionamento podem estar associadas a processos inflamatórios e a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.</p>
<p>O timo, um dos órgãos avaliados na pesquisa, também sofre mudanças ao longo da vida, com redução progressiva de sua atividade. Investigar essas relações pode ajudar os cientistas a compreender melhor a interação entre obesidade, envelhecimento e funcionamento do sistema imunológico.</p>
<p>O estudo integra as atividades do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades, que reúne especialistas de diferentes áreas para investigar os mecanismos da obesidade e de doenças associadas, além de desenvolver novas abordagens de prevenção e tratamento. O centro recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).</p>
<h2>Como se inscrever</h2>
<p>Os interessados devem entrar em contato com a pesquisadora Letícia Figueiredo, responsável pelo recrutamento, pelo  WhatsApp (22) 99787-0914.  Mais informações devem ser obtidas por esse canal.</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/  I Yunmai</media:credit>
        <media:title>peso-balança</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Concurso da UFC premiará histórias reais sobre pessoas idosas</title>
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      <pubDate>Tue, 13 Oct 2026 19:26:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A vida de uma pessoa idosa pode render histórias de superação, afeto, descobertas e ensinamentos que merecem ser compartilhados. É com essa proposta que a Universidade Federal do Ceará (UFC) promove o concurso cultural “Histórias que Permanecem”, que recebe inscrições até sábado, 17. As histórias vencedoras serão apresentadas durante um encontro dedicado ao empreendedorismo e à saúde da pessoa idosa, no dia 30.</p>
<p>A iniciativa busca valorizar as experiências de pessoas idosas e dar visibilidade às suas trajetórias, memórias e contribuições para a sociedade. O concurso é organizado pelo Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa (Gepeesi) e pela Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia (Lagg), vinculados às faculdades de farmácia, odontologia e enfermagem e à de medicina, da UFC.</p>
<p>Qualquer pessoa pode participar, independentemente da idade. São bem-vindos relatos escritos por familiares, amigos, cuidadores, profissionais de saúde e pelas próprias pessoas idosas. A exigência é que a história seja verdadeira e envolva uma pessoa idosa.</p>
<p>Os participantes podem escrever sobre lembranças familiares, experiências de superação, relações entre gerações, envelhecimento ativo, cuidado, afeto e lições de vida. Também há liberdade para escolher como contar a história: são aceitos textos em prosa, crônicas, cartas, poesias, diários e até literatura de cordel.</p>
<p>Cada participante poderá inscrever apenas uma produção, que deverá ser original e respeitar a dignidade da pessoa retratada. O regulamento proíbe o uso de inteligência artificial na elaboração dos textos.</p>
<p>Evento vai discutir saúde e empreendedorismo na terceira idade</p>
<p>A premiação do concurso integra a programação do Café Científico: Empreendedorismo e Saúde da Pessoa Idosa, que será realizado no dia 30, em celebração ao Mês da Pessoa Idosa.</p>
<p>O encontro reunirá professores, estudantes, profissionais e convidados para discutir diferentes perspectivas sobre o envelhecimento, com atenção especial ao empreendedorismo, à saúde e às possibilidades de inovação no cuidado com a população idosa.</p>
<p>A programação começará às 8h, com uma apresentação cultural e a divulgação de projetos acadêmicos ligados ao envelhecimento e à saúde. Das 8h25 às 11h, haverá um debate sobre empreendedorismo e saúde da pessoa idosa.</p>
<p>Às 11h, serão premiadas as três histórias mais bem avaliadas no concurso “Histórias que Permanecem”. Os autores selecionados e as pessoas idosas homenageadas poderão ser convidados a ler os relatos durante o encontro, conforme a possibilidade de participação.</p>
<p>O primeiro colocado receberá um voucher para um pijama cirúrgico, conhecido como scrub, e um certificado de menção honrosa. Os classificados em segundo e terceiro lugares ganharão uma bolsa esportiva personalizada da UFC e certificados.</p>
<h2>Como participar</h2>
<p>As inscrições podem ser realizadas até 17 de outubro, por meio do  formulário eletrônico do concurso .</p>
<p>As orientações sobre tamanho dos textos, critérios de avaliação, cronograma e demais condições de participação estão disponíveis no  edital .</p>
<p>Dúvidas podem ser encaminhadas para o e-mail  liga.geriatriace@gmail.com .</p>
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        <media:credit role="provider">Unsplash/ Beth Macdonald</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>TDAH pode mudar com a idade e hiperatividade pode se tornar menos visível na vida adulta</title>
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      <pubDate>Mon, 05 Oct 2026 10:30:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode se manifestar de maneiras diferentes ao longo da vida. A agitação física facilmente percebida em algumas crianças pode dar lugar, na idade adulta, a sinais menos evidentes, como inquietação mental, dificuldade para manter o foco, dispersão e necessidade constante de estímulos e atividades.</p>
<p>Em entrevista ao site francês  Atlantico , publicada na quinta-feira (1º), o psiquiatra Patrick Hourdé afirma que a evolução dos sintomas pode estar relacionada não apenas ao desenvolvimento individual, mas também aos ambientes familiar, escolar e profissional. Segundo ele, algumas crianças hiperativas conseguem se adaptar melhor a determinados contextos, enquanto outras enfrentam dificuldades quando seu modo de funcionamento não corresponde às exigências da escola.</p>
<p>Na vida adulta, a hiperatividade pode deixar de aparecer principalmente como movimento físico e assumir outras formas. Hourdé cita comportamentos como mudanças frequentes de emprego, dificuldade para permanecer por longos períodos na mesma atividade, dispersão e tentativa de realizar várias tarefas simultaneamente. Em alguns casos, segundo ele, essa busca constante por estímulos também pode estar associada a comportamentos compulsivos.</p>
<p>O ambiente em que a pessoa vive ou trabalha pode contribuir para acentuar ou reduzir essas dificuldades. Profissões que envolvem mudanças rápidas, grande volume de estímulos e necessidade constante de ação podem acomodar melhor determinadas características associadas à hiperatividade. Já funções mais repetitivas ou que exigem longos períodos de concentração podem tornar alguns sintomas mais perceptíveis.</p>
<p>A família também pode ter papel importante na identificação precoce de dificuldades. Mudanças constantes de foco, dificuldade para manter a atenção ou reter determinadas informações podem levar pais e responsáveis a procurar avaliação profissional. Hourdé destaca, porém, a necessidade de distinguir diferentes condições que podem apresentar características semelhantes ou coexistir.</p>
<p>Nesse ponto, o especialista relaciona parte dos casos de hiperatividade a características do transtorno do espectro autista (TEA). A associação exige cautela: TDAH e TEA são transtornos distintos, embora possam coexistir em uma mesma pessoa e compartilhar algumas características comportamentais. Por isso, a avaliação clínica individual é importante para estabelecer o diagnóstico e definir o acompanhamento adequado.</p>
<p>Estudos sobre o desenvolvimento cerebral também procuram entender por que os sintomas diminuem em algumas pessoas e persistem em outras. Hourdé cita pesquisas que identificaram diferenças em regiões como o hipocampo e o estriado, estruturas relacionadas, entre outras funções, à memória, aprendizagem, atenção e controle do comportamento. Ele ressalta, no entanto, que ainda há limitações no conhecimento sobre os mecanismos envolvidos e que essas diferenças não explicam isoladamente a trajetória de cada pessoa.</p>
<p>O diagnóstico na idade adulta pode representar um desafio adicional porque os sinais nem sempre são tão evidentes quanto na infância. Em vez de uma hiperatividade física claramente observável, adultos podem apresentar uma combinação de desatenção, inquietação interna e busca constante por estímulos. Em alguns casos, as dificuldades só passam a ser reconhecidas quando começam a interferir de maneira significativa na vida profissional, social ou pessoal.</p>
<p>A trajetória do TDAH, portanto, não é necessariamente igual ao longo de toda a vida. A intensidade e a forma dos sintomas podem mudar de acordo com a idade, as circunstâncias e as exigências impostas pelo ambiente. A identificação dessas mudanças e uma avaliação profissional adequada podem ajudar a diferenciar características individuais de sintomas que exigem acompanhamento especializado.</p>
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        <media:title>hiperatividade</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Atlantico.fr]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Festival gratuito em SP debate como viver por mais tempo — e bem</title>
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      <pubDate>Thu, 24 Sep 2026 20:31:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Como você imagina sua vida a caminho dos 100 anos? Viajando? Morando só? Trabalhando? Às voltas com algum projeto? A pergunta que há algumas décadas poderia parecer improvável ganha cada vez mais sentido — e está no centro de um festival gratuito que começou nesta quinta-feira, 24, em São Paulo, e que vai até o sábado, 26.</p>
<p>O  8º Fórum e Festival Longevidade — Reimaginando Futuros  acontece no Pavilhão da Bienal, no parque Ibirapuera. São mais de 200 horas de programação e mais de 300 debatedores, entre pesquisadores, artistas, especialistas, gestores públicos, organizações sociais e representantes de empresas.</p>
<p>A programação é extensa porque viver mais mexe com praticamente tudo: saúde, trabalho, dinheiro, moradia, relações familiares, cultura e até a maneira como as cidades são desenhadas.</p>
<p>Um dado apresentado pela organização ajuda a mostrar a transformação. O Brasil já reúne 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, número que cresceu cerca de 60% na última década. Uma em cada cinco pessoas em idade ativa já pertence a essa faixa etária.</p>
<p>Por isso, o futuro do trabalho terá espaço importante no encontro. Haverá discussões sobre profissionais seniores, equipes formadas por diferentes gerações, novas formas de construir uma carreira e o valor do conhecimento acumulado ao longo da vida.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/as9HAZvz1Jp5WJNT0.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Evento reúne mais de 300 palestrantes."/>
<h2>Saúde, menopausa e até calor extremo</h2>
<p>Uma parte da programação se concentra em como chegar às idades mais avançadas com saúde, autonomia e qualidade de vida. Vacinação, imunidade, menopausa, medicamentos, atividade física e saúde mental estão entre os assuntos previstos.</p>
<p>As mudanças climáticas também entram na programação, com discussões sobre os efeitos das ondas de calor na saúde e na qualidade de vida das pessoas mais velhas.</p>
<p>Haverá ainda atividades práticas, como yoga, caminhada, movimento e mindfulness.</p>
<p>Outro assunto que ganha importância à medida que a população envelhece é o cuidado. Quem cuidará de uma população que vive cada vez mais? E quem cuida de quem dedica a vida a cuidar dos outros?</p>
<p>Painéis vão discutir a formalização da profissão de cuidador, o financiamento dos cuidados de longa duração e a divisão dessa responsabilidade entre famílias, Estado, serviços e sociedade.</p>
<h2>Como será você aos 100 anos?</h2>
<p>Uma das experiências mais curiosas do festival é o “Túnel do Tempo”. Com inteligência artificial generativa e fundamentos científicos, a atividade convida cada participante a imaginar a própria vida aos 100 anos.</p>
<p>A programação vai além dos debates. Estão previstos filmes, shows, oficinas, lançamentos de livros e atividades de convivência.</p>
<p>O encontro também recebe discussões internacionais. A programação inclui o II Congresso Internacional Cidades Amigas do Idoso e o III Congresso Internacional Envelhecer com Futuro, além da participação de especialistas ligados ao Fórum Econômico Mundial (WEF) e à Global Initiative on Ageing and Longevity, iniciativa ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).</p>
<h2>E onde vamos morar?</h2>
<p>Chegar aos 90 ou 100 anos com autonomia depende também do lugar onde se vive.</p>
<p>Por isso, outra pergunta proposta pelo festival é bastante concreta: nossas casas e cidades estão preparadas para uma vida de 100 anos?</p>
<p>Os debates passam por habitação, mobilidade, acessibilidade, tecnologia e segurança dentro de casa. A discussão inclui desde calçadas e transporte até museus, teatros e bibliotecas capazes de receber pessoas com diferentes condições de mobilidade.</p>
<p>Uma atividade leva essa discussão para fora das salas. Em “Caminhando pela Cidade: Uma Experiência de Acessibilidade”, na sexta-feira, 25, das 11h30 às 12h30, os participantes serão convidados a percorrer o espaço urbano identificando barreiras encontradas pelo caminho.</p>
<h2>Dinheiro para uma vida mais longa</h2>
<p>Há ainda uma questão bastante prática: se a vida fica mais longa e a trajetória profissional muda, o planejamento financeiro também precisa mudar.</p>
<p>O evento dedica um eixo às finanças e à capacidade do sistema financeiro de acompanhar pessoas que vivem mais e podem ter carreiras menos lineares. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) participa dessa discussão.</p>
<p>Tecnologia e novos negócios completam a programação. Os debates incluem acessibilidade digital, mercado 50+ e as chamadas AgeTechs e SeniorTechs — empresas que desenvolvem produtos e serviços pensando nas necessidades de uma população mais velha.</p>
<p>No fundo, assuntos tão diversos convergem para uma questão: já que estamos vivendo mais, como transformar esse tempo adicional em anos com saúde, autonomia, participação social e espaço para novos projetos?</p>
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        <media:title>mulher-viagem</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Hábitos saudáveis podem prevenir até 45% do risco de demência, aponta OMS</title>
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      <pubDate>Fri, 17 Jul 2026 15:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial e estimular o cérebro podem ajudar a prevenir ou adiar até 45% do risco de demência, segundo novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quarta-feira, 15. A recomendação ganha importância diante do avanço da doença, que afeta mais de 57 milhões de pessoas no mundo. O Alzheimer é a forma mais comum do problema e responde por aproximadamente 60% a 70% dos diagnósticos.</p>
<p>"Hoje sabemos muito mais do que antes sobre os fatores que aumentam o risco de demência, e estas diretrizes transformam esse conhecimento em ação", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Segundo ele, os países passam a contar com recomendações baseadas em evidências que podem ser implementadas imediatamente para proteger a saúde cognitiva da população.</p>
<p>A atualização amplia e consolida orientações publicadas pela primeira vez em 2019. Além de reforçar recomendações já conhecidas, como parar de fumar, reduzir o consumo de álcool, praticar atividade física regularmente e manter uma alimentação saudável, a OMS passou a incluir a redução da exposição à poluição do ar como estratégia de prevenção.</p>
<p>O documento também destaca a importância do controle de hipertensão, diabetes e colesterol elevado, da estimulação cognitiva, da participação em atividades sociais e, quando indicado, do uso de aparelhos auditivos.</p>
<p>Em contrapartida, não recomenda o uso de suplementos vitamínicos ou de ômega-3 para prevenir a doença quando não houver deficiência comprovada, por falta de evidências científicas a respeito desse efeito.</p>
<h2>Evidência prática</h2>
<p>Uma pesquisa recente reforça as novas orientações da OMS. Publicado neste mês na revista científica  The Lancet , uma das mais prestigiadas do mundo na área médica, o estudo Latam-Fingers acompanhou durante dois anos 1.065 pessoas entre 60 e 77 anos, em 11 países da América Latina, entre eles o Brasil, para avaliar se mudanças simultâneas no estilo de vida poderiam reduzir o declínio cognitivo. O trabalho contou com especialistas brasileiros, ligados à Universidade de São Paulo (USP) e à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p>
<p>Os participantes tinham fatores de risco cardiovasculares e desempenho cognitivo abaixo do esperado para a idade, mas ainda não apresentavam diagnóstico de demência. Eles foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas orientações gerais sobre saúde. O outro participou de um programa estruturado que combinava quatro frentes de intervenção.</p>
<p>A primeira envolvia atividade física supervisionada, com exercícios aeróbicos, musculação, treino de equilíbrio e coordenação realizados quatro vezes por semana. A segunda consistia em orientação nutricional baseada em uma dieta chamada Mind, que prioriza vegetais folhosos verdes, frutas vermelhas, grãos integrais, azeite de oliva, peixes, aves, feijões e oleaginosas, enquanto recomenda limitar carne vermelha, manteiga, queijo, frituras e doces.</p>
<p>É importante esclarecer que a dieta Mind (sigla em inglês para Intervenção Mediterrânea-DASH para Retardo Neurodegenerativo) é um padrão alimentar que combina elementos da dieta mediterrânea com os da dieta DASH, tradicionalmente usada para controlar a pressão arterial, mas voltado especificamente para a saúde do cérebro. O diferencial em relação a outras dietas saudáveis é o foco: ela foi criada e estudada com o objetivo específico de reduzir o risco de declínio cognitivo e Alzheimer, e não apenas para emagrecimento ou saúde cardiovascular em geral.</p>
<p>A terceira frente era formada por treinamento cognitivo computadorizado, com exercícios voltados para memória, atenção e raciocínio. Por fim, os participantes passaram por monitoramento contínuo dos fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e excesso de peso.</p>
<p>Ao final dos dois anos, os participantes do programa estruturado apresentaram desempenho cognitivo global cerca de 55% melhor do que o observado entre aqueles que receberam apenas orientações gerais.</p>
<p>Os ganhos mais expressivos ocorreram na memória episódica — responsável por recordar acontecimentos e experiências pessoais —, seguidos pela função executiva, relacionada ao planejamento e à tomada de decisões, e pela velocidade de processamento das informações.</p>
<p>Outro resultado relevante foi a boa adesão ao programa. Cerca de 72% dos participantes conseguiram manter as mudanças propostas durante todo o estudo, e a taxa de abandono foi menor entre aqueles que receberam acompanhamento intensivo. Os pesquisadores também observaram que a intervenção foi segura: os eventos adversos mais comuns foram dores musculares e articulares associadas ao aumento da atividade física, sem registro de efeitos graves relacionados ao programa.</p>
<h2>Prevenção ganha protagonismo</h2>
<p>Para os pesquisadores, o principal mérito do Latam-Fingers foi demonstrar que um programa multidisciplinar de prevenção pode ser implementado com sucesso em diferentes contextos sociais e culturais da América Latina, região que reúne alta prevalência de fatores de risco para demência, como hipertensão, diabetes, obesidade e menor escolaridade. Os autores ressaltam que a estratégia não depende de medicamentos, mas da combinação coordenada de mudanças no estilo de vida e do acompanhamento contínuo dos participantes.</p>
<p>Os resultados dialogam diretamente com a nova estratégia da OMS. Sem uma cura amplamente disponível para a demência, a prevenção passa a ocupar papel central nas políticas de saúde pública. Segundo a organização, compreender os fatores de risco e agir precocemente pode ajudar as pessoas a preservar a autonomia, a qualidade de vida e a saúde cognitiva por mais tempo, além de reduzir o impacto econômico da doença, estimado em US$ 1,3 trilhão por ano em todo o mundo.</p>
<h2>Avanço na América Latina</h2>
<p>Outro estudo recente indicou um importante avanço da doença na América Latina e no Caribe. Publicada na segunda-feira, 13, na JAMA Neurology, uma das principais revistas científicas internacionais da área de neurologia, a pesquisa identificou que a prevalência de demência aumentou na região ao longo de duas décadas, na contramão da tendência observada nos Estados Unidos e em boa parte da Europa.</p>
<p>O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade Washington em St. Louis (EUA) e da Universidade de Newcastle (Reino Unido) e comparou duas grandes pesquisas domiciliares realizadas entre 2003 e 2006 e entre 2016 e 2020, nas quais foram avaliados 16.950 idosos com 65 anos ou mais. Cinco países e territórios foram escolhidos para esse estudo: México, Peru, Porto Rico, Cuba e República Dominicana.</p>
<p>Em vez de acompanhar continuamente o mesmo grupo por 20 anos, os cientistas repetiram o levantamento com a mesma metodologia, visitando as casas dos participantes para medir a prevalência da enfermidade. No conjunto dos cinco lugares analisados, a proporção de idosos com demência passou de 10,6% para 16,9%, o equivalente a um salto de um em cada dez para quase um em cada seis.</p>
<p>O aumento foi observado principalmente no México (de 9,6% para 14,5%), Peru (de 7,6% para 11,7%) e Porto Rico (de 10,7% para 15,7%), enquanto Cuba e República Dominicana mantiveram índices estáveis. Os autores apontam a necessidade de pesquisas semelhantes em países como Brasil, Argentina e Chile para verificar se a mesma tendência também ocorre nessas populações.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asz5qHbBaSOz5tDst.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Mulher treina, médica faz avaliação em paciente, mulheres preparam alimentos, homem e criança jogam xadrez e duas mulheres mais velhas conversam."/>
<h1>Cinco pilares para reduzir o risco de declínio cognitivo</h1>
<p>Confira os hábitos adotados no estudo Latam-Fingers, que acompanhou  1.065 pessoas de 11 países, entre 60 e 77 anos, durante dois anos. Em conjunto, essas estratégias melhoraram o desempenho das funções mentais dos participantes.</p>
<p>1. Exercício físico regular</p>
<p>2. Alimentação no padrão Mind</p>
<p>3. Treino cognitivo ativo</p>
<p>4. Controle dos fatores de risco cardiovascular</p>
<p>5. Engajamento social</p>
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        <media:title>mulher dança sozinha e feliz</media:title>
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