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    <title>Global South World Brasil - EUA</title>
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    <language>pt-BR</language>
    <description><![CDATA[Notícias, opinião e análise voltadas para o Sul Global e as nações emergentes do mundo, do Global South World Brasil.]]></description>
    <copyright>Copyright © 2026 — Global South World Brazil</copyright>
    <item>
      <title>Brasil e Estados Unidos iniciam nova fase de negociações sobre tarifaço</title>
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      <pubDate>Mon, 31 Aug 2026 17:21:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Dez dias após o telefonema entre Lula (PT) e Trump, Brasil e Estados Unidos retomam nesta segunda-feira, 31, negociações comerciais após a Casa Branca aplicar, unilateralmente, tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras no final de julho.</p>
<p>No telefonema entre os chefes de Estado, Lula argumentou que as tarifas são infundadas. Na avaliação do governo brasileiro, a justificativa para a tarifa de 12,5% foi criada para substituir o tarifaço americano derrubado pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano.</p>
<p>Em outras palavras, o governo Trump teria montado uma nova base legal para retomar as tarifas que o Judiciário havia anulado.</p>
<p>No caso da tarifa de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil, o governo Trump se apoiou em uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O órgão alega que o Brasil pratica comércio “desleal” em áreas como pagamentos eletrônicos (Pix) e acesso ao mercado de etanol.</p>
<p>O governo brasileiro, por sua vez, considera que a medida tem motivação política e que as justificativas não correspondem à realidade. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, os negociadores americanos cobravam a abertura total dos mercados brasileiros sem oferecer qualquer contrapartida.</p>
<p>O tarifaço ocorre em meio a uma ofensiva da Casa Branca para reafirmar sua “proeminência” na América Latina, diante do avanço da influência econômica chinesa na região nas últimas décadas. </p>
<p>Em Brasília, a leitura é de que há também uma tentativa de interferir nas eleições gerais de outubro no Brasil.</p>
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        <media:title>Brasil e EUA iniciam novas negociações sobre tarifaço</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Global South World]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Após seis meses de guerra, Irã e EUA travam disputa de resistência e pressão econômica</title>
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      <pubDate>Thu, 27 Aug 2026 18:19:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>Seis meses depois do ataque conjunto que causou a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o regime no país continua de pé . E os Estados Unidos ainda não conseguiram transformar a superioridade militar em uma solução política para a guerra.</p>
<p>Ao longo do tempo, o conflito passou por momentos de queda e alta de intensidade. Houve cessar-fogos e um memorando de entendimento em junho, mas nenhum deles produziu uma paz definitiva; agora, com o  Estreito de Ormuz  praticamente fechado e Washington ampliando as sanções, a guerra entra em uma fase em que a  pressão econômica substitui a expectativa de uma vitória bélica rápida.</p>
<p>Para  Leandro Consentino, professor de Relações Internacionais do Insper , o conflito também mudou o cálculo político de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, principalmente o de Trump.</p>
<p>Na quarta-feira, 26, Irã e Omã firmaram um acordo para criar um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, que visa liberar a passagem de embarcações comerciais pelas águas iranianas e omanenses.</p>
<p>É importante estabelecer, porém, que o anúncio ainda não representa uma reabertura plena da rota. À Reuters, uma fonte iraniana afirmou que os detalhes do acordo seguem sendo negociados, enquanto autoridades dos dois países falavam em estabelecer uma passagem temporária e retirar minas da região. O entendimento também prevê uma discussão sobre a administração futura da via e sobre a divisão das receitas entre Irã e Omã.</p>
<p>Isso importa porque Ormuz ainda é o principal instrumento de pressão de Teerã e, ao mesmo tempo, o maior entrave econômico que a guerra gestou. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito transportados por via marítima no mundo passava pelo estreito. Desde fevereiro, o movimento de navios despencou e, apesar de períodos de recuperação durante as tréguas, os fluxos continuam muito abaixo do nível anterior à guerra.</p>
<p>Segundo dados da Kpler, empresa de inteligência especializada no rastreamento do comércio mundial de commodities, as importações asiáticas de petróleo do Oriente Médio em agosto ficaram cerca de 14% abaixo da média dos três meses anteriores ao conflito.</p>
<p>Há cerca de 6 mil marítimos presos na região do Golfo, segundo estimativas divulgadas nas últimas semanas, enquanto companhias de navegação continuam evitando ou reduzindo operações pelo estreito. A Agência Internacional de Energia afirma que a interrupção das exportações do Golfo e os preços mais altos de combustíveis já estão afetando a demanda mundial por petróleo e as cadeias internacionais de abastecimento.</p>
<h2>A escalada até aqui</h2>
<p>O ataque de 28 de fevereiro não veio do nada. Em junho de 2025, oito meses antes do início da atual guerra, Israel lançou uma campanha contra instalações nucleares e militares iranianas. O conflito, conhecido como Guerra dos 12 Dias, terminou em 24 de junho, depois que os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas. A trégua não resolveu a questão central: o programa nuclear iraniano continuou sendo o principal ponto de disputa entre Teerã, Washington e Jerusalém.</p>
<p>Meses depois, as negociações não produziram um acordo e Estados Unidos e Israel decidiram atacar novamente. Em 28 de fevereiro de 2026, os dois países lançaram operações simultâneas contra o Irã, batizadas de Roaring Lion por Israel e Epic Fury pelos Estados Unidos. Khamenei foi morto no primeiro dia, junto com outros integrantes da cúpula iraniana, e os ataques atingiram instalações militares e nucleares. O objetivo americano e israelense incluía reduzir a capacidade militar e nuclear iraniana e, segundo autoridades dos dois países, produzir uma mudança política em Teerã.</p>
<p>Em abril, Estados Unidos e Irã aceitaram um cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão. Em junho, os dois lados chegaram a um novo memorando, que previa o fim das operações militares, a retirada progressiva do bloqueio naval americano, a retomada do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz e negociações para um acordo definitivo em até 60 dias. O prazo passou sem um tratado de paz.</p>
<p>Dentro do Irã, a guerra se sobrepôs a uma crise política e econômica que já vinha de antes. Os protestos iniciados no fim de dezembro de 2025, depois da forte desvalorização do rial e do agravamento da crise econômica, foram reprimidos pelo governo. Organizações de direitos humanos registraram milhares de mortos, mas o número exato permanece objeto de disputa porque houve apagões de internet e dificuldade de verificação independente.</p>
<p>O que não aconteceu foi justamente o que Washington e Israel pareciam esperar: a morte de Khamenei, a destruição de parte importante da estrutura militar iraniana e a pressão econômica não produziram o colapso do regime. O Irã continuou funcionando, reorganizou sua liderança e manteve capacidade de lançar mísseis e drones, ainda que tenha sofrido perdas militares muito grandes.</p>
<h2>Ormuz, ponto de pressão permanente</h2>
<p>É difícil entender a situação atual sem olhar para o Estreito de Ormuz. Por ali passava, antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás liquefeito transportados por via marítima no mundo. O fechamento da rota reduziu drasticamente os embarques do Golfo, obrigou produtores a procurar caminhos alternativos e levou países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos a acelerar projetos de oleodutos que permitem exportar petróleo sem depender integralmente do estreito.</p>
<p>O petróleo também passou a refletir essa incerteza. Houve momentos de disparada, mas os preços caíram durante a trégua de junho e voltaram a subir à medida que a situação se deteriorou. Em agosto, o Brent chegou a ser negociado perto dos US$ 90, e a Reuters calculava o preço cerca de 25% acima do nível anterior à guerra.</p>
<p>No Brasil, o efeito passa pelo petróleo, pelos derivados, pelo frete e pelo comércio exterior. O país é exportador líquido de petróleo, o que reduz parte do impacto externo, mas também importa derivados e está exposto à formação internacional dos preços. Do lado das exportações, a guerra também afetou o comércio com o Oriente Médio: em março, os embarques brasileiros de milho para o Irã despencaram, enquanto as exportações de frango para o país ficaram zeradas naquele mês.</p>
<p>Para Consentino, o impacto regional vai além do mercado de energia e envolve uma reorganização dos alinhamentos geopolíticos.</p>
<p>“Teve uma reorganização importante do ponto de vista geopolítico, apoios de lado a lado que talvez tenham se tornado mais importantes ou mais relevantes dentro disso.” </p>
<p>A relação entre os Estados Unidos e os países do Golfo também ficou mais frágil, avalia o professor.</p>
<h2>O cálculo político dos dois lados</h2>
<p>Em Washington, a expectativa inicial de uma guerra relativamente curta deu lugar a uma  disputa econômica  prolongada, e o governo de Donald Trump passou a apostar cada vez mais em sanções para cortar as fontes de receita iranianas. </p>
<p>Em agosto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que os Estados Unidos preparavam o que chamou de as sanções mais duras já impostas ao Irã e disse explicitamente que a combinação entre bloqueio e pressão econômica levaria ao colapso do regime, uma aposta que, embora aumente a pressão sobre uma economia já devastada, também tem limites.</p>
<p>O Irã passou décadas aprendendo a operar sob sanções, o rial, moeda do país, atingiu novas mínimas e a inflação disparou, enquanto a China continua sendo um comprador fundamental do petróleo iraniano e Washington precisa decidir até onde está disposto a pressionar empresas e instituições chinesas para fechar as rotas de evasão.</p>
<p>É nesse ambiente que o cálculo político de Donald Trump também mudou. No início, uma vitória rápida poderia render dividendos eleitorais nas eleições parlamentares de novembro; seis meses depois, porém, a duração do conflito e seus efeitos sobre a economia tornaram o resultado menos previsível.</p>
<p>“Só que há outro lado, e por isso o cálculo é ambíguo: como o conflito se estendeu e não foi tão fácil quanto ele imaginava, isso também pode ter gerado um problema do ponto de vista econômico, agravado pela questão do petróleo, que pode acabar custando caro para ele nas eleições parlamentares” , analisa o professor do Insper.</p>
<p>Para Benjamin  Netanyahu , diz Consentino, a lógica é diferente e está mais diretamente ligada à sobrevivência política do primeiro-ministro israelense.</p>
<p>Mas a mesma guerra que pode ajudar a sustentar um governo também pode se tornar um problema político conforme o custo aumenta. “E a medida que esse conflito se delonga, se desgasta e produz mais baixas, isso pode custar caro para ele também.”</p>
<p>Em Teerã, por outro lado, a sobrevivência do regime virou argumento de negociação. O governo iraniano pode dizer que os Estados Unidos conseguiram destruir instalações e matar integrantes da liderança, mas não conseguiram derrubar o sistema político. A questão agora é quanto cada lado está disposto a pagar para continuar sustentando essa posição: para os Estados Unidos, o custo é militar, econômico e político; para o Irã, é sobretudo econômico, além da destruição provocada pelos ataques e do isolamento internacional.</p>
<p>É nesse ponto que o Estreito de Ormuz volta ao centro da história. O corredor negociado com Omã pode ser um primeiro passo para reduzir a pressão sobre o comércio e permitir a retirada de milhares de marítimos, mas ainda não resolve a disputa entre Washington e Teerã sobre quem controla a passagem, quem garante a segurança dos navios e quais sanções serão suspensas.</p>
<p>Seis meses depois, portanto, o resultado é menos uma vitória de um lado do que um impasse caro. Os Estados Unidos e Israel conseguiram atingir profundamente a estrutura militar iraniana e eliminaram Khamenei, mas não produziram a mudança de regime que estava entre seus objetivos; o Irã sobreviveu politicamente, mas está economicamente devastado e ainda tenta recuperar alguma capacidade de negociação.</p>
<p>Para Consentino, a relação entre Washington e Teerã deve continuar marcada por períodos de pressão e descompressão, sem uma mudança estrutural no curto prazo.</p>
<p>“As perspectivas são bastante complicadas. Vai persistir uma relação bastante conflituosa, de idas e vindas entre momentos de descompressão e de maior pressão, mas nada que seja construtivo no curto prazo.” </p>
<p>A mudança, na avaliação dele, dependeria principalmente de alterações no cenário político americano e iraniano. “No geral, teremos períodos de bastante fragilidade nessa relação, que só tendem a mudar com a mudança de governo dos dois lados.”</p>
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        <media:title>estreito de ormuz</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>ICE coletou DNA de quase 1 milhão de pessoas nos EUA em 2025, incluindo crianças</title>
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      <pubDate>Sat, 08 Aug 2026 17:03:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ampliou drasticamente a coleta de DNA de pessoas mantidas sob custódia.Segundo uma investigação do site Wired, a agência pode ter enviado ao FBI os perfis genéticos de até 900 mil  pessoas somente em 2025. </p>
<p>Os dados são armazenados no Combined DNA Index System (CODIS), banco nacional genético utilizado por autoridades policiais em investigações criminais. </p>
<p>O Centro de Privacidade e Tecnologia (Georgetown Law's Center on Privacy) calculou que o índice do CODIS destinado a pessoas detidas pelo governo federal passou de 3 milhões de registros em dezembro de 2025, um crescimento de aproximadamente 995 mil em apenas um ano.</p>
<h2>Como o número foi estimado</h2>
<p>Para chegar à estimativa sobre a participação do ICE, os pesquisadores compararam o total do banco com registros que mostram que a Customs and Border Protection (CBP) enviou cerca de 75 mil ao FBI em 2025.</p>
<p>Como o ICE não divulgou dados equivalentes, a diferença levou a Georgetown a estimar que a agência pode ter sido responsável por até 919 mil novos perfis. O FBI não informa qual agência federal enviou cada perfil.</p>
<p>O governo americano justificou a coleta, em parte, como uma medida administrativa de identificação, comparável à coleta de impressões digitais durante o processo de custódia.</p>
<h2>Banco tem DNA de pessoas sem condenação criminal</h2>
<p>A reportagem destacou que a maioria das pessoas sob custódia do ICE não possui condenação criminal. A permanência irregular nos Estados Unidos é, em geral, uma infração civil, e não criminal.</p>
<p>Depois que um perfil é incluído no CODIS, no entanto, autoridades policiais de todo o país podem compará-lo com material genético encontrado em cenas de crimes não solucionados. Essas comparações podem ocorrer inclusive com evidências coletadas anos ou décadas depois.</p>
<h2>Crianças também tiveram DNA enviado ao FBI</h2>
<p>Tammbém foram encontradas evidências de que a coleta atingiu crianças.</p>
<p>Durante uma inspeção realizada em maio de 2026 no Centro de Processos Imigratórios de Dilley, no Texas, integrantes do Congresso disseram que funcionários do ICE confirmaram que a agência coletava DNA de famílias detidas há cerca de três meses.</p>
<p>O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Department of Homeland Security), afirmou que o ICE tem direito de coletar DNA de crianças a partir dos 14 anos, mas investigações apontam que a coleta atingiu crianças mais novas.</p>
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      <dc:creator><![CDATA[GSW Brasil]]></dc:creator>
    </item>
    <item>
      <title>Trump usa força política e pressão econômica para moldar a América Latina, diz especialista</title>
      <link>https://www.globalsouthworld.com.br/article/trump-usa-forca-politica-e-pressao-economica-para-moldar-a-america-latina-diz-especialista</link>
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      <pubDate>Thu, 06 Aug 2026 18:55:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>A América Latina vive uma guinada conservadora. Nos últimos três anos, o eleitorado da região elegeu nas urnas uma sucessão de nomes da direita: Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia. Com a posse de Espriella em agosto, a região soma 12 chefes de Estado de direita. No início de 2023, eram 11 países governados pela esquerda.</p>
<p>Diferentemente da safra neoliberal dos anos 1990, que teve entre seus principais nomes Carlos Menem na Argentina, Alberto Fujimori no Peru, Carlos Salinas de Gortari no México e Carlos Andrés Pérez na Venezuela, os novos líderes dependem menos de partidos e mais da própria imagem. A agenda também mudou, incorporando segurança pública e imigração como resposta a um desgaste institucional comum aos países da região, ao lado da pauta econômica que já era central nos anos 1990. Trump aparece como fiador dessas candidaturas, com apoio que varia do retórico ao financeiro.</p>
<p>O fenômeno importa ao Brasil, que em outubro vai às urnas para eleger seu próximo presidente, com Lula tentando a reeleição num cenário de polarização semelhante ao dos vizinhos. Flávio Bolsonaro mantém competitividade mesmo em meio a crises de campanha, enquanto Renan Santos, do Missão, aparece como o principal replicador do modelo de comunicação direta que rendeu resultado a Bukele e Milei.</p>
<p>Para explicar esse cenário, o  GSW Brasi l entrevistou Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM e especialista em América Latina.</p>
<p>GSW BRASIL  Nos últimos anos, a América Latina elegeu uma sequência de nomes de direita: Milei na Argentina, Noboa no Equador, Bukele em El Salvador, Santiago Peña no Paraguai, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru. Hoje são doze governos latino-americanos de direita. Como a senhora lê esse momento? Existe fôlego para essa hegemonia durar?</p>
<p>Denilde  A América Latina sempre se moveu em pêndulos políticos: passamos por uma fase mais à esquerda e agora entramos em um ciclo focado na direita. Esses novos governos compartilham uma lógica comum: refletem um desgaste profundo das instituições democráticas, decorrente de escândalos de corrupção, baixo crescimento econômico e da percepção de que as gestões anteriores não responderam às demandas da sociedade.</p>
<p>Paralelamente, há um movimento global de ascensão de grupos de direita – tanto na Europa, com o avanço da extrema-direita, quanto nos Estados Unidos, com o movimento MAGA. Há, portanto, uma confluência entre a conjuntura regional de alternância e um contexto global que fortalece esse campo no momento.</p>
<p>É difícil prever se esses governos se sustentarão, pois o eleitor latino-americano tem um perfil pragmático, que testa os governantes. Sem resultados práticos no dia a dia da população, a tendência é uma nova mudança ideológica ou a eleição de opositores. Por isso, a sustentação desta direita depende mais da entrega de resultados do que de uma identidade ideológica consolidada.</p>
<p>O Brasil exemplifica essa dinâmica. Bolsonaro venceu em 2018 e, após um governo marcado por dificuldades e respostas insatisfatórias, o eleitorado optou pelo retorno da esquerda, a despeito da forte polarização. O eleitor atua nesse papel de teste porque a América Latina ainda enfrenta fragilidade institucional e alta fragmentação política. É essa estrutura fragmentada que viabiliza alternâncias constantes no poder.</p>
<p>Ainda assim, esta nova onda pode ganhar fôlego – diferente do que ocorreu nos anos 1990. O alinhamento com um movimento forte nos Estados Unidos e a criação de alianças regionais consolidadas podem garantir maior sustentação a esses governos, em um cenário global de enfraquecimento democrático.</p>
<p>GSW BRASIL  A senhora citou a safra neoliberal dos anos 1990, que teve nomes como Menem na Argentina, Fujimori pai no Peru, Salinas de Gortari no México, Sánchez de Lozada na Bolívia, Carlos Andrés Pérez na Venezuela. O que a nova safra traz de diferente? Dá para tratá-los como um bloco único ou cada um responde a uma agenda própria, como a liberal de Milei e a securitária de Bukele?</p>
<p>Denilde  A principal diferença está na origem política. Nos anos 1990, os líderes surgiam de partidos tradicionais. Ainda que houvesse a novidade do outsider em alguns casos, a maioria operava dentro do sistema partidário. Hoje, vemos um deslocamento para uma personalização muito mais acentuada, fruto do enfraquecimento das legendas. A atenção do eleitor recai sobre os indivíduos, e não sobre as siglas.</p>
<p>Essa dinâmica reduziu a preocupação dos mandatários com a institucionalização e com a negociação política para a implementação de pautas. A centralidade do processo passou a ser a figura do candidato, operada por canais de comunicação mais ágeis e diretos, como as redes sociais.</p>
<p>A agenda política também se transformou. Se nos anos 1990 o foco era estritamente econômico – centrado no Consenso de Washington e em reformas liberais – hoje a pauta econômica divide espaço com pautas comportamentais, culturais e de um forte conservadorismo social.</p>
<p>Apesar de compartilharem o discurso personalizado, o uso da comunicação direta e uma postura antipolítica, esses líderes não formam um bloco homogêneo. Eles atuam em contextos e países com graus distintos de institucionalização, o que impõe mais amarras para uns e dá mais margem para outros. Há vertentes abertamente autocráticas, como a de Bukele, e governos que ainda dependem da busca por consensos internos para governar.</p>
<p>Suas agendas também variam: Milei prioriza a economia, enquanto Bukele foca na segurança. No entanto, temas como segurança, imigração e economia funcionam hoje mais como ferramentas de engajamento da base aliada do que como projetos estruturados de reforma política.</p>
<p>GSW BRASIL  E qual é o tamanho da influência do Donald Trump nessas eleições? Não só sobre a retórica desses eleitos, mas para o movimento em si?</p>
<p>Denilde  A influência varia conforme o país. Na Argentina, o impacto foi expressivo, sobretudo nas eleições legislativas recentes, ao reforçar o discurso de que a estabilidade econômica do país depende do apoio e dos aportes financeiros dos Estados Unidos. Na Colômbia, o apoio sinalizou que uma vitória da direita fortaleceria as relações bilaterais e a agenda de segurança.</p>
<p>Trump tem demonstrado como o alinhamento com Washington pode gerar contrapartidas aos países aliados, usando a Argentina como vitrine. Em outros cenários, observa-se uma interferência mais direta no processo eleitoral. Além da figura de Trump, o movimento MAGA atua mobilizando redes e eleitores conservadores pela região.</p>
<p>No plano retórico, Trump utiliza sua capacidade de mobilização para respaldar candidatos aliados ou pressionar adversários, indicando que recursos americanos serão direcionados a quem apoiar sua agenda. Por outro lado, governos alinhados a posições opostas enfrentam pressões diplomáticas, tarifas e sanções, como se observa nas relações com o Brasil, o México e o Canadá.</p>
<p>GSW BRASIL  Entramos na questão da segurança pública, que é um dos grandes motores argumentativos de boa parte desses líderes, especialmente o Bukele. Por que a direita consegue capturar essa pauta? Temos exemplos concretos com êxito suficiente em segurança pública para que esse grupo capture o tema?</p>
<p>Denilde  El Salvador, apesar de todas as ressalvas relativas a violações de direitos, é um modelo de exportação devido à queda drástica nos índices de criminalidade e à sensação de controle transmitida à população. Governos que adotam posturas mais duras no combate ao crime costumam transmitir uma percepção de eficiência mais imediata do que aqueles que aplicam políticas progressistas. Pesa mais para o eleitor a sensação de que o Estado retomou a ordem do que a avaliação detalhada dos métodos utilizados.</p>
<p>A direita também demonstra eficácia comunicacional ao inflar a percepção de insegurança durante os períodos eleitorais, mesmo em países com baixos índices de criminalidade. Na Colômbia, o aumento dos indicadores de violência durante a gestão Petro reforçou a narrativa de que o Estado perdeu o controle e de que abordagens progressistas são brandas.</p>
<p>Esse fenômeno é visto também na pauta migratória. Embora a América Latina não registre volumes de imigração comparáveis aos dos Estados Unidos ou da Europa, a mobilidade decorrente da crise venezuelana tornou o tema central em pleitos no Chile, na Colômbia e na Argentina. A narrativa explorada é uniforme: a acusação de que falta pulso ao Estado para gerir as fronteiras e combater ilícitos.</p>
<p>GSW BRASIL  Vemos, inclusive no Brasil, candidatos que têm o Bukele como inspiração. Esse modelo de segurança pública é replicável em paises de maiores dimensões? E qual é o perigo, pensando numa erosão democrática para a região, se esse modelo pudesse ser replicado em países de maiores dimensões?</p>
<p>Denilde  A replicação do modelo salvadorenho é improvável em países com sistemas judiciários mais complexos e independentes, pois a estratégia de Bukele exige uma centralização quase absoluta do Poder Executivo e a supressão de garantias no sistema prisional. O Equador tentou implementar medidas semelhantes por dispor de mecanismos mais centralizadores, o que gerou um processo visível de erosão democrática.</p>
<p>Em países onde os freios e contrapesos institucionais ainda operam, há barreiras claras a esse tipo de ação. No Brasil, por exemplo, como a segurança pública é gerida primordialmente pelos estados, a aplicação de um modelo nacional unificado e centralizado enfrenta limitações constitucionais.</p>
<p>Por isso, o que se observa é uma adaptação retórica e pontual: a defesa de forças policiais com maior liberdade para o uso da força e o endurecimento das condições prisionais. A inspiração no modelo serve como demonstração de autoridade e controle, sem que haja necessariamente a replicação integral da estrutura autocrática de El Salvador.</p>
<p>GSW BRASIL  A senhora falou do Milei e da questão da imigração. Por que isso funciona como arma política para esse tipo de eleitor?</p>
<p>Denilde  Funciona porque se conecta a um sentimento mais amplo de Insegurança – não apenas física, mas econômica e trabalhista. Atribuir essas incertezas a fatores externos tem forte apelo narrativo. Ao amplificar esses temores, esses governos se apresentam como os únicos capazes de restaurar a ordem.</p>
<p>Demandas por empregos e por serviços públicos, como saúde e educação, são frequentemente apresentadas como recursos disputados com a população estrangeira. No caso de Milei, o uso da pauta migratória cumpre dois papéis: estimula o sentimento nacionalista ("nós contra eles") e desvia a atenção das dificuldades econômicas que seu governo ainda tenta equacionar.</p>
<p>As realidades regionais, contudo, são distintas. Colômbia e Chile absorveram contingentes migratórios substancialmente maiores do que a Argentina. Ainda assim, a pauta é instrumentalizada para mover o debate público para um terreno de apelo emocional, poupando a gestão de desgastes em tópicos centrais, como a economia.</p>
<p>GSW BRASIL  Olhando para esse movimento na América Latina, é provável que o Brasil reproduza o mesmo resultado dos vizinhos nas urnas ou, pelas características particulares do Brasil, podemos ver um movimento completamente diferente dos nossos vizinhos?</p>
<p>Denilde  Há um traço comum em quase toda a região: processos eleitorais extremamente polarizados e decididos por margens muito estreitas, refletindo sociedades divididas. Esse é o cenário esperado para o pleito brasileiro. A candidatura associada ao bolsonarismo, representada por Flávio, demonstra resiliência por se ancorar na polarização entre os sentimentos anti-PT e antidireita.</p>
<p>Sob essa ótica, o Brasil segue a tendência regional. A diferença reside na complexidade do nosso sistema político: o tamanho do eleitorado, o número de partidos e a força das alianças estaduais e do Congresso – que detém fatia expressiva do orçamento – impõem uma dinâmica própria.</p>
<p>Outra variável relevante neste ciclo é o peso da agenda externa: a presença de Milei no apoio à candidatura de oposição e a atuação mais ostensiva de setores norte-americanos para influenciar o debate político local inserem um componente internacional mais acentuado do que o observado em 2022.</p>
<p>GSW BRASIL  Quais foram os maiores erros dos governos anteriores de esquerda que culminaram nessa nova remodelagem da estrutura política em toda a América Latina?</p>
<p>Denilde  Apontaria dois fatores centrais. O primeiro é a incapacidade de enfrentar a corrupção e o uso indevido de recursos públicos, o que consolida a percepção de que o sistema político tradicional é conivente com essas práticas, alimentando o discurso antipolítica.</p>
<p>O segundo foi a falha em entregar respostas materiais rápidas à população. Embora os indicadores socioeconômicos tenham mostrado avanços em determinados períodos, esses ganhos não se traduziram em uma percepção consistente de melhoria na qualidade de vida. Esse descompasso entre estatísticas e a realidade percebida fragilizou a defesa do modelo social e econômico tradicional.</p>
<p>Ademais, as forças de direita adaptaram-se com maior agilidade aos novos ecossistemas digitais de comunicação, utilizando estratégias de engajamento direto e mobilização que os partidos tradicionais — tanto de esquerda quanto de centro — não conseguiram acompanhar, resultando em um forte distanciamento das bases populares.</p>
<p>GSW BRASIL  Sobre essa disparidade entre dados e percepção, vemos acontecer com alguns índices, principalmente econômicos, aqui no Brasil. O problema é majoritariamente comunicação?</p>
<p>Denilde  A comunicação é central, mas a questão vai além do volume de propaganda: trata-se do formato e do canal. Governos tradicionais enfrentam dificuldades para traduzir medidas institucionais em uma linguagem acessível para o ecossistema digital atual.</p>
<p>Existe também um descompasso estrutural. O rito democrático tradicional é lento, pautado por negociações e pesos e contrapesos, enquanto a expectativa da sociedade atual é por respostas imediatas. Essa assimetria gera desconfiança e afasta, em especial, as gerações mais jovens dos canais institucionais de debate.</p>
<p>Figuras políticas mais jovens, de diferentes espectros ideológicos, capturam essa dinâmica com mais facilidade. Para lideranças consolidadas, como o presidente Lula, reconfigurar uma linguagem política estruturada ao longo de décadas representa um desafio substancialmente maior.</p>
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        <media:title>Trump</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Crise entre Brasil-EUA é a pior desde redemocratização, mas ruptura é improvável, dizem especialistas</title>
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      <pubDate>Wed, 05 Aug 2026 21:04:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou nesta terça-feira, 4, o visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. É a primeira vez que uma medida desse tipo atinge o chefe da representação diplomática brasileira nos EUA desde a redemocratização.</p>
<p>O episódio marca o ápice, ao menos até aqui, de uma escalada que começou pouco depois de Donald Trump reassumir a Casa Branca, em 2025, e que se desdobrou no tarifaço que sobretaxou produtos brasileiros em 40%, além da alíquota geral de 10%, na revogação dos vistos de oito ministros do STF sob a alegação de perseguição política a Jair Bolsonaro, na ampliação da lista a integrantes do primeiro escalão do governo Lula e, dos dois lados, na negação de vistos diplomáticos e de entrada.</p>
<p>“Estamos vivendo o pior momento das relações entre o Brasil e os Estados Unidos pós-redemocratização”, avalia Leandro Consentino, especialista em Relações Internacionais e professor de Ciências Políticas do Insper.</p>
<p>Entender a revogação exige rastrear a própria origem desse atrito bilateral, que remonta a 2025. Naquele ano, meses após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro viajar aos Estados Unidos buscando apoio da administração Trump contra o julgamento de seu pai no STF, o Brasil acabou incluído no tarifaço anunciado pela Casa Branca, resultando em uma sobretaxa de 40% sobre os produtos brasileiros. </p>
<p>A medida, segundo Trump, foi motivada pelo julgamento de Jair Bolsonaro no STF, que ele classifica como uma perseguição política promovida pelo judiciário brasileiro contra o ex-presidente, condenado meses depois a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.</p>
<p>Em julho de 2025, o Departamento de Estado revogou os vistos de oito ministros do STF  – entre eles Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino e Gilmar Mendes  –, sob a alegação de perseguição política ao ex-presidente. </p>
<p>A lista de autoridades brasileiras impedidas de entrar em território americano cresceu ao longo do ano e passou a incluir integrantes do primeiro escalão do governo Lula, caso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.</p>
<h2>O impasse do agrément</h2>
<p>O episódio que precipitou a revogação do visto de Viotti começou em 1º de junho, quando Trump indicou Daniel Perez, parlamentar estadual da Flórida e aliado do secretário de Estado Marco Rubio, para chefiar a embaixada americana em Brasília. </p>
<p>O nome teve o aval de uma comissão do Senado dos Estados Unidos, mas ficou embargado no Itamaraty, que ainda não concedeu o agrément –  anuência formal que o país anfitrião dá antes da posse definitiva de um embaixador.</p>
<p>O governo brasileiro sustenta que os Estados Unidos quebraram o protocolo ao tornar pública a indicação de Perez antes de solicitar o agrément ao Itamaraty, o que violaria o artigo 4º da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, tratado de 1961 ratificado por ambos os países. Os Estados Unidos negam irregularidade e dizem ter mantido contato contínuo com autoridades brasileiras nas últimas semanas para destravar a nomeação.</p>
<p>Dez dias antes da revogação do visto de Viotti, o Itamaraty já havia negado vistos de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado – o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson –, sob a justificativa de que planejavam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. O Departamento de Estado cita o episódio como parte da lógica de reciprocidade que fundamentou a decisão sobre Viotti.</p>
<p>Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Unifesp, a justificativa americana oculta a real intenção de Washington: pressionar o Brasil a ceder no agrément. “É um eufemismo diplomático. Não há precedentes para o cancelamento do visto de um embaixador em exercício como resposta à postergação, o que configura uma coerção explícita e enfraquece o status quo da Convenção de Viena”, sintetiza.</p>
<p>Autoridades americanas fizeram questão de diferenciar a medida de uma expulsão formal. A revogação do visto não equivale à declaração de persona non grata, mecanismo previsto na Convenção de Viena para a retirada compulsória de um chefe de missão. Viotti segue investida no cargo pelo Estado brasileiro e pode permanecer em solo americano. Sem visto válido, porém, ela não poderá retornar aos Estados Unidos caso deixe o país, e o documento só deve ser restabelecido com a concessão do agrément a Perez.</p>
<p>Enquanto a embaixada brasileira em Washington continua funcionando normalmente, o posto americano em Brasília segue sem embaixador titular, chefiado pela encarregada de negócios interina Kimberly Kelly. </p>
<h2>Dimensão política </h2>
<p>A escalada ocorre a dois meses do pleito presidencial de outubro, no qual Lula disputa a reeleição, tendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o principal adversário.</p>
<p>Na semana anterior ao anúncio, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro esteve em Washington para uma série de conversas com autoridades do governo Trump. No dia 29 de julho ele apareceu na Blair House, a residência oficial onde os Estados Unidos hospedam líderes estrangeiros, num encontro que reuniu lideranças evangélicas e contou também com a presença de Netanyahu. </p>
<p>Segundo a colunista Bela Megale, d'O Globo, dias depois desse encontro Eduardo e Paulo Figueiredo já sabiam, por meio de conversa reservada com um representante do Departamento de Estado, que o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti seria revogado antes mesmo de o Itamaraty ser oficialmente comunicado.</p>
<p>Após a medida vir a público, tanto Eduardo quanto o senador Flávio Bolsonaro atribuíram a responsabilidade pela crise ao Palácio do Planalto. Em vídeo publicado nas redes horas depois do anúncio, Eduardo disse que Lula está "escalando um atrito proposital" por acreditar que isso favorece sua candidatura, e repetiu a acusação feita por Marco Rubio de que o governo brasileiro não teria negociado de boa-fé com Washington.</p>
<p>Já Lula, em entrevista aos podcasts Meteoro Brasil e Os Três Elementos, chamou a decisão americana de “irresponsável” e “impensada” para dois países, e reclamou que os Estados Unidos deixaram o posto de embaixador em Brasília vazio por um ano e meio antes de cobrar pressa do Brasil para aprovar o nome de Daniel Perez. </p>
<p>O presidente também revelou ter orientado o chanceler Mauro Vieira a suspender a agenda de recebimento de embaixadores até depois da eleição, decisão que, segundo ele, vale para representantes de qualquer país, não só dos EUA.</p>
<p>Para Regiane Bressan, o episódio mostra os Estados Unidos usando política externa para resolver questões internas, ao tentar influenciar uma eleição em outro país, ao mesmo tempo em que coloca o governo brasileiro na posição de defender a soberania nacional sem perder apoio da própria base eleitoral.</p>
<p>O governo brasileiro convocou uma reunião nesta quarta-feira para definir a resposta aos Estados Unidos, sob o princípio da reciprocidade. Entre as alternativas em avaliação está uma medida espelhada na área de vistos ou outra ação de peso diplomático equivalente, opção dificultada pelo fato de os Estados Unidos não terem, no momento, um embaixador em exercício em Brasília.</p>
<p>"Caso o impasse continue, os próximos passos podem englobar a imposição de sanções, aplicação de barreiras tarifárias e o rebaixamento formal no nível de representações bilaterais”, avalia Bressan.</p>
<p>Consentino, no entanto, vê a hipótese de uma ruptura definitiva como remota, por conta do interesse comercial, econômico e até militar que ambos os países têm em preservar a relação. </p>
<p>"Esse conflito tem prazo de validade e, à medida que o processo eleitoral for concluído, a tendência é que o Brasil e os Estados Unidos voltem a ter boas relações."</p>
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      <dc:creator><![CDATA[Carlos Eduardo Vasconcellos]]></dc:creator>
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    <item>
      <title>Tarifa de 25% dos EUA deve reduzir competitividade e causar queda de 7,1% nas exportações brasileiras de calçados em 2026</title>
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      <pubDate>Thu, 16 Jul 2026 19:44:00 Z</pubDate>
      <description><![CDATA[<p>O setor calçadista está entre os afetados pela nova tarifa sobre produtos importados brasileiros de 25%, imposta pelos Estados Unidos na quarta-feira, 15/07, e que entra em vigor no dia 22 de julho. O calçado brasileiro destinado aos Estados Unidos é o principal destino do setor no exterior. Com a aplicação da tarifa, as exportações totais de calçados devem ter uma queda média de 7,1% ao fim de 2026. A projeção é da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).  </p>
<p>A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados emitiu nota para manifestar a preocupação com a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25%. A decisão foi tomada no âmbito da investigação conduzida sob a Seção 301 da lei de Comércio dos EUA. </p>
<p>O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, afirma que a aplicação da tarifa representa um retrocesso para uma relação comercial construída ao longo de décadas. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, afirma. </p>
<h2>Segunda rodada de tarifa </h2>
<p>Os calçados brasileiros já tinham sofrido aplicação de tarifa adicional de 40% dos Estados Unidos no ano passado, que caiu em fevereiro deste ano. Na época, a projeção da Abicalçados indicava retração média de 3,6% nas exportações totais de calçados ao fim de 2026. A expectativa era de estabilidade no segundo semestre deste ano, compensando parcialmente a queda registrada na primeira parte do ano. </p>
<p>Com o anúncio da nova tarifa, a Abicalçados revisou sua projeção para o ano. Agora, a associação estima queda média de 7,1% ao fim de 2026, para as exportações totais de calçados, o que representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior. </p>
<h2>Empresas americanas manifestaram apoio ao Brasil</h2>
<p>Empresas americanas do setor calçadista chegaram a manifestar contrariedade à aplicação da tarifa sobre calçados brasileiros nas reuniões técnicas que aconteceram antes da decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), de acordo com a Abicalçados. </p>
<p>Entre elas, a Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC, Bernardo Footwear e Dillard’s Inc. </p>
<p>De acordo com a Abicalçados, o mercado norte-americano é dependente de importação de calçados. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem cerca de 20 milhões de pares, volume equivalente a aproximadamente 1% de seu consumo interno. O principal exportador para o mercado americano é a região da Ásia. </p>
<p>Para Haroldo Ferreira, “o diferencial tarifário que se amplia entre o calçado exportado pelo Brasil e demais países exportadores reforçará a concentração das compras norte-americanas em origens já dominantes, especialmente asiáticas, em sentido contrário aos interesses dos Estados Unidos de diversificação, resiliência e segurança das cadeias de suprimentos”.  </p>
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        <media:title>Calçados</media:title>
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      <dc:creator><![CDATA[Tatiana Schnoor]]></dc:creator>
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