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    <title>Global South World Brasil - Empreendedorismo Feminino</title>
    <link>https://www.globalsouthworld.com.br</link>
    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>O que os presidenciáveis propõem para a segurança das mulheres e o empreendedorismo feminino </title>
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      <pubDate>Tue, 15 Sep 2026 20:11:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>As políticas para mulheres entram na campanha de 2026 diante de avanços na participação econômica, mas também de desigualdades que permanecem no mercado de trabalho e na divisão do cuidado. </p>
<p>O Brasil tinha 10,4 milhões de mulheres empreendedoras no quarto trimestre de 2024, segundo dados reunidos pelo Sebrae, enquanto elas continuam dedicando aproximadamente o dobro do tempo dos homens aos cuidados de familiares e aos afazeres domésticos.</p>
<p>A violência também permanece no centro do debate. O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.</p>
<p>Este texto faz parte de uma série sobre os planos de quem deseja governar o Brasil. O  GSW Brasil  reúne e examina as principais propostas para a segurança das mulheres e o empreendedorismo feminino dos seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas eleitorais.</p>
<h2>Lula reforça políticas de proteção </h2>
<p>Lula propõe manter o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio como eixo da política contra a violência de gênero e ampliar a rede de atendimento. O programa prevê concluir 30 Casas da Mulher Brasileira, centros que reúnem diferentes serviços de atendimento a mulheres vítimas de violência, e 15 Centros de Referência da Mulher Brasileira. </p>
<p>Também propõe ampliar as Salas Lilás, espaços especializados para acolhimento de vítimas em unidades policiais, e distribuir equipamentos aos estados para melhorar o monitoramento de agressores.</p>
<p>Na autonomia econômica, o plano promete manter a Lei da Igualdade Salarial como referência, ampliar programas de qualificação profissional específicos para mulheres e fomentar o empreendedorismo feminino.</p>
<p>O programa também prevê linhas de crédito favorecidas para agricultoras e extrativistas por meio do Pronaf, programa federal de financiamento para a agricultura familiar, e políticas para ampliar a participação feminina na ciência e na pesquisa.</p>
<p>A política de cuidados aparece associada à inserção das mulheres no mercado de trabalho, por meio do fortalecimento das Cuidotecas, espaços destinados ao atendimento de crianças de 3 a 12 anos, além do investimento em lavanderias públicas, cozinhas solidárias, restaurantes populares e formação profissional de cuidadores.</p>
<h2>Flávio Bolsonaro e o Brasil por Elas</h2>
<p>Flávio Bolsonaro reúne suas propostas em um capítulo chamado Brasil por Elas. O programa prevê a criação da Central da Mulher e de um aplicativo que concentraria acesso a serviços, denúncias, orientação e informações.</p>
<p>O plano propõe fornecer pacotes de internet para mulheres que não tenham condições de contratá-los, ampliar mecanismos digitais de denúncia e integrar medidas protetivas ao monitoramento eletrônico de agressores.</p>
<p>Na área econômica, prevê orientação financeira, qualificação profissional, intermediação de vagas e apoio à abertura de empresas. A proposta inclui ainda um banco de dados para conectar mulheres a oportunidades de emprego e empresas em busca de trabalhadores.</p>
<p>O programa também prevê ampliação de creches e espaços de acolhimento para vítimas de violência, além de medidas de regularização habitacional para mulheres que necessitem reconstruir sua autonomia.</p>
<h2>Augusto Cury e a autonomia econômica</h2>
<p>Augusto Cury apresenta o projeto Mulheres Vivas, voltado à proteção contra a violência, à autonomia econômica e à saúde emocional.</p>
<p>O plano prevê uma política nacional integrada de prevenção ao feminicídio, articulando forças de segurança, Justiça, assistência social e saúde, além de botões de alerta com geolocalização, aplicativos de emergência, monitoramento eletrônico de agressores quando determinado judicialmente e protocolos prioritários para mulheres classificadas como de alto risco.</p>
<p>Para vítimas de violência e mulheres vulneráveis, o programa propõe acesso prioritário a qualificação profissional, empregabilidade, empreendedorismo, educação financeira, microcrédito e financiamento.</p>
<p>O candidato também propõe investigar diferenças nas condições de crédito concedido a homens e mulheres e desenvolver, em articulação com Banco Central, instituições financeiras, Sebrae e universidades, mecanismos de transparência capazes de identificar distorções. A proposta é estimular modelos de avaliação de risco que levem mais em consideração histórico de pagamento, capacidade financeira e comportamento de crédito.</p>
<p>O Mulheres Vivas ainda prevê reforço à fiscalização da igualdade salarial, estímulo à presença feminina em posições de liderança, políticas de saúde integral e programas de educação emocional e cidadania digital para meninas e mulheres.</p>
<h2>Caiado propõe rede nacional de proteção</h2>
<p>Caiado dedica um capítulo específico às mulheres. O plano propõe integrar nacionalmente informações sobre medidas protetivas, cadastros de risco e alertas e ampliar mecanismos de monitoramento de agressores.</p>
<p>Para mulheres vítimas de violência, prevê atendimento integrado de segurança, assistência social e saúde, além de canais digitais e transporte protegido, inclusive em regiões rurais.</p>
<p>No mercado de trabalho, Caiado propõe ações de qualificação, combate ao assédio e estímulo à presença feminina em posições de liderança. Também prevê criar o selo “Empresa pela Igualdade”, concedido segundo critérios públicos.</p>
<p>No empreendedorismo feminino, o programa propõe garantias de crédito, educação financeira, mentoria, redes de apoio e participação em compras, com atenção especial a mulheres de baixa renda. Para mulheres rurais, prevê formação, bolsas, extensão, apoio à sucessão e acesso a ativos produtivos.</p>
<h2>Renan Santos aposta em medidas gerais </h2>
<p>O programa de Renan Santos não apresenta um capítulo específico dedicado às mulheres ou ao empreendedorismo feminino no resumo executivo enviado.</p>
<p>As propostas econômicas defendem redução de barreiras ao empreendedorismo, aumento da produtividade, revisão de programas assistenciais e criação de zonas econômicas especiais, mas são formuladas para o conjunto da população e das empresas.</p>
<p>No documento analisado, não há uma política nacional específica de crédito, capacitação ou incentivo ao empreendedorismo feminino com desenho próprio. Por isso, não é possível atribuir ao candidato medidas direcionadas às mulheres que não estejam expressamente apresentadas no plano.</p>
<h2>Zema e as políticas de proteção</h2>
<p>O plano de Zema não apresenta um capítulo autônomo dedicado às mulheres no sumário principal, mas distribui propostas relacionadas ao tema entre segurança, trabalho, saúde e políticas sociais.</p>
<p>Na segurança pública, o candidato propõe ampliar a rede de delegacias especializadas da mulher, com funcionamento 24 horas e equipes preferencialmente femininas, e facilitar o acesso aos canais de denúncia.</p>
<p>Na economia, as propostas gerais de redução da burocracia para contratação, simplificação da abertura de negócios, diminuição de encargos e ampliação da concorrência no crédito alcançariam também empreendedoras, mas o documento não apresenta, nos trechos dedicados ao desenvolvimento econômico, uma política de empreendedorismo feminino com desenho próprio comparável às propostas específicas de alguns dos demais candidatos.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>GSW Brasil cria comunidades no WhatsApp para ouvir leitores de diferentes regiões</title>
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      <pubDate>Thu, 10 Sep 2026 16:27:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A Global South World Brasil está ampliando os canais de diálogo com seus leitores por meio da criação de comunidades regionais no WhatsApp. A iniciativa pretende abrir um espaço de conversa sobre questões que afetam diretamente a vida dos brasileiros e, ao mesmo tempo, aproximar o trabalho jornalístico das experiências e preocupações da população.</p>
<p>As comunidades são organizadas por região e reúnem grupos menores de participantes, que poderão compartilhar opiniões e experiências sobre temas como educação, saúde, economia, custo de vida, segurança e direitos humanos. A proposta é estimular a troca de diferentes pontos de vista e identificar assuntos que ganham relevância no cotidiano de cada localidade.</p>
<p>Jornalistas da Global South World Brasil também acompanham as conversas. Além de compartilhar informações produzidas pela redação, a equipe poderá usar as discussões para compreender melhor as prioridades dos leitores, identificar tendências e encontrar novas pautas e histórias que mereçam ser investigadas e contadas.</p>
<p>A iniciativa parte da ideia de que questões nacionais nem sempre são vividas da mesma maneira em diferentes regiões do país. O impacto do custo de vida, por exemplo, pode variar de uma cidade para outra, assim como os desafios relacionados à segurança, ao acesso à saúde ou à qualidade da educação. As comunidades pretendem ajudar a revelar essas diferenças a partir dos relatos de quem convive diariamente com elas.</p>
<h2>Como participar</h2>
<p>A participação começa com um breve cadastro, que permite ao usuário ingressar na comunidade correspondente. Clique  aqui  e siga as instruções para escolher os assuntos que mais interessam. Você também pode se inscrever em nosso canal no WhatsApp e receber atualizações sobre nossas reportagens e projetos por meio deste  link .</p>
<p>Os espaços têm moderação ativa para preservar um ambiente de discussão livre e segura. Conteúdos com discurso de ódio e situações de assédio não serão tolerados.</p>
<p>O projeto integra a estratégia da Global South World de reduzir desigualdades no acesso à informação e ampliar a representação de diferentes perspectivas sobre o Sul Global. A equipe brasileira da organização está baseada em São Paulo.</p>
<p>Ao criar um canal direto entre jornalistas e leitores, a Global South World Brasil pretende não apenas levar notícias às comunidades, mas também ouvir o que seus integrantes têm a dizer.</p>
<p>Participe da comunidade da Global South World Brasil no WhatsApp e faça sua voz ser ouvida.</p>
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      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Daniel Hessel Teich]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Conhece uma mestra artesã? Ela pode ter seu saber reconhecido em carteira</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/mestra-do-artesanato-reconhecimento-em-carteira</link>
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      <pubDate>Wed, 09 Sep 2026 13:34:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Aquela mulher que há décadas domina uma técnica artesanal aprendida com a família ou com a comunidade muitas vezes tira desse trabalho seu sustento e ainda ensina o que sabe a outras gerações. Ela pode ter essa dedicação reconhecida nacionalmente.</p>
<p>O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) recebe até 18 de outubro candidaturas para o reconhecimento de mestras artesãs pelo Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). As selecionadas receberão a Carteira Nacional de Mestra Artesã. O prazo, inicialmente previsto para terminar em julho, foi prorrogado. O edital também contempla homens, que podem obter a Carteira Nacional de Mestre Artesão. </p>
<p>A iniciativa busca fortalecer em âmbito nacional um reconhecimento que também é realizado nos estados, onde artesãos e artesãs de longa trajetória já são identificados como mestres pela importância de seu trabalho para a cultura local. Em Goiás,  Ivanilde Reis  é uma dessas mulheres reconhecidas como mestra artesã pelo Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro. Ela trabalha com fibras e outros materiais do Cerrado.</p>
<p>Para receber a carteira nacional, não basta dominar uma técnica ou trabalhar há muito tempo com artesanato. O programa procura pessoas ligadas à cultura tradicional ou popular que detenham conhecimento, experiência e domínio técnico de um saber recebido no meio familiar - seja pela mãe, pela avó ou por outra parente - ou pela prática comunitária e que contribuam para sua preservação e transmissão.</p>
<p> O artesanato pode ser sua principal fonte de renda, mas isso não é uma exigência para participar do processo. A própria ficha de inscrição prevê a possibilidade de o ofício não ser a primeira atividade remunerada da candidata.</p>
<h2>Quem pode ser reconhecida como mestra artesã</h2>
<p>É preciso comprovar uma longa trajetória com o artesanato. Currículo e portfólio devem demonstrar mais de 20 anos de atividade, além de pelo menos dez anos de transmissão da técnica. Também é exigida residência e domicílio por no mínimo 20 anos no estado ou no distrito pelo qual concorre à carteira nacional.</p>
<p>Outro requisito é o reconhecimento formal ou informal pela comunidade, instituições culturais, associações ou entidades relacionadas ao artesanato. Isso significa que a candidata não precisa ser conhecida nacionalmente nem acumular grandes prêmios.</p>
<p>A trajetória pode ser comprovada de diversas formas. Valem reportagens e entrevistas, fotografias, certificados, premiações, cartas de instituições, cartazes e programas de eventos, contratos, referências em trabalhos acadêmicos e registros de oficinas e outras atividades. A orientação é priorizar documentos antigos e capazes de demonstrar a continuidade do trabalho.</p>
<h2>Como ajudar uma artesã a se candidatar</h2>
<p>Ensinar o que sabe é uma parte importante do reconhecimento. A candidata deve mostrar que contribui para a continuidade da técnica e sua transmissão a outras gerações.</p>
<p>Um dos critérios pede pelo menos dez depoimentos da comunidade, de forma oral ou manuscrita, envolvendo no mínimo duas gerações. Oficinas, cursos e outras atividades, além de fotos, vídeos e materiais educativos, também podem ajudar a demonstrar como o conhecimento vem sendo compartilhado.</p>
<p>Quem conhece uma mulher com esse perfil pode ajudá-la inclusive com a candidatura. A inscrição não precisa ser apresentada pela própria artesã: uma pessoa maior de 18 anos pode representá-la, desde que tenha sua autorização. Órgãos públicos, associações e cooperativas de artesãos e determinadas entidades sem fins lucrativos também estão entre os representantes admitidos pelo edital.</p>
<p>Há um formulário específico para autorizar o representante, que pode ser assinado ou receber a impressão digital da candidata.</p>
<h2>Inscrições podem ser feitas online</h2>
<p>As inscrições são gratuitas. Pela internet, a candidatura deve ser apresentada no Sistema de Inscrições do Programa do Artesanato Brasileiro (SIPAB), com acesso pela conta Gov.br da candidata ou de seu representante. O sistema pode ser acessado pelo  Portal do Artesanato Brasileiro  ou pelo  site do MEMP .</p>
<p>Também é possível enviar a documentação pelos correios, com Aviso de Recebimento (AR), para a Diretoria de Artesanato e Economia Criativa, Ministério do Empreendedorismo, Esplanada dos Ministérios, Bloco J, Brasília (DF), CEP 70053-900. A postagem deve ser feita até 18 de outubro.</p>
<p>Entre os documentos exigidos estão ficha de inscrição, documento de identificação, CPF, comprovante ou declaração de residência, currículo e portfólio. Quando outra pessoa apresenta a candidatura, também é necessária a declaração de autorização do representante.</p>
<p>O edital prevê ainda inscrição oral gravada em vídeo. Candidatas indígenas podem se apresentar em sua língua materna, desde que o material seja acompanhado de tradução, e pessoas com deficiência podem utilizar recursos de apoio, como intérprete de Libras ou leitor de tela.</p>
<p>Depois da análise da documentação, as candidaturas passam pela avaliação que determinará quem receberá o reconhecimento. Pelo cronograma, o resultado definitivo está previsto para 15 de março de 2027.</p>
<p>As reconhecidas poderão concorrer a vagas destinadas especificamente a mestres e mestras em editais para participação em eventos e ter benefícios, bonificações ou prioridade em determinados certames públicos relacionados ao artesanato. </p>
<p>O título também traz um compromisso: continuar transmitindo seus conhecimentos à comunidade e participar de ações de difusão e formação.</p>
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        <media:title>artesanato-mulheres</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Protagonismo e empreendedorismo feminino na Terra Indígena Yanomami</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/empreendedorismo-feminino-na-terra-indigena-yanomami</link>
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      <pubDate>Sat, 29 Aug 2026 12:00:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Principal entidade representativa da Terra Indígena Yanomami, a Hutukara Associação Yanomami (Hay) desempenha um papel central na garantia dos direitos territoriais, na proteção ambiental e na denúncia de violações contra o seu povo.</p>
<p>A Terra Indígena Yanomami compreende um território de 34 mil indígenas, abrangendo áreas de Roraima e Amazonas.</p>
<p>Para além da histórica frente de combate às invasões socioambientais, a organização passa por uma consolidação de sua estrutura comunitária, impulsionada pelo fortalecimento da participação das mulheres Yanomami. </p>
<p>Esse movimento de liderança feminina não é recente. Originado há mais de duas décadas, vem ganhando escala por meio da articulação política local, de iniciativas comunitárias e da criação da Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (Amyk).</p>
<p>A atuação e a autonomia das mulheres no território concentram-se em frentes estratégicas de impacto direto na vida das comunidades:</p>
<p>Além das ações voltadas à geração de renda e à promoção da saúde, as mulheres Yanomami mantêm forte presença no cotidiano e na preservação da vida comunitária.</p>
<p>Isso inclui desde o cultivo das roças tradicionais até a transmissão dos saberes culturais. Dessa forma, consolidam sua liderança na linha de frente em defesa da floresta e da autonomia de seu povo.</p>
<p>Neste ano, pela primeira vez na história da  Hutukara Associação Yanomami , três mulheres foram escolhidas para a nova diretoria.</p>
<p>Esse texto foi construído a partir de informações veiculadas pela organização  InfoAmazonia , veículo jornalístico que combina dados, mapas e reportagens geolocalizadas para contar histórias sobre a maior floresta tropical contínua do planeta.</p>
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        <media:credit role="provider">Hutukara Associação Yanomami/ Darisa Yanomami e Juruna Yanomami</media:credit>
        <media:title>mulheres-yanomami</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Daniela de Lacerda]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Capacitação gratuita em IA oferece 5 mil vagas para empreendedoras</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/capacitacao-gratuita-em-ia-oferece-5-mil-vagas-para-mulheres-empreendedoras</link>
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      <pubDate>Fri, 28 Aug 2026 21:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Estão abertas as inscrições para o novo curso do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME), realizado em parceria com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP). A iniciativa visa ensinar mulheres, na prática, a aplicar ferramentas de IA para impulsionar vendas, organizar as finanças e otimizar a gestão do negócio.</p>
<p>O projeto Impacto Feminino – Inteligência Artificial para Pequenos Negócios Liderados por Mulheres é financiado por uma emenda parlamentar e, ao todo, serão ofertadas cinco mil vagas, totalmente gratuitas e online, abertas para participantes de todo o país.</p>
<h2>Quem pode se inscrever </h2>
<p>Para concorrer às vagas, é preciso ter 25 anos ou mais, ser mulher e ter renda familiar de até R$ 810,50 por pessoa, dividido pelo número total de moradores da casa. Ter um negócio, formal ou informal, é obrigatório, assim como disponibilidade para participar de pelo menos sete das dez aulas. </p>
<p>Mulheres negras e moradoras de bairros periféricos ou de regiões mais vulneráveis terão prioridade na escolha e, para participar, será preciso ter familiaridade com ferramentas como Zoom e Google Meet.</p>
<p>As participantes que trabalham ou têm parentesco até o terceiro grau com a diretoria do IRME ou com agentes públicos do MEMP não poderão concorrer ao edital, assim como empreendedoras com negócios voltados à política partidária.</p>
<h2>Como serão as aulas</h2>
<p>As aulas irão começar em 1º de setembro e seguem até 5 de novembro, sempre pela internet. São dez aulas ao vivo intercaladas com dez rodadas de mentoria coletiva, cada uma com uma hora de duração.</p>
<p>O conteúdo abordará temas como: </p>
<p>Após cada aula, a aluna deve emitir o certificado diretamente na plataforma para comprovar sua participação e as turmas irão contar com dois grupos no WhatsApp, um exclusivo para avisos oficiais e outro para networking e troca de ideias entre as participantes.</p>
<h2>Apoio financeiro e capital semente</h2>
<p>Ao término do projeto, 50 empreendedoras serão selecionadas para receber um aporte financeiro de R$ 1.000 cada para ajudar na implementação do plano desenvolvido durante o curso.</p>
<p>Para concorrer a esse valor as regras do edital mudam um pouco. O negócio precisa ter CNPJ ativo, porque o dinheiro irá ser depositado direto na conta da empresa, não na conta pessoal da empreendedora.</p>
<p>Também será preciso apresentar o certificado do curso e contar como pretende usar o crédito. As inscrições para essa etapa abrem em 27 de outubro, e as 50 empreendedoras escolhidas serão divulgadas em 17 de novembro.</p>
<p>O depósito acontece até 30 de novembro. Depois disso elas ainda terão até 17 de dezembro para mandar os comprovantes de que o dinheiro realmente foi utilizado no negócio, com fotos e notas fiscais.</p>
<h2>Como se inscrever</h2>
<p>Basta acessar e preencher o formulário de  inscrição , sem nenhum custo adicional. Quem tiver dúvida na hora de mandar os documentos pode escrever para projetos@rme.net.br.</p>
<p>O link ficará aberto até 20 de outubro, prazo que já foi atualizado depois de uma retificação feita no edital em 25 de agosto.</p>
<h2>Outras iniciativas ao redor do país</h2>
<p>Vale ressaltar que o projeto não é o único caminho para quem quer auxílio para expandir o negócio. A própria Rede Mulher Empreendedora disponibiliza vários cursos gratuitos em sua  plataforma , desde marketing à inteligência artificial, sem processo seletivo.</p>
<p>O Sebrae Delas, maior programa de empreendedorismo feminino do Sebrae, também está presente em diversos estados e têm investido em formações gratuitas, tanto  online  quanto presenciais.</p>
<p>Já para quem está em busca de incentivo financeiro, o  Prêmio Sebrae Mulher de Negócios,  desde 2004, distribui anualmente até R$ 50 mil para negócios de sucesso escolhidos em etapas estadual, regional e nacional. </p>
<p>A Trilha Mulheres de Sucesso, do Grupo Mulheres do Brasil, também está com inscrições abertas pelo  Sympla . O curso é gratuito e vai acontecer de 1º de setembro a 13 de outubro, sempre às terças e quintas, das 19h às 21h. As aulas passam por posicionamento de marca, formalização, gestão financeira e precificação, tudo online e sem processo seletivo.</p>
<p>Quem mora em São Paulo também pode aproveitar o Ela Empreende, do programa estadual Qualifica SP Empreenda, feito em parceria com o Itaú, com aulas curtas enviadas direto pelo WhatsApp, cobrindo dez módulos sobre gestão, finanças e marketing. As  inscrições  vão até o dia 14 de setembro. </p>
<p>Já o  Itaú Mulher Empreendedora , é um programa contínuo do banco, sem prazo nem limite de vagas, com vídeos, artigos e ferramentas de gestão liberados o ano inteiro.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:credit role="photographer">Dragos Condrea</media:credit>
        <media:credit role="provider">Depositphotos/ Dragos Condrea</media:credit>
        <media:title>empreendedora-IA</media:title>
      </media:content>
      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Simples: setembro é o prazo para adesões em 2027 e para definir como pagar tributos</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/simples-nacional-setembro-e-o-prazo-para-novas-adesoes-em-2027</link>
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      <pubDate>Thu, 20 Aug 2026 19:20:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Quem tem  micro ou pequena empresa tem uma nova data para colocar no calendário financeiro . Se o negócio ainda não está no Simples Nacional e houver interesse de aderir ao regime em 2027, a solicitação deverá ser feita entre 1º e 30 de setembro deste ano. Até agora, esse processo era realizado em janeiro do próprio ano de adesão.</p>
<p>Empresas que já estão no Simples não precisam fazer nova solicitação. Mas setembro também será importante para esses negócios porque empreendedores poderão escolher como recolher dois tributos: o  Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).</p>
<h2>IBS e CBS significam dois impostos a mais?</h2>
<p>Apesar de serem novos, IBS e CBS não representam simplesmente dois tributos acrescentados aos que as empresas já pagam. Segundo a Receita Federal,  eles fazem parte da substituição gradual de impostos prevista pela reforma tributária . A CBS, de competência federal, substituirá PIS e Cofins. Já o IBS, de estados e municípios, substituirá gradualmente ICMS e ISS.</p>
<p>Essa troca não acontece de uma vez. De acordo com o cronograma da reforma divulgado pela Receita, em 2027 PIS e Cofins deixam de existir e começa a cobrança da CBS. O IBS terá uma alíquota inicial reduzida e conviverá durante alguns anos com ICMS e ISS,  que serão diminuídos gradualmente até sua extinção em 2033.</p>
<p>Para quem está no Simples Nacional, o ponto mais importante é que  a empresa poderá escolher se paga IBS e CBS dentro da guia única do regime, o DAS ,  ou se recolhe os dois separadamente pelo regime regular.  Neste segundo modelo, também chamado de Simples híbrido, os demais tributos do Simples continuam sendo recolhidos pelo DAS.</p>
<p>Para saber qual opção é mais vantajosa, o empresário ou empresária deve procurar seu contador ou escritório de contabilidade, que poderá simular o impacto das duas formas de recolhimento nas contas do negócio.</p>
<h2>Qual opção pode ser mais vantajosa?</h2>
<p>Não existe uma resposta única. Uma das principais diferenças está nos créditos tributários. Ao recolher IBS e CBS separadamente, a empresa entra no sistema regular desses dois tributos e pode usar, dentro das regras previstas na legislação, créditos gerados por suas compras para reduzir o valor a pagar.</p>
<p>Essa alternativa pode ser mais interessante, por exemplo, para empresas que compram muitos insumos e vendem principalmente para outras empresas. Já negócios voltados sobretudo ao consumidor final e com poucos gastos que gerem créditos podem ter menos motivos para recolher os dois tributos separadamente.</p>
<p>Por isso,  não basta comparar alíquotas. O perfil dos clientes, as despesas da empresa e os créditos que poderão ser aproveitados também entram na conta.  Antes de setembro, vale simular as duas possibilidades com o contador para avaliar o impacto sobre custos e fluxo de caixa.</p>
<p>A escolha feita em setembro valerá para o primeiro semestre de 2027. Quem não optar pelo recolhimento separado terá IBS e CBS dentro da guia do Simples. Em março de 2027 haverá uma nova oportunidade de optar pelo regime regular para o segundo semestre.</p>
<h2>Mulheres têm participação importante nos pequenos negócios</h2>
<p>As mulheres têm presença relevante nesse universo empresarial. Dados do  Mapa de Empresas divulgados pelo Ministério do Empreendedorismo mostram que 9,9 milhões de empresas ativas no país são lideradas por mulheres,  o equivalente a  39,7% do total.</p>
<p>Entre os negócios criados em 2025, levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal mostra que,  considerando apenas microempresas e empresas de pequeno porte, sem incluir os microempreendedores individuais (MEIs), as mulheres responderam por 39% das novas empresas.</p>
<p>Os dados públicos disponíveis, porém, não permitem identificar qual é a participação feminina especificamente entre todas as empresas atualmente optantes pelo Simples Nacional.</p>
<h2>MEI fica fora da mudança</h2>
<p>As novas datas não se aplicam ao Microempreendedor Individual (MEI). Para quem deseja optar pelo Simei, sistema de recolhimento do MEI dentro do Simples Nacional, o prazo continua em janeiro.</p>
<p>Para as demais micro e pequenas empresas, setembro passa a exigir atenção: quem pretende entrar no Simples em 2027 deverá fazer a solicitação no mês, enquanto empresas que já fazem parte do regime poderão avaliar se vale a pena manter IBS e CBS na guia única ou recolhê-los separadamente.</p>
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      <source url="https://www.globalsouthworld.com.br">Global South World Brasil</source>
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        <media:title>Aplicativo-Simples-Nacional</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Estudo mostra que 46% dos negócios de empreendedoras faturam até R$ 3,2 mil por mês</title>
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      <pubDate>Mon, 17 Aug 2026 23:52:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O cotidiano de uma mulher empreendedora envolve diversos desafios. Entre eles, tocar o negócio sozinha. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME) em parceria com a consultoria Tewá 225. O trabalho revela que 70% das entrevistadas cuidam de suas empresas sem ter nenhum funcionário.  </p>
<p>Divulgado às vésperas do Dia Nacional da Mulher Empresária, celebrado nesta segunda-feira, 17, o estudo "Empreendedoras e Seus Negócios 2026" apresenta um cenário de intensa sobrecarga para elas. Segundo dados do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, citados na pesquisa, o país tem hoje quase 10 milhões de empresas ativas lideradas por mulheres.</p>
<p>São profissionais que vendem roupas, cortam cabelo, cozinham e prestam serviços diversos no dia a dia, muitas vezes sem nem chamar isso de "empreender". </p>
<p>A pesquisa ouviu 1.176 empreendedoras de todos os estados brasileiros por meio de questionário, além de 95 mulheres em 15 grupos focais e cinco especialistas e representantes de organizações. O levantamento tem margem de erro máxima de 3,1%.</p>
<h2>O preço de empreender sozinha</h2>
<p>A informalidade atinge quase um terço das empreendedoras: 31,9% das entrevistadas não têm CNPJ, e o motivo mais citado é o custo dessa formalização (resposta de 38,9% das participantes do estudo). A situação pesa de forma desigual sobre as mulheres negras, com 42,8% ainda na informalidade, contra 24,5% das brancas. Sem isso, elas ficam mais vulneráveis e fora de linhas de crédito, licença-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria.</p>
<p>Ainda assim, a série histórica da pesquisa mostra que a formalização via MEI subiu de 37,1% em 2024 para 40,1% em 2026, e o acesso a crédito quase dobrou em três anos, de 25% das empreendedoras em 2023 para 47,8% em 2026, puxado principalmente por capital de giro. </p>
<p>Porém, por trás disso ainda está uma defasagem na renda. Segundo o estudo, 43,5% das empreendedoras dizem que menos da metade do que ganham em casa vem do próprio negócio, o que as deixa dependentes de salário, benefícios ou outras fontes. </p>
<p>Dentre as entrevistadas, mais da metade (54,7%) começou a empreender por necessidade, e não por oportunidade. O estudo revela que 38% têm faturamento insuficiente para cobrir os custos do próprio negócio e nove em cada dez não conseguem sobra para reinvestir ou poupar. A pesquisa aponta que 46,6% dos negócios têm faturamento médio mensal de até R$ 3.242.</p>
<h2>Os desafios continuam</h2>
<p>Na análise da série histórica, alguns dos principais desafios relatados pelas empreendedoras pioraram desde 2024, primeiro ano do levantamento. Hoje, marketing e divulgação representam a maior queixa (51,9%), com um aumento contínuo nos últimos três anos. </p>
<p>A parte de gestão financeira também cresceu, com 42,3% considerando um empecilho para o crescimento do negócio, aliado à fidelização de clientes e acesso a crédito. </p>
<p>Segundo o estudo, 72,2% das empreendedoras usam a internet para divulgar o que vendem, mas não se veem como criadoras de conteúdo, estando presentes na web por necessidade e empilhando mais uma função na rotina.</p>
<h2>O trabalho de cuidado invisível</h2>
<p>Quase três em cada quatro empreendedoras (73,8%) são mães e 42,4% delas criam os filhos sozinhas. O impacto disso no negócio é direto: mais de 80% já interromperam o próprio trabalho para cuidarem de alguém, e 74,2% fazem isso sem nenhuma rede de apoio não institucional, seja de parceiro, família ou ajuda paga.</p>
<p>“Às vezes tem dia que a gente tem de abrir mão: ou é a família ou é o comércio, isso acontece direto”, resumiu uma participante de um grupo focal do Sudeste ouvida pela pesquisa.</p>
<p>Além do peso do cuidado, 57,3% dessas mulheres são as principais provedoras de suas famílias, muitas vezes sustentando a casa e o negócio ao mesmo tempo, sem intervalo entre as duas jornadas.</p>
<h2>Quem são elas</h2>
<p>Dentre as empreendedoras entrevistadas, 52,3% se consideram negras (pretas e pardas), a maioria em todas as edições da pesquisa desde 2021, enquanto 57,9% chegaram ao ensino superior e 36,6% concluíram pós-graduação. </p>
<p>A faixa etária predominante é de 30 a 49 anos (59,1%). Desde 2024, porém, a proporção de empreendedoras com 70 anos ou mais quintuplicou, chegando a 5% em 2026.</p>
<p>Apesar da sobrecarga, informalidade e desigualdade, 70,1% das empreendedoras se dizem confiantes e 66,7%, otimistas quanto ao futuro dos seus negócios. "Quando as mulheres prosperam financeiramente, tendem a reinvestir na educação dos filhos, na família e na comunidade ao redor", resume Ana Fontes, fundadora e presidente da RME, no relatório.</p>
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        <media:title>mulher-empreendedora</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Número de empreendedoras cresce no país, mas acesso a crédito ainda é desafio</title>
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      <pubDate>Thu, 13 Aug 2026 19:50:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Duas advogadas do interior do Rio Grande do Sul sustentam, com o faturamento do escritório, um aplicativo para mulheres em situação de violência, a Protagonizza. Elas fazem parte de um contingente cada vez maior no país: o de empreendedoras. Apesar do crescimento, elas representam uma fatia que segue sem crédito e sem investimento.</p>
<p>O projeto, criado por Franciéle Thaís Mundstock e Brenda Luiza Medina Rech, em 2024, começou no Instagram. A primeira mensagem chegou em uma sexta-feira à noite, momento em que boa parte das pessoas se prepara para aproveitar o fim de semana. Depois, vieram outras e até domingo eram mais de 50 na caixa de entrada da rede. Eram mulheres pedindo ajuda, informação, um caminho para sair de uma situação de violência. "Passei aquele final de semana inteiro trabalhando, orientando. E eram informações básicas", conta Franciéle.</p>
<p>E assim, sem planejar, as duas advogadas estabeleceram um negócio e entraram nas estatísticas do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Em 2025, o país abriu 4,96 milhões de micro e pequenas empresas e MEIs. Pouco mais de duas milhões tinham uma mulher no comando, 42% do total e a maior porcentagem já registrada. São 320 mil a mais que no ano anterior. Na década, o número de empreendedoras saiu de 8,2 milhões para 10,4 milhões, um avanço de 27% contra 11% entre os homens.</p>
<p>Por mais que ainda sejam apenas um terço dos empresários, desde 2023, as mulheres já são maioria entre os chamados empreendedores potenciais, que ainda não têm empresas, mas pretendem abrir uma em até três anos.</p>
<h2>A ideia por trás do negócio</h2>
<p>Foi em meio a esse cenário que nasceu a Protagonizza, com a ideia de montar um aplicativo para reunir em um só lugar o que o Estado oferece de forma esparsa a mulheres em situação de violência. O projeto era concentrar canais de denúncia, apoio jurídico e psicológico, geolocalização de serviços públicos e cursos de capacitação.</p>
<p>Hoje, ele tem seis áreas de atuação: assistência social, jurídico, saúde, bem-estar, emprego e capacitação.</p>
<p>A concepção da Protagonizza nasceu de um caso de violência doméstica dentro do próprio escritório. Isso fez Franciéle se perguntar o motivo pelo qual suas clientes não registravam boletim de ocorrência. Ela sempre ouvia as mesmas duas razões: não tinham para onde ir ou temiam que a denúncia piorasse tudo. “Fomos percebendo que era uma falha de sistema, de estrutura e de informação”, conta.</p>
<p>No começo, elas atuavam no fim de semana para cuidar do novo projeto. Esse “plantão” não constava em nenhum plano de negócios. Essa particularidade, porém, não é exclusividade da Protagonizza. Um levantamento do Sebrae com base na Pnad Contínua mostra que 51% das empresárias brasileiras trabalham mais de 40 horas semanais no próprio negócio, contra 71% dos empresários homens.</p>
<p>A explicação, muitas vezes, está na sobrecarga de tarefas, que faz com que elas tenham de conciliar o cuidado da casa, dos filhos e dos idosos com as atividades do negócio. É a essa segunda jornada, informal e sem remuneração, que se somam às demandas da empresa.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asPHmPjs74gLLJZsX.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="Fundada por Brenda Luiza Medina Rech e Franciéle Thaís Mundstock, a Protagonizza é uma plataforma que dá acesso a serviços voltados a mulheres em situação de violência."/>
<h2>A busca por crédito</h2>
<p>A proposta do aplicativo tinha potencial, mas, como todas as demandas, precisava de capital para ser resolvida. Esse é o principal entrave enfrentado pelas empreendedoras, que respondem por menos de 12% do capital distribuído pelos maiores fundos de venture capital do país, segundo levantamento de 2023 da revista Startups.</p>
<p>Rodadas avançadas em empresas fundadas só por mulheres são raras a ponto de nem ao menos render série histórica. Além disso, mesmo fora do setor de tecnologia, predominantemente masculino, a diferença de renda persiste. Em 2025, a média salarial delas era de R$ 2.929, o melhor resultado já registrado, contra R$ 3.864 dos homens.</p>
<p>Franciéle também enfrentou problemas nessa parte. "Falar do Protagonizza nunca foi fácil. Nada, absolutamente nada. O fato de sermos mulheres já torna tudo um pouco mais desafiador", relembra.</p>
<p>As propostas de investimento que apareceram vinham com contrapartidas comerciais, e ela recusou todas. O aplicativo se mantém, desde então, com o dinheiro do escritório de advocacia das sócias, que reservam as tardes de terça-feira e quinta-feira para tocar o projeto.</p>
<h2>Um trabalho em constante progresso</h2>
<p>Algumas engrenagens, porém, funcionaram. Hoje, elas participam de três programas de aceleração: o Startando, no Rio Grande do Sul, o AVTEC, no Paraná, e o Founders Club, e pesquisam uma parceria com a Espanha, ainda em fase inicial.</p>
<p>Ainda em fase de ideação, a Protagonizza também recebeu auxílio de um programa de pré-aceleração da UCS (Universidade de Caxias do Sul) e recebeu as primeiras mentorias do Sebrae da cidade.</p>
<p>No ano passado, a Fampe Mulher, fundo de aval do Sebrae voltado a negócios liderados por mulheres, destinou mais de R$ 734 milhões em crédito para empreendedoras. Além disso, fornece cursos e especializações gratuitas, sendo uma das indicações que o aplicativo faz às usuárias que precisam de renda própria para ir embora de casa, e quem sabe abrir um empreendimento próprio.</p>
<h2>O escalonamento do negócio</h2>
<p>Hoje, o site da Protagonizza registra cerca de 350 acessos por semana. O site é aberto a qualquer pessoa. O cadastro, que dá acesso aos serviços voltados especificamente a mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, é uma etapa à parte e totalmente sigilosa.</p>
<p>A plataforma organiza os serviços em três instâncias, nacional, estadual e municipal. Quando uma prefeitura adere ao programa, ganha um painel de gestão que centraliza secretarias antes dispersas (Mulher, Assistência Social e, num projeto piloto em Caxias do Sul, também da Saúde).</p>
<p>Além de incentivar e dar visibilidade a serviços prestados por outras mulheres, o aplicativo fornece uma rede de bem-estar com cabeleireiras, manicures, esteticistas e massoterapeutas que dão pelo menos 10% de desconto. "Muitas mulheres não se identificam mais esteticamente, não cortam o cabelo, não fazem a unha há anos", explica Franciéle.</p>
<p>A história da Protagonizza foi compartilhada na comunidade  Segurança para as Mulheres , que você acessa  aqui , pelo GSW Brasil.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Carolyna Bazanini]]></dc:creator>
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