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    <title>Global South World Brasil - Eleições</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
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      <title>Há 40 anos no poder, presidente de Uganda pode ter o filho como sucessor</title>
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      <pubDate>Sat, 12 Sep 2026 16:26:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Yoweri Museveni governa Uganda desde 1986. Quarenta anos depois de chegar ao poder, o presidente de 81 anos acaba de iniciar seu sétimo mandato — e a discussão sobre quem poderá sucedê-lo ganhou um nome familiar: seu filho, Muhoozi Kainerugaba. Museveni foi reeleito em janeiro e seu atual mandato vai até 2031.</p>
<p>Muhoozi, de 52 anos, é general e comandante das Forças Armadas de Uganda. Em agosto, anunciou que pretende disputar a Presidência nas eleições de 2031 e afirmou que espera contar com o apoio do pai. Há anos ele é apontado como possível sucessor de Museveni, mas agora tornou pública a intenção de concorrer.</p>
<p>A movimentação ganhou força com uma campanha da Patriotic League of Uganda (PLU), grupo liderado por Muhoozi e aliado ao governista Movimento de Resistência Nacional (NRM), para reunir apoio à sua candidatura.</p>
<p>O anúncio ocorre em um cenário de forte pressão sobre a oposição. Bobi Wine, nome político do cantor Robert Kyagulanyi e principal adversário de Museveni, deixou Uganda em 14 de março e seguiu para os Estados Unidos, depois de passar cerca de dois meses escondido. Ele ficou em segundo lugar na eleição presidencial de 15 de janeiro, contestou o resultado e afirmou que temia por sua segurança.</p>
<p>Muhoozi fez ameaças públicas contra Wine. Em janeiro, após a eleição, o comandante das Forças Armadas chegou a dar ao oposicionista 48 horas para se entregar. Na ocasião, a própria polícia afirmou que Wine não estava sendo procurado.</p>
<p>Museveni chegou ao poder após uma guerra de guerrilha e permanece na Presidência desde janeiro de 1986. Muhoozi já havia manifestado interesse em sucedê-lo e chegou a anunciar que concorreria à eleição deste ano, mas desistiu. Para 2031, afirma que pretende disputar o cargo com o apoio do pai. Museveni, por sua vez, nega que esteja preparando o filho para sucedê-lo.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram - Yoweri Museveni</media:credit>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>María Corina questiona acordo de petróleo entre Venezuela e EUA</title>
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      <pubDate>Fri, 04 Sep 2026 17:36:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, questionou o acordo de petróleo entre Estados Unidos e o governo interino de Delcy Rodríguez e ressaltou que as riquezas naturais da Venezuela pertencem à população, e não a um governo que considera ilegítimo.</p>
<p>Em vídeo divulgado na quinta-feira, 3, María Corina disse que esperou alguns dias para se pronunciar porque procurou reunir o máximo possível de informações sobre o acordo. Mesmo assim, afirmou que seu verdadeiro alcance ainda não está claro.</p>
<p>“Quem assina? O que realmente está sendo assinado? Quem coloca esse dinheiro? Quem dá as garantias? Como os venezuelanos serão beneficiados?”, questionou.</p>
<p>Anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump – e por Delcy – em 28 de agosto, o acordo prevê que os Estados Unidos tenham controle majoritário sobre uma nova empresa que administrará 17 campos de petróleo venezuelanos. São cerca de 65 bilhões de barris, equivalentes a aproximadamente 21% das reservas comprovadas do país.</p>
<p>María Corina afirmou compreender a “tristeza” e a “raiva” de venezuelanos diante da sensação de que outros estariam decidindo sobre os recursos do país em nome da população, mas sem consultá-la.</p>
<p>“O patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo. Pertence ao povo venezuelano”, declarou.</p>
<p>Ela defendeu a importância dos Estados Unidos para a recuperação econômica venezuelana. Segundo María Corina, o país é o principal parceiro de que a Venezuela necessita para desenvolver plenamente seu potencial estratégico.</p>
<p>Essa relação, acrescentou, torna ainda mais importante que os acordos sejam conduzidos com transparência, legalidade e eficiência.</p>
<h2>"Precisamos de muito mais do que dinheiro"</h2>
<p>O petróleo, nas palavras de María Corina, representa somente uma parte da reconstrução necessária na Venezuela. “Precisamos de investimentos colossais, mas também de muito mais do que dinheiro”, explicou.</p>
<p>Ela argumentou que, diante da atual fragilidade institucional do país, nenhum setor poderá funcionar isoladamente. A recuperação da indústria petrolífera depende também de eletricidade, infraestrutura, portos, segurança pessoal e jurídica, educação, tecnologia e de um sistema financeiro capaz de sustentar os investimentos.</p>
<p>Para María Corina, a Venezuela precisa ainda de um marco legal transparente, instituições técnicas independentes, licitações públicas e abertas, regras tributárias competitivas e estáveis, segurança jurídica e mecanismos de arbitragem internacional.</p>
<p>Além disso, a líder opositora afirmou que somente um governo democrático, com credibilidade e legitimidade, poderá oferecer a estabilidade necessária para investimentos dessa dimensão.</p>
<p>“Sabemos que não há desenvolvimento possível sem instituições sólidas e sem um governo eleito pelo voto popular”, disse.</p>
<p>María Corina também mencionou a eleição presidencial de 28 de julho de 2024, ressaltando que naquele dia “a nação falou com clareza”. A oposição venezuelana sustenta que Edmundo González venceu aquela disputa contra Nicolás Maduro.</p>
<p>Ela acrescentou que o país precisa recuperar simultaneamente suas instituições, serviços e condições para receber investimentos de longo prazo.</p>
<p>“Venezuela vale muito mais do que seu petróleo”, afirmou ao encerrar a mensagem.</p>
<h2>Para Trump, eleições vão levar mais tempo</h2>
<p>O vídeo de María Corina foi publicado um dia depois de Trump dizer que não considera a Venezuela preparada para realizar eleições.</p>
<p>Questionado a esse respeito na quarta-feira, 2, na Casa Branca, o presidente norte-americano respondeu que ainda é cedo para convocar os venezuelanos às urnas.</p>
<p>“Acho que eles ainda não estão prontos. É muito cedo. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o novo governo”, disse.</p>
<p>O presidente afirmou que os Estados Unidos querem eleições e que Delcy Rodríguez também deseja realizá-las, mas insistiu que o país ainda não está preparado.</p>
<p>“Nós queremos [eleições] e eles querem. Delcy quer, mas ainda não estão prontos”.</p>
<p>Trump não se referiu a uma possível data para a realização da votação.</p>
<p>No mesmo dia, Delcy disse que haverá eleições, mas evitou indicar quando. “Eu não defino datas”, afirmou. Segundo a presidente interina, “haverá um processo eleitoral, mas nas condições em que a Venezuela estiver preparada”.</p>
<p>Delcy acrescentou que o trabalho de seu governo é fazer com que o país esteja pronto “quando chegar a hora de realizar seu processo eleitoral”.</p>
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        <media:credit role="provider">Reprodução/ Instagram</media:credit>
        <media:title>maria corina</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Lena Castellon]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Pesquisas mostram Lula mais forte que em 2022, mas com desafio contra rejeição inédita</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/pesquisas-mostram-lula-mais-forte-que-em-2022-mas-com-desafio-contra-rejeicao-inedita</link>
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      <pubDate>Mon, 03 Aug 2026 19:53:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O PT  oficializou a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva  à reeleição no domingo, 2, em convenção realizada na capital paulista.</p>
<p>É a oitava vez que Lula é candidato à Presidência desde 1989 – em 2018, a candidatura não foi até o final, já que Lula estava preso e teve o nome barrado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa.</p>
<p>Aos 80 anos, o petista vai em busca do seu quarto mandato, novamente em chapa com Geraldo Alckmin (PSB), e uma coligação com PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede.</p>
<p>O maior rival, mostram as pesquisas, é Flávio Bolsonaro (PL), que oficializou a própria candidatura em convenção no dia 25 de julho, também em São Paulo, com o aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e inelegível desde a condenação por tentativa de golpe de Estado.</p>
<p>Com o calendário de convenções fechando em todo o país até o dia 5 e o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral previsto para 15 de agosto, a campanha entra em sua fase formal.</p>
<p>Neste texto, o  GSW Brasil  faz um comparativo entre o desempenho de Lula nas pesquisas de 2026 e o das campanhas presidenciais anteriores em que ele foi candidato.</p>
<h2>O que dizem os números até agora</h2>
<p>Os dados da pesquisa mais recente da Genial/Quaest, divulgados entre os dias 28 e 30 de julho, indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia a campanha presidencial de 2026 em posição mais favorável se comparada à disputa de 2022 na maior parte dos estados.</p>
<p>Felipe Nunes, CEO da Quaest, argumentou em artigo publicado n’O Globo que a comparação correta deve usar o eleitorado apto como base, e não os votos válidos de 2022, já que os dois números partem de universos diferentes. Aplicado esse critério, Lula aparece à frente do patamar do pleito passado em oito dos dez estados pesquisados.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asKr3OPBxM6B0mn3N.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt=""/>
<p>Os maiores avanços estão em Pernambuco (de 51,9% para 58% do eleitorado apto, alta de 6,1 pontos percentuais), Ceará (de 55,8% para 60%, 4,2 pontos) e Goiás (de 31,7% para 35%, 3,3 pontos). </p>
<p>Atrás deles vêm Pará (+2,7 pontos), Rio de Janeiro (+2,6), Bahia (+2,0), São Paulo (+1,8) e Rio Grande do Sul (+1,3). </p>
<p>Em Minas Gerais o desempenho é idêntico ao de 2022, 38% nas duas medições. Só no Paraná ele está pior do que estava, caindo de 29,6% para 28%. </p>
<p>Levando em conta o eleitorado de cada estado em 2022, os 44,9 milhões de votos que Lula obteve então equivaleriam hoje a cerca de 47,1 milhões, aplicando as intenções de voto atuais sobre a mesma base.</p>
<p>A base de comparação de 2022 já embutia abstenção relevante, cerca de um quinto a um quarto do eleitorado apto nos dez estados, somando abstenção e votos brancos e nulos.</p>
<p>Ou seja, esse crescimento nas intenções de voto pode não se transformar em votos reais, já que a parcela do eleitorado apto que hoje declara apoio a Lula continua girando em torno de 39%, praticamente o mesmo nível de 2022. Parte desse avanço acaba sendo compensada por indícios de menor disposição do eleitorado, principalmente fora do Nordeste, em comparecer às urnas.</p>
<p>A mesma pesquisa perguntou diretamente se Lula merece mais quatro anos de governo, e a resposta segue o mesmo desenho regional da intenção de voto. Maioria diz que sim na Bahia (57%), em Pernambuco (56%) e no Ceará (55%). Maioria diz que não em Minas Gerais (64%), São Paulo (67%), Rio de Janeiro (68%), no Rio Grande do Sul (69%), em Goiás (71%) e no Paraná (73%). O Pará é o único estado fora do Nordeste com resultado mais equilibrado, 45% a 55% contra a permanência de Lula.</p>
<p>Esse retrato estadual confirma o cenário nacional medido pela própria Quaest. Na pesquisa de 10 a 13 de julho, Lula tinha 45% das intenções de voto no segundo turno. Flávio Bolsonaro registrava 37%, oito pontos atrás. Foi a terceira queda seguida do senador na série mensal do instituto.</p>
<p>Como foram as outras seis campanhas</p>
<p>1989:  Na primeira eleição direta pós-ditadura, Lula chegou ao segundo turno com 16% dos votos válidos no primeiro turno, superando Leonel Brizola por menos de um ponto percentual, e perdeu para Fernando Collor por 53% a 47%.  </p>
<p>1994:  Lula liderava as pesquisas até março. O lançamento do Plano Real, em julho, mudou o quadro: Fernando Henrique Cardoso decolou nas intenções de voto e venceu em primeiro turno, com 54% contra os 27% de Lula.</p>
<p>1998:  Em 1998, o cenário se repetiu. FHC foi reeleito em primeiro turno, com 53% dos votos, contra 32% de Lula.</p>
<p>2002:  Em 2002, Lula chegou a agosto em situação mais parecida com a atual: à frente nas pesquisas, mas sem vitória garantida, em uma corrida que teve ainda Ciro Gomes, José Serra e a fugaz candidatura de Roseana Sarney, interrompida por um escândalo envolvendo dinheiro em espécie. Lula venceu em segundo turno.</p>
<p>2006:  Foi a eleição mais tranquila da carreira: Lula chegou à disputa com a economia em expansão e programas sociais consolidados e venceu a reeleição com folga sobre Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB.</p>
<p>2018:  Preso por decisão em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá, Lula teve sua candidatura registrada pelo PT e chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto mesmo atrás das grades. O TSE barrou a candidatura em setembro, com base na Lei da Ficha Limpa. Fernando Haddad assumiu a chapa faltando pouco mais de um mês para o primeiro turno e perdeu para Jair Bolsonaro.</p>
<p>2022:  Lula venceu Bolsonaro por menos de dois pontos percentuais, a margem mais estreita de uma eleição presidencial desde a redemocratização.</p>
<h2>O que muda em 2026</h2>
<p>A comparação direta entre 2026 e 2022 tem limites, já que Jair Bolsonaro está preso, cumprindo pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, e inelegível. Seu lugar na disputa foi ocupado pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro, que recebeu o aval público do pai em novembro passado. Diferentemente de 2022, quando Lula enfrentava um presidente em exercício, o adversário de outubro concorre pela primeira vez à presidência.</p>
<p>Do lado dos recursos, o desequilíbrio é maior do que no pleito anterior. Do Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões partilhado entre os 30 partidos em 2026 – o mesmo total de 2022 –, o PL ficou com a maior fatia, R$ 881,7 milhões, contra R$ 615 milhões do PT, que também cresceu em relação aos R$ 499,6 milhões de quatro anos atrás.</p>
<p>No terreno econômico, os indicadores citados por analistas como um dos principais balizadores de voto – inflação e desemprego – estão em patamar mais favorável ao governo do que em 2022: taxa de desemprego na casa dos 6%, a mais baixa em uma década, e inflação ao consumidor perto de 5% ao ano, abaixo dos dois dígitos do início do governo Bolsonaro, ainda que acima da meta do Banco Central.</p>
<p>Politicamente, porém, a rejeição de Lula segue mais alta do que em qualquer outra de suas campanhas, e a idade (Lula completa 81 anos durante o mandato) é alvo recorrente entre adversários. A disputa também chega mais polarizada em termos de renda e região do que as de 2002 e 2006, com o Nordeste concentrando a base mais estável de Lula e o desempenho fora dessa região mais sujeito a oscilação.</p>
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        <media:credit role="photographer">Agência Brasil</media:credit>
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        <media:title>Lula</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Como Bukele reescreve a cartilha da manutenção no poder na América Latina</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/bukele-manutencao-do-poder-na-america-latina</link>
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      <pubDate>Wed, 29 Jul 2026 20:10:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A confirmação da candidatura de Nayib Bukele a um terceiro mandato consecutivo em El Salvador reforça a mecânica de centralização do Executivo no país. Depois de abrir caminho na Constituição por meio de uma Assembleia Legislativa  dominada por seu partido, o Nuevas Ideas,  e de um Judiciário alinhado aos seus interesses, o mandatário salvadorenho consolidou o arcabouço legal para sua permanência indefinida no poder.</p>
<p>Do outro lado, as duas forças tradicionais que alternaram a hegemonia no país por três décadas – a Aliança Republicana Nacionalista (Arena) e a Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) – ensaiam nomes sem chance real de vencer nas urnas.</p>
<p>O movimento segue uma lógica que marcou a história recente da América Latina. O roteiro, aplicado por Hugo Chávez e Nicolás Maduro na Venezuela e por Daniel Ortega na Nicarágua com suas especificidades e semelhanças, é em grande parte  apoiado na captura do Poder Judiciário, na degradação da oposição tradicional e na instrumentalização da aprovação popular como um salvo-conduto para contornar os freios e contrapesos democráticos.</p>
<p>A diferença nos casos latino-americanos de enfraquecimento democrático costuma estar na capacidade de reação das instituições. O sucesso de Bukele em aparelhar o Estado contrasta, por exemplo, com a tentativa frustrada de Álvaro Uribe na Colômbia, em 2010, em obter o terceiro mandato consecutivo.</p>
<p>Uribe colidiu com uma Corte Constitucional colombiana independente e institucionalmente densa, que barrou o plebiscito presidencial ao apontar vícios  e violações ao princípio de pesos e contrapesos. Em El Salvador, a sequência foi oposta.</p>
<p>Ao conquistar a maioria absoluta no Congresso em 2021, Bukele destituiu os magistrados da Sala Constitucional do Supremo Tribunal e o procurador-geral. Neutralizados os contrapesos, o Judiciário reconfigurado chancelou a reinterpretação constitucional que permitiu sua candidatura em 2024 e pavimentou o caminho jurídico para sua permanência no poder.</p>
<p>É importante reconhecer, porém, que Bukele se mantém com apoio popular substancial. Antes de sua presidência, El Salvador era considerado um dos países mais violentos do mundo, com taxa de homicídios que chegou a 106 por 100 mil habitantes em 2015 e ainda registrava 53,1 em 2018. </p>
<p>Sob seu governo, o índice despencou para 2,4 por 100 mil em 2023 e atingiu 1,9 em 2024, segundo dados da Polícia Nacional Civil de El Salvador (PNC) – uma redução superior a 98% em menos de uma década. Esse resultado concreto em segurança pública explica, em grande parte, sua aprovação acima de 80%.</p>
<p>Bukele também se destaca pelo uso estratégico das redes sociais, onde consegue contornar a mídia tradicional e se comunicar diretamente com a população.</p>
<p>Para Leandro Consentino, professor de relações internacionais do Insper, esse tipo de engrenagem revela a permanência do personalismo político na região.</p>
<p>"O DNA do caudilhismo e do continuísmo na América Latina continua presente, aparecendo à esquerda ou à direita. Independe de ideologia", aponta o analista. Segundo ele, o governante salvadorenho tira proveito de um cenário global favorável a figuras autoritárias e antipolíticas.</p>
<p>"Ele tenta solapar o regime democrático por dentro da estrutura, instrumentalizando a questão da violência para obter aprovação de forma bastante questionável do ponto de vista institucional. O componente liberal da democracia fica manco quando se solapam direitos e garantias fundamentais", afirma Consentino.</p>
<h2>Três modelos de autocracia</h2>
<p>Embora utilizem ferramentas semelhantes, a mecânica da retenção do poder assumiu matizes distintos na Venezuela, na Nicarágua e em El Salvador, que envolvem o tipo de coerção aplicada, a natureza da base social e o nível de fechamento do regime.</p>
<p>A cientista política Regiane Bressan, professora da Unifesp especializada em América Latina, aponta que a sobrevivência desses governos deriva de reconfigurações internas e de burocracias locais, e não de orientações ideológicas exógenas. </p>
<p>"A distinção entre os três regimes reside nos mecanismos de legitimação, na base de sustentação e no arranjo coercitivo empregado em cada caso", explica Bressan.</p>
<p>No modelo salvadorenho, o pilar do governo é a combinação de uma massa despartidarizada e Forças Armadas hipertrofiadas pela pauta da segurança urbana, com forte apoio também de igrejas evangélicas e uso intensivo de redes sociais para comunicação direta com a população.</p>
<p>Na Venezuela, até a prisão de Maduro em ação articulada pelos Estados Unidos, o arranjo dependia diretamente da cúpula militar e do controle da renda petroleira, sob eleições hipercontroladas.</p>
<p>Já na Nicarágua de Daniel Ortega, o ecossistema político derivou para um fechamento totalitário, centrado em um núcleo familiar dinástico, destaca a professora.</p>
<p>Os casos também apresentam diferenças econômicas e de classe. Enquanto o continuísmo chavista se ancorou em setores populares e na redistribuição de renda do petróleo em um país com forte tradição de mobilização de classe, o fenômeno Bukele surgiu num contexto de violência urbana que cruzava divisões classistas tradicionais, atingindo a população como um todo.</p>
<p>No campo das estratégias de controle e comunicação, Bressan destaca que sobressai no governo salvadorenho "a conversão da comunicação estatal em uma engenharia de propaganda digital centralizada, baseada em algoritmos, desqualificação do jornalismo profissional e na introdução do Bitcoin como moeda no país".</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/asLwclSFbyZwF9p1Y.jpeg?width=800&height=600&quality=75" alt="O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no poder desde 2007 e um dos representantes do continuísmo na América Latina."/>
<h2>Os riscos da "democracia delegativa"</h2>
<p>Tanto em El Salvador quanto nos casos venezuelano e nicaraguense, a ascensão do continuísmo foi precedida por décadas de corrupção, desgaste de siglas tradicionais e ineficiência do Estado em responder a crises sociais profundas.</p>
<p>A ruína da Arena e da FMLN em El Salvador não resultou primariamente de perseguições governamentais, mas de uma implosão endógena, conforme explica Regiane Bressan. A incapacidade de conter as  maras  – gangues transnacionais (como a MS-13 e o Barrio 18) que por décadas controlaram territórios, extorquiram a população e ditaram a rotina do país – e a falta de renovação de quadros criaram o vácuo ocupado pela retórica de Bukele.</p>
<p>A dinâmica de desgaste do sistema partidário tradicional e a consequente ascensão de alternativas autocráticas ou antipolítica não se restringem à América Central. No ecossistema político sul-americano, o Brasil também oferece um exemplo de erosão institucional.</p>
<p>"Basta fazer uma analogia de como partidos políticos desgastados levaram à emergência do bolsonarismo, e como o bolsonarismo presente desgastou parte das forças políticas – sobretudo ao centro, que minguaram durante esse processo", analisa Consentino.</p>
<p>"Aqui, no Brasil, temos tentativas de aproximação com esse modelo debatidas hoje pelo candidato Renan Santos, do Missão. Parte do que ele exibiu inspirado no Bukele violaria fortemente a nossa Carta Constitucional de 1988", alerta o professor do Insper.</p>
<p>Acontece que a busca por resultados imediatos em áreas cruciais, como a segurança pública, introduziu uma distorção no conceito de legitimidade. Apoios populares maciços – no caso salvadorenho, alimentados por um estado de exceção permanente e prisões em massa – tendem a anestesiar a percepção do desmonte institucional, explicam os analistas.</p>
<p>Ao trocar garantias legais por sensação de segurança, a sociedade abre espaço para a "democracia delegativa". Segundo a professora Regiane, o conceito cunhado pelo cientista político argentino Guillermo O'Donnell descreve governos onde a popularidade momentânea do líder passa por cima das regras do jogo e dos direitos da oposição.</p>
<p>"Trata-se de uma legitimidade de base puramente carismática e de desempenho, que fragiliza a previsibilidade institucional e a perenidade do Estado Democrático de Direito.”</p>
<p>Vale notar que, historicamente, a esquerda latino-americana também recorreu com frequência ao continuísmo – como observado nos projetos de Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador, além dos já mencionados Chávez, Maduro e Ortega. Muitas vezes a justificava-se a concentração de poder como necessária para enfrentar elites conservadoras e projetos neoliberais.</p>
<p>Mas o desgaste desse modelo esbarra em limites estruturais. Como aponta a professora da Unifesp, a derrota sofrida por Morales e o esgotamento do MAS (partido  Movimiento al Socialismo ) na Bolívia "evidenciam os limites incontornáveis enfrentados em uma sociedade civil etnicamente fraturada e institucionalmente mobilizada".</p>
<h2>O novo alerta</h2>
<p>No cenário internacional, a sobrevivência desses governos depende de reduzir a dependência externa. Bukele equilibra essa conta atraindo investimentos chineses em infraestrutura e, ao mesmo tempo, evita romper com os Estados Unidos para não sofrer sanções econômicas.</p>
<p>Para Consentino, dificilmente um país de grande porte conseguirá copiar a receita de Bukele ao pé da letra, já que o modelo depende de um território pequeno e de um colapso social muito específico. O perigo real para a América Latina, aponta o cientista político, é a consolidação da ideia de que as regras democráticas são um obstáculo para combater o crime.</p>
<img src="https://gsw.codexcdn.net/assets/aspDc5JLdM1k8KnHE.jpg?width=800&height=600&quality=75" alt="O presidente da Argentina, Javier Milei, e o senador Flávio Bolsonaro no lançamento da candidatura do brasileiro na convenção do Partido Liberal, em São Paulo, em 25 de julho."/>
<p>Hoje, a atenção na América do Sul se concentra na Argentina de Javier Milei, onde a gestão de uma crise macroeconômica vem acompanhada de testes constantes aos limites constitucionais. Para Regiane Bressan, o cenário inspira cuidado: "Há um risco real de aceleração na concentração de poder, legitimada pela urgência econômica".</p>
<p>Já Consentino avalia que, no cenário sul-americano recente, Milei se projeta como a liderança mais distante dos cânones da democracia liberal. O desfecho do experimento argentino, pondera o cientista político, dependerá de como as instituições do país reagirão às pressões do Executivo nos próximos anos.</p>
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        <media:title>Bukele</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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      <title>Haiti marca eleições após uma década, mas votação depende de segurança</title>
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      <pubDate>Tue, 28 Jul 2026 12:38:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti anunciou nesta segunda-feira, 27, a convocação de eleições presidenciais e legislativas com previsão para dezembro de 2026. Caso seja realizado, o pleito será o primeiro no país em uma década. </p>
<p>No entanto, o próprio órgão eleitoral condicionou a realização das votações à existência de um ambiente de segurança considerado adequado e à garantia dos recursos financeiros necessários.</p>
<p>Segundo decreto divulgado pelo Conselho, o primeiro turno está marcado para 13 de dezembro e será realizado simultaneamente a um referendo sobre propostas de reforma da Constituição do país.</p>
<p>Já o segundo turno das eleições foi agendado para 21 de fevereiro de 2027. A previsão é que os resultados oficiais sejam anunciados em 7 de março do mesmo ano.</p>
<p>Apesar da definição do cronograma, o decreto ressaltou que o calendário eleitoral poderá ser alterado caso não sejam atendidas as condições mínimas de segurança ou haja dificuldades no financiamento do processo.</p>
<h2>Sem eleições, Haiti enfrenta crise duradoura</h2>
<p>O anúncio representa mais um desafio para o Haiti, que enfrenta uma grave crise política e de segurança. O país não realiza eleições desde 2016 e vive um período de instabilidade agravado após o assassinato do então presidente Jovenel Moïse, em 2021.</p>
<p>Atualmente, gangues fortemente armadas dominam grandes áreas do território haitiano, incluindo boa parte de Porto Príncipe, capital do país. O avanço desses grupos levanta dúvidas sobre a capacidade das autoridades de garantir a segurança necessária para a realização da votação.</p>
<p>No cenário internacional, a missão de apoio autorizada pelas Nações Unidas foi convertida em uma Força de Supressão às Gangues, com um mandato ampliado para combater as organizações criminosas e tentar restabelecer a ordem no país.</p>
<p>A Caricom (Comunidade do Caribe) recebeu de forma positiva a publicação do calendário eleitoral. </p>
<p>Em nota, o Grupo de Pessoas Eminentes da organização pediu aos países que participam da Força de Supressão às Gangues o envio de reforços "o mais cedo possível", com o objetivo de ampliar a capacidade operacional da missão antes da realização do primeiro turno das eleições.</p>
<p>*Com informações de AFP</p>
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        <media:credit role="photographer">Clarens Siffroy</media:credit>
        <media:credit role="provider">AFP</media:credit>
        <media:title>Haiti forças policiais</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
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